Skin on Skin

14 Always ends in kiss.


Notas iniciais
Olá, minha lindas! Vocês estão bem? Eu devia ter postado esse capítulo ontem, mas hoje ele está aqui completo para todos. Meu agradecimento mais que especial para duas pessoas: Sappho que me deu boas dicas e confesso que sem elas o capítulo não teria saído como está agora. Muito obrigada, meu bem, eu já te agradeci muitas vezes de diversas formas e não irei me cansar de fazer isso, obrigada mesmo! Você é especial, e eu quero que acredite em mim.; E R Monroe, minha linda, querida, doçura, você tem sido um amor comigo, eu fico sem jeito quando recebo seus elogios, acho que não sou digna de tantos. Sua recomendação me encheu de incentivo. Obrigada! Bem, eu espero que agrade, se vocês acharem que o capítulo ficou muito maçante ou até quem sabe, corrido demais me digam, eu vou melhorando nos próximos. Façam uma boa leitura.


Deitada sobre a porção de almofadas jogadas ao chão, Regina abriu os olhos para a felicidade. Viu o contorno de um corpo feminino ser banhado pela luz vinda da lareira, os longos cabelos loiros caíam pesados sobre o ombro direito dela e, conforme subia seu mirar, descobria quem era; Emma Swan zelava por seu sono. Sentiu a mão quente tocar-lhe a pele do rosto e como em um filme, Gina enxergou um brilho incomum pairar na cena. Um sorriso surgiu dos brandos lábios rosados da loira, ela queria dizer-lhe algo: “Eu esperei minha vida inteira por esse momento” As pontas dos dedos tocaram seus lábios, ela sempre gostou de desenhar as curvas daquela boca. Quando sentiu o beijo cheio de calma e paixão, seu corpo ser tomado pelo dela e seus próprios braços acolherem o amor de sua vida, acabou despertando.

Regina saltou na cama, com o coração acelerado, o edredom bagunçado à sua volta. Era cedo, o rádio relógio não havia tocado ainda. Ela desabou entre os travesseiros desejando voltar para o sonho, em vão. Estava tudo bom demais para ser verdade, difícil de crer. Podia sentir o gosto do beijo, ver o rosto de Emma com riqueza de detalhes... Só quis que fosse de verdade. Mas não tinha tanto a lamentar, pois a ex mostrava-se menos resistente. A morena sorriu por isso. Passou-lhe pela cabeça que o sonho que teve poderia estar muito perto de acontecer. Seu coração continuava saltitante.

Bem humorada, ela se levantou, pôs um robe de seda lilás e andou pelo apartamento nas pontas dos pés, como uma criança que não queria acordar os pais. Chegou em seu lugar favorito: a varanda. Abriu as grandes portas de vidro que davam para a vista da cidade, viu o sol surgir tímido entre os prédios, encostando as mãos sobre a sacada. A brisa gélida da manhã fez sua pele arrepiar, tão igual quanto o toque de Emma em seu braço no sonho. Ela precisou suspirar, fechou os olhos, dando continuidade ao que sonhou na mente. Estava arfando quando sua mãe apareceu na sala e a viu.

— Acordou de bom humor, Regina? — a mulher perguntou, invadindo a varanda. Estava vestida da mesma forma que a filha, mas seu robe era cinza claro.

— Mamãe! — Gina virou-se bruscamente, engoliu seco. Achava incrível como sua mãe conseguia adivinhar seu estado de espírito mesmo se estivesse de costas.

— Não precisa empalidecer, querida. — Cora assegurou-lhe.

— Já acordou? — a filha cruzou os braços escondendo os seios levemente enrijecidos que brotavam por baixo da seda.

— Como se eu já acordei? Estou levantando no horário de sempre. E que bom que você está de bom humor, assim podemos conversar um pouco. — Regina deixou a sacada, voltando para a sala, Cora vinha atrás. — O que fará hoje à noite?

Regina parou no meio do caminho. Virou-se para a mãe.

