Ele ficou parado ao meu lado, olhei para cima e me senti minúscula. Fui um pouco para o lado, como dando permissão para ele se sentar. Ele sentou e ficou olhando para o mar. Fiquei olhando para ele por um momento. Seu rosto estava calmo, seu cabelo solto sendo jogado pro lado pela brisa do mar. O cheiro do seu pós-barba impregnou o ar e me fez lembrar a noite que Victor Dashkov jogou o feitiço de luxúria em nós. Olhei para frente evitando que as lembranças me machucassem.

- Desculpa por mais cedo, não quis soar como se eu quisesse mandar em você. Só me preocupo com você. – Ele quebrou o silêncio e eu podia ouvir sinceridade em suas palavras.

- Ok, mas eu já disse, não tem com que se preocupar. Eu e o Mark somos só amigos. – Olhei pra ele, para que ele visse que eu também estava falando a verdade. Ele me olhou e logo em seguida se voltou para o mar. – Como foram os últimos anos? Já casaram? – Perguntei com um tom jocoso, mas no fundo tinha medo de ouvir a resposta.

- Foram tranquilos. Estou dando aula com a Tasha para os humanos. É divertido, ás vezes calmo demais, nunca fomos atacados. Não que eu reclame é claro, mas sinto falta de estar em batalha. – Na sua voz dava para sentir a saudade que ele sentia. – Soube que você se tornou a melhor guardiã da Corte. – Seus olhos brilhavam de orgulho quando olhava para mim. Me senti corando.

- É, acredita que até a Rainha me trata bem agora? Essas marcas realmente impõem respeito. – Sorri apontado para minha nuca. Ele sorriu, um sorriso que ia até os olhos e fez meu coração bater mais forte, desconfiei que ele conseguia ouvi-lo também.

- Sempre soube que você conseguiria.

- É, eu tive um bom mentor. Sabia que eu treino os novatos agora também?

- Oh, como alguém teve coragem de fazer isso com aquelas pobres crianças? – Ele perguntou rindo.

- Do mesmo jeito que tiveram coragem de me jogar na mão de um Russo antissocial. – Nós rimos e naquele momento não existia nada ao nosso redor, não existia passado, não existia partida sem despedida, era só nós dois.

- Achei que nunca mais te veria novamente. Sempre que ia para Academia ou para Corte você sempre estava viajando.

- Eu tenho um pai agora, somos quase uma família feliz. Você consegue imaginar isso? Janine Hathaway me trata como filha e tem orgulho de mim. Então sempre que tenho um tempo livre passo com eles. – Disse rindo, ainda era meio surreal essa coisa de família para mim.

- É claro que ela tem Rose, quem não teria orgulho de você? E eu soube sobre Abe Mazur, agora consigo entender de onde vem seu temperamento.

- Você fala como se eu fosse uma pessoa difícil de conviver. – Ele revirou os olhos e eu dei meu sorriso comedor de homens. Ele arfou e me olhou com desejo e saudade.

- Eu... Eu sinto por muito. Por tudo. Eu soube do Mason, se eu soubesse que vocês tinham fugido, eu teria ficado e.. tentando ajudar de alguma forma. – Ele olhava intensamente nos meus olhos, seu olhar era de dor e arrependimento.

- Não acredito que se você estivesse lá teria mudado alguma coisa. – Disse olhando para frente. Não queria tocar nesse assunto, eu ainda me culpava muito pela morte do Mason.

- Mas mesmo assim. Eu deveria estar lá, por você. Para te ajudar a passar por tudo aquilo. – Olhei de volta para ele. Meus olhos já estavam ameaçando encher de lágrimas.

- Teria sido bom, uma coisa a menos para me magoar. Sabe, eu imaginava que ao menos você iria se despedir, nem que fosse com um bilhete ‘Rose, fui embora. Beijos’.

- Se eu encontrasse com você não conseguiria ir embora, e você sabe que eu fiz isso por você. Para que você não corresse o risco de perder a guarda da Princesa. – Ah claro, agora ele ir embora para ter um caso e uma vida fácil ao lado da Tasha era para me fazer feliz.

- Claro, claro. O fato de a Tasha poder te dar uma família não tem nada a ver com isso. Eu entendo. – Falei rispidamente.

- Roza. – Meu coração parou. Ele falar meu nome em russo era golpe baixo. Fechei meus olhos para ouvir sua voz, era como se ela me embalasse. — Eu já não conseguia lutar pelo o que sentia por você, já não conseguia ficar longe, ficar sem você. Não podíamos correr o risco de sermos descobertos. Você era muito nova, tinha toda uma vida e carreira pela frente, eu não podia atrapalhar o seu futuro.

- E fugir era a solução? Em algum momento você pensou no mal que isso iria me causar? Você pensou no quanto eu iria sofrer? Você é um covarde Dimitri Belikov, um covarde. Eu lutaria pelo nosso amor, eu enfrentaria quem quer que fosse para ter você ao meu lado. Nós faríamos dar certo, eu sei disso. Mas você foi embora e nem se importou comigo. – Eu estava gritando, lágrimas escoriam pelo meu rosto e eu lutava para seca-las. Ele me abraçou, passava a mão no meu cabelo enquanto falava coisas em russo que eu não tinha ideia do que significavam.

- Me desculpe Roza, me desculpe.

Eu já estava mais calma, então me soltei dele e passei a mão no rosto para secar o resto das lágrimas.

- Desculpe por isso, álcool e conversas desse tipo não combinam. – Dei um sorriso fraco e voltei a olhar pro mar. A música de fundo me dizia que estavam todos no lual ainda, dava pra ouvir risadas e conversas ao longe, me perguntava se alguém teria sentido nossa falta.

- Espero que um dia você entenda o que me levou a ir embora, e que possa me perdoar. – Seu rosto estava calmo novamente, mas seus olhos transmitiam todo o seu arrependimento e amor. Amor. Era isso mesmo?

Um vento forte bateu jogando meu cabelo para trás, senti Dimitri ficar tenso ao meu lado e seu olhar mudou para incredulidade e desgosto. O que estava acontecendo? Segui o seu olhar, minha cicatriz da mordida do strigoi na invasão de St. Vladimir estava no fim do meu pescoço, próximo ao ombro. Foi então que eu entendi. Era a marca de uma mordida, poderia ser antiga, mais ainda sim era uma mordida. Raiva dominou meu corpo.

- Não, eu não virei uma meretriz de sangue depois que você me largou não Dimitri, se é isso que você está pensando. – Minhas palavras eram frias e eu esperava que espelhassem toda minha raiva. Levantei e fui embora.

Notas finais
Esses momentos partem meu coração :(
Bom fim de domingo meninas *-*