Skin on Skin
12 I'm not giving you up
Notas iniciais
Após grande reflexão consigo mesma, Emma decidiu permanecer no cargo que tinha na Gold & Mills, certa de que a ex-namorada não poderia mais ser uma pedra no seu sapato.
Já a engenheira, precisou lidar com a indiferença e frieza do amor de sua vida, sabendo agora mais do que nunca, que suas chances de ser perdoada pelo erro do passado eram realmente poucas. Passou os dias empenhada em achar uma solução para retomar o bom convívio com Swan. Todavia, não recebia mais do que duas palavras da loira nas raras vezes em que cruzou com sua pessoa nos corredores da empresa. Bom dia. Apenas isso. E só veria a arquiteta perambular por ali se a mesma não estivesse fora, ocupada demais acompanhando de perto as obras que lhe foram determinadas por Robert Gold.
Além daquilo, Regina andava provando do próprio veneno ao ver que nos últimos dias, Swan se aproximara de Jones, o arquiteto assistente da empresa. Por mais que para a loira a relação fosse estritamente profissional, Gina começava a imaginar coisas que não gostaria, muito baseada no que já havia presenciado dos dois, tanto na festa de casamento de Gold, quanto no escritório de Emma. Suas suspeitas iam se confirmando, deixando-a ainda mais atordoada.
Nas semanas que se seguiram, o trabalho na construtora fora árduo, tanto para Emma quando para Regina. As construções iam bem assim como o número de empreendedores e acionistas que subia. Não haviam folgas, nem nos finais de semana, quando ambas levavam trabalho acumulado para casa; Emma com suas cartografias; Regina com suas planilhas e projetos. Nesse ritmo, passaram-se dois meses.
Em um dia em que Emma precisou visitar uma das obras com Jones, voltaram pouco depois do horário do almoço. Os dois estavam sentados na sala de reuniões, um de frente para o outro, almoçando por ali para não se atrasarem para próxima conferência.
Mills estava por perto pronta para a reunião quando decidiu se encaminhar para a sala maior. Assim que entrou deparou-se com os dois, sobressaltou-se tanto que quase caiu do salto. Os viu conversando... Falavam sobre algo muito interessante, pois até riam juntos enquanto davam garfadas no frango grelhado e a salada em seus pratos. A engenheira observou aquilo num canto, sentindo o estômago embrulhar subitamente e seu almoço que acabara de fazer vir até a garganta. Aquilo não significava coisa alguma, mas para Regina quis dizer muito.
Desgostosa do que via, quase voltou por onde tinha entrado, todavia, ficou. Precisava interrompê-los. Procurando postura, ela ergueu a face, empinou o nariz, e avançou na sala, criando barulho com os sapatos propositalmente ao pisar com firmeza no chão. Os dois a perceberam, virando os rostos em sua direção.
— Regina... — disse Jones, que abriu um sorriso faceiro e limpou a boca num guardanapo em seguida.
— Me desculpem, eu não sabia que estavam aqui. — a engenheira engrossou a voz.
Swan evitou olhar demais. Pegou um guardanapo e pigarreou.
— Ah, ultimamente a rotina tem sido dura. Não dá nem tempo de sair para almoçar. Mal chegamos da ilha e já vamos ter outra reunião, almoçar aqui na sala de conferência foi a melhor alternativa. — ele falou.
— É verdade. — Regina prestava a atenção em Emma.
— Por que não se senta? Eu mando o cozinheiro fazer um prato pra você. E aproveite que ele hoje está inspirado, não é Emma?
— Sim, o frango está ótimo. — respondeu a loira voltando a comer.
— Não se preocupe, eu já almocei no meu escritório. — continuava a fitar Swan. A forma como era ignorada pela loira a incomodava. — E a ilha? Como estão as obras?
— Hum, de vento em poupa. — disse Jones, após bebericar um pouco de suco de laranja. — Agora mesmo eu estava falando com Emma sobre os desenhos da segurança do shopping, batem exatamente com o que precisa ser construído.
— Depois do incêndio no aeroporto, os empresários ficaram assustados porque foi à noite, não tinha tanto movimento, mas já pensou se fosse na hora do rush? Com um shopping, por mais pequeno que seja, é a mesma coisa. — Swan explicou. Ainda evitava olhar para o lado onde Regina estava. Até largou o prato, desmotivada com sua presença.
