Skin on Skin

28 All I want for christmas is you.


Notas iniciais
Olá, minhas lindas. Eu voltei, pois é, desculpem o atraso de duas semanas mas estou de volta com esse capítulo bem meigo que fiz pensando em vocês, espero que gostem. Antes de começarmos quero agradecer mais uma vez aos comentários, obrigada pela paciência de quem comentou no capítulo passado e um mega super obrigado à Laly e maleczda que recomendaram a fanfic. Eu nem tenho palavras para expressar a surpresa que tive quando vi essas recomendações de vocês, meninas. Obrigada mesmo pelas palavras, vocês duas me motivaram muito e dedico o capítulo de hoje as duas, ok? Façam uma boa leitura.


Regina voltou para casa extremamente irritada naquela noite. De tudo o que esperava acontecer, jamais supôs que Robin tentaria tirar o filho dela. Aquele era o golpe mais sujo que seu ex-marido estava fazendo consigo. Não queria aceitar, mas nada mudaria aquele homem pelo o que estava vendo. Robin só podia estar doente, pensava.

Chegou batendo a porta do apartamento, ainda tinha o documento do processo nas mãos quando sua mãe surgiu da cozinha assustada com o barulho.

— Minha filha, mas o que houve?

— Robin. Aquele desgraçado! — esbravejou Gina. — Como ele teve coragem?

Cora se aproximou franzindo a cara. Tocou nos ombros da filha a fim de acalmá-la. Regina praticamente espumava pela boca.

— O que ele fez? — Cora levou a filha até o sofá ali perto. — Senta aqui. Fica calma. Quer que eu pegue uma água para você? — ficou preocupada com o estado dela.

— Não, mãe, está tudo bem, eu só não acredito que ele fez isso comigo... Olhe. — entregou o documento para Cora ler.

A mãe de Regina abriu o envelope pardo puxando de dentro o papel com a citação. Passou brevemente os olhos pelas coisas escritas e ficou boquiaberta no mesmo instante.

— Meu Deus! Que absurdo.

— Pois é, mamãe, um absurdo. — murmurou Regina. — Ele quer acabar comigo, ele teve coragem de me processar para ter Roland, eu não consigo acreditar nisso.

— Eu achei pelo o que você me disse que vocês já haviam se acertado.

— Eu também achei que o pesadelo havia acabado. — Gina passou as mãos pelo rosto em seguida nos cabelos jogando-os para trás. Ainda estava abalada.

— Mas será que esse homem não vai entender? E o que ele espera te processando pela guarda do Roland? Ele não tem chances, você é uma ótima mãe, consegue oferecer ao menino uma vida até melhor que a dele. — disse Cora muito certa.

— É isso que eu não entendo, mamãe. Robin quer se vingar de mim, só pode ser isso. Eu sabia que ele não iria me deixar em paz depois de ter me visto com Emma aqui.

Cora pensou brevemente no que a filha disse.

— Ele pode querer usar seu relacionamento com Emma contra você no tribunal.

Regina se assustou a princípio, não tinha pensado nessa hipótese em momento algum.

— Será?

— É uma alternativa que ele pode usar.

Gina suspirou pesadamente.

— Se eu soubesse que isso aconteceria eu jamais teria trazido Emma aqui.

— Minha querida, pare para pensar numa coisa, se Robin não tivesse descoberto por Roland ou no dia em que a viu aqui, mais cedo ou mais tarde ele iria saber. Você está envolvida com Emma, é um relacionamento sério, até quando você achou que esconderia dele?

— Tem razão, mamãe. Mas não me conformo que ele queira usar isso para tirar meu filho de mim.

— Você não pode se esquecer que ele é o pai do seu filho também. — lembrou-lhe Cora.

— Pois agora eu preferia mil vezes que fosse outro homem a ele, como prefiro. — replicou Regina.

Cora se aproximou da filha tomou-lhe uma das mãos e a apertou.

