Skyrim - Das cinzas
5 Capítulo V - O Profeta
Os dois já se aproximavam de Riften quando Duncan repassou as opções:
—Muito bem, então temos três alternativas. Perguntar para os condutores de carruagem, para os taberneiros, ou ir até o Colégio de Winterhold ver se ele está por lá.
—... o que seria uma enooorme perda de tempo, caso ele não esteja lá. – concluiu Serana.
—Realmente. Mas lá eles provavelmente dariam a informação de graça, enquanto os outros exigiriam um pouco de ouro... no mínimo – disse ele, prestando atenção às do corpo de Serana, que eram pouco reveladas, mas já chamativas em seu vestido e na armadura que ela agora trajava, muito similar à do pai, mas que seguia o delineado de seus seios.
—Como eu disse antes, sei ser persuasiva. Não se preocupe – ela sorriu.
— Muito bem. Vamos perguntar à um cocheiro. O de Riften deve saber.
Nesse momento, Serana soltou um leve urro de dor.
—Serana? O que houve – Duncan perguntou preocupado.
Serana levantou sua mão, e Duncan viu que ela estava levemente queimada. Ela levantou o Capuz.
—Vamos correr. O sol... não faz muito bem à minha pele. – disse ela, ainda com dor na voz.
—Pelos Nove, Serana... aqui, tome isso.
Duncan tirou da bolsa em seu cinto um par de luvas de couro.
Serana as colocou e agradeceu silenciosamente com um sorriso doce. Duncan retribuiu o sorriso. Os dois foram conversando até os estábulos de Riften sobre diversas coisas, como o tempo, o qual Serana achava confuso naquela região: O sol era forte, mas o vento era frio.
Quando perguntaram ao cocheiro, ele os enrolou, mas ficou obvio que ele não sabia de nada. Eles viajaram até Whiterun, no coração de Skyrim, e foram ao The Banned Mare, a taberna de lá. E como era a única taberna da cidade central em Skyrim, se havia algo acontecendo, os boatos já passaram por lá.
Foi lá onde Serana convenceu o taberneiro a falar sem cobrar um Septim sequer. Duncan não questionou como ela o fez, apenas ficou feliz por ele não ter tocado nenhum dedo nela.
Com todas as pistas apontando para o pequeno vilarejo da Ponte do Dragão, os dois viajaram para lá e perguntaram aos moradores locais se eles viram um Moth Priest. Alguns nem sequer sabiam sobre o que se tratava, enquanto outros afirmaram que não sabem nada sobre um sacerdote viajante.
—É inútil! – Duncan resmungou – Jamais vamos achá-lo nesse ritmo!
—Por que não perguntamos aos guardas? – Serana perguntou.
Mas Duncan não sabia se poderia. Em uma de suas missões para a Dark Brotherhood, ele matara um dos oficiais do Império que residia na Ponte do Dragão com a família. Na verdade, estar ali já era terrível para ele. Ele jamais poderia olhar a mãe do oficial nos olhos novamente. Fora o fato de que, se ele fosse reconhecido, eles poderiam liga-lo ao assassinato e isso traria problemas.
—Eu... não sou muito bem-vindo aqui – disse ele, simplesmente.
Serana pensou.
—Bom... nenhum deles sequer me conhece, então vou perguntar à um deles. Você me espera voltar?
—Claro.
Mas quando Serana saiu para tentar falar com um dos guardas que patrulhava a pequena vila, Duncan notou um garotinho que brincava sozinho por ali. Crianças são curiosas, portanto, se aquele sacerdote passara por ali, ele provavelmente saberia.
Ele foi até o garoto.
—Ei, garoto, posso fazer uma pergunta?
—Minha mãe disse para eu não falar com estranhos – disse ele
—Está tudo bem. Só estou procurando por uma pessoa. Você viu um Moth Priest passando por aqui?
O garoto tomou um momento para pensar.
—Eu não sei o que é um Moth Priest, — começou o garoto – mas vi um ancião de manto cinzento há não muito tempo. Ele estava andando em uma caravana com alguns guardas imperiais. Mas eles não pararam para visitar. Eles atravessaram a cidade em direção ao sul, e atravessaram a Grande Ponte. Foi um tempinho atrás. Aposto que você pode alcançá-los, se você se apressar.
—Muito obrigado! – Duncan agradeceu – Aqui, tome, para ajudar seus pais com as compras! – ele entregou ao garotinho algumas moedas e sorriu. O garoto devolveu o sorriso.
Duncan correra ao encontro de Serana que parecia também estar procurando por ele
—Eles atravessaram a ponte! –disseram os dois ao mesmo tempo.
—Vamos. – disse Serana – Nosso tempo está ficando curto.
