Skin on Skin
18 We're Girlfriends.
Notas iniciais
Aquele quarto de hotel testemunhara mais do que um simples encontro entre duas ex-namoradas. Não se tratava de uma reconciliação, era um novo relacionamento, porém, seria tão quente e intenso quanto o da juventude. Antes de tudo, se amavam e isso vinha dos velhos tempos, foi o que sobrou daquela época que Swan queria esquecer.
Um lençol cobria a nudez de ambas mulheres exaustas. Tiveram uma longa noite cheia de paixão, promessas e palavras de amor. Regina adormecia sobre os seios de Emma e esta, por sua vez, abraçava o corpo da morena como algo muito valioso que não pudesse deixar escapar.
Gina despertou, coçou os olhos com os dedos dando-se conta de onde estava. O cheiro que sentia era uma mescla do seu perfume com o da amada. Logo sorriu ao erguer a face e vê-la dormir tão em paz assegurando seu conforto naqueles braços compridos e fortes. Os cabelos dourados bem macios deitavam-se sobre a pele da face, logo sendo postos de lado pelos dedos que amaciavam as bochechas de Emma enquanto dormia. O carinho fez Swan acordar e gemer baixinho de preguiça, o que fez Regina sentir vontade de sorrir. Elas se tocaram depressa, uma a face da outra, com as mãos deslizando pelo queixo e nuca até que ficassem apenas no roçar dos narizes. Um namoro gostoso começou outra vez. Gina cobria Emma com seus braços, tocando-a com delicadeza as costas, e seus corpos por debaixo do mesmo lençol se grudaram depois de terem rolado duas vezes na cama.
— Bom dia — a morena sorriu, selando a pontinha do nariz de Emma.
— Bom dia. — respondeu com a voz ainda rouca do sono.
Não conseguiram resistir a um beijo nos lábios. Se apertaram e se aconchegaram ainda mais.
— Dormiu bem? — sussurrou Regina.
— Melhor impossível.
Gina suspirou apaixonada, entrelaçando os dedos novamente nas mechas loiras.
— Eu acho que ainda estou sonhando.
Emma sorriu e disse sensualmente:
— Daqui para frente suas noites comigo serão puro sonho.
— Humm... além de romântica você é muito convencida, sabia?
— De vez em quando.
— Gosto assim.
Sussurravam, se olhavam. Depois de alguns minutos naquilo, as duas sabiam que não podiam demorar mais. Amanhecia e logo precisariam voltar para casa.
— Está na hora de irmos? Eu não quero ir embora. — disse Regina, em tom de lamento.
— Eu também não, mas eu preciso e acho que você também. — Emma olhou o relógio na cabeceira da cama, flexionou sua coxa entre as pernas lisas de Regina.
— Quando vamos repetir? — perguntou a morena.
— Quando você quiser...
Antes que pudessem falar mais, prolongaram um pouco tudo o que viveram na noite anterior. Fizeram amor de novo, demorando até mais do que se esperava.
— Eu sei que está muito bom, mas se você não parar eu não vou conseguir sair... — tentava falar Regina aos risos, tendo o corpo coberto por beijos depois do sexo.
— Eu não tinha mesmo a intensão de parar — disse a loira retornando debaixo do lençol sobre Gina. — , nem um pouco. — e riram.
Swan então deslizou do corpo de Regina, saltou da cama deixando a namorada entre os travesseiros. Andou nua até uma poltrona onde seu vestido ficara e o colocou de volta ao corpo. Mills observou o corpo esbelto da amada se afastando com admiração. Ela ficara muito mais bela com o tempo, pensava. Diferente da juventude, Emma havia ganhado peso que distribuía-se muito bem pela altura que tinha, não era nem de longe a moça magricela que gostava de se vestir em roupas de garotos. Regina em seguida se desfez do lençol e travesseiros para caminhar até Swan, virando os ombros da arquiteta para si.
— Quero que a noite de ontem se repita muitas vezes.
— Eu prometo para você que faremos sempre. — Emma tocou em sua face.
— Mesmo?
— Com certeza. — selou-a uma última vez demoradamente, depois perguntou: — O que acha de me ver hoje à noite de novo?
Regina dedilhava as maçãs do rosto da loira enquanto pensava.
— Onde? Aqui?
— No meu apartamento. — sugeriu Emma.
— Mas e o Henry? Ele vai dormir de novo na casa do amiguinho dele?
