Skyrim - Das cinzas

6 Capítulo VI - Perseguindo Ecos (Parte I)


Notas iniciais
Primeiramente, desculpem por não postar ontem. Em compensação, os capítulos VI e VII serão postados hoje, já estou escrevendo o VII enquanto posto esse. Segundamente, desculpem pelo tamanho de ambas as partes de "Perseguindo Ecos". Quis aproveitar que esse é um momento de revisitar o passado para me dedicar ao desenvolvimento de ambos os protagonistas e na relação entre os dois.

Quando retornaram ao Forte Dawnguard, Celann chamou Duncan para uma conversa. Duncan pediu para que Dexion seguisse em frente e começasse os preparativos para a leitura do Elder Scroll. Serana foi até as pessoas que estavam no pequeno acampamento para falar com elas, visto que Celann pediu à Duncan que a conversa fosse particular.

—Então... qual o propósito dessa vampira, Duncan? – o ex-Vigilante de Stendarr começou.

—Ela quer evitar essa tal profecia... provavelmente esse Elder Scroll que ela carregava nas costas tenha as respostas sobre ela. – Duncan explicou.

—Sim, eu sei disso. Isran nos contou. – respondeu Celann – O que quero saber é se ainda precisamos dela.

—O que você tem em mente, Celann? – Duncan estava desconfiado, e não tentou esconder isso.

—Calma... Eu não tenho nada em mente, mas... bom, trabalhei ao lado de Isran com os Vigilantes de Stendarr por tempo mais do que suficiente para saber que ele não está muito feliz em manter um vampiro vivo, muito menos aqui.

—Eu até o entendo, Celann. Também tenho um passado ruim envolvendo vampiros, mas... ela é diferente. – disse Duncan, observando Serana ao longe, interagindo com aquelas pessoas. – Ela provavelmente seja mais humana que eu e você.

—E como tem tanta certeza? Afinal... ela é um vampiro, acima de tudo. E logo, logo, ela estará com sede, e não haverão bandidos de estrada para alimentá-la. Olhe essas pessoas. Elas estão aqui porque contam conosco para protegê-las. Imagine como seria se descobrissem que abertamente aceitamos um vampiro aqui? Ou pior: imagine como seria se, em um acesso de sede, ela resolva se saciar com o sangue deles?

Duncan olhou Celann nos olhos com um misto de raiva e descrença.

—Ela é diferente, eu já disse. Serana não quer machucar ninguém. Na verdade, ela está tentando nos ajudar a salvar o mundo, caso não tenha notado.

—E já pensou se ela quer que a tal profecia se concretize, e esteja apenas nos enganando, nos usando para conseguir o poder no lugar do pai?

—Celann, está ouvindo a si mesmo? Você está soando tão paranoico quanto o Isran.

—Eu... – Celann ia retrucar, mas pensou, então murchou – eu... tem razão. Me perdoe.

—Tudo bem. Apenas confie em mim. Sei o que estou fazendo.

Dito isso, ele se levantou e avisou à Serana que iria treinar um pouco a pontaria. No fim da tarde, quando Serana não conseguiria mais escapar do sol, eles resolveram entrar. Assim que entraram, encontraram Dexion na câmara principal, conversando com Isran. Isran confirmou que Dexion tinha o Elder Scroll e estava pronto para começar a lê-lo.

Quando Duncan chegou até Dexion, ele estava sobrecarregado de alegria:

—Ah, meu salvador! É bom ver vê-lo de novo! – disse, como se não soubesse que Duncan estava do lado de fora esse tempo todo – Não é exatamente a hospitalidade que eu estou acostumado, mas seu homem, Isran, tem atendido minhas necessidades bem o suficiente.

—“Meu homem”, Dexion? – Duncan perguntou, com um sorriso de canto – Acho que não.

—Ah... mil perdões... me expressei mal – o ancião riu – Devo acrescentar que esta é uma fortaleza notável, tenho colegas de casa que adorariam estudar este lugar em detalhes.

—Bom... Se Isran concordar, depois que todo esse caos acabar, podemos deixar seus amigos nos fazerem uma visita, sem problemas. – Duncan respondeu.

