Sleeping Smile

16 Daughter of the Forest


Notas iniciais
Hey my sunshines, estou aqui mais um dia! ♥ espero que gostem do capítulo...infelizmente fic esta em sua reta final e já está com um final todo desenhado e desenvolvido. Iria escrever a história de snow (pós regina), regina e cora num só capítulo, ma vi que que ficaria muito cansativo. Aproveitem ♥

Antes

Floresta Encantada- 1939

O sol se abria radiante adentrando os locais mais obscuros da floresta. Seus pés descalços tateavam a textura da grama fresca que compunha quase todo o reino. Os pássaros que gorjeavam na imensidão azul exibiam suas penas nas mais diversas cores. Enquanto, no meio das íngremes colinas, uma menina corria livremente com seu vestido de pano leve e branco, passando por meio de homens e mulheres com um sorriso estampado no rosto, suas longas mechas dançavam com a brisa suave. Ouvia- se ao longe risos de outras crianças brincando, dando mais leveza e alegria para o lugar. Uma típica e agradável manhã de verão. Ela fechou os olhos em sorriso.

A menina dos cabelos de mel pode sentir o odor pútrido da fumaça e do sangue arraigar em suas narinas as fazendo arder, tentou de forma falha a coragem de abrir seus olhos. O sorriso se desfez em lágrimas, seus olhos continuavam cerrados. Gritos de pavor e risadas maliciosas lhe fizeram tampar os ouvidos aterrorizada . O ambiente que outrora se encontrava tranquilo e acolhedor se tornou o mais horrível filme de terror. O sol preguiçoso do alvorecer havia se desaparecido, dando lugar a uma enorme lua de tom avermelhado como sangue, nuvens pesadas pairavam sobre o céu que em momentos atrás era um concerto musical. Talvez a menina não devesse abrir os olhos e se manter focada na ilusória escuridão que este ato acarretava. Se via no centro com a vegetação ao seu redor se consumindo em brasas, as pessoas que a pouco havia cruzado seu caminho estavam estiradas no chão dilaceradas, queimadas, mortas. Vultos cada vez mais próximos começam a aparecer e disputar na atormentada garota o desejo de se proteger, mas não conseguia mexer um músculo, o medo havia tomado conta do seu corpo. Tentou gritar, mas suas cordas vocais pareciam não existir, seu coração disparou se chocando contra o peito como se fosse romper sua caixa torácica, sua respiração descompassada a sufocava aos poucos. Ela tremia, suava frio olhando para os lados a procura de uma saída, quando sentiu algo tocar seu ombro, arrepiando ate o último fio do seu corpo. Gritou. Finalmente Gritou.

***

Cora desperta ofegante de seu sono abrindo as pálpebras em um impulso abrupto . Era tão real que o cheiro da carnificina que sentira ainda queimava em sua garganta. Uma tosse pesada e grotesca se inicia causando certos distúrbios contratantes no ambiente que a pouco tempo atrás estava em completo silencio. Sentada sobre a modesta cama de palha, Cora sente o olhar arregalado do pai sobre ela. À aquela altura do campeonato, o habitual olhar do severo lenhador já nem mais dava o trabalho de demostrar pânico. Agora, os olhos castanhos escuros pesados já marcados pelo tempo, somente restavam a repulsa. Em outras noites, em outros sonhos; a garota era atormentada por seres que se transformavam, por homens miraculosos e até mesmo mulheres travessas. Seres diferentes que acarretavam num mesmo significado: A catástrofe.

O cheiro rançoso de parafina derretida alastrava-se por toda a humilde casa de campo em que eles residiam e entranhavam nas narinas da menina que estava estendida sobre a cama. Embora Cora sempre se queixasse mentalmente do forte rastro que a parafina deixava em sua combustão, por hora era ela a causadora de conseguir dissipar as lembranças assustadoras de sua previsão. O ambiente parcialmente iluminado pelas poucas velas no local se torna inquieto com os murmurinho incessantes dos ventos, o outono já anunciava a severidade do inverno.

— Apenas mais dois solstícios para o verão.- A morena murmura com a voz abafada sobre o travesseiro.

