Sleeping Smile
2 Our Terrace
Notas iniciais
"O homem corria desesperadamente pelas ruas de New York. Até teria conseguido fugir, ele era bom...Mas não para Emma Swan."
......................... Agora- New York City- 2011
Tinha tudo para ser um dia perfeito. Um chocolate quente na mesa a sua frente, um cartão de vale desconto (limitado) da Forever 21 na bolsa em seu braço e uma conta do Netflix....De seu vizinho, realmente ele tinha sido bastante estúpido ao colocar sua senha como o nome de seu adorado gato, Sr. Taylor, ou como Emma o chamava, Sr. Cocky. É... Tinha tudo para ser perfeito, mas não foi assim que aconteceu.
A loira estava sentada em uma das mesas do Third Rail Coffee na Sullivan Street, era uma cafeteria muito criticada pela sociedade Nova iorquina, portanto, não havia muitos clientes na pequeno e desconhecido local, por esse motivo, pra ela aquilo era o paraíso.
O cheiro de cafeína tomava o local e entranhava em suas narinas que, por sua vez, suspirava mantendo os olhos fechados apreciando o doce sabor do aroma de um bom café. O Third Rail Coffee estava como sempre em silencio, algo que em Nova York era difícil de se encontrar. A simples cafeteria era feita quase toda de madeira e enfeitada de objetos rústicos, o que dava a ela um ar de antigo, o que proporcionava uma quase viajem no tempo. Emma estava em Nova York a pouco tempo e desde então esse local tem sido seu porto seguro. Embora sempre tenha morado em cidades grandes por toda sua vida , nunca conseguira se acostumar com o vai e vem de pessoas frenéticas e apressadas, o número exagerados de carros em ruas estreitas para eles... Aonde quer que fosse, sempre teria uma buzina ou uma pessoa para descontrair o silencio, menos naquele local, parecia que ele era desprovido de qualquer barulho ou irritação.
"Se bobear, de tanto que venho aqui, devo até saber o nome da faxineira local", pensa ela e chuta em Meredith.
Com uma colher, Emma mexe incansavelmente seu chocolate quente... bem, que já não estava mais tão quente assim... Não era de perder em seus pensamentos, mas as vezes era inevitável, sua mente se alternava para a banda desconhecida, "The Dudes", que se apresentaria essa noite no Pub O’donoghue’s na 44th Street e depois voltava a pensar no sumiço do misterioso colar.
De repente um vulto. O lugar que antes estava com pequenos murmurinhos de pessoas distantes conversando, se torna ainda mais silencioso.
Os pensamentos se deram ao lugar de uma sensação desconfortável de queimadura. "Meu chocolate quente! Oh Deus... Serio isso?". O líquido escorria para suas calças jeans surradas e entravam em contato , aos poucos, com sua pele.
–Emma.- Seu nome é assustadoramente sussurrado e ecoado por todo o local. É ai que as coisas ficam estranhas. É ai que sua história começa.
Um rapaz de capuz preto, provavelmente o mesmo que derrubou metade da cafeteria, estava no chão, a olhando com metade de seu rosto coberto pela sombra que seu capuz fazia.
E ele correu.
***
O homem corria desesperadamente pelas ruas de New York. Até teria conseguido fugir, ele era bom...Mas não para mim, Emma Swan.
–Pare!!!- Grito numa tentativa falha de ele obedecer, porém, como se não tivesse me ouvido ele entra num beco.
Me abaixo apalpando minha bota em esperança de achar um revolver, pensar que ele sairia ileso me irritava, afinal de contas... Ele trouxe-me para o fim do mundo.- Sou da Polícia, pare!
" Ah é espertinho, vai ser assim ne ?", penso. Havíamos corrido um bom pedaço de Nova York, tanto que nem mesmo conhecia esse local- Savior Street- "Nome de rua estranho".
Com o cabelo totalmente desgrenhados e uma respiração que agora já entregava o cansaço, entro no beco rastejando contra a parede, com esperança de finalmente pega-lo e voltar para o meu dia perfeito.
Lixos jogados no chão, caixas e bichos indesejáveis...e mais nada. Nenhum vestígio do rapaz que sumiu feito fumaça.
– Não é possível!- Procuro alguma saída entre as paredes velhas e os lixos sujos que compunha o local. Era um beco sem saída, aquilo estava ficando estranho.- Filho da mãe!- Meu temperamento não é o dos mais calmos e naquele momento meu sangue fervilhava em minhas veias e a pulsavam. Chuto com força uma lata de lixo e um objeto prateado surge.
Curiosa o pego na mão. Era um colar de pingente de caveira e espada surrado com o tempo, era o meu colar. Como que isso veio parar aqui? Minha cabeça roda e não entendo mais nada. Estava tão zonza que li em algum lugar ao passar os olhos “Save us”, não sabia se estava ficando louca ou se teriam botado algo em meu chocolate quente de manhã, seja o que fosse, alguém iria pagar por isso.