— Parecia tudo tão bem depois que voltei. — lamentou Cora. — Mas o que pretende fazer, Regina? Quando o recesso acabar você vai precisar falar com seu advogado.

— E é isso que vou fazer, mãe, contatar meu advogado. Robin não vai conseguir a guarda do Roland de jeito nenhum. — disse Gina convicta. Se levantou e andou pelo meio da sala, pensativa. — Preciso falar com Emma.

— Você quer chama-la para jantar conosco hoje?

— Não, mãe. Chame o Sidney para vir jantar com você, eu vou até a casa dela, vou levar o Roland, tenho medo que Robin venha pegá-lo e me deixe mais estressada.

— Ele não vai fazer isso. Eu não iria permitir se ele viesse.

Gina voltou-se para a mãe.

— Eu sei, mãe, mas vamos evitar ele por esses dias. — Regina coçou a testa. — Não consigo nem pensar direito.

— Calma, querida. Vá, pegue o Roland e vá conversar com Emma, ela vai saber te acalmar melhor do que eu. — disse Cora logo após um suspiro.

E foi o que Regina fez. Tomou um banho gelado para esfriar a cabeça, colocou algo casual no corpo, pegou o filho e foi ver a namorada. Assim que chegou contou da situação para Emma que prontamente a confortou. Sentadas no sofá falavam baixo para os meninos, em especial Roland, não escutarem muito da conversa enquanto jogavam um jogo de tabuleiro na mesa da sala.

Emma observou o filho de Regina de longe por alguns segundos antes de voltar a falar com ela.

— É muita covardia da parte dele. — disse. — Roland sempre esteve muito bem com você.

— Ele está fazendo isso por vingança. — falou Regina bufando ao se lembrar do ex-marido.

— Nós devíamos ter pensado nisso quando ele me viu no seu apartamento.

— Sim, foi bobeira não termos pensado nisso. Mas não é justo que agora, logo agora nessa época do ano ele me venha com essa ideia absurda.

Emma fitou os meninos de relance, mas eles estavam distraídos demais com o jogo, pôde se aproximar mais da namorada no sofá. Envolveu um braço por seus ombros e a alisou em apoio.

— Você não pode pensar no pior agora, Regina. Eu sei que é uma situação muito chata, mas tenha confiança de que você tem vantagem nesse processo. — disse ela muito calma.

— Tenho medo de Robin inventar alguma coisa contra mim, falar do vício da minha mãe e de você. — Regina olhou para onde Roland estava, preocupada. — Será que ele nunca vai se conformar que acabou?

— Ele estaria mais conformado se vocês não tivessem Roland, mas vocês o dividem. Só tente não pensar muito nisso agora, ele fez com o propósito de te aborrecer até a data da audiência. Se o juiz for bom ele vai considerar que você sempre foi boa mãe.

— Claro que eu sempre fui boa mãe, e aí que está o problema, Emma, “se” o juiz for bom. Robin vai dar um jeito de chamarem o pior juiz, quer apostar quanto?

Emma ficou quieta por alguns segundos para depois falar:

— Acha que ele vai influenciar até nisso?

Regina riu irônica.

— Daquele ali pode-se esperar qualquer coisa, meu amor.

Swan fez que não, mas queria acalmar Regina de alguma forma. Mudou de assunto.

— Olha, eu sei que não devia, muito mais agora, pensei em passar o natal com você este ano.

Gina voltou a olhar para a loira.

— Nós vamos passar o natal juntas, meu amor, já havíamos combinado, não foi?

— Sim, mas não aqui em casa ou na sua...

— Onde então?

— Na casa dos meus pais. — respondeu Emma.

Regina pareceu assustada de repente.

— Na casa dos seus pais?! Mas, Emma, sua mãe e seu pai me odeiam.

Swan sorriu doce. Passou a mão na bochecha da morena.

— Fica calma, eu vou avisá-los amanhã, ninguém vai destratar você, eu prometo.

