Skin on Skin

23 What I call of engaged.


Notas iniciais
Olá acompanhantes de SoS. Sejam bem-vindos a mais um capítulo, esse que, por sinal, está menor mas contém um momento muito legal que eu acho que vocês vão adorar. Eu espero que todos gostem. Façam uma boa leitura.


Havia acabado de completar dois meses da internação de Cora na clínica de recuperação em Springfield. Segundo Zelena, a tia respondia bem aos estímulos do convívio em grupo na clínica e parecia muito diferente desde o dia em que chegou ao lugar disposta a se recuperar do vício em jogos.

Para Regina, foi uma verdadeira alegria saber que a mãe melhorara. Não se sentia mais culpada por tê-la obrigado a ir se tratar, mas fora preciso diante das circunstâncias e, vendo que o resultado era bom, não podia estar menos contente pela mãe. A prima ainda disse que Cora, naquele ritmo, poderia ter alta mais depressa do que se esperava, todavia, Regina não fez uma cara boa para a notícia, pois estava adorando ter o apartamento da família só para ela e Roland nos últimos dias. Podia levar Emma para namorar e conversarem ali. Andava evitando ir até a casa de Swan depois de ter visto Mary Margaret confrontá-la, mesmo que indiretamente, com sua presença na casa da filha.

De vez em quando Zelena vinha visitar Regina para dar notícias de Cora e, como boas cúmplices que eram, sempre comentavam sobre outros assuntos além da matriarca. Naquela manhã, estavam sentadas muito à vontade na cama do quarto da morena falando já há algum tempo sobre tudo o que vinha acontecendo desde quando Regina e Emma reataram.

Zelena brincava com a forma como a prima se referia a Emma, exatamente como uma mulher apaixonada faria.

— Eu nunca te vi desse jeito, Regina. Olhe só pra você, toda boba falando da Emma. — disse a ruiva entre um sorriso.

— Como é que eu não vou ficar toda boba falado dela? — Gina fez a pergunta se agarrando em um travesseiro. — Emma é o que eu sempre quis, o que eu sempre precisei. Uma pena que eu não tenha visto isso antes.

— Ora, não lamente. Talvez vocês duas tenham passado pelo o que passaram para voltarem agora ainda melhores.

— Nós nem tocamos mais no assunto. Mas o cheiro, o jeito, a forma como ela me olha são os mesmos, só que ainda mais forte, entende? É como se eu pudesse viver tudo o que vivemos de novo de uma forma mais intensa.

— Vocês agora são duas mulheres, não duas moças inconsequentes. — Zelena deu uma breve risada ao dizer aquilo. — Me lembro do seu pai te chamando assim: Regina, como pode ser tão inconsequente?

Gina corou de leve conseguindo sorrir. Refletiu um pouco entrando na brincadeira que faziam com o já falecido Henry Mills.

— Meu pai me achava inconsequente... Agora então é que deve estar se remexendo no caixão.

Ambas riram. Zelena olhou bem para a prima e perguntou:

— E o Robin? Como se sente com ele vivendo agora em Boston?

— Já andei me preocupando mais com ele, mas ele anda tão calmo com o Roland indo pro apartamento todo final de semana. No fundo eu posso ter exagerado em desconfiar dele.

Zelena ouvia atenta. Curiosamente aquela era a terceira vez que perguntava do ex-marido da prima na conversa. Regina percebeu. Para mudar de assunto, se levantou da cama e foi até o closet, demorando um pouco ali dentro. Quando saiu trouxe consigo a caixa de lembranças que tinha da juventude. Pousou aquilo na cama, bem na frente da ruiva.

— Eu ia mesmo perguntar se você já havia mostrado isso à Emma. — disse Zel sem fingir surpresa em ver as fotos e pedaços de papéis.

— Não, eu não mostrei. — Regina deu um suspiro. — Não quero descumprir a promessa que fiz para ela. Às vezes me pego olhando para essas fotos e me pergunto como seria a reação dela ao saber que guardo tudo isso.