Vendo aquilo, Regina perguntou:
— Não vai terminar de comer, Emma?
— Não. Perdi o apetite. — a arquiteta respondeu, seca.
Jones deu um riso leve enquanto ajeitava-se na cadeira.
— Deve ser o estresse. Você tem trabalhado muito. Muitos problemas dão indigestão.
— É. Alguns problemas não descem mesmo. — Emma dessa vez teve coragem de erguer os olhos para a morena.
— Concordo. — Gina respondeu assentindo.
Mentalmente travavam uma briga particular na troca de olhares. Jones jamais entenderia e não entendeu, preferiu continuar com a conversa que tinha com Emma antes de Regina aparecer.
— Emma me diz, você já ouviu aquele disco do Elvis que eu te emprestei?
— Você acredita que ainda está na minha sala? Eu nem levei pra casa... É tanta coisa na cabeça. — Swan voltou a fitar Jones.
— Você nem levou pra casa? Você não sabe o que está perdendo.
— Ainda não deu tempo, me perdoa.
— Quer dizer que eu ando atrás de você nessa empresa todos os dias, te ajudo e é assim que você me retribui? — ele falava em seu tom irônico, exatamente como Regina odiava. Por pouco a morena não quis matá-lo na frente de Emma. E já não era recente aquela rixa que tinha com o arquiteto. Desde os tempos em que era estagiário, achava-o muito impertinente. Se ele a afrontasse como Graham fizera, ela daria um jeito de tirá-lo da empresa.
— Eu prometo que eu vou recuperar o seu tempo perdido. — Swan sorriu passível de culpa.
Ele sorriu só para ela.
— Eu conto com isso, hein?
A conversa parecia fluir ainda mais para os dois e Regina não estaria disposta a ficar ali como intrusa. Cerrava os punhos, engolindo o orgulho. Perguntou-se o que fazia ali. Estava sendo vencida por Emma e sua indiferença pela trigésima vez naquele mês.
Quando tomou ar para falar alguma coisa, Robert Gold e sua adorável esposa surgiram no recinto de mãos dadas, exibindo sorrisos que iam de ponta a ponta do rosto de ambos. Estavam com muito boa aparência; ele com a impoluta face dos cinquenta anos que tinha, formal, com algum cinza a mais nos cabelos; ela ainda corada do sol das Bahamas, bonita, com seus olhos azuis brilhantes.
— Mas já estão prontos para a reunião? — indagou o chefe.
Os três os fitaram ao mesmo tempo.
Belle ao lado do marido viu a melhor amiga por trás de Regina, largando dele para ir abraçá-la
— Ai, que falta que eu senti de você! — disse a senhora Gold, fazendo a amiga se levantar da cadeira especialmente para receber o abraço apertado.
— E eu de você... Nem parece que nos falamos ontem por telefone. — a loira abriu-lhe um sorriso amplo. Elas riram juntas.
Regina e Jones assistiam a cena de amizade exatamente como ficaram. Gold puxou sua cadeira, sentando no lugar do presidente na mesa.
— Ora, ora quem veio nos visitar... — falou Jones. Belle se virou para ele.
— Vim ver minha amiga. — Belle tomou uma das mãos de Emma entre as suas. — Eu estive almoçando com Robert aqui na cidade e resolvi subir. Vocês estão bem?
A engenheira fez que sim por ela e por Jones.
— Ótimos. — o tom da voz não condizia com a resposta de Gina.
Emma alisou os braços da amiga, feliz em vê-la. Já fazia um tempo que não se falavam pessoalmente.
Ansiosa para contar algumas novidades, Belle pediu permissão ao marido para falar a sós:
— Robert, se importa de eu tomar a Emma uns minutinhos antes da reunião? Nós não vamos demorar.
— Não. Os acionistas ainda não chegaram, nem o Archie... — ele olhou o relógio no pulso. Odiava atrasos, mas naquelas circunstâncias precisaria esperar. — Vou esperar mais vinte minutos para começarmos.
Belle e Swan assentiram.
Foram conversar no escritório de Emma. Sentadas para que Emma principalmente não caísse com as descobertas da amiga. Belle contava-lhe como se sentia casada com Gold. Era a velha conversa de mulher apaixonada, colocando as qualidades do marido em primeiro lugar. Do jeito que falava, percebia-se que estava encantada com Robert. Ela começava a planejar uma gravidez.
