Skyrim - Das cinzas

7 Capítulo VII - Perseguindo Ecos (Parte II)


A viagem teve uma pausa em uma taberna próxima a Solitude. Serana achou melhor que Duncan descansasse, afinal eles não sabiam que tipos de supresas desagradáveis os aguardariam quando voltassem ao castelo de seu pai. O sol logo voltaria a aparecer, e isso arrancaria a força de Serana com tudo o que pudesse. Alugaram um quarto com duas camas e Serana deitou-se de maneira que a luz solar não a atingisse. Duncan acabou desabando assim que deitou.

Aproximadamente dez horas depois, ele acordou. Serana estava sentada na cama dela.

—Não conseguiu dormir? – Duncan perguntou – Claridade, eu suponho?

—Não, não... – Serana disse com um olhar vazio. – Só ando tendo muitos pesadelos... desde o incidente na Cripta.

—Oh... Sinto muito.

—Tudo bem. Só o fato de estar acordada e não em um sono eterno já me conforta. Sou uma vampira, cuja vida é eterna... Por quê desperdiçar minha eternidade dormindo, certo?

—É... – Duncan tomou um momento para pensar. – Você... sempre foi uma vampira?

—Não – ela soltou uma leve risada – eu parei de envelhecer quando fui transformada. Eu estava entrando na minha fase adulta na época. Mas não me recordo da idade.

—E como se transfoirmou, então? – Duncan sentou-se e apoiou um dos braços no joelho, inclinando-se levemente para frente.

—Isso é... uma longa história.

O Dawnguard deu de ombros.

—Talvez eu queira ouvir.

—Acho que... nós temos que voltar muito, desde o começo. Você sabe de onde veio o vampirismo?

—Se eu fosse adivinhar, apostaria que veio de um Lorde Daédrico.

—Exatamente! – Serana confirmou – O primeiro vampiro veio de Molag Bal... Ela não era bem uma voluntária, mas ainda assim foi a primeira... Molag Bal é um poderoso Lorde Daédrico, e sua vontade é feita realidade. Para aqueles dispostos a subjugar a si mesmos, ele ainda vai dar o dom, mas eles devem ser poderosos por seus próprios méritos antes de ganhar a sua confiança.

Duncan continuou em silêncio, mas seus olhos a pediam para continuar.

—A cerimônia foi ... degradante. Não vamos revisitar isso, por favor... mas todos nós participamos. Não é uma atividade familiar realmente saudável, mas acho que é algo que você faz quando se entrega a um Lorde Daédrico.

—E como exatamente isso afetou sua família? Quero dizer... sei o quanto é sacrificado ao se oferecer para servir um Lorde Daédrico, mas acho que nunca vi relatos de famílias inteiras fazendo parte de um mesmo grupo de “servidores” – ele frisou com os dedos.

—Bem, você conheceu a maioria de nós. Meu pai não é exatamente o mais estável de nós e, eventualmente, ele levou minha mãe à loucura junto com ele... – ela engoliu a seco, tentando se livrar do enorme nó que se formara em sua garganta – e tudo terminou comigo sendo presa no subsolo por sabe-se lá quanto tempo. Definitivamente foi algo muito ruim... para todos nós...

—Ei...você está bem?

Serana suspirou e piscou algumas vezes para evitar o choro.

—Vou ficar... só... me dê um pouco de tempo. –ela abraçou as pernas. Dava para ver em seu olhar que todo o seu mundo havia desmoronado.

—Ei... –Duncan se levantou e foi até ela. – Vai ficar tudo bem.... nós vamos resolver tudo. Vamos achar sua mãe e desfazer toda essa bagunça. Você vai ver.

Ela deixou o corpo pender na direção de Duncan e começou a chorar.

—Isso.... –disse Duncan, passando o braço ao redor de seus ombros e acariciando-a suavemente com o polegar. – Deixe sair. Você não precisa mais se conter... Você não precisa mais ser forte sozinha.

—Obrigada...

***

Quando chegaram à margem do lago, o castelo já podia ser avistado. Deixaram Shadowmere na margem e pegaram o pequeno barco a remo. Ao chegar ao castelo, Serana indicou que fossem à esquerda, ao redor da praia. Quando alcançaram as antigas docas do castelo, avistaram alguns esqueletos vivos patrulhando a área.

—Cuidado. – Serana alertou. – Eles são enfeitiçados. São mais poderosos que um Draugr.

—Quantos virotes de besta você acha que eu vou precisar pra derrubá-los?

—Se conseguir derrubá-los na água, um para cada um. – ela sorriu travessamente.

