Sleeping Smile

15 The Most Beautiful


Notas iniciais
Hey sunshines ♥!!! Não demorei tanto dessa vez UHUUUU! Quero dizer que este capítulo foi de longe o capítulo mais difícil que escrevi! Depois de semana após a outra consegui "terminar". Bom, não foi lá do jeito que eu queria (almejava contar a história da Snow toda logo, mas como vocês puderam ver pelo o tamanho....n deu), mas está entregue. Desculpe se decepcionar vocês com essa escrita e falta de história, o bloqueio criativo me pegou de jeito. E a ansiedade e mil ideias na cabeça (estamos nas restas finais da fic) só está atrapalhando. Não, não tenho uma ideia totalmente clara de como será o final, apenas ideias jogadas pelo ar. Mas vamos deixar isso de lado e ler o capítulo? Aproveitem queridos e desculpem pelo tamanho kkkkk. Ah antes que eu esqueça, como é muito ruim nos comunicarmos por meio do Social, estou com uma conta no Twitter para atender vocês e para informar coisas importantes como se o cap está em andamento e/ou se a história já foi postada. minha conta é: @lary_gou ♥

Agora

Storybrooke-Maine

Era uma vez, um reino feliz e muito grande. Todo dia era dia de festa e alegria. O rei Leopold governava todos com tamanha sua bondade e ternura. Era motivo de admiração e orgulho por todos, inclusive por sua pequena filha Snow White...

Meus olhos brilhavam observando toda aquela concentração do menino ao ler a história. Ele não desgrudava nem quando o cheiro de chocolate quente lhe penetrava o nariz. Isso é que é disposição, penso, se não fosse por causa de sua fofura incansável e seu sorriso eu já teria partido para minha linda xícara de porcelana com decoração de borboleta.

—Por que você está lendo isso, Henry?- Diz o homem sorrindo para a história. Ele parecia melhor agora que Henry desvendava, através da leitura, seu mundo.

—Para você se lembrar.- Era tão simples para aquela criança que quase me convencia as vezes que o mundo era colorido.

Depois que o encontramos na floresta, nada tinha o que fazer. Decidimos leva-lo ao medico já que ele nem se lembrava do próprio nome, mas ao chegarmos em casa a primeira reação de Mary Margaret foi deixar pilhas de objetos cair ao chão mantendo a boca aberta e tremula. Depois disso ela negou qualquer tentativa de interna-lo.

— Agora, Sr. Desconhecido, não me atrapalhe. Estamos no meio de uma sessão.- Com postura impotente e uma voz engraçada, Henry respira fundo e começa a vasculhar as milhares de paginas que seu livro continha. Parou numa que uma mulher de longos cabelos negros e uma pele branca como a neve aparecia. Espreito os olhos.

— Então continue Doutor. Quero logo meu chocolate quente..- Digo debruçando com o braço no colchão da cama de Mary. Todos pareceram envolvidos com a disposição de Henry curar o Sr. Desconhecido, até mesmo Mary.

— A sua única alegria era ver sua filha sorrir e brincar, sempre transmitindo a todos sua doçura e bondade.- ele continuou.- Mas, certo dia o coração de Leopold desfaleceu em tristeza. Queria dar a sua menina uma figura materna, mas a sua amada Eva havia morrido com poucos dias após que Snow nascera. Eva era muito parecida com sua pequena, tinha cabelos negros e um sorriso puro como as águas cristalinas que banhavam todo o reino. Um dia, quando apreciava a viagem diplomática para o reino de Camelot, Leopold avistou, no meio de densa floresta, uma mulher que se destacava dos exorbitantes pinheiros típico do local. Sua beleza era quase que mística. Os cabelos se sobressaiam esvoaçantes pelo seu longo pescoço e iam até seus fartos seios, seus olhos eram negros como a noite mais fria e seus traços traziam imagens contrastantes de dor e doçura.- Fico entretida com a história e sento para escuta-lo mais de perto. O homem de cabelo louro curto parecia agora prestar atenção minimamente nos detalhes daquele conto. Engraçado, nunca ouvira esse conto quando pequena.- As mãos da mulher se encontravam de forma frenética com a escura terra do local e seu semblante parecia instigado com a tarefa que o rei julgou como algo diário na vida da jovem.