— Não, ele estará comigo. Leve o Roland, assim eles podem brincar bastante.
Ela riu-se animada.
— Sabe que não é má ideia?
— Então... Espero você mais tarde... Quero dizer, vamos ficar esperando vocês.
— Nós iremos. Vou passar o dia com ele e depois vamos para lá. Sabia que ele gosta muito de você? — Regina enlaçou os braços nos ombros de Emma como de costume. — Ele fez um desenho uma vez.
— Um desenho? — Emma perguntou, surpresa.
— Sim, um desenho, eu, você, Henry e ele no parque, daquela vez que nos encontramos.
— Ah sim, eu me lembro. — e se lembrava de fato, pois logo após aquele encontro elas tiveram um momento particular no elevador da empresa, como esqueceria? — Que bonitinho.
— Meu filho é lindo, pelo menos ele puxou mais a mim que ao pai dele. — Gina disse em tom de deboche para depois rir. Rápido, elas mudaram de assunto antes de irem embora. — Estou feliz que vou te ver de novo hoje.
— Como se a gente não se visse todos os dias na empresa.
— Lá é onde trabalhamos, não é muito confortável. A cada dia que passa eu sinto que preciso de você mais perto.
— Você tem razão, na empresa nunca vamos nos sentir à vontade.
— Mas apesar disso, há um lado bom em trabalharmos no mesmo lugar. — Regina soou pretenciosa.
— O quê?
— Posso ficar de olho em você sempre.
Swan achou graça daquilo. Abriu um sorriso doce e a agarrou pela cintura erguendo-a num abraço forte.
Tudo aquilo estava muito bom. Elas mal acreditavam no que acontecera e Regina ainda era grata pelo temporal que pegaram na tarde em que se encontraram na propriedade Gold. Era tudo o que precisava, um amor, o seu amor de volta. Começava a pensar que a felicidade voltava para sua vida depois de tanto tempo, por isso, quando saíram do hotel naquela manhã, fez muitos planos. Regina esperava que Emma estivesse sentindo o mesmo e até então deu todos os sinais, contanto que não tocassem em sua ferida: o passado.
Como combinado, á noite, Regina foi ao apartamento de Emma, acompanhada do filho pequeno. Swan o Henry os esperavam para o jantar. O garoto pediu à mãe que fizesse suas tradicionais pizzas, animado porque veria novamente a amiga que a propósito devia-lhe uma partida de xadrez.
Quando chegaram, Emma os recebeu com um bonito sorriso disfarçando sua vontade tremenda de abraçar Mills. Deviam ser discreta na frente dos meninos, então, quando os dois se viram e se cumprimentaram com um daqueles apertos de mãos de garotos, as duas aproveitaram para trocar olhares e beijos nas bochechas.
Emma logo pegou o pequeno Roland no colo, dando-lhe um abraço carinhoso. O menino era uma gracinha, e a loira ficara encantada com ele desde o dia em que o conheceu no parque. Ele gargalhou muito doce quando a loira fez cócegas debaixo de seus braços, para o deleite de Regina que simplesmente amou a sintonia entre a namorada e o filho.
Despois do jantar, Regina e Henry disputaram algumas partidas de xadrez, até a morena perder propositalmente para o garoto poder ganhar uma vez. Regina era muito boa no jogo e apensar de Henry gostar muito, não era páreo. O garoto quase suava quando deu o xeque mate na engenheira e vibrou muito por conta disso.
— Ganhei! Ganhei!
— Até que enfim, hein, garoto? — disse Emma entre risos, sentada no sofá.
— Nossa, Regina, você é muito boa no xadrez, venceu de mim três vezes. — falou Henry.
— Eu pratico muito. — Mills piscou para ele, foi se levantando do chão onde havia sentado com Henry.
— Hum... E o Roland sabe jogar também?
Todos olharam para o filho de Regina que tomava refrigerante de um copo muito grande para seus minúsculos dedos.
— Ele ainda tem que aprender, é um jogo difícil para ensiná-lo agora, ele ainda é novo. — Mills explicou se sentando ao lado dele no sofá.
— Eu acho que o Roland já poderia ir aprendendo desde pequeno. O Neal ensinou xadrez ao Henry quando ele tinha seis anos. — Emma completou.
— Por isso eu sou tão bom e ganho sempre da minha mãe. — debochou o menino, guardando as peças e o tabuleiro.