Emma então advertiu:
— Belle, você não acha que é cedo demais para isso? Vocês estão casados há três meses.
— Você não pode dizer nada. Quando se casou com o Neal, estava grávida do Henry.
— Mas não foi uma coisa pensada. Aconteceu e foi uma ideia dele me casar.
— E nem por isso você deixou de ser feliz.
A loira parou e refletiu. Ficou distante por um tempo. Era certo que fora feliz no casamento com Neal, mesmo que nada tivesse sido planejado com antecedência como era o caso de Belle. A amiga tinha razão, porém, Emma ainda se questionava como seria se não tivesse engravidado de Henry.
— Tá, mas pense, vocês poderiam aproveitar mais um pouco. Ter filhos é incrível, claro, só que nesse momento, eu acho que você precisa esperar essa ansiedade toda acabar.
— Tenho medo dele enjoar de mim. Eu sinto essa necessidade de dar essa alegria para ele. Emma, ele me faz tantas surpresas, e eu simplesmente recebo sem saber o que fazer.
— Vocês ainda estão se conhecendo, começando a entender como é dividir a vida juntos. Vai ter uma hora que não terão mais novidades. Você vai passar a amá-lo sem surpresas e com mais maturidade. Aí sim você pode pensar em uma criança.
Belle entendeu o que a amiga quis dizer. Assentiu.
— É, tem razão. Estou muito ansiosa mesmo.
— Se ele ama você, não vai pedir nada mais que o seu carinho em troca.
Emma sorriu, fitando a amiga de frente na mesa. Mesmo disposta àquela conversa, Swan não pôde esconder da amiga suas preocupações. Estavam visíveis em seus olhos. Emma algumas vezes mostrava-se amarga. Aquilo chamou a atenção de Belle.
— Emma, o que aconteceu? Estou te achando tão abatida. — perguntou.
— Eu? Abatida? — Swan estranhou a pergunta.
— É, você. Enquanto eu falava ficava olhando pro nada. Quando cheguei na sala de reuniões te achei triste. Que que houve?
A loira não diria o que a atormentava, nem para Belle.
— Nada, eu... Só ando cansada com esse ritmo de trabalho.
— Não mente, Emma. — Belle reconheceu a mentira. Abanava a cabeça enquanto olhava a mulher a sua frente.
— Tem uma coisa me incomodando sim. Achei que não fosse mais um problema e eu vi que ainda é.
— O que é?
— Não posso falar.
— Emma, que isso?! Eu sou sua amiga.
— Por favor, Belle, não se preocupe comigo. Isso quem deve lidar sou eu.
Belle odiava quando a amiga fazia mistérios sobre sua vida. Continuava a abanar a cabeça negativamente.
— Tudo bem. Se não quer me contar, okay. Mas não pense que vou deixar de me preocupar. — Swan assentiu, forçando um sorriso. Belle, agora tinha outro assunto: — Olha, você sabe que o meu aniversário é só no sábado mas eu queria ir jantar amanhã no Menton. O que acha?
A arquiteta lembrou-se da noite em que jantou com Regina naquele restaurante, sabia qual era o lugar. A ideia agradou.
— Seria perfeito.
— Você vai, não vai?
— É claro que eu iria. Como deixar de ir no jantar de aniversário da minha melhor amiga?
Elas se deram as mãos em cima da mesa. Eram só sorrisos.
— Ai que bom! Ainda bem que eu já fiz a reserva.
Swan assentiu. Um jantar seria uma grande chance de distração. Precisava mesmo passar mais tempo com Belle. Ela sempre tinha boas ideias.
A arquiteta iria ter um bom jantar na noite seguinte, só que não contava com o fato de que Regina Mills também seria convidada.
Caía uma chuva fina do lado de fora quando Regina chegou ao restaurante. Estava cheio. E com razão, era sexta-feira.
O restaurante francês/italiano estava como sempre abastado de requinte. Os painéis de madeira nas paredes contrastavam com as mesas preto e branco e as cortinas de voal. No alto grandes lustres de cristal adornavam o teto, iluminando suavemente o ambiente, criando um tradicional ar de romantismo. Por essas e outras, que muitos casais gostavam do lugar.