— Em nome do rei, doce senhorita- Disse o rei se ajoelhando próximo a terra.- O que fazes com tamanho esforço nesta terra?

— Estou cultivando a fertilidade- Disse com uma voz ecoada, quase musical. O rei podia sentir seu corpo dançar com tal ritmo. – A terra não está muito boa nessa região e quero me precaver dos daninhos futuro.

— Você é algum tipo de florista?- Ele cada vez mais se afundava no mistério que carregava a moça.

— Dizem que sou algum tipo de feiticeira- Um riso doce e escondido nasce dentro dela. A mulher olha para o rei e sorri- Somente gosto de tratar da natureza, majestade.

Não passou muito ele havia descoberto seu nome. Regina, a mulher que roubara seu coração. Depois de uma tarde em sua bucólica casa de campo vendo todo seu plantio de ervas e flores. O Rei postou-se a seus pés já propondo casamento.

— É claro, majestade- Disse com um sorriso agradecido- Mas pense bem se quer casar com uma renomada feiticeira.

Oh como seu coração sorriu. Sua filha teria a mãe que um dia cruelmente fora tirada dela.

***

Eu apenas digeria toda aquela história um tanto familiar. Me debruço de espreita sobre a quina branca do balcão para que pudesse escutar a história . Mesmo que já estivesse farta de ouvir a mesma história por anos da minha adolescência na versão de um rei desfalecido em amor, nunca ouvira os detalhes de tal acontecimento. Na época achava tudo aquilo mágico e bonito. Agora, só vejo uma sombra de trevas e maldade presos nas entrelinhas. O passageiro sentimento de nostalgia açoita-me de forma impertinente ao meu peito e olho de relance para David. Ele parecia muito concentrado com a história e no menino que a contava. Seu cabelo continuava ralo como a última vez que nos deparamos juntos no chão mórbido de um quarto de bebê- me recordo-. E sua cicatriz no queixo continuava profunda e bem notável como a primeira vez que nos encontramos. Era estranho ter que chama-lo de Sr. Desconhecido e não receber um beijo no rosto logo quando o sol nasce. Quem que eu quero enganar? Tudo aquilo era insano...A maldição, Emma e até eu mesma (ou pelo menos a minha parte Mary Margaret).

Lanço um sorriso largo para Henry que insistia em bancar o Dr. Hopper, o psicólogo tagarela com quem Henry tinha algumas sessões, mas devo admitir que pelo jeito estava surgindo efeito...Emma sorria iluminada para as gravuras como se aquilo fosse algo mágico. Sinto meus pés sendo engolidos pelo piso de cerâmica com azulejos esverdeado que compunham o chão da cozinha. Um repentino sentimento de culpa e irrelevância me assola. Meu tempo havia acabado quando eu era ainda uma menina, eu já não podia nos salvar.

***

Antes

Floresta Encantada

Naquela tarde me encontrava estendida sobre as ásperas e escorregadias rochas à beira de um lago. Brincava com minhas pequenas mãos sobre a não muito forte correnteza da água. Se encontrava naquele local apenas eu e algumas crianças de uma vila distante e desconhecida. A gélida água, de forma engraçada, ondulava à medida que eu corria os meus dedos ao longo da sua superfície cristalina.

— Você ainda não disse seu nome- Disse um menino com cabelos louros e uma pele parcialmente queimada pelo sol. Deixo de fitar para o curso irregular da água. Embora fosse grande, aparentava não ser muito mais velho que eu...Devia ter seus 11 anos de idade.

—Snow...- confabulo — Me chamo Snow.

