Skin on Skin

19 Saving Roland.


Notas iniciais
Olá, queridas. Como vocês podem prever, o capítulo de hoje vem cheio de tensão. Eu creio que será um dos mais emocionantes da fanfic e se não for vocês podem descer a lenha em mim, o.k? Falem tudo o que pensam. Uma dedicatória especial a quem comentou no último capítulo e mais uma vez à Sappho que me dá sempre uma luz quando estou travada para escrever. Façam uma boa leitura.


Regina jamais passou por tal situação. Teve a sensação de que levara um tremendo choque elétrico. Foi uma verdadeira batalha consigo mesma para não gritar.

Ainda segurava o telefone enquanto a voz misteriosa do outro lado da linha terminava:

Você entendeu bem, não entendeu? Setenta e duas horas, e não pense em chamar a polícia ou pegamos sua querida mãe também.

— Não faça nada com o meu filho... — ela disse entre os dentes.

Oh não, não faremos nada ao garoto, basta você pagar os trinta mil dólares que sua mãe deve. Conosco funciona dessa forma, você nos entrega o dinheiro e o garoto volta intocável. Agora, se não fizer como mandamos, pode pensar em dar adeus ao menino. — do outro lado da linha Regina podia escutar a voz do filho ficando distante.

— Não! — Regina disse, fechando os olhos, apertando-os severamente, tentando não pensar na pior das hipóteses.

Pois então, Regina, fique sossegada enquanto ainda é tempo de arranjar a quantia. Nós iremos esperar pacientemente. Garanto que seu filho estará bem até lá. Aguarde o nosso retorno com as instruções... e lembre-se, nada de polícia, se não, você já sabe. — depois disso a linha ficou muda.

Ela estava a um passo de desmaiar.

O porteiro da escola ficou tão aflito quanto. Perguntou-lhe o que havia acontecido e se poderia ajudar, mas ela não conseguia falar.

Voltando a si, Mills respirou fundo e ergueu a cabeça, virando-se para olhar o homem, irada.

— Você nunca mais vai ser porteiro de uma escola na sua vida! — disse com raiva, empurrando-o sem conseguir olhar mais para ele. Correu.

Mas em casa o problema era ainda maior. Ao chegar, não teve dúvidas. Somente uma pessoa era mais culpada que o porteiro.

Apressada rompeu pelo apartamento atravessando a sala, atrás da mãe. Furiosa, sentia um ódio fremente de Cora. Ela havia avisado que se algo acontecesse não iria perdoar. Aquilo não ficaria assim. Na varanda, Cora regava plantas quando ouviu os saltos dos sapatos de Regina ecoarem firmes no chão.

— Olá, querida, está mais calma hoje? — perguntou a mulher enquanto se virava. De supetão levou um tapa na cara, tão forte que o regador que segurava despencou junto com ela ao chão.

— Eu disse pra você que se alguma coisa acontecesse com o meu filho, eu te internaria... — disse alto, partindo pra cima da mãe. Pegou a mulher pelo colarinho da blusa, levantando-a do chão com brusquidão. — Você não tem vergonha? Como consegue ficar bem depois de tudo o que você fez? Eu juro que vou te mandar para tão longe que você nunca mais vai me ver na sua vida...

— Regina, do que você está falando? — Cora, nas garras da filha, arregalou os olhos de medo.

— Você e o seu maldito cassino! Por sua causa eles levaram Roland!

— Meu Deus! Mas como?

Regina quase bateu de novo na mãe.

— Vai me dizer que não sabe? — largou a mulher com tudo outra vez. — O seu neto, Cora... Foi o seu neto que eles levaram por sua culpa! — Gina não aguentou, voltou a se desesperar. Sentiu o nó subir à garganta e o choro vir compulsivamente. — Por que, mamãe? Por que você tinha de se meter nisso? Por que deixou que eles levassem o meu filho? Você sabia o tempo todo!

Cora conseguiu se levantar. Estava por fora do assunto. Tomada de surpresa, não pôde dizer mais que algumas palavras.

— Não! Eu prometi que os pagaria. Isso não está certo, minha filha.

— Você acha que esses homens vão esperar? Eles levaram o meu filho e a culpa é sua. Eu vou internar você... espere só até Roland voltar. — falou Mills, tentando enxugar o rosto com os dedos. Soluçava. Cora se agarrou na roupa da filha, tentou segurá-la, mas ela não parou. — Eu avisei que você devia acabar com o seu vício maldito, eu avisei... Eu não quero nunca mais olhar pra você...