— Chega de suas bruxarias, Cora- Advertiu o pai numa voz gutural e sonolenta.

Cora apenas continuou. — Apenas mais dois solstícios para o verão.- As imagens de morte e o fogo correndo nas matas ainda perseguiam sua mente, mas cada vez mais de forma mais lenta. Seus olhos juvenis abrem em fecham respectivamente e a casa de madeira se torna cada vez mais turva. E finalmente a criança descansa suavemente.

***

A menina , debaixo de alguns lençóis finos e mal-acabados, acorda inquieta sobre sua cama. Cora sempre escutava partículas de conversas que seu pai tinha com alguns vizinhos, sabia que era errado, mas era o único momento de clímax que conseguia dentro de sua própria historia. Sempre escutava aconselharem que ele arranjasse uma cama maior e mais confortável para sua filha, mas para Cora isso não era um problema. Nunca tivera uma estrutura alta e sua cama de palha era do tamanho certo para ela. As vezes queria deixar isso claro para seu pai, ele sempre parecia insatisfeito com o que oferecia para a família e a cama era uma dessas recorrentes insatisfações. Seus olhos se abrem lentamente captando- de uma forma mais rude- a dança ardente de alguns raios solares que espreitavam pelos feixes da janela feita de madeira à sua frente. Suas pupilas se estreitam se contraindo com a luz. Cora ainda esfregava o sono para fora dos olhos

— Papai?- Disse a menina de forma sonolenta. Não obteve nenhuma resposta.

Cora levou seus pequenos pés ao encontro do chão farpado e desvia o olhar analisando o quarto vazio. O único barulho audível naquele ambiente era o cantarolar dos pássaros sobre os inóspitos pinheiros que compunham toda a região da Floresta Encantada, tirando isso, o silencio pairava sobre a velha casa de campo. O quarto agora parecia vagamente assustador na mente da menina e cabelos cor de mel: As paredes grossas de madeira que teciam do chão traiçoeiro ao teto pareciam agora úmidos e sombrios, as duas camas de palhas até pouco tempo atrás confortáveis pareciam agora trapaceiras armadilhas e a porta parcialmente comida por cupins a sua frente assemelhava-se com um grotesco portal para o mistério. Cora, com as mãos tremendo de medo, abre de espreita a porta que dava para uma pequena sala de estar. O crescente barulho do ranger da porta se dá lugar ao igual silêncio monótono que trazia seu quarto. Aonde que seu pai havia se metido? Pensou ela sentindo seu coração acelerar.

Não havia muita coisa para se admirar na sala de estar, assim como em quase toda a casa. Tinha somente um sofá que seu pai havia conseguido com muito esforço no mercado a cidade , uma mesa de centro que ele havia passado seis luas cheias para conseguir finalizar e uma reconfortante lareira para que pudessem se proteger do impiedoso frio do inverno. Cora sentiu-se observada por um breve instante e virou seu rosto de forma célere para o canto do comado, até em tão, vazio. Uma sombra apossou de onde a menina pensou ser observada. Era uma forma sinuosa e um tanto robusta. Cora sentiu suas energias a avisarem do perigo, mas mesmo assim continuo. As costas tensas por causa das longas noites mal dormidas e a perna bamba com o medo de fazer-se barulho. A cândida menina finalmente se aproxima da antiquada lareira fazendo com que seus olhos se encontrasse com a empoeirada e vazia lateral parcialmente tomada pelas sombras. Não havia nada por ali, nada de olhos a observando ou musculaturas exorbitantes, apenas um vão que precisa urgentemente de uma limpeza. A pequena suspira aliviada.

—Aonde o senhor se meteu?- Ela sussurra ainda sentindo uma presença inconveniente a perseguindo. Seu pai, desde quando ainda era um pequeno e “golfante” bebê, sempre a levava para o ajudar em suas intrigantes vendas no comércio da cidade ou até mesmo no regular assassinato das arvores, mesmo que fosse contra.

