Smell Of Rain
3 Capítulo 3
- uma semana depois -
Chelsea sabia que era hoje. Hoje Chris iria vir com os pescadores. Uma semana tinha se passado e desde então, ela não continha sua ansiedade. Não sabia o que estava acontecendo com ela, em tão poucos dias o menino havia a encantado, e aquilo era estranho, e um tanto assustador para ela.
Cocou os olhos, ajustou a blusa e se levantou, limpando os shorts e foi correndo pela areia até chegar na velha cabana, adentrou e correu até seu pequeno quarto, abriu seu guarda-roupa de madeira montado por seu avô e tirou uma peça de roupa confortável
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e correu de volta para fora da cabana. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto e mordeu o lábio inferior, olhou de relance para os barris de cerveja, as frutas e os peixes todos já preparados para serem levados, ela não iria conseguir conversar com Chris se tudo já estivesse pronto, tudo preparado para ser levado a cidade, ela tinha que fazer algo... Suspirou. Um sorriso desconhecido surgiu no rosto da garota, olhou para os barris novamente e foi até eles lentamente, olhou para a janela da cabana e viu seu avô alimentar Quasi, sorriu... Ele não iria ver o que ela estava prestes a fazer. Colocou os quatro barris no chão e os levou rolando até o fundo da cabana, enquanto ria um pouco da idiotice que estava fazendo. A menina tentou ir um pouco mais rápida, mas aquilo era cansativo, e muito. Com dois barris ela já se cansava, imagine com quatro! Era muito cansativo. Então, ela escutou um latido... Era Quasi. Chelsea arregalou os olhos assustada, seu avô poderia vê-la se tivesse saído da cabana com o cão, e então, foi ai que surgiram forças do além para empurrar aqueles barris. A menina estava ofegante e precisava de água, mas isso não a parou... Ela já estava em um local onde seu avô não poderia a ver, então sorriu satisfeita e riu novamente do que estava fazendo. Levou a mão ao coração e ao sentir o desparamento riu. Ela caiu sentada no chão e suspirou. Ela olhava o céu da ilha, ôh, como o céu estava lindo aquele dia... O céu estava lindo todos os dias, ali era um lugar onde tudo era lindo, era um lugar perfeito, era um paraíso... E foi em meio a esses pensamentos que algo molhado e gosmento atingiu seu rosto, a menina balançou a cabeça rindo e secou o lugar molhado de seu rosto.
- Quasi! –Murmurou nervosa com o cachorro que lambia a menina. –Para com isso, garoto! –Ela tentava impedir o cachorro. Levantou e então limpou o shorts. – Quasi, você consegue me ajudar a empurra esses barris até atrás da cabana? –A menina olhava pro cachorro e pensava “Como eu sou idiota, falando com um cachorro!”, riu. – Olha, — Chel empurrou com os pés dois dos barris, o cachorro sentou e a olhou, ele colocou a língua pra fora como os cachorros costumam fazer e soltou um latido. – Não, shhhh! Fica quieto, não late, Quasi. – Chelsea olhou pros lados, seu avô não poderia ver aquilo. Chel balançou a cabeça e continuou a empurrar os barris, mas foi surpreendida por um cachorro grande ajudando-a a empurrar, ela olhou aquilo espantada, ele estava realmente fazendo aquilo? A menina riu e continuou até chegar atrás da cabana, agradeceu Quasi com um carinha na cabeça e virou os barris de pé, deixando-os ali. Voltou correndo até a cabana, entrou e viu seu avô deitada na rede tocando um cavaquinho e assobiando, a menina sorriu ofegante e foi até a cozinha, abriu a geladeira, pegou um jarro de água gelada e colocou a mesma em um copo, tomando com gosto toda a água contida no copo de vidro.
Foi para fora da cabana e então, começou a se abanar com as mãos: a corrida que ela deu realmente a deixou cansada e com cede, ela riu de si mesma, até então avistar os cinco pescadores, seu riso diminuiu, nascendo um largo sorriso no rosto. Ela sentou-se na areia e ficou olhando os pescadores se aproximarem, mas o sorriso doce que tinha em seu rosto se desfez em segundos: Chris não estava lá.
Chelsea se levantou brutalmente e então foi até o suposto pai de Chris.
- Olá Chelsea. – O pai de Chris sorriu. – Onde David se encontra? – O homem perguntou sorridente, Chel sorriu.
- Chamarei ele para o senhor, mas... antes pode me responder uma coisa? –Chel perguntou doce.
- Claro. – O homem sorriu.
- Onde está o Chris? – Chelsea perguntou. O sorriso que estava no rosto do homem se desfez e um olhar medonho foi lançado para Chel, que se encolheu um pouco, ela estava com medo da resposta. A menina engoliu um seco e piscou os olhos algumas vezes.
- Ele... não pode vir. – O homem tornou a sorrir.
- Por que? –Chel perguntou confusa.
- Ele só não quis vir. – O homem suplicou, Chel engoliu o que estava preso na garganta e então assentiu, abaixou a cabeça e foi até a cabana, chamou seu avô e...
- Onde estão os barris de cerveja? –David perguntou, Chel fez um trabalho a toa. David coçou a cabeça. – Devo ter deixado atrás da cabana de novo e não me recordo. Bom, venham comigo. – David foi andando até atrás da cabana. Chelsea estava inconformada com aquilo, algo havia acontecido... Ela não havia percebido as marcas nos braços do pai de Chris? Oh, não, ela não percebeu... Não tinha como saber que eles acabaram... Brigando.
