Notas iniciais
Como vão vocês? As férias andam boas? Vamos começar com a primeira parte da saga dos encontros e desencontros das protagonistas, que deve render bons momentos entre elas em cada um. Mais lembranças das duas no passado, e uma situação não programada que acabou acontecendo. Acreditem, o nome do capítulo fala muito pela Emma hoje. Façam boa leitura!

(...)

Seus passos se confundiam ao som das folhas velhas pisoteadas no chão enquanto caminhavam em uma alameda de árvores em um parque no East Boston. Roçavam os dedos enquanto estavam lado a lado. Compartilharam de um sorriso e troca de olhar carinhoso. Não precisavam dizer muito para entenderem como se sentiam. Os suspiros bastavam.

Emma parou de súbito quando percebeu uma fila de hortências criar um muro ao lado do lago do parque. Era literalmente encantada por flores, plantas. Tanto que o que mais tinha desenhado nos seus blocos, eram rosas.

Destacou a plantinha das outras com toda delicadeza do mundo, oferecendo a Regina. A jovem aceitou o presente como se fosse a primeira entre as mil e uma “rosinhas” que recebeu de Emma desde o início do namoro. Estava bem acostumada com a atitude de ganhar dela todas aquelas folhas minúsculas que com o tempo acabavam murchando, – daí o motivo para Emma oferecê-la sempre uma diferente – e para ela nunca era o bastante. Sentia a necessidade de Swan de agradar e querer mostrar-lhe seu amor, mesmo que vez ou outra a loira invocava-se e transformava seu lado doce num poço de indelicadeza.

Regina tinha um caderno consigo, onde sempre que recebia dela um item marcante, guardava. Poesias e confissões se misturavam em pedaços de papel de bombom, marcas de batom e as pétalas das rosas. Era o diário delas. E em tempos difíceis nos quais viviam, qualquer resquício de cada vez devia ser guardado para ser lembrado. Não sabiam quando se encontrariam de novo, já que Henry Mills proibira a filha de ver a garota Swan até que esta fosse embora do Massachussetts. Elas não obedeceram as ordens do patriarca Mills. Quem disse que suportariam?

Mills guardou no caderno a mais nova flor da coleção, reparando em Emma em seguida, parecendo aborrecida de repente.

— Que foi?

— Nada. Estava pensando. Qual Será a próxima vez que vamos nos encontrar? — perguntou Emma, erguendo seus olhos para os de Regina. Naquela época eles eram tão verdes quanto as esmeraldas do colar que sua mãe ganhou pelos vinte anos de matrimônio. — Vai ser muito difícil aguentar.

— Emma, não pense que não sofro quando estamos longe uma da outra. Eu tenho ódio do meu pai por todas essas imposições que ele inventa. Ele não gosta de você, mas vai gostar, eu irei convencê-lo. Em todo caso, vamos arrumar uma maneira de nos encontrarmos sempre, como agora.

— Sabe o que eu tenho vontade de fazer? — nesse momento Emma virou o poço de indelicadeza. — Ir na sua casa e conversar cara a cara com ele. — bateu uma mão fechada na palma da outra e franziu o cenho.

— Não, por favor, não! Não é uma boa ideia. Ele vai humilhar você. — Regina tocou na face dela.

— Eu não tenho medo do seu pai, Regina.

— Sei que não. Mas quero preveni-la.

— E então como ficamos?

Emma adotou uma expressão triste.

— Vamos acreditar no destino.

— Destino?

— É, o destino! Ele não pode nos separar. Estamos destinadas a ficar juntas para sempre.

Encostaram suas testas uma na outra.

— Já ouvi alguém dizer isso em algum lugar. — Emma brincou.

— Não, você nunca ouviu alguém dizer isso, impossível. — reclamou Regina.

— Claro que sim. Está numa música do Elvis.

— Gosh, Emma! Você só sabe escutar música velha. — a morena acabou caindo na risada.

(...)