—Ah, explêndido! Na verdade, eu mesmo já estou fazendo minhas anotações! Será muito bom compartilhá-las com meus colegas, na Torre do Ouro Branco! – os olhos de Dexion brilharam

—Bom, Dexion... por agora... por favor, o Scroll.

—Ah sim! – diz ele, pegando o Elder Scroll e abrindo-o.

‘Por favor, fiquem em silêncio, preciso concentrar-me.

Eu vejo uma visão diante de mim, uma imagem de um grande arco. Conheço esta arma! É o arco de Auriel!

Agora uma voz sussurra, dizendo: "Entre os filhos da noite, um lorde de temor se levantará.”

Numa época de conflitos, quando os dragões retornarem ao reino dos homens, a escuridão se misturará com a luz e a noite e o dia serão como um.

A voz se desvanece e as palavras começam a brilhar e distorcer. Mas espere, há mais aqui.

O segredo do poder do arco é escrito em outro lugar. Eu acho que há mais sobre a profecia, registrada em outros pergaminhos.

Sim, eu os vejo agora ... Um contém os antigos segredos dos dragões, enquanto o outro fala da potência de um sangue antigo.

Minha visão escurece, e não vejo mais nada.

Para conhecer a profecia completa, devemos ter os outros dois Scrolls.’

Dito isso, Dexion fecha o pergaminho e massageia os olhos.

—Se me derem licença, preciso descansar... minha vista está um pouco turva. – diz ele, e então, se retira da sala.

Isran se vira para Duncan e Serana, mas não antes de pedir a Agmaer que ajude Dexion a chegar em seus aposentos.

—Bom – disse Isran –vocês ouviram o velhote. Precisam encontrar esses dois Elder Scrolls, e urgentemente.

—Mas como? – Duncan perguntou – Não sabemos nem onde procurar!

—Ah... bom... aqueles magos em Winterhold devem saber alguma coisa sobre esses Elder Scrolls. Isso, como eu disse antes, é problema de vocês.

Duncan rosnou. Isran havia se tornado pior do que antes desde a pequena discussão dos dois quando Serana veio procurar por ele, e isso o estava deixando muito irritado. Ele simplesmente virou as costas e saiu do Forte, sendo seguido por Serana. Quando ela finalmente o alcançou, ela pediu:

—Duncan... podemos conversar um segundo?

—O que foi? – disse ele, de maneira seca, mas logo respirou fundo – Desculpe, toda essa birra de criança do Isran está me dando nos nervos... eu não devia ter falado assim com você. Pode falar.

—Tudo bem... se quiser, falamos disso depois.

—Serana, por favor.

Ela suspirou.

—Esse Dexion disse que precisávamos de dois outros Elder Scrolls. Acho que sei onde podemos começar a procurar.

—E...por que você não disse nada antes? – Duncan perguntou.

—Pfft. –Serana zombou – Metade das pessoas da sua pequena equipe me mataria tão facilmente quanto chegaria para conversar comigo, e... isso não me Deixa exatamente à vontade para me abrir. Eu recebi boas-vindas mais calorosas do meu pai, e isso é realmente algo e tanto.

— Harkon não se importa mais com você? Eu... senti isso quando estive no castelo.

—Sabe, eu me perguntei a mesma coisa... Eu pensei... Eu esperava que assim que ele me visse, ele pudesse sentir algo de novo, mas eu acho que eu realmente não sou um grande fator no momento. Na verdade, não acho nem que ele ainda me veja mais como sua filha. Eu sou apenas... um meio para um fim.

—Para que fim, Serana? Sei que você não gosta de falar sobre isso, mas... eu preciso saber o que ele quer. Quero saber como detê-lo.

—Eu... não sei. Meu pai parecia muito interessado em me manter presa no castelo.

—Por isso você fugiu?

—Isso... apressou a minha fuga.

-Bom... você disse que talvez soubesse onde procurar o Elder Scroll...

—Ah, sim... Precisamos encontrar minha mãe, Valerica. Ela definitivamente sabe onde ela está, e se tivermos sorte, ela vai estar com o Elder Scroll que precisamos.

—“Se dermos sorte”... Serana... Não sei se Nocturnal me abandonou ou algo do tipo, mas temos dado azar até aqui.