- uma semana depois –
- Chris! –Chel sorriu ao ver o menino, que deu um sorriso fraco e amarelo, ela havia percebido o desanimo do menino. – Por que não veio semana passada? Eu fiquei te esper... –A menina olhou direito o rosto do garoto e então viu uma marquinha roxa e um machucado quase cicatrizado em sua testa. – Ei, o que aconteceu?
- Am... Aqui? –O menino apontou para a testa, deixando a mostra seu cotovelo, que estava coberto por uma faixa.
- E aqui também. – A menina apontou para o cotovelo do garoto, que foi coberto pela outra mão.
- Eu... Só... Acabei... Brigando com uns caras, não foi nada demais. – O menino riu.
- Você está machucado, não tem como não ser “nada demais”. – Chelsea engrossou a voz nas ultimas duas palavras, tentando soar como o menino, que riu um pouco também, logo após respirando fundo.
- Eles apanharam mais, relaxa. –Chris fez uma careta, fazendo com que Chelsea risse.
- Bom, meu avô fez uma sopa com peixes – Chelsea fez uma cara como se aquilo fosse nojento, não que não fosse, ela gostava de peixe... Mas, sopa com peixe não era legal. – e ele convidou seu pai e seu tio, se eu não me engano seu tio, — Chel riu- para comerem com ele... Digo, eles aceitaram.
- Bleh, sopa. –Chris fez a mesma careta que Chelsea havia feito. – Acho que vou ficar fora desse almoço.
- Somos dois. –Chelsea sentou no banco de madeira, Chris sentou-se ao seu lado.
- E o que vamos fazer então? –O menino olhava para o mar, assim como Chel.
- O que quer fazer? –Chelsea olhou para o garoto.
- O que tem pra fazer? –Chris respondeu com outra pergunta, e então riram juntos.
- Podemos escalar a pequena montanha que tem. –Chel apontou.- Lá tem uma caverna meio funda, por sinal, que quando chove, raramente, sobre água. Ela é meio úmida e tudo mais, porém é bem legal lá, esses dias eu encontrei um diário...
- Um diário? –Chris perguntou, estranhando.
- Aham, é um diário velho e tava meio molhado, mas dá pra ler. Eu deixei ele secando em cima da cabana, não sei se secou... Mas, depois vemos isso. Quer ir lá? –Chelsea perguntou animada.
- Por que não? –Chris levantou, estendendo a mão para a menina, que segurou a mesma levantando. Foram andando até a montanha que tinha ali, e então, Chel ajudou o menino a subir, já que ele estava com o cotovelo machucado, aquilo não ajudava muito... Eles conseguiram e então, andaram um pouco, até encontrarem o buraco da entrada da caverna.
- É aqui. –Chel colocou as mãos na cintura. – Vamos? – Chelsea entrou e logo em seguida, Chris fez o mesmo.
- Aqui é meio frio. –Ele disse e então, sua voz fez um eco, fazendo o garoto rir. – ECO! –E então a caverna respondeu ‘eco’.
- EI! –Chelsea gritou, soando de volta pra ela um ‘ei’.
- HEY, HEY! –E de volta pra Chris, um ‘hey, hey’.
- BEXIGAS SÃO LEGAIS! –Chris gritou, fazendo a frase voltar pra ele e Chelsea o olhar estranho.
- Bexigas?
- Eu não tinha nada melhor pra falar. –O menino fez cara de pouco caso. E então os dois riram. Começaram a andar e andar, foram até um lugar que Chelsea não havia entrado...
- Eu... não conheço essa parte da caverna. – A menina disse, Chris ficou um pouco assustado.
- Tudo bem, a gente encontra o lugar de volta.
Chelsea olhou pra trás e balançou a cabeça, estava ficando assustada, Chris percebeu isso e sorriu.
- Ei, não fica com medo, ta tudo bem. – Chris sorriu pra menina, que faltava se derreter com o que o garoto disse. Ela sorriu tímida e continuaram andando, até saírem em um lugar que Chelsea não conhecia.
- Deve ser a parte de trás da ilha. –Chel afirmou.
- Ou não. –Christofer apontou para a cabana, que era muito bem vista dali. Os dois se entreolharam e riram. Era só um outro meio de saída ou entrada da caverna.
- Nossa. –Chel riu.
- Acho melhor voltarmos.
- Claro, vamos. –Chelsea ao terminar de responder, tropeçou em uma pedra, e Chris, na tentativa de segurá-la, acabou caindo também, só que sobre a garota. Os olhos dele se encontraram com o dela, e sabemos que rolou aquele clima tenso entre os dois. Chelsea havia prendido a respiração, não conseguia respirar diante dele, ali, tão perto, tão... próxima dele. Ela estava incomodada com aquilo, foi então que...
- Chris... Você está... Me... Machucando. –Ela riu e o menino rapidamente saiu de cima da garota, ele riu um pouco.
- Desculpa.
- Não, tudo bem. –Chelsea sorriu. E o silencio voltou ali. – Bom... é melhor irmos. –Chris apenas assentiu enquanto sorria... Não era apenas Chelsea que ficava boba perto de Chris... Ele também ficava bobo perto dela.
Notas finais
X Jés
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