— Você devia arriscar sabia? — sugeriu Zel — Faça o teste. Se ela está mesmo com você do jeito que diz, uma hora vão conseguir falar desse passado. — tinha calma na voz. — Ela pode achar que você é outra mulher, mas nunca vai se esquecer da Regina pela qual se apaixonou um dia. A primeira. E é isso que está aí nessa caixa, a Regina por quem ela se apaixonou primeiro. Se não fosse por essa pessoa que você foi antes, vocês nem estariam juntas agora, pare para pensar.

— Ainda acho que ela sente um grande ódio dessa Regina de antes. Mas é que sempre que me lembro como eu a adorava e como nos dávamos bem, eu sinto vontade de falar sobre isso com ela.

— Então fale, dê um jeito. Não se esqueça que um conselho meu fez vocês reatarem.

Regina suspirou.

— Não vou esquecer, é claro que não e te agradeço. Mas Emma é tão complicada nesse sentido que nem consegue dizer eu te amo para mim ainda. — desabafou, tocando nas alianças de prata que era delas e tinha guardado desde aquela época. Seu nome e o dela gravados fez ela pensar em tanta coisa.

Gina estava carente daquelas palavras, mesmo sabendo pelos atos de Emma que ela a amava. Mas como arrancar de Emma uma declaração? Envolvia mais do que simplesmente falar, envolvia perder o medo de sofrer. Regina precisava oferecer mais do que estava fazendo. Começou a confabular com seus planos.


De tardezinha, combinou de levar Roland ao parque, e lá se encontrariam com Henry e Emma. Após caminharem por toda a extensão do lugar, pararam na relva, se sentando de frente para o lago enquanto os garotos brincavam de arremessar pedras na água um pouco mais adiante. Não houve sol naquela tarde, a propósito, estava começando a esfriar por conta do outono. Para manter as mãos quentes as duas brincavam de roçar seus dedos uns nos outros até os unirem de vez de um jeito que os garotos não pudessem ver toda vez que se viravam para dar tchau para as duas.

Regina aproveitou a ocasião para lembrar a namorada de um detalhe:

— Seu aniversário está chegando. O que quer de presente?

Emma teve um estalo. Tinha se esquecido completamente daquela data.

— Bem, eu não sei. Eu já estava me esquecendo que ia fazer aniversário.

— Esquecendo do próprio aniversário?

— Na minha idade não é muito agradável lembrar quantos anos vou fazer. — disse Emma coçando a testa.

— Trinta e seis. — lembrou-lhe Regina.

Emma a fitou de um jeito engraçado.

— Obrigada por me lembrar. — penteou dos cabelos soltos com a outra mão e voltou a olhar para ao garotos. — Eu não sou muito fã desse número, trinta e seis... Foi com essa idade que o Neal morreu.

— Você não me fala muito sobre ele. Como ele era?

— A melhor pessoa que já conheci. Me fazia rir todos os dias, era meu melhor amigo. — dizia. Regina estava atenta ouvindo ela. — Às vezes ele me lembrava meu pai, sempre disposto a fazer de tudo por mim e pelo Henry.

— Você gostava mesmo dele. — disse a morena prestando a atenção na namorada.

— Muito, mas foi melhor ter nos deixado. Ele sofreria muito se fosse tratar a doença.

— Às vezes o que achamos ser o pior é a melhor solução. — falou a morena muito certa das palavras. Viu o canto do rosto de Emma notando seus olhos marejados. Quis tanto abraça-la naquele momento, mas não podiam em público, não como ela queria, muito menos à vista dos filhos. A loira se pôs de pé abruptamente, batendo nos resquícios de relva que restaram em sua calça jeans. Regina fez o mesmo em seguida tocando em seus ombros para virá-la para si. Então disse: — De onde ele estiver ele está olhando para você e o Henry, e ele está feliz, sabe por quê?

— Não. — Emma balançou a cabeça.