— Mas pelo visto não é melhor que a Regina. — replicou Swan.
Todos riram.
— Mas eu vou treinar muito e ficar tão bom quanto ela, você vai ver. — resmungou Henry.
—Treine bastante mesmo porque vou ensinar ao Roland e assim seremos nós dois contra você. — provocou Regina.
Emma riu um bocado da cara que o filho fez, o menino Roland também pareceu gostar da ideia. Em um breve momento, Mills e Emma trocaram olhares. Havia passado algum tempo e estavam ansiosas para ficarem sozinhas, então, Swan sugeriu:
— Filho, por que não leva o Roland para jogar vídeo game com você lá no quarto?
— Boa ideia! — Henry finalmente levantou-se do chão e puxou o outro menino pela mão. Roland entregou o copo de refrigerante completamente vazio para a mãe e pulou do sofá caminhando com o amigo maior na direção do quarto.
Agora elas estavam sozinhas de fato.
Regina praticamente saltou de um lado ao outro do sofá de Emma se aproximando dela. Houve um abraço forte, mas bem confortável. Uma coisa estava óbvia: viviam um típico início de namoro. Aquele desespero aparente, a necessidade de precisarem sempre se ver e se tocar. Sempre que se esbarravam ou se olhavam, estremeciam, a pele se arrepiava e coravam além da conta. Parecia pura novidade, e estavam gostando muito da sensação.
Gastaram algum tempo se alisando. Regina contou sobre os planos que tinha de viajarem juntas com as crianças quando estivessem de férias. Emma até se animou, mas foi um pouco cética ao dizer que ainda era cedo para pensarem naquilo.
— Prometo pensar com carinho sobre isso, ok? — disse a loira, entrelaçando os dedos nos dela. — É que acabamos de começar isso que ‘tá acontecendo, esse nosso namoro...
— Espera. — interrompeu Regina. — O que foi que você disse?
— Eu disse que vou pensar com carinho na viagem.
— Não, depois, o namoro. Você disse namoro.
— Sim, eu disse namoro. — Emma assentiu, olhando firme para a morena.
— Isso é sério? A gente está namorando?
— Sim, nós estamos ou não estamos e eu não sabia?
Regina mordeu o lábio inferior ao mesmo tempo que sorria.
— Estamos namorando, é que eu adorei ouvir de você.
— Bem, eu na verdade não te fiz o pedido e depois do que passamos...
— Shh, shh... — interrompeu Regina, outra vez tocando com um dedo sobre os lábios de Emma. — Não, não precisa explicar, está mais do que claro que estamos juntas e quando isso aconteceu. Eu estou tão feliz. — ela disse, pegando a loira pela nuca.
— Eu também ando me sentindo muito bem.
Emma chegou o corpo para frente e olhou para o lado, certificando-se de que nem um dos meninos estivesse por perto, e então a beijou calorosamente. Regina chegou a ficar sem ar.
— Droga, Emma! Quisera estar naquele quarto de hotel. — disse, arfante, bem baixinho.
— Nós vamos voltar para lá qualquer dia desses, eu prometo pra você. — disse a loira de forma bem humorada. E decerto riram.
Ficou tarde, Regina devia voltar com Roland para casa, pois o pequeno dormia cedo. Antes de ir, quis terminar a conversa.
— Acho que poderíamos fazer isso mais vezes, se divertir com os meninos, brincar com eles. Às vezes acho que Roland é tão solitário.
— Também penso a mesma coisa sobre o Henry, se bem que ele tem muitos amigos no colégio. — comentou Emma.
— Pois é, eu deixo ele ir brincar na casa dos meninos da turma dele também, mas já pensou se Henry e ele fossem melhores amigos?
— Já. Seria muito interessante. — Emma sorriu. — Não duvido que aconteça, eles já estão se dando bem agora, imagine daqui para frente... — fez uma breve pausa. — Que tal voltarem na semana que vem?
— Você quer que a gente volte?
— Quero e prometo não fazer tantas pizzas como fiz hoje. — a loira riu-se.
— Ah é? Pois trate de fazer menos mesmo se não já, já você vai ter uma namorada gorda. — riram ainda mais, se abraçando no final.
Em seguida, Roland apareceu por pouco não vendo os carinhos que as duas mulheres trocavam. O menino veio do quarto de Henry, coçando os olhos de sono e chamando pela mãe. Regina o pegou no colo fazendo sua cabecinha encostar no ombro direito, o menino adormeceu em poucos segundos. Emma também se ergueu do sofá, tocando na cabeleira encaracolada de Roland, e daí, se despediram.