— A filha do rei?- Ele pareceu assustado- Pensei que a maioria das princesas não gostassem de mosquitos e lama.

Solto um pequeno e espontâneo riso de seu comentário- E você está certo. Eu sou apenas um pouco mais perspicaz do que a maioria delas.

— Percebi.- Finalizou ele em um sorriso.

Não me lembro de nenhuma vez em que eu revelei meu nome quando estava fora. Geralmente, quando me encontro nas proximidade de meu “humilde” castelo, as pessoas costumam me tratar como a Arca da Aliança. Mas claro que eu tinha um privilégio...Eu tinha a sorte de ter um pai como o meu, ele sempre estimulava apreciar a natureza e o povo incrivelmente adorável de nosso reino. Quando você cresce envolta a natureza fica com muitas coisas boas para recordar. Eu não era a princesa perfeita de acordo com os padrões da realeza, isso era óbvio... Minhas unhas sempre estavam sujas por causa da terra, meus pés eram grossos e ásperos por causa da falta de sapatos e minha pele cheia de machucados causados pelas constantes quedas.

Olhávamos para as minúsculas rãs verdes que apareciam com os primeiros raios da manhã sonolenta. Eu, juntamente com um grupo de 3 crianças, mergulhávamos na corrente, fazendo tanto barulho que assustávamos os seres marinhos que ali viviam. Observo sobre a água o restante delas, uma menina de longas tranças assobiava uma velha canção; Colin e Malena, companheiros de travessuras de longa data, arrastavam-se suas costas sob uma grossa camada de lama. Ambos rolando na margem, lutando e rindo. E o tal menino que a minutos confabulava comigo estava mais acima, quieto, numa poça provocada pelas chuvas de verão... Eu tinha em mãos um ramo de flores silvestres, violetas, snowballs— no qual meu pai dizia ser a predileta de minha mãe- e umas daquelas que nós só encontramos nas margens de lagos.

Barulho das asas... Barulho de asas começam a surgir e provocam um distúrbio musical no ar. Olho sorridente para o tornado branco que se formou em instantes sobre as águas do lago. Eram os cisnes voltando para sua morada. Deslizo os dedos sobre a água pela ultima vez , já estava na hora de ir. Saio finalmente da água com meu vestido encharcado colado ao meu corpo , sentindo a brisa gélida açoitar a pele úmida como lanças salientes penetram uma carne humana. Sinto a estranha sensação de que tudo aquilo a partir de hoje só seria uma lembrança saudosa em minha vida. E eu estava certa. Essa última lembrança permanece gravada para sempre na minha memória, como uma frágil criatura preservada em âmbar.

....

Sentia a grama úmida contra meus pés deixando gotas curiosas saltitarem sob o ar, o tempo ensolarado que tingia o céu ao longo de toda a manhã se deu lugar a um sereno tom acinzentado. O vestido surrado já estava praticamente seco por conta da longa caminhada que dera para chegar ao castelo. Com meus dedos toco o tronco de umas das esbeltas e esguias árvores que compunha praticamente toda a Floresta Encantada, sinto as inóspitas camadas de madeira dançarem por meus imaculados dedos branquelos. Em seu topo- observo sorrindo- posso avistar um pássaro cantarolar uma linda canção. Por um segundo me sinto desnorteada com a beleza da natureza, e queria que nunca mais acabasse, pois por um motivo queria evitar a realeza por hoje.

— Onde está a minha filha, querida Johanna?- Ecoou de longe uma voz totalmente familiar- Quero logo dar as boas notícias. Notícias na qual ela vai adorar.

Algo no tom da voz de meu pai causa-me uma agitação proveniente de meu peito e logo esqueço do pássaro e da natureza. Olho de espreita, escondida atrás da grande arvore, o maior castelo do Reino. Adornado por ouro, estatuas de fadas e diversas cores resultantes das flores. Na frente da imensidão estava meu pai...Um tanto pequeno comparado ao castelo. Ele sorria de uma maneira tão exagerada que chego a cogitar a ideia de que ele estivesse amaldiçoado.