Foi levada pelo maître aos Gold, vendo antes, o casal e alguns desconhecidos numa grande mesa perto das janelas. E, claro, Emma Swan estava sentada ao lado de ambos. Mesmo vendo-a de costas, sabia que era ela. A cabeleira loira era inconfundível. O casal levantou-se para cumprimentar a morena, e reparava-se ali que estavam menos formais que na tarde do dia anterior. Aliás, quem era da empresa, no caso três pessoas e, estava presente, vestia-se normalmente, sem os ternos, gravatas ou blazers.
Emma bebia um vinho de entrada quando viu Regina, sendo pega ao acaso por não saber que ela apareceria. Não viu quando Belle a convidou nos corredores da construtora depois da reunião. Para o casal Gold, a engenheira era importante, uma amiga além de sócia. Swan esquecera desse detalhe. Apesar do desconforto, não se abateu, continuou com seu vinho.
O maître puxou uma cadeira para a engenheira. Sentou-se num lugar onde de um bom ângulo pôde vigiar Emma, mas desgraçadamente puseram-na de frente para ninguém mais, ninguém menos que Jones. Logo Jones.
Ao lado da arquiteta o inconveniente rapaz ergueu sua taça para a morena, provocando-lhe repulsa.
— Regina, nós já pedimos. Quer dar uma olhada no menu? — perguntou Gold, entregando-lhe o cardápio.
Enquanto escolhia o que pedir, Gina observava sua ex-namorada por cima do menu. Via a aproximação exagerada de Jones que já colocava o braço em volta de Emma algumas vezes, aproveitando-se da situação e do que falavam. Mas Emma mal percebia, conversava também com Belle e um outro homem que Mills não sabia quem era.
Naquele meio tempo, não conseguiu escolher exatamente o que queria comer, fazendo o garçom voltar pelo menos mais duas vezes para anotar seu pedido. Sem ter olhado direito, Regina pediu a primeira opção do menu: ravióli. E enquanto esperava, serviram-lhe do mesmo vinho que bebiam na ocasião.
Do contrário do comum, Robert decidira não falar de negócios no jantar. Acompanhava a esposa na conversa divertida com os amigos sobre a casa que tinham e onde se casaram. Falaram também da lua de mel nas Bahamas que ainda rendia assunto, vez ou outra gargalhadas com episódios engraçados.
Gina pegou um momento avulso da conversa com Belle continuando:
— Robert não sabia que eu era alérgica a camarão.
— E você muito abusada comeu a paeja inteira. — disse ele ao seu lado. Todos em volta riram.
— Esse é um defeito que a Belle nunca perdeu, a teimosia. — Emma completou.
— Olha só quem fala, você não fica muito longe disso. — respondeu Belle entre risos, provocando a loira. — Teimosa e além disso, perfeccionista.
A loira ao lado estreitou os olhos para a melhor amiga.
— Eu já percebi isso. — Jones entrou na conversa, cutucando a colega. Ele continuava a se aproveitar da proximidade, chegando com o rosto cada vez mais perto do dela. — Você não sossega enquanto suas coisas não estiverem do jeito que quer.
Emma cruzou os braços, dividida para que lado olhar.
— Ah, então eu sou teimosa e perfeccionista? Bom saber. — Swan respondeu de forma irônica.
— E tem medo de altura também, segundo a Regina. — Robert engrossou o coro.
Regina corou ao ter seu nome citado. Olhava para Emma de canto.
— É sério isso, Regina? — Belle perguntou à engenheira.
— É... É... Não diria medo... — a morena gaguejou. — Eu diria que é um pouco de...
— Pavor! — Robert completou, fazendo todo mundo rir de novo.
Swan só revirar os olhos e fazer que não.
— Escuta, o assunto devia ser a aniversariante, não eu. — falou a loira um pouco incomodada.
— Calma, amiga. É que você fica muito engraçada quando brincam com você. — disse a senhora Gold.
Depois da loira balançar a cabeça outra vez, os jantares chegaram. Fizeram um brinde à Belle e logo deram início a refeição.
Cada um pedira um prato diferente, sugerido por Gold. Tudo seria por conta dele como presente para a esposa. Regina foi a última a acabar. Fez um tremendo esforço para comer o ravióli. Dessa vez, ela é que ficara sem apetite.
Archie que também estava ali foi o único que atreveu-se a perguntar quando ela acabou:
— Qual o problema com você, Regina? Tá tão calada. — o restante da mesa escutou. Todos a olharam.
