Skin on Skin
13 I just call to say thank you.
Notas iniciais
Henry Swan arrumava caprichosamente a mesa de jantar enquanto esperava a mãe chegar do trabalho faminta como sempre. O menino colocava os talheres lado a lado quando Emma chegou abafada e aparentemente perturbada por algo; quase quebrou a fechadura ao entrar com tudo em casa.
O garoto viu a mãe largar sua enorme pasta portfólio em cima do sofá, ir até ele, beijar-lhe a testa muito brevemente e andar apressada até o corredor sem dizer nada. Ele não entendeu. Precisou ir atrás. A encontrou no escritório, fuçando nas gavetas de um armário. Parecia atrás de alguma coisa, um objeto ou talvez um documento, ele pensou.
Emma cavou o armário de baixo a cima, jogando uma porção de objetos para fora enquanto procurava o que queria. Tinha de estar ali. Quando não achou nas gavetas procurou na mesa de trabalho, depois dentro dos livros de arquitetura nas altas estantes do recinto, jogando-os no chão ao perceber que não acharia nada neles.
Henry quase levou uma “livrada” na cara ao se aproximar da mãe e perguntar o que estava procurando:
— Mãe, o que está procurando?
— Uma folha... Um desenho... — ela respondeu rápido. Continuava a caçada, agora entre papéis e revistas.
— Que folha? Que desenho? — perguntou o garoto novamente.
— Um desenho, Henry. Eu sei que ele está aqui em algum lugar. — Swan fez uma nova bagunça. Henry assistiu a mãe, sentando-se em uma caixa grande e pesada no canto do escritório, uma caixa que Emma não havia visto até então. — Tem de estar por aqui, eu não o joguei fora, garoto.
— Talvez se você me disser como é o desenho, eu possa te ajudar a procurar. — sugeriu o menino, que com os pés fora do alcance do chão, começou a batê-los na caixa, fazendo um barulho oco.
Emma esfregou o rosto com as mãos e bufou. Olhava para todos os cantos, pensando. Sentiu-se incomodada pelo barulho.
— Filho, você pode por favor parar de bater nessa caixa? Desse jeito eu não vou conseguir me lembrar onde está o... — de repente ela parou de falar. Franziu as sobrancelhas e virou-se na direção de Henry, mas não para fita-lo.
— Tá, mas o jantar está quase chegando. Eu pedi pasta, com aquele molho que você gosta. — ele dizia enquanto ela vinha pisoteando o que tinha largado no chão do escritório. — Pedi refrigerante de uva também... — e Emma o pegou no colo, tirando-o de cima. — Hey, o que foi, mãe?
— Me deixa ver isso aqui... — assim que pousou o menino no chão abriu a caixa para olhar o que tinha ali dentro.
Não se lembrava daquela caixa. Era a única que ficara de lado no escritório desde que a mudança chegara de Michigan. Emma também não se recordava o porquê de tê-la deixado fechada até então, mas descobriu ao abri-la: tudo ali dentro fazia parte do seu passado. A verdade era que aquela caixa estava fechada há muito tempo, muito antes de chegar à Boston. Era a primeira vez em anos que mexia nela. Achava que grande parte do que estava vendo ali havia se perdido pelo caminho, mas não, seus cadernos, seus livros favoritos, seus CDs, seus retratos, seus trabalhos de faculdade... Tudo em absoluto estava guardado.
Emma respirou fundo enquanto segurava as abas de papelão, olhando aquilo tudo de forma nostálgica. Seu filho se aproximou para olhar também.
— O que é isso tudo aí dentro? — ele perguntou, curioso.
— Muita coisa, garoto... Muita coisa. — suspirou Emma.
Henry sem cerimônia puxou de dentro da caixa uma folha de cartolina que lhe chamara a atenção. Ele a abriu com a ajuda de Swan e juntos viram o desenho de um casarão à beira da praia. Mesmo em preto e branco, a cartografia era tão igual ou exatamente como uma fotografia. O garoto ficou boquiaberto.
— Foi você quem fez, mãe?
— Sim, fui eu. — ela respondeu e sorriu simplória. — Foi meu primeiro projeto, assim que me formei. — lembrou-se.
— É esse o desenho que você tá procurando?
— Não. Ainda não é esse... — disse. E voltou sua atenção a caixa, puxando do fundo uma outra cartolina, só que essa, estava amassada. Abriu aquilo com cuidado sentindo a intuição lhe falar alto e, realmente, o que procurava estava guardado com o grosso papel. Uma folha mais fina e quadrada deslizou de dentro, caindo nas mãos de Henry. Emma viu. — É esse. — disse para calar-se em seguida, largando o que tinha nas mão para tomar do filho o retrato de Regina Mills que havia desenhado há muitos anos atrás.
