Notas iniciais
Sejam bem vindas(os). Essa é a segunda fanfic Swan Queen que crio e espero realmente superar expectativas. Sobre o capítulo inicial, posso julgá-lo um pouco cansativo, mas quero que fique claro que a fanfic não será assim por inteira. Então não desistam tão rápido dela, ok? Vou contar com a opinião de vocês. Façam uma boa leitura!


Um par de suntuosos sapatos scarpin negros cruzou a entrada do edifício comercial mais relevante de Boston. O caminhar feminino e elegante de Regina Mills era reverenciado desde os funcionários das empresas menos prestigiadas aos seus colegas da Gold & Mills, construtora de conhecido nome da cidade e nordeste do país.

Misturando-se ao festival de ternos, gravatas e blazers do saguão térreo do edifício, a figura de uma mulher nos seus aproximados 30 e poucos anos, bela tez clara, cabelos curtos de um negro profundo e olhos igualmente escuros, dirigiu-se a um dos quatro elevadores que conduziam os funcionários pelos cinquenta e dois andares correspondentes às diversas empresas de alto cacife do estado.

Ao entrar no cubículo, encontrou Archie, um dos administradores e também um dos acionistas majoritários da empresa, e Jones, um recém formado arquiteto chamado às pressas pela construtora para suprir a vaga de Graham, que havia deixado o empreendimento após um desentendimento com Regina.

— Bom dia. — disse ela encarando os dois e virando-se em seguida para ver a porta de aço se fechar à sua frente.

— Bom dia. — eles responderam mutuamente. Trocaram olhares atrás dela e ajeitaram suas gravatas numa combinação de movimentos cômica.

— Feliz pelo primeiro dia de trabalho, Jones? — perguntou a mulher, enquanto firmava os dedos das mãos na alça da pasta executiva que carregava.

— Um pouco nervoso. — ele confessou.

— Não se preocupe. Para Gold ter lhe chamado, significa que ele confia em você, não acha?

Regina deixou evidente seu tom de deboche na voz. Jones percebeu que não se tratava de um incentivo.

— Certamente. Eu só espero que ele não confie demais.

O rapaz fez uma alto critica. Endireitou-se, pigarreando.

— O que é isso, amigo? Trabalhar na Gold & Mills é uma chance única. Qualquer jovem arquiteto como você não poderia estar melhor empregado. — disse Archie.

— Eu odeio admitir, mas preciso concordar. — Regina comentou ácida.

Antes que Jones pudesse argumentar mais alguma coisa, o elevador fez sua parada no andar quarenta. Os três saíram em conjunto ao abrir da porta de aço, seguindo pela recepção da construtora.

A empresa ocupava quatro andares do arranha céu. O andar quarenta era conhecido por abrigar a presidência e salas dos essenciais profissionais, entre eles, empreiteiros, arquitetos e engenheiros. Regina era a principal profissional de engenharia atuante no local. Foi trazida pelo pai, Henry Mills, ao completar maturidade para lidar com grandes projetos e eventualmente substituí-lo no empreendimento que socializou com Robert Gold, o fundador.

Henry fora um profissional de extremo respeito e reconhecimento. Homem riquíssimo, tornou-se famoso por participar dos projetos de edificações, resorts e escolas no Maine. Para a infelicidade da família Mills, resumida em Henry, Cora – a mãe – e Regina, o patriarca faleceu de uma doença cardíaca, que o assomou em questão de poucos meses após sua descoberta. Porém, seu maior desejo, o de fazer da única filha uma engenheira tão competente quanto ele julgava-se, realizou-se.

Dentro da empresa, Regina era tão respeitada e temida quanto Robert Gold. Sua faceta mal humorada, em muito colaborou para a fama de “rocha humana”. Algo que tentara mudar com o passar do tempo.

