“Museu de Curiosidades do Calisto” Dizia a placa acima da porta. Se não fosse por isso, Derkeethus não veria diferença alguma em qualquer outra casa na cidade. Não era feito de uma material diferente, não tinha um terreno florido para enfeitar, nem ficava em um lugar de destaque e muito menos era a maior construção da cidade. Apenas aquela placa e o fato de ter uma porta dupla separava aquele museu de uma casa mundana.

Ainda assim, o lugar ainda valia de alguma visita para a investigação. havia algo na intuição do argoniano que o fazia acreditar que talvez acharia alguma pista por lá. Talvez o dono tivesse algum artefato que poderia o levar a caminho do criminoso? De qualquer forma, ele só saberia se entrasse.

Ao entrar, a primeira coisa que ele notou é que o lugar era grande, mas vazio. Não era a maior casa que ele já viu, mas tinha um tamanho bem generoso. Porém, para um “Museu de Curiosidades”, não era tão preenchido e aparentemente rico em estórias quanto se esperaria. Aparentemente as coisas mais valiosas daquele lugar se encontravam em três prateleiras nos fundos na parede oposta à da entrada.

Assim que adentrou o lugar, o argoniano foi recebido por um homem imperial magro e curvado, com o cabelo puxado para trás, a barba por fazer e no pescoço um amuleto com um adorno central no formato de uma estrela de oito pontas com uma grande pedra vermelha no centro.


– Oh, olá, visitante! Bem vindo ao meu museu de Curiosidades! Me chamo Calixto, e por algumas moedas eu lhe guiarei pelas curiosidades mais interessantes de minha coleção.

– Acho que irei passssar por enquanto. Essstou aqui por outrasss razõesss.

– Ó, é? E posso saber a razão, meu caro visitante escamoso?

– Bem, fiquei sssabendo que tem acontesscido uma ssserie de asssasssinatosss na sscidade e, não entrando em muitosss detalhesss, meusss amigosss e eu entramosss na invessstigassção, e eu queria sssaber ssse o sssenhor teria alguma pisssta. Talvez algum artefato deixado pelo assssassssino?

– Er… Bem… — Calixto ficou ocioso de repente. — Sobre o artefato, TALVEZ eu tenha algo. Mas o senhor teria que pagar pela excursão se quiser que eu lhe indique.


O ladino relutou por alguns instantes, mas depois, assentiu.


– Aff… Tudo bem. Quanto custa.?

– São 10 Septins.


O dinheiro então foi tirado do bolso de Derky e colocado nas mãos do humano.


– Muito bem, senhor. Me acompanhe.


Calixto então se aproximou até uma prateleira onde, entre alguns insumos e pergaminhos, Derkeethus reparou em um conjunto de ferramentas.


– Começando nosso passeio…– O imperial então começou a falar sobre os insumos na prateleira e suas origens, os Daedras que em que foram encontrados, os pergaminhos que guardavam feitiços misteriosos e os lugares de onde viera. até que em determinado momento, ele começou falar sobre as ferramentas que por algum motivo roubavam a atenção da intuição do argoniano – E aqui se encontram ferramentas encontradas em uma ruína próxima daqui de Windhelm. Os especialistas dizem que elas eram usadas para preparar os corpos para um refinado processo de mumificação. Se essas ferramentas pudessem falar, que macabros mistérios elas poderiam nos revelar? Talvez nunca saibamos.

“Ferramentas para embalsamar”. Mas se elas eram antigas, porque aos olhos do ladino elas pareciam tão frescas, como se tivessem sido polidas recentemente?

Ele não teve tempo de perguntar. Rapidamente, Calixto mudou de foco, se dirigindo a outra prateleira.


– E se olhar para essa prateleira, encontrará o livro do destino!


***


Nur se encontrava em frente a grande residência da família Shetter-Shield, localizada próxima à entrada Sul do quarteirão conhecido como Valunstrad, cuja entrada sul dava no cemitério da cidade. Era uma alta mansão, mas que ainda assim não se destacava tanto no local, devido ao fato do quarteirão todo ser composto por mansões como aquela. No fim das contas, mesmo sendo grande, era só mais uma.

O dragonborn de início apenas se aproximou levianamente da porta, mas rapidamente lembrou que o dono daquele lugar não era qualquer um. Ele não poderia apenas ir entrando de qualquer jeito na casa de um aristocrata de peso da cidade. Ele se atentou aos modos e bateu a porta. Com a porta sendo aberta, ele foi recebido por uma jovem mulher nórdica, com cabelos de um tom escuro de loiro, quase castanho.