— Que ideia mais maluca, você está pior que o Robin, meu amor. Ficou doente? — Regina passou uma mão na testa e pescoço da namorada para ver se ela não tinha febre. — De onde tirou isso?

Emma ficou séria.

— Não, eu não estou doente, nem maluca. Eu só quero passar esse natal ao lado das pessoas que eu amo.

Aquilo soou tão direto que fez Regina emudecer. Era quase uma declaração de amor. Não tinha como recusar o convite agora, iria encarar os Swan outra vez mas deixou claro que estava fazendo aquilo por Emma, somente por ela. Abraçou a namorada mais do que depressa, por pouco não a beijou.

— Tem certeza que sua mãe vai me aceitar na casa dela? — perguntou Gina ainda receosa só de imaginar ver Mary Margaret Swan outra vez.

— Minha mãe faz tudo o que eu quiser, ela vai aceitar você querendo ou não. — Emma deu um beijo na ponta do nariz da morena como gostava de fazer em seguida roçou o seu no dela de um jeito discreto.

No dia seguinte, Emma ligou para a mãe pedindo para a senhora Swan colocar mais dois pratos a mesa na noite de natal, pois Regina e Roland iriam com ela. Mary Margaret, como era de se esperar, odiou a ideia e quase brigou com Emma por telefone. Só depois de muita conversa a mulher cedeu e aceitou receber Mills em sua casa mas já avisando Emma de que não seria um mar de gentileza com a engenheira.



Na véspera de natal Emma foi ao apartamento de Regina no centro da cidade buscá-la como haviam combinado. Quando chegou foi recebida por Cora, com certa simpatia da parte da mãe de Regina. A morena terminava de se arrumar enquanto Swan precisou esperá-la um pouco. Sentiu-se um pouco desconfortável por estar sozinha no mesmo cômodo que Cora Mills e estava bastante tímida quando a sogra a convidou para se sentar para terem uma breve conversa.

— Que bom que você convidou a Regina para passar esse natal com você e seu filho. Ela está tão mal com o que houve que nem tem dormido bem... ela precisa de distração. — comentou a senhora Mills.

— Eu no lugar dela não sossegaria também. — disse Emma. — É uma situação muito ruim.

— Nem quero imaginar como vai ser se ela perder o Roland para o Robin. — Cora falou aquilo olhando para trás logo em seguida para ver se Regina não estava por perto. Não queria que a filha se sentisse pior do que já estava. — Eu estou rezando para que dê tudo certo.

— Vai dar tudo certo, a senhora verá. Nesse momento temos que pensar na melhor das hipóteses, não tem cabimento ele querer a guarda do menino, Roland vai continuar com Regina. — disse Swan soando convicta.

— Tem razão, eu também não acho que Robin consiga alguma coisa. Vamos esperar com fé. — Cora assentia, quis perguntar outra coisa a Emma por pura curiosidade. — Me diga, Emma, você já perdoou a Regina pelo o que ela fez com você?

Swan engoliu em seco, desviou o olhar.

— Não entendi.

— Já perdoou a minha filha pela traição? — Cora repetiu a pergunta de outra forma.

Parte de Emma desejava responder à pergunta, mas sabia que devia ser cuidadosa com as palavras e não podia mentir. Perdeu o medo de encarar Cora e falou da forma mais natural possível:

— Na verdade, eu já estava me esquecendo que isso tinha acontecido.

— Hum — gemeu Cora admirada com a resposta. — Interessante. — anuiu a matriarca Mills.

Regina finalmente terminou de se arrumar e aprontar o filho. Apareceram na sala e ela abriu um sorriso enorme para a loira que viu de primeira.

— Meu amor!

Emma se levantou vendo Regina muito bonita vestindo calça, um sobretudo bege e botas de cano longo. Bonita até demais para a noite de natal, mas Emma gostou.

— Que mulher mais bonita. — elogiou Emma indo até a morena.

— Você gostou mesmo? — perguntou Gina. — Devo ter exagerado um pouco.

