Skyll - A Era dos Portais
4 Capítulo 4 - Uma visita noturna
Notas iniciais
Já eram meia-noite e vinte e nada do Andrew. Eu havia chegado meia-noite em ponto. Tinha esse hábito de ser pontual desde pequena.
Está um pouco frio então eu vesti uma moletom azul escuro que fica bem maior nos meus braços, deixando aquele volume a mais, o que eu amo pois me deixa mais quentinha e confortável. Também usava uma calça jeans azul escuro e um all-star azul claro usado. Devo estar parecendo um Smurf.
Meu cabelo está amarrado em um rabo de cavalo, deixando meus brincos de bolinha prateados á mostra. O que também faz com que um ventinho gelado atinja meu pescoço.
Olho para a escola. Havia sido uma péssima ideia nos encontrar aqui. As janelas da escola estão completamente pretas, tomadas pela escuridão. O nome da escola acima da porta de entrada se tornam impossíveis de ler com os postes de luz quebrados. Meus instintos clamam por socorro.
Em meio á escuridão vejo algo se mexer do outro lado da rua. Meu coração dispara. Começo a entrar em pânico. Vejo a silhueta de uma pessoa e, graças a Deus, quando a pessoa passa por um poste de luz reconheço o rosto.
Andrew se aproxima de mim, todo vestido de preto.
–Você tenha que vir todo de preto? -reclamo soltando um suspiro de alívio por não ser um maluco pervertido- Quase morro do coração.
–E você tinha que vir parecendo um Smurf? -ele fala com as sobrancelhas arqueadas zombando de mim- Smurfette.
Reviro os olhos mostrando um sorriso. Eu definitivamente pareço um Smurf.
– Tanto faz, vamos logo com isso.
–Tá bom, apressadinha.
Andrew vai até uma árvore perto da calçada e o sigo.
–Antes de ir-ele diz se virando para mim- Feche a boca antes de saltar para o portal comigo. Você não vai querer colocar seu jantar para fora.
Assinto com a cabeça engolindo em seco. Acho que as pessoas do lugar para onde iríamos não iam gostar muito de macarrão com almôndegas.
Andrew fecha os olhos e aparece um portal arredondado amarelo com pontinhos brilhantes que mais pareciam estrelinhas. Ele segura minha mão e sinto o rosto corar, esse contato físico dele me deixa nervosa.
Fecho a boca e saltamos para o portal.
=*=
Sinto meu corpo girar. Mas dessa vez não é como da última vez. Dessa vez sinto meu corpo leve como se estivesse flutuando. Vejo as mesmas “galáxias” de antes e logo em seguida um feixe de luz cegante em minha direção forçando-me a fechar os olhos. Abro-os em seguida e perco o fôlego maravilhada.
Logo á minha frente está uma enorme construção azul que parece um castelo encantado. Há varandas e janelas de mármore branco, com cortinas rosadas de seda. A porta é, assim como as varandas e janelas, de mármore branco, com detalhes azuis.
Há também um caminho de pedrinhas amarelas em meio á grama que levam á entrada.
–Uau! -falo em meio á um suspiro.
Andrew sorri olhando para o lugar.
–Vem, tem uma pessoa louquinha pra te conhecer.
Ele me puxa passando pela porta. Quando entro vejo um hall de entrada com paredes azul celestes, um piso (adivinhem) de mármore branco, assim como um balcão que há mais à frente. No chão há o desenho de um pássaro azul (que eu jurei ter pensado ser o passarinho do Twitter) ao lado da letra S, que provavelmente é de Skyll.
Há pequenos pufs brancos encostados nas paredes, o que dá um ar descontraído no lugar.
Andrew me guia até o balcão onde tem um daqueles sinos de hotel. Andrew o toca e depois de uns segundos surge uma moça ruiva sorridente usando um uniforme azul de balconista.
–Posso ajuda-los? -ela pergunta simpaticamente. Noto que seus olhos são estranhamente violetas.