– Oh, você deve ser o Dragonborn! — Disse a jovem moça, animada — Eu ouvi dizer que você tinha chegado à cidade! O que o trás a nossa residência?

Agradessço a resscepção, er… — ele gesticulou, esperando a nórdica completar seu cumprimento com o próprio nome.

– Nilsine. Nilsine Shatter-Shield.

Nilsssine. — ele então continuou. Eu essstou procurando seu pai. Tenho que falar com ele.


–Oh! Fique à vontade. ele está em frente a lareira. Aproveite e diga a ele que estou saindo pra me encontrar com Miuri. Ele sabe quem é.


Ele assentiu, deu espaço para ela passar e adentrou a mansão. As salas eram amplas, e a madeira era visivelmente diferente de outras casas. Uma madeira mais nobre e mais resistente. Ao passar pela mesa de jantar, percebeu que um banquete farto havia sido feito a pouco tempo, com os pratos remanescendo com restos e duas empregadas indo e vindo os levando para a cozinha.

Ao chegar no que deveria ser a sala de estar, Nur percebeu o ancião com um livro em mãos, sentado em uma cadeira de frente para a lareira.


Sssenhor Torbjorn Shatter-Shield?


O homem, ao ouvir a voz rouca de um argoniano, se virou com desdém, esperando se deparar com um de seus desgastáveis funcionários das docas. Mas no lugar se deparou com uma figura coberta por uma grossa armadura pesada.


– Me chamo Nur Dragirisss. Sssou o Dragonborn.

– Oh, Dragonborn! Claro, claro. Pegue uma cadeira e sente-se!


O argoniano pegou uma cadeira próxima, a puxou para perto da lareira, e assim que se sentou, comentou.


– Acabei de encontrar com sssua filha na porta. Ela disssse que que iria ssse encontrar com uma tal de Miuri.

– Ah, sim, sim. É uma boa menina… — ele fez uma pausa enquanto virava uma página do seu livro — Minha última boa menina… — mais uma pausa — Alguns guardas da cidade me avisaram o que estás fazendo. Agradeço que queira encontrar o assassino da minha outra filha. Sua perda tem sido muito dolorosa, e é animador saber que se uniu na busca desse demônio.

– Bem, sobre isssso, eu tenho que admitir que não fiz muito progresssso. Meusssamigosss devem essstarmaisss a frente nisssso. Porém, em minhasssinvessstigassçõesss, conversssando com asss pessssoasss, eu me encontrei em um desssvio para outro problema.

– Mesmo? Qual o problema?

– Bem eu fui até asss docasss para interrogar possssiveisss tessstemunhasss… — Nesse momento, o velho nordico bufou, já imaginando para onde aquela conversa iria — e me foi apresentada asss pessssimasss condissçõesss em que trabalham. Vim então pedir para que aumente o sssalário doss essstivadoresss de volta para o que era.


Torbjorn fechou mais a cara, não acreditando que lhe foi feito tal pedido.


– Escute, “Dragonborn”, o salário dos meus funcionários é problema meu. E não se preocupe, que eles estão sendo muito bem pagos. Agora, se puder se preocupar com o que realmente importa…

Elesss não sssão importantesss? Não sssei ssse vosscê acha que não persscebi, masss todosss osss ssseusss funsscionáriosss nasss docasss sssão argonianosss. Vosscê acha que não sssomosss importantesss?

– O que você quer que eu diga? Os seus “amiguinhos” das docas são um bando de vagabundos preguiçosos! — o homem começou a levantar a voz — Eles não merecem sequer o que eu pago. Se eles trabalhassem de graça com direito ao armazém onde dormem já estava de bom tamanho.

– Como vosscê pode falar sssobre preguissça? alguma vezzz na sssua vida já levantou um barril de carga? Já empurrou caixasss com o dobro do ssseu peso?

– JÁ CHEGA! — o aristocrata se levanta em ira, apontando o braço para a porta — Saia da minha casa. Agora!


Sem dizer mais nenhuma palavra, Nur se levantou e começou a caminhar, indo lentamente em direção a porta. Enquanto ele andava até a porta, Torbjorn percebeu que estava expulsando, não só o Dragonborn como também o cara que estava investigando o assassinato de sua filha. Ele então decidiu chamá-lo novamente.


– Espere. — O argoniano parou quando ouviu ser chamado — Olha, okay. Eu acho que fui grosseiro com você, mesmo com sua petulância. Irei te dar uma chance de se desculpar comigo, e em troca pensarei em acatar seu pedido.


“Desculpas?” pensou o dragonborn. Ele não via pelo que se desculpar. Mas viu a chance de ajudar os argonianos nas docas, então apenas ouviu.


