Skin on Skin
16 We deserve a brand new start.
Notas iniciais
A primeira coisa que Emma percebeu quando viu Regina foi uma estranha agitação no peito. Ainda que vê-la não fosse mais tão ruim, estremecera por dentro. Isso vinha acontecendo desde o dia em que lhe disse que não desistiria e, agora mais do que nunca, o sorriso caloroso entregou todas as intenções possíveis que deviam existir naquela cabecinha morena.
Regina não parecia nem um pouco acanhada por estar ali. Chegara bonita, bem arrumada em roupas de frio, com uma decisão intrigante no olhar. Emma teve dificuldade para deixar de fita-la e, quando a viu subir os pequenos degraus da fachada para dar um abraço em Robert e Belle, abriu um sorriso para ela que não soube controlar. O casal Gold não percebeu a troca de olhares entre as duas, pelo visto, iriam precisar disfarçar que tinham algo mais íntimo que a relação na construtora.
Os donos da casa ficaram felizes em receber mais uma visita. Por fim as duas se cumprimentaram, no entanto, não foi nada além de um aperto de mão e um beijo na bochecha. Foi ali que aproveitaram para se esbarrarem e tirarem uma casquinha. Sentiram o perfume uma da outra, o calor das mãos. Se não fosse Robert interrompendo ficariam se encarando até o anoitecer.
— Até que enfim você veio, Regina! — ele disse dando-lhe leves tapinhas nas costas. — Quase não acreditei quando me disseram que você estava no portão.
— Pois é, eu estava de passagem e decidi entrar para dar um oi. — novamente fitou Emma, logo tornou a fitar Robert.
— Eu cansei de convidá-la para vir. Já estava achando que você não havia gostado daqui quando veio para o casamento.
— Sempre há uma primeira vez, Robert. Nesse caso segunda. Sua propriedade é linda, eu gostaria de ter vindo antes, mas você sabe como é a minha vida, eu tenho meu filho para cuidar. — ela respondeu, gesticulando.
— E ele? O seu filho, por que não o trouxe?
— Ah, o Roland foi passar o final de semana com o pai em Nova York.
— Ele iria amar esse lugar, tem muito espaço para correr aqui. — falou Belle.
— É verdade. Eu já até disse a Belle que deveríamos adotar algumas crianças só para aproveitar mais o espaço da propriedade. — Robert brincou. — Qualquer dia Emma vai trazer o menino Henry para nos visitar também.
Todos fitaram a loira. Ela assentiu.
— Tenho certeza que ele adoraria, no mínimo diria: Mamãe, isso aqui parece um hotel.
E riram, adentrando a sala onde o luxo imperava.
A decoração era bem diferente da que Mills viu no dia do casamento. Agora, o recinto estava repleto com móveis vitorianos, era um espaço tão grande que seu apartamento caberia facilmente ali dentro. Belle contou que havia escolhido cada objeto da decoração a dedo, Gina concluiu que a moça tinha bom gosto. Robert fez o que lhe era comum: ostentar seus bens para impressionar, ainda bem que a engenheira o conhecia, pois assim disfarçaria bem quando a entediante conversa começasse. E não deu outra, o homem falou aos cotovelos de cada obra de arte que possuía, desde os quadros nas paredes às esculturas de artistas plásticos, porém, a morena pouco prestava atenção. Seu interesse era outro.
Várias vezes olhava Emma de relance, mas a loira estava distraída com a melhor amiga, aparentemente. Swan também a fitava de soslaio uma vez ou outra sem que ela percebesse. Aquele desencontro ia acontecendo até a hora em que os olhares voltaram a se cruzar de longe. Como se fossem duas garotas outra vez na vida coraram, disfarçando.
Enquanto voltavam a se observar de canto e sorrirem discretamente por conta disso, o mordomo da mansão aproximou-se para perguntá-los cordialmente sobre o almoço:
— Com licença. Os senhores desejam algo em especial para o almoço?
Robert virou-se.
— Eu não sei quanto as minhas visitas — ele observou Emma e Regina, depois a esposa. — O que você nos sugere, meu bem?
E Belle se recordou:
— Prometi a Emma que faríamos o prato predileto dela...
— Macarronada?! — Regina disse de repente, se arrependendo depois. Lembrava-se do prato favorito da ex-namorada. Quase deixou evidente que se conheciam há mais tempo.
— É, isso mesmo, macarronada, a Emma ama macarronada, não é? Isso desde os tempos da faculdade. — Belle completou mirando a amiga. Por sorte não desconfiou de nada.
