Sleeping Smile

11 I'm the Captain Jones


Antes .

Floresta Encantada .

(A muito, muito, muito tempo atrás)

Não conseguia descrever aquele momento. Emma sorrindo como se nada fosse mais importante no mundo, nós dançando como se o tempo tivesse sido congelado... O nosso beijo. Sim eu sabia o que havia acontecido. Mas, por um momento tudo acabou. Tudo ficou escuro.

Não sabia muito o que acontecera. Em momento estava comemorando aniversário de Emma e em outro conversando com seu irmão no barco do poderoso Rei das ilhas do norte. "Que droga de magia", pensara ele. Mas tudo estava certo, em algumas horas tudo voltaria ao normal e ele pediria milhões de desculpa a sua Emma.

"Sua Emma", as palavras lhe soaram engraçadas e de certa maneira muito atraentes.

— Killian!- Disse seu irmão impaciente.

O tenente pirata deixa de olhar para o nada e passa a observar seu querido irmão mais velho, Liam.- Me desculpe Liam, dissera alguma coisa?

— Onde está sua cabeça, pequeno irmão?- Disse Liam. Killian realmente odiava essa maneira em que ele o chamava...Mas já se acostumara com tal.- Você vem sumindo misteriosamente e.... Bem, é bem estranho.

Seu coração pulsava fortemente dentro de seu peito. Killian estava explodindo de alegria e não aguentaria guardar aquele segredo agonizante de Liam, seu melhor amigo.

—É uma mulher- disse finalmente.

Seu irmão -que estava a as frente- começa a rir, mas não de uma maneira má e sim de alegria.

— Então finalmente encontrou alguém? Me diga quando poderei encontra-la?

"Me diga quando poderei encontra-la?", essas palavras ecoavam na cabeça de Killian que respondia a si mesmo com um olhar baixo: "Eu também queria saber."

— Pelo jeito você não está muito de falar por hoje, né?- disse seu irmão preparando as âncoras. A terra estava próxima.- Se apronte. Neverland já está a vista.

***

Eu olhava para trás e conseguia ver o mar abaixo de mim, aquilo me reconfortava. Fecho os olhos e tento pensar em Emma...E nada. Fecho os olhos mais intensivamente... E nada.

Permito-me chorar. Já fazia três dias que não a via e nem sabia como ela estava. Cuidar de Emma tem sido a única coisa que eu tenho feito e que tem algum sentido.

— Okay, agora você esta me deixando preocupado Killian.- disse Liam se sentado a uma pedra perto de mim. Ele coloca as mãos em meus braços e me lança um olhar preocupado, eu não podia esconder dele... Ou melhor, eu tinha que contar para ele se não quisesse explodir com esses sentimentos de culpa e raiva.

— A garota não é desse mundo- digo- Ou é, mas de um outro tempo... Eu não sei te explicar direito.

Seu irmão morde os lábios. Sabia que estava contendo uma risada.

— É serio Liam. Todas aquelas vezes que eu sumia em serviços, todas as noites que passei fora... Foi magia. Eu estava com ela, cuidando dela. Ela é maravilhosa, você devia ter a conhecido. Ela tem um sorriso brilhante e seus cabelos são louros como...- Procuro algo para descreve-la naquela ilha miserável. Impossível! Emma é uma pessoa impar, mas mesmo assim tento- Como o sol e ela é tão ingênua e ao mesmo tempo tão esperta que te dá nos nervos, você quer ama-la e odiá-la, você...- Ele me corta em meio de uma risada abafada

—Ei, calma ai Sr. Apaixonado! Vai acabar passando mal de tanto que fala- Eu exagerei? Não tinha percebido, mas era tudo verdade. Liam me da um leve chute nas pernas sorrindo.- Mas ela parece ser incrível, Parabéns maninho.... Tenho pena dessa moça que terá que aturar você.

