Skin on Skin
27 The eggnog trap.
Notas iniciais
Após alguns meses na clínica de reabilitação se curando do vício que a afetava há quase cinco anos, Cora retornava ao convívio com a família, sã e salva. A mãe de Regina parecia aceitar melhor sua situação. O convívio com outros dependentes na clínica de reabilitação a fez mudar, tanto que parecia outra pessoa. Tudo o que aconteceu naqueles últimos meses foram um verdadeiro milagre na vida da matriarca Mills. Agora, sentia vergonha de seu vício e no quanto fez mal a família por conta disso, porém, curada tinha motivos para estar feliz; Fez amigos na reabilitação, terapia, distrações, até arranjou um namorado entre seus colegas da clínica. Definitivamente, Cora era outra pessoa, outra mulher.
Haviam cortado seu cabelo pouca coisa acima dos ombros, e também fez uma franja além de mudar a cor para um tom mais claro que o habitual. Queria voltar para casa mais bonita e diferente da que todos estavam acostumados a ver. Tinha voltado a usar seus cremes de beleza e a pele, em especial a tez, estava com uma aparência rejuvenescida.
Chegou em casa no fim da tarde de sexta, acompanhada do namorado que a ajudou a trazer as malas. Regina, Zelena, Roland e Emma a esperavam ansiosos.
Assim que a avó pôs os pés em casa, Roland correu para seus braços, cheio de saudades. Cora precisou largar sua bolsa no chão para conter o menino.
— Oh, minha nossa, mas que menino pesado! — ela disse o abraçando firme. — E grande também! — ela sorriu o colocando para cima. — Senti sua falta, querido. — falou ao neto.
— Eu também, vovó! — disse ele agarrado a seu pescoço.
Cora viu a filha e Zelena de relance enquanto ficou com o neto no colo.
— Ele cresceu, não? — comentou de um jeito bem humorado, colocando-o ao chão em seguida.
Com isso Regina e a prima se aproximaram para abraça-la.
— Mamãe! — Regina tinha um nó na garganta quando abraçou a mãe. Ficou com ela um bom tempo ali antes de olhar para seu rosto e sorrir. — Você está tão bonita, tão diferente.
— Está me achando bonita? Mas ainda não mais do que você, minha filha. — Cora tocou o rosto da filha e o alisou antes de beijar-lhe as bochechas.
Depois veio Zelena e abraçou a tia tão firme quanto.
— Que bom te ver de volta tão bem, tia. — disse a ruiva.
— É bom estar de volta. Senti falta de você também, boneca. — falou a mulher apertando as bochechas da sobrinha para depois olhar o apartamento a sua volta. — É bom voltar para casa depois de tanto tempo. Foram só alguns meses mas para mim pareceram anos. Nunca havia me afastado assim de casa.
— E espero que nunca mais precise se afastar de nós. — falou Regina a observando.
— Também espero que não. — Cora voltou na direção da filha, pegou em suas mãos e as juntou com as suas. — Apesar de eu ter ficado muito aborrecida com você, eu entendi que precisava desse tempo longe daqui. Foi a melhor coisa que você poderia ter feito por mim, Regina. — suspirou no fim.
— Que bom, mãe, eu só estava pensando no seu bem, todos os avisos que te dei foram para o seu bem.
— Eu sei, querida. Não tenho raiva de você. — disse alisando o rosto de Regina novamente. Logo olhou para o lado e falou com o homem que trouxe suas malas: — Sidney, deixe-as ali no canto.
Regina olhou para trás e o viu, depois voltou a ver a mãe e perguntou:
— Foi ele quem trouxe você? Quem é?
Cora abriu um meio sorriso e o chamou para mais perto.
— Querida, quero lhe apresentar Sidney Glass, meu namorado.
Gina ficou boquiaberta no mesmo segundo.
— Seu... O quê?
— Namorado. — Cora se agarrou no braço do elegante homem mulato. — Nos conhecemos na clínica, ele também era um paciente. Teve alta junto comigo esta manhã. Me lembro que o vi pela primeira vez na aula de ioga. — ela sorria ao falar, ele a acompanhava,
— Aula que eu comecei a ir por sua causa. — completou Sidney com voz galante ao lado dela. Sidney Glass era um empresário da capital do Massachusetts muito conhecido no ramo de vidros. Havia entrado na reabilitação com a ajuda de sua filha Tamara, após ver seus negócios quase irem a falência por conta do vício em álcool. Sidney estava a mais tempo na clínica de Springfield que Cora. De certa forma, o início do namoro os ajudou na recuperação.