—Teríamos se o que Malkus fez a Dexion tivesse sido irreversível. Estamos sendo apresados a agir. E tenho certeza que achar minha mãe é uma boa ideia. Por favor, confie em mim.

—Certo, confio... você sabe que confio. O problema é: você mesma disse que não sabia onde ela está.

—Na última vez que a vi, ela disse que iria a algum lugar seguro... em algum lugar que meu pai nunca procuraria. Além disso, ela não me diria nada. "Em algum lugar onde ele nunca procuraria". Era enigmático, mas ela frisou muito esse detalhe para ser por nada.

—Talvez... ela estivesse tentando te proteger.

—Talvez, mas... é pouco provável que seja isso. Ela e meu pai sempre estiveram em guerra, e eu era só quem estava no meio de tudo. Ela estava quase tão obcecada quanto meu pai quando ela me selou. Mas eu não posso me preocupar com isso agora. Nós precisamos do pergaminho, e ela é a nossa única pista. Além disso, eu já posso até imaginar um único lugar que meu pai evitaria olhar, e olhe que ele também teve todo esse tempo.

—Deixa eu adivinhar... em algum lugar do Castelo Volkihar, debaixo do nariz dele?

O rosto de Serana se iluminou.

—Espere... isso quase faz sentido! Há um pátio no castelo, eu costumava ajudá-la a cuidar de um jardim lá... Todos os ingredientes de nossas poções vieram de lá. Ela costumava dizer que meu pai não suportava pisar no lugar. Era... pacífico de mais para ele.

—Você... levou a sério mesmo? Quer dizer.... eu disse qualquer coisa. Ficar perto do castelo seria perigoso de mais, não acha?

—Oh, absolutamente, mas minha mãe não é uma covarde, isso é... eu não acho que nós vamos realmente tropeçar nela e dizer “ah, oi mãe!”, mas vale a pena olhar.

—Você... sabe que eles não vão nos deixar usar a porta da frente, certo?

—É, eu sei... mas eu conheço um jeito que podemos chegar ao pátio sem levantar nenhuma suspeita. Há uma entrada não utilizada no lado norte da ilha que foi usado pelos proprietários anteriores para trazer suprimentos para o castelo. Um antigo túnel de fuga do castelo desemboca ali e acho que é o nosso caminho de ida.

Duncan coçou a cabeça.

—Tem certeza que é uma boa ideia? Sem guardas, sem cães?

—Não garanto nada, mas é nossa melhor opção.

—Ah, a história da minha vida! – respondeu Duncan, cinicamente. – Bom, muito bem, então vamos pela entrada secreta do castelo!

—É dando a volta no castelo. Vamos andando.

—Ei, calma aí! O Castelo do seu pai é há quase três dias de viagem daqui, e foi um erro enorme ter ido lá da primeira vez sem me preparar direito. Vamos passar primeiro na minha casa. Depois vamos encontrar sua mãe.

—Ahm... certo. Só mostrar o caminho. – disse Serana, por fim.

Os dois passaram pelas ruas de Riften, agora movimentadas com o começo do horário comercial.

—Essas pessoas parecem nervosas – comentou Serana – e isso me deixa nervosa.

—Estão com medo dos Ladrões. – Duncan respondeu, indiferente.

—E você, não tem medo?

—Por que teria? Eu sou um dos Mestres da Guilda dos Ladrões. Claro que agora, comigo sendo um dos cabeças da Guilda as coisas mudaram um pouco, mas... a reputação que nós já temos... é bem ruim.

—É... eu conheço bem o que a reputação faz com alguém. Quando se vive alguns séculos fugindo da Fortaleza do meu pai para conhecer de novo e de novo as cidades, você vê muita coisa acontecer.

—Imagino... – Duncan respondeu. – Bom... chegamos.

A casa tinha dois andares. Era bonita, mas não muito chique, tinha um quintal com bonecos para treinamento e um pequeno jardim. Serana não conseguiu não lembrar de sua mãe ao olhar para ele.

O ambiente interno da casa misturava o que se veria na casa de um erudito, de um guerreiro e de um jovem bagunceiro.

—Quantos livros... – Serana comentou.

Além dos livros nas prateleiras, Duncan tinha pilhas de livros espalhadas pelo chão e em cima das mesas.