— Olá papai!- Digo correndo aos seus braços.- Como foi a sua viagem diplomática? Senti muitas saudades.

Ele olhava para a poente pensativo. Ainda sorria . Agora era um sorriso frugal e deleitante, porém apresentava mesma intensidade. Franzo as sobrancelhas o analisando. Como ele conseguia não sentir os lábios adormecerem?

—Cheia de surpresas- Disse em fim. Fiz uma cara que deixasse a expressar um semblante um tanto confuso, no qual era totalmente verídico.

Abro a boca para falar algo, mas minhas palavras não saem. Sou gentilmente cortada pelo ranger de porta. Viro-me para a porta principal. Ela era feita de uma madeira rústica que iam do chão da varanda- acima do jardim- e se estendia até os longos arcos de pedra maciça que compunha a frente do castelo. Ela se abre fazendo um rugido quase infinito e se dá lugar a imagem de uma misteriosa e linda mulher.

Seus cabelos eram de um castanho escuro como as velhas grutas que costumava me aventurar. A mulher ainda carregava em seus lábios um sorriso gentil que, por mais apresentasse mistério e duvidas, me sinto manipulada a sorrir também.

— você deve ser a tão falada Snow White.- Diz ela em uma voz calma, porém cheia de doçura. Era invejável sua postura enquanto descia as escadas. Nunca seria capaz de tamanha perfeição. Costas alinhadas, ombros eretos. Seu nariz seguia inclinado para o impotente céu nublado sem uma vez se quer desviar o olhar- mesmo que por curiosidade- para o chão. – De fato...- prossegue ela agora já bem próxima de mim. Era alta e esbelta, assim como as árvores magníficas de nosso reino.- A mais linda de todo o reino.- Eu sorriso sentindo seu gracioso toque contra meu rosto. Por um momento sinto a sensação que sempre ouvira as crianças das aldeias descreverem: A sensação de ter uma mãe.

Os servos do castelo olhavam para o chão, sentiam intimidados com a bela moça. Era bem capaz que alguns estivessem levando susto até mesmo com sua sombra. “Alguns”, nem todos. Johanna , que lançava um sorriso para mim, ainda permanecia sorridente e otimista como sempre fora.

— Quem é você?- Segurando com uma das mãos o braço de Johanna, sorrio para a mulher a minha frente.

—Bem, costumam me chamar de Regina.- Ela fica de joelhos sobre a grama, ficando assim próximo de minha altura.- Mal espero tornar logo sua “mamãe”. Vamos nos divertir muito.

Meu sorriso se esvai e olho para meu pai com os olhos arregalados. Aquela frase não saia de minha cabeça e se repetia como um incansável ecoo .

***

Agora

Storybrooke-Maine

“ De fato... A mais linda de todo o reino”

Minha cabeça estava prestes a explodir e tudo em volta estava rodando. Percebo só então que havia esquecido de desligar o rádio. Ele era amarelo e jazia sobre o mármore branco da pia. Em som muito baixo, quase como sussurro, tocava Is There Something I Should Know?. Coloco as mãos sobre o gelado mármore e gotas inconvenientes deslizam por meu rosto. As imagens desse dia passam em minha mente como um horrendo flashback. O vestido molhado sobre meu corpo. As inúmeras flores coloridas. A beleza exorbitante de Regina. E consequentemente, penso na vida que eu teria tido com Emma se eu fizesse algo para impedi-la. Todas essas coisas passavam de forma desordenada em minha mente ao mesmo tempo.

“De fato... A mais linda de todo o reino”... Era o que se repetia em minha cabeça.

— Mary Margaret!- Uma voz em tom de impaciência me destoa dos pensamentos. Emma me encarava apoiada sobre o balcão, quando percebo que ela deveria estar tentando falar comigo a um bom tempo.