— Minha filha...

— Não me chama de filha! — berrou. — Sai da minha frente, agora! Vai!

— Regina, pelo o amor de Deus... — implorou Cora.

— Sai daqui! — esbravejou, largando da mãe. — E não pense em chamar a polícia, eles vão matar o Roland e virão atrás de você. Para ser sincera eu preferia mil vezes que tivessem levado você ao invés de Roland.

Cora Mills engoliu seco e se retirou com o mínimo de vergonha que podia sentir. Regina não viu, mas sua mãe chorava copiosamente ao dar as costas.


Sob constante ameaça, Regina passaria a noite inteira de pé, atormentada e sem poder pedir ajuda. Se tentasse ligar para a polícia o filho corria sério perigo. Resolveu não arriscar.

Regina não pregou os olhos um momento sequer, nem podia. Não comeu, não bebeu, nem Emma atendeu quando a viu ligar, por medo de estarem a rastreando. Conseguiu falar com Roland uma vez, mas não pôde perguntar muito. O menino parecia bem como prometiam, porém, cansado do “jogo” em que o envolveram.

— Mamãe, posso voltar para casa agora? — ele perguntava.

— Calma, meu amor. Vai ficar tudo bem, eu prometo. — respondia Regina, controlando-se para não desabar.

O homem de sotaque tomou o telefone do garoto e voltou a falar com ela:

Certo, Regina, bom trabalho, agora só falta colaborar conosco.

— Eu já disse que eu tenho a droga do dinheiro, mas não comigo.

É claro que não está com você e nós sabemos disso, querida. — ironizou o homem. — Amanhã de manhã você vai busca-lo no banco. Eu vou te dizer a hora certa, mantenha o telefone por perto, depois disso, você vai me encontrar no Jardim Público, eu vou devolver o menino em troca da quantia e, lembre-se, nada de conversinhas com ninguém, caso contrário irá se arrepender.

— Entendi. — ela concordou, dura.

O tempo custou a passar. Minutos pareceram anos enquanto Regina sem alternativas se sentou no sofá e esperou de olhos fechados. Continha o choro que implorava para sair.

Emma a ligou muitas vezes, mas em nenhuma delas foi atendida. O horror da situação não permitia que Regina a chamasse, por mais que quisesse. A vontade de pedir ajuda era muita, mas e se seu filho fosse agredido? Ou pior... Se o matassem? Ela não podia fazer absolutamente nada que não fosse ordem do sequestrador. Então, na manhã seguinte, assim que amanheceu, Regina se arrumou, esperou a ligação, avisou que não iria trabalhar e saiu de casa.

...


Até Regina sair do apartamento, Cora, por sua vez, não havia dado as caras.

Os homens do cassino não haviam mentido para a matriarca Mills ao dizer que tomariam algo muito mais valioso do que os trinta mil dólares. Quando fez o acordo de pagar sua dívida não levou em conta com quem estava lidando. Cora gastou todos os seus recursos nas noitadas e por pouco não acabou com a reputação da família. De certa e da pior forma, viu que sua jogatina desenfreada devia parar. Agora compreendia o mal que causou a própria família; por Deus, agora compreendia. O neto estava em apuros. Podia sentir a angustia da filha, embora a vergonha do que fez fosse maior. Daquele dia em diante, tomaria juízo. Prometeu que se o neto voltasse são e salvo para casa, que se curaria do vício.

Quando saiu do quarto, correu à sala, agarrando o telefone para discar ansiosa o número da polícia, mas antes de completar a ligação, alguém já a esperava do outro lado da linha:

Ram, ram — pigarreou. — Nem pense em fazer isso, senhora Mills. — novamente a voz com sotaque.

— O que você quer? Não basta ter me chantageado? Eu disse que o pagaria, eu precisava de tempo. — fremiu Cora.

Nós demos o tempo que pediu, você não cumpriu com o prometido.

— E por isso levaram meu neto?

Exatamente. Nós temos ele como garantia. Sua filha fez um acordo conosco, o dinheiro que você deve e o menino em troca.

Seu nojento filho da mãe! Se você machucar o meu neto eu faço...

Vai fazer o que, Cora Mills?— ele rebateu. — Sua filha está cuidando de tudo para nós, você não deve se preocupar. Agora falta você colaborar também, ou quer vir parar no lugar do seu lindo netinho? Eu tenho certeza de que sua filha iria preferir, talvez ela nem se interesse em pagar o seu resgate, não é verdade? — e soltou uma gargalhada.

