Skyll - A Era dos Portais
5 Capítulo 5 - Corredor escuro
Notas iniciais
–Cassie, conta tudo sobre aquele garoto que quase te beijou!
Estamos no intervalo e a Chris ainda está cismada com a história do Andrew.
–Ele não me beijou! -digo corando. Ele não tinha me beijado...
–Quase-Chris diz com uma expressão que não ajuda em nada a me acalmar.
–N-não! -digo- E ele só é o novo aluno da minha turma!
–Aham, sei! -Chris fala ironizando- Quero conhecer ele.
Encarei Chris. Sério que eu teria que apresenta-la a Andrew¿ Se eu não apresentasse ela ia encher meu saco até eu apresentar. Ou seja: apresentar Chris ao Andrew, ou apresentar Chris ao Andrew.
–Tá-digo bufando-Tá bom!
–Yey! -ela comemorou.
–Acho que sei onde ele está.
=*=
Eu e Chris vamos até o terraço da escola e avisto Andrew apoiado no muro admirando a vista.
–Andrew-chamei-o.
Ele se virou surpreso ao me ver.
–Oi Cassie-ele diz- O que foi?
–Hm... Nada não-olho para Chris que está com aquele sorriso satisfeito na cara. -É que a Chris estava me enchendo o saco pra te apresentar á ela.
Andrew sorri para ela.
–Oi, sou o Andrew
–Chris-Chris diz sorrindo-Cassie fez tanto mistério sobre você! Cheguei a pensar que era um agente secreto.
Andrew arqueia as sobrancelhas olhando para mim. Dou de ombros me fazendo de inocente. O que eu era, Chris era muito persuasiva!
–Pronto-falo-Feliz agora Chris?
–Muitíssimo-ela diz.
Andrew sorri balançando a cabeça.
–Vocês duas são doidinhas.
Chris de repente olha para mim com aquela cara de quem vai aprontar. Não gosto disso.
–Ei, Andrew-ela fala- Que tal ficar conosco no intervalo?
Encaro-a. Isso não ia dar boa coisa.
–Se a Cassie não se importar... -ele fala olhando para mim.
Fico sem o que falar.
–Eu...
–É claro que ela não se incomoda! -interrompe-me Chris- Amanhã a gente se encontra aqui, porque já vai terminar o intervalo.
Assim que ela termina de falar o sinal toca.
–Bom-falo puxando Chris-Te vejo na aula Andrew! Vem Chris!
–Tchau Andrew-Chris fala antes de perde-lo de vista.
Desço as escadas ainda puxando Chris.
–Ai! -reclama ela-Calma Cassie! Pode me soltar?
–Tá-largo o braço dela emburrada-Desculpa.
Paramos no corredor e ela cruza os braços me encarando.
–O que foi?-pergunto.
–Ah, nada não, é só que... Você saiu me arrastando até aqui! Só isso!–ela diz inconformada.
–Já pedi desculpas-digo.
–Humpft-ela diz ainda com os braços cruzados-Por que tanta pressa em me tirar de lá?
–É que... Poxa, você nem me perguntou se eu queria ficar com o Andrew no intervalo!
Ela me encara incrédula de boca aberta.
–Vai dizer que não queria?! -ela diz jogando as palavras na minha cara.
Encaramos uma á outra e rimos. Ok, ela sabia o que estava fazendo.
–Ok, você me conhece bem até demais!
–Sim- ela diz rindo- Hehe.
Chris sai correndo e vou para a aula. É matemática. Socorro!
=*=
Já a caminho de casa me perco em meus pensamentos. Há menos de uma semana atrás a coisa mais mágica que existia pra mim eram os filmes da Disney, que mesmo assim ainda eram considerados fictícios. Agora até viajar por portais eu havia viajado.
Encaro meus pés que se movem á passos calmos e ritmados pela calçada. Meu tênis all-star azul claro, o mesmo que usara na noite anterior, estava limpo ainda, sendo que eu tinha o lavado á uma semana. Eu sempre dava um jeito de sujá-lo no segundo dia de uso, e o fato de ainda não tê-lo feito me fez questionar o que havia mudado. Muita coisa Cassie...
De repente uma voz me desperta de meus pensamentos.