— Não, está ótima. — Emma pegou na mão de Roland, que parecia uma bolinha de neve com suas roupas de frio, luvas e touca na cabeça. — Bem, podemos ir?

— Sim. — os dois responderam ao mesmo tempo.

Cora demorou-se se despediu da filha e do neto desejando aos dois feliz natal e assegurando que estaria bem com Sidney mais tarde. Também se despediu de Emma dando um abraço apertado na loira pela data e, talvez também, por admiração que tinha agora pela arquiteta ao saber que o passado não pesava tanto na vida dela e de Regina.

Boston na noite de natal estava calma e sem transito. Chegaram rápido na casa dos pais de Emma em Bay Village.

O apartamento onde Mary e David Swan viviam atualmente, assim como todos na vizinhança, era uma bonita construção de tijolos vermelhos por fora. Não era como a casa em que o casal viveu com a filha no passado (que por sinal não ficava longe daquele endereço), era menor, mas nem por isso menos aconchegante. Ficava no primeiro andar e da janela da sala dava para a calçada. Eles viram quando Emma estacionou.

— Até que enfim vocês chegaram! — Henry falou ao abrir a porta para os três. Já estava ali na casa dos avós desde cedo ajudando os dois a preparar a comida e deixar o restante do apartamento arrumado, além de arrumar os presentes na árvore de natal.

Emma percebeu o nervosismo e ansiedade de Regina quando pegou em sua mão antes de entrarem. A olhou e piscou tentando lhe passar segurança, afinal de contas temia como a mãe iria a tratar.

Henry as deixou passar e cumprimentou Roland o trazendo para dentro também. O garoto usava uma touca de Papai Noel na cabeça, a mesma que ganhou do Senhor Gold na festa que foram na semana anterior. Estava muito feliz com a ideia que a mãe teve de trazer Regina para passar o natal com sua família, para ele ela já era da família também. Assim que pôde pegou a amiga e a trouxe até a avó que a viu entrar, em silêncio, já esperava pela filha assim que ouviu o barulho do carro estacionando na calçada.

Mary estava contida em seu canto. Seus curtos cabelos escuros estavam protegidos por uma touca de lã cinza cheia de detalhes. Parecia até mais jovem.

— Vovó, olha quem chegou. — disse Henry se aproximando com a morena.

— Eu estou vendo. — disse Mary — Tudo bem, Regina?

Mills corou abruptamente com a pergunta, mal sabia como agir.

— Bem e você? — respondeu olhando para a sogra com falsa coragem.

— Decerto que bem. — a mãe de Emma a observou da cabeça aos pés, igual da vez em que se encontraram no apartamento de Emma. Tomou ar de um jeito pouco paciente, e por educação fez um gesto convidando à morena. — Fique à vontade, não precisa ter vergonha.

— Obrigada. — Gina sorriu sem jeito, mas ainda assim o clima não estava dos melhores e sabia que não ficaria se não fizesse algo. Chamou Roland para mais perto dela, foi quando Mary o viu.

— E quem é este rapazinho tão lindo?

— Este é meu filho. — Regina respondeu.

Mary abaixou-se para ver o pequeno mais de perto. Ele encantava qualquer pessoa com a carinha de querubim que tinha.

— Como você se chama, meu anjinho?

— Roland. — disse o menino.

— Oh, Roland, que nome bonito. — Mary sorriu para ele. — Você gosta de chocolate quente?

— Eu adoro chocolate quente! — respondeu ele, feliz, abrindo demais seus olhos castanhos para a mulher. Todos riram.

— Mas que ótimo, então venha comigo. — Mary o levou até a cozinha para lhe servir chocolate, e Henry para não perder a chance correu para lá também, deixando Emma e Regina a sós na sala de estar.

