Skin on Skin
5 Is that the way you see me?
Notas iniciais
Na chuvosa manhã de sábado, Regina aprontava uma mochila com mudas de roupa para o pequeno Roland. Robin, seu ex-marido, buscaria o garoto por volta das dez da manhã. Aproveitariam o início das férias escolares do menino. Levaria o garoto para Nova York, e o advogado também aproveitaria a ocasião para pôr suas obrigações como pai em dia, já que não via seu pequeno desde começo do ano quando mudou-se em definitivo para a maior cidade do país.
A ideia da presença de Robin naquele apartamento, mesmo que por poucos minutos, irritava Mills, muito mais do que ela mesma esperava quando se separaram. O casamento destinado ao fracasso ainda causava-lhe arrependimento, porém, sempre que os pensamentos cruzavam com a vida ao lado do pai de seu filho, ela precisava refletir sobre o menino. Talvez não tenha sido de todo o mal, ela tinha Roland, e dele não abriria mão. Se pudesse, não permitiria mais a entrada do ex em sua casa, mais ainda, deixaria de exigir sua presença por perto, mas não mandava, nem tinha o direito de impedir o filho de ver o pai. Por mais que não fizesse diferença alguma na vida dela, o menino era filho dele também.
Quando Regina fechou a mochila do garoto, separando-a em um canto na cama, sentou-se no macio para acordar Roland que havia adormecido com medo dos incessantes roncos de trovões que anunciavam a chuva desde a noite anterior. Seus dedos percorreram os brilhantes cachos negros da cabeça do filho. Era o que mais amava fazer; fitá-lo, a acarinhar seus cabelos enquanto ele dormia feito um querubim.
— Bom dia, principezinho... — sussurrou a mãe, para acordá-lo. — Já são nove horas.
O menino resmungou enquanto acordava. Virou-se para o lado da mãe e abriu os olhinhos bem devagar para então espreguiçar-se.
— Mamãe, meu papai já chegou? — disse ele com voz preguiçosa.
— Ainda não, querido. Daqui a pouco. Primeiro você precisa tomar seu café e se aprontar. — Roland fez que sim, ainda espreguiçando o corpo miúdo, arrancando um sorriso da mãe. — Vai, levanta meu preguiçosinho.
Roland sentou-se, se desfazendo dos lençóis.
— Mamãe, você não pode ir com a gente?
— Ir para onde, meu amor?
— Nova York.
Regina o fitou sem jeito. Deu um meio sorriso e alisou uma das bochechas do menino com dois dedos.
— Querido, eu já expliquei para você que eu e seu pai não vamos mais viver juntos. Nem viajar, nem passear.
— Ele nunca mais vai morar aqui?
— Não mais. Porque nossa vida juntos não deu certo.
Ela tomava cuidado nas palavras. O menino parecia não compreender.
— Então você não ama o meu pai?
Regina engoliu seco com a pergunta do filho.
— Eu gosto do seu pai, só não mais do que antes, entende?
Ele fez que sim. Não pareceu triste. Abraçou a mãe pelo pescoço antes que saltitasse pela cama e fosse tomar café.
Quando Robin chegou, sendo recepcionado pelo garoto, tomou-o nos braços e apertou-lhe com força. Cora assistia tudo de longe, imparcial.
— Ah, meu menino! Que falta você fez!
Roland envolveu seus bracinhos e pernas no corpo do pai, agarrando-se no homem que não via há seis meses.
Adentrou o apartamento, acenando para a ex-sogra que o cumprimentou com toda a educação que tinha.
— Como vai, Robin?
— Muito bem, obrigado. E a senhora?
— Pope-me do senhora. — alfinetou. — Vou muito bem.
Ele já ia perguntar de Regina quando a mulher surgiu no recinto, vestida de trajes causais e nem por isso menos elegante. Uma blusa vermelha de gola alta, calça jeans e botas de cano baixo.
— Bom dia.