— S...Sim. — respondeu a loira, fazendo que sim muito rápido.
— Parece que você também gosta de macarronada, Regina. — afirmou Gold e a morena apenas assentiu com um sorriso.
— Que ótimo, então você vai almoçar conosco. — a senhora Gold confirmou com o empregado: — Certo, Louis. Mande preparar a macarronada, sim?
O homem de terno preto fez uma reverencia e se retirou logo em seguida. Na verdade, Regina não sentia fome. Estava muito ansiosa para ficar sozinha com Swan, teria de dar um jeito daquilo acontecer.
Era relativamente perto do horário do almoço quando os Gold mostraram o quintal da mansão cujo espaço era muito maior do que tinham impressão. Podia-se dizer que o espaço era infinito. Havia um largo jardim protegido ao redor por árvores multicoloridas de flores. Descendo por ele, via-se um bosque de carvalhos que ao seu fim dava lugar a um lago de água turva. Pela margem, bancos do que parecia de longe ser madeira envelhecida. Havia também do outro lado uma casa de pedra. Robert lhes disse que mandara construi-la para usá-la eventualmente quando quisesse aproveitar o clima mais arejado da parte de baixo da propriedade. A casinha parecia-se muito com um chalé. Emma teve curiosidade de vê-la de perto.
Belle arrastou a amiga para mostrar-lhe as flores novas que havia plantado por ali. Swan obviamente encantou-se com cada uma por sempre ter gostado de plantas, fez questão de pedir uma muda para levar para casa. Mills se empertigava ao lado de Gold controlando sua paciência, o chefe estava prestes a começar uma nova conversa entediante que só não aconteceu por pouco.
O mordomo reapareceu um tanto apressado e cochichou alguma coisa no ouvido de Robert, era importante.
— Bem, eu preciso atender uma ligação. Vocês me deem licença. — pediu licença, entrando.
Belle vendo aquilo, voltou, balançava a cabeça negativamente.
— Ah, Robert nunca vai aprender. Odeio quando ele resolve atender essas ligações de negócios. Nem no final de semana temos paz. — resmungou a moça. Regina não soube dizer nada, Emma, observando de onde estava, também não. — Eu vou tentar tirá-lo do telefone e ver como anda o almoço, já estou ficando com fome. — disse a senhora Gold, adentrando sua mansão.
Emma e Regina vendo os dois entrarem, acabaram cruzando olhares no fim. Aproveitando o momento, a morena se aproximou de Swan, sem pestanejar.
— Que lugar grande, não é? — disse a primeira coisa que veio à cabeça.
— Parece ainda maior hoje. — falou Emma, calma.
Regina parou na frente dela, cruzou os braços, sorriu segura.
— Muito, tudo aqui é bonito.
Emma respondeu ao sorriso de forma mais singela.
— E você veio para conferir isso de perto também? — perguntou para não dizer outra coisa.
— Não.
— Não?
— Não. Eu vim conferir outra coisa, outra... pessoa.
Emma franziu a sobrancelha, mas sabia muito bem que se tratava dela.
— Você não perde tempo mesmo. — disse depois de um tempo, admirada.
— Quando eu preciso de algo eu vou atrás. — Mills afirmou.
— ‘Tô percebendo.
— Você duvidou que eu viesse?
— Não sei porque, algo me disse que você apareceria.
— Então você estava me esperando? — perguntou. Swan não quis respondê-la, apenas a fitava de um jeito que Gina jamais saberia explicar. Ousada como era teve uma ideia que as tiraria dali por algum tempo. — Quer dar uma volta?
— Uma volta?
— É, andar por aí. — Regina disse aquilo tomando-a pelo braço. Não queria perder tempo, era sua chance. — A Belle pode esperar um pouco, eu com certeza tenho coisas mais interessantes para conversar com você. Vem.
Swan deu uma olhada na porta, não viu ninguém e não tinha escolha. Mordeu o lábio inferior, aceitando ir com a insistente mulher que a puxou obrigando-a a andar ao seu lado pelo caminho de pedras na grama. Como quem fugia de algo, Regina e ela desceram o terreno, foram se afastando do jardim chegando a passos largos no bosque.
Completamente sozinhas, as duas caminharam no corredor de árvores se aproximando cada vez mais do lago. Emma ao lado da mulher que amava se embaraçava procurando algo para dizer, não conseguiu achar. Regina com seu nariz empinado de quem queria sentir o cheiro de terra molhada em volta delas seguia, ora encontrando o olhar de Emma, ora se permitindo sorrir.