Eu apenas rio- Eu sou bem "aturável" se você quer saber, bem mais que você- Ele apenas joga algumas gotas do mar que vivia atrás de nós naquele momento, antes de escutarmos o soar de uma flauta.

— De onde diabos isso está vindo?- disse eu me levantando por reflexo. Herança de Boston.

Liam me encara franzindo as sobrancelhas. O que houve agora?

—Desde quando você fala assim?

— Quer mesmo discutir esse assunto agora?- Digo sem o encarar, olhando em nossa volta.

—Killian, só foi uma flauta- Liam voltou a se sentar, mas eu continuei a observar o local com precaução.

— Segundo ao nosso "bondoso" rei, essa ilha era habitada por ninguém, Certo?- Alguma coisa não cheirava bem aqui. Olho para além das arvores...nada. Para as montanhas tomadas pela sombra... Nada.

— Sim.

— E alguma flauta se toca sem um flautista?- Olho para o Liam que está inerte na pedra em que sentava, com os olhos esbugalhados e a pele mais branca que o normal.

Nesse momento só escuto seu doloroso "Corre!!" e nada mais. As imagens se seguiam em pedaços faltantes de uma história de horror. Tochas e flechas se soltam ao nosso redor.

E nós corremos como se nada fosse mais importante do mundo. Como se fossemos morrer ali mesmo.

***

Acordo com uma dor infernizante em minha cabeça, na tentativa falha de abrir meus olhos ela só aumenta. Levo uma das mãos até meu cabelo e tento me sentar.... Bem melhor. Apalpo a parede atrás de mim e percebo que na verdade eram predas. Estávamos numa caverna.

—Killian- sussurra uma voz quase sem som.- Killian...- Ela se repete de novo seguida de uma densa e preocupante tosse. Não podia ser Liam, pelo amor...Qualquer um menos Liam – Ou Emma, só para deixar claro!- Abro os olhos ignorando a dor que agora era o menos importante e o vejo. Estava deitado na areia que cobria quase toda metade de sua cara e mau respirava. Não! Levanto e vou até ele correndo e percebo que estamos acorrentados. Merda.

—Merda!- digo alto

—O que você disse, irmão?- Droga, Emma!- O que seria "merda"?

—Nada, irmão!- digo com a voz tomada pelo choro- O que houve?

Ele tenta se encostar na parede, mas tudo que consegue é pelo menos se livrar da areia. Tudo estava sendo tirado de mim. Tudo.

— Parece que o "bom" rei, não era tão bom assim- ele disse sorrindo tristonho.- Tem algo que não te contei, parece que nós não vencemos a última batalha com os clãs. Eles foram envenenados Killian! Com uma planta mágica de pura malevolência. Eu escutei tudo e por isso ele falou que nessa terra tinha a cura e que a planta não mataram eles, só os deixaram dormindo.... Eu fui estúpido em acreditar. Ele me trouxe para o local onde o tem a planta mágica como nativa. Eu irei morrer pequeno irmão.

Não! Não, não! Começo a chorar sem ligar que ele me falasse "limpe essas lagrimas, Killian! Está na hora de tornar-se em um homem", como sempre fazia. Eu iria perder meu melhor amigo, meu irmão.

—Não!- falo ainda em meio aos prantos- Deve haver um jeito, irmão.

— Não há, senão ele não me traria justamente aqui.- ele me olha em sorriso caído.- Me conte mais sobre sua loura dos cabelos de sol.

Em meio aos prantos nasce um fio de risada, onde por um momento esqueci de tudo. Por um momento. Só Liam para fazer-me rir nos momentos mais inoportunos.

— O nome dela é Emma- digo não conseguindo olhar para meu irmão. Era deplorável a maneira como se encontrava. Com suas veias saltando pela pele e seus olhos que antes eram tão alertas e vívidos, agora relutavam para não se fechar. Fechar para todo o sempre.- Mas, eu acho que nunca mais verei ela.- Falo por fim- Nunca fiquei tanto tempo sem vê-la.

