Skin on Skin
24 Not good to keep promises.
Notas iniciais
Zel estava tão surpresa que mal conseguia balbuciar um sim para que ele entrasse. Assentiu, afastou-se na porta abrindo espaço para o advogado entrar e a fechou olhando as costas dele enquanto tentava imaginar os motivos daquela aparição repentina. Robin foi entrando, aparentemente perturbado com alguma coisa, tinha até olheiras pelo o que Zelena percebeu. Por mais que estivesse no horário do almoço, decidiu receber o ex-marido da prima, ainda mais, curiosa como era.
— Você quer se sentar, Robin? — perguntou a ruiva, mostrando-lhe um lugar. Um sofá bege de dois lugares.
— Obrigado. — disse ele enquanto se sentava no lugar indicado. — Eu não quero demorar. Espero não estar atrapalhando você, me desculpe vir nesse horário e por não ter marcado hora com você, mas eu preciso que me ajude.
— Não se preocupe — Zel fez um trejeito com a mão, depois cruzou os braços. Ainda estava um pouco longe dele. — Você queria conversar comigo, é isso?
— Sim, eu estou com um problema, que eu não sei se é problema, se é coisa da minha cabeça... Eu pensei que talvez você pudesse me ajudar. — ele disse.
— Que tipo de problema? — Zelena foi até a mesa atrás do bloquinho de papel onde anotava tudo.
— Ahm... Não sei se você vai entender o que quero dizer, mas, eu nem dormido direito tenho conseguido com uma coisa que descobri. — Robin fez uma pausa e a fitou. A psicóloga se aproximou fazendo barulho com os saltos do sapato ecoando pelo chão do consultório. Depois de engolir seco, ele continuou: — Há alguns dias Roland, lá em casa, me disse que Regina andava se encontrando com uma mulher no apartamento. — o homem coçou a cabeça, baratinado. — Que elas se viam com frequência, que eram amigas. O nome dela é Emma.
Zelena deixou o bloco de papel cair no chão quando ouviu aquilo. De pronto Robin se levantou para ajuda-la.
— Como? — ela indagou pegando o objeto antes.
— Isso mesmo que eu disse, Zelena. Meu filho me contou que Regina tem uma amiga.
Ela deu um risinho sem graça para ele.
— É esse o problema?
— Ainda não. Roland me disse também que viu uma coisa estranha no apartamento, num desses dias em que essa Emma estava por lá. — falou, abanando a cabeça como se não aceitasse o que estava pensando. — Acredita que ele me contou que viu as duas se beijando?
A ruiva o observava com cautela.
— É verdade?
— Foi isso que ele disse. Não com essas palavras mas do jeito dele. Não dá para acreditar que a Regina está fazendo isso. Não com Roland, não comigo. — Robin falou indignado.
— E você acha que isso é verdade?
— As crianças não mentem. Roland nunca mentiria para mim. Eu e ele temos um trato, ele sempre me conta o que acontece de diferente com a mãe dele.
Zel largou o bloco de papel de novo na mesa, voltando-se para o advogado.
— Você está chateado com isso?
— Não sei, não posso dizer porque não sei.
— Você está se sentindo mal, Robin. Dá para perceber. — afirmou a mulher fitando-o de olhos bem abertos. — Mas por que acha que isso é um problema? Vocês não estão separados?
Robin deu as costas para vagar pelo consultório, ficou agitado de repente.
— Separados apenas, não divorciados.
— Isso porque você não assinou os documentos do divórcio que a Regina pediu há dois anos. — lembrou Zelena.
Robin meneou a cabeça.
— Não foi porque eu não quis, Regina não estava pronta para se divorciar de mim, eu sabia disso. Eu sempre soube o que era certo para minha mulher, dei o tempo para ela sabendo que estaríamos juntos em breve. Mas isso agora me deixou completamente confuso, eu não consigo entender o que aconteceu com ela, logo quando estávamos tão próximos do retorno.
A psicóloga só ouvia chegando a uma triste conclusão. Robin ainda acreditava que Regina tivesse sentimentos por ele. Era um homem de personalidade fraca, dependente da relação com a ex-mulher. Além disso, pela forma como dizia ter certeza do que era certo para Mills, o advogado não parecia nada receptivo à ideia de uma separação definitiva. Ele aguentou até onde pôde, mas agora sabendo de Emma, não podia aceitar um absurdo daqueles.
