Sky full of Stars
7 Capítulo 7
Capítulo 7
Miguel tinha dois irmãos mais novos: Diogo de sete anos e Catarina de onze anos. Ambos tinham ficado encantados comigo, de tal forma que nunca se despegavam de mim. Nós já não tínhamos tempo para ficar a sós, porque os dois regilas estavam sempre ao meu lado, ora porque queriam jogar ora porque queriam ir brincar lá para fora.
Desta vez, queriam ir nadar para o lago que havia perto de casa. Com muita paciência, lá enchemos o carro com protetor solar, toalhas e comida para os levarmos. Podia ser que eles ficassem tão exaustos que pudéssemos ter um momento só para nós.
Assim que lá chegámos, obrigámo-los a ajudarem-nos com as coisas, só para não saltarem logo para a água sem a nossa supervisão. Muito zangados, lá nos ajudaram. Assim que estendemos as toalhas, tiraram as roupas e correram para água.
—Honestamente, quero que eles se divirtam, mas eu também quero divertir-me contigo – confessou, abraçando-me por trás e pousando o seu queixo no topo da minha cabeça.
—Bem, eles adoraram-me. Acho que fiz algo de muito bom para agradar à família – ri.
—Gostaram tanto de ti que até estou com ciúmes. Ontem, quando foste ao quarto falar com o teu pai, o Diogo não parava de fazer perguntas sobre ti. Coisas que eu nem sabia responder.
—A sério?
—A sério.
Catarina gargalhou quando o irmão mais novo deu um mergulho e chapinhou os pés na água, provocando um repuxo de água.
—Anda – disse, desenvencilhando-me do seu abraço. Tirei o vestido e notei que ele me observava com atenção. Por baixo do vestido, não tinha mais nada que um biquíni verde-claro, a contrastar com a minha pele morena.
Sem hesitar, tirou a T-shirt e atirou-a para cima do meu vestido. Corremos para junto dos pequenos e brincámos na água com eles. Quando chegou a hora de almoço, os dois tinham adormecido na toalha, exaustos de tanta brincadeira.
Peguei numa cerveja – que tínhamos conseguido trazer – e abri a carica. Sentei-me ao lado dele, observando o dia quente, mas não escaldante, e o sol a brilhar na água, fazendo a água tornar-se prata.
—Estás sempre tão pensativa – murmurou ele, ao meu lado, sentando-se.
—É porque estou a pensar.
—Não – negou. – Ficas sempre com essa cara quando ninguém te está a observar. Parece que vais para outro planeta.
—É um planeta cheio de preocupações – disse.
—O que é que vais fazer agora que ele se mudou lá para casa?
—Não sei – encolhi os ombros. – Talvez tenha que mudar de casa. Não é que o odeie nem nada disso, na verdade ele até é muito atencioso comigo, mas não me sinto confortável sabendo que ele está lá a viver em casa, a um quarto de distância, num espaço que anteriormente era só meu e da minha irmã. Talvez tenha que começar a procurar algum sítio para ficar.
—Sempre podes ficar comigo quando quiseres – convidou ele. – Sempre que sentires que precisas de algum espaço, podes vir ter comigo.
—Obrigada – disse.
—O que é isso? – Catarina tinha despertado e veio para ao pé de mim, como sempre.
—Isto? – apontei para a garrafa nas minhas mãos. – É uma coisa que não vais gostar nada porque tem álcool.
Colocou-se de joelhos atrás de mim e começou a mexer no meu cabelo.
—O teu cabelo é tão lindo – comentou ela e eu comecei a relaxar com o seu toque.
—Acho que vou adormecer – comentei.
—Posso fazer uma trança? – indagou ela.
—Podes fazer o que quiseres com ele – afirmei. – Mas não sei como é que vais fazer uma trança com o meu cabelo curto.
Não respondeu, apenas começou a trabalhar com o meu cabelo e eu fechei os olhos. A cerveja foi-me retirada das mãos e eu deixei, reconhecendo o toque das suas mãos.
Quase sem notarmos, estava na hora de voltarmos para casa para tomarmos todos um banho antes do jantar. Catarina e Diogo foram primeiro e foi quando tivemos um momento a sós, sem ninguém para nos chatear.
—O que é que achas que vai ser o jantar? – perguntei, enquanto olhava-me no espelho que ele tinha no seu quarto para ver se tinha apanhado algum escaldão nas costas.
—Sei lá, mas estou cheio de fome.
Mais uma vez os seus olhos percorreram o meu corpo.
—Gostas do que vês? – indaguei, corando logo de seguida.
—Gosto muito – admitiu, piscando-me o olho. – Mas não tens nenhum escaldão, garanto-te.
Aproximou-se de mim e colocou as mãos nos meus ombros, rodando-me para ele. Beijou-me, como há muito tempo já não fazíamos porque ultimamente nunca tínhamos estado sozinhos. O seu toque era o que me causava o escaldão, a pele a arder de fogo e desejo.
Alguém gritou. Separámo-nos e vimos Catarina a olhar para nós com os olhos arregalados. Esquecemo-nos de fechar a porta.
—Está tudo bem, podes entrar – disse ele, afastando-se de mim e voltando a sentar-se na cama. – Banho tomado?
Ela simplesmente acenou, ainda sem palavra.
—Agora vou eu – disse e saí do quarto, sem saber bem o que fazer ou dizer a alguém tão jovem que tinha acabado de presenciar um momento bastante quente.
Depois do banho e mais calma, o quarto dele estava vazio. Fechei a porta e deitei-me na cama com aquele peso leve mas altamente sonífero de um dia de praia, neste caso, de lago. Fechei os olhos e respirei fundo. O seu perfume estava bastante marcado na sua almofada. Sem notar, adormeci.
©AnaTheresaC
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