A engenheira já tinha largado o prato vazio na mesa quando respirou fundo e procurou uma mentira para contar. De repente, percebeu que a mesa caíra em silêncio e que todos a estavam olhando.
Ela engoliu em seco. Estava começando a entrar em pânico:
— Eu... Eu... É... — gaguejou de novo.
Percebeu que Emma também a fitava com aquele ar curioso. Não conseguiu responder. Jones o fez para ela:
— É que ela anda com muitos problemas, não é, Regina?
Gina odiou aquilo, mas se conteve de fuzilá-lo com os olhos.
— É. Muitos problemas. — deu um sorriso amarelo e o olhou do jeito mais falso do mundo.
— Seja lá o que são esses problemas, eu tenho certeza que você vai resolvê-los tão depressa quanto o contrato que te pedi para trazer de Atlanta. — Robert disse de forma amigável. Mas Emma perto pôs-se alarmada.
— Não teria conseguido se não fosse por Emma. — ela lembrou, retendo um pouco a voz.
Swan não a fitou. Ficou calada em seu lugar. A conversa mudaria de rumo outra vez e nem duraria tanto. Já estava ficando tarde e os amigos de Belle foram deixando o restaurante aos poucos. Quando sobrou apenas o pessoal da empresa, Emma decidiu não ficar por conta de Henry que não queria deixar sozinho em casa. Após uma breve despedida da amiga e seu marido, acenou para Archie e ignorou completamente o fato de Regina estar ali também. Foi-se com Jones.
Regina viu tudo aquilo pensando no pior. Imaginou, coisas que não devia novamente, se atormentando da ideia de que a ex e o rapaz iriam para algum lugar aproveitar o restante da noite e fazer coisas bem peculiares. Começou a ter visões dos dois juntos, aos beijos e afagos, cochichos e sorrisos... Sua mente criou um inferno para si.
Foi embora alguns minutos depois, disfarçando sua perturbação.
Dirigiu do South Boston até seu apartamento em choque. Ao cruzar uma avenida, não parou no sinal, passando direto e quase batendo em um carro que vinha de outra direção. Aquilo a despertou, mas foi por pouco tempo.
Chegou em casa com uma terrível enxaqueca. Nem deu boa noite para sua mãe antes de ir se deitar. O filho já dormia há horas. Ela não pregou o olho um minuto sequer naquela madrugada chuvosa.
Sua tormenta durou todo o final de semana. Cora achou que a filha estava doente.
Para não ter de se explicar, Regina deixou que Roland dormisse na casa de um amiguinho e deu dinheiro para a mãe gastar em seu maior vício, o bingo. Passou a maior parte do tempo trancada no próprio quarto olhando as fotos de Emma que ainda tinha em sua caixa de lembranças. Sentia tanta vontade de chamá-la, dizer-lhe coisas. Sentia também a necessidade de um abraço e só serviria o dela.
Definitivamente, Regina estava experimentando uma pequena parcela do que Emma sentiu ao ser traída. Não se comparava, mas a sensação era tão obscura quanto, apesar de tudo o que imaginou ser pura ilusão em sua cabeça.
Segunda-feira de manhã, a engenheira chegara à construtora como um tornado, ainda mais abatida, portando no rosto olheiras protuberantes e muita fúria nos olhos. Cruzou os corredores, chamando a atenção.
Entrou na sala de Emma sem ser sutil, batendo a porta com força para logo começar a soltar o que estava travado na garganta há semanas:
— Eu acho um desaforo muito grande você tentar me provocar! — disse em alto e bom som, rangeu os dentes na hora.
Emma estava de pé atrás da mesa. Levantou seus olhos para ela, sem entender.
— O que foi que você disse?
— Eu disse que acho um desaforo muito grande você tentar me provocar com aquele babaca do Jones.
— Ah é? É isso mesmo que você acha? — Emma parou mirando-a bem. Fez uma expressão de estranheza.
— Você está usando ele para se vingar de mim — parecia uma fera prestes a atacar. — Você não tem vergonha? Isso é muita falta de caráter da sua parte, sabia?
Emma deu uma risada alta.
— Quem é você para me falar de caráter?! — Emma entrou no tom da morena.
— Você tem feito muita questão de desfilar com ele por aí...
— E quem foi que disse pra você que isso é uma vingança?
— Você não iria se interessar por um moleque como ele. — Regina quase cuspiu ao falar.
— Como é que você tem tanta certeza?
