Enquanto chegava da escola, largou seus livros no chão do quarto e foi direto para o computador. Começou pesquisando pela casa, e achou um artigo da Addison Gazette que chamava atenção.

Era sobre a casa, como finalmente ela foi vendida, após alguns anos no mercado. Aparentemente não foram a primeira família a viver aqui desde o infame banho de sangue, duas outras famílias habitaram o lugar, mas não ficaram muito tempo. Seis meses uma e seis anos a outra, ambas ouviam coisas à noite.

O artigo seguia falando da historia da casa, e o que tinha acontecido vinte anos depois. Ino e Naruto estavam certos. Um rapaz de dezessete anos tinha sido assassinado. Seu corpo foi achado na banheira após ele ter sido acertado com pé-de-cabra.

-Uchiha Sasuke.

Sakura sussurrou, lendo o nome da vítima. O gosto tóxico das palavras em sua boca. Fechou os olhos, tentando manter tudo junto, relembrando o rapaz de seu sonho de ontem à noite.

Ele disse que seu nome era Sasuke.

De acordo com o artigo, Mikoto, mãe de Sasuke, estava em casa quando aconteceu, mas ela estava sem condições. A polícia a descobriu no closet debaixo da escada, muito mal, mas ainda viva. Continuou lendo, aprendendo sobre o assassino, que realmente tinha sido o namorado da mãe dele, que tinha uma ficha criminal com abusos domésticos, e tinha estado algum tempo na prisão.

Olhou sobre os ombros para seu quarto, imaginando as imagens de seus sonhos, as coisas de esporte e a coberta azul, sabendo que esse era o seu quarto, o que lhe levara a pesquisar ainda mais.

Acabou caindo em um site chamado ‘as casas mais mal-assombradas de New Engrand’.

Rolou a página e viu a foto de sua casa. Era basicamente a mesma coisa de agora, mesma cor marrom, mesmos degraus de madeira, mesma caixa de correio de metal, exceto que a árvore agora era muito mais alta, e a janela do segundo andar, a de seu quarto, deixou de estarem tapadas.

Isso seriamente lhe deu arrepios.

Tentou outros sites, procurando fantasmas e assombração, casando todas as informações, desde casos como Elvis, Marilyn Monroe, e Kurt Cobain e seus corpos assombrados, até finalmente encontrar algo útil.

Esse website falava sobre assassinatos em geral, afirmando que fantasmas se formavam porque eles não conseguiam passar, porque eles tinham negócios inacabados. Eles sinalizavam que havia pessoas com senso extra-sensorial, algo capaz de captar as pontas soltas.

Então eles finalmente podiam ir embora.

Um estranho nó se formava em seu peito apenas pensando sobre isso. Quer dizer, incluindo a vez que teve com Rin, nunca tinha pensado sobre ela mesma sendo ou possuindo poder extra-sensorial, nem mesmo poderes sobrenaturais.

- Sakura?

Seu pai chamou, abrindo um pouco a porta de seu quarto.

- Você está bem? Está aqui a tarde toda, vim perguntar se não quer assistir um jogo comigo.

- Porque não me contaram?

Disse fazendo seu melhor para não hiper-ventilar.

- Contar o que?

Disse abrindo a porta toda.

- Que aqui teve um assassinato, que um rapaz foi morto aqui há vinte anos.

- Desde quando você acredita em fantasma?

- Desde que Rin morreu.

Disse sentindo sua mandíbula enrijecer.

Ele olhou pelo corredor, checando se sua Mãe não estava escutando.

- O jantar sai em meia hora.

Disse tentando lhe ignorar.

Isso era uma regra não falada em sua família, que eles não deveriam falar sobre Rin. Desde que ela tinha falecido há cinco anos, era como se ela nunca tivesse existido.

Seus pais tinham tirado os móveis e limpado o quarto dela e transformado em um escritório, que nunca foi usado.

Todavia, sua mãe se doou ao seu trabalho na fábrica de doces, fazendo qualquer coisa que ela pudesse, assim não precisava pensar. Ou gastando tempo em casa.

Onde tudo seria apenas adormecer.

Isso tinha melhorado ao longo dos anos, mas sua mãe nunca mais tinha sido a mesma.

E supunha que nem ela, também.

Parte dela ainda se culpava pelo acidente de Rin. Ela tinha pedido emprestado seus patins no dia em que ela se acidentou, mas ela disse não. E então Rin pegou a bicicleta para ir ao parque e atravessou sem olhar para os dois lados.

Ela nunca voltou para casa.

-Eu fiz uma pergunta.

Disse, observando duramente o rosto dele. Seu pai se recusava a lhe olhar nos olhos.

- Esta é uma boa casa, com boas pessoas nela. — Ele disse, falando para as paredes. — Fim da história.

- Não é o fim da história. — balançou sua cabeça. — Porque você não me disse? Vocês não acharam que eu ia descobrir ou qualquer coisa assim?

- Nós não acreditamos em fantasmas. — ele sinalizou.

- Não. — disse, devolvendo. — Você não.

- Jantar em meia hora. — ele repetiu, fechando a porta atrás dele.

Ela disse que não estava com fome, mas acreditou que ele não lhe ouviu.

Porque ele já tinha deixado o quarto.