Uma das únicas, ou talvez a única que possuía talento suficiente para lidar com Mills, era Ruby: uma secretária muito competente, de traços exóticos, cabelos escuros longos e olhos claros, aparentemente magra demais para sua altura.

Naquele dia, nada de atípico ocorreu, quando viu sua chefe passar pela recepção a cumprimentar cordialmente meia dúzia de acionistas, à espera da primeira reunião do dia marcada para ás nove da manhã em ponto. Ruby teria de entregar duas pastas e pedir que Regina liberasse outras. Assim, a seguiu até sua sala individual.

A engenheira rompeu pela porta com a sutileza de um furacão, largando-a aberta, justamente por saber quem vinha atrás.

— Certo, Ruby o que temos para hoje? Diga logo, Gold já deve estar impaciente esperando para começar, ou não? — perguntou Regina, descarregando a pasta que possuía numa das mãos sobre a mesa executiva de tampo de vidro.

— Bom dia pra você também, — disse a secretária, já acostumada com o ritmo da chefe. Entregou-lhe uma folha. — antes de ir para a reunião, preciso que deixe assinada essa petição para a prefeitura. Logo aí em baixo.

Ela apontou o lugar no papel esticando-se na mesa. Regina sentou-se em sua poltrona de mal jeito, já sacando sua caneta tinteiro de um dos bolsos do blazer.

— Espera. Tem que ter alguém para assinar isso. Por que eu? — a chefe indagou antes que rabiscasse o papel.

— Porque o pedido de licença está no seu nome. — Ruby foi direta enquanto a fitava de perto. — E é melhor fazer logo, além do Gold como você imaginou, o homem já está aí.

— Quem? O empresário do Michigan? Já chegou? — Regina pareceu surpresa.

— Ele mesmo, e está com pressa. Gold já montou a sala de reuniões, os acionistas estão à sua espera. Isso você já viu.

Regina apalpou seu blazer.

— Cadê meus óculos, hein? — pensou apressada. — Pega meus óculos na sala do xérox. — mandou.

Ruby correu dali, quase topando com Archie ao cruzar a porta. Enquanto ela saía ele entrou tratando de apressar Regina:

— Pronta? Já preparei o contrato, mas preciso de você lá.

— Me espera só um minuto, está faltando assinar aqui... — ela deixou sua rubrica nas cópias da petição, tampou a caneta caprichosamente e anuiu para ele. — Agora eu posso ir. Quanto tempo falta?

Archie fitou seu relógio de pulso por debaixo da manga do terno.

— Dois minutos.

— Ai meu pai eterno, estou atrasada! — ela levantou-se, largando sua mesa em completa desordem de papéis. Quase que Ruby não consegue alcançá-la para entregar seus óculos.

Regina foi a última a entrar na sala de reuniões, logo atrás dos acionistas e Archie. Encontrou Gold e o contratante sentados, à sua espera em especial. O dono da empresa fez questão de apresentar sua melhor engenheira:

— Ah! Que bom que chegou Regina. Este aqui é Maurice, nosso interessado das obras do hotel.

Regina estendeu a mão imediatamente para o homem de feições carrancudas. Ele ergueu-se para cumprimentá-la.

— Muito prazer! É uma grande satisfação conhecê-lo.

— Então você é a famosa Regina. Eu ouço falar muito bem de você. — o homem a olhava como se a investigasse. Apertou sua mão por longos segundos e concluiu: — Eu confesso estar surpreso.

— Comigo? Oh, não se preocupe, estou acostumada com elogios.

— E merece todos obviamente, porém, me ocorreu um fato curioso. A senhorita aparenta ter a mesma idade da minha arquiteta.

— Hum... Emma Swan. — falou Gold, quando lembrou-se do nome.

Regina franziu as sobrancelhas. Sentiu sua alma congelar. O nome lhe incutiu um medo tão profundo que suas palavras não a alcançaram.

— Algum problema? — perguntou Maurice, percebendo uma palidez envolver o rosto de Regina.