–Cassie! Espera aí!
Me viro e me deparo com Layla correndo até mim. Assim que ela me alcança sorrio para ela.
–Oi Layla-digo calmamente.
–Oi-Layla arfa ao falar- Ufa, preciso me exercitar mais.
Dou uma risada e continuo caminhando, desta vez acompanhada.
–Você sumiu esses últimos dias-Layla diz tirando duas balas de laranja da mochila.
–É, tive uns probleminhas-digo me lembrando do que havia ocorrido esses dias.
Layla me oferece uma bala e eu aceito. Desembalo a bala e coloco na boca. Seu gosto adocicado me faz lembrar de quando brincávamos juntas.
–Mas, e você? -digo puxando assunto- Assistindo muitas séries?
Os olhos castanho-mel de Layla brilham indicando que toquei no assunto certo.
–Sim muitas! -Layla começa a falar-Comecei a ver outra ontem á tarde. The Last Ship. Ai, é tão legal Cassie! Acho que você ia gostar, é um estilo apocalíptico e tal. Mas é muito bom!
Concordo com a cabeça. Seria bom ver alguma coisa para esparecer.
–Vou dar uma olhada hoje.
Percebo que já cheguei ao meu edifício e paro. Me despeço de Layla, que continua andando, e entro pela porta. Pego o elevador e quando ele se abre no meu andar eu vejo que está tudo escuro. Engulo em seco e fico encarando o mar negro á minha frente. Digamos que tenho um pequeno medo de escuro. Ok, eu morro de medo do escuro. Penso em como estou sendo boba. Deve ter dado algum problema na fiação como já aconteceu. Saio do elevador lentamente tremendo. Começo a entrar em pânico com as mãos esticadas procurando a porta. Vou
andando de lado me apoiando na mesma. Quando finalmente toco a porta ouço um barulho vindo do fim do corredor.
–Tem alguém aí? -pergunto trêmula. Que estupidez. É lógico que se tem alguém no escuro a pessoa não vai simplesmente dizer “Oi, tô aqui, vim te sequestrar!”.
Ignoro o barulho e procuro minhas chaves na mochila, o que fica difícil já que estou tremendo e apavorada. Fuço tudo até as encontrar. Quando encontro as tiro da mochila e ela caem no chão.
–Qual é! -digo baixinho- Sério isso?
Me agacho e começo a tatear o chão. Já não bastava ter que ficar em um corredor escuro sozinha escutando barulhos. Eu tinha que deixar as chaves caírem!
De repente ouço o barulho de novo. Dessa vez entro em pânico e começo a tatear o chão mais rápido e trêmula. Onde estão as drogas das chaves?!
Sinto alguém do meu lado. Paraliso e olho para o lado. Não vejo nada, mas a pessoa me empurra e me pressiona contra a parede.
–Onde está a chave? -a voz que fala é de um garoto. Ou pelo menos parece.
–O-o quê?-falo com a voz trêmula ainda em pânico- Não tenho nada!
A pessoa parece ficar irritada e me pressiona mais forte.
–Não estou brincando. Agora fala, onde está a chave?
–Eu não sei do que você está falando! -me sinto uma idiota entrando em pânico.
A pessoa me larga e vejo o elevador se abrir. A pessoa desconhecida sai correndo e olho para o elevador que ilumina o corredor. É Andrew. Saio correndo e o abraço instintivamente. Ele hesita surpreso, porém também me abraça em seguida.
–Ei, calma- Andrew diz delicadamente.
Ele acaricia minhas costas tentando me acalmar e fico em silêncio. Sinto lágrimas escorrerem mas não me importo. Sinto como se nada mais pudesse me fazer mal com os braços de Andrew ao meu redor. Ainda trêmula me afasto dele, mas não tanto.
–Desculpa-digo-Devo estar parecendo uma boba.
–Sim, uma bobona-ele ri-Está tudo bem? O que aconteceu?
–É que... -percebo que ainda estamos dentro do elevador e puxo Andrew para fora dele-Tinha alguém aqui.
–Espera, como assim? -ele me olha preocupado- Quem estava aqui?
–N-não sei-digo balançando a cabeça-Estava tudo escuro, não vi nada. Mas a voz era de um garoto, isso eu tenho certeza.
