Notas iniciais
Eis um novo capítulo.
Como eu to muito sem inspiração pra continuar, decidi acabar a fic nos próximos capítulos. Acho que uns 5 ou 6 pra frente, termina.
É, fiquei sabendo das novas regras do NYAH! e vai dar uma trabalheira desgraçada modificar todos os nomes. Mas e aí, se vocês tiverem sugestões to aceitando :3
Enjoy.

Sidney's POVS

Eu estava parado no acostamento de uma estrada deserta, com uma placa velha de metal rangendo pouco acima da minha cabeça. As letras vermelhas e descascadas diziam "Bem vindo a Erechin". Não faço ideia de que horas eram, mas estava muito escuro.

Ela já devia ter chegado.

Olhei meu celular pela milésima centésima segunda vez e nada, nenhuma chamada, nenhuma mensagem. Que ótimo Sidney, você está parado no meio da rua com uma mercedes, se for assaltado e permanecer vivo será muito sortAAAAAAAAAAAAAAAAA — a porra da placa fez um 'creck' e eu jurei que ela fosse cair. De repente um barulho de motor capturou minha visão, era uma caminhonete mostarda velha. Segundos depois, Mel saltou lá de dentro.

- Que caquera é essa? — perguntei apontando pro pedaço de lata velha enferrujada a minha frente.

- É a caminhonete do Fred — respondeu ela meio grogue.

- Tu tá bêbada? — segurei seu braço, vendo-a cambalear e piscar os olhos várias vezes, os mesmos estavam vermelhos e estralados. — Não, tu tá drogada! — afirmei.

- Eu tomei algumas garrafas de Vodka com o Matt — admitiu ela, mas esse comportamento não era de alguém que tenha consumido apenas álcool.

- Tá, pera — disse, pegando Mel no colo e colocando-a sentada no banco do motorista da Mercedes. Agachei a sua frente, segurando suas mãos que estavam geladas e pegajosas. Ela estava suando frio.

- Tu tá um caco guria, o que houve?

- Eu quase dei no meio de um Corsa, minutos atrás — falou.

- Tu quase bateu o cac... carro? — involuntariamente me veio a cena da Mel ensanguentada no meio de um monte de escombros, afastei o pensamento rapidamente.

- Sim, desviei segundos antes, mas mesmo assim o Corsa raspou na lateral da caminhonete. — Olhei para a mesma, e tinha um amassado enferrujado em um dos lados, juntamente com um espelho faltando. Meu queixo caiu. Eu estava exatamente no meio dos sentimentos de descrença e medo por quase ter perdido minha melhor amiga.

- Sid, o que descobriu? — perguntou ela. Puxei o ar, tentando não ter uma crise de choro. Nada aconteceu Sidney, calma.

- Bom, eu estava em casa sem nada pra fazer, aí eu lembrei que tinha uma trabalho para entregar hoje e não entreguei. Corri pra PUC e o professor não estava, total perda de tempo. Eu estava voltando quando vi o Diretor entrar com a secretária na sala dele, eles pareciam bem "íntimos", e como era apenas ela que cuidava da sala de documentos, deveria estar vazia. Entrei lá e vasculhei tudo, começando por Andrew.

- E? — seus olhos faíscaram de expectativa.

- Não tinha nada, como esperado, já que ele subornou a entrada e tem o nome falso de "Daniel Druzzian". E como eu estava lá, continuei olhando os registros e no de Eliana diz que ela foi transferida e um monte de baboseira, mas o que me intrigou foi a ficha criminal.

- Ficha criminal?

- Sim, algumas detenções por agressão, uma inclusive dentro de uma loja de sapatos. E uma mais grave — pausei, procurando as palavras — Eliana estava num racha de carros no dia 26 de outubro de 2009, foi presa e liberada após pagar fiança.

- Racha de carros... — Mel murmurou — Acha que ela estava no racha que ocasionou a morte de Brawian?

- Não faço ideia, mas...

- Mas?

- Eu olhei outra ficha, e tinha a mesma coisa. Prisão por racha ilegal no dia 26 de outubro de 2009.

- Quem?

- Matt.

50 minutos depois...

Estávamos em Porto Alegre, na frente de um prédio de luxo, onde o pai da Melanie usava como escritório para guardar todo material de trabalho, e apartamento de férias, como ele denominava. Nossa intenção (bom, a da Mel que me arrastou pra cá) era de procurar os relatórios do acidente de Brawian e tirar isso a limpo.

- Porque tu simplesmente não pergunta pra ele?

