No almoço do dia seguinte instantaneamente antes de se sentar sozinha, Sakura sinalizou para Ino e Naruto, o que foi uma bênção. Deixando suicídio social de lado, ela definitivamente precisava de diversão. Apenas não podia parar de pensar no sonho da noite passada.

Queria que tivesse alguém que poderia falar sobre tudo, o tipo de coisa de quando sua irmã morreu. Tentou explicar como se sentia, mas ninguém entendeu.

E como poderiam?

Como alguém poderia entender algo tão impossível: o espírito de sua irmã, Rin, em sua roupa de escoteira, a que ela sempre insistia em usar para vender biscoitos, ir a reuniões da tropa ou apenas andar pela casa, tinha ficado em coma por seis meses.

Mas ela a tinha visto aquele dia, ela abriu a porta da frente de sua antiga casa, atravessou a sala de estar para lhe dar um beijo de adeus, e então saiu sem nenhuma palavra.

Sabia que tinha sido o fantasma dela que apareceu, sabia que ela estava morta. Quando tentou explicar para sua mãe, ela bateu o pé no chão, se recusando a acreditar nela, dizendo que era cruel e insensível por dizer essas terríveis mentiras.

Menos de cinco minutos depois, seu pai ligou do hospital dizendo que Rin tinha falecido.

Naruto deslizou uma tigela de macarrão instantâneo de carne fumegante para Sakura.

-Servida?

-Você quer realmente que a menina fique nauseada em seu primeiro dia almoçando conosco? — Ino fez uma carranca com a oferta.

-Na verdade, isso parece bom.

Naruto gostou de sua resposta, seu sorriso apareceu, fazendo com que se acentuassem as finas cicatrizes em suas bochechas, três em cada lado.

-Eu sabia que a garota tinha paladar.

Acabaram trocando lanches como na pré-escola, umas garfadas do macarrão instantâneo dele por bolinhos recheados dela. Naruto sugeriu que deveriam fazer algo no fim de semana.

-Ino e eu daremos a você um tour pela cidade.

-Vai levar uns cinco minutos — Ino gracejou, olhando para o pulso de Sakura.

Ao perceber, Sakura abaixou sua manga para cobri-lo, e então levantou o polegar para o tour. Fizeram planos para o sábado à noite, às sete. Naruto se ofereceu para buscá-la, e foi quando disse onde morava.

-Você está brincando? — Ino engasgou, enquanto tomava seu iogurte de morango — A casa do banho de sangue?

-O que? — Sakura parou de mastigar.

-Nada demais. — Naruto disse, tentando fazer soar sem importância.

-Banho de sangue!O vendedor não contou a real história da sua casa?

Sakura negou, enquanto eles lhe davam os detalhes: um rapaz de dezessete anos tinha sido assassinado ali, a polícia achou o corpo dele no banheiro, e tinha sido o namorado da mãe que tinha feito aquilo.

-Aparentemente, um golpe na cabeça. — Naruto explicou. — O namorado bateu nele com um pé de cabra e ele bateu forte contra a tubulação de ferro fundido.

-Por isso o banho de sangue. — Ino terminou.

-Que amável. — Sakura disse, pensando no rapaz da noite anterior, ele tinha uma marca na testa.

-Sério, eu não sei como você consegue dormir a noite, pessoas dizem que o lugar é insano.

-Eu não consigo dormir a noite. — Sakura disse, sentindo o estômago revirar. — Não totalmente.

- Bem, isso explica. Digo, eu odeio ser rude, mas você tem uma séria bagagem nessas olheiras e eu não estou falando de Louis vuitton.

- Imagina, nem um pouco rude. — Naruto disse sarcástico.

Ino lhe entregou maquiagem para cobrir as olheiras, explicando que isso era uma coisa boa reservada somente após suas longas noites de maratonas de estudo.

-O que significa que nunca deve ter usado. — Naruto comentou.

Enquanto eles continuavam a brigar, deslizou em sua cadeira, lutando contra a urgência de jogar os restos de batata frita neles.

-Você está bem? — Naruto perguntou provavelmente percebendo seu estranho olhar.

-Acho que ela só precisa de um saco pra vomitar seu macarrão. — Ino provocou.

-Tenho que ir. – Disse, se levantando, agarrou seus livros e saiu da cafeteria, em dúvida se a maquiagem de Ino iria encobrir tudo o que andava acontecendo em sua casa.

E em seus sonhos.