Ele analisou cautelosamente cada um dos esqueletos. Havia um com armadura relativamente pesada patrulhando o nível da água, onde os dois se encontravam. Subindo as escadas, haviam dois arqueiros com armadura média e um outro desarmado, provavelmente um mago, trajando apenas uma capa. Foi nele que Duncan mirou. Acertou o osso de sua perna, fazendo-o perder o equilíbrio. Mas algo deu muito errado. Ele não caiu, e o pior, alertou os outos da presença de inimigos. Outro virote acertou sua cabeça, mas não pareceu fazer a menor diferença. O patrulha veio em direção aos dois, e Duncan resolveu abandonar sua postura de furtividade e infiltração, e correu em direção ao esqueleto, que carregava consigo uma enorme espada de duas mãos. Ele jogou se jogou de ombro na criatura, derrubando-a na água e fazendo com que a armadura pesada fizesse o resto. Ele aproveitou o pequeno túnel logo à frente para se proteger das flechas do arqueiro, o qual Serana congelou e depois soltou um espinho de gelo bem afiado, que quebrou não só a camada de gelo, mas o esqueleto em si em centenas de pedaços.

Ao ouvir os passos do mago, junto com uma magia de fogo crepitando em sua mão, Duncan encostou todo o corpo na parede mais escura do túnel e invocou a bênção de Nocuturnal. As sombras o engolfaram como se fossem garras. O esqueleto passou direto, parando no meio do corredor para procurá-lo. Duncan saiu das sombras e desembainhou Dawnbreaker. Sem dó, ele esfaqueou violentamente e diversas vezes o esqueleto, então pegou o virote de besta ainda cravado no crânio e puxou, estourando-o. Os ossos se separaram e caíram, com a magia que os alimentava se esvaindo completamente. Ele continuou com a espada desembainhada e caminhou até a escadaria. O arqueiro que faltava tentou acertá-lo pelas costas, mas Serana congelou a flecha, que caiu no chão, quebrando-se. Duncan virou-se para o arqueiro e caminhou lentamente em sua direção. O arqueiro, que antes se preparava para disparar mais uma flecha olhou para Duncan e Serana, então para a água. Então jogou-se no mar. Eles entraram na pequena porta de madeira que levava ao interior do castelo.

Uma vez lá dentro, eles desceram um pequeno lance de escada e atravessaram uma porta, de onde vinha o barulho de água. Havia um cão logo na entrada, o qual Duncan despachou rápida e silenciosamente.

—A antiga cisterna. – Serana comentou, sussurrando – Em alguns dias, isso cheirava como... – ela soltou um ruído indicando que seu estômago tinha se revirado pela simples memória do cheiro do lugar – Vamos só dizer que estou aliviada de você não estar aqui naquela época.

Eles abriram caminho silenciosamente por mais alguns cães que patrulhavam a cisterna e, ao subir a pequena escadaria, depararam-se com mais um cão e uma vampira que mexia desesperadamente em um Encantador Arcano. Duncan olhou para Serana e pressionou o indicador nos lábios, então apontou a adaga élfica e o cão. Ela assentiu e foi até o cão sem que atraísse atenção do mesmo, fincando a adaga em sua cabeça. Esse mínimo ruído foi o suficiente para que ela se virasse com um pequeno punhal em mãos, mas Duncan já esperava que ela o fizesse e estava rete às suas costas. Quando ela se virou, ele, com uma das mãos, segurou a mão com a qual a vampira segurava a adaga e, com a outra, seu pescoço, jogando-a contra a parede. Ela silvou para ele como um gato raivoso.

—Você faz parte do pessoal de Harkon? – Duncan perguntou.

—Fazia. – respondeu ela. – Até aqueles idiotas me rejeitaram. Disseram que eu apenas havia contraído uma doença, mas que não era digna de estar entre eles.

Duncan soltou-a.

—Então não há porque lutarmos. Estamos contra Harkon também.

—Ah.... mas há sim uma razão para lutarmos – a vampira respondeu. – Seu sangue.... Seu sangue humano...

Ela saltou sobre ele, que lutou desesperadamente para manter a boca dela longe de seu pescoço. Serana cravou a adaga nas costas dela e ela guinchou de dor. Duncan então enfiou um dos virotes de besta em sua boca, atravessando o céu da mesma. Ela soltou um último suspiro e caiu.

—Ela... realmente parecia doente. Muito doente. – Duncan constatou.

—Estava desnutrida – Serana respondeu. – Não é à toa que ela ficou tão desesperada pelo seu sangue.

—Entendo. Vamos, temos que continuar.

A próxima sala tinha uma ponte levadiça cujo sistema funcionava em duas partes: eles teriam que puxar duas alavancas para ter a ponte completa. Uma delas estava num lugar infestado de cães. A outra, no ninho de uma Aranha gigante.