— Bom dia, Regina. — respondeu o homem, deixando o filho deslizar para baixo. Tentou aproximar-se. — Como você está? — estava latente sua ainda paixão pela engenheira. Os olhos vidrados, uma emoção nas feições, ele assumia facilmente o que sentia.
— Estou bem. As coisas de Roland estão nessa mochila. — entregou a Robin. — Ele já tomou café, banho. Vai suportar bem a viagem. De qualquer forma você já o conhece e com certeza ele vai dormindo o tempo inteiro.
— Sim. Ele é preguiçoso desde que nasceu. — Robin bagunçou os cabelos do filho que o fitou com uma careta. Quando voltou a olhar para a morena a sua frente, falou: — Regina, podemos conversar por alguns minutos? Ainda há tempo para o voo, eu precisava falar um assunto com você.
Cora de onde estava chamou o neto:
— Roland! Venha com a vovó um pouco.
A filha olhou na direção da mãe, e a viu assentir como se entendesse que os dois em questão precisavam ficar a sós. O garoto correu sem reclamar, sumindo apartamento a dentro com Cora.
Robin parecia sem jeito de tocar no assunto, mas precisava fazê-lo.
— Eu pensei que com as férias do Roland, você talvez se interessasse em tirar uns dias de folga. Poderíamos ir juntos para Nova York, você ficaria na minha casa.
— De jeito nenhum. — Regina logo tratou de intervir a fala dele. — Você acha que eu ficaria mesmo na sua casa, depois de tudo, Robin? Você deve ser louco.
— Não, Regina. Eu achei que seria interessante se você fosse conosco. Roland comentou que você tem parado pouco em casa, ele sente falta da sua companhia. Viajar com ele seria muito bom para nós dois.
— Está insinuando que sou uma mãe ausente? — ela encheu-se de indignação. — Você não sabe o quanto o meu trabalho é estressante. Roland está sendo muito bem cuidado! Não é porque me separei de você que isso mudou.
— Claro que não, Regina, não me interprete mal. Roland me contou por telefone que sente sua falta, você trabalha demais. É natural que ele se sinta sozinho. — Robin tentou consertar.
— Eu trabalho muito para dar tudo o que ele merece de bom. — ela virou-se, indo na direção da sacada. — O que mais ele disse a você? — ficou curiosa para saber, sua fala pareceu menos ofendida.
— Que sente falta de quando eu morava aqui. Que gostaria que eu voltasse a viver aqui.
A mulher voltou sua pose para o ex, de testa franzida.
— Meu filho te disse isso?
— Sim. Com todas as palavras.
Ela riu debochada.
— Robin, que absurdo! Você não tem vergonha de inventar essas coisas para tentar me convencer?
— O quê?! — perguntou ele, agora ofendido. — Você está dizendo que... Não fui eu que inventei! Foram palavras do próprio Roland!
— Ora, não me venha com essa, você está louco pra que eu volte a viver com você. — disse ela com cara de nojo.
— Para ser sincero, sim, eu adoraria voltar a viver com você, mas jamais usaria de mentiras para que isso acontecesse.
— Ok, Robin, vou fingir que acredito.
— Você pode por gentileza pode parar com essas insinuações? Eu não pus nada na cabeça do meu filho, foram coisas que ele me contou. Você precisa parar com essa sua mania de acusar as pessoas sem saber a verdade, Regina. Posso continuar gostando de você, mas desse jeito já é demais suportar. Chame meu filho, nós vamos embora agora.
— Pode esquecendo dos seus planos de me reconquistar, queridinho. Roland pode me implorar de joelhos, eu não volto pra você.
— Roland! — chamou o garoto, estava bufando de raiva e por pouco não segurou Regina com suas próprias mãos. — Roland! Vamos! — ele andava de um lado para o outro antes que perdesse o controle. Regina sabia muito bem como provocá-lo, ele não ficaria ali para implorar que ela parasse.
Ambos se olharam friamente uma última vez antes de Roland vir correndo de um dos grandes cômodos.
