Skin on Skin

3 I'm such a fool for you.


Notas iniciais
Bem vindas ao capítulo três! Não vou acrescentar muito sobre ele, mas vocês saberão um pouco mais sobre a vida da Emma ao fim dele. Eu espero que a leitura seja boa. No final nos falamos mais. Apreciem!

Quando Regina chegou à construtora na manhã de segunda, com a mão esquerda enfaixada e enormes olheiras presentes na face, seu humor não era dos melhores. Ruby conhecia a chefe o suficiente para saber que algo acontecera e não era coisa das boas. Não arriscou dar bom dia, muito menos perguntar o que ocorreu. Sabia que levaria um fora merecido, e para evitar mal estares foi direta ao que precisava avisar, logo que adentrou o escritório:

— Você está escalada para uma reunião às dez.

Regina levantou os olhos de onde estava e fitou a secretária. Parecia ter saído de um filme de terror. Era de se estranhar que uma mulher tão vaidosa e preocupada com a aparência como ela se permitisse ir trabalhar naquele estado. Pela primeira vez chegou daquela forma à empresa, mas parecia pouco se importar, estava derrotada.

— Reunião? Gold não foi para as Bahamas? — a engenheira perguntou em tom enjoado.

— Ele ainda vai. O voo está marcado para as duas da tarde, e ele adiantou que só veio aqui hoje porque tem um assunto muito importante que não trataram na última reunião. Parece ser urgente. — Ruby esclareceu.

— O que seria tão urgente? Ele não pode esperar duas semanas que sejam?

— Não. Duas semanas é o mínimo para começarem as obras na ilha.

A engenheira apoiou um cotovelo em sua mesa e a cabeça na mão. Deu um suspiro tão longo que quase lhe faltou oxigênio ao fim.

— A ilha... Maldita ilha.

Mills foi a primeira a chegar na sala de reuniões. Esperou sozinha ali dentro por quase uma hora por pura opção. Imaginar o que ela pensava não era difícil, tinha um nome certo e forte: Emma Swan. Antes fossem lembranças boas como os momentos da juventude. Ela não esquecia o encontro na festa de casamento, muito menos das palavras ditas pela ex-namorada, doídas e rancorosas. O tempo de nada serviu para curar a mágoa. Ter quebrado a taça de vinho ao vê-la dançando com Jones foi a maior prova de que ainda sentia-se dona de Emma. Porém, sentir-se dona de alguém e trair sua confiança não foi a melhor das escolhas.

Estava nauseada quando seu melhor amigo na empresa, Archie, chegou. Ele entrou com as mãos nos bolsos da calça e viu Regina muito aérea.

— Sua mão está melhor? — perguntou ele.

Ela o percebeu e não se assustou.

— Sim. — disse erguendo a palma enfaixada.

— Fiquei preocupado com você. — Archie puxou uma cadeira ao lado dela e sentou-se. — Não pense que me convenceu com aquela história de esbarrão em alguém. Você quebrou aquela taça.

— Se eu a quebrei, o que você tem a ver com isso? — Regina foi direta e amarga.

— Eu quero saber por que você fez isso?

Ela tomou ar, virou o rosto para ele.

— Eu vi uma coisa que não gostei, apenas.

— Você viu uma coisa, não gostou e quebrou uma taça com a mão... Que raiva, hein?

— Não brinque. Me irritei e quer saber mais? Eu a quebrei para saber se o que eu estava vendo doía mais do que minhas mãos cheias de cacos de vidro. — disse com o tom exagerado de voz que costumava ter.

— Minha nossa! Isso quer dizer que você viu algo bem forte. Posso saber do que se trata?

Regina baixou a cabeça e voz.

— Você não entenderia.

— Não? Tem certeza? Na qualidade de seu amigo eu acho que poderia, ou pelo menos me esforçaria.

— Olha, querido, não me amole mais com essa história. Tudo bem que você me ajudou a não fazer papel de ridícula quando me tirou de lá. Imagina se me vissem daquele jeito, seria uma vergonha.

