Sleeping Smile
3 Another Place
_______ Antes___________
_____1999- Boston ________
Suas pernas doíam e seu corpo pedia uma cama. Boston parecia maior que realmente era.
Por toda sua vida, Emma sempre conviveu em ambientes barulhentos e cheio de gente, porém isso mudou. Aquele pedaço de Boston era estranhamente silencioso e vazio. As vezes a solidão a assustava.
"O pessoal do orfanato não deve nem cogitar a ideia de que me meti nesse... Fim de mundo, nem mesmo eu sei onde me meti", pensa ela olhando de pé a cabeça para o mapa e seus cada vez mais misteriosos enigmas.
– Sério isso? Seu mapa, precisamos entrar em um acordo!- Algo tão mágico quanto um mapa não pode existir! Emma com seus short jeans e sua bota surrada segue sua longa viagem. Talvez ela precisasse comer, ou de uma cama.
– Ewwww! De um banho! com toda certeza de um bom banho- Conclui ela ao passar seu nariz em sua blusa quadriculada em que vestia, inalando algo que se pareciam com um..Bicho morto!
Seu pequeno acidente durante a "quase" perfeita fuga do orfanato tinha deixado um presente de lembrança: Um tornozelo inchado. Emma era forte, porém a longa caminha e os três dias seguidos que não se quer parava para sentar, o tinha piorado. A dor do torcimento do seu tornozelo e mais a dor agoniante do cansaço a fizeram sentar quase que imediatamente em uma calçada.
Por um estante um mundo parou. O lugar se tornou mais silencioso. Não se podia mais nem ouvir o cantar dos pássaros, ou a música dos ventos. O mundo parou, em respeito a sua dor, em respeito a Emma. E foi ali, naquela rua estreita, construída em meio prédios e casas parcialmente levada com a malvadeza do tempo... Emma se sentiu amada pela primeira vez.
E ela sorriu.
******
Por toda sua vida Emma viveu cercada de gente como assim já disse. Ela era vista como uma estranha, tinha algo muito bom que ela transmitia que deixava as pessoas invejadas. Enquanto as pessoas gostavam do barulho, do mau... Emma gostava da paz, do bom. Se ela diz que gosta da solidão, bem, ela está mentindo. Ela está querendo se passar por mais forte do que já é.
No momento de que o mundo "parou" Emma ouviu o som que nunca mais pode ouvir. O som do silêncio, mas não era um silêncio solitário e sim um silêncio acolhedor. Talvez aquele lugar fosse seu lar.
*******
Minha mente voa para longe. Me imagino sendo uma princesa, mas não como daqueles filmes sem noções da Disney em que vi quando criança, uma versão bem melhor que eles. Uma princesa amável mas forte e guerreira. Uma princesa que quando chegasse para seu povo, ouvisse o doce som do silêncio. Mas não um silêncio pesado, que transparecesse temor, mas aquele que demostrasse respeito e amor. Eu do lado de minha m...
Meu pensamento é interrompido pelo acontecimentos a seguir dele, talvez posso arriscar-me e dizer que tivera sido interrompido por mim mesma, com medo de terminar a última frase. Não medo, sou forte, está na hora de crescer...E minha boba esperança de que eu conseguisse fazer daquele (de qualquer um) lugar meu lar me fez ver isso.
Sinto um objeto metálico descer e subir em minhas costas e uma respiração quente atrás de meu pescoço. Dali já podia sentir o forte odor do álcool que o rapaz liberava em sua pesada respiração. Não queria me mexer, sabia que se o fizesse teria que correr, e bem... sabemos que não estava na melhor condição de fazer isso.
– O que um pedacinho do céu está fazendo na rua sozinha?- O seu tom de voz me fez arrepiar minha espinha, era um tom sarcástico e cruel.- Mamãe sabe que anda com esses shortinhos curtos? Ela nunca te ensinou a ter cuidado ao se vestir- Ele da a volta e agora consigo ver seu rosto magro e quadrado. Ele estava tão próximo de mim que juro, tive que relutar para não o cuspir.- Um lobo de mau pode te pegar.- Uma risada seguida de outras duas tomam conta do silêncio em que, em uma hora, o local era tomado.
Me viro com pavor, com medo, mas não deixo transparecer. Mantenho um semblante bravo, com as sobrancelhas juntas e um olhar cerrado, analiso o rapaz de baixo para cima. Ele era loiro e muito magro, tão magro que nem mesmo podia-se ver os profundos olhos verdes que tinham em seu rosto, mas não deixo de reparar em nenhum momento a arma que ele segurava.
