Sleeping Smile
9 Rains of Danbury
Notas iniciais
Antes
Danbury- 2001
“Killian? Killian?!”, ela o chama em desespero com sua voz falha, já querendo se debulhar em lágrimas. Emma se encolhia quase se escondendo, afim de afastar o ar frio que se formara em instantes em Danbury.
O sol da manhã estava como fogo ardente. Emma acorda assim que os primeiros raios refletem em seu rosto úmido e de um jeito que parecesse beijos salientes, ela sente sua pele arder.
– Mas um longo dia- Diz ela em um tom de voz arrastado.
A luta contra a impiedosa preguiça lhe toma todos os seus membros, fazendo com que soltasse um grunhido misturado de angústia e de prazer. “Não poderia me dar mais alguns minutinhos?”, pergunta ela mentalmente ao sol que escaldava acima dela, se lembrando que não era nenhum tipo de feiticeiro, aqueles com varinhas sabe? Não era Harry Potter, ao menos Rumplestiltskin... Então rapidamente ela dessite. Ela era nada e nunca fora.
Subitamente Emma tenta em fim abrir seus olhos que até o momento se recusavam a sair de seu casulo, entretanto no momento que as luzes penetram neles fazem com que seus olhos chamuscassem para o dia.
***
Pode soar infantil e mimado, mas em lugar do meu consciente, quando senti o sol bater em meu rosto, me fez pensar que estava de volta ao terraço em Boston... De volta a proteção de Killian... De volta a realidade fantasiada que um dia eu já vivi. Mas só foi abrir os olhos que essa realidade de agora retornou como um tijolo caindo em minha cabeça. Uma cidade se formou em minha volta e uma música torturante começou como uma orquestra sem fim. Buzinas incoloráveis, lixeiras batendo ao chão, pessoas xigando á si propio e andando rapidamente por conta do atraso e até certo idiota que insistia em tentar concerta sua escada de serviço enferrujada ; formam barulhos estridentes típicos de uma cidade grande rasgando o tempo límpido e claro que se formava naquele dia.
Eu estava deitada num chão sujo de um beco qualquer com meus cabelos recheados de lixos e alguns animais indesejáveis. Ser menininha não rolava por aqui, aliais, ser menininha nunca fora minha praia.
Afasto os camundongos que insistiam em me perturbar e olho de relance para o único e imenso ponto positivo daquela cidade infernal: O céu. E hoje estava magnifico, não estava nublado ou com um timbre de azul triste e solitário como de costume, as nuvens estavam chamuscadas e o céu tingiu-se para um azul que se contrapunha com uma imensidão laranja-amarelado. Deixo um sorriso leve se formar em meu rosto colocando a mão no pingente que Killian havia me deixado.
– Carne fresca no pedaço!- Uma voz grossa de forma atrás de mim.
Me viro rapidamente e percebo 3 homens sorrindo de forma maliciosa olhando para meu corpo de cima para baixo repetidamente. Sinto minhas mãos tremerem.
–Tenho cara de açougueira agora? O açougue do senhor Finneman fica a três quadras daqui.- Aponto de forma irônica para a rua atrás de mim.
– E ainda por cima é nervosinha- Diz outro que dessa vez aproxima-se de mim espreitando os olhos. “Ele não vai fazer isso”... Respiro fundo... “Ele de fato não vai fazer isso né?”
Sinto finalmente seus dedos tocarem em minha cintura. Garotos estúpidos, se ele soubessem quem sou eu talvez nem ao mesmo tivessem coragem de se dirigir a palavra comigo. Em um estante ele estava com suas mãos grudadas em minha cintura e outro clamando de dor ao eu por a mesma mão atrás de suas costas.
– Você são muitos idiotas para se meter comigo.
– Ih olha lá, a garota se acha...- Diz dessa vez o menino loiro de boné. Ele era duas vezes maior que eu e trazia consigo uma cara enfurecida. Era confiante e um tanto atraente se não fosse pelo ar de Bad-boy suado/ fedorento (aquele cara fedia a peixe), eu teria medo... Se não tivesse crescido em diversos bairros perigosos de Boston. Analiso sorrindo vendo ele se aproximar quando em súbito movimento com as pernas, atinjo sua região intima com sucesso e em um gemido abafado quase nulo se forma no local.
Lanço um sorriso maroto que logo se esvai quando os garotos assustados se juntam para dar um fim na loira irritante a frente deles: Eu. Passo a correr como nunca, o chão abaixo de mim some de maneira quase que assustadora e o meu ar se esgota em poucos metros de corrida. Os garotos não iriam se cansar nunca? Claro... Deviam ser filhos de riquinhos que entraram no corpus esportivo da escola só para se esbanjar. Corro, corro...corro..........corro..........
“ Killian, preciso de você!”
Tudo fica escuro.
***
O que diabos estava acontecendo? Acordo numa espécie de balcão mal-acabado onde nele havia muito conforto até para uma casa do Brooklyn (eu já passei um verão morando numa dessas com uma família que tinha me adotado... Era até legal, menos a noite, mas posso reclamar de que? Pelo menos tinha comida e.... um sofá). Um vídeo game velho, um sofá rasgado, tv, um frízer que parecia não funcionar e uma cama. Eu estava no paraíso!