A próxima sala era um enorme pátio: o jardim de Valerica.

—Chegamos ao pátio – disse Serana, animada, mas assim que olhou ao redor, seu tom mudou – Essa não... – disse ela, num misto de medo e tristeza. – O que houve com esse lugar? Quero dizer.... o lugar todo parece arruinado. Tudo parece... morto... aparentemente somos os primeiros a botar os pés aqui em séculos!

Ela subiu um lance de escadas que levava à um arco, mas ele estava bloqueado.

—Essa passagem costumava levar ao castelo.... Parece que meu pai a selou. Eu costumava andar por aqui antes do café da manhã.... era lindo. Esse costumava ser o jardim de minha mãe. Sabe o quão lindo algo pode ser com o artesão certo? – ela suspirou – Ela odiaria ver o lugar assim. Espere...

Ela caminhou ao redor do enorme mostrador da lua.

—Há algo errado no mostrador.... – ela disse – Há peças faltando, e ele está na posição errada. Eu sequer sabia que essas peças podiam ser removidas. Talvez mamãe esteja tentando nos dizer algo... vamos, vamos procurar essas peças.

E foi o que fizeram. A peça da meia estava no centro de uma lagoa de encontro a uma rocha no canto noroeste do pátio. A peça da Lua cheia estava em um remendo de Nightshade que encontra-se de encontro à parede exterior do castelo na área selada. A peça da Lua Crescente foi encontrado indo até as escadas à direita da entrada para a Torre Norte Volkihar, deitada no chão ao lado de uma mesa e cadeiras.

Quando cada uma das peças foi encaixada em seu devido lugar, o mostrador girou e um enorme lance de escadas foi revelado, descendo.

—Uau.... por isso minha mãe não me queria aqui das últimas vezes que nos vimos? – Serana perguntou a si mesma – Mãe.... o que você estava escondendo?

Eles desceram, chegando ao que parecia ser uma ala inteira do castelo, abandonada. Lá, enfrentaram Draugrs que estavam sentados à uma mesa de jartar e gárgulas enfeitiçadas, abrindo caminho pelas ruínas, cada vez mais fundo. Então, chegaram à uma sala cheia de gárgulas. Era uma sala pequena, mas haviam muitas delas, e elas foram se libertando da prisão de pedra que as selava em pares, cada vez que um deles era destruído. A maior delas veio por último. Serana já estava fraca por ter gasto tanta magia, e Duncan estava exausto. Ele rolou para o lado para desviar do ataque da gárgula e a atacou. Dawnbreaker cintilava em chamas, mas essa gárgula parecia ter uma pele tão resistente quanto aço.

Aço.

Duncan correu para a sala anterior, onde jurava ter visto um enorme machado encantado. Claro, a gárgula o seguiu. Ele pegou o machado e se encostou na parede da esquina de onde a gárgula estava vindo voando em seu encalço. Assim que a avistou passando direto, ele arremessou o machado com todas as forças nas costas do monstro. Sangue começou a escorrer, e Serana começou a sugar a sua energia. Ela resistiu, tentando acertar Serana. Duncan pulou em suas costas e, usando os dois pés para dar o impulso necessário, arrancou o machado das costas do monstro, que caiu de joelhos. Serana tomou o machado das mãos de Duncan e fincou-o no mesmo lugar, mais fundo. O monstro caiu.

Quando voltaram à outra sala, Serana constatou que devia haver uma entrada secreta em algum lugar. Duncan analisou o lugar. Era uma biblioteca, mas não eram os livros que abririam a passagem, haviam muito poucos deles. Então ele foi até a lareira e notou que um dos castiçais estava de ponta-cabeça. Ela deu um pequeno sorriso e virou o castiçal na posição correta. A porta se abriu.

Ao passarem por ela, depararam-se com algo que misturava uma gigantesca biblioteca e um laboratório.

—Pelos Divinos... – disse Serana, embasbacada – Eu e mamãe costumávamos realizar pequenos experimentos, mas isso... ela nunca me contou que tinha um laboratório tão grande...

Ela analisou o lugar. Havia uma grande variedade de ingredientes para poções e Pedras de Alma. Então ela apontou a grande circunferência no centro do lugar.

—Está vendo isso? É um portal. Provavelmente ele levará para onde mamãe está. Ela deve ter anotado como abri-lo. Se ao menos encontrássemos as anotações...

Eles procuraram, e logo Serana encontrou o diário de Valerica. Um encadernado de capa vermelha, com algumas páginas soltas. Ela o leu rapidamente.