A primeira coisa que Emma fez quando chegou à empresa na segunda de manhã, foi dirigir-se a sala de Regina. A engenheira retirava da pasta aqueles exatos papéis que trabalhou no final de semana e dos quais um faltava. Swan o trouxe na mão para devolvê-lo, já que a mulher havia o esquecido na visita ao seu apartamento no sábado.

Bateu na porta e entrou, meio carrancuda, sem hesitar em ir até ela na mesa.

Regina a viu e sorriu, involuntariamente. Pensou coisas que não envolviam o trabalho delas, e isso em suas mais profundas esperanças de que Emma ainda a amava.

— Emma? Bom dia! — disse Regina com o rosto iluminado. Largando os papéis para olhar somente a arquiteta.

— Você esqueceu isso no sábado. — estendeu a folha do projeto. — Não foi isso que me pediu quando foi na minha casa?

O tom da voz dela não parecia dos mais amigáveis. Regina corou.

— Meu Deus! Eu esqueci mesmo? Onde estava com a cabeça?

— Provavelmente em outro lugar, mas não no projeto. — Swan deixou a folha em cima da mesa de Regina, preparando-se para sair dali depressa.

— Emma, espere! Eu precisava sim da folha, queria a folha para terminar essas planilhas, só que acabei me distraindo com o seu filho, com você. Não pense que fui até o seu apartamento para fuçar na sua vida.

Emma riu-se.

— Pois pareceu.

Regina deu a volta na mesa e andou até Emma, cruzando os braços para discordar.

— Você pareceu não se incomodar comigo lá. Pelo contrário, até me deixou jantar com você e seu filho.

— Por que eu sou uma pessoa educada.

— Ok, eu percebi que você não queria, mas não fez esforço quando Henry pediu que eu ficasse. Eu acho que isso é um pouco de consideração.

— Consideração do quê? Só por que agora você virou minha chefe?

— Sim, por isso também.

— Não crie situações para me deixar desse jeito. — Swan balançava a cabeça.

— Desse jeito como? — Regina deu mais dois passos até Emma.

— Boba, cega. Eu não devia ter acreditado em você. No fundo eu sabia que você iria me fazer lembrar de alguma coisa.

— Fala isso porque comentei do desenho? — descruzou os braços. — Olha, Emma, mais cedo naquele dia, eu me lembrei de quando você me desenhou, observando toda a cartografia da ilha. Você sempre desenhou muito bem, não perdeu o talento. Seria impossível não recordar.

— E foi me procurar para me perturbar?

Mills a fitou. Mesmo próxima e pouca coisa mais baixa, analisou seu corpo. Nas vestes formais ficou ainda mais bonito, o cinza era uma cor que caía-lhe bem.

— Eu não fui até lá para perturbar você. Eu confesso que queria te ver. E você não precisa ficar toda nervosa quando eu falo algo que lembre o passado. Como eu mesma disse, é passado. Acontece que ele foi importante pra mim, tem coisas que eu não quero esquecer.

— Mas eu sim. — Emma concentrou todo seu olhar em cima dela. Regina percebeu que seus olhos já não eram mais tão verdes. — Não importa o momento que seja, eu sofri no fim de tudo.

Suspiraram. A conversa chegaria a um ponto ruim para ambas as partes se não parassem.

— Desculpa. Não era minha intenção ofender você indo até a sua casa. Eu juro.

— Tudo bem. Eu entendo que você também estava mal com a situação do seu marido. Não tinha para quem recorrer, não é?

— Pois é. — Regina disse baixo, fazendo que sim. Alisava o braço por cima da manga do blazer. — Eu precisava espairecer. Foi bom ter passado um tempinho com você e o Henry.

Na porta da sala, Ruby apareceu interrompendo as duas.

— Com licença. Estão precisando de vocês duas na reunião comercial.

Elas se olharam como se não lembrassem do compromisso.

— Nós já vamos. — disse Regina.

— E mais uma coisa... Boa sorte no Menton hoje à noite.