— Você tem certeza desse nome? Emma Swan? Não seria outra? — Regina questionou sombriamente.

— Claro que sim. Ela é nossa arquiteta há três anos. É nossa melhor profissional do ramo, com toda certeza. Emma Nolan Swan. — o homem ditou o nome. Foi um motivo para Regina balançar a cabeça ainda mais incrédula. — Por quê?

— Não! Nada, é que eu... — Regina deu um sorriso sem jeito.

— Eu até pensei que vocês se conheciam. — disse ele.

Gold decidiu interromper, ansioso para finalizar o acordo que teria com Maurice.

— Muito bem, vocês terão tempo para fazer amizade no sábado, até porque Emma está convidada para o casamento. Ela e Belle são amigas. — Gold referia-se a seu casório com a filha do governador do estado, a jovem Belle. — Agora vamos nos sentar, acomodem-se e vamos começar.

A morena fitou Robert bastante assustada. Era inacreditável o que acabara de ouvir. Seu coração disparou do nada e sua vista embaçou.

— Incrível! — sussurrou a mulher para ela mesma. Regina desabou em seu lugar na enorme mesa de reuniões, ao lado de Gold e de frente para Maurice.

Com a memória abalada, seus devaneios correram por cenas de um passado pouco distante onde ela e Emma Swan eram parceiras. Haviam se conhecido numa festa de um amigo em comum na juventude, e dali não se desgrudaram por completa culpa de uma paixão avassaladora.

(...)

Ela teve as mãos atadas pelas de Emma na madeira da porta. Enquanto seu corpo era investigado pelos lábios da jovem loira, sua pele ganhava a vibração do arrepio e a quentura da excitação. Tinham fugido de novo. A festa que acontecia no andar de baixo da casa pouco importava para ambas, era mais um motivo para arranjarem a desculpa de se encontrarem, e a música alta camuflava suas ações dentro do quarto do anfitrião que acabaria virando a suíte de amor ideal.

As roupas foram caindo pelo chão enquanto caminhavam apressadas, na direção da cama de solteiro. Tombaram no macio, entre afagos e esfregões. As respirações pesadas e misturadas se encontraram, assim como a sonoridade de guitarra, violões espanhóis e bongôs juntos, da música que vinha de baixo. Era a terceira vez que faziam aquilo e, a cada vez que se encontravam com aquele propósito, era melhor.

Regina ergueu o tronco por cima de Emma, com suas coxas repousadas a cada lado do corpo da loira para que tomasse suas mãos até seus seios cobertos pela renda do sutiã e o abrisse. A peça despencou revelando um par de seios recém moldados nos bicos enrijecidos. Emma apertou ambos com as mãos e Regina soltou um gemido bastante erótico.

Houve mais de um beijo nos lábios. Ondulavam-se, as unhas estavam igualmente presentes, arranhando ombros e costas quando a morena fora dominada e Emma estava por cima. Uma mão chegou entre as pernas de Regina e a massageou por ali. O trabalho que Swan tinha ao beijar e lamber seu pescoço com frequência era recompensado pelo arfar de Regina.

Emma seguiu com seu percurso molhado pelo tronco e seios da parceira até senti-la orgasmar e enfraquecer. Ela ria sob a loira que já se perdia nas horas gastas no deslumbramento da vivacidade encontrada nos lábios de Regina. Começou a imaginar o nascer do dia com ela, o zelo de seu sono e no possível roçar de seus dedos na pele dela pela manhã. A incerteza daqueles encontros haviam levado Swan a um sentimento exasperado que ela sabia exatamente o que significava.

Emma tomara uma decisão. Tirou do bolso de trás da calça Levi’s uma aliança de prata que enfiou em um dedo da mão direita de Regina. A jovem de cabelos escuros olhou para Emma sem entender.

— O que significa isso?

— Significa o resumo desses três encontros que tivemos.