Emma sem esforço acabou caindo na graça da morena. Não conseguiu evitar uma leve risada nem uma sensação boa que surgiu, devia ser o contrário. Mas como negar se era mais forte do que ela mesma? Passou muito tempo sem viver algo semelhante. Emma sabia que ainda amava Regina, sabia do que era capaz. Sim ela estava a esperando e voltou a sentir-se bem em vê-la ali só para ela. Estava desobedecendo seus receios.
Gina soltara o braço da loira para tentar algo que queria muito fazer; roçou sua mão na dela, caçando seus dedos até entrelaça-los. Swan não recusou, só fez os dedos se firmarem ainda mais nos da morena. O toque fez o coração bater mais depressa novamente.
Caminharam achando tudo aquilo uma divertida brincadeira. Emma especialmente. Assim deixaram para trás a casa maior e o bosque, indo para lá dele, no espaço aberto ao lado do lago.
Estava um dia bonito, porém, cheio de nuvens no céu. Tiveram fôlego até para correrem na grama, era fácil ver Emma se encantando com alguma flor ou passarinho que avistava. Em um momento, a loira pegou nas mãos uma violeta da margem quando atravessavam uma pontezinha construída em cima do lago. Emma afastou os cabelos de Regina para trás e escolheu um dos lados para colocar a flor atrás da orelha. Mills achou aquilo tão parecido com o que costumavam fazer na juventude que se surpreendeu. Adorando a loira, segurou sua mão antes que voltassem a andar.
Queria dizer-lhe logo as coisas que Zelena sugeriu e mais um pouco. Belle e Robert poderiam aparecer a qualquer momento. Esperou Emma dizer algo, nada veio. Swan não havia entendido. Enquanto era olhada por sua amada, relou os dedos por sua face e a puxou quando a mão chegou nas madeixas e se sentiu segura para beijá-la. Agindo por impulso como na noite anterior, Swan finalmente entendeu e a abraçou, tocando a boca de Regina e ficaram longos segundos presas uma a outra.
Quando se desprenderam, Regina cheia de coragem, tomou ar para falar:
— Tenho uma coisa para te dizer. Eu vim até aqui só para isso.
— O que é? — Emma perguntou, mansa.
— Por favor, não quero que vá embora, nem que se assuste, nem que não pense no que irei dizer. É muito importante pra mim, você só me dá certezas do que estou pensando nesse momento.
— Não estou entendendo.
— Você vai, você quer entender e vai porque você sente a mesma coisa que eu sinto.
— Regina — Emma suspirou. — Você não pode ter tanta certeza... — e parou de repente sentindo algo tocar a cabeça. Olhou para o céu.
Regina também fez aquilo. As primeiras gotas caíram ao lado delas, em seguida vieram ligeiras, pesadas e grossas.
— Chuva?
— Era só o que faltava. — reclamou Swan.
Logo aquilo não era mais chuva e sim um temporal.
— Vamos sair daqui, vem... — Gina a pegou pelo braço e correram para escapar da aguaceira que caía de cima. Estavam longe demais da casa dos Gold, se tentassem voltar, chegariam ensopadas.
Mills avistou um quiosque numa clareira perto da ponte, apontou, e foram para lá. Em poucos segundos o céu estava desabando junto de um vento frio. Quando puseram os pés no lugar de madeira e palha já tinham ficado um bocado molhadas. Emma tentava abanar a blusa de lã como se fosse secar por conta daquilo. Regina só precisou tirar o casaco que vestia do corpo.
— Como é que pode? O tempo estava bom até agora. — Emma disse.
— Não dá para confiar no tempo, principalmente aqui. Esse lugar é mais alto que Boston, o clima é diferente.
A arquiteta não parecia muito feliz com a resposta e muito menos ao olhar em volta e ver que estavam sem saída. Tudo o que via era relva e muitas, muitas árvores para todos os lados. Não tinha noção do quão longe estavam da mansão.
— A gente vai precisar esperar. — disse esfregando os próprios braços para conter o frio que soprou.
— Eu não acho que essa chuva vá passar rápido.
— Será? — não queria acreditar, por isso passou os olhos de novo ao redor com mais calma. Dali, com certa dificuldade Emma avistou uma janela. Estreitando seus olhos viu mais, viu pedras. A janela da casa de pedra que Robert citou mais cedo. — Regina, olha ali — apontou.