— O que há no Menton hoje à noite? — perguntou Emma, um tanto ansiosa.

— O jantar com os acionistas. Não me digam que esqueceram?

Emma fez uma careta.

— Logo hoje? Numa segunda-feira?

— Ah, coisas de empresa. Já teve vezes de irmos em jantares de negócio em pleno sábado, não foi Regina? Mas se fosse no Menton eu não reclamaria, é chiquérrimo! Vocês tem sorte. — comentou a secretária, jogando as pontas dos cabelos para o lado.

Regina revirou os olhos e bufou.

— É verdade, eu me lembro de Gold ter me encarregado para esse jantar antes do casamento. Desculpe não tê-la avisado, Swan, você chegou depois. A que horas, Ruby? — perguntou Regina.

— Às sete e meia.

— Então isso significa que eu preciso estar lá também? — Emma não pareceu muito feliz. Fez mais uma de suas caretas.

— Sim, você precisa. — completou a engenheira, enquanto assentia.

Mais tarde, quando anoiteceu, a loira encarava os cabides de terninhos expostos no closet, a decidir-se qual deles era melhor para a ocasião. Sendo um jantar de negócios, precisaria estar ainda mais apresentável do que costumava se vestir para ir trabalhar. Emma, de roupão e toalha na cabeça, deslizou os dedos por uma peça escura entre as diversas, recebendo um pigarreio de reprovação do filho que sentara na cama para bisbilhotá-la.

— O que, garoto?

— Esse não. — Henry foi até ela, para puxar do canto do armário um blazer azul claro. Ofereceu a ela, que franziu as sobrancelhas. — Esse sim.

— Mas esse? Eu estou indo para um jantar de negócios, não para um encontro.

— Mas precisa estar bonita, não precisa? Anda, vista. Você já está atrasada.

Ela olhou para o rádio relógio ao lado da cama e se surpreendeu com a hora.

— Céus! Já é isso tudo?!

— Já. É que você tá aí parada olhando suas roupas faz meia hora.

Devia se apressar. Vestiu o conjunto de roupas da mesma cor em exceção da blusa negra por baixo. Secou os cabelos, passou perfume e por fim, a fina camada de maquiagem na pele da face que evidenciava as maçãs de seu rosto e os olhos. Quando pôs os sapatos, estava pronta.

Henry observou a mãe se arrumar com olhos brilhantes de admiração.

— Agora eu tenho que correr. — Swan disse enquanto estava de frente para o espelho da cômoda, passando um batom avermelhado nos lábios. Terminou. Olhou para o menino estático e perguntou: — Que foi? Tem alguma coisa errada? Tô feia?

Ele apenas sorriu antes de comentar:

— Você é a mãe mais linda do mundo! — disse ele indo em sua direção para abraçá-la na altura do estômago.

Emma achou aquilo tão meigo que não resistiu e deu-lhe um afago nos cabelos castanhos e um beijo na bochecha quando abaixou para ficar a sua altura. Ofereceu-lhe um sorriso doce.

— Tá, tá... Agora me deixe ir, se não chego lá amanhã e Regina ficará furiosa.

— A Regina vai também?

— Vai. E do jeito que ela é, já está lá a uma hora dessas.

A mãe despediu-se do filho, fazendo mil e uma recomendações para que o garoto se comportasse enquanto estivesse fora nas horas seguintes. Sabia que Henry se cuidava e se comportava, mas era sempre bom ressaltar o que podia e não podia fazer, já que o menino era a esperteza em pessoa.

Saiu de casa faltando dez minutos para chegar ao South Boston. Óbvio que não chegou na hora certa. Eram 20:15 quando estacionou seu New Beattle e conseguiu chegar no restaurante fino. Carregava uma bolsa de mão ao seu lado enquanto o salto baixo dos sapatos ecoava no chão. Da recepção, o maitre a dirigiu para uma sala privada onde em uma enorme mesa, constava apenas uma pessoa: Regina Mills.