— Robin, você não pode querer controlar a Regina. — falou a ruiva. — Se ela está em um novo relacionamento isso significa mais ainda que vocês dois não são mais casados.
— Não! Isso só pode ser curiosidade dela. Se Roland estiver certo, eu posso afirmar que Regina não está bem, ela não pode estar normal se isso for verdade.
— Você acha que Regina está tão louca que começou a namorar por curiosidade? — a pergunta de Zelena soou irônica. — É um grande preconceito você pensar assim, Robin.
— Não, ela se apaixonou por mim, ela me amava quando no separamos, não pode ser que de repente uma mulher apareça e ela decida namorar. Isso não está certo, entende, Zelena? — ele parou em um canto da sala, com as mãos enfiadas nos bolsos.
— Infelizmente, ela se separou porque não sentia mais nada por você.
— Não pode ser.
Ela se segurava para não contar o que sabia. Robin tinha uma noção errada sobre o passado da ex, conhecia apenas o que lhe foi contado pela mesma e ninguém dos que sabiam na família Mills ousaram em comentar qualquer coisa sobre o relacionamento com Emma na época da faculdade.
Zel não podia contar a verdade, não com Robin naquele estado. Estava pensando rapidamente no que lhe dizer a fim de aliviar a ansiedade do homem.
— O seu problema é que você ainda a ama e ela não corresponde mais. Por que simplesmente não a deixa e começa uma nova vida? Aqui mesmo em Boston, você acabou de retornar à cidade, é bem afeiçoado, tem uma profissão... Imagina quantas mulheres tão interessantes quanto você pode conhecer.
Robin ignorou completamente o conselho da psicóloga. Se voltou para ela com um olhar frio, tirou as mãos do bolso e perguntou direto:
— Você conhece essa mulher a Emma?
Ela deu um passo para trás, receosa encostou numa poltrona que ali havia.
— Não. — mentiu Zel. — Não faço ideia de quem seja.
— E se for mesmo verdade, o que você pensa? Ela está mesmo gostando dessa Emma?
— Se for verdade eu não creio que Regina esteja fazendo isso por curiosidade, ela sabe o que ela quer.
Zel soou tão convicta que Robin cerrou os punhos crendo muito na história que o filho o contou. Agora tinha certeza de que tinha perdido a batalha.
Sentido ele baixou a cabeça e pensou. Assumiu uma expressão chateada no rosto, não se sentia bem, até empalideceu. Zelena veio até ele preocupada e o fez se sentar de novo, mas ele não quis.
— E agora? O que eu vou fazer?
— Você simplesmente vai seguir, Robin. — disse a mulher tocando-lhe os ombros, solidária.
— Não sei como. E Roland? Ele acha que elas duas são amigas. Isso não pode ser bom para a cabeça dele.
— Regina saberá como falar com ele. E veja, nós nem temos certeza se o que ele viu é verdade.
Zelena o olhava bem de perto agora, estava sentindo muita pena daquele homem. Ela sempre o achou bonito desde a primeira vez em que o viu, porém, ele sendo namorado e logo depois marido da prima, não podia comentar. Tinha uma pontada de inveja da engenheira ter conseguido atrair alguém tão dedicado e apaixonado por ela. Queria algo semelhante para si, não precisava ser necessariamente ele. Nesse momento começou a entender a personalidade perturbada do homem, quis ajuda-lo.
O advogado assentiu sem fita-la, precisava ir embora. Saiu de perto dela, atravessando a sala cabisbaixo.
— Obrigado por ter me dado um pouco do seu tempo, Zelena. Eu acabei atrapalhando, mas você era a única pessoa próxima da Regina que poderia me confirmar o que eu precisava saber. Eu faço questão de pagar a hora, mande a conta para o meu escritório.
Ela fez que não.
— Essa fica por conta da casa, Robin. Eu só acho que você deveria voltar mais vezes, devia pôr para fora o que está sentindo, falar sobre isso.
O homem bufou insatisfeito. A forma como ela falou deu a entender que ele era alguém doente. Resolveu concordar por educação.
— Eu posso voltar qualquer dia desses. Obrigado de toda maneira.
Ele mesmo abriu a porta, olhou a ruiva uma última vez e saiu, mais abatido do que entrou.
No final daquela tarde, depois de deixar Henry na aula de karatê, Emma e Belle se encontraram em um Café onde a arquiteta gostava de ir para conversar com a amiga às vezes e saborear sua bebida favorita do lugar, chocolate quente.