Regina corou ligeiramente. Nunca imaginou que veria sua mãe com outro homem que não fosse seu falecido pai, mas um minuto depois começou a pensar diferente. Vendo a alegria de Cora ao lado dele não era uma má ideia, pensou. Talvez o que sua mãe precisasse aquele tempo todo fosse de um namorado.
— Poxa, que surpresa! — disse olhando os dois, meio encabulada, sem saber se sorria ou se ficava quieta.
— É um prazer conhecê-la, Regina. — Sidney estendeu a mão. — Sua mãe me falou muito ao seu respeito, vejo que ela não estava errada.
Gina o cumprimentou de pronto.
— O que ela disse sobre mim para não estar errada?
Ele riu-se brevemente.
— Que você puxou a ela, é muito bonita.
O elogio deixou a engenheira ainda mais corada, mas a conquistou. Sorriu para Sidney e assentiu.
— Obrigada. — agradeceu cruzando os braços.
Cora tratou de apresentar a sobrinha e o neto para o namorado.
— Veja, Sid, esse é meu neto, Roland.
O menino sem cerimônia se aproximou.
— Oi. — falou olhando para cima. Sidney era alto.
— Olá, Roland. Como vai você? — Sidney olhou para baixo.
— Muito bem e o senhor? — perguntou o pequeno, com as mãozinhas para trás.
— Eu estou ótimo, muito obrigado. Me diga, quantos anos você tem, rapaz?
— Cinco, quase seis. — o menino mostrou cinco dedos de uma mão e mais um da outra para ele.
— Poxa, é mesmo? E quando será seu aniversário?
— Em janeiro. — respondeu o pequeno.
— Mas já? Falta pouco, você sabia?
O menino assentiu.
— Eu tenho muita sorte, ganho presentes no natal e alguns dias depois no meu aniversário.
O comentário espontâneo de Roland fez todos rirem.
— Esse é o meu neto. — Cora continuou. — Aquela ali é minha sobrinha Zelena, foi quem me levou para a clínica. Ela é uma ótima psicóloga se precisar de uma.
Zel acenou simpática.
— Prazer em conhecê-lo.
— O prazer é todo meu. Você tem uma família muito bonita, Cora. — observou Sidney.
Emma um pouco mais afastada os olhava atenta. Demorou até que Cora a percebesse no recinto.
— Eu disse a você que haviam puxado a mim, Sid. — disse a matriarca passando o olho rápido na direção da varanda, viu Emma no canto. Tomou um susto. — Você?! — precisou limpar os olhos para enxergar melhor.
Regina notou a mãe se espantar com Emma e tratou de andar até a loira.
— Mamãe, esta aqui é...
— Eu sei quem ela é. — Cora se soltou do namorado e tentou se aproximar, mas achou melhor ficar onde estava. Claro que sabia quem ela era, Emma Swan, a ex-namorada de sua filha dos tempos da faculdade. Fazia muitos anos que não tinha notícias dela, apenas há alguns meses atrás quando Regina lhe contou de seu retorno. Sabia que a filha fora muito apaixonada pela moça loira e que houveram muitas discussões em casa por conta desse assunto com Henry Mills. — Como vai, Emma? — foi direta ao perguntar.
Swan enrubesceu. Consultou Regina com os olhos antes de responder Cora:
— Bem. Obrigada.
Cora assentiu e antes que pudesse perguntar qualquer coisa novamente seu namorado a interrompeu:
— Minha querida, presumo que eu precise ir para casa. Tamara está a minha espera.
— Oh, está bem, Sid. Obrigada por me trazer. Nos veremos amanhã? — ela perguntou se virando para ele.
— Mas é claro que sim. Eu estarei aqui às oito. — Sidney pousou um beijo sob a testa de Cora e falou com todos antes de sair. Regina assistia àquilo muito admirada, até um pouco encabulada. Foi engraçado ver a mãe com outro homem. — Foi um prazer conhecê-las senhoritas e senhor — apertou a mão de Roland por último.
— Tchau. — disse o menino estampando um sorriso infantil para Glass.
Ele saiu após jogar um beijo para Cora.
— Tchau. — responderam todas em uníssono.
— Poxa, olha só como as horas passam, eu também tenho de ir. Estou feliz que esteja bem, tia. Qualquer coisa que sentir ou precisar, me ligue, certo? — disse Zelena, se despedindo da tia.