Uma flor caída quase sem vida na janela a faz desviar sua atenção quase subitamente e destoa completamente de seus pensamentos. Cora anda suavemente pela sala de estar que a momentos atrás era palco de cuidado e atordoamento. Suas mãos vão até a maçaneta da porta a puxando de forma bruta dando à um lugar de pureza e ar fresco. Seus pés descalços sapateavam sobre a grama esverdeada sentindo pinicar a sola do pé. A flor se tratava de um lindo girassol, mesmo na dança da morte matinha a cor em um vívido e vibrante amarelo. A menina dos cabelos dourados arrasta suas pequeninas mãos sobre as delicadas pétalas amarelas da flor e fecha os olhos quase implorando aos céus que tragam-na de volta, como se esta fosse parte do seu âmago. O chão balançava e oscilava suavemente, como o convés de um colossal navio e Cora pode sentir-se sumindo nas profundezas do infinito enquanto infindáveis filetes de luz. Eram as estrelas, dizia ela.

A menina abre seus olhos sorridente. O girassol estava novamente alçado e vivo. Gotas de alegria saltam do rosto da pequena. enquanto barulhos de pequenos e constantes cortes começam a soar em seu ouvido a destoando de sua pequena flor.

Choki choki Choki choki... Choki choki

Uma senhora de cabelos brancos, estatura mediana e um pouco corcunda lhe olhava atentamente através dos óculos enquanto cuidava de seu jardim viçoso. Oque deixava tudo mais intrigante, já que nada se encontrava tão verde naquela estação quanto as plantas naquele jardim. Ela possivelmente era camponesa, Cora julga sorridente ao ver seu degastado avental florido. Foi o suficiente para despertar o interesse da menina a olhar novamente. No entanto uma imagem diferente do que vira anteriormente apareceu diante de seus olhos.

O ambiente trazia apenas as luzes de centenas de velas acesas, era úmido e gélido que fez sua pele arrepiar com a mudança de temperatura. A senhora trajava um sobretudo aveludado com capuz, murmurava palavras indecifráveis, suas pálpebras piscavam incessantemente até sua íris desaparecer e seu globo ocular ficar completamente brancos, enquanto abria os braços em sinal de rendição. Ao redor dela outras pessoas com as mesmas vestes ajoelhadas e curvadas rente ao chão. Depois disso fora tudo rápido e confuso; a mulher fez um movimento abrupto, ouviu-se um grito e sangue escorrendo pela pedra que lhe servia de altar até chegar ao chão.

—Não vá!- Era o saiu de seus lábios. Um grito de desespero num som quase musical.

Voltando à si e familiar campina tomada por flores, ela estava paralisada, seu coração descompassado. "Seria possível? Estou tendo sonhos acordada? Ou estou ficando louca?" Cora pensou ainda inerte. O mais estranho era que o odor do mofo, da parafina derretida e do líquido viscoso estavam impregnados em suas narinas. "Louca, Sim! Louca que nem pedra" ela tentou se convencer, mas as imagens e o grito não deixavam sua mente. Era tudo tão real que podia jurar que conseguira sentir o toque... Um toque que ainda impregnava sua pele. Podia sentir. Estava ficando louca com apenas oito anos de idade.

— O que você está fazendo? — A voz rústica faz a menina arfar, percebendo que por um longo período de tempo matinha a respiração presa entre os seus pulmões. Os olhos arregalados por conta do susto e o corpo paralisado com o pavor. Seus olhos encontram com uma imagem de um homem mais velho. Seus olhos maltratados pelo tempo e seus traços rudes.

— Papai!- Um sorriso cresce nos meus lábios e o abraço querendo chorar.- Eu estava vendo as flores. Aonde você estava?

— No comércio minha princesinha.- Disse ele numa voz calma. O tom de enganação era evidente, mas Cora estava tão absorta ao calor de seu abraço que nem mesmo percebeu. – Querida, eu usei toda a lenha na venda de hoje... Teria como recolher da floresta alguns gravetos para atiçar o fogo quando a noite cair?- A cabeça maléfica do lenhador estava conturbada. Nem sempre fora um homem mau, mas os regulares acontecimentos com sua filha o atordoavam constantemente. Chega de suas bruxarias, Cora! era o que o atordoava a cada novo alvorecer. Um cético homem prevaleceu sobre o carinhoso lenhador que ele um dia já fora.