— Quem é essa? — ele perguntou. Não reconheceu a engenheira logo de cara, até porque, Regina havia mudado um pouco com passar do tempo.
— Uma moça. — disse Emma, tocando o rosto desenhado na folha. Por um segundo sorriu.
— Eu estou vendo que é uma moça, mãe. — falou Henry, entre risos. — Você quem desenhou? Qual o nome dela? Ela era sua amiga? De onde a conhecia? — Henry Swan às vezes fazia perguntas demais e não sossegava enquanto não tivesse respostas. Para a sorte de Emma, a campainha soou de fundo, o jantar havia chegado.
— O jantar! Acho que chegou. — disfarçou, dobrando o papel. — Vá atender. Você sabe onde tem dinheiro, não sabe?
— Deixa comigo. — disse ele, tentando sair do meio da baderna de livros no chão. — Sei sim. No pote na estante da sala.
— Se sobrar troco guarde com você para o lanche de amanhã. — Emma falou alto para o filho sem olhar para trás. Ao ter certeza de que o menino estava longe dali, a loira desdobrou o papel e o tocou novamente, saudosa do dia em que fez o desenho. Tinha sua assinatura no canto da folha, parecia amarelado e velho, mas nem por isso perdeu a beleza. Swan comparou a Regina que havia desenhado com a Regina do presente: mais séria, mais firme, mais bela. A aparência levemente amadurecida da engenheira só contribuíra no semblante enigmático. Emma por um instante imaginou-se tocando o rosto da ex-namorada somente para admirá-lo, estava também imaginando a cena que tiveram mais cedo: a proximidade; o beijo; o calor. A boca salivou de vontade dos lábios dela outra vez. Repreendeu-se por pensar naquilo, não podia, não devia. Ela havia estragado tudo um dia, não poderia permitir que acontecesse outra vez. Emma sabia, contudo, queria evitar entender que estava muito balançada com as palavras de efeito de Regina.
Emma passou mais tempo do que devia olhando para o papel. Acabou guardando-o consigo dentro do bolso do terno. Mexeu mais um bocado na caixa, notando que precisaria de tempo para olhar cada coisa ali dentro.
Vendo o recinto em completa desordem, a arquiteta soltou um suspiro cansado. Deu um jeito de sair e fechá-lo até depois do jantar quando voltaria para fuçar em seu passado.
No jantar, o filho não perguntou sobre o desenho de Regina por ter assuntos mais interessantes que aquele para contar à mãe. Falou do colégio, dos amigos, das brincadeiras e muito sobre a aula de educação física, sua favorita. Emma teve de esperar muito pacientemente seu garoto tagarelar, no entanto, a cabeça estava longe.
Logo depois que Henry devorou dois pratos de macarrão, sentiu sono. Mais alguns minutos e o menino despediu-se da mãe prometendo que lavaria toda a louça para ela no dia seguinte se trouxesse alguma coisa da rua para ele. Conhecendo o jeito do filho, Swan riu levemente da esperteza do garoto e o fez ir se deitar.
Voltando ao quarto-escritório, agora sozinha e livre para mexer em cada resquício seu dentro da enorme caixa, Emma sentou-se no meio da bagunça após reunir boa parte do que achou dentro do quadrado de papelão. Estava impressionada com o quanto havia se esquecido de coisas que um dia foram tão importantes para si. Seus cadernos surrados, em especial, eram muitos. Demorou-se lendo suas anotações e tentando decifrar os rabiscos que havia deixado nas folhas amareladas. Viu muitos. E até aquele momento não havia encontrado nada que fizesse referência a ex-namorada. Talvez sua mágoa tenha sido tão grande que não tenha se permitido guardar qualquer coisa da morena.
Estava começando a sentir sono quando pegou o último bloco de notas de uma pilha que formou no carpete em que estava sentada. Bocejou na hora de folhear sem muita pressa. Piscava bastante, até que passou os olhos de relance em uma folha avulsa dentro do bloco. Emma teve um estalo. Voltou a página e leu frases como: “Regina, sou uma tola por você.” Ou “Vou estar aqui esperando por você.” A última não estava escrita com sua letra. Ela levou aquilo ao nariz e sentiu o cheiro de Regina, o perfume que ela usava na juventude.