Eles atravessaram a ponte que dava nome à pequena vila e seguiram a estrada. Não muito na frente, porém, o que encontraram viria a ser um sinal de péssimas notícias. Haviam sinais de um ataque na estrada, um carrinho virado, um cavalo morto, um cadáver manchado de sangue e um vampiro morto.
Quando examinaram o corpo do vampiro, encontraram uma carta:
“Tenho novas encomendas para você.
Prepare uma emboscada ao sul da Ponte do Dragão. Leve o Sacerdote para a o Esconderijo dos Antepassados, por segurança, até que eu possa quebrar sua força de vontade.
—Malkus”
—Droga! Chegamos tarde de mais! – Serana afirmou – Malkus é um dos homens do meu pai. Ele conhece magias extremamente poderosas de controle da mente... temos que correr! Mas... eu nunca fui levada à esse lugar...
Duncan atentou-se ao chão.
—E nem precisa. Se o nosso sacerdote lutou, esse rastro de sangue com certeza é dele. É só segui-lo.
Duncan era um ótimo rastreador, e contava com o fato de Serana sentir o cheiro de sangue fresco. Eles seguiram os rastros de sangue sobre uma pequena ponte ao leste, até que chegaram a outra carroça que também fora atacada, com dois cadáveres: um Redguard e um Nord. Continuaram seguindo os rastros de sangue para o nordeste até chegar a quatro pedras em pé, e a entrada para o esconderijo.
Assim que entraram, havia uma pequena inclinação que acabava em uma esquina, onde Duncan se apoiou e espiou para ver o que os aguardava. Quando verificou que não havia perigo, eles prosseguiram. Em pouco tempo chegaram em uma espécie de varanda em uma enorme câmara com um rio, e que se assemelha a um antigo forte no interior cavernesco do lugar, com um vampiro patrulha, e uma esfera azulada brilhando do outro lado. Após cuidar do vampiro, desceram as escadas para o sul, para ver mais dois Cães, como os da Cripta Dimhollow.
—Cães da Morte. – comentou Serana.
—Não tinha nenhum nome mais criativo para eles? – Duncan debochou.
Serana o fuzilou com o olhar.
—Relaxe, Serana. Já lidei com eles antes. – disse Duncan tirando a besta das costas.
Os dois tiros foram certeiros e não chamaram a atenção.
Após descerem ao nível do solo onde os cadáveres dos Cães da Morte estavam, atravessaram a estreita ponte que levava para o forte e seguiram a parede até uma abertura que revela uma enorme fogueira. Haviam quatro vampiros.
—Droga... Não consigo recarregar a tempo de despachar todos. – observou Duncan.
Serana conjurou o feitiço de gelo que ela usara contra as gárgulas em sua mão direita.
—Pronto? – ela perguntou.
Nada além daquilo precisava ser dito. Duncan assentiu.
Enquanto o espinho de gelo atravessava a cabeça de um dos vampiros que conversava calmamente com seus camaradas, o que teria visto o feitiço sendo lanãdo já estava no chão, com um virote de besta enterrado firmemente em sua cabeça. Os outros dois atacaram imediatamente, sem hesitar. Duncan deixou sua besta cair enquanto deixava as duas mãos livres para empunhar a Dawnbreaker e segurar o braço de um dos vapiros, que tentara acertá-lo com uma espada de aço comum. Duncan empalou-o com a espada de Meridia e usou o impulso do impacto para arremessá-lo sobre sua cabeça. Serana se afastou o suficiente para lançar relâmpagos no outro atacante. Enquanto ele estava agonizando por ter sido eletrocutado, ela tirou do cinto uma pequena adaga élfica dourada e enfiou no coração do vampiro.
Em seguida, subiram as escadas onde Malkus, o autor da nota, estava ocupado tentando encantar o padre preso.
—Quanto mais você luta comigo, mais você vai sofrer, mortal. – disse o vampiro. Sua voz imponente ecoou pelo lugar como se viesse de todos os lugares.
Mas o Sacerdote não estava disposto a se entregar:
—Eu vou resistir a você, monstro. Eu devo!
—Por quanto tempo você aguenta continuar com isso, Moth Priest? Sua mente era forte, mas você está exausto da luta.
—Devo ... resistir ... – a voz do Sacerdote saiu com muita, muita dor.
—Sim... – Malkus sorriu – eu posso sentir suas defesas desmoronando, você quer que isso termine, você quer ceder a mim. Agora, reconheça-me como seu mestre!
Um cristal de gelo acertou o chão ao lado de Malkus, fazendo-o perder o foco em sua magia.
—O que? – O vampiro silvou. Então virou-se para seus servos – peguem esses dois! Lorde Harkoon vai adorar ter a cabeça deles em uma estaca como prêmio de sua insolência!