- Ah, e ele ia me responder numa boa, claro. Tipo: Oi pai, quem eram os envolvidos na morte do meu irmão? Por acaso o Matt ou uma loira vadia estavam perambulando pela estrada? — falou irônica.

- HAHA- disse sem graça — mas arrombamento é crime.

- É crime se formos pegos — disse decidida.

Entramos no prédio, pegamos o elevador e fomos parar no décimo sexto andar. Todas as luzes estavam apagadas, não havia ninguém lá. Esgueiramos alguns corredores até chegar numa porta verde-musgo. Logo ao lado da porta tinha um painel eletrônico, deve ter ouro dentro desse apartamento pra uma segurança como essa.

- Está trancada — bufou Mel forçando a maçaneta.

- Magina, impressão sua... CLARO QUE TÁ TRANCADA NÉ ÔO JEGUE! Se tem um painel eletrônico tem que confirmar a identidade com um cartão ou leitura visual primeiro. — pausei por um momento, encarando a porta — E agora, qual a ideia brilhante pra nos por dentro da sala?

- Deixa eu pensar.

- Vê se pensa rápido.

- Cala a boca Sidney!

- Cala a boca o meu p...

- Yoo! — interrompeu Hanna levantando a mão numa saudação. Pera...

- HANNA?! — falamos eu e Melanie juntos.

- Como tu veio parar aqui criatura do céu? — ao menos que ela possa se teletransportar ou ter visões, não vejo outro jeito.

- Eu sabia que tinha um negócio tenso rolando, então — disse ela num tom de quem tá sabendo demais — te coloquei esse transmissor com ondas de GPS — Hanna tirou um pequeno botão vermelho de dentro do bolso traseiro da minha calça skinny.

- Esse transmissor que me permitiu achar vocês, ah e ele também transmite audio, então eu to por dentro da situação — falou, agora revirando a bolsa.

- Belo trabalho — disse Melanie — então faz ideia de como abrir a porta?

- Hey! Eu fui espionado! Desde quando eu to com essa coisa na minha bunda enviando sinais pra ti? — perguntei indignado.

- Logo antes de tu transar com a sapatona-não-operada — disse, fuçando no painel.

- Sidney tá virando homem, hmmm — Mel deu uma risadinha sarcástica.

- Eu pensei que ela fosse um cara, aí chegou na hora H e foi tipo "olha a cobra..." "MAS CADÊEE?" — disse me lembrando da cena aterrorizante a qual fui submetido.

- Vejam o gênio em ação — anunciou Hanna, abrindo o pó compacto. Seu tom era ligeiramente arrogante, como todo nerd que se preze. Ela passou a esponja no pó e em seguida na parte de vidro do painel. Depois colou um band-aid do Bob esponja e voy alá , a porta fez um sinal de destrava.

Hanna se curvou, como alguém que agradece a platéia, e Mel bateu palmas sem som.

Entramos no apartamento e a porta ficou silenciosamente encostada. Me virei para a escuridão do apartamento. Lá no fundo, as luzes de Porto Alegre e das vitrines das lojas brilhavam através da janela. Hanna pegou uma lanterna na mochila, acendeu-a e deu alguns passos a frente. O hall estava arrumado e decorado classicamente com tapete, espelhos dourados e um mancebo com alguns ganchos vazios. Um único casaco marrom estava pendurado lá. Dois pares de sapato estavam embaixo do casaco pendurado, um par era masculino, de couro marrom, e o outro era um par feminino com salto moderado.

- Esse sapato não é da minha mãe — Mel murmurou, sem surpresa. Depois do que vimos na casa de Eliana, acho que ela começou a esperar por qualquer coisa dos pais dela.

- Vocês tão sentindo esse cheiro? — perguntou Hanna tampando o nariz. — realmente, um leve cheiro de lixo pairava no ar.

- Credo, fizeram guisado de urubu aqui. Peloamor... — tampei meu nariz para o cheiro ácido.

- Certo, vamos nos espalhar. Assim fica mais rápido — disse Melanie.

- Eu vou por ali — falou Hanna apontando para o corredor com três portas — E vocês olham a cozinha e os quartos — ela me jogou outra lanterna.

- Tem tudo dentro dessa bolsa é? — perguntei.

- Tudo e mais um pouco.

Passamos pela sala de estar, que estava escura, mas era espaçosa, com o assoalho escondido pelos tapetes orientais. Nos cantos havia caixas feitas de madeira fina

que eu imaginei serem caixas de som. Uma estátua africana esculpida na forma de uma mulher com crianças nuas penduradas pelo corpo todo. Numa parede havia um sofá de couro preto e em cima dele, uma lata de spray. Melanie pegou a lata e sacudiu.