Não vá!, a voz da senhora de seus sonhos ecoaram em sua cabeça. Ela sorri disfarçando.

— Claro, papai. Com imenso prazer.- Era sua resposta final.

***

Jogava regularmente os pedaços de pães sobre a terra escura da floresta. Seu pai havia lhe entregado em mãos um amplo pedaço de pão já duro para que não pudesse ser perder. Nunca fora para a floresta sozinha, embora gostasse de cuidar da natureza. Sabia que, se visse uma planta ou um animal enfermo, não iria pensar duas vezes em salva-lo e seu pai a olharia da mesma forma que sempre olhava desde que seu primeiro contato com suas habilidades magicas ocorreu. Cora não devia ter mais que quatro anos quando viu um coelho se contorcer de dor em frente a sua casa, ela apenas o tocou sentindo seus olhinhos se fecharem que o coelho voltou a saltitar livremente pela grama. Alguns religiosos diziam ser obra do demônio e outras pessoas que ainda carregavam em si a antiga tradição mitológica diziam que a menina era algum tipo de “mãe natureza”, era obvio em qual alternativa Cora se familiarizava.

— O último graveto.- Disse a menina sentindo a consistência do pobre e desfalecido graveto. O sol já estava caindo em seu crepúsculo e o céu tingiu-se em tom alaranjado, Cora sorri escutando a volta dos pássaros para suas moradias.

A pequena sorri e segue a trilha com os primeiros pães que jaziam sobre o chão da floresta. Seguia com seus pés cansados sobre a viscosa camada de terra negra da mata e suas mãos feridas com as traiçoeiras farpas dos gravetos. Mal esperava ser engolida pelos lençóis de sua cama, nem mesmo pensava no jantar. As noites mal dormidas deveriam ser compensadas de alguma forma. Embalou-se na estranha trilha que se formara, desviando de galhos e raízes, que teimavam entrar em seu caminho. O Visco havia se tornado mais intenso, e o caminho mais perigoso, passou a prestar mais atenção, procurar a melhor forma de continuar sem se ferir, um machucado era tudo que ela menos precisava no momento. Deparou-se com uma pedra não muito grande, porém pontiaguda e cheia de limo, ao observa-la notou que não haviam migalhas por perto. Olhou ao redor, apurando os olhos como quem procura algo quase que imperceptível, e se deu conta, um tanto decepcionada, que a trilha de pães que outrora jaziam sob o solo havia desaparecido.

Cora se envolve em um abraço solitário numa tentativa falha de afastar o frio da noite que já pairava sobre a floresta inóspita. Vestindo somente um velho e degastado vestido de lã , os açoites das rajadas de vento contra sua pele branca era como o sibilar de um objeto cortante. Ela começa a chorar . Lagrimas teimosas e grudentas caem descontroladamente de seus olhos e logo em seguida ganhou um soluçar... Um soluçar quase humano... Um soluçar quase normal,- Ela estava no ápice de sua loucura?- finalmente. Suas lágrimas salgadas se estenderam em fios de amargura que por fim obstruíram de vez sua visão, grudando em seus enormes cílios. Ela alisa sua pálpebra afim de tirar aquele excesso de água sufocante, quando ela ouve um farfalhar das plantas.

— Quem está ai?- Sua voz saíra mais como uma voz silenciada. Suas cordas vocais estavam inertes como alguém amedrontado. Não obteve nenhuma resposta. Cora levantou suas mãos para os céus sentindo o movimento translacional que a Terra podia fazer, ela sentia o universo todo dançar em suas mãos. Sorriu maravilhada. Ela fecha os olhos sentindo-se mergulhada no infinito. A estrelas que estavam no céu inexplicavelmente soltam-se para envolve-la. O vento cessou-se assim como o medo da menina...Que nunca mais voltou para aquilo que ela chamava de casa.