Gina passou os olhos brevemente pelo cômodo; Nas paredes feitas de tijolo mais claro e suave, quadros de animais muito coloridos enfeitando. Havia um grande sofá virado para frente da TV. Os móveis eram todos de madeira, um deles Regina se lembrou de ver na antiga casa onde Emma morava no passado. David montara um pinheiro no canto da sala, cheio de enfeites de natal e luzinhas. Mas o que mais lhe chamou a atenção não foi a árvore nem o móvel antigo e sim as fotos em cima dele. Uma verdadeira coleção de porta retratos podia ser vista ali. Muitas das fotografias eram de Emma quando pequena, outras de David fardado da época em que trabalhava como policial, algumas com pai, mãe e filha juntos e uma última foto de Emma mais crescida, com aproximadamente vinte anos. Regina tocou no porta retrato, para olhar a foto de perto, ficou um bocado emocionada.

Emma se aproximou percebendo a emoção da namorada. Tocou em seu ombro e apertou.

— É, acho que eu mudei bastante desse tempo para cá.

Regina colocou a foto no lugar e se virou para vê-la.

— Mudou, mudou muito. Mas não mudou por dentro. Você ainda tem o mesmo coração e o mesmo olhar. — fechou os olhos e encostou sua testa na dela. Sorriram juntas.

— Olá. — disse uma voz um pouco afastada.

Elas olharam para ver quem era.

— Papai. — disse Emma quando viu David.

Do casal, o que menos tinha problemas com Regina era David. No início o ex-policial demorou a compreender o relacionamento da filha, contudo, era um pai amoroso e preocupado com a felicidade de Emma. Não achava que Regina fosse tão culpada na história toda das duas, então ao saber da volta de Swan ao namoro, não protestou como Mary Margaret fez, preferiu ficar na sua. Se Emma estivesse feliz, que continuasse.

David cumprimentou a nora.

— Olá, Regina. Que bom que você veio. Eu vi o seu filho lá na cozinha, ele é bem esperto.

— Obrigada. Ah ele conquista todo mundo, só não é mais esperto que o Henry.

O homem concordou.

— Henry gosta muito de você, ele vive falando que é seu amigo.

— Ele está certo, nós somos amigos desde a primeira vez em que o vi praticamente.

David riu, pegou um biscoito da bandeja em cima da cômoda e ofereceu o restante para a convidada e Emma.

— Vocês não querem um pouco? É da fornada de hoje. Mary faz isso há tantos anos que não perde a mão.

Emma e Regina riram juntas da piada dele.

— Não, acho que vou guardar meu estômago para a ceia. — disse Emma, sentindo o cheiro do peru assando no forno. — Que cheiro bom.

Mary voltou da cozinha com as travessas de comida, David foi ajuda-la trazendo o restante. Foram colocando tudo sobre a mesa de jantar na sala ao lado daquele cômodo. Mary fez muita coisa para a ceia: peixe, pernil, batata e doces de sobremesa. O gordo peru ficou ao centro ao lado das castanhas e nozes também.

Emma puxou uma cadeira na mesa para a namorada e outra ao seu lado para o pequeno Roland. Henry se sentou de frente para elas ao lado do avô e Mary fez o mesmo em seguida. David abriu uma garrafa de vinho servindo as mulheres primeiro e para os meninos serviu suco de uva. Completando, a mãe de Emma quis fazer uma prece em agradecimento.

— Eu gostaria de agradecer a presença de todos aqui neste natal, em especial de minha filha e meu neto querido e de Regina e Roland. — olhou no relógio, já era quase meia-noite. — Muito bem, vamos rezar antes de cear, sim?

Todos juntaram as mãos e fizeram a prece com a mulher, e logo não demoraram a iniciar a ceia.

Vez ou outra, durante o banquete, Mary observava Regina sem se importar de ser percebida. Regina entendia como a mulher se sentia e já esperava por alguma pergunta inconveniente a qualquer momento, mas Emma estava atenta a mãe e meneava a cabeça para ela como se dissesse “Não ouse fazer isso”.