Conversa vai, conversa vem, Belle pegou a pasta portfólio de Emma sem cerimônia alguma a fim de ver os trabalhos da loira, em especial os desenhos que achava o máximo. Swan tinha muito talento, sempre lembrava. E ver aqueles rabiscos tão realistas sempre a impressionou também, e Emma sabia que ela não era a única a ser fã do seu trabalho. Regina disputava bem aquela posição de fã número um.
— Emma, esse aqui não é o shopping que estão construindo na ilha? — perguntou Belle, segurando a folha enorme nas mãos enquanto olhava encantada. — É idêntico.
— O primeiro projeto do shopping era do Jones. Robert pediu que eu desse meus retoques, o que você acha?
— Ah, é incrível, eu sou suspeita para falar de tudo o que você faz. — Belle virou a folha, depois pegou outra na pasta, olhou. Franziu a cara, invocada com uma coisa. — Quem é esse menino? — perguntou, virando a folha para a amiga ver. — Ele não me é estranho, não é o Henry.
Belle mostrava um desenho de Roland que Emma havia feito dias antes e que misturou com seus projetos na pasta de trabalho. Swan imediatamente o pegou. Era uma folha menor, lisa. O rosto do garoto sorridente de cachinhos escuros estava inacabado mas parecia perfeito.
— É o Roland, filho da Regina.
Belle fitou a loira, fechou a pasta e voltou a beliscar o Donut que havia pedido antes. Chegou a falar de boca cheia, um tanto enciumada:
— Vocês duas estão bem próximas ultimamente.
— Quem? Eu e Regina?
— É, vocês duas. Ficaram amigas?
— Sim, nós nos damos muito bem, trabalhamos juntas o tempo todo, acabou que ficamos amigas. — Emma guardou o desenho na pasta, olhou a caneca que tinha à mesa para disfarçar e disse: — Ahm, acho que vou pedir mais chocolate quente...
— Emma — chamou Belle.
Swan a olhou de súbito.
— Que foi?
— Você não vai me contar nada? Vai mesmo deixar sua melhor amiga sem saber?
— O quê? — Emma se fez de desentendida.
— Eu sei que tem alguma coisa acontecendo com você. — Belle pousou os braços na mesa. — Vamos, pode dizer.
— Como? Não estou entendendo. — Swan desviou os olhos atrás de uma garçonete, assim que achou uma ergueu a caneca. Aquilo ainda era uma tática para fugir das perguntas da amiga.
— Vai, Emma, fala. O que você e Regina estão fazendo juntas que não posso saber? Por um acaso você me trocou por ela? Agora ela é sua melhor amiga?
— Não seja infantil, Belle. Não é nada disso. — Swan corou de repente.
— Emma, eu vi como você e a Regina estavam conversando na sua festa de aniversário. Quando você chegou a empresa não parecia muito contente com ela por perto, Robert me disse. E aquele dia lá em casa? O que foi aquilo? Que desculpa mais esfarrapada, hein? — Belle chegou a rir de leve. — Se não há alguma coisa eu estou ficando neurótica então, mas que parece, parece.
— O que você está sugerindo? — Emma então a olhou nos olhos.
A princípio a amiga travou para dizer, mas conseguiu.
— Parece que vocês duas são... são namoradas. — disse a moça em tom de brincadeira.
Emma se contorceu na cadeira. Seu novo chocolate quente chegou e assim que a garçonete saiu de perto a loira fitou a melhor amiga muito séria com seus olhos esmeralda brilhando mais do que o comum.
— Será que eu nunca vou conseguir esconder alguma coisa de você? — não ficou nada feliz em precisar contar, contudo, era justo com ela que sempre lhe deu forças e apoio. Confiava em Belle o suficiente para abrir o jogo com ela. — Não parece que somos namoradas, nós estamos juntas sim. — a loira afirmou, encostando os dedos na caneca.
Belle arregalou os olhos, achou que era mentira.
— Emma, eu estava brincando, só disse que pareciam... Você não pode estar falando sério.
— É verdade. Eu e Regina estamos juntas. — Swan afirmou novamente.
A senhora Gold olhou para a amiga meio que estarrecida.
— Então é isso? Vocês duas são namoradas?
Swan fez que sim lentamente.
— É isso sim.
— E quando isso começou?
— Nós nos conhecemos há muito tempo atrás, mas só estamos juntas agora. Foi algo repentino, com esses trabalhos que fazemos juntas acabou acontecendo. — disse Emma, contando uma meia verdade.