Emma também precisava ir embora.
— Aproveitando que estão todos indo, acho que vou também, tenho que buscar o Henry no karatê.
— Henry?! — perguntou a mulher mais velha repentinamente — Quem é Henry?
— É meu filho, se chama Henry. — respondeu a loira.
— Você tem um filho chamado Henry?
— Pois é, curioso, não? — Emma ficou sem jeito.
Nesse momento Cora teve coragem de se aproximar.
— Muito. Era o nome do pai da Regina.
— Eu sei. Gosto do nome e meu marido também gostava.
— Hum... Você está casada. Bem, faz tanto tempo, por que não estaria, não é? — Cora a olhava da cabeça aos pés, mas sem maldade.
— Na verdade Emma é viúva, mamãe. — disse Regina.
— Oh, minha nossa. Meus pêsames. — Cora ficou envergonhada por si mesma. — Me desculpe. Há quanto tempo? Isso é recente?
Gina ficou incomodada com as perguntas da mãe.
— Mamãe, você não deveria...
— Tudo bem, Regina... Tudo bem. — interrompeu Emma, sorrindo rápido para lhe assegurar. Voltou a falar com Cora: — Há quatro anos.
Cora estava surpreendida por saber daquilo. Assentia fitando Emma com curiosidade. Era uma pessoa diferente da moça que conheceu anos atrás. Mas sabia que era ela desde quando a viu ali. De qualquer maneira, teria uma conversa com sua filha sobre a arquiteta mais tarde.
— Eu sinto muito.
Emma fez que sim em agradecimento. Pegou na mão de Regina e se despediu.
— Bem, eu vou indo.
Gina a beijou no rosto, trocaram um olhar.
— O.k. Até amanhã, meu amor. — disse recebendo um beijo de Emma no mesmo lugar.
— Até amanhã. — cumprimentou a sogra também. — Cora.
— Emma — a mãe de Regina devolveu um sorriso à loira.
Antes de sair a loira abraçou Roland enchendo-o de cócegas que o fizeram gargalhar. Não demorou muito o pôs de volta ao chão.
— Tia Emma, na próxima vez que você vier aqui traga o Henry também pra gente brincar. — disse ele agarrado a uma das pernas dela.
— Eu trago ele, prometo! — falou Emma afagando os cabelos cacheados do garoto. O próprio Roland a levou até a porta.
Zelena a esperava para pegarem o elevador juntas. Acenaram do corredor antes de entrarem e a porta fechar.
Cora voltou-se para a filha e tocou em um de seus ombros avisando:
— Agora eu e você temos muito o que conversar, minha filha
Naquele meio tempo em que ficou fora de casa muita coisa havia acontecido na vida da filha em relação à Emma. Regina e a mãe se sentaram para falar justamente sobre isso. Gina contou a mãe sobre o relacionamento com a arquiteta, desde o momento em que se acertaram até o momento atual e no quanto estavam felizes juntas. Foi perceptível para Cora o quanto Emma estava íntima inclusive de seu neto. Gina também lhe contou sobre Robin e sua última visita.
De toda maneira, Cora sempre teve certeza de que sua filha continuava amando Emma Swan até mesmo depois de casada. Nunca condenou a moça por ter apresentado a vida homo afetiva à filha, porém na época, devia ser a favor do marido e do nome da família, e agora entendia como estava errada e prejudicou a felicidade de Regina. Era a primeira vez em anos que conversavam sobre esse relacionamento. Na época em que Henry Mills era vivo, Gina nunca pôde compartilhar completamente com a mãe seus sentimentos e tristezas, passou muito tempo com coisas entaladas na garganta e hoje tinha a oportunidade de falar, e assim falou confiando na recuperação de Cora.
Ficaram conversando até a hora do jantar e Cora também contou à filha sobre tudo o que fez na clínica e tudo sobre Sidney Glass que pareceu a Regina um homem muito decente. Chegou a rir do encanto de Cora pelo empresário, mas sempre pensava em como era encantada com Emma e isso aliviava os elogios que a mãe rasgava ao então namorado. Ela entendia o que a paixão fazia com as pessoas inclusive fez consigo.