— Desculpe, Emma.- Digo em um sorriso- O que foi?

— Aonde que você estava? Na lua?- Ela leva aos mãos até a cabeça soltando um longo suspiro. Ela vira-se para henry sentado sobre a cama com David.- Já vou levando o garoto para casa.

— Emma- dizia o menino em contestação.- Só mais um pouquinho....

— Diz isso para sua mãe, garoto. Já são quase onze da noite.- Revirando os olhos impaciente, Emma cruza os braços e o suborna- E se eu disser que no caminho talvez banque um sorvete de chocolate?

— Agora está começando a falar em minha língua.- “Garoto esperto”, penso.

Henry dá um pulo da cama e corre saltitando até chegar aos braços de Emma, que lança um sorriso genuíno.

—É ... Acho que vamos indo. Não me espere acordada.

Emma estica seus braços para entregar-me sua xícara já vazia. Sorrio até escutar o bater da porta. Passo as pontas dos dedos sobre a borda da xícara sentindo sua textura. Por pequenas frações de segundos, esqueço um pouco da vida.

— Você poderia simplesmente dizer algo.- Não sabia o que tinha mais me assustado: A familiaridade daquela voz ou de ser tirada subitamente de meu solitário devaneio.

Com as mãos sobre o peito, deixo de lado a xícara e sorrio como a tempos não sorria. Por tanto tempo não sentia nada, e aquele susto foi a melhor coisa que me ocorrera desde o inicio da maldição. Por 28 anos era como se eu estivesse num eterno caixão de vidro.

— Pensei que estava dormido- Suspiro aliviada.

Com passos leves vou até a cama em que ele estava deitado e, por costume, sento do seu lado. Sinto meu rosto corar ao lembrar que naquele mundo...Naquela maldição... Nem mesmo éramos conhecidos.

— Eu estava fingido.- Um riso deleitante e curto sai de seus lábios.- Você sabe, para o garoto não mudar de ideia.

— É eu sei...Ele as vezes leva esse assunto muito a sério.- Brincando com o tecido do cobertor sobre a cama, lanço um pequeno sorriso.

— Ele falava com tanto jargão e postura que as vezes tinha que me controlar para não rir.

— Ele estava imitando o psicólogo dele, acredita? Dr. Hopper. Ele trabalha a algumas quadras daqui em um consultório....E você? Alguma melhora?

— Ainda não me lembro de nada, mas não estou mais com febre e estou mais disposto, mas isso graças ao Dr. Henry.

— Que bom!- Sorrio animada sentando para mais perto de seu corpo- Sabe...você precisa de um nome. Não é legal ser chamado por todos de “O senhor desconhecido”.

Ele me encara com um sorriso de lado. Seus olhos me olhavam intensamente como antigamente. Sinto algo queimar em meu peito e retribuo o sorriso. Talvez estivéssemos nos apaixonando novamente. Talvez.

— Você tem razão. Escolha um nome.

— Eu?- Ele assentiu confiante cruzando os braços.- Hmmm. David.

— David? Porque?

— Você tem cara de David- disse por fim.

*****

Caminho pelas ruas vazias de Storybrooke sentindo um culpado sentimento de alívio. Olho para a colossal torre do relógio a minha frente: uma e meia da manhã. Suspiro cansada. O passeio com Henry fora agradável. Na verdade, maravilhoso. Talvez o tempo com que não tomava sorvete – 2 semanas- fez com o que me entusiasmasse um pouco (muito) com a ideia. Praticamente extorquirmos a sorveteria. O prometido e consagrado pote de chocolate depois se transformou em dezenas.... Depois em sorvetes de morango, flocos e até mesmo de M&M’s. Quando finalmente acabamos, a sensação era que tinha me tornado em um daqueles bêbados gordos que costumamos encontrar em bares.