–Voz? -ele pergunta- Ele te disse alguma coisa?
Penso em como a pessoa parecia desesperada atrás da tal chave. Será que tem algo a ver com toda aquela doideira de Skyll’s?
–Uma chave-digo já me sentindo mais calma-Ele estava atrás de alguma chave, e achava que estava comigo.
Andrew assume uma expressão preocupada. Como se...
–Você sabe do que ele estava falando não sabe?-pergunto enxugando as lágrimas.
–Melhor a gente entrar e se sentar, é uma história longa.
=*=
Andrew começa a falar quando já estamos sentados no sofá na sala.
–Lembra quando te contei sobre os Skyll’s?
Assinto relutante. Lá vem mais complicação.
–Há muitos anos, a escola de Skyll’s era um castelo-ele começa-Os Skyll’s eram governados pelo rei George e pela rainha Anne. Eles tinham uma filha, a princesa July Anne. Ela, ao contrário dos pais bondosos, era mimada e queria mandar em tudo e em todos. Um dia ela tentou forçar um dos humanos á obedecê-la. Ele achou que ela era louca e ligou para um hospício. Ela foi levada á força para lá, e ficou por lá por 5 anos. Seus pais a procuraram mas não a encontraram durante esses 5 anos. Sabe-se lá o que fizeram com ela lá.
Tentei me imaginar presa em um hospício sendo forçada a tomar remédios dos quais não precisava e sendo tratada feito uma lunática.
–Coitada-falei sentindo pena da tal princesa.
Andrew assentiu.
–Depois que ela saiu jurou se vingar de todos os humanos-Andrew continua- Jurou governar todos criando uma nova era, a era dos portais, em que todos os humanos desapareceriam e só os Skyll’s restariam. Desde então ela procura a grande chave que irá liberar todo o poder que ela deseja. A chave celestial.
–Mas isso é... terrível-digo- Mas quem era aquele garoto atrás da chave¿
–Não sei, mas temos que descobrir isso.
Assenti.
Começo a ficar receosa em descobrir mais, E se pessoas se machucarem? E se não conseguirmos parar a July? Afasto os pensamentos.
–Andrew-digo-Eu sou uma Skyll certo? -ele confirma -Então como faço para usar meus... poderes?
Vejo os olhos de Andrew brilharem.
–Treinando na escola para Skyll’s. Que tal começarmos semana que vêm?
–Ok-digo meio pensativa-Seria bom.
Andrew sorri e eu sorrio de volta. Me pergunto como ele consegue lidar com tudo isso de forma tão natural e agir normalmente.
Percebo que ele parece meio tenso.
–O que foi? -pergunto.
–O quê? -ele diz confuso.
–Você está estranho-digo.
Andrew me encara. Parece estar me analisando. Me sinto incomodada.
–É que... -ele junta as mãos entrelaçando os dedos- Eu queria perguntar se...
–Fala logo! -digo curiosa- Tá me assustando.
–Cassie, você quer...
A porta abre e dou um pulo tão grande que caio do sofá. Minha mãe entra em casa e olha surpresa para Andrew que tenta não rir. Ela me fita estatelada no chão.
–Amigo novo? -ela pergunta com um sorriso maldoso.
Me levanto do chão me ajeitando.
–É-digo. Que vergonha... -Esse é o Andrew, ele é novo na escola-minha mãe sorri para ele-Andrew, essa é minha mãe, Clarisse.
Andrew sorri para ela.
Olá Andrew-minha mãe diz docemente. Nem parece que acertou um chinelo na minha cara esses dias. -Podem ficar á vontade, vou só tomar um banho.
–Ah, mas eu já estava de saída-Andrew diz se levantando.
–Que pena-minha mãe diz decepcionada-Bom, foi um prazer.
–O prazer foi meu-Andrew diz.
Ela sai para o banheiro.
–Sua mãe é bem legal-Andrew diz indo até a porta. Sigo ele.
–É, ela é-digo-Mas não a irrite, ela pode ser letal.
Damos uma risada.
–Até amanhã-ele diz.
–Até-digo e fecho a porta.
Mais tarde me lembro de uma coisa. Ele não continuou o que ia falar...
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