Ouvir aquilo foi demais para Cora. Trêmula de ódio, atirou o telefone longe, sem, contudo, desliga-lo. Do outro lado da linha, o homem percebeu e permaneceu rindo. Tinha certeza de que ela tornaria a pegar o fone. E foi o que aconteceu. Não demorou nem um minuto e a voz de Cora tornou a falar.

— O que você quer para nos deixar em paz?

Eu disse, sua filha está cuidando disso. A essa hora, ela está indo ao banco e logo seu neto volta para a casa. Mas só se a senhora não descumprir a principal regra. O recado está dado. Se tocar nesse telefone de novo, vai se arrepender. — ameaçou.

Cora queria rebater o desaforo, xingá-lo, ameaça-lo. Mas ficou quieta. Por mais que não quisesse reconhecer, tinha toda a culpa.

...

Na construtora, Regina ligara cedo dizendo estar com gripe e que não iria aparecer. Quando Emma soube, ficou intrigada. A morena simplesmente não atendia suas ligações, muito menos retornava as mesmas. Por alguma razão, Swan não acreditou na desculpa da namorada. Depois de tentar mais duas vezes falar com Regina, sentiu-se incomodada. Algo estava errado.

Aproveitando uma brecha que tinha entre uma reunião e o horário do almoço, dirigiu até o edifício onde Regina morava. Desconfiada, estacionou do outro lado da rua, olhando o prédio pela janela do carro. Já tinha saído do seu New Beetle quando de repente viu o carro da namorada cantar pneus enquanto saía apressado da garagem.

Emma por pouco não atravessou a rua, mas conseguiu vislumbrar a placa. Mais que depressa, voltou ao seu fusca para ir atrás de Regina. Sem perceber que era seguida, a morena correu e avançou alguns sinais, chegando ao banco bem à frente de Emma.

Fingindo calma, Mills entrou no banco. Consultava o relógio de pulso a todo instante. Logo dirigiu-se a gerência, pedindo a mocinha da recepção alguns minutos com o seu gerente. Precisou esperar um pouco. Enquanto isso, do lado de fora, um dos homens, a mando do cassino, a vigiava numa moto. O celular da engenheira tocou – número desconhecido – decerto o sequestrador.

Ok, Regina, você está se saindo muito bem. Assim que estiver com o dinheiro vá para o parque. Seu garoto está sendo levado para lá.

Gina segurou-se ao máximo para não perder o controle. Sentou-se numa cadeira no corredor e respirou fundo.

— Por favor, deixa eu falar com o meu filho. — pediu com voz sofrida.

Rápido, o homem passou o telefone para o ouvido do pequeno.

— Mamãe?

— Querido, está tudo bem?

— Mamãe, eu sinto medo, quando você vem me buscar?

— Eu estou indo, meu amor. Espera só mais um pouquinho, está bem?

Você vai ter todo o resto do dia para falar com ele, Regina. Pegue o dinheiro agora e vá para o parque, e nada de conversinhas fiadas com ninguém. — interveio o homem. — Você tem uma hora.

— Espere... — tentou dizer.

Cinquenta minutos.

Regina tinha de ser ligeira. Para sua sorte o gerente estava no final do corredor, dando orientações a um casal. Logo que terminou, reconheceu Regina e a cumprimentou:

— Senhora, Mills, como vai?

— Estou bem. Preciso lhe falar, não irei demorar. — disse ela, firme.

Ele assentiu, seguindo com a mulher para seu escritório particular.

Regina foi breve, inventando uma desculpa esfarrapada para retirar a alta quantia que precisava. Sem perguntar demais, o gerente a fez assinar alguns papéis e depois trouxe um malote com o todo o dinheiro dentro.

Faltavam agora quarenta minutos do seu tempo para chegar ao lugar que combinou com o sequestrador.

Com o dinheiro na maleta de trabalho, Regina deixou a sala do gerente passando pela secretária como um furacão, quase derrubando-a ao chão. Emendava os passos pelo banco até alcançar a porta giratória e dar de cara com quem menos esperava: Emma.

A surpresa de vê-la foi tão grande que quase caiu para trás com maleta e tudo. Swan a seguiu até ali, insistente de que algo havia acontecido. Viu que a morena vestia-se exatamente do jeito que ia trabalhar todos os dias, parecia bem. Não estava nem um pouco doente.

— Regina. — falou Emma, enquanto a fitava da cabeça aos pés. Ficaram paradas se olhando. Regina a mirou com suplica. — Regina, o que houve? Você está bem? Eu fui até a sua casa, te vi saindo feito uma louca, o que está acontecendo?