— Você está se aproveitando dessa situação...
— Você está fazendo muitas conclusões precipitadas!
O bate-boca só esquentava.
— Ele vai ficar muito ofendido quando souber que você só tem o usando esse tempo todo.
— Ah, pois é, e eu acho que ele vai adorar saber que na sua cabeça nós estávamos juntos, porque só existe isso na sua cabeça, Regina. — Emma saiu de trás da mesa. — E se eu e ele tivéssemos um caso de verdade, o que é que você ia fazer?
Regina tinha os olhos quentes e fixos em Swan.
— Não tente inventar! Você estava o usando para se vingar de mim!
— Então você acha que eu preciso me vingar de você? Você veio aqui pra jogar isso na minha cara? — os olhos e fala da loira estavam tão exaltados quanto. Andou pesadamente até mais perto da morena.
— Eu vim dizer que isso é muito feio da sua parte.
— Muito feio foi o que você fez com alguém que te amava. — Emma resolveu tocar na ferida do passado. — Você não tem direito de reclamar de nada, Regina! O desaforo é todo seu de vir até aqui. Você é a última pessoa no mundo a merecer minhas satisfações, porque você não me deu satisfações quando voltou com aquele cara daquelas férias e se enfurnou outra vez no quarto dele!
Regina tornou-se pura aflição.
— Emma, eu estava confusa. Foi um erro, eu sei...
— Um erro que você poderia ter evitado! — bradou Swan.
Gina engoliu seco de medo. Os lábios tremilicaram.
— Você... Você nunca vai ser capaz de me perdoar?
A discussão cessou por um momento. Elas trocaram olhares firmes. Regina já havia enfraquecido, porém, ainda precisava dizer o que queria. Emma estava pensando na resposta para a pergunta que foi feita.
To be completely honest it scares me to imagine
What life would be without you
And for this very reason I ask you to forgive me
for what I'm putting us through
Although there are so many things against us, I've decided
That I'm not giving you up, no...
Swan fechou os olhos, tentando conter um nó que subiu-lhe a garganta. Visivelmente abalada disse:
— Vai embora... Por favor, vá.
Thinking back I see what we have is something different
I think we've known all along
So how fair would it be
to divide this love's existence between what's right and what's wrong
And you, always wondering if we'll make it
Time will tell you that I'm not giving you up, no, no...
Gina tremia, mas não obedeceria logo. Tinha de dizer. Venceu o conflito consigo mesma e puxou de toda a coragem que tinha no peito.
— Eu não terminei... — ergueu a face para falar bravamente — Por mais que o que eu tenha feito não tenha perdão, eu vou consertar! Eu vou fazer você entender que eu amo você com todas as forças que existem dentro de mim. Eu vou fazer você me amar de novo! Eu não vou sossegar até conseguir! Eu não vou desistir de você, Emma, não vou!!
We'll find a way to be together however long it takes, wherever
If it means having you for only a moment, a moment just might be enough
I'm not giving you up, no
No I'm not giving you up, no
Emma abriu os olhos: eles eram duas cascatas de lágrimas no esverdeado.
Regina avançou para cima dela como um animal, puxando-a pela gola da blusa branca... Tocou-lhe a boca bruscamente com a sua e a obrigou a entrar no beijo mais desesperado que viveu.
Suas mãos livres queriam empurrá-la, mas não o fez. Em vez disso, demorou, por fim enfiando os dedos entre os fios dos cabelos da morena, a se entregar no movimento ousado dos lábios.
O gosto do beijo era salgado das lágrimas de Emma. Era uma briga de línguas para saber quem mandava. Eram brutas uma com a outra. Vorazes como se a vida dependesse daquele momento.
Screaming in the silence the promises we've spoken come back to haunt me, false and broken
Quiet desperation to see we're lost forever searching for water in this desert
No, I refuse to have to do without your kisses
I'm not giving you up, no, no
Gina a largou, olhando-a com ferocidade. O peito enchia-se de ar e esvaziava quase que ao mesmo tempo numa respiração ofegante.
Empurrando-a com o resto de força que tinha, a deixou, mirando-a bem antes de pegar a porta do escritório e sair dali da forma que entrou.
Swan encostada na parede, ficou. Procurava o mesmo ar que faltou a Regina. Passou o dedo pelos lábios, notando que boa parte do batom da morena ficara em sua boca.
Foi um tremendo aviso.
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