— Gold vai perguntar o que aconteceu para nós dois termos sumido da festa de repente. A mim ele não fará tantas perguntas, mas para você sim. Principalmente quando vir essa sua mão enfaixada.

— Eu direi o que disse a você.

— Pode até dizer, Regina. Mas se eu fosse ele, não me convenceria.

— Archie... Obrigada, se é isso que você quer ouvir de mim. Obrigada por me socorrer, me levar ao hospital e para casa depois. Agora, esquece.

O amigo mexeu-se em seu lugar, ficou calado.

Robert entrou acompanhado de dois empreiteiros e Jones, o arquiteto substituto. Ao perceber o jovem metido a galã, a reação da mulher foi de fuzilá-lo com o olhar. Por sorte nem ele nem quem entrava percebeu.

— Ora, vejam só vocês dois! Eu os procurei por toda festa depois da valsa, onde estavam? — perguntou Gold ao sentar-se e mirar Archie e Regina.

Os dois se entreolharam, Regina preferiu responder:

— Um acidente. — ela ergueu a mão ferida. — Esbarrei em alguém e a taça que eu segurava quebrou.

Gold pareceu querer analisar bem a mão da engenheira, até esticou-se na mesa.

— Parece que foi um corte feio.

— Foi. E por isso saímos da festa mais cedo, eu e Archie. Ele me levou ao hospital.

— Ah, fez muito bem, Archie. — Gold resolveu mudar logo de assunto. — Bem, eu não deveria estar aqui hoje, todavia esqueci de avisá-los. Temos um acordo com Maurice, sob uma condição, já aceita.

Jones e os empreiteiros sentaram-se finalmente e prestavam a atenção no chefe.

— Qual condição? Poderíamos saber? — perguntou Regina, curiosa.

— Claro. — o homem fez pose e levantou-se em seguida. —Trata-se de trabalharmos nessas obras com a assistência de um arquiteto da confiança dele.

Jones mexeu-se na cadeira.

— Isso quer dizer que estou fora dessa?

Regina a sua frente o olhou com desprezo outra vez. Ele era repugnante, ainda mais agora para ela. Era tão convencido e pretensioso que embrulhava-lhe o estômago.

— Sim, rapaz. Mas tenho outro trabalho para você, por isso o chamei. Você ficará com as obras menores, o lado oeste da ilha. Obvio que se Graham estivesse aqui eu bateria o pé para que ele trabalhasse em tudo, mas ele não está. — disse Gold, parecia estar lamentando.

— Err... Então, quem será responsável pelo restante? — Regina e quem estava na mesa quis saber.

Gold responderia sem precisar dizer uma palavra. Andou até a porta que dava para seu escritório dentro daquele recinto e chamou alguém. A pessoa demorou algum tempo para aparecer, mas quando o fez houve um silêncio mutuo dentro da sala.

Jones quase pulou da cadeira. Era a mulher com quem dançara na festa de casamento de seu chefe, ali, perto dele outra vez. Ele pescou rápido a situação. Por outro lado, Regina empalideceu de maneira assombrosa. Seu rosto podia servir facilmente de estátua de tão pouco que mostrou. Estava pior do que como havia chegado na empresa, horas antes.

— Emma Swan! — apresentou Robert. — Ficará conosco até as obras serem concluídas.

A loira alta de olhos verde escuros sorriu e assentiu. Passou os olhos pela mesa, deparando-se logo com Regina Mills. O coração apertou-se dentro de si ferozmente. Sentiu a garganta doer em nó.

— Seja bem-vida, Emma. — Archie ergueu-se para cumprimentá-la.

Emma deu-lhe a mão sem dizer uma palavra.

Tudo o que Regina queria naquele momento era enfiar a cabeça embaixo da terra ou simplesmente evaporar. Não estava acreditando. Tentou deslizar para debaixo da mesa mas já era tarde demais para uma ideia tão infantil e nada digna da sua postura original.

Robert disse mais:

— Emma trabalha há três anos com Maurice e tem um currículo muito bom em Michigan. Sem contar que é uma pessoa que eu jamais negaria trabalhando conosco, eu a conheço muito bem.