— Papai! Nós já vamos?
Robin pegou o filho no colo e a mochila, antes largada em cima do sofá.
— Sim, filho. Já está na hora. — ele deu as costas com o menino. Roland jogou beijos para a mãe.
— Tchau, mãe!
— Tchau, meu amor. Bom passeio. — Mills o viu sair pela porta, nos braços do pai que nem despediu-se dela.
Refletindo brevemente, achou que pegou pesado, principalmente quando lembrou-se do que o filho perguntara naquela mesma manhã.
O restante do dia seria de intensa insistência em esquecer a discussão que teve com Robin. A engenheira enfurnou-se no escritório no amplo apartamento, afim de adiantar uma série de planilhas envolvendo os gastos e eficiência das obras em que trabalhava. Não era do seu feitio fazer do final de semana para mexer naquilo, mas nas circunstâncias acabou precisando usar o trabalho como válvula de escape. Tinha a sua frente no computador tudo o que precisava e na mesa de tampo de vidro, tão parecida quanto a sua no escritório da empresa, os desenhos projetados por Emma no dia anterior.
Já cruzava a tarde sem parar um minuto sequer, e até seu sanduiche e copo de suco de maracujá, trazidos por sua mãe, estavam intactos num canto da mesa. Tinha entre os dedos os desenhos de Emma, analisando-os e estudando as melhores alternativas para que os projetos dela e seus entrassem num acordo na folha orçamental. Era um trabalho dos empreiteiros que acabou fazendo para mostrar o quanto era competente estando no lugar de Gold. Rumava para o fim, porém, sentiu falta de uma folha quando abriu um dos mapas da região, desenhado a mão pela loira. Era incrível seu talento para desenhos. Pontos, formas, rabiscos e detalhes que nenhum outro arquiteto teria percebido. Emma tinha memória fotográfica. E mais uma vez Regina lembrou-se das qualidades aguçadas de Swan.
(...)
A jovem de cabelos escuros ondulados que batiam em suas costas, lia pacientemente um livro de física, hora ou outra grifando uma linha, em espaços importantes que encontrava no texto. Estava deitada de bruços, com as pernas para o alto, usando um travesseiro de apoio para o exemplar de estudo. De certa distância, a namorada fazia um barulho fino com o lápis favorito, criando no papel do bloco que tinha numa das mãos, uma imagem que somente ela conseguia enxergar. Os traços de Regina no papel iam se formando a cada singelo contorno de pintura preto e branco. O que parecia ser muito simples para Emma, para quem visse, era obra de artista.
Quando parecia ter acabado, sentia que faltava outro toque. Pouco usava a borracha.
Os olhos eram as partes mais difíceis de se fazerem, pelo menos para ela, as que mais devia tomar cuidado em criar. Quando desenhou no formato do rosto quase completo, contornou por muito tempo afim de encontrar a expressão única que tinham. Eles falavam por si.
A concentração de Regina acabou junto com o capítulo que estudou. Mirou Emma da cama, encontrando-a empenhada no bloco de papel, até que seus olhos se chocaram e Swan reclamou:
— Não se mexa! Fique como estava.
— O que você está fazendo? — perguntou Regina.
— Não se mexa, eu tenho que terminar isso.
Regina fechou o livro e levantou-se da cama para ir até a namorada. Emma escondeu o que tinha nas mãos, estava sentada num divã.
— Deixa eu ver, Emma! Me dá aqui! — insistiu Regina, tentando tomar das mãos dela.
— Não. Não está pronto ainda, você tem que voltar pra lá. — Emma quase brigava com a morena para não mostrar o desenho. Regina finalmente conseguiu pegá-lo das mãos dela, apelando para cócegas em sua barriga. — Ai! Isso é jogo sujo!
— Meu Deus! — disse a morena abismada.
— Eu disse que não estava pronto. Eu ainda preciso retocá-lo, falta muita coisa, o nariz, o cabelo, e principalmente os olhos, eles não estão no ponto que eu quero.