Regina o olhou bem, estava perfeitamente encaixado em seu dedo anelar. Ela deu um breve suspiro.

— Você tem certeza?

— Eu nunca tive tanta certeza de uma coisa na minha vida.

Ela aceitou a aliança, puxando Emma para um beijo mais intenso e cheio de fome. Começariam outra sessão de carícias e prazer. O curioso era que naquele momento entenderam que não era mais apenas sexo.

(...)

— Uma verdadeira ilha da fantasia. O projeto também inclui shopping, cinema, parque temático, quadra de esporte, piscina, hotel, e num futuro bem próximo um grande cassino. — Gold dizia.

— É um projeto bem ambicioso. — Maurice comentou de seu lugar.

— Ambicioso e possível como mostramos nas planilhas. O transporte será feito por barcaças. É claro que para quem puder, lanchas mais velozes e até helicópteros. Saída de diversos pontos da cidade, o aeroporto, a marina e até mesmo do maior edifício de Boston. Deu para perceber a magnitude do nosso negócio?

— Maravilhoso! — disse Maurice contemplando o mapa e uma cópia reduzida da ilha em um painel.

— E não se esqueçam, vocês devem o projeto à Regina, ela planejou tudo, tem a assinatura dela em cada uma das construções. — Archie ressaltou perto deles. Os acionistas em sua maioria olharam em sua direção. Regina ainda estava em transe.

— Tem toda razão. Ninguém faria melhor. Não é verdade, Regina? — Gold perguntou, com os cotovelos apoiados na mesa. Os olhos da engenheira estavam tão abertos e parados que pareciam os de uma mocinha em filmes de fantasmas. — Regina?

Ela acordou.

— Sim? Pois não? Podemos começar? — de súbito, pareceu que a mesa fora tomada em silêncio e que todos a estavam olhando. Ela corou, tentou disfarçar com um sorriso. — Me desculpem.

— É muito trabalho para uma mulher só. Você tem uma verdadeira gênia na sua empresa, Gold. — Maurice fez o elogio.

— Filha de peixe... Regina herdou o talento do Henry. — Robert Gold completou.

Regina anuiu e deixou que o restante do acerto entre as partes fosse definido.

Não abriu sua boca para dar um pio sequer até que a reunião estivesse terminada. Quando deu-se conta já estava despedindo-se dos acionistas e Gold. Fora a primeira reunião em que sua cabeça girou em torno de um assunto totalmente distinto. Não conseguiu acompanhar nada após ter tido notícias de Emma. O passado voltou com força e muita insistência.

Ao fim do dia, livre da reunião e dos paparicos dos estagiários, Mills foi para seu apartamento na cobertura de um edifício no centro de Boston.

O fim da tarde refletia laranja da varanda onde uma larga porta de vidro de correr dividia o interno do externo. Regina chegou, largando sua pasta em cima do sofá branco e negro como todos os seus móveis naquele recinto. Caminhou até a vista no vidro e suspirou pesadamente. “Emma Swan.

Havia sido um dia perdido no trabalho por não ter conseguido fazer nada do planejado corretamente. Mas como ela conseguiria com a descoberta que havia feito? Seu amor da juventude estava na cidade e ainda por cima era amiga de alguém que ela conhecia bem há bastante tempo.

A morena havia cometido um erro fatal ao julgamento de Emma que jamais a perdoou. Arrependeu-se amargamente e, hoje, depois de viver um relacionamento cheio de crises como fora o com Robin, perguntava-se se sua vida estaria resignada ao erro. Emma fora o amor de sua vida, sem sombra de dúvida.

(...)

— Pelo o amor de deus, esquece tudo isso que aconteceu. Olha pra mim Emma, me perdoa. — dizia Regina com lágrimas escorrendo pelos olhos, parada na soleira da porta. Estava quase soluçando.

— Eu não posso.

Emma estava de costas para ela, nas sombras. Foi a última vez que se encontraram na casa da família Swan e, depois dessa, não mais estiveram juntas outra vez.