— Nada. Pelo menos, nada que eu saiba, virei para casa.

Cora sorriu levemente.

— Ótimo! Então você poderá ficar com Roland enquanto eu vou ao meu compromisso.

Gina franziu a cara.

— Compromisso, dona Cora? — fez a pergunta, um tanto surpresa.

— Sim. Eu e minhas amigas do clube temos um grande compromisso.

— Você e suas amigas do clube? — ela novamente cruzou os braços. — Para qual cassino vocês vão dessa vez?

— Não iremos a cassino nenhum, meu bem.

— Tá certo, então, para qual bingo?

O vício de Cora Mills, às vezes, irritava e muito sua filha. A matriarca tinha a mania de sair para jogar três vezes por semana. Adquiriu o hábito logo após a morte do marido e parecia piorar conforme o tempo passava. Regina sabia que sua mãe não estava mais limitada apenas ao bingo, já andava indo a cassinos e eventualmente gastando muito dinheiro.

— Regina, compreenda, sua mãe precisa de diversão, que mal faz uma mulher da minha idade ir ao bingo com as amigas?

— Eu prefiro mil vezes que você vá ao teatro ou ao cinema do que ao bingo, mamãe.

— Regina, você não entende... — gesticulou Cora, chegando mais perto da filha.

— Não, e nem quero entender. — ela interrompeu. — Você não vai mais sair de casa à noite e pronto, mãe. — deu a ordem.

— Você não pode mandar em mim! — reclamou Cora. Tocou os ombros da filha. — Ouça, querida, só mais essa vez, sim? Eu prometo que é a última. — a senhora Mills ajeitava o tecido do robe que Regina vestia, tentando convencê-la. Fazer aquele tipo de promessa era típico da mulher. Gina não caiu na conversa outra vez.

— Não! Definitivamente, não!

E deu-lhe as costas.

— Urg... — resmungou a mãe, baixando os braços insatisfeita. — Doce ilusão achar que você iria deixar. Eu nem devia ter comentado.

— Você sabe que eu não gosto que você gaste dinheiro com os jogos, está na hora de parar. Pense no exemplo que está dando ao seu neto. — a morena ia voltando para o quarto. — Agora, ocupe-se, faça o café da manhã que vou tomar banho e me arrumar para trabalhar, preciso chegar muito bem na construtora hoje.

Cora fitou a filha com curiosidade. De onde estava perguntou:

— Hum... E por que precisa estar tão bem para trabalhar?

Gina meneou a cabeça quando se deu conta do que disse.

— Ora... Para estar bem. Você sabe, mamãe... nós nos estressamos muito, então devemos estar bem. — gesticulou demais, tanto quanto a mãe quando tentou se explicar antes.

— Pela sua cara, não é nada disso. — disse a mãe sacudindo a face negativamente. — Vamos, Regina, pode contar, o que anda aprontando? Você não me esconde.

Por um breve momento Regina quis lhe contar tudo sobre o que andava planejando por Emma, mas havia algo que a impedia. A mulher mais velha era muito mais esperta do que se imaginava, sempre dando a impressão de saber de tudo antes de todos.

A morena coçou a nuca, bufou para a mãe e disse com um pouco de graça:

— Não é da sua conta, dona Cora Mills!

E saiu pelo corredor, com o nariz empinado.



Os andares da construtora estavam completamente vazios quando Regina chegou ao prédio naquela manhã, um pouco mais cedo que o normal. Estava tudo, quieto, ninguém circulava pelos corredores. Perfeito para a surpresa que queria fazer.

Quase meia hora mais tarde, os funcionários da empresa chegavam aos poucos para o dia normal de trabalho e, incluída nisso, Emma Swan apareceu sem se atrasar. Foi para sua sala a fim de deixar suas coisas antes da reunião de pauta, porém, assim que fechou a porta e ligou a luz, tomou um tremendo susto...