— Emma... Você tem noção do que fez?
— Claro que sim, eu concordo que preciso usar um lápis 6b para aprimorar os fios de cabelo. As sobrancelhas também, e esse cantinho aqui em cima do olho, está vendo? — Swan se contorcia, tentando mostrar no papel onde julgava estar errada.
Regina olhava seu retrato, boquiaberta.
— É a coisa mais incrível que eu já vi! Como você fez isso?! É impressionante!
Emma fez uma cara de discordância.
— Você acha mesmo?
A morena fez que sim. Olhou para a namorada e entregou-lhe o papel.
— Então é assim que você me vê?
— Assim como?
— Como no desenho.
Emma o olhou, em seguida via Regina esperando sua resposta. Sorriu.
— Não, para mim é ainda mais bonita ao vivo.
E novamente viram o desenho. Para Regina, os rabiscos de Emma mostravam-lhe um outro lado seu, o lado puro.
Swan sentiu seu queixo ser tocado pelos dedos da morena. Um beijo foi-lhe roubado. O bloco e o desenho caíram no chão para que Emma ganhasse sua recompensa pela obra de arte que fez.
(...)
Sabia muito bem o que estava fazendo ali. Era o edifício onde Emma e seu filho moravam.
Estacionou o carro bem rente ao meio fio e desceu. Coçou as mãos suadas e andou até a calçada. Era fim de tarde quando chegou, e torcia muito para que Emma estivesse em casa.
Tinha a desculpa da página ausente do projeto na ponta da língua, foi então que decidiu subir. Lembrou-se do número do apartamento descrito na ficha de Emma na Gold & Mills. Até aquilo já havia checado com a volta da antiga namorada.
Tremia um bocado quando chegou no quarto andar, muito mais quando viu a porta do apartamento e o tapete no chão com “Bem-vindo” escrito.
Com toda a coragem existente no mundo, apertou a campainha. Demorou para ser atendida, talvez porque do lado de dentro Swan a viu do olho mágico e espantou-se muito com sua presença.
A porta finalmente foi aberta. Era ela, Emma, estava ali.
Mills a viu dirigir-lhe um olhar desconfiado, precisaria dizer alguma coisa.
— Oi... Emma... Eu... Me desculpa vir aqui sem avisar, é que eu estava trabalhando e percebi que esqueci de uma folha com você.
Emma a olhou de cima a baixo umas duas vezes. Não disse absolutamente nada.
Ao fundo Henry viu quem estava na porta.
— Regina! Você veio! Entra! — veio ele correndo em sua direção e a puxou para dentro para o pavor de Swan.
— Oi! Oi, Henry. Está tudo legal? — ela roçou os dedos por sua face, um pouco sem graça.
— Melhor agora. Eu e minha mãe estávamos fazendo uma competição de xadrez, mas ela é muito ruim, já perdeu três partidas. Você sabe jogar xadrez? — perguntou ele, todo serelepe.
— Sei. Sei muito, desde pequena.
— Então você deve ser melhor que a minha mãe, senta aí, vamos jogar uma.
Emma interrompeu:
— Ahmm, Henry, Regina não veio jogar xadrez, não a incomode.
Mills virou-se para ela e quis amenizar.
— Ele não me incomoda, e eu adoraria jogar uma partida de xadrez.
— Está vendo, mãe? Ela quer. Não fica com ciúmes, daqui a pouco eu ganho de você outra vez, ok?
Swan puxou ar, como quem perdia a paciência.
— Henry, fica quietinho um pouco. A Regina queria falar comigo, não é? — olhava para ela.
A mãe de Henry estava vestida com trajes de dormir. Adorava fazer aquilo nos finais de semana. Andava pela casa com uma calça larga e uma regata, os cabelos soltos e chinelos. Regina percebeu bem o estilo largado. Chamava a atenção de alguma forma.