Boquiaberta a amiga ficou mais vermelha que a loira e olhou para seu prato de Donut começando a absorver a informação.
— Eu não sabia que você conseguia se relacionar com mulheres também... — fez um gesto com a mão. — Você nunca me contou.
— Achei que não era bom falar sobre isso e também foi há tanto tempo.
Belle, por fim acabou achando sua reação engraçada e riu de si mesma. Voltou a encarar a amiga, só que agora de outra forma mas nem por isso deixou de gostar dela, não tinha preconceito quanto àquilo.
— Que surpresa. Uma grande surpresa. E olha, eu não quero que pense que tenho qualquer coisa contra, eu só não esperava que a Regina também fosse assim... quero dizer, diferente... é... — Belle se atrapalhou — que vocês duas tivessem essa habilidade.
Emma riu de leve.
— Não precisa se explicar e, não é uma habilidade o que temos, isso já veio conosco.
— Interessante. — Belle ainda estava admirada. — E você gosta dela? Da Regina?
Swan buscou o ar. Pensou em dizer uma coisa mas resumiu da seu jeito.
— Até demais. — Emma estendeu a mão sobre à mesa, mostrando à amiga o anel que havia ganhado da namorada. — Ela me deu isso, presente de aniversário.
Belle segurou a mão da arquiteta olhando para o anel com ainda mais surpresa.
— É lindo, Emma... Vocês duas então... É mais sério do que eu pensava.
Swan assentiu.
— Mais do que eu pensava. — mordeu o lábio inferior
— E o Henry? E o filho dela? Eles já sabem?
— Não eles não sabem. Eles ainda são pequenos, é melhor esperarmos um pouco até dizer qualquer coisa.
— Entendo. — a amiga sorriu compreensiva. — E eu achando que você tinha arranjado uma nova melhor amiga. Bem que eu percebi que você tinha mudado um pouco. Anda mais falante ao telefone, não vai mais lá em casa, sempre está com os finais de semana ocupados... Me diz, pelo menos está feliz? Era isso que estava faltando na sua vida, minha amiga?
— Foi o que sempre faltou. — Emma disse entre um suspiro. Voltou seus olhos para a janela ao lado da mesa onde se sentavam. Um sorriso bobo mas ao mesmo tempo feliz entregou o que estava sentindo.
Belle não precisou ler seus pensamentos para entender que a amiga estava sim muito feliz. Tocou sua mão em cima da mesa e apertou num gesto de carinho e compreensão. Há muito tempo não a via daquela forma.
— Você contou à Belle sobre nós? — perguntava Regina se virando para a namorada que sentada no sofá parecia muito à vontade com um dos braços largado sobre o encosto.
— Ela praticamente descobriu. Não tinha como negar. — respondeu Emma.
Regina estava dividida entre se gostava ou não que Belle soubesse. No fundo, entendia que com o relacionamento se firmando com Emma, todos uma hora teriam de saber delas. Então, fez que sim para a loira e veio andando até ela se acomodando no sofá ao seu lado naquele horário tarde da noite em que vinham se encontrando. Swan a abraçou, prendendo-a firme com um braço, afastando os cabelos ligeiramente crescidos da morena de seus ombros com a outra mão.
— Ela é sua melhor amiga, você não poderia negar mesmo. — disse Regina. — Pensando melhor, é até bom que alguém além de nós duas e seus pais saibam. Em breve minha mãe vai voltar e vou contar para ela também. Meu medo é que de alguma forma nossa história afete Roland e Henry.
— É a minha preocupação também, especialmente agora que você está pensando em pedir o divórcio definitivo do Robin.
Regina sentia dor de cabeça só de lembrar dele.
— E eu vou, Emma. Quero viver a minha vida sem a sombra desse homem me rondando. — disse ríspida.
— Faça isso com calma, ele não tem te importunado como antes.
— Todo o cuidado é pouco. Farei isso logo, essa semana se possível. — disse Regina.
Depois de um tempo quietas, se alisando, Gina pegou a mão da namorada e olhou a aliança que havia lhe dado de aniversário. Sorriu pensando em como o relacionamento delas ia bem. Afinal, lutou tanto para aquilo dar certo desde quando Emma voltou para Boston.
Swan percebeu.
— Que foi? — perguntou bem baixinho.
— Nada, eu só estava me lembrando de algumas coisas, da gente.
— É mesmo? Que coisa da gente?