- Acho que ainda tem tinta.

- Deixa eu ver — peguei a lata e direcionei para o encosto do sofá, moldando a frase "velho tarado" em vermelho — é, ainda tem.

Olhei para Mel que começou a rir.

- Devíamos pichar o carro da Olívia com algo do tipo — falou entre risos. Dei um passo pra trás e notei que meu all star grudou no tapete.

- TÁQUEPARIU, vazou tinta no chão.

- Deixa eu ver — Melanie tirou a lanterna das minhas mãos, abaixou-se e direcionou o foco da luz para a mancha. Notei que estava um pouco mais marrom ferrugem do que as palavras que havia acabado de escrever. Tinha também um aspecto seco. Mel foi passando a lanterna pelo chão descobriu mais duas manchas, também secas, e tão marrom ferrugem quanto as outras. Comecei a ficar preocupado, mas não ousava formular o pensamento, nem deixar transparecer. Quando nos aproximamos das outras duas manchas, percebi que era o começo de uma trilha. Uma longa fila de manchas vermelhas seguia até a sala de estar na direção

de um dos quartos próximos. Algumas manchas tinham escorrido nas rachaduras do chão de taco e vestígios iriam permanecer ali por muito tempo.

Havia algo de irresistível no mistério das manchas que fazia com que eu as seguisse. Mas a marca no portal fez com que parassemos repentinamente, era a impressão clara de uma mão que tinha deslizado pela madeira e, em seguida, se soltado.

Uma impressão em vermelho.

Só que agora eu percebia de um modo consciente que poderia ser sangue verdadeiro. Hesitante, dei mais um passo. Mel jogou a luz da lanterna pelo quarto, iluminando-o e iluminou. Paramos no meio do passo, eu estava incapaz de me mover ou tirar o olhar da cena montada na cama de casal. Era dali que se originava o mau cheiro. Os três corpos tinham, aparentemente, deixado essa vida, mas, mesmo assim, davam a impressão de estar era movimento. Uma grotesca instalação pornográfica se amontoava na cama. Uma mulher, um homem, e um pastor alemão, num último abraço na morte. Na cabeceira da cama, números e letras escritos com fezes: Gênesis 6:4. Eram claramente visíveis contra a parede de trás, dourada e prateada. O brilho da lâmpada vermelha ao lado da cama reforçava a cor do tapete de sangue que rodeava o móvel. As franjas da colcha e o espelho do teto faziam lembrar um bordel.

Um bordel no Inferno.

Deu tempo de eu conseguir ver, através do espelho, que os intestinos do cão estavam em volta do pescoço da mulher, como uma coleira.

Melanie's POVS

Sai do apartamento batendo a porta. Desci a escada correndo, e nos últimos degraus tropecei e cai de quatro. A dor que senti nos meus joelhos se batendo no chão de pedra foi contida pela sensação de pânico no estômago. Eu não conseguia pensar em nada a não ser correr, o mais longe possível. Me atirei contra a porta da entrada, abri-a e sai correndo pelas ruas escuras de Porto Alegre. O efeito da Vodka ainda não tinha passado, o que me fazia cambalear um pouco, como uma bêbada na rua. Não faço ideia de onde estavam Sidney e Hanna, mas meu pânico não me deixaria parar pra pensar nisso.

Corri em direção a Mercedes, que ficara estacionada várias ruas antes para não despertar suspeitas, lá eu poderia me acalmar e pensar melhor. Por um momento, eu havia cogitado a possibilidade de ir pra casa e puxar a coberta sobre a cabeça, como fazia quando era criança. Mas se fizesse isso ficaria sozinha com aquele segredo. Sozinha no escuro.

O pânico fluía pelo corpo. A respiração era dolorosa e ofegante.

Não olhei por cima do seu ombro nenhuma vez, como se isso fosse ajudar a esquecer, mas não conseguia. Entretanto, para meu horror, ouvi o som de pés batendo rapidamente atrás de mim. Algo me dizia que não era Sidney nem Hanna, o que me fez correr mais rápido, juntamente com a adrenalina e o medo.

Estava se aproximando rápido. Estava muito perto.

Segundos antes de mãos agarrarem meus ombros pra me parar, eu atirei-me à frente para evitar ser presa.

Mas tropecei e caiu.

As palmas de minhas mãos ardiam.