A comida estava muito boa, todo mundo se serviu pelo menos duas vezes. David repetiu três, recebendo uma cutucada da esposa que pediu para ele ter modos, o que fez todo mundo rir. Henry comeu muito frango e já começava a se preocupar com os pesadelos que iria ter, felizmente Emma disse que ele poderia dormir em sua cama com ela hoje. Roland pediu mais suco de uva, estava mais interessado nas sobremesas que Mary gentilmente serviu para ele.

Enquanto Regina bebia mais um gole de vinho Mary não aguentou se segurar, precisava perguntar alguma coisa.

— E sua família, Regina? Resolveu passar a noite de natal longe deles este ano?

Regina ergueu os olhos para ela em desafio. Apertou os lábios e tinha a resposta na ponta da língua:

— Não estou longe da minha família, estou ceando com ela.

Mary recebeu a resposta da nora como quem havia recebido um golpe no estômago. Ergueu as sobrancelhas brevemente, pensando.

— Vovó a gente pode adotar a Regina e ela vai ser da nossa família. — disse Henry todo animado.

— Se depender de Emma e Henry, você tem razão, Regina. — disse Mary olhando para Emma de relance, deu de ombros. — Querido, me passe o pudim. — pediu a David para pegar o doce. Mary serviu em um prato menor a sobremesa e estendeu na direção da morena com um sorriso fácil. Regina não entendeu o que ela estava fazendo.

— Para mim?

— Sim. Experimente. Para você ver que não coloquei veneno nas sobremesas. — a mulher falou de forma calma, não tinha nada de irônico em sua voz. Talvez fosse a bandeira de paz de Mary Margaret.

Regina aceitou e agradeceu, comendo a sobremesa logo em seguida. Emma quase perdeu o fôlego com medo das duas estragarem o natal com respostas atravessadas, mas tudo estava correndo bem. Seu plano de aproximar a mãe da mulher que amava parecia dar certo, ficou feliz.

Na hora de trocarem presentes, os meninos correram para debaixo da árvore abrindo os pacotes com seus nomes. Ganharam dinossauros e carrinhos para as coleções. Mary deu um suéter para o marido e ganhou um perfume dele, além de ter recebido uma bolsa nova de marca de Emma. Por incrível que parecesse, a mulher havia comprado algo para Regina também em nome dela e de David.

Acanhada Mills abriu o pacote e encontrou um livro com o título “As marcas do passado”.

— Quando soube que você viria não pude deixar de comprar este maravilhoso exemplar do meu autor predileto. Esse livro é a sua cara, Regina, tenho certeza de que vai adorar. Feliz natal. — disse Mary novamente com aquele sorriso pronto na face.

— Obrigada, eu não irei esquecer jamais desse presente. — Mills acabou rindo com tanta ironia.

Emma pigarreou e pegou seu pacote debaixo da árvore.

— Algo me diz que o Papai Noel deixou isso aqui para você também. — disse entregando o pacote à Regina.

— É mesmo? — Regina pegou o presente sabendo que era de Emma, beijou-lhe no canto do rosto e abriu. Era uma jaqueta como a que Emma a emprestara quando foram ao cinema assistir Bonequinha de Luxo. — Emma! Uma jaqueta igual a sua... — disse ela tocando no tecido.

— Eu quis te dar uma igual, só não dei aquela minha porque é de estimação. — disse Emma contente pela reação da namorada ao presente. — Eu sabia que tinha gostado muito.

— Sim, eu quase não devolvi a sua. — Regina disse entre risos. — É, linda, meu amor, obrigada. — e deu-lhe um abraço forte quase não largou dela. — Também tenho algo para você. — foi até a árvore e pegou o pacote com o nome da amada, entregando-o. — Feliz natal.

Emma abriu com calma a caixa com seu presente, havia um cartão junto que ela leu depois, dizia: “Feliz natal para a mulher mais importante da minha vida. Espero que goste.”

— Nossa! — Emma encontrou dentro da caixa um bracelete de ouro com seu nome gravado. — Isso é... É... É lindo! — balbuciou, encantada com o presente.