***

Antes

Floresta Encantada- 1956

E com o cantarolar desordenadamente estonteante no seus ouvidos e os primeiros sinais do alvorecer, Cora acorda do velho e bem estruturado galho em cima da arvore e sorri. Alguns insetos indesejáveis lhe percorrem o corpo causando na jovem uma sensação desconfortante de cocegas. Fechando os olhos a morena expulsa os invasores indesejáveis.

— Desculpe-me amiguinhos.- Diz ela numa voz quase mística- Você tem que procurarem outros lugares para se aventurarem.

Uma fileira de formigas de tamanho médio desce o áspero tronco da arvore. Passando por toda sua vida no meio das florestas equilibrando o convivo de humanos e natureza, Cora era conhecida por todo seu reino como mãe natureza. Era difícil acreditar, mas todos a respeitavam devotamente como se fosse uma rainha- até mais que uma rainha-; respeitava-a mais por temor do que por amor. Sabiam de sua fúria e do que era capaz, então simplesmente faziam tudo o que esta mandava.

A jovem desce cautelosamente da arvore que a pouco tempo atrás dormia e segue sorridente por uma pequena trilha de flores que ela mesmo criara. Seu dedos acariciavam as coloridas pétalas das rosas e margaridas que compunham toda a trilha, podia sentir elas gozarem de felicidade com o gesto. A trilha enflorescida se dá lugar a uma singela casa do campo, a qual ela quase nunca passara tempo, achava muito mais deleitável deitar em inóspitas arvores e banhar-se em gélidos riachos. As costas rígidas por causa dos incômodos galhos abalam-se como sinos celestiais ao encontram a parede, Cora podia gozar de satisfação se não fosse sua orgulhosa negação.

Gritos de desespero angustia ecoam em sua cabeça eclodindo por todo aquele cenário bucólico. Cora corre vorazmente pela campina límpida de flores quase não sentindo o tato de seu calcanhar com o chão, seus olhos juntamente em encontro com suas finas e escuras sobrancelhas davam aos seus traços um tom obscuro e tempestuoso.

Nas campinas, as pessoas que estavam em suas rotineiras atividades do dia-a-dia somente conseguem observar um vulto ligeiro passar adentro das impetuosas arvores que compunham todo o reino. Um vulto quase sem distinção ou forma.

— É esta a flor! — Dizia uma voz desesperada quase em uma previa comemoração. Suas mãos já maneavam sobre a incandescente flor dourada.- Vamos salvar a rainha!

A jovem Cora escuta tudo do alto da colina, ela prende os lábios com os dentes em raiva.

— Parem com o que estão fazendo ou sofrerão as consequências!!!- Vociferou a mulher tomada pelas sombras. Suas mãos sobem aos céus e filetes de chamas começam a nascer sobre elas.

Um dos soldados reais a olham com os olhos esbugalhados. Colocando as mãos sobre o bolso esquerdo ele retira um metálico canivete e começa a tirar a planta pela raiz com o máximo de cuidado que poderia aproveitar da situação. Um riso malevolente ecoa por todo o cenário.

— Você pediram meus nobre súditos.

Lançando a implume esfera de fogo pelo o ar pode-se ver o solo crepitar em chamas. Os corpos se amontoando em contorção de pessoas já carbonizadas fez seus lábios sorrirem. Sua alma estava já tomada pelas sombras. Ao longe, correndo para sua sobrevivência, um cavaleiro conseguira escapar segurando contra seu peito a dourada flor. Cora rosnou de raiva e percebeu estar sendo observada, virou-se numa velocidade impressionante . Um pequeno grupo de camponeses sujos de fuligem apareceu a sua frente assustados e temorosos, Cora arregalou os olhos e só então percebeu a proporção que seu fogo havia tomado. Dizimando aldeias inteiras e uma grande parte da vegetação do reino, assim como no seu sonho de menina, podia sentir o cheiro forte de carnificina empreitar em suas narinas, mas, diferentemente daquela noite de sua infância, a única coisa que conseguiu sentir foi o sentimento de oídio e vingança lhe percorrer todo o corpo e coração. Em vez do grito dessa vez soltou uma risada. Uma risada de satisfação. Uma risada oriunda de uma vingança.

Notas finais
Obrigada pelo suporte de vcs >.< ♥