Sky full of Stars
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Capítulo 8
O sonho estava demasiado bom para acordar, mas a música suave inspirou-me a acordar.
—Eu sabia – alguém confirmou. – A música é o melhor remédio.
Deitado ao meu lado, lá estava ele, a olhar para mim.
—Não – resmunguei, voltando a fechar os olhos.
—O jantar está pronto – disse e eu abri um olho.
—Está mesmo? – procurei confirmar.
—Sim – afirmou.
—E depois posso voltar a dormir?
—Sim.
—Está bem – respirou fundo e enrolei-me mais um bocadinho na cama.
—Nah – passou as suas mãos pelos meus braços, até se entrelaçarem com as minhas mãos e puxou-me para fora da cama.
—Não quero ir – resmunguei e ele abraçou-me com força.
—Não resmungues.
Conduziu-me para a sala, onde o jantar já estava na mesa e só faltávamos nós. A conversa foi animada, com Catarina e Diogo como os protagonistas a contar as suas aventuras do dia. Depois do jantar, já despertada, ficámos a jogar Monopoly no chão da sala, com os pais deles a verem televisão. Quando disseram que iam para a cama, decidimos arrumar as coisas e também ir para os nossos quartos.
Nos últimos dias, tínhamos dormido todos juntos na cama de casal de Miguel porque os pequenos não nos queriam largar nem por um segundo que fosse, mas desta vez, surpreendeu-me.
—Vá, vão para os vossos quartos – disse ele e Catarina olhou para ele seriamente, já deitada a meio da cama.
—Porquê?
—Porque eu hoje quero dormir descansado – respondeu ele, pegando no Diogo como um saco de batatas por cima do ombro. – Já te venho buscar e vais assim, ou então vais por livre vontade.
Diogo gargalhou quando Miguel lhe deu uma palpada no bumbum. Desapareceram os dois da minha vista. Sentei-me na cama e Catarina voltou a chegar-se ao pé de mim.
—Ele não gosta de nós? – indagou ela.
—Nada disso. Mas acho que ele dorme melhor não tendo que se preocupar com cada movimento que ele faz durante a noite.
—É só isso? – perguntou, observando-me atentamente. – E onde vais dormir?
Corei dos pés à cabeça e foi ele a minha salvação quando apareceu e fingiu estar zangado.
—Também vou ter que carregar contigo?
Começou a dirigir-se na nossa direção, e Catarina gargalhou, começando a afastar-se dele.
—Anda cá! – exclamou ele e Catarina saltou para o lado da cama, saindo a correr do quarto. Ele seguiu-a, não sem antes olhar para mim e dizer: — Vou apenas colocá-la na cama e já volto.
—Ok – disse, mas ainda corada.
Olhei para a cama, agora vazia e tão grande que me assustava. Como é que o quarto dele podia ser assim tão grande e no entanto ser-me tão familiar. Abracei-me a mim mesma, sentindo um arrepio subir-me pela espinha.
Muito devagar, levantei-me e fui para a janela. Talvez ver a noite me acalmasse. Não estava exatamente nervosa, talvez mais expectante e relutante. Não sabia o que fazer, se devia de ficar com ele ou não. Se pedisse para dormir com Catarina seria muito mau? Mas, por outro lado, também queria estar sozinha com ele, ter outra vez um daqueles momentos em que o podia abraçar e podíamos falar a noite toda.
—Voltei – virei-me para trás sobressaltada com a sua voz. Fechou a porta e meteu-se na cama, suspirando. – Não vens?
Com os meus calções e top senti-me repentinamente consciente do meu corpo.
—Eu não mordo – disse ele, pegando no telemóvel e começando a mexer nele.
Este era o momento derradeiro em que eu tinha que tomar uma decisão. Ali estava ele, completamente ausente que eu estava num conflito interno comigo mesma, à procura de respostas para as infinitas perguntas que tinha e não tinha a certeza absolutamente nenhuma do que fazer.
Respirei fundo. Não podia ser uma cobarde e muito menos ferir os seus sentimentos, não depois da sua compreensão passados estes dois meses juntos. Dei um passo em frente, e outro logo a seguir. Meti-me dentro dos lençóis e aproximei-me dele, deixando a minha cabeça descansar no seu ombro. Estava no Facebook, a olhar para as notícias e imagens que apareciam com uma rapidez que nunca compreendi. Eu tinha sempre que parar e ver do que é que se tratava, mas ele via as coisas num milionésimo de segundo e passava para a próxima.
—A cama fica vazia sem eles aqui – comentei.
—Mas eu quero dormir decentemente. E quando acordei hoje vi que eles, para além de estarem quase em cima de ti, também te estavam a expulsar da cama.
—Então aquilo tudo foi por mim?
Bloqueou o telemóvel e colocou-o na mesa-de-cabeceira, deixando-se deslizar para debaixo dos lençóis comigo.
—Só quero estar contigo hoje – afirmou e puxou-me para um beijo. O seu corpo encostou-se ao meu e eu deitei-me de costas na cama, com o seu corpo colado ao meu. O seu peso era algo que me agradava, mas também me deixava altamente nervosa.
E, de seguida, parou, olhando-me seriamente.
—Não fazemos nada que tu não queiras hoje, está bem? É só dizeres.
—Ok – foi tudo o que consegui dizer. – Então… se eu não quiser está tudo bem?
Ele acenou, não desviando o seu olhar do meu.
—E se eu quiser?
—Também está tudo bem.
Pensei durante alguns momentos. Era uma decisão importante para mim e sabia que iria definir o nosso relacionamento para sempre. Provavelmente, este podia ser o último momento em que ficávamos a sós.
—Eu quero.
Sorriu, beijando-me de seguida.
©AnaTheresaC
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