A morena estava com a face tão fechada que demorou a perceber a aproximação do homem que acompanhou Swan até ali. Quando chegaram, levou um susto cômico.

Senhora Mills, perdoe-me a intromissão, a senhora Emma Swan acaba de chegar. — disse ele, logo saindo da frente do amor da vida de Regina.

Depois de um instante em silêncio, só para fita-la da cabeça aos pés, a engenheira, vestida numa roupa tão parecida quanto a de Emma, só que de cor marfim, pediu que se sentasse. Para a arquiteta, ver apenas Regina comparecendo naquilo que seria a reunião, preocupou.

Com a ajuda do homem, Emma se sentou de frente para Regina, encarando-a sem receios.

— Eu sei que me atrasei, bastante até, mas não era para um grupo de pessoas estar aqui nessa sala também? — perguntou a loira.

Regina esperou o maitre se retirar antes de responder.

— Era. Exatamente como você disse, era. Eles ainda não chegaram. — sua voz soava um tanto quanto aborrecida, com razão. Estava ali desde as sete e quinze.

— O que será que aconteceu?

— Não faço a mínima ideia. Já liguei para metade dos números que tenho no meu celular e ninguém me responde. — a verdade era que Regina havia ligado para uma só pessoa do grupo, quis dramatizar.

A sala privada era o canto mais elegante do restaurante, a vencer o objetivo de acomodar os clientes de maneira mais confortável possível. Era uma mesa única, com muitos lugares e muito tamanho. Coberta por uma vasta toalha de linho bordada nas pontas, e nem se falava dos talheres, legítimos em prata. Emma conhecia o restaurante de nome e teve ainda mais certeza da pompa do ambiente quando passou seus olhos pela iluminação suave que dava às paredes um tom caramelizado. Se não soubesse que jantaria com um bando de pessoas, poderia jurar que estava em um jantar romântico com Regina.

— Posso confessar uma coisa? — perguntou a engenheira.

— Claro. — disse Emma.

— Estou morrendo de fome.

Ao ouvir Regina dizer aquilo, Swan não quis negar. Seu estômago roncou de uma maneira que apenas ela ouvia e sentia. Da forma como fitou a mulher a sua frente na mesa, entregou seu estado de espírito.

— É, eu não estou muito longe de você.

Mills deu-lhe um sorriso, de imediato o desfez, suspeitando muito do atraso do grupo de pessoas que esperavam.

— Já está ficando tarde. Quanto tempo vão demorar mais? — disse ela, batendo uma das mãos na mesa. Se estivesse com muita fome se irritava fácil. O celular de Regina apitou em sinal de mensagem. Ela o levou aos dedos, fazendo uma cara que na mente de Emma não significava boa notícia. Respirou fundo. — Eu já suspeitava.

— O que houve?

— O grupo perdeu o voo para Boston.

— Oh, really?! — Swan disse aquilo tão assustada que nem percebeu que quase derrubara um copo com o movimento brusco que fez na cadeira. — Você está brincando, não está?

— Não, eu não estou... É o que me dizem na mensagem. Que lamentam muito porque chovia demais e os voo foram cancelados em Nova York. — Regina ainda olhava a tela do seu celular. Do lado oposto da mesa Emma batia suas unhas nervosamente. — Pelo visto, seremos somente eu e você na reunião.

— Err... Não brinca! — a loira sorriu sem jeito. Regina percebeu.

E começou o momento em que ambas não sabiam o que falar ou concluir.

Um silêncio constrangedor pairou por longos segundos. Uma olhou nos olhos da outra. Parecia peça pregada pelo destino, pensou Emma. Destino. De novo ele.

— Se você não se incomodar, eu vou pedir que sirvam o jantar mesmo assim. É minha convidada. — Regina falou com a seriedade que adotou.

A arquiteta respirou pesado. Não sabia se aquilo era armação ou simplesmente coincidência.

— Eu acho melhor que eu vá embora. Sem reunião, não há motivo algum para ficar.