Gina tinha toda a intenção de fazer daqueles encontros uma rotina aos finais de semana. Aceitou visitar o apartamento dos Swan sempre que pudesse e começou a pensar numa forma de levar Emma e Henry a sua casa também, contudo, Cora estaria presente e pela impressão que teve da última vez que tocou no assunto “Emma Swan”, a matriarca Mills não estaria muito contente.
Ao chegar em casa naquela noite, Regina pôs o filho na cama, trocou suas roupas por um pijama e o cobriu com cuidado mesmo sabendo que o sono dele era tão pesado quanto um caminhão. Fechando a porta do quarto de Roland, Regina olhou para a porta no final do corredor, o quarto de sua mãe. Tudo estava em absoluto silêncio, ela já devia estar dormindo ou saíra e ainda não havia voltado. Depois dos últimos episódios, não estava se importando nem um pouco com o que a mãe faria. Pensava que se a mulher quisesse gastar todo o dinheiro que tinha, que gastasse e não sobrasse nada, não iria bancar o vício. O grande problema era que o vício de Cora custaria mais caro do que todo o dinheiro que tinham.
Foi até a cozinha buscar um copo de água que gostava de deixar ao lado da cama durante a noite caso sentisse sede, porém na volta, o telefone tocou. Regina estranhou que a ligassem naquele horário, nem Emma a ligaria tão tarde, e muito menos para o telefone residencial, sempre que se falavam era por celular. Tentando não pensar numa notícia ruim sobre a mãe ou qualquer pessoa conhecida, a morena atendeu, esforçando-se para tornar a voz mais casual possível:
— Alô?
— Como vai, senhora Mills? — era uma voz masculina, com sotaque, pensou que fosse Robin, mas não era ele, as poucas palavras soaram sinistras.
— Quem está falando? — perguntou receosa.
— Não importa quem está falando — disse a pessoa rispidamente — Ouça bem o recado — de repente, Regina sentiu um estranho calafrio.
— Quem é você? O que você quer?
— Tome cuidado. Nós estamos de olho em você e na sua família. Se você falhar, vamos tomar uma coisa que vale mais do que a dívida que tem conosco.
— Como é que é?! — perguntou abismada. — Você só pode estar brincando! — a linha ficou muda, o homem desligou antes que Regina desse conta.
A morena segurou o telefone nas mãos sem entender o que acabara de ouvir. Do que ele falava? Foi muito rápido, talvez fosse um engano, mas ele dissera seu nome. A cabeça da mulher estava confusa. De que dívida ele falava? Será que escutou aquilo mesmo? Eram tantas coisas que pensava que deixou o aparelho cair no chão.
Naquele exato minuto, Cora chegou no apartamento, vendo sua filha de pé no meio da sala. Como suspeita de Regina, ela havia saído para jogar. Estava toda arrumada e cheirava a cigarro quando fechou a porta cautelosamente. Não esperava que a filha estivesse ali, por isso a mulher mais velha desconfiou que levaria uma bronca.
— Regina? — chamou Cora, abrindo bem os olhos enquanto rodeou os móveis da sala.
A morena virou-se decentemente para a mãe, olhou em sua cara e sentiu vontade de soca-la. Fez muito esforço para se conter. Deduzindo que a ligação que havia recebido era para Cora e não para si, Regina encheu-se de raiva para dizer:
— Se alguma coisa acontecer por causa do seu vício, eu juro que te interno!
— Regina! — fitava Cora assustada. — O que é isso? Do que está falando?
— Ora você não sabe do que eu estou falando? Não seja cínica. Tome vergonha na cara, Cora Mills! — gritou Regina.
— Calma, Regina, minha filha...
— Eu não sou sua filha! Não tenho mãe viciada!
Cora engoliu em seco.
— Eu juro pra você que se alguma coisa acontecer comigo ou com o meu filho, a culpa vai ser sua. Pague os seus cassinos e pare de jogar, por que se não, eu interno você!
Cora estava sem reação. Viu a filha passar ao seu lado muito aborrecida. Pela primeira vez sentiu medo da reação que recebeu, porém, sabia que estava fazendo errado e não adiantava protestar.