– Minha esposa, ela é muito religiosa. Como você deve imaginar, tem sido muito duro para ela lidar com a perda de Friga. Ela deseja um amuleto de Arkay, para poder rezar pela alma de nossa filha. Consiga um amuleto de Arkay, e então talvez, em gratidão, renovarei o salário dos estivadores.

– Um amuleto de Arkay? — o guerreiro coçou o queixo por um instante, e logo disse — entendido. Verei como conssseguirei esssse amuleto. Me aguarde.


***


Em frente ao museu, Derkeethus e Calixto haviam saído.


– Bem, obrigado pela visita. -agradeceu o imperial enquanto mexia em suas chaves.

– Achei que duraria um pouco maisss.

– Não tenho muitas atrações ainda, é verdade. Tive de vender algumas para pagar o funeral da minha irmã a alguns meses. Mas em breve conseguirei novas peças! — ele diz, enquanto guarda suas chaves no bolso.

– E é isssso que vosscê vai fazer agora? Irá atrásss de maisss atrassçõesss?

– Er… Isso! Isso mesmo. Agora, se me der licença…


Os dois trombaram de ombros sem querer, mas rapidamente o humano voltou para seu caminho, desaparecendo por entre os becos da cidade. Depois do imperial se distanciar, o argoniano abriu a mão, a inexpressividade natural escondendo seu possível sorriso ao ver a chave de Calixto em suas mãos. “Está na hora de uma excursão exclusiva”.


***


– Os rrastrros acabam aqui.


Inigo e Barbas pararam em frente a uma mansão nos fundos de Valunstrad. Os dois tinham partido de um rastro de sangue que partia da cena do último crime, e o rastro acabava na porta da mansão.

Vendo que a porta estava trancada, o khajiit a destrancou com umas gazuas. Ao adentrar, encontrou um local totalmente abandonado. A poeira tomava conta de cada canto, dançando pelo ar. Mal haviam sinais de qualquer móvel que ainda remanescesse no local. E quanto a iluminação, apenas a luz que passava pelas janelas eram capazes de clarear o local um pouco que fosse.


– Muito bem, eu olho no segundo andarr e você olha aqui no prrimeirro.

Certo.


Entre algumas sucatas esquisitas que pareciam fora de lugar, os dois não acharam muito. Inigo achou uma cama com uma cadeira em cima, Barbas achou um monte de garrafas organizadas de maneira esquisita. umas janelas barricadas aqui, um armário jogado ao chão ali. A coisa só mudou de figura quando o cachorro achou algo.


Ei, Inigo! Olhe o que achei!


Descendo de volta para o segundo andar, o arqueiro encontrou o cão junto a um baú sujo de sangue em um canto do cômodo principal. Ao abrir o baú, acharam cartas. Uma pilha enorme de panfletos dizendo coisas do tipo “Cuidado com o Carniceiro!”.


– “Carrniceirro”?! Deve serr o assassino. Ele deve terr coletado esses panfletos parratentarr tirrarr a atenção das pessoas.

Tem mais aqui! — gritou o daedra do outro cômodo.


Indo até um cômodo mais nos fundos da casa, o cathay achou junto a Barbas mais uma pilha de cartas, agora em um criado mudo entre dois armários.


– Mais panfletos! Mas porrque esses estão aqui ao invés de estarrem no baú com os outrros?


Hávia também um caderno na escrivania. Um pequeno bloco de notas com uma capa de couro. Ao abri-lo, seu conteúdo era aterrador.


“Os planos estão nos conformes. Encontrei boas fontes de ossos, carne e sangue, mas até agora uma boa amostra de tendões e medula fugiu de mim. Mas não importa. A cidade está cheia de tolas insolentes que ninguém sentirá falta.”


As páginas que se seguiram foram uma descrição de tentativas de ataques, além de uma breve visão sobre uma área de estudo de magia que Inigo nunca imaginou que poderia existir. E na verdade, era algo que ele sentia preferir não saber que existia.

Magia de carne.

O caderno não se aprofundava no assunto em si, mas só de pensar sobre isso, o khajiit sentia que se tratava de algo tão profano e nefasto quanto a necromancia. Talvez fosse necromancia em si, mas ele não tinha como ter certeza.

Depois de encarar os panfletos e o caderno mais um pouco, as atenções do khajiit azul e do daedra começaram a se voltar para os armários próximos. o cão se voltou para o armário à esquerda a partir da entrada da sala, enquanto o cathay foi para a direita.