— Quando você voltou para cá, no dia em que te vi no casamento do Gold e agora aqui comigo. Evoluímos bem. — Regina falava em tom manso como o de Emma, virou o rosto pouca coisa para poder beijá-la e roçar o nariz no dela como adorava fazer.
— Você gosta de se lembrar disso? — perguntou Emma depois do beijo.
— Gosto de lembrar do quanto te amo e de tudo o que tive de fazer para que você entendesse isso. — Mills se virou novamente procurando os lábios dela. — Demorou, mas eu consegui.
Emma a fez esperar um pouco.
— Espera. — colocou um dedo entre os lábios da morena. — Por que diz que demorou se sabia que seria difícil.
— Porque eu estava ansiosa. — nesse momento a morena se desvencilhou dos braços dela para olhar em seus olhos. — Como você acha que eu estava me sentindo sabendo que eu estava tão próxima de você? A pessoa que eu mais amei na minha vida.
Emma desviou o olhar.
— É, talvez como você mesma tenha dito, ansiosa. — balbuciou.
Gina segurou seu queixo e fez ela olhar na sua direção novamente.
— E você? Como se sentia? — perguntou na esperança de ouvir a melhor resposta.
A loira suspirou.
— Confusa. Bem confusa. Mais do que você em algumas vezes.
A conversa não estava deixando Swan muito à vontade. Levantou-se repentinamente caminhando até a sacada do apartamento com as mãos no rosto que esfregava, afastando os cabelos para trás em seguida.
— É, eu sempre me confundi muito e acabei fazendo você sofrer por conta disso um dia. — Regina disse em tom de lamento. Acabara de quebrar a promessa de não falar do passado. Aquilo veio espontâneo, algo que ela queria muito resolver de uma vez por todas. — Fiz você morrer por dentro uma vez e, nunca vou me perdoar por isso, e talvez você nunca me perdoe por isso. — Emma a olhou por cima do ombro. — É por isso que você nunca vai conseguir dizer que me ama apesar de eu saber que você me ama e muito.
— Convencida. — murmurou Emma de novo.
Regina se levantou.
— Sabe qual é o meu maior desejo agora? Ouvir isso da sua boca. — chegou nela e tocou em seus ombros. — Mas eu não quero que seja algo forçado, não quero que pareça uma suplica, eu não vou me humilhar pedindo isso todos os dias, toda vez que te encontrar.
A loira precisou fechar os olhos. Sentia um forte nó na garganta.
— Acho que você descumpriu a sua promessa. — falou tentando se recuperar.
— Eu nunca fui boa em cumprir promessas. — Regina falou, apertando os dedos na roupa da namorada. — Me perdoa, meu amor. Talvez a única que eu consiga cumprir até hoje é a de te amar. — Mills engoliu em seco, foi quando a loira se virou para ela. — Essa promessa ninguém tira de mim.
Swan segurou seu rosto e passou algum tempo a olhando de um jeito pesaroso, nem por isso apaixonado. A puxou para um abraço forte. Sentia que Regina ainda tocaria muito naquele assunto com ela a partir de então, mas por ela, enfrentaria as tristes recordações. Talvez enfrenta-las fosse sua salvação para esquecê-las definitivamente.
Apertou seu corpo contra o dela, os olhos estavam cerrados, o nó na garganta ia e vinha cada vez mais forte. Tentava falar:
— Eu sei que não recomeçamos por um acaso... Se você não tivesse insistido o meu orgulho jamais me permitiria. Você me venceu, você conseguiu me trazer de volta para sua vida e por mais que eu tentasse não poderia evitar de pensar em você... Você entende o que isso quer dizer? Sim, você sabe... Eu... eu te...
De repente a campainha soou no apartamento.
Elas tomaram um susto, olharam ao mesmo tempo para a porta.
— Quem deve ser a uma hora dessas? — perguntou Regina soltando-se de Emma para ir até lá. Regina atravessou a sala do apartamento e viu pelo olho mágico quem era. Não quis abrir. — Vá para o meu quarto. — sussurrou para Emma. — Não posso abrir a porta com você aqui.
— Quem é, Regina?
— Vá Emma, depressa, eu te chamo quando ele for embora. — pediu a morena outra vez.
Emma acabou assentindo e entrou.
Depois de a campainha soar novamente, Regina abriu a porta para quem menos queria ver naquela noite, o ex-marido.
— Oi, Regina. — disse ele assim que a viu, com cara de poucos amigos.
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