— Roland... — disse a morena quase sem voz.

— Oi?

— Roland... Eles o pegaram. — sussurrou. Emma a segurou pelos braços.

— Roland? Quem o levou?

— Não posso dizer.

— Quando? O que aconteceu?

— Roland... o dinheiro... o Public Garden.

— O quê? — Emma indagou, preocupada.

Regina implorava por ajuda com o olhar, Emma percebeu. Nessa hora, precisou sair antes que a loira decidisse perguntar mais. A vida do filho estava em jogo, arriscou-se muito ao ter falado com Emma. Saiu com tudo pela porta giratória, deixando Swan para trás outra vez, e mesmo se recompondo depois de se atrapalhar com quem entrava pela mesma porta, a loira a perdeu de vista em meio as pessoas na calçada.

Poucos minutos depois, no jardim público, Regina chegou indo ao lugar indicado pelo sequestrador; atrás de um monumento no norte do parque. A área parecia deserta naquele horário. Tudo o que se via eram árvores, flores e assentos espalhados pelas alamedas. Ainda era muito cedo e pouca gente circulava, ninguém viu Regina chegar. Exatamente como o combinado, lá estavam eles, eram dois homens e Gina os avistou.

Os dois vieram até certo ponto na relva, Roland estava no colo do mais afastado deles. Ao ver a mãe, gritou:

— Mamãe!

O sujeito mais adiantado fez sinal de silencio para que o capanga tampasse a boca do menino. Com isso, se aproximou de Regina.

— Regina Mills... — falou, visivelmente incomodado.

— Eu trouxe o que pediram — estendeu a maleta. — Agora me entrega o meu filho. — pediu, aflita.

— Não... Eu avisei que tínhamos um trato.

— Do que está falando?

— O que foi que eu pedi para você desde o começo? — disse o homem com sotaque – o chefe -, continuou a se aproximar.

— Eu não estou entendendo.

Ele a pegou pelo rosto com uma mão só.

— Eu falei para não falar com ninguém, não foi isso? — bradou, dando-lhe uma bofetada no rosto com a outra mão.

Roland de longe viu a cena e berrou, se esperneando no colo do capanga.

— Sim. — balbuciou Regina, segurando a cara, de lado.

— Quem era a loira? — perguntou ele.

— Não sei... — ela sussurrou.

— Quem era a loira com quem você falou no banco? — insistiu, levantando a mão outra vez.

— Eu disse que eu não sei! — respondeu em tom de desafio, reagindo para cima dele.

O homem foi obrigado a pegá-la pelo braço e sacudi-la, a maleta com o dinheiro caiu no chão. Roland gritou ainda mais, o capanga tinha dificuldade em contê-lo.

Seguindo sua intuição, Emma chegou ali finalmente encontrando Regina. Chegou de fininho, por trás, vendo aquela confusão de longe. Não estava entendo, mas era Regina, teve certeza de que era ela. Precisava ir mais perto. Foi quando o homem bateu uma segunda vez em sua namorada e se enfureceu.

— Você não vai sair daqui com o garoto enquanto não disser quem era a loira. — dizia o homem, enquanto Regina segurava a boca que começava a sangrar.

— Eu não vou dizer. Não era uma policial se quer saber. — respondeu a morena, aturdida.

— Quem é que garante? Sua mãe estava tentando ligar para a polícia hoje mais cedo.

— Pois vocês deviam ter levado ela ao invés do meu filho. — disse Mills, logo.

— Se levássemos a sua mãe, você não pagaria o que ela deve. Aquela velha não vale nem um centavo quebrado. Sempre nos deu prejuízo no cassino. Você sabe o que eu faria com a sua mãe se a visse nesse momento? Eu daria uma surra bem dada igual a que eu vou dar em você para aprender a não descumprir as regras...

Swan não esperou mais nenhum momento. Vendo que o capanga que segurava Roland era franzino, partiu para cima dele, empurrando-o numa árvore, com tudo. O homem bateu a cabeça no tronco duro e pesado, desmaiando em seguida. Roland deslizou dos braços dele na mesma hora e Emma o pegou. Mas, aquilo fez barulho... Prestes a esbofetear Regina uma terceira vez o sujeito se virou e viu Emma com o garoto no colo. Sem pensar, sacou uma arma da cintura e atirou nos dois para o desespero de Regina. De um salto, Swan se atirou ao chão, protegendo Roland. Regina aproveitou o momento de distração do homem para agarra-lo pelo braço e torcer para trás, impedindo-o de descarregar a arma. Numa fração de segundos estava lutando contra a força dele que era muito maior que a sua. Com um golpe ele se livrou, girando, mirando na direção dela, e então atirou em Regina, que tombou no chão com um gemido de dor.