—É bom para passar o tempo. Bebe sangue de animais?

Serana olhou para ele confusamente.

—Sim... –ela respondeu.

—Ótimo. Tem que ser fresco?

—Com a criatura viva, de preferência.

—Ah. Então temos um problema. E você já deve estar com sede.

—Talvez... – o tom de Serana foi inseguro e enigmático.

—Imaginei... Bom... talvez possamos roubar uma vaca da fazenda aqui perto.

—Não... não... não será necessário – ela respondeu – Eu sei me segurar.... Aguento até cruzarmos com um urso feroz, ou outro grupo de bandidos.

—Certo...

Duncan começou a preparar poções, sempre com um livro de poções ao lado, visto que ele não tinha boa memória para guardar quais ingredientes usar. Depois disso, ele começou a preparar outras misturas, das quais Serana não reconheceu, e começou a passar nas armas que ele levaria.

—São venenos? – ela perguntou. – Porque isso não vai adiantar contra vampiros.

—São óleos. Aprendi a prepará-los quando meus pais ainda moravam em Oxenfurt, antes de virem para Tamriel. Um guerreiro me ensinou quando a cidade teve problemas com lobisomens... imagine que ironia. – ele deu um sorriso de canto.

—Esse homem... ele era um caçador de monstros? – Serana perguntou, curiosa.

—Profissional. Ele era extremamente treinado, não parecia sequer um ser humano normal enquanto lutava. Ele era mais rápido, mais forte. Era incrível.

—E o que aconteceu com ele?

—Seguiu viagem. Era isso o que ele era. Um viajante. Tive notícias dele alguns anos mais tarde. Ele havia se aposentado e ido morar numa terra distante, com o amor da vida dele.

—Nossa... eu achava que finais felizes não existiam.

—Eu também achava. Talvez ele tenha sido um dos poucos sortudos que tiveram um final feliz. Talvez, algum dia escrevam sobre ele.

Serana riu.

—Não seria o primeiro. –disse ela.

—Não, não seria.

Assim que Duncan terminou de embeber suas armas com o tal óleo, ele foi para seu quarto. Serana o seguiu.

—Fique à vontade. –disse Duncan – Só vou pegar dinheiro. Vai ser bom ter onde dormir.

Serana andou pelo pequeno quarto, prestando atenção aos detalhes. Então, olhando para sua desorganizada escrivaninha, ela achou uma folha que a chamou a atenção.

—Quem é ela? – Serana perguntou.

Quando Duncan virou-se para ver de quem ela falava, ela mostrou o desenho da garota. Duncan permaneceu em silêncio. Seu semblante mudou lentamente de surpreso, para triste, então amargo, envelhecendo-o ainda mais.

—Quem é essa que você desenhou? – Serana insistiu.

—Devolva onde achou. – Sua voz foi contida, mas seu tom era diferente de qualquer entonação que Serana tinha ouvido saindo de sua boca. Era ódio.

—Eu só fiquei curio---

—DEVOLVA! – Duncan gritou. Ou rugiu.

De qualquer forma, Serana foi abruptamente invadida pela sensação de que ele arrancaria sua jugular se ela não obedecesse. Ela lentamente colocou o desenho na mesa, mas o olhar de medo não saiu de sua expressão. Uma vampira. Uma vampira de sangue puro. Uma feiticeira poderosa. Uma necromante extremamente habilidosa. E mesmo assim, tudo o que ela pôde sentir naquele momento era o mais puro e devastador medo.

Só então Duncan caiu em si. Suas pupilas, antes tão pequenas quanto um pingo de tinta preta, voltaram a se dilatar.

—Me... me desculpe. – ele pediu. – Não foi intencional.

—Ela deve ser muito importante para você. – Serana disse, de forma seca. Antes que Duncan pudesse sequer esboçar reação, ela perguntou – Já pegou tudo o que precisava?

—Eu... já.

—Então vamos.

Ela virou as costas e saiu.

Durante a primeira parte da viagem, os dois não trocaram uma só sílaba. Até mesmo Shadowmere estava ficando incomodado com aquilo. O sol já havia se posto quando eles avistaram o muro traseiro de Whiterun à distância. Continuaram o caminho. Serana continuou montada em Shadowmere, mas Duncan decidiu ir a pé, para esticar as pernas. Havia uma pequena estrada entre as árvores ali, e eles resolveram segui-la.