Mills virou-se para olhar.
— O que que tem?
— Ali, Regina... A casa de pedra.
— O quê?
Dessa vez Emma a puxou para irem até o lugar que viu. Uma nova corrida e chegaram à varanda do casebre que para a sorte delas estava aberto. Entraram ali apressadas, fechando logo a porta.
Lá dentro, o tamanho era pouco, as paredes e a lareira também eram de pedra, era escuro, não havia muito além de uma mesa, cadeiras de madeira, um móvel e várias almofadas num patamar. Regina achou o lugar familiar, se puxasse em sua memória lembraria que era o mesmo cenário do sonho que teve com Emma recentemente. O espaço ali dentro precisava ser preenchido, constataram.
Gina tentando pentear o cabelo molhado com os dedos foi entrando, olhando tudo, curiosa. Ficou impressionada, acreditando que seu sonho estava acontecendo. Emma mais quente não deu atenção aos detalhes, estava preocupada em voltar.
— Belle deve estar louca atrás de nós. — disse, indo até a janela para fitar a chuvarada. — Nos afastamos muito.
— Ainda mais com essa chuva.
— É essa chuva. Se eu soubesse que isso ia acontecer eu nem tinha vindo ver a Belle hoje.
— E ia recusar o convite da sua melhor amiga?
— Eu inventaria uma desculpa.
Regina chegou ao lado dela.
— Duvido. Você não iria mentir, não tem esse hábito, Emma.
Swan cruzou os braços com os olhos fixos no lado de fora.
— Mentir não é uma coisa legal.
Regina refletiu por um momento.
— É. Definitivamente não é. — quis mudar de assunto. — Posso perguntar uma coisa?
— Sim.
— De onde conhece a Belle?
Emma sorriu de leve ao responder:
— Belle dividia o dormitório da faculdade comigo em Michigan, depois o apartamento assim que me formei. E daí depois de um tempo eu conheci o Neal e engravidei, ela precisou voltar para Boston quando o pai dela venceu as eleições para governador... Nunca perdemos o contato. Ano passado ela me ajudou a encontrar aquele apartamento que estou morando.
— Hum... Agora entendi. Desde o dia do casamento quis saber de onde se conheciam. Era muita coincidência você ser melhor amiga da noiva do Robert.
— Ainda mais coincidência ter ido trabalhar na empresa dele. — Emma fez um breve silêncio, virou-se para Gina. — No mesmo lugar onde você trabalha.
— Às vezes me pego pensando nisso. Me lembro também de você dançando com o Jones na festa.
— Você me viu dançando com o Jones?
— Vi, e confesso que não gostei nem um pouco.
Dessa vez Gina não teve coragem de fita-la. Emma deu uma risada leve.
— Sentiu ciúmes de mim com o Jones...
— Claro, você parecia bastante contente dançando com ele. — disse aquilo com um tom aborrecido na voz. — Me deu tanto ódio que quase perdi minha mão por conta disso.
— Ah, era por isso que sua mão estava enfaixada no dia em que eu cheguei?
— Uhum. Quebrei uma taça de vinho.
Emma achou a história engraçada e ao mesmo tempo preocupante. Ao lado de Regina a observava com estranheza.
— Mas que coisa, não? Isso só pode ter sido um castigo.
— Não foi um castigo. Você aceitou dançar com o Jones de propósito porque havia me encontrado antes. Sabia que eu estava te olhando e me provocou. — insinuou Regina.
— Que mentira, eu nem estava pensando em você na hora que ele chegou em mim. — Swan tentou se defender.
— Eu duvido que você tenha esquecido tão rápido as coisas que me disse naquele corredor. — Regina pôs as mãos na cintura, virou-se ficando cara a cara com a loira.
— Pois foi o que eu fiz, eu esqueci, ou melhor, eu quis esquecer, eu decidi esquecer porque a festa estava muito boa e não seria por você que eu deixaria de aproveitar. — a voz dela soou amarga.
Ficaram exaltadas. Começou uma discussão.
— Ah é?! Tanto quis esquecer que logo foi pegar alguma coisa pra beber. Eu sei muito bem que você costuma beber quando algo te incomoda, Emma Swan.
— Isso não é verdade. — Emma franziu as sobrancelhas como de costume.
— Pode confessar, Emma. Lá em Atlanta mesmo, você perdeu o controle e bebeu tanto que deu no que deu, não é? E depois ainda quis me culpar.