– E a sua? Nunca te ensinou a ter educação?- falo agressiva.
– Uooou, é nervozinha, é assim que gosto!- Sinto meu braço ser puxado com força- Sabe o que é uma arma amorzinho? Ela pode furar seu rostinho lindo em instantes.
– É? E sabe que eu nem ligo?- Meu temperamento nunca foi um dos mais fracos e esse cara estava me testando. Piso em seu pé , o que faz ele largar a arma, então pego a arma e aponto para ele e seus capangas, um tanto assustada, um tanto desesperada.
–Ei calma, mocinha- Fala o mesmo rapaz de voz assustadora e aspara, agora com uma voz tão lisa e calma.- Você não sabe o que você está fazendo
Tento atirar, porem com o peso da arma, acabo acertando em uma droga de carro. Eles riem.
Sinto-me sendo puxada. Tento me debater mas nada de significante acontecia, eu continuava sendo levada por entre Boston.
– Pare de se debater- Uma voz estranhamente familiar surge do nada.
Ele me ergue para subir em um prédio completamente acabado, não sabia se podia confiar nele, porem eu estava confiando, e o que era mais estranho... Sabia que ao meu redor reinava o perigo, eu estava com grandes problemas, porem eu me sentia protegida.
*****
Subindo as escadas do prédio, observo o estranho bairro de Boston. Era tomado por casas simples e prédios acabados, nele tinha bastantes quadras esportivas e pequenos becos, possivelmente, percebo naquele momento, me meti num bairro de origem pobre de Boston.
As vezes você quer ter uma segunda chance, uma segunda escolha...Uma alternativa de voltar no tempo e refazer um passe ou uma ações. Foi isso que senti ao virar minha cabeça para o lado e olhar para o prédio vizinho. Vi uma família em silêncio agachada e logo em seguida...Um tiro... O menino de aparentemente 5 anos chora ao ver a mãe morta no chão. Fecho os olhos, inicialmente para não ver o resto da cena, mas depois para conter as lagrimas teimosas que lutavam para sair. Vou rapidamente para uma especie de terraço mau construído.
– Você está bem?- Diz garoto. Na correria não tinha como o analisar, porém sua voz me soava familiar desde o principio.
– O que você tem na cabeça?- Digo na defensiva.- Por que você não me falava antes "Emma, sou eu, Killian. Vem, conheço um lugar seguro".
– Um simples "obrigada" bastaria Emma.
– Obrigada pirata!- Falo sarcástica.
– Tenente..- Percebo que, assim que o chamei de pirata, por causa da ligação ao mar...bem e por ele ter um "navio", ele se irrita.
–Que seja "Pirata" ! O que você quer comigo? Como soube que estava aqui?-Deixo escapar um certo tom de preocupação em minha voz, se ele descobriu aonde eu estava...Com certeza o pessoal do orfanato iria descobrir.
– Eu simplesmente apareço... Eu acho que é uma magia ou alguma viagem no tempo.- Seu rosto branco feito papel se dá a vez de uma cor rosada.
– Você nunca viu shorts tenente? Estão na moda a um bom tempo. — Brinco com a timidez dele- Você veio da época pré-histórica por acaso?- Falo em tom sarcástico.
– Talvez de outro mundo.
– Você não fala coisa com coisa. É louco.
– Em fim... A Milady não precisa se preocupar em ter gente te seguindo, pelo menos não de onde você fugiu.
– Me chame de Emma- falo esticando a mão, gesto provavelmente que ele não conhecia muito bem. Estava começando a acreditar que ele era de outro país. Um país muito esquisito.- É para apertar, é assim que dizemos "Prazer em te conhecer", já que bom... Não começamos muito bem.
Ele aperta e sorri. Ficamos em silencio pelo resto do dia, parecia que trocávamos mensagens por mente, por que sabíamos quando o outro estava com frio, fome ou simplesmente com medo... Não que eu tenha medo... Talvez um pouco.
–Sua mãe irá voltar Emma, você será feliz...
– Como sabe que não tenho mãe? — Minha voz ressoa alta, estava assustada com o que ele dissera. Como sabia que eu era orfã e de outras coisas que nem mesmo eu aceitava de mim?
– Você é como um livro aberto.
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