—Certo, vamos precisar do seguinte: Farinha de ossos finamente moída, Fragmentos Pedras da Alma e Sais de Vácuo Purificados. Consegue encontrá-los para mim?

Todos estes itens estavam em taças de prata. Após encontrá-los, Duncan os depositou no cálice em frente ao portal, onde Serana esperava por ele.

—Certo.... agora precisamos de uma amostra do sangue da minha mãe.... pena que não temos. – ela disse.

—Por que não usa o seu? – Duncan perguntou.

—Eu considerei isso também, mas... portais são algo delicado. Se der errado, podemos ser enviados para qualquer lugar!

Duncan segurou as mãos dela e disse, simplesmente:

—Vai dar certo, confie em mim.

—Como você sabe?

—Se sua mãe deixou todas essas pistas, significa que ela queria que você a encontrasse. Ela deve ter dado um jeito para que seu sangue também funcionasse, afinal, você é filha dela... o sangue dela corre nas suas veias.

—Você.... você está certo. Eu vou tentar.

Serana então adicionou seu sangue à mistura e o portal começou a se abrir. Um enorme vórtice púrpura, de onde saíram degraus que levavam través dele. Duncan tentou descer, mas o portal o expeliu. Ele urrou ao atingir os degraus acima do portal.

—Isso.... pareceu doer. – comentou Serana.

—Doeu. Muito. – Duncan respondeu.

—Ah, pare de ser chorão. – ela brincou. – Bom... talvez você só possa entrar no Soul Cairn se estiver “morto”.... algo que você não está.

—Oh, droga. – Duncan suspirou.

—Bom... há duas maneiras de você entrar. A primeira é eu te transformar em um vampiro aqui e agora. Se não quiser, posso aprisionar sua alma em um cristal e sacrificaruma parte dela para os Ideal Masters.

—Ideal Masters?

—Os regentes do Soul Cairn. Minha mãe falava muito deles.

—E isso é seguro?

—É.... eu não faria nada que te machucasse. Você sabe disso. Mas.... você pode se sentir meio fraco enquanto estiver lá, ou até arranjarmos um jeito de fazer sua alma voltar a estar completa.

Duncan pensou por um momento.

—Aprisione minha alma. Eu não vou me sentir bem como um vampiro. Além do mais... eu continuo sendo sua única fonte de alimento enquanto estivermos lá dentro.

—Você tem certeza? – Serana perguntou – Eu estou disposta a fazê-lo, mas você precisa pensar nisso. Você permanecerá mortal, mas você se sentirá enfraquecido dentro do Soul Cairn.

—Serana. Minha responsabilidade é te manter viva. Você jpá está com sede. Não podemos arriscar. Eu estou pronto.

—Eu sei que isso é difícil para você... espero que confie em mim, nunca faria nada que pudesse machucá-lo.

Duncan sorriu.

—Não há ninguém no mundo em quem eu confie mais do que em você.

Ela ganhou cor novamente. Talvez esse seja o equivalente vampiresco de enrubecer?

—Obrigada... – ela sorriu– Não vamos perder mais tempo. Prometo fazer isso o mais indolor possível.

Ela soltou uma magia nele, e ele se sentiu meio tonto.

—Pronto. Como está se sentindo? – Serana perguntou

—Estou muito bem. – Duncan respondeu sacudindo a cabeça.

—Certo... pronto?

—Posso lhe perguntar algo primeiro?

—Claro, o que é?

—O que você vai fazer se encontrar a sua mãe?

—Eu estive me perguntando o mesmo desde que voltamos para o castelo. Ela estava tão certa do que fizemos com meu pai, eu não pude deixar de ir junto com ela. Eu nunca pensei no custo.

—Tenho certeza que ela fez isso para te proteger.

—Talvez... Ela sempre pareceu feliz, antes de termos ouvido a profecia. Então... tudo mudou, ela se tornou uma pessoa diferente.

—Nós não saberemos até encontrá-la, certo? Talvez ela esteja esperando por você.

—Sim... sim, você está certo... Desculpe, eu não esperava que ninguém se importasse com o que eu sentia por ela... obrigada. – ela deu um sorriso triste. –Estamos prontos?

—Vamos entrar. Juntos.

Ela sorriu e postou-se ao seu lado.

—Juntos.

Notas finais
Essa foi a novelização de "Chasing Echoes", espero que tenham gostado. Me desculpem por não descrever o interior do castelo abandonado, mas eram muitos detalhes e eu teria que jogar de novo se quisesse descrever tudo. Além do que, eu achei que ia ficar muito exaustivo, já que não haviam mais diálogos com a Serana disponíveis quando se entra no castelo. De novo, espero que tenham gostado, e por favor, deixem seu feedback!