— Eu me lembro dela na festa. — Jones disse. Já mordia o lábio inferior, sem esconder sua satisfação em revê-la.

Emma o viu. Soube esconder bem que já o conhecia, pois não expressou absolutamente nada. Ainda estava bastante apavorada por ver Regina novamente. Parecia-lhe um carma que voltara com toda força. Depois de quatorze anos, rever aquela mulher e ainda por cima duas vezes em tão pouco tempo.

— Isso mesmo, Jones. Emma foi uma das nossas madrinhas. Para quem ainda não sabe, minha esposa Belle e ela são grandes amigas.

— É bom ter mais uma mulher ocupando um cargo importante como o de arquiteta nessa empresa. — disse Archie.

— Eu concordo. — falou Jones com um sorriso de canto nos lábios.

De soslaio a engenheira decidiu fitar Emma Swan com uma coragem improvisada. A loira retribuía o olhar tão profundamente que Regina poderia jurar estar sendo invadida na alma. Mágoas do passado misturadas a vergonha eram os ingredientes perfeitos na disputa de olhares.

— Como as obras começam no prazo de duas semanas e eu na condição de homem recém-casado, vou confiar Regina no meu lugar pelos próximos dias até a minha volta. — disse Gold, interrompendo as faíscas imaginárias entre Emma e Regina. — Estamos entendidos? Regina?

— Deixa eu ver se entendi... — Mills ajeitou-se na cadeira, erguendo espontaneamente sua mão machucada. Emma observou. — Você vai viajar para a sua lua de mel, as obras vão começar e eu além de ser a engenheira chefe, viro vice-presidente?

— Correto, Regina querida. Ponto para as mulheres. — brincou Gold. Logo voltou a falar sério. — Preciso que você inclusive guie Emma, deixando claro o nosso projeto da ilha.

— Mas Robert... Eu...

Gold não deixou que ela falasse mais.

— ... Porque você é a mais indicada para fazer isso, não é verdade? — de repente, ele puxou o relógio de bolso que sempre carregava consigo. — Certo, Regina. Você já tem minhas instruções, agora é com você. Eu lamento muito senhores, mas nesse momento vou precisar me ausentar. Meu voo sai dentro de três horas e ainda preciso buscar minha esposa em casa. — disse ele com a voz moderada que sempre lhe pertencia.

Regina Mills suspirou.

Foi quando Robert rodeou a mesa e despediu-se dela com um beijo em sua bochecha, e cumprimentou os homens presentes que ainda o felicitavam pelo casamento. Emma recebeu um tapinha no ombro, junto de um cochicho. Limitou-se a sorrir simpática para o novo chefe e o viu sair, assim como todos, menos a única mulher além dela na sala.

Ficaram a sós. Olhavam-se, no desafio de decifrarem o que uma pensava da outra.

Passaram-se dois minutos até Emma quebrar o silêncio:

— Se eu soubesse que você era a tal Regina que me falavam tanto, eu jamais teria aceitado trabalhar neste lugar.

— E isso é um problema? — questionou Mills.

— Vir trabalhar aqui não. Mas você é um problema.

— E o que quer que eu faça? Me mate ou evapore numa nuvem de fumaça mágica? Eu trabalho e sempre trabalhei aqui, Emma Swan. Não dá para simplesmente desaparecer porque você quer e tem mágoa de mim. — falou Regina, rudemente.

Emma a olhava. Demorou para querer dizer outra coisa.

— E você esperava que eu te adorasse ainda?

Nesse momento Regina engoliu seco.

— Não. Na verdade não.

— Então me diz. O que mais além de rancor eu posso sentir por você?

— Não sei.

Swan soltou uma gargalhada irônica.

— Está vendo? Se nem você sabe, então não banque a dona do mundo. Já não bastava ter encontrado você na festa, agora descubro que vou precisar te encarar até essas drogas de obras terminarem.

— Emma, você tem tanto ódio assim de mim? O que houve foi há quatorze anos atrás. Você já devia ter superado, não acha?

Outra gargalhada.