— Por que existe alguém aqui que te ama.

Emma não conteve o sorriso singelo com a pequena insinuação nas palavras da morena. Assentiu.

— E tem me feito muito feliz também.

Regina retribuiu o sorriso de uma forma mais calorosa. Se atreveu a tocar o rosto da amada, roçando as costas dos dedos em sua bochecha. Se estivessem sozinhas se beijariam, mas não era uma urgência, teriam ainda muito tempo para isso.

Passados quinze dias, Regina organizou entre os colegas da construtora, uma festa surpresa para Emma no dia de seu aniversário.

Estavam na sala de conferencia quando a arquiteta apareceu acreditando se tratar de uma reunião em pleno final de expediente. E foi um baita susto o que ela levou quando deu de cara com toda a empresa reunida a sua espera em volta da mesa que tinha de tudo menos papéis dessa vez. Até o bolo com “Feliz Aniversário” gravado em cima a surpreendeu. Belle acertou, pois foi quem o escolheu e veio à construtora especialmente para ver a amiga. Não gostava do clima de negócios em que o marido e a melhor amiga trabalhavam. Aquilo definitivamente não era do seu feitio, mas naquela ocasião aceitou assim que Regina a ligou avisando da surpresa que estava preparando.

Mesmo tendo pouco tempo de trabalho na empresa, Emma havia feito boas amizades. Todos fizeram questão de ir cumprimenta-la. Belle, obviamente já havia tido seu tempo de papo com a amiga, porém, percebia algo muito inusitado acontecendo; Emma estava sempre perto de Regina, eram como ímãs, se atraiam onde iam. Percebeu aquilo desde a última vez em que as recebeu na sua casa quando ambas sumiram em pleno temporal e só voltaram horas mais tarde com desculpas esfarrapadas. Belle já havia sido mais inocente. Toda vez que se olhavam, a senhora Gold franzia a testa, vagamente incomodada. Tirando esse fato, Emma se divertiu com a festa, e nem sabia que depois ganharia mais da namorada.

Tinham se encontrado num famoso restaurante italiano em North End para um jantar romântico. Quando Emma chegou, viu Regina a esperando de pé ao lado da mesa com um enorme e chamativo buquê de rosas vermelhas. Coincidentemente a mesma cor do vestido que Swan estava vestindo. Seus olhos brilharam para as rosas enquanto as tocava. Regina sempre soube que ela amava rosas. Além do mais, tudo estava extremamente romântico: o restaurante reservado só para elas, as velas na mesa, o vestido azul de Regina, a música italiana embalada pelos violonistas... Emma jurou que aquele seria seu melhor aniversário de todos os tempos.

— Você fez tudo isso para mim? — perguntou Emma, assim que se sentou na cadeira que a própria Mills puxou gentilmente para ela.

— Tudo. E a melhor parte ainda está por vir. — respondeu Gina com uma voz penetrante enquanto se sentava a frente da loira.

— Mais? — Swan indagou espantada. — O que está aprontando?

— Você vai ver. — Regina sorriu.

Um momento mais tarde, após a massa do jantar, o bom vinho tinto e uma conversa que nunca acabava, Mills estava ansiosa para lhe dar o maior dos presentes, o que havia separado especialmente para Emma e não podia contar até aquele momento. Muito decidida se levantou da mesa, fez um sinal ao garçom (algo que Emma notou) e estendeu a mão para a amada convidando-a para dançar ao som da música que acabara de começar com tom triste. Emma muito contente se levantou e a seguiu de mãos dadas até o meio do salão. Era incrível ver como o lugar estava vazio, inteiro só para elas, um momento só para as duas. A loira pousou as mãos em seus ombros, Regina tocava em sua cintura. Começaram bem devagar. Fecharam os olhos sentindo o roçar das faces, os cheiros dos perfumes que usavam naquela noite, a música que levava nós às gargantas de ambas. Regina sabia que aquele era o momento.

