Sladdíe, O Homem Ideal.
1 Apresentações a parte.
Isso se trata de amor. Afinal não é por isso que a vida funciona?
Amor dado, amor roubado, amor não correspondido. Amor feliz, amor triste, amor raivoso.
Amor incompreendido.
É uma palavra interessante, não?. “Amor.”
Eu acho, mas quem sou eu para falar sobre amor?. É melhor falar das flores.*
O amor é cego, eles dizem. Se o amor é cego, a paixão é um binóculo. Amor é lealdade, paixão é a fascinação. Efêmero.
A paixão deixa tudo mais belo, se ela acaba, você vê a verdade. Mas não se houver amor, se você ama, a paixão acaba e você continua sem ver a verdade.
Mas quem sou eu para falar sobre amor?. É melhor falar de alcool, nisso eu sou bom.
Uísque é a bebida do homem experiente. Cerveja é a bebida do casado que não pode voltar para casa bêbado. Uísque é a bebida do homem que não tem casamento para estragar. Tequila é a bebida do homem jovem e festeiro a procura de uma transa fácil. Uísque é a bebida do homem mais velho que sabe que uma festa não é um bom lugar para ficar bêbado.
Martini rosé é bebida de mulher. Doce e amargo ao mesmo tempo.
Eu não poderia dizer para você com precisão o porquê de as mulheres quererem tanto o amor.
Eu não poderia dizer para você porquê as mulheres podem ser tão doces quanto você jamais imaginou, mas talvez eu poderia dizer para você o porquê de elas poderem ser tão amargas quanto um dry martini.
- Eu sonhei com você. — Ela sussurra no meu ouvido, tentando me acordar, sem saber que eu já estou acordado à uns minutos, mas não queria ir embora com ela ainda dormindo, seria muito falta de elegância da minha parte.
- Sonhou comigo? — Eu falo me virando para ela, os olhos dela são azuis e ela ainda cheira ao seu adocicado perfume.
- Sonhei que você acordava antes de mim, se levantava, e quando eu acordei você já estava colocando sua gravata. O que você faz?
- Sou advogado. Eu já te falei isso várias vezes.
No seu lindo rosto surge uma expressão de estranheza, ela não se lembra. Ela não se lembra de nada que não é sobre ela. O nome dela é Valéria.
É isso que eu faço da vida, sou advogado, um dos melhores-piores advogados do país, apesar da relativa pouca idade.
Logo ela dá um sorriso que me parece um blefe, e fala: — Pensei que você fosse só um socialite.
É verdade, eu também sou um socialite, não importa o quão gay isso possa parecer, faço parte da classe alta da sociedade e se eu quiser posso muito bem ser pago para fazer aparições. Meu pai é dono de várias empresas grandes multinacionais, e isso me faz o filho polêmico, que cresceu com tudo menos com um pai. Exatamente como as mulheres que se curvam para mim.
— Sim... Socialite, advogado... Mas quem é você? – Pergunta ela passando suas unhas nos meus cabelos.
Eu sou...
Eu sou um mentiroso, eu minto como forma de vida. Não recuso uma mulher bonita, mas prefiro uma morena.
Eu não posso dizer que conheço o amor, porquê mesmo que eu realmente conhecesse eu não poderia dizer isso, quem sabe a diferença de amor, paixão e gosto?. Eu não.
Em resposta ao meu silêncio, ela volta a falar: — Quer dizer, todo mundo sabe por onde você anda, o que você faz, mas ninguém sabe quem é você.
Olho para o teto, percebo que não é o meu teto, e lembro que não dormi no meu apartamento, e sim no de Valéria. O meu teto é melhor.
Eu não sou nenhum lobo em pele de ovelha. Eu estou mais para uma raposa em pele de raposa. Eu sou uma imagem, pode ser que eu não seja nada, além dessa imagem que eu deixo transparecer, pode ser que eu seja muito mais além dessa imagem. O que você acha?
Eu entendo de mulheres também. Sei como elas querem ser tratadas, mas não é sempre assim que eu ajo.
Valéria bebe Martini rosé, mas ela prefere vinho. Valéria gosta de ficar bêbada. Ela transa comigo extremamente alta, até acordar no meio da noite e ir para o banheiro vomitar e chamar meu nome para eu ajudar ela a tomar um banho.
Meu nome é um nome simples, mas é grande.
Meu sobrenome é enorme.
Eu não posso ir para um local sem que uma foto minha saia em alguma revista.
Valéria pode parecer ser diferente das outras mulheres, mas ela é exatamente igual como todas as outras. Ela quer ser amada.
Eu sei que na mesma cama em que eu deito provavelmente outros deitaram nessa mesma semana, mas se ela souber que eu também transo com outras ela provavelmente não iria gostar nem um pouco.
O que você acha de mim até agora?. A sua opinião é muito importante para mim, obrigado.
Ela se estica sobre a minha cabeça, e pega minha gravata lilás que estava jogada na cômoda ao lado da cama dela.
Ela alisa a gravata e então começa a dobra-la, olha pra mim e diz: — Eu poderia saber quem você é?
— Se pudesse você ainda gostaria de me ter na sua cama?
Sem olhar para mim, ela da de ombros.
As pessoas gostam do que elas não podem ter, é estúpido e clichê mas é a mais pura verdade. O ser humano sempre quer o que não conhece. Só pra ver como é...
— Não... – Eu respondo por ela. – Se eu não fosse o que você acha que eu sou, você ainda viria atrás de mim?
Eu não falo sobre mim, eu escuto enquanto você fala do seu dia. Eu busco a sua taça e coloco para você o seu Martini preferido. Eu me faço presente quando você finge querer estar sozinha. Eu te dou amor nas noites mais frias. Eu sou aquele que todos sabem o que eu sou, mas “só” você me tem. Eu sou culto e sei te apreciar, e apesar dos apesares tem como você não gostar de mim, nem que seja pelo menos por uma noite?
Meu nome é Arthur Sladdíe. E o seu?
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