— Emma, por favor! Não fique chateada. É estranho isso ter acontecido, eu sei. Se você for embora, eu perco meu apetite. — Regina quase esticou sua mão em cima da mesa para pegar a dela. Controlou-se com todas as forças possíveis.

Depois de muito protesto mental, a loira de cabelos presos, decidiu ficar onde estava. Assentiu, para a alegria de Mills, que muito rapidamente chamou o maitre a fim de fazer os pedidos da noite.

Concordaram com a sugestão da noite, quiche Lorraine, um prato muito pedido de quem ia ao restaurante. Regina não deixou de pedir também que trouxessem da adega o melhor vinho da casa.

A fome delas cessaria em meia hora, não poderiam passar o tempo apenas caladas se olhando de relance uma vez ou outra. A morena estudou Emma com cautela, sem querer ser provocativa.

— Você ficou muito bem de azul.

— Adivinha quem escolheu?

— Henry?

— Ele. Se ele não tivesse fuçado no meu armário eu viria de preto ou de cinza de novo. — lembrou a loira.

— Você fica bem de muitas formas. São raras as cores que não vão lhe cair bem, Emma. — Ela sorriu. O vinho chegou. — Obrigada, pode deixar a garrafa, nos servimos daqui. — disse a engenheira ao garçom que as serviu atenciosamente. Assim que ele se retirou, a morena ergueu sua taça cheia, tinha a intenção de brindar, poderia ser o recomeço da boa convivência entre elas, era um sinal que buscava desde o retorno de Swan. Acontecera por muita sorte, em dados momentos do dia, quase desistiu de correr atrás dela, porém, bem lá no fundo precisava pensar nela, senti-la por perto.

Emma ergueu sua taça em igualdade entendendo o recado que o olhar de Regina dizia.

— Eu espero que a comida daqui seja tão boa quanto as minhas pizzas. — brincou Swan.

— Também espero. Hoje especialmente. — Regina comentou. — Eu já vim aqui muitas vezes com meu pai. Não sei porque Gold escolheu esse restaurante, eu acho ele tão mais propício para jantares em família e encontros.

— Eu concordo. Quando cheguei tinha pelo menos uns três casais em mesas com velas e decoração romântica.

Num instante, Regina corou. Se tivesse armado para aquilo acontecer, seria numa dessas mesas como Emma havia dito. Tentou mudar aquele assunto, apesar de ser difícil não remeter nada a situação.

— Entenda esse jantar como forma de agradecimento por sábado. Eu me diverti.

— Eram apenas pizzas. Não um foie gras. — Emma sorriu antes de bebericar do vinho.

— Mesmo assim estavam ótimas. É sério! — ela largou sua taça deixando a mão sobre a mesa livre. — Você não acredita mesmo que eu tenha gostado?

— Ah, Regina... Você sempre comeu do bom o do melhor. Se encantar com simples pizzas caseiras não faz muito seu tipo.

— O que é isso, Emma? Você sempre soube que eu odiava caviar ou aqueles malditos escargot que me obrigavam a comer.

— E nunca reclamou.

— Por que eu não podia.

A bebida já subia a cabeça de Emma, era sua segunda taça naquele instante. Não era forte para qualquer que fosse o drink.

— No fundo você não queria reclamar. Você era bem frouxa por causa do seu pai.

— Ah, eu era frouxa? — Regina ergueu suas sobrancelhas um tanto. — Diz isso porque não era você a única herdeira dele. Decepcioná-lo era um problema grande... Nem tão grande, imenso! — deu ênfase na última palavra.

— Santo Cristo dos Milagres! Você tinha medo de decepcionar seu pai se não comesse caviar?

— Sim. — concluiu a morena.

— Desculpe, isso pra mim já é doença.

Mills incomodou-se.

— Se você continuar, eu me levanto e vou embora daqui agora. — disse, corada nas bochechas pelo vinho que esquentava seu sangue tanto quanto as de Emma.