— Acho que você tem um estomago forte, garoto- Disse para Henry sentado numa estufada poltrona vermelha. Por alguma razão tinha uma sensação de que meu estomago estava congelando.

—Você que é fraca!- disse ele animado. Algo me dizia que Regina teria altos problemas.- Eu poderia comer mais uns 100...

— É mesmo, pirralho?! Seria uma pena se tivéssemos gastado todo meu dinheiro .- E partirmos rua a fora. Henry jogado de qualquer jeito em meus ombros e eu lutando contra qualquer tentativa de meu corpo congelar. Quando finalmente chegamos na casa de Regina nem me dei o trabalho de bater a porta. A mesma já estava na entrada: parada e impaciente. Seus pés batiam com frequência contra o chão e seu semblante aparentava estar com raiva.

Quando nos viu a resposta foi iminente.- O que você fez com meu filho?!- Entreguei para ela o menino sonolento nos braços.- Deu algum tipo de bebida para ele?

— Apenas sorvete. – Penso em sorrir para demostrar que me sentia culpada, mas lembro que estava lidando com Regina. Preferia comer legumes a sorrir para aquela mulher.

— São uma da manhã, Srtª Swan!- Sua voz efervescente se sobressai sobre a cidade silenciosa-. E cá entre nós...Não me lembro de nem um pedido de permissão.

— Eu a conheço Regina, mesmo com um singelo pedido de permissão ainda sim iria saltar fumaça pelo nariz e rosnar como um cão medroso.- falo calmamente a deixando ainda mais irritada- Seu filho está entregue, não está? Agora pare de tentar me assustar, porque está sendo ridícula. Você acha que me assusta com seu terninho barato e seus esperneios? Querida, você não sabe o que eu sou capaz...Agora me de licença. – Com toda minha euforia saio marchando pelo enorme jardim de Regina e a única coisa que pude ouvir foi o cortante som do bater as portas.

E assim vim parar caminhando solitária no meio de uma rua mal iluminada às uma e meia da manhã . O som incessante do silencio na rua começa causar-me arrepios quando finalmente meus olhos encontram o mal-acabado prédio no fim da Hopeless Street. Dou passos corridos até chegar a estreita porta cor de marfim, levo minhas mãos vitoriosa até a gélida maçaneta. O contraste do ambiente era notável: Os açoites dos ventos noturnos de Maine se dão lugar a uma artificial e aconchegante temperatura e o silencio monótono da noite se transforma em risos escandalosos e conversas paralelas.

Subindo as escadas de forma calma, me lembro do estrago do sorvete em meu estomago e em seguida das inúmeras latas vazias sobre o balcão. Uma bebida faria menos estrago que isso, penso. Quando finalmente chego no ultimo andar, que pertencia a Mary Margaret, entro me sentindo uma maratonista renomada.

Ao adentrar o local, brinco com as chaves no bolso de minha jaqueta e penduro-a no cabide próximo a porta , que continha mais que a echarpe favorita de Mary, uma jaqueta preta de couro- um ótimo gosto, devo admitir- também se fazia presente. Os risos e conversas agora estavam bem audíveis e as luzes estavam acesas. Toda casa estava exatamente como havia deixado horas atrás. Louças na pia, o radio ligado- mesmo que não desse para escutar absolutamente nada- e kits de primeiro socorros jogados de qualquer maneira sobre a mesa de centro da sala. Caminho até a bancada da cozinha, tentando parecer o mais natural possível, indo em direção a cafeteira, implorando mentalmente para que estivesse cheia. E estava... Sirvo-me em uma xícara e só então desvio o olhar para o casal, que provavelmente já haviam notado minha presença.

— A conversa parece estar muito boa, por que lá de baixo já pode escutar a...- As gargalhadas deles continuam formando palavras que eu nem mesmo conhecia. Nem haviam notado que havia chegado.- Sério isso?- falo em um tom mais sussurrado e me levo para o andar de cima onde poderia finalmente afundar-me em minha cama.

.........