— Por favor — dizia a voz chorosa. — Emma. Eu amo você mais que tudo na minha vida. Eu estou te dizendo isso de coração aberto.

— Sabe o que eu acho Regina? Você não sabe. Você nunca soube o que você queria da vida. Você entrou nessa comigo por vaidade.

— Você acha que se eu não me importasse eu estaria aqui? Pedindo o seu perdão? Implorando pra que você me entenda? Pedindo pra você voltar pra mim?

— Regina, eu não posso aceitar. — Emma virou para ela e, mesmo no escuro, Regina a percebeu de olhos marejados. — Não é fácil, como se eu fosse sangue frio a esse ponto. Você não pensou em mim. Você tomou uma atitude e achou mesmo que eu não descobriria? Isso é o cúmulo. — Emma tomou ar. — Você só está conseguindo falar comigo nesse momento porque eu fui obrigada a me convencer do quanto estive errada sobre você.

— Emma, eu não sabia que isso te faria tão mal. Isso foi em outro lugar, você nunca ficaria sabendo. — a morena tentou enxugar as lágrimas que rolavam pelo rosto. — Eu juro. Aconteceu. Estava com a cabeça muito perturbada, eu fiz muita besteira nesse tempo, eu estava perdida.

— Pare de inventar desculpas! Você não é a vítima. Você é cínica e mentirosa. Traidora! — Emma não aguentou mais, esbravejou em fúria.

(...)

Toda vez que a cena surgia na mente, Regina precisava conter o pesado nó da garganta. Por pouco seus olhos não se enchiam como se estivesse vivenciando toda a cena novamente. Os ecos da lembrança a perseguiram por quatorze anos.

— Querida! Já chegou? — Cora Mills apareceu na porta do apartamento, desajeitada segurando no colo o neto, Roland.

— Oi!

Regina foi pega de surpresa pela fala da mãe. Virou-se e derreteu-se com a cena. Foi até os dois e tomou nos seus braços o filho que adormecido parecia um anjo.

O garoto era filho de Regina e Robin, de um casamento que não deu certo. Tinha cinco anos e há dois vivia com a mãe e a avó no apartamento em Boston. Era o xodó da família. Seus cabelos eram cacheados e tão negros quanto os de Regina. Herdou muito pouco da aparência do pai e, também, não tinha tanto apego quanto como tinha com a mãe. Não que Robin fosse um pai ausente ou ruim, mas o advogado não dispunha de tanto tempo na ponte aérea Nova York-Boston. As visitas eram poucas ao menino, porém, Regina preferia assim.

— Disse a professora que ele brincou muito hoje. Por isso está assim. Ele está começando a ficar pesado. — reclamou Cora, ajeitando a mochila do menino em cima de uma mesinha.

— Sim. Ele vai crescer depressa. Eu vou pôr ele no quarto. Daqui a pouco ele acorda morrendo de fome.

Regina se mexia com o garoto no colo como se o ninasse. Fazia isso mesmo sem necessidade.

Ela já ia saindo com cuidado e calma para o corredor quando sua mãe a chamou:

— Regina.

— Sim? — ela parou e virou o rosto.

— Está tudo bem?

Regina hesitou a princípio, e mentiu.

— Sim. Por que não estaria?

E dali saiu com o filho nos braços.

A mulher de cabelos castanhos e bastante vaidosa para uma senhora da sua idade sorriu singelamente como se conhecesse bem a filha que tinha. Regina não estava completamente bem, e isso Cora viu em seus olhos negros.

A mãe repousou o corpo do filho em sua própria cama, tirando-lhe o casaquinho e o par de tênis infantil. Roland tinha o sono pesado, e quando acordava parecia sempre faminto demais. Regina alisava os cabelos do pequeno, desejando ter a idade dele novamente. A inocência da criança nada se comparava aos pecados que ela um dia cometeu. Se ele tivesse ideia do mal que a mãe fez para alguém, talvez sentisse vergonha. Regina tentaria esconder aquilo até onde pudesse.