Aquilo mais as duas frases, fizeram seu coração palpitar mais forte. Tinha ido longe demais em suas coisas. Largou o caderno e engoliu um nó que quis subir a garganta.
Tola, disse a si própria. Levantou-se saindo dali, sem entender sua ânsia em achar aqueles pequenos detalhes que no fundo só a faziam mal e a deixavam boba. Por que fazia tanta questão em encontrar o desenho e as coisas que escreveram juntas no passado? Por que o fato de ouvir Regina dizer que não ia desistir a fez se sentir tão vulnerável? Emma batalhou para não dar as respostas.
Fechou o escritório com chave para seu filho não entrar sem sua permissão, mesmo que nada que ele tenha visto entregasse seu romance com Regina, apenas o desenho que ele próprio não reconheceu.
Àquela altura, estava lamentando outra vez. Sua agonia voltou. Regina povoaria sua mente como fez o dia inteiro depois do beijo. Emma mal havia trabalhado naquele dia.
Ao entrar no chuveiro, desejou que a impureza que sentia por pensar demais na morena fosse levada com a água. Mas era difícil. Não chorou, mas se censurou.
Antes de ir dormir, guardou o desenho de Regina na gaveta de uma cômoda ao lado de sua cama. Ainda estava decidindo se o entregaria ou não para ela.
No dia seguinte, Emma foi para a construtora fingindo que nada havia acontecido. Se Regina fosse até ela, ameaçava ser mais fria do que andava sendo. Mas do contrário do que esperava acontecer, ela não a procurou.
Na reunião de pauta logo cedo, Gina também não apareceu.
Swan achou esquisito, apesar de sentir-se menos sufocada como era quando a engenheira estava por perto.
No fim da tarde, em sua sala sozinha, sentada atrás da mesa enquanto analisava as exigências de um contrato, a arquiteta ouviu baterem na porta. O coração saltou-lhe até a boca num medo imediato de ser Mills, mas era apenas Ruby, pedindo licença para entrar.
A secretária, desengonçada, trazia algo grandioso nos braços. O embrulho que o envolvia fazia barulho nos finos dedos da moça.
— Emma, são pra você. — disse, virando-se para mostrar um belíssimo buquê de rosas chá, coral e branca. — Acabaram de chegar.
Emma quase pulou da cadeira.
— Pra mim?! Co... como? — gaguejou Emma..
Não acreditou no que estava vendo. Levantou-se e andou até Ruby, bastante incrédula.
— Sim, mandaram entregar para você. — Ruby as entregou e Emma colocou o buquê nos braços como se fosse uma criança de colo. Havia um cartão junto com seu nome escrito na capa.
— Mas quem mandou isso? — a loira perguntou, corando demais ao segurar o presente.
— Não faço ideia. O entregador da floricultura não costuma dizer quem manda as flores. — Ruby sorriu, vendo que Emma não sabia como reagir. — Você nunca ganhou rosas na vida?
— Não! Pelo menos não desse jeito. — ela respondeu, sem saber o que fazer. Olhava Ruby totalmente confusa.
— Posso te dar um dica? Leia o cartão que veio junto. Ele pode te dizer quem as enviou. Isso me cheira coisa de admirador secreto. — a secretária riu-se de leve. — Com licença. — e retirou-se deixando Swan sozinha outra vez.
— Obrigada, Ruby. — falou a loira, tomando muito cuidado para não amassar o embrulho.
Trouxe para mais perto do rosto, cheirando-as. Eram suas rosas favoritas desde sempre, e a única pessoa a saber disso só podia ser uma.
Seguindo o conselho de Ruby, a arquiteta pousou as rosas sobre sua mesa e pegou o cartão do meio delas. Quebrou o selo e o abriu com dedos trêmulos. Alguma coisa em sua intuição dizia que era de alguém muito próximo.
Seus olhos correram sobre as palavras. A caligrafia era clássica e cuidadosa. Sabia muito bem de quem era agora:
Emma, sei que as rosas chá são as suas prediletas, na verdade sempre soube. Há muitas coisas sobre você que eu não esqueci e me recuso a apagar da memória. De qualquer forma, sugeri que não falássemos mais de passado. Não irei importuná-la mais com esse assunto.
Peço desculpas por ter entrado na sua sala daquela forma e ter te dito aquelas coisas. Não me arrependo se você quer saber, eu precisei colocar para fora o que meu coração pediu. Agora você sabe o quão importante é para mim e que não quero que nossa história acabe.