— Você tem coragem de me perguntar isso? Ah é claro que tem! Eu me esqueci que você nunca se põe no lugar dos outros. Certamente não faz ideia de como dói ser enganada pela pessoa que jamais imaginou que fosse mentir para você. — Emma alfinetou.

Regina encolheu os ombros. Emma foi a única pessoa a obrigá-la a ter tal atitude. Elas entraram no silêncio outra vez. A engenheira colocou a cadeira onde estava sentada no lugar, e caminhou pela sala até que chegasse ao lado da loira de terno feminino muito similar ao seu.

— Deve estar sendo muito divertido falar tudo isso para mim, não é? — Mills estava tão perto de Emma que quase lhe falou no ouvido. — Tudo bem, Emma. Eu assumo que errei. Eu sei que eu cometi um erro. Mas não precisa pisar em mim como se isso fosse parte da sua honra ferida que você quer vingar. — Swan limitou-se a virar seu rosto para o lado. — Queira ou não, eu e você precisávamos nos encontrar outra vez. Se não fosse no casamento, seria aqui. Agora estamos obrigadas a nos ver todos os dias, sabe Deus até quando. Me poupe do seu ódio reprimido.

Emma Swan virou-se de vez. Ficaram cara a cara.

O assunto entre as duas nunca seria apenas trabalho. Ambas tinham consciência daquilo. A engenheira e a arquiteta foram colocadas em uma saia justa sem volta.

Tão perto de Emma e ao mesmo tempo tão distante, Regina desejou beijá-la para experimentar outra vez o sabor dos seus lábios e saber se ainda tinham o mesmo gosto de outros tempos. Tentou invadir-lhe olhos a dentro como Swan fez, mas a loira parecia impenetrável. Tudo o que se via em seu olhar era repulsa.

— Você não consegue mesmo ouvir o que não quer. — concluiu Emma. Dando as costas para a morena e saindo dali sem demonstrar uma gota de abalo apesar dos instantes anteriores daquela conversa.

Jones esperava pela nova colega de trabalho do lado de fora da sala e não perdeu a oportunidade de cutucá-la ao passar.

— Não se lembra mais do seu amigo?

Emma parou no susto. Quando olhou para ele foi agarrada pelos ombros.

— Mas o que é isso?!

— Diga que você gostou. — ele aproximou o rosto bastante coisa do dela.

— Me larga! — ela tentou escapar.

Ele o fez, não muito satisfeito.

— Pelo visto a quantidade de vinho que você tomou te deu amnésia, hum? Você não se lembra de nada?

— É claro que eu me lembro. — Swan bateu as mangas de seu terno como se estivessem sujas. — Mas isso não significa que eu seja obrigada a te aturar em todos os lugares.

— Eu achei que você tivesse gostado da dança, da conversa, do beijo... — ele sorriu provocante.

— Aquilo não foi um beijo. Eu apenas encostei do lado da sua boca e por acidente. Beijo só se for na sua imaginação.

Jones coçou a barba que estava para crescer.

— A minha imaginação pode ter visto coisas sim. Foi premonição.

— Premonição?! — Emma perguntou, fazendo careta.

— É, premonição do beijo que eu ainda vou te dar.

O homem puxou-lhe o rosto com as duas mãos, mas ao tentar beijá-la levou uma joelhada em um lugar sensível entre suas pernas. Ele fez um som com a boca, contendo a dor e seus olhos estavam tão saltados quanto os de um sapo.

Emma o deixou se contorcendo no meio do corredor. Apesar do prejuízo, Jones gostava daquele tipo de mulher. Swan seria um alvo constante.

Ruby guiava Emma até a nova sala quando Regina apareceu ao fundo. Numa porta perto de seu escritório, com o nome da arquiteta escrito, as duas entraram. Swan observava tudo dentro do recinto; Checou a mesa de tampo de vidro, a janela com vista para outro ângulo da cidade, um mini sofá, os quadros abstratos nas paredes, as plantas em cada um dos quatro cantos. Precisava se adaptar.

Sentou-se na poltrona, tomando posse de sua mesa e ouvindo Ruby dar algumas informações que na visão de Regina entravam por um ouvido da loira e saíam pelo outro.

