Skyrim - Das cinzas

9 Capítulo IX - Durnehviir


Notas iniciais
Antes de tudo, me desculpem pelo hiato, mas essas festas de fim de ano são uma loucura. Não sei se vou conseguir postar diariamente como antes, mas quem sabe de dois em dois dias? Bah, não vou prometer nada kkkk vou postando conforme acabar os capítulos. Espero que gostem!

—Vocês conseguiram? – Valerica perguntou, assim que os viu – Impressionante!

—Mãe! Você está livre! – Serana gritou, correndo até Valerica.

Valerica passou a mão no rosto da filha, como se para lembrar-se de como era tocá-la.

—Oh... Serana... – ela disse.

Duncan ficou em silêncio, afinal, aquele momento era algo que ele queria ver desde que saíram de Riften: Serana e Valerica juntas, finalmente. Valerica virou-se para Duncan com ternura em seu olhar.

—Bom.... creio que eu deva lhe agradecer também, afinal.

—à sua disposição. – disse Duncan. – Mas.... por mais que eu odeie interromper todo esse momento de gratidão e reunião, nós precisamos do Elder Scroll, Valerica. Por favor.

—Ah, sim. Por favor, me acompanhem. Mas fiquem atentos à Durnehviir. Com a barreira destruída, ele com certeza virá investigar.

Valerica então rumou para a porta de onde ela saíra da primeira vez que se encontraram. Antes que os dois pudessem seguí-la, Serana disse à Duncan, baixinho:

—Estou muito feliz por você estar aqui. Não sei se teria conseguido fazer isso sozinha.

Duncan repetiu a reverência exagerada de quando se conheceram, mas dessa vez com um pouco mais de cortesia:

—À seu dispor, milady. – ele sorriu.

Ela empurrou seu ombro.

—Tonto. – ela sorriu – Não é hora para gracinhas. Vamos.

Então eles foram ao encalço de Valerica.

Ao atravessar a enorme porta, havia um lance de escadas a descer, então um pequeno corredor que desembocava para um enorme, monumental, pátio. E esse gigantesco e deserto pátio era aberto. Duncan sabia que podia muito bem confiar em seu instinto de ter um péssimo pressentimento sobre isso.

E claro, não haviam dúvidas de que ele estava totalmente certo.

—Esperem. – disse Serana – Eu ouvi alguma coisa.

O rugido vindo dos céus anunciava o início da desgraça. Aquele enorme lagarto alado, que media quase o tamanho de Dragonsreach de asa a asa, desceu dos céus e pousou sobre uma das torres do castelo. Ele tinha uma aparência decrépita, como tudo naquele lugar. Era como se sua pele esverdeada já estivesse há muito em estado de decomposição. Suas asas estavam esburacadas. Os chifres da criatura se curvavam levemente para baixo antes de virem para frente, ao contrário dos chifres da maioria dos Dragões, que ia para trás e para cima.

Ele rugiu e de sua boca saíram luzes azuis, que se dividiram, antes de se chocarem contra o chão, abrindo buracos no enorme pátio. Ele então alçou voo e, com mais um rugido, dezenas de esqueletos negros saíram do chão, com uma enorme variedade de armas e armaduras. Duncan sacou ambas as espadas e esperou que os esqueletos se aproximassem para partir com tudo para cima deles. Serana o seguiu de perto, usando tanto feitiços quanto uma espada que ela pegou de um inimigo derrotado.

Durnehviir então pousou sobre uma escadaria que dava em um pequeno altar, e de lá soltou mais daquela energia azul. Depois, com outro rugido, ele convocou mais soldados do exército de esqueletos negros.

—Parece que alguém não consegue lutar suas próprias batalhas. – disse Serana, em tom de desaprovação.

Logo que ouviu isso, o Dragão pousou no meio do pátio, ficando face a face com Serana. Dragões são criaturas orgulhosas, e aparentemente a vampira se esquecera disso. Ele abriu sua enorme bocarra.

—Fo... –sussurrou ele, e uma brisa tão gélida quanto a própria morte saiu de sua boca, acertando Sernana, que tentou proteger-se do frio e caiu de joelhos por causa do mesmo. – Vampira insolente. – disse ele. Sua voz era imponente, e inspirava uma energia ancestral.

Quando ele preparou-se para dar o bote, porém, sentiu as lâminas de Duncan abrindo cortes em seu pescoço. O dragão rugiu de ódio, então levantou voo novamente, pousando ali perto. Duncan foi atrás dele. Ele tentou rebater o jovem com sua cauda, mas Duncan rolou para o lado antes que ele o fizesse, avançando mais uma vez e acertando seu torso. Durnehviir sentiu sua pele queimar ao toque da espada de Meridia. Mas ele tinha um truque na manga.