Mandei essas flores para que você veja que eu não estava mentindo quando disse não desistir.
Eu tenho a impressão de que ainda há um bom sentimento dentro de você em relação a mim. Eu espero estar certa, pois acreditando nisso, ganho forças para continuar.
O buquê é apenas um detalhe perto de como eu gostaria de me expressar.
Hoje eu acordei feliz, desejando te agradar. Acho que consegui.
Com carinho, Regina Mills.
Emma tomou ar. Fechou os olhos e guardou o cartão no envelope.
Quando recuperou-se do breve arrepio que sentiu, andou para fora da sala.
Ainda segurava o cartão consigo ao andar até o fim do corredor procurando por Regina, só que em sua sala ela não estava. Procurou na sala de conferências e até na cozinha da empresa. Nada dela por ali também.
Já ia perguntar para as secretárias quando a viu saindo de um dos elevadores.
Swan travou no exato momento.
Regina um pouco distante e de óculos escuros também parou para fita-la.
A loira de tão retesada só conseguiu mover seus olhos pelo corpo da morena, vendo-a vestida como a executiva de sempre. Parecia exagero, mas conseguia sentir o cheiro do perfume que ela andava usando mesmo de longe.
Mills assentiu, notando o que havia nas mãos da arquiteta. Parada, retirou os óculos da face mirando-a daquela distância sem esconder um sorriso marcante que tinha.
Swan estremeceu novamente. De súbito perdeu a coragem de ir até ela e falar o que achara das rosas. Deixou para outro momento. E assim, baixou a cabeça e voltou para sua sala com pressa.
Gina não foi atrás dela, afinal, já sabia que seu presente e recado estavam dados.
Roland conversava ao telefone com o pai na hora em que a mãe chegou em casa. O garotinho ficara sentado no sofá segurando o aparelho sem fio muito grande para sua orelha.
Regina, assim que viu o filho, trancou a porta do apartamento, andando até o menino em seguida, sentando-se ao lado dele.
Ele, ao que parecia, respondia algumas perguntas:
— Sim, papai. — disse ele com a vozinha de criança. — Não. — respondeu uma. — Sim. — respondeu outra. — Tá... Minha mãe já chegou... Tá...
Gina tentou imaginar quais eram tais perguntas que Robin fazia. O pequeno tirou o aparelho sem fio do ouvido e mostrou para a mãe.
— Seu pai quer falar comigo?
Roland assentiu.
— Quer sim.
Ela quase revirou os olhos, só não o fez porque seu filho estava perto. Para não ficar feio, Mills pegou o telefone e decidiu atender o ex-marido, preparando-se psicologicamente para as lamentações de Robin.
Mas antes, pediu que Roland saísse por alguns minutos:
— Filhinho, pode esperar a mamãe no quarto enquanto converso com o papai? Pode? — ela pediu com jeito. Roland fez que sim e pulou do sofá, correndo apartamento a dentro. Gina pôs o telefone no ouvido. — Sim, Robin.
— Regina — a voz a princípio era mansa do outro lado da linha — Precisamos conversar.
— Estou ouvindo, Robin, pode falar.
— Acho que aquela conversa que tivemos no restaurante com Roland não ajudou.
— Por quê? — perguntou a engenheira, sem relaxar.
— Roland não parece muito contente... Ouça, Regina, estou pensando em voltar para Boston em definitivo.
— Ahn?! — Gina levantou-se do sofá. — Como assim voltar para Boston? O que você quer aqui? Você não trabalha aqui, Robin.
— Regina, entenda, eu preciso ficar mais perto do nosso filho, ele precisa de mim.
— Vocês conversam quase todos os dias por telefone. Ele não parece reclamar disso. E eu discordo, a conversa que tivemos foi muito boa para ele.
— Não acho, ele está confuso.
— Como você pode ter tanta certeza? Duvido que ele tenha reclamado.
— Você não entende, Regina, nosso filho precisa do pai dele por perto. Ele não pode estar feliz vivendo apenas com você e sua mãe.
— Ah então você não acha justo ele estar vivendo comigo? Pensei que já tínhamos resolvido isso no tribunal. Isso tudo é ciúmes, Robin?
— Não se trata de ciúmes, Regina. — o advogado ficou inquieto do outro lado da linha.
— E então o que é? Eu vou perguntar para ele se ele está feliz ou não aqui, e tenho certeza que ele vai dizer que está. — ela começou a se aborrecer.
— Não se trata disso. Você se esquece que ele é meu filho também.