Acordo com o tilintar dos pratos.

Minha cabeça estava explodindo. Me levanto da cama de forma lenta, colocando um pé de cada vez sobre o chão acarpetado. Assim, quando finalmente consigo ficar de pé, vou me arrastando como um zumbi para o banheiro.

"Seria ótimo não precisar me ver por um bom tempo", foi o que pensei, mas assim que entrei no banheiro, a primeira coisa que avistei foi uma imagem de uma mulher de cabelos louros desgrenhados e destruída refletida no vidro parcialmente sujo de um velho espelho.

—Obriga da Mary e “David”...- Falo sorrindo ironicamente. A conversa de noite passada se alastrou por quase toda madrugada. Estava na hora de eles conhecerem a palavra "PORTA", assim eles “descansariam” em paz... E eu também. Passo as mãos sobre um top acinzentado que vestia juntamente com uma calça de moletom estilo saroel. Queria apenas ficar em casa e fazer nada o dia todo.

— Bom dia Mary.- digo descendo as escadas sonolentamente.- Hmm...conheço esse cheiro.

— Bom dia, querida! Sim são sanduíches de queijo quente...-Ela deu uma longa pausa se sentindo sem graça .Ela claramente parecia nervosa, jogava freneticamente o curto cabelo negro para o lado e para o outro. Mas que diabos estava acontecendo? Eu estava de calcinha? E mesmo se estivesse, qual o problema? O Sr. Desconhecido, ou David, havia saído ainda cedo. Ela sorri amavelmente pronta para continuar, mas a interrompo quando — desviando o olhar para a enorme cama de ferro que jazia a pouco centímetros de onde estávamos- percebo algo a mais que aglomerações de roupas de cama.

— Café da manhã na cama? Sério isso?- Digo observando a rústica bandeja de madeira clara se misturando com os diversos colchões que jaziam sobre a cama. Minha testa franze em sorriso.

Sua bochecha fica de imediato ruborizada a fazendo fitar o entediante chão de madeira farpado. – Bem... Você não pode falar nada. Também dorme com caras que nem conhece.

Sorri de lado franzindo o cenho.- Bom, é, mas quando durmo com um cara... Não recebo café da manhã na cama, ou sei lá, dou um nome para ele. Na verdade, no dia seguinte nem lembro com quem havia me envolvido.- Dou de ombros me sentindo vencedora.- David? Sério?

Com pressa de sair do assunto e um sorriso intitulado no rosto. Ela prossegue o que a muito tempo queria me dizer. – Que bom que você pensa assim querida, parece que temos uma visita um tanto...inusitada.

Com um olhar avoado, corro com os olhos pela sala. Com um sorriso distraído no rosto e meu cabelo ainda totalmente desgrenhado caindo sobre os ombros, me encontrava com o corpo recostado na parede cor salmão próximo ao balcão da cozinha. Uma sombra sinuosa surge com um sorriso insolente. Meu coração pulsa sobre o peito e sinto minha respiração ofegante com o susto. Com os olhos arregalados desvio meu olhar para baixo analisando assustada . Suspiro quando vejo que estou de calça "Não estou só de calcinha...Isso é bom".

— O que você dizia, Emma?- implicou Mary com um sorriso maldoso. No momento eu queria a matar.

— Para te tranquilizar, você esta linda love.... E sem calças de unicórnio.- Killian levanta uma de suas sobrancelhas. Ainda não entendia o efeito que ele tinha sobre mim, pois tudo o que queria fazer naquele momento era encontrar minha mão com seu rosto- Eu acho que posso conviver com seu desconforto.- Diz ele se referindo á minha barriga a mostra pelo top.

— O que você quer Killian? Não tenho tempo para “piratas” mulherengos- Falo chegando perto dele. Chego tão perto que reluto para não o beijar, tão perto que podia sentir o odor de rum misturado com algum perfume de qualidade, que ele devia ter conseguido através de um golpe. Sinto sua respiração quente se difundir juntamente com meu rosto — a menos que tenha informações valiosas

—Eu tenho algo valioso.- Ele, com um olhar baixo, coloca o seu gancho sobre a boca.