—Gaan... Lah-Haas! – ele gritou na direção de Duncan, e esse sentiu-se tonto e fraco.

Mas ele não deixou que isso o parasse, e continuou atacando o dragão com tudo o que tinha.

—Tolo. – disse o dragão – É inútil me atacar. Graças ao meu Thu’um, cada a vez que me ferir, eu poderei sugar sua energia vital para repor a minha própria.

—Não faz diferença. – Duncan ofegou – Eu não morri até aqui. E não é aqui que eu vou morrer. Não enquanto meu mundo corre perigo.

O dragão girou o corpo, acertando Duncan com sua cauda. Tanto com o impacto da cauda quanto com o impacto que Duncan sentiu ao acertar com as costas na parede, ele pode ver a veracidade nas palavras de Durnehviir: sua energia vital estava de fato sendo drenada de seu corpo. Mesmo assim, ele se levantou. Durnehviir usou suas garras para pendê-lo contra a parede.

—Os Ideal Masters podem ter me cobrado um preço impossível pelo poder que me foi concedido, — disse a fera – mas talvez oferecer o que sobrou de sua alma mortal diminua o tempo de meus serviços.

Mas Durnehviir sentiu algo pegando sua cauda. Um pequeno par de delicadas mãos femininas. Antes que ele se desse conta do que estava acontecendo, Serana usou toda sua força para girá-lo no ar e arremessá-lo contra outra parede. Ele então levantou-se, e Serana pousou em sua frente.

—Nunca mais – disse ela, furiosa – ouse tocar suas garras imundas nele de novo.

O dragão abriu a boca para lançar mais um Thu’um, mas Serana concentrou duas magias de eletricidade entre suas mãos e as lançou continuamente, como uma tempestade de relâmpagos, fazendo com que o Thu’um virasse um rugido de dor e agonia.

Duncan se pôs ao lado dela e abriu a palma de sua mão, de onde chamas saíram. A mesma magia que ele usara para ajudar a Guilda dos Ladrões a punir uma das maiores produtoras de mel de Riften, queimando suas colmeias.

O dragão começou literalmente a torrar. Vendo que pereceria, Durnehviir fechou suas asas com força, causando um vento forte o suficiente para empurrar os dois para trás.

Ao cair, Serana viu que sua mãe não estava dando conta sozinha do exército cada vez maior de esqueletos.

—Vá. – Duncan disse –Eu cuido dele.

—Mas Duncan...

—Não questione, apenas faça o que eu disse!

—Certo. – ela saiu.

Durnehviir soltou um som que Duncan depois distinguiu ser uma risada.

—Eu jamais fui derrotado em batalha. – disse Durnehviir – Nem aqui, nem em Nir. Você não é um Dovah, e com certeza não é o Dovahkiin. O que lhe faz pensar que vai conseguir me derrotar?

—Eu luto por mim mesmo. – Duncan respondeu, secamente – Não sou apenas um fantoche, como é o seu caso.

Durnehviir rosnou.

—Você ousa ser tão insolente com um Dragão, mortal? Deveria conhecer seu lugar.

—Eu conheço. — Duncan respondeu — De pé... em cima da sua carcaça!- Duncan usou toda a energia que conseguia para desferir um golpe com a Lâmina dos Nightingales.

Durnehviir sentiu uma leve pontada apenas, mas depois percebeu realmente o efeito magico da espada. Ele se sentiu enfraquecer.

—O que fez comigo, humano?!- rugiu ele

—Lembra-se da energia vital que você roubou de mim? -Duncan sorriu — Acabei de pegar de volta. E um pouco da sua, para compensar.

—Ora, seu...!- Durnehviir levantou a enorme pata, pronto para esmagar Duncan, mas duas esferas, uma de fogo e a outra de raio o atingiram com força.

Valerica e Serana se postaram ao lado de Duncan.

—Essa espada brilhante... — perguntou Valerica — é a bênção de Meridia?

—É. Não se preocupe, estou tomando todos os cuidados quando a uso perto da Serana.

—Logicamente. — respondeu Valerica — Caso contrário, minha filha já estaria provavelmente morta. Mas sei de algo que pode ajudar em seu uso.

Valerica conjurou um feitiço com alguns gestos das mãos e lançou sobre a lâmina da Dawnbreaker. A espada reluziu numa tonalidade vermelha em resposta.

—Ataque agora, guerreiro, e verá o que minha magia faz.

Duncan olhou Durnehviir nos olhos.