— Se for como você me falou... Sabe? Viagem no tempo, ou que seja... Algo relacionado a tempo.- diz Liam em uma voz quase irreconhecível- Aqui está resposta. Nesse lugar. Aqui estamos no limite do tempo, não estamos no passado ou no presente. Não estamos atrasados ou pontuais. Aqui não se passa tempo, então não tem como fazer nenhuma viagem que necessita do mesmo, pelo menos não em Neverland.

— Eu não vou sem você- digo.

—Eu vou morrer Killian, você terá que ir.

Aquilo era demais para mim. Em minha vida toda perdi pessoas para a traição, pelo tempo e, finalmente, pela morte. Estava farto e não conseguia ser forte, pelo menos não agora. Não quando meu irmão está morrendo e suas veias estão saltando para fora do corpo. Não quando seu coração está cada vez mais fraco, juntamente com sua voz que antes era tão "onipresente". Então mudo de assunto, era o melhor que eu poderia fazer não é mesmo?

Eu forço um riso.- Ela me chama de pirata.

— Pirata? Ela tem uma visão bem conturbada de piratas, não é?- ele da um riso abafado, mas de fato ele achava graça naquilo. Não estava fingindo.

Bufo- É só para me irritar, mas sabe... Até roubei algumas coisa se você quer saber. Ela é como nós, sozinha no mundo. Mas ela não tem nenhuma irmão mais velho para cuidar dela.- Aquilo foi como uma faca em meu estomago. Vários flashbacks surgem em minha cabeça: Liam me ajudando a limpar meus dentes, Liam me ensinando a ler, Liam e eu brincando de heróis, Liam trabalhando desde cedo para me dar o que comer... Afasto os pensamentos e percebo que fiquei um bom tempo tendo esses pensamentos.- E o mundo dela, ou tempo... É bem difícil, não funciona a base de trocas por exemplo, e sim de um papel verde bem estranho.

— Pagava para ver essa cena- ele fala ironicamente- O certinho Killian tendo que roubar mercadorias.

A seguir um longo e cortante silencio se constrói ao nosso redor, mas não era do tipo constrangedor, temos um relacionamento de muito tempo para essa voltarmos a essa etapa. Foi um silencio reconfortante em que apenas esperávamos o pior chegar.

Pela primeira vez do dia, não fecho os olhos. Nenhuma vez. Não queria deixar Liam sozinho. Não queria ver Emma, pelo menos não por agora. Eu estava fraco.

— Ela te faz muito feliz.- Sua voz estava falha e quase não conseguia pronunciar nada- Lute por ela. Eu... quero conhece-la...

Essas foram suas últimas palavras.

***

Eu estava caminhando pela areia daquela ilha maldita, quando ouço de novo o soar da flauta. Viro ferozmente para aonde o som vinha e vejo um menino de cabelos louros curtos e olhos azuis se aproximar cada vez mais.

— O que você quer?- digo

— Oh, saber como está o rapaz.- Disse ele em voz terna.

"Ele é apenas um garoto. Apenas um garoto, Killian", é o que avisava para minha cabeça, mas parece que ela não recebeu a mensagem muito bem. "Cabeça dura como o irmão", sinto meus lábios se curvarem, mas logo os abomino e volto a mantar o rosto fechado.

— Morto!-cerro os dentes e o que se pode escutar é uma voz abafada tomada pela raiva.

— Oh, meus pêsames- O menino dá alguns passos assustado. Ele era apenas um menino, mas sua cabeça acreditava que não.- Meu pêsames pelo seu irmão...- Diz ele, agora em um timbre mais alto e mais corajoso. Um sorriso maléfico surge no canto de seus lábios- Ele não era um menino! Era o mau em forma de gente!

— Ah! não me olhe com essa cara, sabe que seu irmão foi idiota de acreditar num rei que envenena seus inimigos para obter vitória.