Lá por meados de dezembro, Robert Gold cumpriu com o que havia prometido aos funcionários da Gold & Mills, oferecer uma festa para comemorar a conclusão das obras da ilha. Embora a inauguração do empreendimento fosse apenas na primavera seguinte, Gold, de tão satisfeito com os resultados, aproveitou as festividades natalinas para dar uma festa em sua mansão com direito a decoração de natal para todos os lados, um fabuloso bufê, muita música e presentes para todos. A empresa inteira estava convidada. Robert fez questão de convidar até seus funcionários de outras filiais no estado para verem sua fascinante casa com luzinhas pisca-pisca na fachada. Fora isso a casa de Robert estava abastada de luxo como sempre. Os enfeites de natal davam apenas mais um toque nos móveis e decoração sempre muito brilhante.
Robert passou a gostar de festividades na mansão após seu casamento com Belle ter dado muito certo na última primavera. Quando desceu as escadas para receber seus convidados, esbanjava simpatia e sorrisos apesar de seu terno prateado com desenhos do Papai Noel ter chamado mais atenção.
Emma e Regina já estavam por ali com copos de vinho na mão observando Henry e Roland com as toquinhas de natal, correrem por toda a sala, em especial em volta da enorme árvore de natal montada no canto ao lado da lareira. Num outro grupo mais adiante, Ruby e as secretárias com seus namorados conversavam sobre algo muito engraçado pois riam o tempo todo. Archie e Jones tomavam algo mais forte que o chocolate quente que haviam pegado da mesa no início da festa, e com razão, pois fazia frio naquela noite. Em volta da super mesa de comidas natalinas, o restante da empresa ia se servindo com as entradas; pãezinhos, doces, refrigerante e biscoitos em formato de bonequinhos de neve.
Estava quase na hora do banquete principal quando Robert inventou de cantar canções de natal ao piano. Uma boa parte do pessoal se reuniu em volta do instrumento enquanto o chefe mandava bem nas notas musicais. Havia estudado cinco anos numa escola de artes quando mais jovem e aprendeu bem a dedilhar todas as músicas que todo mundo sabia de cor e salteado daquela época do ano.
Acabada a cantoria de Robert e seus convidados, insistiram em brincar de charadas na sala de estar. Enquanto isso, os meninos foram com Belle para de baixo da árvore pegar os presentes para sair distribuindo pela festa. Emma e Gina entraram na brincadeira de adivinhação, Emma havia ido bem com sua mímica de Star Wars, como se tivesse um sabre de luz e fosse Luke Skywalker. Regina não foi tão bem com sua encenação de E o vento levou, ninguém adivinhou quando gesticulou com as mãos para o lado, fazendo todo mundo rir ao invés de acertar o nome do filme.
Depois disso Belle se afastou um pouco, indo até as duas que agora comiam alguns petiscos perto da mesa.
— Vocês duas estão tão bonitas juntas! — elogiou a anfitriã.
Regina olhou para a amada de relance sorrindo boba. Quis agradecer.
— Obrigada, Belle.
— Olha, eu nunca imaginei vocês assim dessa forma, mas prestando bem a atenção até que eu concordo que formam um belo par. — a melhor amiga de Emma elogiou novamente. — Está tão na cara que vocês estão juntas.
— A gente trabalha muito para isso, não é, Regina? — Emma aproveitou um momento de distração do pessoal para dar um beijo rápido na boca da morena.
— Até demais. — respondeu Mills abrindo outro sorriso em seguida.
— Um dia eu ainda conto a nossa história para você, minha amiga, uma longa história. — disse Emma para Belle, abraçando Regina de lado.
De longe Jones deu um olhada na direção delas, ainda estava com a cena do beijo repentino no escritório na cabeça, o que deve ter o enchido de ideias. Achou que as duas haviam brincado com ele. Já pensava em como agir.
— Eu estou curiosíssima para saber. — disse Belle, sorrindo encantada com as duas. Passou um tempo conversando com elas antes ser chamada para a ceia.
Roland e Henry voltaram com os presentes que as mães ganharam do chefe, na verdade todos ali haviam ganhado um embrulho simbólico com algum presente em agradecimento pelo trabalho bem feito durante o ano na empresa.
Quando os dois meninos arranjaram mais presentes para entregar e Emma deixou Regina conversando com Archie para buscar um pouco de Eggnog, Jones que não deixava de espiar seu alvo chegou por trás da arquiteta e sussurrou ao pé de seu ouvido:
— Sabia que o fetiche de muitos homens é ver duas mulheres se beijando?
Emma olhou para ele por cima do ombro sem se impressionar. Se virou com sua pequena taça com a bebida na mão.
— Oh, é mesmo? Então ando atiçando o gosto de muitos caras por aí.
Ele pigarreou, sorriu.