—Um duelo até a morte. — disse o Dragão -Eu contra você. Agora que não posso voar, acho que essa luta pode ser considerada mais justa.

Duncan apenas meneou a cabeça em resposta.

Durnehviir tentou acertá-lo com a garra, mas o jovem desviou para o lado. O Dragão respondeu com uma dentada que quase levou o braço de Duncan.

Duncan abriu e fechou a mão. Aquilo havia passado perto de mais. Ele revidou com um golpe da Dawnbreaker que acertou o braço da fera, mas ao mínimo toque da lâmina, o corpo de Durvehniir foi tomado por uma chama avermelhada.

Após as chamas se apagarem, Duncan viu que talvez tenha cometido um erro infeliz: Durvehniir estava ferido, mas, acima de tudo, estava extremamente furioso.

—Fo...- disse o Dragão.

E um vento gélido engolfou Duncan. Um vento tão frio quanto a morte. A visão de Duncan escureceu.

—Duncan... — ele ouviu aquela voz de novo. O tom, todavia, era mais preocupado. -Não desista... não é sua hora ainda.

Duncan já estava quase sem forças, mas obrigou-se a ficar de pé. Cada músculo em seu corpo parecia ter congelado. Se mover era extremamente agonizante e doloroso. Com muito esforço, ele lentamente extendeu o braço e lançou novamente chamas da palma da mão.

Chamas que acertaram Durnehviir em sua enorme bocarra. Durnehviir urrou de dor e recuou, dando chance para o guerreiro recuperar o fôlego. Essa brecha, porém, foi pequena, e o Dragão logo deu um bote. Duncan conseguiu jogar o corpo para o lado à tempo, desembainhando Dawnbreaker. A fera veio com sua boca enorme para cima de Duncan, que não tinha sequer forças para se levantar. Tudo o que ele fez foi extender os braços e usar a força que lhe restava para segurar firmemente a espada.

***

O jovem de cabelos castanho-escuros assistia as crianças brincarem. Logo, outra jovem, mais nova que ele, chegou.

—Duncan – disse ela – mamãe está te procurando! O que está fazendo aí?

—Estava... só lembrando da gente quando éramos pequenos. Lembra-se, Ambar?

A garota de cabelos castanho-claros e olhos cor de âmbar deu uma risadinha, uma risada doce, gostosa aos ouvidos.

—Claro que lembro – disse ela – os dois cavaleiros de Andoran. Como vou me esquecer?

Duncan deu um pequeno sorriso.

Ambar se aproximou dele e passou a ponta dos dedos na cicatriz abaixo de seu olho.

—Ainda te incomoda? – Duncan perguntou.

Ela sorriu.

—Agora que cicatrizou direito... até que ficou charmoso, sabia disso?

—Sério?

—Sério... você sabe como as pessoas daqui valorizam guerreiros... e com esse porte físico e essa cicatriz, você vai arrasar corações. – ela disse, sorrindo para o irmão.

Duncan afagou sua cabeça, bagunçando seu cabelo.

—Você também já atraiu olhares, hein? – disse ele.

Os dois gargalharam.

***

Durnehviir não teve nem como rugir: Dawbreaker atravessara o céu de sua boca. Ele logo se desfez num turbilhão de energia. Serana correu até Duncan e abaixou-se ao lado dele. Ela colocou suavemente a cabeça do rapaz no colo e acariciou seus cabelos grisalhos.

—Duncan... oh, Duncan, por favor... respire! – Serana estava desesperada, quase inconsolável.

Ela então teve uma ideia que poderia salvá-lo, mas o condenaria ao mesmo tempo. Ela não queria. Ele não iria querer. Mas talvez fosse a única forma de salvá-lo.

Ela olhou para o pescoço de Duncan, cujo fluxo de sangue parecia que iria parar à qualquer segundo. Ela abriu sua boca e suas presas aumentaram levemente de tamanho. Então se aproximou, mas antes que pudesse mordê-lo, ouviu:

—A não ser que vá só beber alguns goles, nem pense nisso... – Duncan disse, com a voz muito, muito fraca.

—Duncan! Você está vivo! – ela gritou de felicidade, depois distribuiu beijos pelo topo da cabeça do rapaz.

—Estou... estou... – ele respondeu – bom... pelo menos eu acho.

Ele levantou e bateu as roupas.

—Talvez você nem possa ser transformado em um vampiro, no fim das contas. – disse Valerica.

— O que quer dizer com isso, mãe? – Serana perguntou.