— Você me obrigou a beber. — disse Emma, entre os dentes.
— Muito pelo contrário, eu te pedi para parar, você não quis...
Confusa, Swan balançou a cabeça, esfregou o rosto com as próprias mãos. Não aguentaria a discussão por muito tempo.
— Olha, você quer saber? Eu bebi sim por sua causa. Sempre foi por sua causa.
— Agora a culpa é minha?
— A culpa é sua desde o momento em que decidiu me enganar.
— Emma, isso é passado.
— O seu passado negro que acabou com a minha vida. — Swan se encheu de raiva.
— Eu já te pedi perdão pelo o que fiz, eu pedi mil perdões, você não aceita...
— Porque não é tão simples como você imagina. — falou Emma sem se conter. — Como é que você pode achar que eu vou te perdoar tão fácil depois do que aconteceu? Depois de sofrer como eu sofri? — tentou esconder o rosto. Os olhos lacrimejavam.
— Então me diz porque diabos você aceita todas as minhas investidas, meus beijos e me faz acreditar que sim? Por que, Emma? Anda, me fala. — Regina perguntou alto enquanto Emma enxugava o que descia quente dos olhos. — Você tem que me dizer. Porque se não for o que eu estou pensando, é muito desaforo da sua parte. Vingar o que eu te fiz não vai te levar a nada.
A loira olhou para Regina, ainda com raiva.
— Bem que eu queria me vingar de você! — esbravejou, mas parou. Engoliu em seco. — Eu não consigo.
Gina sorriu nervosa entre o choro que começou.
— Eu sei por que, eu sei... Você ainda me ama. Você nunca deixou de me amar. Nunca vai conseguir se vingar porque me ama...
— Não, não. Não — Emma não suportava mais. — Eu não vou ficar discutindo com você... — Não queria mais ficar ali. Sem pensar, disparou para fora do casebre, encarando a chuva torrencial pela terceira vez. Regina desesperada foi atrás chamando seu nome.
— Emma! Não, Emma, volta aqui! — gritou Mills.
Swan tentou avançar, mas a chuva vinha com tanta intensidade que não conseguia enxergar nada a sua frente. Regina a alcançou aos berros, então, tudo aconteceu ao mesmo tempo. Fincou as unhas na lã encharcada da blusa de Emma que a empurrou tentando fugir. A mão arranhou inutilmente seus braços. No desespero ainda maior quase perdeu o equilíbrio e se esticou, agarrando-a. A luta das duas era forte, a chuva também não cessava na força.
— Me deixa!
— Nunca!
Gritavam.
— Acabou, Regina, me deixa...
O céu desabava sobre suas cabeças.
— Me perdoa, Emma, me perdoa! Eu te amo!
— Não!
— Não faz assim, Emma, fica comigo... Pelo o amor de Deus, fica comigo...
Swan estava cansada.
— Eu vou embora, eu não posso ficar com você nem mais um minuto...
— Emma! Fica pelo o amor de Deus, fica comigo — gritava a suplica — Eu não posso perder você de novo, olha pra mim... olha nos meus olhos, me perdoa! — Regina alcançou seus ombros com toda sua força, não largou enquanto não pôde.
A única alternativa de Regina foi apelar para um beijo. Sabia que ela amoleceria. Puxando-a pela gola da blusa, tomou a boca da loira com toda ânsia que dispunha. Emma foi brava até se render, o beijo lhe era fatal, como se seu coração parasse e não obedecesse mais as suas vontades.
A morena a ganhou de volta. Não precisou pensar duas vezes em tirá-la dali. Elas voltaram para o casebre bagunçadas, molhadas, arfantes, porém, perfeitas para o que fariam.
Far, away from it all
You and me with no one else around
A brand new start
Is all we need, it's all we need to mend these hearts
Back to the beginning
Be still, let it go
Gina a conduziu com pressa ao patamar, suspendendo sua blusa sem cerimônia alguma. Também tirou a sua própria, largando as peças no chão. Frente a frente, abriu um sorriso e disse decididamente ousada:
— Não adianta. Você não vai conseguir fugir desse sentimento. — Regina tocou-lhe os braços e busto, o sutiã da loira marcava o formato dos seios arrepiados de frio da chuva. — Acabou sim, acabou o seu medo de ser minha de novo, porque agora você vai começar uma nova vida, um novo começo. — derrubou as alças para os lado, depois o removeu, jogando-o longe. — Há quanto tempo você não se sente assim? Há quanto tempo você não se permite ser feliz? — e a virou empurrando-a com um toque sutil que a fez desabar nas almofadas. Swan não piscava. — Já chega de sofrer. Essa é a sua chance, me deixa fazer você feliz.