— Oh sim! Eu disse que havia esquecido com você uma folha, a segunda parte do mapa da ilha. Eu estava trabalhando nas planilhas e precisava do desenho para calcular os objetivos. — depois disso Regina pigarreou.
— Sei... E era tão urgente para você vir até aqui buscar? — Swan perguntou, de braços cruzados.
— É... Um pouco. — a engenheira baixou a cabeça envergonhada.
— Tudo bem. Eu vou pegar pra você. — A loira desfez o nó dos braços e foi ao seu escritório, voltando tão rápido que mal deu tempo de Regina passar seus olhos pelo apartamento. Certamente que o local era menor que o seu, mas era a cara de Emma; confortável, espaçoso e simpático. — Pronto, tá aqui. — estendeu a folha para Regina.
— Obrigada! Era o que eu precisava. Eu agradeço muito, Emma.
— Não precisa. — dessa vez Swan sorriu.
— Bem, eu já vou indo então...
O garoto interrompeu outra vez:
— Regina, você não vai ficar? Poderíamos jantar juntos! Hoje é dia de pizza aqui em casa.
Emma o repreendeu com o olhar. Mills não deixou de gostar da ideia, mas não podia dizer muito.
— Err... Não sei. Eu na verdade...
A loira completou.
— Na verdade Regina precisa ficar com o filho dela, não é isso?
— Bem, não muito. Roland viajou com o pai hoje de manhã. Como ele está de férias, achei que fosse melhor deixá-lo uns dias com Robin.
Nesse momento Mills desviou o olhar, como se tivesse se arrependido do que disse.
— Poxa! Então você pode ficar conosco hoje. Por favor, mãe, que tal se a Regina jantasse com a gente.
O garoto era insistente. Sorria para Emma do sofá e seria muito difícil resistir àquele sorriso brilhante. A situação invocava a arquiteta, não crendo que em tão pouco tempo Regina havia conquistado Henry. Como podia? Acabou acatando o pedido do filho, do contrário do seu desejo.
— Tudo bem. Ok, Regina, fique conosco essa noite, está convidada para jantar com a gente. — suspirou.
Mills observou a loira.
— Vocês tem certeza? Não quero atrapalhar nada. — ela mexeu as mãos, rendida.
— Sim, temos certeza. Fique. — respondeu Swan.
Henry mostrou o resto do apartamento para Regina. Os pertences de Emma chamavam-lhe muita atenção. Alguns brinquedos no quarto do garoto pareciam-se muito com os de Roland, alguns Henry doaria por não serem mais para uma criança da sua idade. O menino foi gentil em oferecê-los ao filho de Regina, mas não precisaria deles. Enquanto Emma preparava sua especialidade, que eram as pizzas caseiras, os dois foram ouvidos pela casa, rindo alto. Foi uma distração e tanto para o sábado à noite. Emma não estava satisfeita com a situação, jamais pensou na visita de Regina. Sabia que tinha um fundo de verdade o seu pensamento da morena em querer vê-la mais vezes, assim como foi quando insistiu em dar carona à ela dois dias antes.
Swan colocou a bandeja com as mini pizzas no forno. Regina apareceu na porta da cozinha como um fantasma, dando um tremendo susto na loira que precisou se recompor com o pulo que deu.
— Minha nossa! Que susto!
— Me desculpa, Emma. Eu não quis assustá-la. Eu só queria saber se precisava de ajuda. — a morena veio se aproximando.
Com a mão no peito, Swan foi se aliviando.
— Não, tá tudo bem. As pizzas já estão no forno.
Um pouco acanhada, Regina comentou:
— Gostei muito desse apartamento. Você soube deixá-lo com cara de lar.
— Era a minha intensão. — Emma forçou um sorriso.
O sorriso nervoso se repetiu da parte da morena.
— Seu filho é um amor. Você tem uma verdadeira joia em casa.
— Eu sei. Henry é tudo pra mim.
— Posso imaginar, é como me sinto com Roland.