O homem saltou o corpo, pegou a maleta com o dinheiro e fugiu dali o mais depressa que pôde. Só então Emma ergueu a cabeça de onde estava.

Regina não se mexia. A visão embaçou no momento em que enxergou Roland e Emma abaixarem ao seu lado e chamarem seu nome:

— Regina! Regina! Fala comigo, Regina!



Foi uma tremenda sorte, pensava Regina. O tiro pegou-lhe de raspão na lateral do abdômen. O máximo que aconteceria era arroxear e inchar, mas nada que em uma semana sumisse. Sentia dor e com o susto desmaiou, porém, acordou logo dentro da ambulância que a levou do parque. A vontade de Regina era de se atirar nos braços de Emma. Ela esteve ao seu lado o tempo inteiro sem que soubesse. Apesar de toda a situação, sua namorada salvou seu filho. Regina se lembrou dos olhos de Emma em cima dos seus quando desmaiou e, quando acordou, trocaram poucas palavras mas agora estava bem, precisava falar-lhe.

Voltando da pediatria onde deixou Roland, Swan entrou na enfermaria, encontrando Regina sobre um leito, sendo medicada. O curativo perto do estômago já havia sido feito, levou seis pontos no lugar. O médico que a atendeu disse que teve tanta sorte que poderia apostar na loteria, mas dinheiro era um assunto que Regina não queria falar por um bom tempo.

Assim que a viu, Mills abriu um sorriso torto por conta das feridas que tinha na boca, das pauladas que levou. O enfermeiro terminou e se retirou brevemente, dando chance para Emma se aproximar. A abraçou forte, ignorando completamente a ardência que sentia no lugar do tiro.

— Passou, Regina... Tá tudo bem agora. — sussurrou Emma.

— Graças a Deus. — respondeu, apanhando a face da namorada e juntando com a sua. — Meu filho está bem?

— Está. O médico disse que ele não tem nada, só ficou um pouco abalado quando te viu.

— Pobrezinho, Emma. Meu filho tão pequeno tendo que passar por isso.

Emma segurou suas mãos na frente, acariciando seus dedos.

— Ele vai esquecer. As crianças são fortes. O que importa é que está tudo bem agora, você está viva.

— E ele também, graças a você. Se você não tivesse aparecido, eles o matariam.

— Eu só fiz o que eu devia fazer. Eu não ia deixar que nada acontecesse com vocês. Por que não me ligou? Por que não me atendeu quando liguei?

— Eu não podia, meu amor. Eles estavam me ameaçando, dizendo que matariam Roland e pegariam minha mãe. Eu não podia arriscar. — disse, toda errada.

Emma assentiu, compreensiva.

— ‘Tá bem, eu entendo, tá tudo bem. Vem cá... — e a abraçou com calma, roçou o rosto no dela rapidamente e deu-lhe um beijo discreto nos lábios, acrescentando bem baixinho: — Não importa o que aconteceu mais, agora você está comigo, não vai acontecer nada.

— Tive tanto medo.

— Eu sei, e me sentiria da mesma forma se acontecesse com o Henry.

— É terrível, Emma. Ninguém precisa passar por isso.

— Não mesmo.

— A propósito... Como achou Roland? Como chegou ao parque se eu havia fugido de você no banco?

— Você disse para onde estava indo. O Jardim Público, eu só liguei os pontos. Alguém havia levado Roland, você estava indo pagar o resgate. Eu demorei para te encontrar, se eu tivesse chegado um pouco antes não teriam te batido. — lamentou Emma.

— E eu apanhei justamente porque tinha falado com você no banco.

— Eles sabiam?

— Estavam me vigiando o tempo inteiro.

Emma ficou revoltada.

— Minha nossa, então foi por minha culpa...

— Não, meu amor, claro que não foi por sua culpa. — Gina a conteve.

— Mas olha só o seu estado, Regina.

— Isso passa, amanhã já vai ter sumido.

Swan sorriu sem jeito. Regina a puxou e quase se beijaram outra vez. Alguém as atrapalhou:

— Com licença. Senhora Mills?

Com um susto elas o viram: um homem branco, jovem, cabelos castanhos bagunçados para o alto, olhos azuis, jaqueta, calça jeans e um distintivo do departamento de polícia de Boston.