— De um em especial sim... — ele olhou Regina de relance. — Você e Regina combinam sabia? Mas se eu tivesse que escolher entre uma ou outra, eu iria preferir você.
Emma riu de leve, abanou a cabeça.
— Você não se convence, não é? Olha, minha namorada é muito ciumenta.
— Não, não venha com essa. Você e Regina tentaram mas não conseguiram me convencer.
Jones colocou a mão no ombro de Emma, se aproximando para lhe dizer mais alguma coisa perto do ouvido, porém...
— Pode acreditar que ela é muito ciumenta — disse atrás dele uma voz familiar. Quando ele foi se virar, Regina jogou de propósito um copo de Eggnog que tinha preparado de surpresa, derramando toda a bebida na roupa do arquiteto. — Oh! Minha nossa, Jones! — disse a morena com fingida surpresa. — Me desculpe.
Emma teve que segurar a boca para não gargalhar dele. Jones ficou ensopado até as calças.
— Mas... Mas... — tentava dizer ele estupefato olhando para seu lindo suéter azul marinho (agora quase verde por conta da mancha de Eggnog).
Jones saiu de perto. Foi se limpar, mas Eggnog era um problema se secasse em tecido. Foi engraçado quando voltou à sala, se sentou ao lado de Archie e outros colegas, com a cara amarrada, e o acionista sentiu um cheiro forte vindo dele.
— Jones — disse Archie fazendo uma careta. — Mas que cheiro é esse?! Parece ovo podre!
Dessa vez Regina pegou pesado porque ninguém mais queria ficar ao lado dele, não com aquele cheiro insuportável.
Mills e Swan agora estavam em paz do “arquitetozinho” enxerido. Acreditando ou não no relacionamento delas, agora mais do que nunca ele sabia que não devia mais ir atrás de Emma. Sua guarda-costas Regina seria implacável todas as vezes.
Antes do ano fechar em alta na construtora, Regina ainda não tinha tirado seus dias de recesso para curtir com o filho e a namorada o natal e réveillon. Foi à empresa tratar de alguns assuntos pendentes na escala para então tirar sua folga merecida sem ter com o que se preocupar depois. Passou o dia em sua sala recebendo e assinando uma penca de documentos enquanto Ruby entrava e saía de seu escritório com cada vez mais coisas para ela resolver, mas não titubeou em resolver cada problema, tinha tempo.
Quase no fim do dia, quando Ruby entrou pela décima vez em seu escritório, a jovem não tinha mais documentos para ela assinar. Regina parou e a olhou enquanto guardava suas coisas.
— O que foi? Mais algum problema, Ruby?
A secretária da porta deu o recado:
— Não sei, Regina. Tem uma pessoa pedindo para falar com você. É um oficial de justiça. Deixo ele entrar?
Gina largou suas coisas de súbito e estranhou.
— Oficial de justiça?
— Sim. — o tom da voz de Ruby era preocupado.
— Deixe ele entrar. — pediu Regina se levantando de sua cadeira.
Ruby abriu a porta e o chamou. Um homem de terno apareceu com uma pasta em uma mão e na outra duas folhas.
— Boa tarde, a senhora Regina Mills? — ele perguntou, sua voz parecia de um locutor.
— Sim, sou eu. Pois não? — respondeu a engenheira.
— Eu me chamo Paul Anderson, da vara de família de Boston. — o homem se apresentou mostrando-lhe sua credencial. — Venho lhe entregar uma citação referente ao processo da guarda do menor Roland Mills. — ele estendeu o documento para Regina.
— Como? — Gina não havia entendido até pegar os papéis. Passou o olho no documento e empalideceu na mesma hora.
— Eu preciso que a senhora assine aqui. — ele lhe entregou outro papel. Regina assinou com pressa duas vezes. Pôs a mão na testa e tomou ar.
— O.k. Só me esclareça, isso aqui é um processo pela guarda do meu filho? — ela perguntou um pouco alterada.
— Perfeitamente, senhora. O dia e horário estão especificados no texto do documento.
— É só isso?
— Sim, senhora. Com sua licença. — e o homem saiu da sala.
— Obrigada. — agradeceu Regina, ríspida, o olhando de olhos bem abertos.
Regina tremia segurando o papel. Olhou para aquilo de novo ofegante. Robin havia armado novamente contra ela. Agora ele queria Roland e não estava para brincadeira. O processo em suas mãos significava mais do que o orgulho ferido dele. Era um pedaço seu que queria tirar a qualquer custo.
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