Era tão lindo quanto o anel que havia ganhado de aniversário. Regina a enchia de presentes como aquele, e ainda achava que era pouco.

Trocaram olhares e se abraçaram de lado segurando seus pacotes, a ver os garotos brincando com seus brinquedos novos. Mary observava a cena das duas de perto com certa cautela, mas ainda havia preocupação em seu olhar.

Mais tarde, enquanto Mary, David e as crianças cantavam músicas de natal, Emma quis ficar sozinha com a morena. Ficaram olhando as árvores na rua pela janela, ainda falavam sobre os presentes.

— Eu juro que não esperava ganhar uma jaqueta igual a sua. — falou Regina.

— Eu sabia que não, por isso decidi encontrar uma. — Emma dizia esquentando os dedos de Regina com os seus. — Você olhou direito o pacote? Tinha mais uma coisa além da jaqueta.

— Mais uma coisa? Outro presente?

— É, um presente pequeno que coloquei junto com a jaqueta, você não viu?

— Não. Está falando sério? — Regina pegou o embrulho novamente e enfiou a mão lá dentro. Havia mesmo mais alguma coisa na caixa. O pegou e viu. — Oh, meu Deus... — ela ficou boquiaberta com o que viu. Um pedaço de papel. Apenas um pedaço de papel que conhecia bem. — Eu não acredito...

— Pode acreditar. — disse Emma.

— Emma, o desenho. É esse aqui. — Regina não sabia se ria ou se chorava com o papel envelhecido nas mãos.

— É esse sim, o que você me pediu, não foi? Eu o encontrei, ele é seu.

Regina a puxou para um novo abraço. Emma havia lhe dado um presente ainda melhor que a jaqueta, seu desenho de volta. O mesmo desenho que havia ganhado quando namoraram pela primeira vez e que pediu de volta antes de reatarem.

Seu rosto havia mudado, mas dava para ver que era uma réplica sua na idade em que foi feito, por isso amava tanto aquele desenho que Emma fez para ela. Sorriu muito olhando os rabiscos.

— Onde o encontrou? Quando fui te ver naquela vez você disse que não sabia onde estava.

— Eu o procurei, estava com algumas coisas minhas no meu escritório. Eu achava que tinha jogado ele fora, mas o guardei e nem me lembrava mais.

Regina a tocou no rosto, acariciando sua boca com o polegar, dividindo a atenção com o desenho. Emma também o segurou, teve a sensação de que havia feito o certo devolvendo-o a amada.

— Você sempre soube que eu guardei coisas suas da época em que namoramos. Vou colocar isso aqui junto daquelas coisas. Eu amei a jaqueta mas amei mais ainda ter ganhado o meu desenho de volta. — Mills disse.

— Sabe qual foi o melhor presente que ganhei nesse natal? Você estando comigo aqui hoje, só você, eu só precisava de você por perto hoje. — disse Emma de forma carinhosa, os olhos estavam marejados. Regina se derreteu ao ver isso.

Elas aproveitaram para se abraçar mais um pouco enquanto todos se distraíam. Mas não importava se vissem alguma coisa. Precisavam se amar, se tocar. Não podiam mais viver sem carinho.

Notas finais
Que legal a Emma dando o desenho de presente novamente para a Regina, não foi? Acho que nossa loira está muito diferente daquela que conhecemos no início da fanfic. Bem, e Mary Margaret? Será que dá para confiar nela ou ainda tem uma pulga atrás da orelha? Se você gostou já sabe, acompanhe e deixe aquele comentário bacana. Vale lembrar que eu também aceito críticas, ok? Eu sei que nem tudo agrada e às vezes o retorno com essa opinião é muito proveitoso. Tem gente me perguntando sobre Não Há outro amor para mim... Essa semana tem atualização dela, ok, pessoal? Podem ficar tranquilos. Fiquem bem, bom final de semana, até o próximo. ;D