Num gesto automático, eu me enrolei como uma bola e tentei me proteger com os braços, agitando-os sobre a cabeça. As mãos, muito mais fortes, juntaram meus braços em uma firme pegada, então eu comecei a gritar.

- Mel! Calma! — falou a voz rouca, enquanto me sacudia.

Só então eu percebi quem era.

Andrew.

Seus cabelos negros estavam um pouco desgrenhados, e uma fina camada de suor escorria pela pele pálida. De repente o grito se transformou em lágrimas incontroláveis.

- O que aconteceu? — perguntou ele, ansiosamente. — Por que estava correndo por aí feito uma louca?

Eu tentava falar, mas as palavras ficavam presas na garganta e a minha língua parecia feita de pedra. Os únicos sons que saíam eram grunhidos. Andrew segurou meus braços firmemente e me pôs de pé. Duas mulheres de uns trinta anos apareceram na esquina e olharam furiosas para ele. Uma delas se dirigiu a mim.

- Você está precisando de ajuda? — talvez estivessem pensando que eu estava desse jeito por culpa dele. Balancei a cabeça em negativo e deixei Andrew me levar, na verdade ele mais me carregava do que me apoiava. Mas em sua companhia, eu me sentia mais calma.

Não prestei muita atenção no caminho que fizemos, a imagem horrível ainda enchia minhas retinas. Em alguns minutos estávamos na porta de um apartamento. Número 6672. Andrew me pôs pra dentro, e verificou se ninguém estava vendo, logo fechando a porta atrás de si. Dei de cara com a escuridão novamente.

- Casa — murmurou ele.

- Você mora aqui? — eu perguntei, só para ter certeza.

- Pois é — Um fósforo se acendeu, e ele segurou-o contra o pavio de uma vela. — Bem-vinda a minha casa.

Comparada com a escuridão, a luz das velas era surpreendentemente brilhante. Ficamos na porta de um hall de entrada em granito preto, que levou a uma vasta sala, também esculpida em granito preto. Tapetes de seda em escuros decorando o chão. A mobília era escassa, mas o pouco que Andrew tinha era elegante, e com um ligeiro toque artístico.

- Uau — eu disse.

- Eu não trago muitas pessoas para cá. Eu gosto de privacidade.

Como eu continuei minha exploração pelo apartamento, Andrew andou pelo local, acendendo velas.

- Cozinha para a esquerda — disse ele. — Quarto na parte de trás.

Joguei um olhar tímido acima do meu ombro.

- Isso foi um flerte? — perguntei. Ele ficou me olhando com olhos escuros.

- Talvez — Andrew disse divertido, caindo em um sofá de couro preto, abrindo os braços ao longo das costas. Senti seus olhos me devorando enquanto eu andava pela sala. Ele avaliou-me dos pés à cabeça, e uma dor quente passou por mim. Um beijo teria sido menos íntimo — Certamente você está ciente do efeito que tem em mim.

- Agora você está me provocando — afirmei.

- Eu gosto de provocá-la, é verdade, mas há algumas coisas sobre as quais eu nunca faria piada — todo o divertimento o deixou, e seus olhos ficaram sérios. Cada molécula do meu corpo era ultra-sensível à sua presença, consciente de seus movimentos. Andrew se levantou, caminhou até a parede, inclinando um braço contra ela. Suas mangas foram empurradas para os cotovelos, a cabeça baixa.

- Por mais que eu ache incrivelmente interessante continuar com esse assunto — ele passou os dedos suavemente da minha bochecha até a minha clavícula. Um arrepio constrangedor fez meu corpo estremecer. Percebendo isso, Andrew deu um sorriso malicioso — não posso ignorar que há alguns minutos você estava correndo alucinada como uma louca que acabou de fugir do manicômio — meu pulso martelou em minhas veias, meu alarme correndo mais profundo do que os ossos. Durante esse tempo que entrei no apartamente de Andrew, eu havia esquecido do que aconteceu antes. Mas agora...

- Confie em mim. — Ele procurou meu rosto.

- Não posso confiar em alguém que não confia em mim — falei, a teimosia falando mais alto.

Andrew suspirou, e depois de um momento, abaixou-se na borda do sofá. Ele desabotoou a camisa com cuidado. Embora eu estivesse surpresa, o instinto me disse para ter paciência. Apoiando os cotovelos sobre os joelhos, ele abaixou a cabeça entre os ombros nus. Todos os músculos do seu corpo estavam rígidos. Eu dei um passo mais perto, depois dois. À luz das velas tremeluziam através de seu corpo. Eu respirei fundo. Um corte em transversal rasgava suas costas.

Notas finais
Recomendações?