Before we lost hope
When we still touched and love wasn't so hard
Be still
I already know
Então, depois de tirar tudo o que vestia e grudava em seu corpo, ela caiu sobre a loira, aquecendo o corpo pálido e frio que logo a envolveu num abraço macio. Regina a beijou na boca. Deslizaram as línguas uma na outra, um beijo guloso e demorado, enquanto percorria as curvas da cintura de Emma ardilosamente e sua coxa esquerda pousava entre as pernas da amada. Ela trocou a boca pelos seios de Swan, os mordeu brevemente e desceu, arrancando suspiros.
Foolish one with the smile you don't have to be brave
Every time we fall down but we're falling from grace
I'll gladly climb your walls if you'll meet me halfway
Slow, slow it down
Why do we run, we're missing so much babe
Just lay in my arms for a while
Be still
We should've known
Emma tinha sua barriga coberta por beijos quando sentiu que chegavam ao umbigo, e logo estariam em seu sexo. A morena a livrou do cinto, da calça jeans e calcinha. Agora, nua e temendo o que vinha a seguir, fechou os olhos e esperou. Regina parou só para ter aquela visão, bebendo seu corpo com os olhos.
Foi assim que começou; deitando entre suas coxas, as separou indo de encontro ao sexo dela. Muito lentamente, beijou o meio onde sua boca pareceu se aconchegar. Swan arfou, soltava suspiros seguidos de gemidos, gemendo mais alto quando Mills acrescentou um dedo dentro dela, movimentando e curvando-o. Quando pensava que acabaria a morena só acelerou os movimentos dentro da mulher junto da língua que também não parava.
Emma afundou nas almofadas, estremecendo estimulada pela força vinda de seu íntimo. Regina provocava com seus movimentos de língua repetidos, brincava no interior da parceira e sobre o sexo dela, esperando beber-lhe a qualquer instante. E foi o que aconteceu. Emma perdeu o controle, gemeu mais alto como quem sofria. Regina bebeu todo aquele sabor.
Be still, Be still, Be still...
Depois disso, Regina a encheu de beijos de baixo para cima, chegando à sua boca novamente. Swan afastou os cabelos que caiam-lhe ao lado da face, se deu por vencida.
— Você não desiste mesmo...
— Eu disse que não iria desistir, não de você.
Diziam baixinho, com os lábios muito próximos um do outro, os olhos entreabertos.
— Difícil acreditar.
— É mais simples do que você imagina, meu amor.
— Por que, Regina? Por que outra vez?
— Porque só você pode me dar o que eu preciso. E dessa vez eu não pretendo perder você, de jeito nenhum.
— Como eu posso ter certeza disso?
— Me dando uma chance, apenas uma, e eu te prometo que vai valer a pena. Pra sempre.
Sorriram maliciosas. A loira tomou a dianteira e ficou por cima. Enroscaram cruzando as pernas, colando os sexos para se mexerem juntas. Emma apalpou as costas da morena enquanto sua boca se ocupou nos seios, puxando, sugando, lambendo. Gastou tempo na brincadeira erótica, o que rendeu a Mills muito prazer e gemidos tão eloquentes quanto.
O frio crescia dentro do casebre. Emma deu um jeito de acender a lenha na lareira. Tinham se enroscado numa coberta que acharam no armário, olhavam para a chuva afinando na janela. Deviam voltar logo, caso contrário alguém as acharia ali, contudo, Mills abusava da sorte. Abraçada as costas da arquiteta, pousava seu queixo sobre o ombro da amada.
— Temos que voltar. — disse Swan.
— Só se nossas roupas secarem, e pelo visto vai demorar. — Regina brincou.
— É, e eu já estou morrendo de fome.
— Está com fome? Eu acho que posso te alimentar.
Elas se olharam.
— Como?
— Com uma coisa que alimenta mais do que qualquer macarronada do mundo...
— O quê? — Emma se fazia de boba.
— Amor. — sussurrou a morena.
Emma teve de rir. Virou-se para ela e a fez se sentar em seu colo.
— Sabe que não é uma má ideia?
E voltaram aos beijos, se tocando, se amando. Não importava mais nada.
Fale com o autor