Percebendo o desanimo toda vez que falava do pequeno, Emma olhou bem para a mulher e perguntou:
— Regina, o que houve com seu filho?
Ela precisou erguer os olhos para a loira, mesmo hesitando na hora de falar.
— Nada. Não me diga que você percebeu?
— Não sei o que houve, mas sei que andou se aborrecendo, ou estou errada?
Regina abraçou seus próprios braços. Fez que sim.
— Não está. Foi com o pai dele. Discutimos hoje de manhã.
— Eu poderia saber por quê?
— Porque Roland sente falta de nós dois juntos e eu achei que estava colocando coisas na cabeça do menino.
— Eu lamento. — disse Emma a observando com pesar.
Regina virou-se para esconder os olhos que lacrimejavam. Swan sabia bem o que aquilo significava. Entregou-lhe um lenço tirado de uma caixa na bancada, tentando tranquilizá-la. Ficou de fato preocupada.
— Obrigada. — agradeceu Regina quando pegou o pano, ainda escondendo o rosto.
— Fica calma. Você ainda pode ser feliz com ele e seu filho, todos juntos.
— Não é o que eu quero. Eu não amo Robin.
Emma Swan engoliu seco.
De repente, Regina decidiu tocar num assunto diferente.
— Você se lembra de quando me desenhou pela primeira vez?
A loira deu um passo para trás.
— O quê?
— Você se lembra de quando fez um desenho meu? Não é possível que não se lembre.
Por mais que Emma tentasse, não aguentaria conter seu sofrimento com recordações.
Acontecia sempre. Qualquer lembrança, mesmo que boa, tornava-se ruim por saber que no final tudo dera errado. Tratando-se de Regina, pressionando a recordar daquilo, quis apertar-lhe o pescoço, todavia, imaginou-se por velozes segundos, abraçando-a e amando-a ali, na cozinha, na mesa, entre os pratos, entre os copos. Se Henry não tivesse aparecido no momento exato, poderia ter visto uma cena pouco apropriada.
— Já arrumei a mesa, mãe.
A loira saiu de perto de Regina muito rapidamente e desengonçada, abriu o forno para checar as pizzas. Estavam no ponto.
— Estão prontas. Eu vou levá-las para a mesa.
Estavam com muita fome para terem comido cinco daquelas cada um. Henry batia na barriga muito feliz, mal tinha espaço para o refrigerante.
— Uau, mãe! Estavam ótimas. Eu acho que você caprichou dessa vez só porque a Regina veio. — disse.
— Não brinque com isso, garoto. — repreendeu Swan.
Regina levantou-se de forma educada, já era hora de ir.
— Bem, eu não vou mais atrapalhar o sábado de vocês, foi realmente muito bom ter jantado pizzas, eu nunca fiz isso.
— Você nunca jantou pizza, Regina? Não sabia o que estava perdendo, agora todo sábado que quiser, é só vir aqui em casa. — disse ele entre risos.
— Henry tem razão, quando você quiser é só aparecer. — Emma quis ser simpática. — Eu levo você até a porta. — e levantou-se a segui-la pelo apartamento.
— Tchau Henry, muito obrigada pela companhia, foi divertido.
— Tchau Regina. Vê se volta mais vezes, você ficou me devendo uma partida de xadrez.
Despediram-se, com Emma cruzando na frente dela para abrir a porta antes que ela chegasse.
— Obrigada, Emma. Desculpe o incomodo.
— Relaxe, não foi nada. — Emma sentiu sua mão ser pega pela dela e roçar na camisa de manga comprida vermelha que ela vestia. Recebeu um beijo na bochecha esquerda e viu a morena sair de seu apartamento em seguida. Regina não olhou para trás.
Ao fechar a porta, quando se virou, não encontrou mais Henry na mesa, mas viu o papel pedido pela engenheira quando chegou. Ela havia esquecido.
Swan concluiu que Regina não estivera ali pelo pedaço do projeto, e sim por outro motivo.
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