Sladdíe, O Homem Ideal.
2 Permanente Catherine.
O que vocês estão prestes a ler, se trata de sexo, traição, mentiras, amizade, perversões... peculiaridades, a cabeça confusa de um homem. Em resumo, o que vocês estão prestes a ler se trata de amor.
Amor... várias histórias de amor, sobre a mesma pessoa, a pessoa que foi amada várias vezes, por várias mulheres, mas não foi capaz de amar de volta. Vocês gostam disso, não é?. Mas claro que se no final, não acabar com um casal vocês vão odiar isto. A não ser que vocês fiquem com raiva de mim, como a maioria das pessoas. Porque afinal é o que eu faço, eu afasto tudo e todos. De alguma maneira, mais cedo ou mais tarde. Claro que se isso acontecer, vocês vão amar a falta de um casal.
Instável, é isso que eu sou. Não, não, na verdade eu sou bem estável, eu sou estavelmente instável. A única coisa estável na minha vida é Catherine.
Não, não sei bem dizer se já amei alguém, provavelmente já, mas como sempre, eu deixei essa pessoa escapar por entre meus dedos, como areia. O pior que eu acho que eu nem sequer me amo. Sou vaidoso, claro!. Parte do meu trabalho, é ser bonito e estar sempre elegante, e a outra parte é mentir com um belíssimo sorriso na cara, e os olhos vazios.
Eu não sei qual foi o momento da minha vida que eu me perdi, – ou se eu sequer tive um momento que me perdi, quem sabe eu sempre fui assim – mas sei que o momento que eu me encontro ainda não chegou. Não, não são drogas. Eu sou um advogado pelo amor de Deus. Se tem uma pessoa que sabe quando eu me perdi, se me perdi é Catherine.
Eu não havia entendido o porquê do sonho de Valéria, muito menos do porquê de ela ter parecido abalada com o pensamento de eu ir embora, adicionando á isso o fato de que não tenho certeza se ela sequer percebeu quando eu sai do apartamento dela, apesar de eu ter me despedido e de ter beijado do seu rosto dela enquanto ela se maquiava na frente do espelho, talvez somente o subconsciente dela se preocupasse com a minha ausência, não a mulher que se olhava no espelho e não via mais ninguém.
Sem roupas limpas, ao sair do apartamento de Valéria fui para casa, girei a chave na porta para encontrar Catherine, na minha cozinha, bebendo direto da caixa de leite.
– Oi!. – Gritou ela com a boca cheia.
– Oi... – O motivo de Catherine estar no meu apartamento, sendo que nem eu estou nele, é que ela é a única pessoa que tem a chave do local além de mim, mais alguém tinha que ter.
– Passou a noite de fora de novo foi? – Perguntou ela, alguns minutos depois de engolir fosse lá o que tinha na boca.
– Sim, chegou tem pouco tempo? – Respondi subindo os degraus de vidro que levavam ao segundo andar do apartamento. Um duplex.
Ela balbuciou algo em confirmação e completou: — Eu esqueci de comprar leite. Vim pegar o seu. Acabei tomando aqui mesmo. – Ela disse, desnecessariamente pausadamente.
Eu sabia o motivo de porquê Catherine passar mais tempo no meu apartamento do que na casa dela, ela se sente mais em casa aqui do que na própria casa, ela tem uma casa grande demais pra ela, que em nada a faz se sentir confortável, sua família mora mais longe dela do que eu, logo eu sou a única coisa familiar mais próximo dela.
Andei pelo corredor do andar de cima, passando pela mesa de sinuca no espaço mais aberto que era a diferença entre a escada e os três quartos, e caminhei até o último quarto que estava trancado, o meu quarto, entrei tirei minhas roupas, as joguei em cima da cama, e fiz um lembrete automático em minha mente para voltar mais tarde e coloca-las no lugar certo, no meu closet, garimpei os meus ternos, gravatas, cintos, sapatos e relógios. O meu closet é maior do que o de muita mulher por ai. Um homem que se importa como se parece, bom, eu tenho que me importar.
Enquanto tomava banho, por vezes eu ouvia Catherine cantarolar uma música triste de amor, algum dia talvez eu possa ter entendido o porquê de Catherine ficar, mas hoje não mais, ela é inteligente, bonita, o cabelo loiro queimado, pouco menos de um e setenta de altura, a pele branca bem cuidada, os olhos azuis, diferentes do de Valéria, não selvagens, mas eu não sou capaz de explicar o que são, solteira, um ano mais nova que eu, solteira e ela fica. Permanece. Talvez ela não seja tão inteligente quanto eu acho. Catherine permanece a anos. Minha vida inteira praticamente.
Eu não sei o que ela faz pra conseguir ficar, e eu não sei o que é ficar, mas ela simplesmente o faz, e parece ser um trabalho fácil, ela nunca parece cansada por causa de mim, nunca parece ter sido demais ficar perto de mim. Eu poderia facilmente ser apaixonado por ela, mas eu sou apenas grato.
– Arthur!. Sete e meia!. – A voz de Catherine soou, logo quando eu terminava de colocar meu relógio, me fazendo por reflexo olhar e confirmar o horário.
Desci as escadas, fechando meu blazer, para encontrar Catherine no mesmo lugar onde estava, dessa vez com um pote de biscoitos na mão que costumava ficar no balcão ao lado da geladeira, caminhei até a cozinha, peguei uma garrafa de uísque importado que eu sempre tinha em casa, e virei na boca, sentindo minha garganta esquentar.
– Arthur... Sete e meia. – Repetiu Catherine com o tom de voz diferente.
– Meu relógio não é digital, podia perfeitamente ser sete e meia da noite.
Caminhei pelo apartamento indo para porta, parando para olhar o telefone, ele avisava uma mensagem de voz, qual eu escolhi ignorar. Abri a porta, esperei por Catherine passar por ela, desliguei as luzes e sai atrás dela.
Estava atrasado, minha chefe já me esperava.
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