— Você trabalha com o rei?

Ele ri. Ri com uma risada maléfica. Ri com uma risada insana.- Você acha que eu trabalho para alguém? Me poupe, sou uma criança. Só quero a diversão. E matar ,meu caro... Você não tem ideia de como isso é divertido.

Não, ele não era uma criança! Levo minhas mãos até seu pescoço mas na metade do percurso ela é parada, como magica. Levo as minhas mãos aos ouvidos tentando parar o som ensurdecedor da flauta.

Em instantes centenas de crianças aparecem, ou pelo menos que se parecessem com crianças. Estavam insanos com o soar da flauta. Eles arranhavam-se com suas unhas como animais, sem controle algum... Seguindo somente as ordens da flauta, que só queria a destruição.

—Pare!-digo me contorcendo

E então o silencio volta a reinar no local e ele me encara.

— Você pode escuta-la? Você é um menino perdido!- disse ele sorrindo.- Venha conosco, a tribo dos "abandonados", venha se juntar a Peter Pan!

— Eu não me juntarei a sua tribo infernizante, Peter sei lá o que!- Eu o disse- Vou voltar para meu reino.

O menino fala resmungando algo enquanto eu subo no abordo do navio, mas nem me importo. Apenas queria voltar a ser como era antes... Sem o ódio me consumindo.

Levanto a ancora e convoco a tripulação. Sairemos de Neverland.

***

O vento soprava forte para o sul, fazendo com que meu cabelo o acompanhasse de forma que deixava-o em parte totalmente desgrenhado. Manuseando o timão tento novamente fechar os olhos.

O mar me acalma.

E nada. nove dias! Nove dias de uma infinita viajem! Não mais estávamos em Neverland. Algo tinha mudado desde a morte de meu irmão, meu coração estava tomado pelo o ódio e minha cabeça atormentado pela maldade. Emma estava em algum lugar do mundo ou do tempo sozinha....E eu não conseguia avisa-la que não a abandonei. Não conseguia a proteger da cidade.

"Isso não é totalmente verdade", me lembro pondo a mão esquerda ao meu peito aonde antes jazia um colar. Um colar que agora pertence a Emma. Ela não estava sozinha e sabia disso. O colar a protegeria. Isso era o que eu queria acreditar. Realmente não sabia se o romantismo dessa situação a prevenia de tudo. Oh, minha "Milady".

— Capitão Jones!-"Capitão", isso soava no máximo engraçado. Fala um marujo cortando meus pensamentos — O que faremos?

Olho para o marujo que aparentava ter seus trinta anos de idade, ele era de uma estrutura baixa e tinha poucos cabelos no topo de sua cabeça. Sabia seu nome, como sabia o de todos presentes naquele barco. Este se chamava Steve.

— Servíamos ao um reino em uma tentativa de sermos homens melhores. Homens de honra.- Falo alto para que todos pudessem ouvir. Em alguns segundos seus tripulantes surgem dos cantos mais inimagináveis e imagináveis do barco. Continuo quando finalmente tenho a atenção.- Mas o rei, que seria exemplo de civilidade e confiança acabou nos traindo, tirando de nós um amigo de bom coração e verdadeiro exemplo. O nosso capitão, meu irmão. Para que voltaremos a viver assim? Vamos criar nossas regras!- E então, nesse instante penso em Emma. – Vamos saquear reinos e pessoas, mas seremos homens de honra e de palavra para com nós mesmos! Nós seremos piratas!

— Yeeeeey, viva ao capitão Jones!- a tripulação vibrou de alegria. Eu havia dado esperança a eles. Eu havia dado esperança a meu irmão. Eu ia honrar a ele e também a minha querida Emma.

Parecia que a loira acertou. Eu sou um pirata. Eu sou o Capitão Jones.

— Bem vindos à Jolly Roger- Digo antes de beber meu rum.