– Cuidado para seu queixo não cair...- Uma voz surge do nada em tom rouco me deixando em alerta. Busco a tal voz e percebo que na grande janela a minha direita descansava um rapaz moreno e com um sorriso um tanto repulsivo.
– Quem é você?
– Sou o cara que tirou de você de uma enrascada.- Ele finalmente para de namorar a maldita vista e passa a me encarar, deixando assim a mostra todos os seus traços sofridos e repulsivos. Ele tinha cabelos castanho escuro médio que dava uma certa harmonia a seus levemente caídos olhos da mesma cor. Seu sorriso, marcado pelo tempo, dava-lhe ar de maturidade. Ele era mais velho, bem mais velho que eu.- O que passa nessa sua cabeça de miolo em se meter com brutamontes como aqueles? Agora acho que aprendeu alguma coisa.
– Tipo o que? Que o senhor “Sou o herói” poderia se meter com eles? Você viraria geleia e eu que teria de te salvar. Estamos no século XXI! Eu posso ser mulher, mas aposto que faria um belo estrago nessa sua cara.- Sorrio irônica para ele que estava mais próximo de mim que gostaria.- Eu sei me virar sozinha!
– Um “obrigada” cairia bem Senhorita “Sabe tudo”.
– Ow, não sou do tipo que diz obrigada.
– Eu não sou o tipo que atura garotinha mal educada.
Sorrio.- Então teremos problema... Já deu para mim Anakin Skywalker– Digo logo me virando para sair daquele lugar, por mais tentador que fosse.- Fui.
– Ei você não pode ir.
– É mesmo? E porque?
– Eu tenho comida.
Isso foi completamente injusto... E tentador.
***
Minha boca parecia estar comendo estrelas. Quanto mais enfiava aqueles pães em minha boca e sentia a festa em meu estomago parecia que mais me sentia tomada pela fome... Uma fome que pareceu ter criado forma como um dragão dentro de mim assim que vi aqueles simples pães na mesa de madeira velha. Minha fome não saciava e passei a comer biscoitos achocolatados, depois frutas que pareciam estarem podres, depois a comida enlata que só Deus sabia sua origem... E mesmo assim minha fome crescia cada vez mais. Parece que a fome finalmente acordou em algum lugar esquecido dentro de mim...Depois de meses comendo somente resto de frutas do lixo eu finalmente estava comendo algo que podia ser chamado de comida.
– Você como muito para uma garotinha de apenas... 45 quilos?- Não tinha notado até o momento mas o homem me fitava com um olhar desafiador... Certamente achando graça daquele meu momento de fúria animal.
– Eu estou a tempos sem ver uma comida. A 3 meses especificamente . — Desabafo com um tom de brincadeira. Para falar a verdade eu não via uma comida de verdade a um ano. O tempo que Killian se foi...Eu poderia roubar, mas sem Killian não é a mesma coisa, pois eu tenho medo e perto dele me sentia capaz de tudo.- Sabe? Não é fácil ser uma órfã, ainda mais em uma cidade grande.
– Entendo.- “Não, você não entende!”, penso tomada por uma raiva que aquecia meu sangue.- Eu também sou órfão. Não é a toa que moro nesse fim de mundo -“ Como é que é?” .Sinto minha espinha arrepiar. Engasgo com meu próprio suco.
– Como assim?- digo ainda assustada, mas por um momento reflito e vejo o quão idiota eu estava sendo. Eu quase caio na jogada dele.- Como que o senhor órfão tem um carro?- Aponto repentinamente para um fusca amarelo que estava ao nosso lado, um carro horrível e.. chamativo.
– Aham loirinha, até parece que eu sou o único aqui que já roubou.
– É, eu roubava... Para minha sobrevivência! Aonde que um fusca pode salvar minha vida? Você é um ladrão.
Ele ri e depois volta para mim- Não sei, ele pode ser um fusca magico que transporta entre mundos... Escuta, vá dormir. Passou por muita coisa hoje e... Bem, eu não sou um pirata, portanto não precisa ter medo de mim.
Assento com a cabeça pensando no que ele dissera e me levanto da mesa me dirigindo até um colchão velho que ele deixara já arrumado. De relance levo meu olhar de volta a ele que estava comendo em fim seu pedaço único de pão... Uma grande parte mim queria que ele fosse o Pirata. Levo as mãos aos pingentes que carregava comigo como um fiel escudeiro da sorte (embora não tenha funcionado muito bem nesse último ano) e penso já querendo soltar algumas lágrimas indesejáveis “Killian! Killian... Eu um dia vou te encontrar... Eu sempre vou te encontrar”.
– A proposito- A voz do rapaz à mesa corrompe subitamente meus devaneios.- Me chamo Neal
– Emma- Digo forçando-me a sorrir.
Me deito juntamente com o começo da chuva... Sinto gotas salientes, que passaram pelas terríveis infiltrações do balcão, cair em cima de mim. Me encolho tentando me esconder do frio que se formara em instantes através das cinzas de um dia esplendoroso e lindo. Algo me dizia que depois daquele dia, seria assim que o tempo iria ficar para mim: Nublado e confuso. Mas tudo bem, coloco a mão novamente sobre o colar. Ele iria me proteger, como sempre fizera.
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