Os dois vampiros que serviam à Malkus não foram problema, e logo a Dawnbreaker clamou por suas almas. Malkus, porém, não seria tão facilmente derrotado. Ele era um feiticeiro fortíssimo, e não permitia que Serana e Duncan se aproximassem. Serana teve uma ideia. Ela conjurou um feitiço cujo brilho era roxo e Duncan não reconheceu. Então, ela o lançou contra um dos cadáveres dos lacaios de Malkus, que levantou-se como se estivesse vivo, apesar de quase totalmente queimado pela magia da Dawnbreaker.
—Mestre... –o cadáver reanimado chamou.
Malkus olhou para a criatura queimada e riu.
—Seus truques não funcionarão comigo, Serana. Sua mãe era uma Necromante tão poderosa quanto você, e até ela fugiu de mim! – disse ele, lançando uma bola em chamas que explodiu o cadáver-fantoche de Serana em um tufo de cinzas.
Quando se virou para seus alvos, porém, já era tarde. Serana perfurou sua jugular com o punhal. O vampiro apalpou a ferida, em desespero.
—Guarde um lugar no inferno para meu pai quando chegar lá, Malkul. – disse Serana, friamente. – Ele vai precisar.
Quando Malkul finalmente terminou de definhar, Duncan pegou o Foco Weystone de seu cadáver. Acima das escadas havia um encaixe para o dispositivo, que fora ativado assim que ele e a base entraram em contato. A barreira mágica logo desaparecera e revelara o Moth Priest.
—Conseguimos... – disse Serana.
Mas o destino ainda não estava pronto para deixá-los mais tranquilos. O Sacerdote estava livre, mas não no estado que a dupla esperava. Ele clamou:
—Eu sirvo a vontade do meu senhor, mas meu senhor está morto, e seus inimigos pagarão!
—Maldição – praguejou Duncan – Ele está fora de si!
O sacerdote encantado então atacou com tudo o que tinha, desde fogo e gelo à golpes com a espada que carregava em seu cinto.
Duncan desembainhou a Lâmina dos Nightingales, pronto para partir para cima dele.
—Não! – gritou Serana – Ele é nossa única esperança! Se o matarmos, jamais poderemos decifrar o Scroll!
Duncan grunhiu. Ele então apanhou a besta e partiu para cima do Sacerdote louco. Serana não teve tempo de perguntar o que ele estava fazendo.
Quando foi ser atacado pela espada do Sacerdote, Duncan espalmou a lateral da Lãmina para o lado oposto ao braço com que o Sacerdote a empunhava, fazendo-o cambalear e deixar as costas expostas, o que Duncan aproveitou para bater com toda a força nas costas e depois na nuca do ancião. O Sacerdote se virou, tentando acertar um corte horizontal, mas Duncan se abaixou e jogou o corpo para o lado, aproveitando a guarda aberta do homem para acertar-he um soco na mandíbula, depois acertou o na cabeça com a lateral do punho. O velho rastejou para longe, então tartamudeou:
—Isso ... não era comigo que você estava lutando, eu podia ver através dos meus olhos, mas não conseguia controlar minhas ações. – disse.
Duncan ofereceu sua mão para ajudá-lo a se levantar. O Sacerdote era velho e tinha uma longa barba grisalha. Seus olhos eram azuis pálidos e seus cabelos eram ralos. Como o garoto no vilarejo disse, ele vestia um manto cinza, agora encardido pelos acontecimentos recentes.
—Obrigado por quebrar esse sujo poder de vampiro sobre mim. – concluiu, antes de se apresentar –Estou muito bem, graças a você. Dexion Evicus é meu nome, sou um Moth Priest da Torre de Ouro Branco. Esses vampiros alegaram que tinham algum propósito guardado para mim, mas eles não diriam o quê. Provavelmente esperando me fazer de refém, os tolos. Agora me diga, quem você representa, e o que você quer comigo?
— Meu nome é Duncan, e essa é Serana. – Duincan explicou – Representamos a Dawnguard, e estamos aqui para pedir ao senhor a gentileza de ler para nós um Elder Scroll. E com muita urgência.
—Oh, vocês têm um Elder Scroll? – Dexion perguntou –Notável! Se o meu conhecimento da história me serve, lembro-me que o Dawnguard era uma antiga ordem de caçadores de vampiros. Eu ficarei feliz em ajudá-lo com seu Elder Scroll. Só me diga onde eu preciso ir.
—Ótimo! – comemorou Duncan – Um pouco de cooperação sem subornos ou favores em troca!
Serana riu, então explicou a Dexion.
—Canyon Dayspring, perto de Riften. Há um enorme Forte lá, difícil não ver. Eu e Duncan estamos indo para lá, e ficaremos felizes em escoltá-lo.
Duncan concordou com a cabeça. O Sacerdote agradeceu.
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