Regina agora tinha certeza do motivo daquela ligação. Confundiram sua voz com a de Cora e havia uma dívida a ser paga. Nervosa, rompeu pelo próprio quarto batendo a porta e se jogando na cama, tentando se acalmar. Suspirou umas três vezes antes de decidir trocar de roupa e ir dormir. Não seria fácil pegar no sono, contudo, depois de passada a raiva da mãe, concluiu que Cora tomaria uma providência. Infelizmente, não seria o caso. A engenheira era ingênua de achar que sua mãe resolveria o assunto tão depressa. Mesmo com a pompa e pose que sempre teve, Cora era uma mulher covarde e egoísta, certamente, depois do susto, esqueceu da bronca que levou.
Na terça à tarde, Regina deixou a Gold & Mills no final do expediente, indo buscar o filho na escola do menino. Todas as terças e quintas combinava de ir busca-lo aproveitando que saía mais cedo da empresa naqueles dias da semana. Mas nos últimos dias em especial, proibiu a mãe de levar o menino para casa só de castigo para a mulher pelo o que vinha fazendo e pelo medo que sentia da velha senhora dar algum mal exemplo de seu vício para o menino enquanto estivessem sozinhos na rua. Estacionou seu Lexus pouca coisa distante do portão de entrada, vendo o imenso prédio que ocupava um quarteirão inteiro do South Boston, do outro lado da rua.
Assim que chegou à entrada se enfurnou no meio da aglomeração de pais e crianças que saiam do lugar, entrando pelo colégio até um corredor no primeiro andar, ali ficava a sala onde Roland estudava. Gina chegou à sala, vendo o recinto completamente vazio, nem a professora estava mais ali.
Regina voltou o caminho todo, procurando pelo filho ou alguém que lhe dissesse onde o menino estava. No parquinho viu alguns garotos mas nenhum deles era o seu, na cantina também não o achou. Onde Roland se metera? Gina começou a ficar preocupada. A escola estava quase vazia. Se o pequeno estava se escondendo, pregou uma peça de muito mal gosto na mãe. Foi então que a engenheira voltou à entrada e perguntou ao porteiro que por sinal a conhecia:
— Oi, a turma do meu filho? Todos já foram? A que horas saíram?
O homem se virou para ela e sorriu amigavelmente.
— Ah, senhora Mills, está procurando o menino Roland? Ele já foi. Foi com o tio dele. — respondeu.
— Co...co...como? — gaguejou Regina.
— Isso o tio dele, o homem que veio busca-lo, disse que era tio dele.
— Espera... Você não está confundindo com o pai dele? — Regina ficando aflita.
— Não, senhora. O homem que foi com ele era bem mais velho, disse que tinha sua permissão para buscar o garoto.
— Como assim minha permissão? Roland não tem um tio! — assustou-se.
— Bem, ele disse que conhecia o menino, não parecia má pessoa.
— Quem era esse homem? Minha mãe por um acaso estava junto? Quem o levou? — franziu as sobrancelhas em seguida arregalou os olhos, alguém havia levado seu filho e ela não sabia quem era. Ela agarrou os braços do porteiro e o olhou atordoada. — Pelo o amor de Deus, o que foi que aconteceu? Quem levou o meu filho?
— Calma, senhora Mills. — ele a segurou. — Eu não sei, eu deixei que o menino fosse com o ele e o menino foi, ele disse que era um tio dele.
— Não... Não é verdade! — contestou, atônita. — Meu filho, não!
Regina recuou aterrada, cobrindo a boca com a mão.
— Senhora Mills, está se sentindo bem? — o homem perguntou.
Ela não estava bem. De súbito aquilo pareceu-lhe algo muito ruim. Balançou a cabeça em negação e olhou em todas as direções, entrou em desespero. De alguma forma veio-lhe a cabeça a ligação que recebeu no final de semana, será que tinha a ver com o que o homem dissera?
Seu celular tocou e imediatamente o tirou do bolso do blazer, fazendo malabarismo para não deixa-lo cair da mão.
— Alô?
— Regina Mills? Nós estamos com o seu filho. — era a mesma voz sinistra com sotaque. — Você tem setenta e duas horas para pagar a dívida da sua mãe, caso contrário, o menino já era. — Regina escutou um barulho do outro lado da linha, era a risada do filho. — Diz oi para a mamãe. — o homem pediu e Roland o fez.
Só então Regina se deu conta do que estava acontecendo. Boquiaberta, segurando o celular, de repente o mundo a sua volta parecia desabar.
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