Tentando empurrar a porta do armário com focinho, Barbas achou apenas algumas roupas empoeiradas e meio carcomidas pelas traças. Inigo por sua vez, ao abrir o armário, o viu vazio. Porém, seu olfato não enganava: havia algo. ele podia sentir um leve cheiro de queimado, como se houvesse uma vela ou algo do tipo do outro lado, além de um forte cheiro de sangue.

Ele então começa a tentar empurrar o fundo do armário para frente, não conseguindo, começou a tentar arrombar, se jogando contra o fundo. Nada também.

o daedra, porém, pareceu notar uma fresta surgir no lado esquerdo do fundo conforme era atingido.


Ei, espera. Tenta puxar pro lado.


Ouvindo o cão, o arqueiro tentou empurrar o fundo para a esquerda.


Não esse lado, gênio! O outro!


O khajiit azul o encarou sério, deu uma bufada e começou a empurrar para a direita.

Com o fundo fora do caminho, os dois se depararam com algo macabro: uma pequena sala, repleta de ossos humanos, uma poça de sangue no chão, nacos de carne pra todo lado, e um misterioso e sujo altar feito de troncos de madeiras empilhados em pares, com mais um caderno em cima.

Ao pegar o caderno, as aberrações não paravam. Aquele descrevia o horripilante processo da criação de algo chamado de “atronach de carne”. Só de pensar em tal profanação já lhe revirava o estômago. O cathay nem sabia que atronachs poderiam ser construídos, e a ideia de um atronach, ou golem composto com peças de carne ao invés de tradicionais peças elementais, como rochas de magma ou pedras eletrificadas, era aterradora.

Enquanto lia as páginas, Inigo falava o conteúdo em voz alta, a fim de fazer Barbas saber do que se tratava.


É só isso?

– Como “só isso?”

Felino, eu e Clavicus já fizemos coisas piores.

– Nem vem com essa. Não é sobrre isso. É sobrre vidas!

Tá, tanto faz. A gente está indo agora?

– Bem, eu acho que não tem mais nada. Então sim. Vamos.


Os dois se dirigiram para fora da sala secreta, indo em direção à saída.

Porém, ao chegarem no cômodo principal, algo os surpreendeu.

Do outro lado da sala, em frente a porta, uma figura misteriosa, encapuzada em cada centímetro de seu corpo por um manto negro como a noite. Mesmo seu rosto parecia coberto por um capuz que cobria todo o seu corpo. Se haviam saídas pro nariz e pros olhos, elas não estavam visíveis.

Com a visão da figura, parada em frente a eles, Inigo rapidamente sacou sua espada e seu escudo.

– Quem é você? O que deseja?

Não está óbvio? É o Carniceiro!


A figura tremeu o rosto rapidamente. Talvez se surpreendeu com o cão falante. Não dava para saber. Ela reagiu rapidamente. Sua mão brilhou com uma luz avermelhada, e ele logo jogou uma esfera de energia contra os dois. O arqueiro se preparou, colocando seu escudo à frente de si. O feitiço atingiu o escudo, mas ao invés de apenas se dissipar, ele se fragmentou e seguiu como fumaça em direção ao khajiit e ao daedra, atravessando a armadura do cathay e se embrenhando na pele de ambos.

De repente, algo mudou na cabeça deles. A coragem para encarar o Carniceiro de repente se tornou pavor. Antes um inimigo a ser combatido, o encapuzado passou a ser um terror a se fugir. A figura misteriosa não mudou de aparência, mas sua aura parecia emanar das fontes mais profanas e nefastas do horror, que fariam Molag Bal parecer um ser adorável.

O encapuzado sombrio então tira de seu manto uma adaga orc, erguendo pro alto, com a luz das janelas batendo na lâmina.

Tomados pelo medo, os dois gritaram em pavor. Os dois correram pela casa, sendo perseguidos pela figura sombria, correndo por entre os quartos, subindo e descendo a escada. Eventualmente os dois foram encurralados em uma sala no segundo andar. O Carniceiro se aproximava lentamente com a adaga empunhada. Não havia escapatória, apenas a luz da janela da sala sobre suas costas.


***


Nur estava saindo da residência Shatter-Shield, depois da negociação com o cabeça da família. Ele havia aceitado o acordo por ser a sua melhor chance, mas sabia que não era algo fácil assim. Amuletos voltados em honra aos deuses não são fáceis de achar. São caros e somente os sacerdotes sabem fazê-los. Já não bastava a investigação do tal assassino em série, agora ele tinha mais isso para se preocupar.

De repente, os pensamentos do argoniano foram interrompidos, Primeiro, gritos altos, depois o som de vidro sendo quebrado, dando lugar por fim ao baque da queda de algo.