— Vai ficar bem estranho quando trouxerem a comida e você ter ido embora, não acha? Foi você que fez o pedido, Regina.

Trocaram olhares de provocação.

O primeiro pedido foi servido a elas numa generosa porção em cada prato. A torta parecia suculenta demais para um prato francês, e nem por isso deixaria de ser degustada por ambas.

Bon appétit madam!falou o garçon enquanto curvou-se, deixando-as a sós em seguida.

A refeição durou algum tempo. Não se falaram mas trocavam olhares com frequência. Parecia um jogo de paciência, quem aguentaria mais tempo? Regina perdeu, pois ao terminar, muito educadamente por sinal, limpou seus lábios no guardanapo de pano e disse:

— E então?

— E então o quê? — disse Emma segundos depois de acabar em seu prato.

— Como estava o quiche? Bom? Ruim?

— Ótimo, por incrível que pareça. Não estava dando nada por essa torta.

E finalmente Emma limpou sua boca no guardanapo.

— Vamos pedir a sobremesa?

— Ah, não. Por favor não, eu tenho que ir para casa. Henry está sozinho.

— Você deixou Henry sozinho? Como teve coragem? — Regina perguntou, indignada.

— Ele está acostumado a ficar sem mim. Não adianta, eu não confio nessas babás daqui.

— Coitadinho! Leve pelo menos uma coisa para ele. Eu vou mandar prepararem uma embalagem.

Ela já ia chamando o maitre quando Emma a impediu segurando seu pulso.

— Regina, não. Não precisa.

Sentindo o calor e a mão de Swan ficar ligeiramente úmida ao tocá-la, Mills se embaraçou. Estava um pouco tonta, não era efeito do vinho.

— Por que não? Se soubéssemos que o grupo de acionistas não iria aparecer, ele poderia ter vindo.

— Deixa. Ok? Deixa. Não se incomode. Não precisa tentar agradá-lo. Ele já te adora.

— Então você já quer mesmo ir embora? — o tom de Regina era um pouco decepcionado.

— Preciso. Muito obrigada pelo jantar.

Regina sentiu-se oprimida de início. Decidiu então não se conter e fazer um pedido a Emma para que de uma vez por todas derrotassem a sensação de desconfiança que as rondava.

— Emma, posso te pedir uma coisa?

Swan fez o movimento com a cadeira para trás, só não levantou-se.

— O que é?

— Vamos encerrar o assunto passado nas nossas vidas? Pela nossa melhor convivência. O destino nos pregou uma peça, colocando a gente cara a cara outra vez, e é muito desconfortável trabalhar com você ou conversarmos sem que toquemos nesse assunto sempre. Eu fiz muitas vezes hoje, eu sei, é só um pedido pra que você não pensei que eu quero o seu perdão a qualquer custo. Chega. Passou. Temos outra vida agora, não precisamos mais nos agredir pelo o que houve um dia.

Ouvir aquilo de Regina pesou mais do que a comida em seu estômago.

— Destino... Sempre ele.

Foi a única coisa que Emma disse. Saiu dali confusa, perturbada. Nem esperou pela engenheira. Queria correr, sumir, chorar... Saiu pela calçada apressando os passos. Apoiou-se num poste, tomando ar antes que seus soluços começassem. Não soube dizer quanto tempo demorou, pensando no pedido de Regina.

— Maldito destino. — sussurrou ela para si. A noite no restaurante não seria esquecida com facilidade. Agora ela tinha completa certeza de que não conseguira extinguir o sentimento que mais lutou para matar; Seu amor.

Notas finais
Caramba! Me deu vontade de comer Quiche agora... HAHA Bem, meninas, não quero estragar expectativas nem adiantar fatos porque acredito que vocês prefiram as surpresas, não é isso? Vamos seguindo o fluxo normal da história, então. Ao pessoal que comentou e me deu sugestões no último capitulo, podem ter certeza de que vou usá-las no decorrer da história. Muito obrigada pela confiança e esse retorno que é muito importante. A história não para, até logo.