O olhar melancólico para o filho tinha um quê de curiosidade. “Será que Emma já teve filhos?” Foi outro pensamento que passou por sua cabeça.

Ela levantou-se do lado do pequeno com muita cautela para não despertá-lo. Foi até seu closet, abarrotado de gavetas até o teto. Numa delas, a mais escondida de todas, justamente a que possuía um fundo falso, encontrou um álbum de fotografias que puxou de dentro. Nele havia uma vida em imagens. Uma Regina que existiu em outra época e que vez ou outra era recordada.

Seus dedos roçaram pela capa de tecido do objeto e o abriu. As imagens estavam embaraçadas. Desde uma Regina adolescente a uma moça tornando-se mulher, e numa dessas fotografias estava ela e Emma.

Aquele sorriso era inconfundível. Como o amava. O rosto de Emma tão rente ao seu, parecia feliz. Desejou vê-lo mais uma vez. Dedilhou a imagem, retirando-a do álbum.

— Mamãe? — Roland a chamou da cama.

Ela guardou o que tinha na mão com pressa, lacrando-o novamente no lugar de antes, a foto retirada enfiou em uma gaveta qualquer à vista. Precisou voltar ao quarto para abraçar seu pequenino.

— Meu amor! — Regina viu o filho de pé no seu lado da cama. Ela o abraçou com todo o carinho que podia.

— Mamãe, eu estou com fome. — resmungou Roland.

— É mesmo? — ela o fitou, fingindo surpresa. — Pois muito bem. A mamãe vai preparar aquele omelete que você adora e depois, adivinha!

— A gente vai tomar sorvete!

— De chocolate!

— Oba! — o menino agarrou-se na mãe que o encheu de beijos pelo rosto e inúmeras cócegas pela barriga. A risada de Roland preenchia o recinto e iluminava o rosto de Regina com um sorriso repleto de ternura. Quando ele parou de se contorcer, olhou para ela com aquela carinha esperta para logo perguntar: — Mamãe, sábado nós vamos no cinema?

Regina franziu o cenho sofridamente por precisar dizer que não ao filho:

— Não, meu amor. Nesse sábado eu preciso ir ao casamento do tio Gold. Você se esqueceu? Mas eu prometo que no próximo final de semana nós iremos ver aquele filme de fantasmas que você quer tanto assistir. — ela afastou os cabelos que caíam na testa do garoto para ver seus olhinhos. Era uma Regina diferente da engenheira poderosa e profissional da Gold & Mills. Ali era apenas uma mãe, uma ótima mãe.

— Eu não posso ir no casamento, mamãe? — ele perguntou da maneira mais inocente possível.

— Não, meu amor. Você ficará com a vovó, mas a mamãe vai voltar no domingo e passará o restante do dia com você, tá bem?

Ela encostou sua testa na dele. Se olhavam meio vesgos pela proximidade. O garoto acabou entendendo. Pulou da cama e saiu correndo pelo quarto. Regina o viu sair e ficou a pensar justamente no evento do final de semana. O casamento de Gold e Belle. “Será que eu vou te ver de novo, Emma?” Perguntou para ela mesma. Ela desejou que aquilo fosse possível, e teria quase uma semana pela frente para recordar e se preparar para o possível reencontro que abalaria novamente seu coração.

Notas finais
Que tal, pessoal? O que mais atraiu vocês nesse capítulo? Se estiver chato podem descer a lenha, mas como dito antes, não ficaremos nisso a fanfic inteira, certo? Há muita coisa para acontecer. Desde já agradeço a paciência e carinho que vocês tiveram comigo na minha primeira história. Começando essa espero ter esse mesmo apoio. Fiquem bem e até o próximo capítulo! ;*