Notas iniciais
Holla personas! Estou passando por um momento crítico de falta de criatividade, então perdoem os atrasos, é que eu simplesmente não posso escrever qualquer bosta e postar né. Mas tá aí, espero que gostem.

Depois de arrumar nossas coisas, descemos para jantar, afinal chegamos já a noite. A mesa era pequena, de cinco lugares, mas eu nunca havia tido uma refeição tão alegre. Vovô contava várias histórias sobre fantasmas e suas aventuras de mocidade.

– Me lembro como se fosse ontem — começou ele — foi na noite do Halloween, quando eu tinha uns 14 anos, que meu pai me contou sobre a lenda da noiva cadáver. Segundo ele, ela era uma noiva que foi morta um dia antes do casamento. Então, todo dia das bruxas ela sai para procurar seu noivo, e chora chamando seu nome. Eu não acreditava nesse tipo de coisa, mas naquela noite, quando fui dormir, eu ouvi um choro baixinho vindo de baixo da minha janela. Morrendo de medo eu fui lá ver, e vi que tinha uma garota chorando, na hora eu morri de medo e pensei "a noiva cadáver!". Com uma coragem que até hoje eu não sei de onde veio, eu desci pela sacada a pegando de surpresa. Ela se assustou e saiu correndo, mas eu a segurei pelo braço, e nessa hora eu vi que ela era a garota mais linda do mundo — então ele olhou para vovó que estava sorridente ao seu lado e pegou sua mão — e continua sendo.

– Ah, pare com isso — falou ela sem jeito. Fred deu uma risadinha e olhou para mim.

– Sabe, crianças vocês me lembram nós quando éramos jovens — disse. Olhei de soslaio para Matt que me fitava, e então desviamos o olhar. Senti meu rosto enrubescer e dei um pigarro com um "vamos trocar de assunto por favor" contido.

Depois do jantar, eu fui ajudar Madaleine a lavar os pratos, enquanto Matt e Fred conversavam na rua. O jeito como vovô havia olhado para mim e Matt havia me incomodado bastante, talvez não do jeito que ele nos viu, mas o que quis insinuar. Eu remexi na água ensaboada, tateando os talheres afundados.

– Há quanto tempo se conhecem? — perguntou Madaleine, como se pudesse ler meus pensamentos. Pensei uma pouco antes de responder.

– Bom, eu passei quase toda minha infância com ele — disse.

– Amor juvenil, tão bonito — suspirou.

– Vovó, somos apenas amigos. — eu lavei algumas facas. Ela jogou a toalha por cima do ombro e se inclinou no balcão.

– Tem certeza? Nem um pouquinho? — eu reconheci a sugestão sutil em sua voz.

– Vó! Não.

– Mel... Você precisa admitir, Matt é um jovem fisicamente atraente, e ele está claramente interessado em você. Seria apenas natural se você tornasse evidente que sente algum interesse em retorno. Não seria nada do que se envergonhar.

Mergulhando uma panela de caçarola, eu esfreguei as laterais. — Seria tão estranho, eu nunca imaginei nada desse tipo, não assim, não com o Matt.

– Isso não muda o fato de que ele é um garoto charmoso, simpático, rico e bonito. — Eu lembrei a sensacão das mãos fortes de Matt quando me abraçou, na noite em que chegou em Porto Alegre.

– Você já me viu olhar para Matt com alguma coisa além de amizade? Sério? — perguntei. Madaleine sorriu.

– Você ficaria surpresa em saber quantas vezes amizade se transforma em amor. — Havia um olhar sábio nos olhos dela. Como se ela tivesse lido minha mente enquanto eu lembrava de como eu me sentia quando estava com ele. Eu corei.

– Isso não é muito lógico. É como a alquimia.

– Mel — vovó suspirou. — O que é o amor se não uma forma de alquimia? Existem forças nesse universo que simplesmente não podemos explicar. Só podemos sentir.

Sim. Forças como a gravidade de um buraco negro que muda o tempo. E a linha infinita de pi que cerca o universo. Havia forças e realidades de verdade. Misteriosas, claro. Mas que também podiam ser medidas, e talvez compreendidas se nós aplicassemos matemática, Ciência e física.

– Eu não gosto do Matt, vovó, então você pode esquecer sobre alquimia, sobre o amizade, e especialmente sobre o amor — Eu prometi, enxaguando a panela de cacarola.

Madaleine não parecia convencida enquanto enxugava o último dos nossos pratos.

– Bem, se seus sentimentos mudarem, você pode falar comigo. Eu tenho a sensação de que Matt é um jovem com muita experiência. Eu não gostaria que você perdesse a cabeça...

– A Mel 'perdeu a cabeca' de alguma forma? Posso ajudar em alguma coisa? — Madaleine e eu nos viramos para ver Matt parado na porta da cozinha. Quanto

tempo ele esteve ali? Quanto ele tinha ouvido? "Amizade se transforma em amor?"

Se vovó ficou envergonhada em ser flagrada falando sobre Matt nas costas dele, isso não apareceu no rosto dela.

– Mel vai ficar bem, Matt. Mas obrigada por perguntar. O que te tirou do celeiro? Fred fala demais não é? — ela deu uma risada.

– A vontade daquele delicioso sorvete de chocolate que você guarda no freezer — Matt disse. Ele foi até a geladeira e abriu a porta.

– Vocês gostariam de se juntar a mim?

– Na verdade, eu vou até o celeiro ver alguns gatinhos que seu avô achou — vovó disse para mim — Eu acho que temos espaco para mais um, mas eu gosto de fingir resistência. Se eu encorajá-lo demais, vamos acabar perdendo o controle — Ela deu um tapinha no ombro do meu amigo devorador de sorvetes enquanto saia da cozinha.

– Boa noite, Matt.

– Tenha uma boa noite, Sra. Lockwood. — Matt colocou o sorvete sobre o balcão e pegou duas taças no armário, segurando-as.

– Mel? Posso te deixar tentada? — perguntou.

– Obrigada, mas eu já vou dormir — recusei.

Ele mergulhou uma colher no sorvete e veio em minha direção, segurando meu queixo e introduzindo a colher entre meus lábios.

– Não aceito não como resposta.

Eu sorri um pouco, e provei o sorvete — feliz?

– Muito — falou dando um sorriso.

Nos encaramos por um momento.

– Tenho uma surpresa pra você — falou ele largando o pote de sorvete no balcão e escavando os bolsos. De repente ele tinha um pano preto em mãos.

– Que porcaria é essa? — perguntei.

– Faz parte da surpresa — disse vindo em minha direção. Recuei um passo.

– Confie em mim — disse. Suspirei e deixei que me vendasse.

– Espero que saiba o que está fazendo — resmunguei.

– Pode deixar moça, não vai se arrepender — falou brincalhão.