Smell Of Rain

4 Capítulo 4


- mais uma semana depois –

Chelsea acordou novamente com a luz do sol no rosto, aquilo incomodava sua vista, não a ajudava abrir os olhos, a menina então cobriu o rosto com as mãos, coçou os olhos e bocejou. Piscou os olhos algumas vezes e então sentou-se na cama, se espreguiçando um pouco, bocejou novamente e encostou os pés no chão. Ela deu um pulo flácido e voltou pra cama, o chão estava gelado, o que era até um pouco estranho, por ser uma cabana, o chão até ficava quentinho por conta do sol... Foi ai que ela percebeu: estava um dia frio. Encheu as bochechas de ar, soltando todo o ar depois.

- Merda. –Ela olhou pela janela. Não estava totalmente frio, tinha um sol, um sol fraco, mas o sol que havia a acordado. O vento estava gelado, e o mesmo fazia seus cabelos balançarem. A menina procurou seus calçados e então os calçou, andou até seu guarda roupa e pegou uma roupa comum. Era muito difícil fazer frio ali, um lugar de sol, muito sol... Mas quando esses dias frios chegavam... O dia era uma beleza, um sol fraco com um vento gelado, mas de noite... Até chover chovia. Raramente.

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Chelsea foi até a cozinha, abriu o armário e pegou uma caixa de cereal, colocando um pouco em uma tigela com leite. A menina sabia que seu avô, naquele momento estava pescando, ou separando frutas, pois tinha se esquecido de alimentar Quasi. Chelsea terminou de comer e limpou a boca com um pano, pegando a ração – que estava sobre a pia – e despejando um pouco para Quasi, que não estava ali.

Chelsea saiu da cabana e foi até a porta de entrada da casa, subiu no banquinho que tinha ali e olhou por cima do telhado da casa, procurando o diário que havia deixado ali. A menina o encontrou um pouco mais distante de onde havia deixado “O vento”, pensou.

A menina desceu do banquinho e entrou para dentro novamente, foi até a rede feita na varanda pelo avô e deitou-se ali, abrindo o diário, e então começou a ler.

“Sexta-feira, Fevereiro, 1992.

Breendelyn foi para o hospital; não sei exatamente o porquê, mas isso me preocupa. Ela anda muito doente, tem algumas dores diárias; disse que iria fazer os exames e, se me recordo bem, hoje sairia o resultado.

Ela saiu já faz algum tempo e até agora não voltou, calculo que ela deve ter chegado lá, umas oito horas, parcial. Agora é meio-dia. Não sei o que deve estar acontecendo, mas preciso me informar se esta tudo bem com ela. Pode ser algo grave.”

Chelsea não conhecia Breendelyn, nunca ouvira alguém dizer esse nome. Alias, ela não sabia de nada do que se tratava ali. Passou para a outra página.

“Sábado, Fevereiro, 1992.

Breendelyn está com suspeitas de câncer. Irá começar os tratamentos semana que vem. Espero que ela se cure logo, e ela vai. O médico disse que talvez tenha chances dela se salvar... Eu espero que ele esteja certo.”

“Terça-feira, Fevereiro, 1992.

Breendelyn está no hospital nesse momento... Ela passou mal ontem a noite e está aqui desde então. Não sei mais o que esperar.”

“Quinta-feira, Fevereiro, 1992.

A enfermeira Tunner falou comigo ontem sobre o que aconteceu com Breendelyn e o porque dela não ter voltado para casa. Bom, Breendelyn não está mais entre nós. Ela não ia resistir as terapias e foi o que aconteceu. O médico havia lhe avisado sobre isso, mas se a conheço bem, ela deve ter insistido nisso e prosseguiu assim mesmo. O organismo dela estava fraco demais e infelizmente, ela não resistiu, não sei mais o que fazer da minha vida. Breendelyn era tudo que eu tinha... E com essa confusão toda ainda tem o casamento com Peaper... Eu ainda não entendo, o que diabos eu fiz de tão ruim assim?

Eu e Peaper temos que seguir a rota familiar e gerar continuidades de nosso sangue, mas tanto eu, quanto ela, não queremos isso... O que diabos você foi ter que morrer, Breendelyn?”

“Sábado, Março, 1992.

Está tudo decidido, eu já tenho a ilha comprada e tudo pronto, ninguém precisa saber minha razão de se isolar do mundo, sem Breendelyn comigo, eu não sou nada! Vou continuar minha vida aqui, nesse paraíso de areia e mar, de céu e água, apenas isso. Bill ficou com Peaper, mas, claro que vou continuar vendo e ajudando Peaper a cuidar dele, afinal, ele também é meu filho. Minha vida está uma grande merda.

Com essa tal história de largar tudo, querem até publicar minha vida nos jornais, isso é possível?”

“Segunda-feira, Novembro, 1993.

Encontrei um grande amigo hoje, Quasi. É um cachorro muito amigo, alias, que cachorro que não é amigo?

O pessoal da imprensa veio hoje falar comigo, irão renovar essa história toda da minha vida e publicar por aí... Bom, não que vou ficar conhecido, não agora... Quem sabe furutamente?

Ah Breendelyn, como sinto sua falta.”

Chelsea fechou o diário no mesmo momento. Ela tinha em seu rosto uma expressão totalmente desconhecida... Ela levou uma das mãos até a boca, não sabia o que fazer. Olhou para a janela e então viu seu avô sentada na areia com Quasi, ele não parecia ser aquele cara que escreveu em todo seu diário, pra ela, ele era apenas uma pessoa diferente, que quis morar em um lugar melhor que uma cidade... Pra ela, o que ele havia feito não tinha motivos, mas Chelsea estava enganada, o que ele fez tinha sim um motivo, e esse motivo se chamava Breendelyn.

Notas finais
desculpem qualquer erro.

X Jés