—Eu estava tentando distinguir esse cheiro dele. – ela respondeu – Parece de um lobisomem, mas é levemente diferente. É de outro tipo de lobisomem, não é de Skyrim, é?

—Não... – Duncan respondeu – na verdade, é bem diferente.

—Isso tem algo a ver com essa sua cor de cabelo, eu suponho.

—Mais ou menos. No começo não era assim. Não antes de... – ele deixou a frase morrer ali.

Valerica ainda não confiava plenamente nele ainda, e deixá-la sabendo que sua maldição e todas as dores de seu passado foram causadas por um vampiro não a deixariam mais confortável com a presença dele.

Valerica olhou novamente para a Dawnbreaker.

—Nunca achei que veria esse dragão ser derrotado. – disse ela.

—Por que? – Duncan perguntou.

—Vários livros alegam que Durnehviir não pode ser morto por maneiras normais. Bom... parece que eles estavam errados. À não ser que... – ela se interrompeu.

—Que? – Duncan perguntou, curioso.

—A alma de um Dragão é tão resistente quanto a pele escamosa de seu dono. – disse ela – É possível que seu golpe fatal tenha meramente dispersado a forma física de Durvehniir enquanto ele se reconstitui.

—Que pode demorar...?

—Minutos? Anos? Séculos? Não posso nem tentar adivinhar. Mas sugiro que não fiquemos aqui esperando para descobrir. Vamos até o Elder Scroll para que vocês possam continuar seu caminho.

Valerica entrou em um pequeno cômodo que estava do lado oposto ao da entrada do pátio. Quando Serana e Duncan a seguiram, descobriram que era um pequeno laboratório de alquimia, uma versão minimalista do grande laboratório na ala esquecida do Castelo Volkihar.

Valerica abriu um baú fino e comprido. E de lá tirou o Scroll.

—Aqui está. – Valerica disse, entregando à Duncan.

—É isso. – disse Serana – Já temos o Scroll. Vamos entregá-lo à Isran. Você vem, mãe?

—Temo que não será possível, Serana. – Valerica respondeu, com pesar na voz. – Eu, assim como você, sou uma Filha de Coldharbour. Se eu retornar à Tamriel, isso aumentará as chances de Harkon de completar a Tirania do Sol.

—Certo... – respondeu Duncan, notando o olhar entristecido das duas. – Voltaremos por você assim que possível.

—Eu aprecio sua preocupação comigo, mas Serana é tudo com o que me importo agora. Você precisa mantê-la a salvo, custe o que custar. Lembre-se, Harkon não é confiável. Não importa o quê ele lhe prometa, não acredite. Ele irá enganá-lo da maneira que julgar necessário para conseguir o que quer. E prometa que vai manter minha filha a salvo. Ela é a única coisa de valor que me resta.

—Eu prometo. – Duncan respondeu, firmemente – Com a minha vida.

—Pois então cumpra. – Valerica respondeu – Para mim, a palavra é a coisa mais importante que um indivíduo pode ter em seu caráter.

—Antes de ir... posso lhe perguntar mais uma coisa?

—Claro.

—Serana aprisionou uma parte da minha alma para que eu pudesse entrar aqui. Existe algum modo de eu pegá-la de volta, de repente?

—Sim, há. Existe uma pequena estrutura, não terrivelmente longe daqui. Lá, há um altar aos Ideal Masters, e é onde a gema que contém sua alma estará. Assim que tocá-la, ela irá voltar à você.

—Obrigado. Essas tonturas repentinas e cansaço acelerado estão me dando nos nervos.

Ele pôde ver pela primeira vez algo que se assemelhou à um sorriso no semblante de Valerica.

Dito isso, mãe e filha se abraçaram, e a dupla fez seu caminho até a saída do pátio.

Qunado chegaram, porém, tiveram uma surpresa horrível: em cima de uma enorme parede, aquela criatura enorme com asas furadas e aparência decrépita estava lá. A recuperação de Durnehviir fora mais rápida do que Duncan pôde contar, e ele já não estava mais em posição de lutar novamente. Ele desembainhou ambas as espadas novamente, e Serana conjurou seus feitiços de gelo e raio.

—Abaixe suas armas. – disse o dragão – Eu gostaria de falar com você, Qahnaarin.

Duncan abaixou as espadas, mas se manteve alerta.

—Pensei que estivesse morto. – disse ele, de maneira cautelosa.

—Amaldiçoado, não morto. Condenado à existir nesta forma pela eternidade. Preso entre laas e dinok, entre a vida e a morte.

—Antes de continuarmos, — perguntou Duncan – por que raios estamos tendo essa conversa?