— Sou eu. — respondeu Regina, se soltando devagar de Emma.

— Jefferson. — disse Emma, como se o conhecesse.

O policial a fitou da cabeça aos pés, assentiu.

— Emma. — voltou a fitar Regina. — Eu sou o detetive Jefferson da polícia de Boston. Vim devolver algo que nós encontramos com os sequestradores do seu filho.

— Como? Vocês os prenderam? — indagou Regina, ansiosa.

— Sim, nós os pegamos. Estávamos atrás desse grupo há cinco anos. Eles agiam no Massachusetts, extorquindo, roubando, financiando jogatina ilegalmente e sequestrando em troca de grandes quantias, como ocorreu com a senhora. — disse o policial, deixando a maleta de Regina com o dinheiro em cima da maca. — Seu dinheiro.

— Mas como conseguiram se eu não liguei para a polícia?

Nesse momento, Jefferson olhou para Emma de relance.

— Sua amiga. Ela me chamou.

Emma fez que sim, cruzou os braços.

— Vocês se conhecem? — indagou Gina, curiosa.

— Há algum tempo. — Emma respondeu olhando para ele. — Eu tinha o contato dele. Sabendo que ele era investigador, o liguei quando te perdi de vista no banco.

Regina franziu as sobrancelhas.

— Foi?

— Exatamente. Agradeça muito a ela, senhora Mills. Se Emma não tivesse derrubado um dos sequestradores, não teríamos identificado o grupo todo. Quando chegamos no parque, a ambulância já havia saído com vocês. Bom trabalho, Emma. — ele estendeu a mão à loira.

Swan apertou em cumprimento.

— Fico te devendo essa, Jefferson. — disse.

— Eu é que fico te devendo. — Sorriu discreto. Logo voltou a Regina. — Bem, a polícia em breve precisará do seu depoimento e o do seu filho também.

Regina concordou.

— O.k. Muito obrigada.

— Bem, era só isso. Eu lhe desejo melhoras. — ele disse à Regina, depois acenou para Emma. — Até mais, Emma.

— Até, Jefferson. — a loira disse, vendo ele sair.

Dessa vez, Gina cruzou os braços e olhou para a namorada com desconfiança.

— Posso saber o que você e esse cara tiveram?

Emma corou de súbito.

— O quê?

— O que você e Jefferson tiveram, Emma?

— Ora, nós só nos conhecemos.

— De onde?

— Do... É... Tivemos uma situação assim que voltei... Não foi nada demais, já faz tempo. — Swan desviava os olhos.

— Ah foi? Um caso? Vocês tiveram um caso? Foi isso? — perguntou, esperando Emma responder, mas ela não o fez. Estava na cara que tinham mesmo estado juntos em alguma ocasião. Regina acabou rindo. — Acho que ele ainda gosta de você.

— Que azar o dele, porque agora é tarde.

— É tarde?

— É. Eu não tenho interesse em outra pessoa. Só em você. — Swan se aproximou de novo, tocou-lhe o queixo e a selou delicada.

Regina suspirou de alívio. Cansada não queria ir para casa ou daria de cara com a mãe.

— Posso pedir um favor?

— Claro que sim. — disse Emma, atenta.

— Me deixa ir para sua casa hoje, só por hoje, eu e Roland até resolver o que vou fazer com a minha mãe.

Emma respirou fundo.

— Eu ia propor isso, não fique apenas um dia, fique uma semana, duas... Não há problemas em ficar com a gente, Henry vai gostar muito.

— Não quero incomodar.

— Você não incomoda, nunca.

Gina tomou ar para dizer mais alguma coisa, então, Roland surgiu correndo no leito, pulando nos braços da mãe assim que a viu.

— Meu amor! — ela o abraçou com emoção. Não conseguiu conter as lágrimas.

Emma assentiu à enfermeira que o trouxe e se juntou aos dois, ficando emocionada. Sentiu os olhos cheios de lágrimas e tocou nos cachos do pequeno, fitando Regina nos olhos. Sem palavras, o olhar dizia o quanto a amava.

Notas finais
Que susto, hein? HAHA Aposto que vocês acharam que a Regina ia dessa para melhor... Jamais faria isso, pessoal. Enfim, Regina avisou e agora dona Cora está bem encrencada. O que será que vai acontecer daqui para frente? Como lidar com essa situação? Me falem o que esperam e o que desejam ver na fanfic. Bom final de semana, bom feriado. Fiquem bem. ;)