Ela chamou o homem que estava mais próximo delas segurando em uma bandeja o último dos presentes que Emma receberia. Um porta joia de veludo escuro. Regina se desvencilhou pouca coisa da namorada para pegar a pequena caixa, oferecendo à Swan assim que fez seu discurso:

— Você vai me dizer que esse não é o momento para pensarmos nisso ou pensarmos em levar essa relação para outro nível. O que eu queria que você soubesse era que eu amo quando você diz se sentir tão feliz ao meu lado, amo quando você me abraça e me passa segurança, me olha e me beija como se fosse sempre a primeira vez. Se esse é o nosso recomeço, que eu faça direito desta vez. — Regina a olhava sem pestanejar. — Entenda como quiser o meu presente, mas para mim, ele é o que sela nosso compromisso de agora em diante. — foi quando Emma pegou o porta joia e o abriu com todo o esmero do mundo. Havia uma aliança ali dentro.

— Regina... — faltou ar para Emma. Ergueu seus olhos de volta para a morena e sorriu, nervosa, mas sorriu.

— Use, meu amor. — Gina pegou a fina aliança dourada e prateada e a colocou no dedo descompromissado de Swan. — Eu queria te dar o melhor presente de aniversário que pudesse. Exagerei?

Emma fez que não e olhou para a joia em sua mão se sentindo boba por corar demais.

— Não. Você não exagerou, você acertou...

E finalmente a abraçou, tomando os lábios de Regina em beijos urgentes de carinho.



Zelena terminava de atender a última paciente da manhã quando deu meio-dia.

Atendia em um prédio comercial no centro da cidade. O lugar era aconchegante, no andar mais calmo do edifício, a cobertura. Em seu consultório recebia em grande maioria mulheres com problemas afetivos em busca de uma conselheira amorosa ou apoio psicológico depois de algum relacionamento fracassado. Não era nenhuma Guru do amor e nem sabia de onde vinha sua fama quanto àquele tipo de assunto, mas costumava acertar quando aconselhava. Não foi diferente naquela manhã enquanto atendia uma senhora rica do East Boston que reclamava de suas frustrações quanto aos namorados que arranjava.

Zel, sempre muito amigável gastou tempo na despedida. E podia-se dizer que vinha daí sua fama de boa doutora. Assim que a mulher foi embora, já que não tinha secretária, decidiu consultar sua agenda. A próxima paciente viria apenas às quatro da tarde, então teria tempo para resolver seus assuntos se nada a atrapalhasse.

Já ia recolhendo suas coisas para sair quando ouviu a campainha do consultório tocar. Estranhou pois não tinha ninguém marcado para o horário do almoço. Quem seria? Talvez a senhora rica que esquecera de alguma coisa, pensou.

Largou sua bolsa e casaco que estava prestes a vestir, atravessou a sala chegando à porta. Logo que a abriu quase deu um salto para trás.

— Robin?! — disse olhando-o de pé parado bem ali.

Esperava ver o mundo inteiro, menos o ex-marido de sua prima.

— Oi, Zelena. — disse o homem com sotaque. Parecia ter algum problema pois estava abatido, mesmo trajando terno e gravata — Podemos conversar?

Zelena o olhou da cabeça aos pés. Ficou boquiaberta. Não dava para supor o que ele queria consigo.

Notas finais
Vale lembrar que Regina não deu um novo anel para Emma só para ouvir dela alguma declaração, acho que envolve até mais que as palavras apesar de que Regina vai questionar a loira sobre essa falha na comunicação entre elas. Robin indo visitar Zelena? Isso não me cheira coisa boa, ou é o começo de uma amizade entre eles dois? Falem tudo o que pensaram, pessoal. Quero agradecer as minhas fiéis leitoras e pedir pra você que gostou e quer mais dar aquele review nos comentários nem que seja um joinha dizendo se tá bom ou ruim, isso é muito importante pra mim, moças e moços. Até a continuação, fiquem bem.