Foi então que o desastre teve início. Eles encontraram dois cadáveres na estrada: era um casal. Os dois estavam secos, sem um pingo de sangue no corpo. Duncan desembainhou Dawnbreaker e se virou bem à tempo de dar uma estocada em um vampiro, que pulara em sua direção. Mas ele não estava sozinho. Haviam mais cinco com ele. Um grandalhão partiu para cima de Duncan, e antes que esse tivesse tempo de esboçar uma reação, foi arremessado contra uma árvore. Sua visão ficou turva. O ar abandonou totalmente seus pulmões.

—Heh – riu o brutamontes – Humanos são tão... frágeis. – ele olhou para os outros – Peguem a garota. Eu vou... me divertir um pouco mais com esse aqui.

Mas quando ele se virou para Duncan, cuja visão ainda estava confusa, a luz da lua pareceu ser bloqueada por uma fração de segundo. O brutamontes foi erguido no ar e arremessado contra seus ajudantes. Serana bateu as mãos para limpá-las.

—Só se passarem por cima de mim antes. –ela afirmou.

Um deles riu de maneira similar à uma hiena. Foi o que atacou primeiro. Serana partiu para cima dele ao mesmo tempo. Ele tentou um soco no rosto da garota, que desviou com certa facilidade. Ela então enfiou as duas mãos dentro dele e o partiu ao meio, como se não fosse nada. Faltavam quatro, dos quais dois vieram ao mesmo tempo. Serana eletrocutou um deles, mas a outra acertou-lhe um chute na barriga. Serana caiu de joelhos, então a outra vampira tentou mais um chute, o qual Serana segurou. Ela arremessou a vampiresa para cima e jogou sua adaga élfica no meio do peito do amigo que antes fora eletrocutado, mas havia se recuperado e tentava se aproximar por trás. Quando a vampira caiu, Serana arrancou-lhe a perna.

—Você gosta de chutar os outros, vadia? – ela perguntou. –Vamos ver como você se sai provando o próprio remédio.

Ela começou a bater na vampira com a própria perna, batendo de um lado para o outro com tal força que cada impacto causava um estrondo similar à um trovão. Qualquer ser humano normal já estaria morto. Mas os estrondos foram diminuindo cada vez mais rápido. Serana estava se cansando... e continuava com sede. Enquanto isso, seus oponentes tinham um estoque quase infinito de sangue fresco no castelo Volkihar, Serana não se alimentava desde que fugiu.

O brutamontes e um outro vampiro, um elfo careca, partiram para cima dela. No começo, ela resistiu tão bem quanto contra os três primeiros oponentes, mas logo foi subjugada e humilhada pelo grandalhão, que além de arremessá-la como ela havia o arremessado no começo, pegou seu cabelo e enterrou sua cabeça no chão. Então subiu. Então enterrou de novo. E de novo. E de novo.

—O mestre vai ficar decepcionado se eu contar que a matei. – disse o bruto – Mas depois que eu cuidar do seu amiguinho, já sei como vou manter seu sangue fresquinho para levar até ele.

Uma voz então veio de trás dele.

—Tenho certeza que seu plano é genial – disse Duncan – Você só esqueceu que eu não ia ficar caído para sempre.

O elfo-vampiro terminava de se carbonizar quando o grandalhão se virou.

—Se nem ela conseguiu, como acha que você vai me matar, pirralho?- o gigante zombou

—Digamos que eu só precisava trazer a sua atenção para outro lugar.

Duncan sorriu sadicamente, e quando o fez, o brutamontes sentiu os dentes de Serana se fincando em seu pescoço e arrancando-lhe um bife. Ele apalpou a ferida, que jorrava sangue negro. Serana cuspiu e limpou a boca.

—Tinha esquecido o quanto o sangue de vampiros tem um gosto ruim. – disse ela. Ela foi até um dos cadáveres e recuperou sua adaga.

—Serana... – o grandalhão implorou, ainda com uma das mãos na ferida – por favor... Seu pai nos deu ordens diretas.