—Pois acredito na civilidade entre guerreiros experientes, e acho seus ouvidos dignos de minhas palavras. – ele fez uma pausa, depois continuou – Minhas garras já levaram a carne de inúmeros inimigos, mas eu jamais havia caído no campo de batalha. Eu, portanto, honoravelmente nomeio-o "Qahnaarin", ou Conquistador, em sua língua.

—Creio que você seja igualmente digno, se o que diz é verdade.

—Você me honra com suas palavras. – ele curvou a cabeça, em sinal de respeito, e Duncan respondeu com o mesmo movimento, então o Dragão continuou – Meu desejo de falar com você nasceu do resultado de nossa batalha, Qahnaarin. Eu meramente desejo respeitosamente pedir-lhe um favor.

—Um favor?

—Por incontáveis anos, eu permaneci no Soul Cairn, em um serviço não intencional aos Ideal Masters. Antes disso, eu pertencia aos céus acima de Tamriel. Desejo retornar até lá.

—E o que está lhe impedindo?

—Eu temo que o tempo tenha cobrado seu preço de mim. Eu compartilho de uma ligação com este lugar temível. Se eu me aventurasse longe do Soul Cairn, minha essência iria se desfazer, até que eu não existisse mais.

—E como eu posso ajudar? – Duncan perguntou, incrédulo – Desenhe Tamriel e lhe traga um retrato?

Durnehviir pareceu ignorar a brincadeira.

—Eu irei lhe conceder o direito de me chamar para Tamriel. Conceda a mim esta simples honra, e eu lutarei ao seu lado como seu Grah-Zeymahzin, seu Aliado.

—Só... chamar pelo seu nome? É algum tipo de Thu’um? Se for, me desculpe, mas eu não sou o Dragonborn. Não sei realizar essas coisas.

—É aí que você se engana, humano. Qualquer um pode aprender o caminho da Voz. O Dovahkiin só nasce com um entendimento maior de como o Thu’um funciona. Você sabe meu nome, Qahnaarin. Apenas grite-o aos céus, e eu estarei lá. Encare como um feitiço de conjuração.

—Só... gritar. Só isso.

—Para você pode parecer simples, mas para mim, seria algo grandioso.

—Eu... não sei. Não sei se posso confiar em você. Meu mundo é assolado por Dragões trazidos de volta por Alduin antes que o Dragonborn o matasse.

—Eu não exijo uma resposta, Qahnaarin. Apenas chame pelo meu nome quando achar que é a hora certa.

—Certo. Vou fazer isso. Só me responda: como você acabou aqui? Você mencionou um “serviço não intencional aos Ideal Masters”.

—Quando os Dovah dominavam os céus, várias batalhas mortais entre eles eram travadas em busca de território. Eu era um deles. Mas ao contrário de meus irmãos, eu busquei meios fora dos padrões para garantir minha superioridade. Eu comecei a explorar o “Alok-Dilon”, a antiga arte proibida que vocês chamam de Necromancia.

—Então, — Serana perguntou – assim como minha mãe, você procurou a esse lugar para obter conhecimento?

—Sim. Os Ideal Masters me asseguraram de que meus poderes seriam imbatíveis, de que eu poderia levantar hordas de mortos-vivos para lutarem à meu favor. Em retorno, eu os serviria como um Guardião até a morte daquela que se chama Valerica.

—Minha mãe. – disse Serana – Mas eles nunca lhe disseram que ela era imortal.

—Exato. Eu descobri tarde de mais que os Ideal Masters favorecem a decepção acima da honra, e que não tinham intenção alguma de me deixarem ir, ou me livrarem de meu fardo. Eles tinham o controle de minha mente, mas por sorte não puderam possuir minha alma.

—Por isso você tentou nos matar antes... – disse Duncan – Não era você. Eram os Ideal Masters tentando manter Valerica presa aqui à qualquer custo. Você está livre agora?

—Livre? Não. Estou aqui há tempo de mais, Qahnaarin. O Soul Cairn faz parte do que eu sou agora. Talvez eu jamais possa chamar Tamriel totalmente de lar novamente, ou eu pereceria sem dúvida alguma. – seu tom era entristecido e amargo. Duncan não sabia se Dragões choravam, mas aquele parecia estar a ponto disso. – Eu apenas espero que você me permita ter preciosos momentos de tempo lá, através do seu chamado.

—Eu vou, meu amigo. Não se preocupe.

—Eu lhe agradeço por isso, Qahnaarin. Você não irá se arrepender.

—Vamos, Duncan. – disse Serana – Precisamos recuperar aquele pedaço da sua alma e voltar à Skyrim o quanto antes.

—Certo.