A secretária saiu depois de algum tempo, fechando o escritório. Se Regina tivesse coragem naquele momento, derrubaria aquela porta, só para sofrer em suas mãos, braços e beijos. Era melhor do que sofrer com suas palavras amargas e olhares gélidos.

(...)

O encontro delas era cada dia em um lugar diferente. Emma levou uma rosa tirada do jardim de sua casa. Esperava pela morena com o coração a palpitar tanto que jurava poder cair ao chão a qualquer momento.

Regina chegou finalmente, e ao vê-la iluminar o túnel do parque com sua aparição, a jovem loira não se conteve em dar o sorriso mais bonito e involuntário de sua vida.

Correram e se abraçaram. Emma quase esqueceu que carregava uma rosa consigo, mas conseguiu salvá-la e entregar à namorada. A jovem de cabelos ondulados escuros achou tão linda que enfiou por trás da orelha, entre os fios de cabelo. Emma ajeitou para ela.

Não demorou muito e as costas de Regina se encontraram com a parede de pedra do túnel. Suas mãos estavam atadas as de Swan como sempre e o beijo foi inevitável.

— E então? Que tal o lugar? — perguntou Emma.

— Escuro, frio... perfeito. — Regina mordeu o lábio inferior. — Tenho até um nome para ele.

— Ah, tem? Qual?

— Túnel do amor! — a morena puxou a parceira para outro beijo quente, esquentando o ambiente gélido do túnel que agora era delas.

(...)

Em casa, depois do longo dia que foi o seu primeiro na Gold & Mills, Emma, quis fazer de sua ducha da noite um momento para aliviar seus estresses. Colocou uma caixa de som para tocar as músicas prediletas enquanto se banhava. A água desceu quente pelo corpo, a suíte começava a ser tomada pelo vapor do chuveiro. Emma fechou bem seus olhos para a água lavar o rosto. A primeira imagem que veio-lhe a cabeça foi a de Regina na sala de reuniões.

If you
If you could return
Don't let it burn
Don't let it fade
I'm sure I'm not being rude
But it's just your attitude
It's tearing me apart
It's ruining everything

Ter ficado a centímetros de sua presença e cheiro, sabendo que seria um fato constante dali para frente, a deixou perplexa. O que faria para controlar seu instinto pela mulher que um dia amou?

Encostada com a testa na parede fria em contraste da água que descia-lhe pela cerviz assim como pelos cabelos dourados, ela lutava para conter a tristeza.

I swore
I swore I would be true
And honey, so did you
So why were you holding her hand?
Is that the way we stand?
Were you lying all the time?
Was it just a game to you?

A música que considerou por muito tempo sua e de Regina Mills, ecoava pelas paredes. Não pôde evitar lembranças. Eu me enganei por tanto tempo. Eu não posso me enganar outra vez, não com essa mulher, não de novo. Pensou Swan, em sua voz interna.

But I'm in so deep
You know I'm such a fool for you
You got me wrapped around your finger
Do you have to let it linger?
Do you have to, do you have to, do you have to let it linger?

Lágrimas intrometidas desceram-lhe a face. Emma lavou o rosto antes de finalizar o banho.

Já havia colocado o roupão quando ouviu alguém bater na porta do quarto e chamar seu nome:

— Mãe!

A loira desligou o som. Atravessou o recinto com pés descalços e molhados. Vinha enlaçando o roupão na altura da cintura, antes de abrir a porta para o filho.

— Henry! — disse ela ao deparar-se com o garoto.

Henry era um menino de nove anos, filho do casamento de Emma com o primeiro e único marido, Neal.

O pai de Henry conhecera a arquiteta num tumultuado verão em Michigan, anos após o rompimento com Regina. Sabia-se que Emma Swan e o rapaz tiveram um relacionamento relâmpago antes dela descobrir-se grávida. Casaram-se perto do nascimento do único filho e nunca se disseram arrependidos da escolha. Acabaram apaixonando-se com o convívio. Mas o amor foi interrompido pelo trágico destino de Neal, que por complicações num tumor cerebral irreversível, não teve mais do que seis anos de vida ao lado da família.