—Aos infernos com suas ordens diretas. – ela respondeu secamente.

Então deu um chute em seu queixo, fazendo-o soltar o ferimento. E foi lá que ela enfiou a adaga. Várias e várias vezes. Quando notou que estava apunhalando um cadáver inerte, ela levantou-se, deu mais dois passos na direção de Duncan e caiu de joelhos.

—Serana? Você está bem?- Duncan perguntou, preocupado.

—Você tem um gole de água? Preciso tirar o gosto daquela coisa da boca.

Ele deu a ela seu cantil. Ela bochechou, cuspiu e praguejou:

—Mas que merda! Esse gosto vai ficar na minha boca por décadas! – ela quase caiu – Ah... estou fraca demais até para xingar... –disse ela, tentando não deixar sua cabeça pender para o chão.

Duncan então teve uma ideia arriscada.

—Serana... quando você bebeu do meu sangue na cripta... o gosto foi bom?

—Que pergunta estranha...

—É sério.

—Foi... por q—ah... não. É arriscado de mais, Duncan.

—Você está fraca de mais para continuar. Vamos. – ele ajoelhou perto dela e estendeu o braço.

—Duncan... eu posso acabar secando você.

—Vamos logo, vampira teimosa! – Duncan xingou, mas riu. – Só um gole não vai me matar.

Ela respirou fundo

—Certo... aí vou eu. Isso pode doer um pouco. – avisou ela.

Duncan cerrou os olhos. Então sentiu uma pontada aguda de dor. Então o barulho de alguém engolindo líquido. Após alguns goles ela parou e secou a boca.

—Obrigada... –disse ela. – e... desculpe.

—Pelo que?

—Por beber seu sangue.

—Tudo bem. Eu... vou me transformar em um vampiro?

—Não. – ela respondeu com calma – Eu não suguei o suficiente para te transformar por falta de sangue, nem cravei minhas presas muito fundo, só o suficiente para penetrar sua pele e deixar o sangue sair.

—Oh... muito bem. – ele tentou levantar-se, mas se sentiu tonto.

—Cuidado – disse ela, ajudando-se a manter-se de pé. – Você mesmo assim perdeu um pouco de mais de sangue.

—Tudo bem. Eu... vou continuar indo a pé. – Duncan disse, tomando uma poção.

—Acho que.... vou fazer o mesmo. Minha bunda já estava ficando quadrada – Serana sorriu.

—Muito bem. Bom, Shadowy, vamos. Não é porque você vai ficar sem ninguém sobre sua cela que eu vou te deixar para trás – disse Duncan, dando um leve puxão em suas rédeas. O cavalo seguiu atrás deles. Quando deixaram de se sentir ameaçados, ouvindo apenas o barulho dos grilos e de animais pequenos se movendo, Duncan suspirou.

—Era minha irmã. – afirmou ele, do nada.

—Hm? – Serana respondeu.

—A garota no desenho. Era minha irmã. É o membro da minha família de quem mais sinto falta.

—E... o que houve com ela?

—Ela... bom... ela retornou ao Dreamsleeve.

Serana permaneceu em silêncio por um momento, depois perguntou:

—E o resto da sua família?

—Eu sou o único que restou.

—Oh... sinto muito... – ela deu um sorriso melancólico – Sabe.... eu cheguei a achar que fosse de uma amante sua. Você é casado?

—Não... não sei se percebeu, mas não sou muito bom com interação social.

—Então... eu sou um incômodo para você?

—Não... nada disso. Na verdade, eu estou feliz por você, dentre todos no mundo, estar aqui comigo.

Ela deu um pequeno sorriso e suas pálidas bochechas adquiriram um pouco de cor. Mas logo depois ela suspirou.

—Bom... tudo isso é bem tocante, mas temos outras coisas para nos preocuparmos.

Notas finais
Já avisando, quem tem olhos atentos sacou que há uma referência à outra franquia de jogos que eu curto muito escondida nas linhas desse capítulo. Não achou? Dá outra olhada, com mais calma. Não custa nada. Qualquer coisa, só comentar que realmente não achou. Agora, já vou avisando que é Spoiler dessa outra franquia, mais detalhadamente do último jogo dela, em sua última expansão. Então, se liga para Spoilers... cuidado!