Saio do beco irritada batendo as botas com ódio no chão. Pobre chão, nem fez nada e tem que pagar pelas brincadeirinhas dos outros.
Ao sair passo meus olhos de relance novamente pela placa- 7th Street- Como assim? Era como se a rua tivesse desaparecido e as lojas conhecidas voltassem a minha realidade. Estranho. Mal esperava me jogar em casa e ter a companhia do único que me entende e eu não quero longe: Meu copo de Rum.
***
Abro a porta de minha casa, minha pequena casa. Jogo logo minha bota para longe, assim como o casaco.
“Meaw”
–Olá Cocky!!- Me abaixo sorrindo, por um momento consigo esquecer de parte do dia. – Oh já é tarde, não é mesmo? Será que seu dono não esta preocupado? — Ele faz uma carinha tristonha.
– Está bem amorzinho, venha aqui que e te dou um pouco de...Água.- Embora tivesse muitas coisas de Cocky espalhada pela casa, não tinha muita coisa, não me dava ao luxo de comprar de mais já que meu salário não era um dos melhores, mas, com minha simplicidade, dava para me manter.
Enquanto preparava a água de Cocky, analisava o colar e ,seguido disso, começava uma serie de nostalgia em minha cabeça.
–Que diabos está acontecendo comigo? — Coloco o colar em meu bolso e levo a água de Cocky no chão- Hey, fique ai hem, irei para o terraço.- Sabia que não adiantava falar, ela certamente me seguiria até o terraço do prédio.
******
O vento soprava forte, levando meus cabelos a dançarem conforme seu ritmo. De forma desastrada, tento manter meus pés firmes para não cair da escada de parafusos soltos... Precisava fazer isso.
Com as mãos segurando fortemente o colar, consigo finalmente subir ao “nosso” terraço.
“Tem tempo que não venho aqui”, penso. Era incrível como o tempo podia apagar algumas coisas, seja por decomposição ou ...Sei lá, pela faxineira carrancuda do prédio. Mas ali estava o terraço, intacto,- Eu notei- estava tudo em seu lugar desde o verão de 2000. Os Punk’s Candy jogado de qualquer maneira em uma mesa de centro, agora parcialmente comida por cupins; Uma caixa vazia de Wonder Ball jogada perto do jogo Monopoly, que havíamos conseguido no lixo... Faltava algumas peças mas nem nos importávamos.
–Sinto falta de você!- Olho para o colar e percebo pela primeira vez que atrás do mesmo, havia símbolos. Estreito os olhos para decifrar.
–S..T...O.. B -O resto, engolido com o tempo, permanecia indecifrável. Como pude nunca perceber isso?
Sento de pernas cruzadas no chão para que assim pudesse ver a lua e Cocky aparece todo carente ao meu lado... Era melhor ele voltar para o dono, já estava tarde. Aquele lugar, de alguma maneira me fazia bem, por um momento até mesmo esqueci do episodio do garoto do capuz...Por um breve momento. Levo a garrafa de Rum para minha boca, meu melhor amigo de todas as horas.
–Você irá pega-lo Emma... Você pega todos! — Digo para mim mesma- Só foi mais um dia longo e só de trabalho.- Hoje era para ser minha folga e não tinha aproveitado um terço dela, o que não era novidade, mas é só meus olhos passarem o foco para a antiga caixa de som que vi que não estava totalmente só...
Minha cabeça começa a ter novamente um momento nostálgico e começa a rodar nela cenas, flashbacks, de quando toda aquelas histórias guardada pelo terraço aconteceram...Músicas ecoavam minha cabeça a fazendo rodar, estava tão louca que não sabia se o som era da caixa de som (que nem era para esta funcionando...Quanto tempo dura uma caixa de som em ar livre ?) ou da minha cabeça.
" Ohh oohh You like to think that you're immune to the stuff
It's closer to the truth to say you can't get enough You know you're gonna have to face it
You're addicted to love You see the signs, but you can't read You're runnin' at a different speed
You heart beats in double time
Another kiss and you'll be mine, a one track mind
You can't be saved Oblivion is all you crave If there's some left for you
You don't mind if you do"
A música parecia ser infinita e meu corpo queria dançar. Estava chovendo forte agora, como se os deuses quisessem me levar por aquelas águas que desciam o prédio, eu simplesmente abro os braços como se fosse abraçar a lua.
– You see the signs, but you can't read. You're runnin' at a different speed- Fecho os olhos cantando, em esperança de voltar no tempo, de fazer diferente, mas logo me arrependo de ter bebido tanto.
Eu estava louca, pirada... E agora por isso, estava perdida. O local era escuro, uma estrada que era rodeado por um bosque totalmente fechado pelas árvores. Aonde eu estava? A placa que ali estava certamente não me ajudava muito.
Eu seguro o colar em minhas mãos.
“Wecolme to Storybrooke”
–Sério isso!?
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