O menino Henry lembrava-se com frequência do pai. Conviveu o bastante para lembrar do dia em que aprendeu a andar de bicicleta com sua ajuda e também dos passeios quando iam para a praia.

Nos três anos seguintes, Emma precisou cuidar do filho com ambas as obrigações de pai e mãe. Mudou-se para Boston com a ideia de melhorar de vida. Até então estava conseguindo. Tinham alugado aquele apartamento, até grande demais para suas necessidades, porém em conta e confortável.

— Mãe, você tem que ver isso! Tirei um A na prova de matemática! — disse o garoto todo empolgado.

— Um A? Que milagre é esse? — Swan o viu entrar e se jogar na sua cama, esticando o papel com a mão. — Deixa eu ver isso... — Emma o tomou da mão dele.

— Um A, e você se lembra o que tinha me prometido se eu tirasse um A em qualquer matéria?

— Não tente me enrolar, garoto. Eu prometi que te daria o vídeo game se você fosse bem até o fim do ano.

— Mas mãe — ele sentou-se, tentando convencê-la. — Eu estou indo bem em todas as matérias. Faço todos os trabalhos, e eu tirei um A em matemática. Eu odeio matemática!

Emma olhou para o filho que fazia muitos gestos com as mãos. Ergueu uma sobrancelha para ele, deixando a prova de lado no móvel para subir na cama e derrubá-lo de uma forma que ele já conhecia.

— E quem garante que o meu garoto vai continuar tão inteligente depois de ganhar o vídeo game, hein?

— Eu prometo! Eu juro! — Henry escondia uma das mãos por trás, fazendo figa.

— Ah é? Então o que esta mãozinha faz escondida aqui atrás, hein? Hein? Jurando em falso, Henry Swan? — Emma o pegou pela mão, segurando-o, distribuindo cócegas por sua barriga, fazendo o menino rir atoa. — Agora, parando com a brincadeira e já pro banho. Bote a roupa suja no cesto e lave bem atrás dessas orelhas.

O menino desvencilhou-se de Emma, descendo da cama de cara amarrada, era provocação.

— Só vou tomar banho se prometer que vai me dar o vídeo game.

— Henry, podemos conversar sobre isso depois? — a mãe perguntou com voz cansada.

— Hum, não sei.

— Então vamos fazer um novo trato. Você tira um outro A em geografia e eu te dou o vídeo game. Feito?

Henry a fitou com uma cara desconfiada. No fim aceitou.

—Tá.

— E mais uma coisa. Vou passar a chegar mais tarde em casa a partir de amanhã, acha que consegue se virar com a janta?

— Você me ensinou a fazer macarrão instantâneo, mãe. E também me ensinou a pedir comida pelo telefone.

A loira assentiu.

— Então peça comida para duas pessoas. Vou chegar com fome.

— Novidade! Isso é uma coisa que você sempre tem, mamãe, fome.

E saiu com destino ao banheiro.

Emma riu-se. Coçou a cabeça, notando os cabelos ainda molhados.

Agora tinha tempo para se jogar na própria cama e refletir. Suspirou no travesseiro. Ela precisava tirar um cochilo, mas tinha medo de fechar os olhos e ouvir a música e sua dona, Regina Mills.

Notas finais
Olha pessoal, eu tenho bons motivos para achar que a Emma ainda sente alguma coisa boa pela Regina, e vocês, o que acham? Sobre Henry ter o mesmo nome do pai da Regina, isso será comentado no próximo capítulo pela própria Regina. Não achei justo trocar o nome do pai dela nem do garoto, no fundo é tudo coincidência, e sim, elas vão se ver constantemente daqui para frente. Quero agradecer todos os acompanhamentos, me surpreendeu a curiosidade de vocês sobre a história, eu não esperava. Fico feliz! Abro o espaço dos comentários para críticas, sugestões, opiniões, vocês fiquem à vontade! Eu não vou deixar de falar com cada uma. Semana que vêm nos veremos outra vez. Bom descanso. Beijos!