— É claro que não! Se eu me esquecesse, jamais permitiria que viesse buscá-lo nas férias.
— Mas essas férias não são suficientes, Regina! Duas vezes por ano é muito pouco.
— Não se preocupe, Robin. Eu deixo que o menino vá visita-lo mais vezes, isso nunca foi um empecilho, você sabe muito bem disso.
— Eu ainda acho melhor voltar para Boston. Eu ficaria mais perto dele, é a melhor alternativa.
Regina não gostava nada da ideia.
— Robin, não há necessidade de voltar.
— Escuta, por que você tem tanto medo que eu volte?
— Eu não tenho medo. Quem está dizendo isso a você?
— Dá para sentir no jeito como você fala comigo. O que está pensando? Que vou voltar para persegui-la? É isso?
Gina já não tinha mais paciência. Queria acabar logo com aquela conversa.
— Você seria bem capaz de fazer isso mesmo. — provocou.
Robin, bufou do outro lado da linha. Ficou calado por um breve minuto antes de alertá-la uma última vez:
— Ainda vai se arrepender de falar assim comigo...
Ele desligou.
Mills com raiva, jogou o telefone no sofá, colocando uma mão na própria testa.
A última frase do ex-marido não soou bem, mas ele dissera aquilo porque ela o provocou. Ficou arrependida. Começou a se preocupar. O que ele queria dizer com, Ainda vai se arrepender?
Ela andava de um lado para o outro na sala, muito tensa. Conhecia o ex-marido. Ele não era uma pessoa ruim, contudo, agia impulsivamente certas vezes. Gina não fazia ideia do que Robin tinha em mente.
Já estava indo para seu quarto quando o telefone tocou novamente. Gina olhou o aparelho largado no sofá crendo muito que era Robin tentando enchê-la outra vez. Voltou, enfezada, pegou o aparelho e atendeu tomando bastante ar para gritar-lhe algumas palavras nada agradáveis, mas antes de falar, foi interrompida por outra voz:
— Alô, Regina? — dessa vez, a voz era feminina.
— Sim. — respondeu a morena, sendo pega de surpresa. — Quem é?
— Oi... Oi, Regina. Sou eu, Emma.
— Emma?! — perguntou Mills, confusa.
— Eu... Bem, só liguei para dizer que... — Swan hesitou, mas falou: — ... gostei muito das flores. — ela estava nervosa na linha. — As que você me mandou hoje.
Dessa vez Gina sentou-se no sofá como uma fruta caindo de madura.
— Você gostou mesmo?
— Claro. Elas são lindas.
Gina abriu novamente aquele sorriso avassalador. Era uma pena que ninguém tivesse a visto naquele instante. Seus lábios tremeram acanhados em seguida.
— Que bom. Fico muito feliz sabendo que você gostou. — disse a morena, com muito gosto.
— É... Então é isso. Desculpa incomodar você, é que eu precisava agradecer de alguma forma.
— Emma, espere. — pediu Mills. — Você poderia ter me agradecido quando cheguei. — a engenheira se lembrou de quando viu Emma no final da tarde. Sabia que ela ficara sem jeito de agradecer, nem esperava que ela agradecesse na realidade. Portanto, a ligação acabou sendo uma imensa surpresa.
— A...Acontece que naquele momento eu...
— Emma, não precisa explicar. — Regina interrompeu, falava de forma suave. — Eu entendo perfeitamente. Para ser sincera, eu não esperava que fosse me agradecer. Você leu o cartão que mandei junto das rosas?
— Se eu li? Oh sim... Eu li tudo. — Emma não conseguia controlar a respiração pesada. A morena escutava.
— E você gostou? — ela perguntou de propósito. Swan corou ao ouvir a pergunta, ficou quieta por um bom tempo, procurando a resposta certa. A morena soltou um leve riso. — Não precisa me dizer.
O silêncio de Emma já respondia a pergunta.
— Bem, era só para isso que liguei. Obrigada mais uma vez.
— Por nada, meu amor. — Regina não se conteve em dizer. Saiu espontâneo apesar disso.
Um novo breve silêncio, e Emma despediu-se.
— Boa noite, Regina.
— Boa noite, Emma.
Swan desligou.
Agora, a morena segurava o telefone tentando conter a euforia dentro de si. Até esqueceu do aborrecimento com Robin.
Emma, por sua vez, em casa, sentada em sua cama, ficou a olhar o desenho da morena que havia encontrado. Fez que não muitas vezes como se estivesse completamente errada.
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