Os barulhos pareciam vir da casa ao lado, que parecia uma mansão abandonada. Ao chegar nos fundos do lado esquerdo do local, ele achou Inigo e Barbas caidos em um monte de feno, com alguns cacos de vidro misturados.


– Inigo, o que é isssso? O que acontessceu?

– Estavamos seguindo um rrastrro de sangue que nos levou a essa casa. — ele dizia enquanto tentava se levantar, recebendo uma ajuda do amigo, que o puxou pelo braço — Até achamos algumas pistas lá dentro, mas logo fomos achados porr uma figurra encapuzada que prrovavelmente é o assassino. Estavamos prrontos em parra rrevidarr a qualquerr coisa. Mas ele jogou algo em nós e, eu não sei o que, mas fomos tomados porr um sentimento irrracional de medo. Eu rrealmente não entendi o que aconteceu.

– Foi um feitiço de ilusão. - explicou o daedra — um Feitiço de Medo, mais especificamente. Inclusive, para conseguir me afetar também, ou o usuário é hábil com magia, ou eu que estou fraco pelo tempo e distância que estou de Vile. Talvez um pouco dos dois.

– Isso explica um pouco. De qualquerr forrma, depois de colocados sob o efeito do feitiço, fomos perrseguidos pelo encapuzado. Tivemos de nos jogarr da janela parra escaparr.

– Ele ainda essstá lá?

Prrovavelmente!


Os três foram até a porta da mansão. O arqueiro segurou a maçaneta da porta, enquanto o guerreiro estava com sua espada e seu escudo em mãos, pronto para um combate. Eles deram um segundo de preparo, e assim que a porta foi aberta, Nur gritou.


Fusss RO!!! (Força EQUILIBRIO!!!)


O grito ecoou para dentro da casa, como uma garantia de pegar desprevenido o assassino. O saxhleeel avançou para dentro, sendo acompanhado pelo cathay e o daedra.

Mas não havia nada.

O lugar estava vazio, como se ninguém mais tivesse pisado antes.


Esperra, o que? — O khajiit começou a correr pelo lugar procurando o assassino, incredulo do que via e do que não via. — Estava aqui, Nurr! Você tem que acrreditarr na gente!

– Eu acredito, Inigo. Vocêsss não pulariam gritando de uma janela sssem motivo. Masss pelo jeito o assssassssino não essstá maisss aqui. Deve ter dado outro jeito de essscapar.

Bem, já que estamos aqui, porque não te mostramos o que achamos?

– Perfeito!

– bem, prrimeirro. — Inigo começou, enquanto ia em direção a um baú — nós tivemos dificuldade para acharr pistas. Mas achamos esse baú cheio com esses panfletos.


Ele mostrou a pilha de panfletos e deu um para Nur


– “Cuidado com o Carnissceiro”?!

– Acreditamos que seja o apelido do assassino.

– Depois, — o khajiit foi até outro comodo, nos fundos, e fechou um armário, guardando como surpresa — achamos esse bidê, com mais carrtas e esse diárrio. — ele tira do bolso o diario e o entrega ao argoniano, que dá uma breve lida. — E porr fim achamos isso…


O arqueiro azul abre o armário, revelando uma sala secreta, cheia de sangue e com um estranho pedestal de madeira.

– Masss que me… — o guerreiro não pode completar.

– E aqui achamos esse outrro diarrio. — Inigo também entrega esse outro diário.


Ao ler o conteúdo do outro diário, o estômago de Nur revirou. Seus olhos se arregalaram, e ele ficou paralisado. Apesar de uma reação esperada, algo naquela reação era estranha. Não era só terror e repulsa. Seus amigos podiam perceber que era algo mais.


– A… A-a-atronach de carne… — ele finalmente disse.

– Qual o prroblema, Nurr?

– Aaahn… — ele então chacoalha a cabeça e responde — Na-nada! nada!


Ele olha em volta, tentando mudar de assunto e acaba percebendo algo no altar. Ao se aproximar, ele percebe que era um colar.


– Já haviam persscebido isssso aqui? — ele diz, pegando o colar e o mostrando aos colegas.

– Não. Serrá que o Carrniceirro deixou aí?

Ou talvez estivesse em baixo do diario e você só não notou quando pegou.


O argoniano examina o colar com atenção. Era um amuleto de cordão escuro, cujo seu adorno consistia de um metal octogonal com uma caveira de jade incrustada.

“caveiras estão ligadas a morte, não?” pensou Nur. “Arkay não é o deus da Morte? Será que esse é um amuleto de Arkay?”. Essa ideia encantou sua mente, enquanto olhava o objeto.


Vamosss, pessssoal. Vamosss na taverna esssperar pelosss outrosss.