—Fale então- Cruzei meus braços bufando alto

—Eu- Diz ele sorrindo

— Serio isso?- Rio de forma irônica. Era difícil conter o riso quando eu estava com Killian, não gosto de admitir isso, mas muitas vezes eu esqueço dos problemas ...Emma, se concentre!- Digamos que você está mais para uma "perda de tempo" casual.

— Uma "perda de tempo" muito irresistível não acha?

Olho em seus olhos azuis me sentindo de volta ao terraço, ele tinha o azul do mar...O azul do seu pirata...O azul...da desconcentração, Merda! Emma se concentre no que você quer fazer.

— Mas que diabos... O que você quer?- Podia já sentir meu sangue efervescer correndo em minhas veias.

— Talvez saber do “Sr. Desconhecido” que encontramos entre a vida e a morte... Talvez falar do beijo que aconteceu na floresta. – Naquele momento, o analiso, Killian não parecia querer provocar. Realmente queria respostas e realmente estava desnorteado. Ele me olhava com o cenho franzido. Seus olhos azuis quase se fundiam com as duas sobrancelhas negras que jaziam em seu rosto

—Beijo na floresta?- Mary perguntou sorrindo. Seu rosto volta para mim revelando, além do semblante surpreso, um sorriso travesso.- Eu estou começando a gosta dessa conversa. Como foi o beijo, Killian?

—Bem...- O pirata nem mesmo tem a chance de se manifestar. O interrompo fervescente assim que o mesmo abre a boca para responder.

—Nada demais! Coisa de momento que nunca mais vai se repetir.- Minha bochecha estava fervendo e sentia vontade de me enfurnar de volta nos cobertores do meu quarto. Aquele momento pude ver que Mary Margaret podia ser um tanto vingativa de vez em quando.- Quer saber do “Senhor desconhecido”? Pergunte a Mary Margaret, já que é ela que está “dormindo” com ele- Dando uma ênfase ambígua, sento irritada sobre a poltrona.

— Ei!- Ela exclama olhando com raiva para nós dois.- Eu não estou “dormindo” com ele, apenas conversamos.

Encostando meu corpo sobre o aconchegante sofá, eu mordo o interior do meu lábio para não rir e , de forma relutante, concordo com a cabeça. Era simples deixar Mary Margaret irritada ou efervescente, bastava a contrariar. Era meu passatempo favorito, me surpreendia como uma mulher com uma estrutura tão baixa pudesse ter tamanha impaciência. A mulher volta aos afazeres domésticos impaciente resmungando xingamentos em um tom abafado. Ainda pressionando os lábios viro-me para Killian, ficamos nos olhando fixamente por alguns segundos e acabamos soltando um riso insolente.

O som estridente do toque de meu telefone corta o ambiente e meu sorriso de forma súbita se esvai. “Henry”, era o que aparecia sobre o visor assim que deslizo meu dedo sobre a tela. Um arrepiante tom de preocupação se alastra pela minha mente.

— Que foi garoto? Não aguentou a dose de sorvete de ontem a noite?- Digo sorrindo tentando me convencer mentalmente que estava tudo ótimo... Que ele só ligou para contar as altas dores de barrigas que recebeu durante toda a noite e a preocupação exagerada de Regina.

— Emma!- Apesar de toda minha força mental dizer que minha intuição era tola a voz que surge do outro lado da linha mostrava o contraio: Uma voz chorosa e aterrorizada.- Socorro! Socorro!

— O que foi?!- digo sentindo um longo calafrio atingir minha espinha- Onde você está?! Henry!- Um grito silenciado é a resposta que eu tenho. -Henry?

Notas finais
THANKS PESSOINHAS ♥ LoveU xoxoxo