–Molly- fala Andrew se apoiando no balcão-Onde está a senhora Lânia?
Mas que droga de nome era Lânia?
–Oh-disse Molly digitando em seu computador-Sinto muito, mas tenho ordens para somente informar onde está a senhorita Lânia após você ir á sala do senhor Vermount.
Andrew a fita incrédulo. Eu não estava entendendo era nada.
–Mas o que... O que eu fiz dessa vez?
–Olhe, eu não sei direito-diz Molly baixinho- Mas ele parecia muito feliz não. Acho melhor você ir á sala dele logo.
Andrew assente e depois olha para mim, lembrando repentinamente que eu ainda estava ali pela cara.
–E quanto á ela? Não ia ser muito inteligente leva-la comigo né?
Molly assente pensativa.
–Ela fica comigo, pode ir.
–Valeu! -Andrew diz já indo para um corredor que há ali. -Já volto Cassie!
Quando já não da mais para vê-lo, Molly sorri para mim.
–Como fui mal-educada-ela diz-Nem me apresentei á mocinha. Me chamo Molly, sou a recepcionista daqui, prazer.
–Prazer-falo sorrindo de volta- Sou Cassie, hm... Amiga do Andrew.
Molly sorri.
–Gostou da escola?
–Adorei! É tudo tão fantástico!
O telefone toca e Molly o atende.
–Escola de treinamento para Skyll’s, posso ajudá-lo¿
Ela escuta a voz balançando a cabeça positivamente.
–Sim, sim. As atividades já estão sendo agendadas, senhor Crinctos-Molly diz com uma expressão um pouco impaciente-Ok, sim, uma boa noite para você também senhor.
Ela desliga o telefone e solta um suspiro.
–Ele sempre liga de madrugada para conferir se está tudo certo.
De repente me lembro que é de madrugada.
–Vocês funcionam de madrugada? -pergunto-Tipo, 24 horas?
Molly pensa um pouco.
–Bem, não exatamente-Molly gira uma caneta preta entre os dedos-Durante os dias de semana, entre as 6:00 e 11:00 da manhã não. Mas aos fins de semana, sim, funcionamos 24 horas.
Assovio. Que horário mais estranho para não funcionar.
–E você trabalha direito?
–Ah, não!-ela fala balançando a cabeça-Só de segunda á sexta. Nos fins de semana é Mary, minha irmã.
–Lega, negócio de família? -pergunto.
–Sim-ela sorri.
Olho para o corredor á procura de qualquer sinal de Andrew. Que tanto ele falava com o tal Vermount?
Ouço alguém chamando Molly ao fundo do outro corredor. Ela olha para mim.
–Cassie, tenho que resolver um probleminha. Pode se sentar, Andrew não deve demorar.
–Tudo bem.
Ela sai andando pelo corredor apressadamente. Vou até um dos pufs e me sento encostando na parede. Fico encarando a parede azul á minha frente e percebo como estou com sono. Tudo está tão silencioso... Meus olhos vão se fechando e acabo adormecendo.
=*=
–Ei-falou uma voz-Cassie?
–Hm... -resmunguei.
–Cassie, acorda!
Resmungo novamente com raiva. Eu quero dormir!
–Cassie! -a pessoa fala alto, dessa vez me sacudindo.
–O que foi merda? Tô tentando dormir! -digo com raiva.
Abro os olhos e vejo Andrew rindo da minha cara. Havia me esquecido que não estava em casa.
–Ok, você dorme em casa, mas agora acho melhor você se levantar. Viajar com portais dormindo não deve ser uma experiência boa.
Coro olhando ao redor.
–Ah... Desculpa-digo envergonhada- Mas você não ia me apresentar a alguém¿
–É, ia-Andrew suspira-Mas ela não está agora. Vamos, temos aula amanhã.
Andrew me ajuda a levantar e me leva para casa.
Só lembro de desabar na cama.
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