— Regina?! — disse a loira, após sentir um súbito frio na boca do estômago só de vê-la. Mills, de pernas cruzadas, sentada no tampo da mesa de Swan, sorria sem mostrar os dentes. Pegou a arquiteta desprevenida. Emma quase deixara suas coisas caírem no chão com o susto. — Que que você tá fazendo aqui? Como é que entrou na minha sala?

— Você não deixa sua porta trancada, é muito fácil de entrar. — disse a morena.

Emma manteve a distância, andando pela sala sem dar as costas para ela, como um bichinho acuado. Deixou suas coisas sobre o pequeno sofá que havia ali. Não tirou os olhos dela, mesmo que a olhasse de canto o tempo todo.

— O que você quer? — perguntou, quase como um sussurro.

— Ver você. — Gina respondeu depressa. Desceu da mesa, ajeitou sua saia e andou até a loira, muito segura de si. — Vim ver também onde você havia deixado as rosas que te dei.

— Ahm... Elas estão bem ali. — Emma aproveitou para mirá-la da cabeça aos pés. Apontou para o móvel ao lado do sofá. As rosas estavam repousadas até o caule em um jarro grande com água. — Ruby me arranjou um jarro para colocá-las.

— Eu já tinha visto. Elas são mesmo a sua cara. Sabia que você ia gostar. — Mills sem perder tempo, tirou algo do bolso do blazer que trajava. Pegou na mão esquerda de Emma e colocou em sua palma. — Tome, é pra você. — disse, muito segura.

Regina entregou a ela dois ingressos para uma sessão de cinema.

Swan olhou bem os ingressos em sua mão. Surpreendeu-se ao ver de qual filme se tratava.

— Bonequinha de luxo — disse. Seus olhos chegaram a brilhar. — Você está me dando ingressos para assistir Bonequinha de luxo? Esse é um dos meus filmes favoritos! — voltou a fitar Regina.

— Sim, eu deduzi. Quando fui ao seu apartamento, vi um pôster da Audrey Hepburn na parede da sala. Assim que soube da mostra de filmes antigos no centro cultural e, logo esse filme com ela em cartaz, não pude deixar de te trazer. Na verdade, eu devia ter entregado os ingressos com as flores ontem, mas me esqueci de colocá-los com o cartão.

Swan não sabia nem o que dizer. Ficou boba. As únicas pessoas que sabiam do seu fanatismo por Audrey Hepburn eram a mãe e o filho, agora, Regina também.

— Uau! — suspirou contente.

— Tá bem, confesso que não vim apenas para ver você e perguntar das rosas, eu vim mesmo para isso. E como quase nunca te vejo antes da reunião, achei melhor me esconder antes que você chegasse. — Gina juntou as próprias mãos que começavam a suar. — Que tal? Gostou?

A loira fazia que sim repetidas vezes.

— Eu adorei. De verdade. Obrigada. — sorriu meiga. Não precisava mais ser cuidadosa em esconder algum sentimento.

Gina assentiu. O novo presente estava entregue. Vendo a reação de Emma, sabia que tinha agradado novamente.

— Eu espero que você goste e o Henry também. — falou a morena, virando-se para sair.

— Eu e o Henry? — perguntou Emma, sem entender.

A morena a olhou por cima do ombro.

— Sim. Os ingressos são para você e ele.

Depois de um sorriso, dessa vez, aberto e brilhante, Mills deixou a sala de Emma.

A arquiteta ficou estática, a pensar. Será que aquele ingresso era mesmo para Henry?



Mais tarde, de volta ao apartamento da família Mills, Regina ajudava Roland com a lição de casa. A mãe sentara-se ao lado do filho na escrivaninha no quarto do pequeno enquanto Cora vagava pelo apartamento, indócil por não ter permissão para sair. Tentou a todo custo convencer a filha, mas Regina conhecia a mãe que tinha e decididamente não seria enganada outra vez.

— O que mais, meu amor? — perguntou Regina ao pequeno.

— Já acabou, mãe. — ele fechou o caderno. — Posso desenhar agora? — perguntou olhando ela com uma carinha doce, ela não conseguiria dizer não.

Gina beijou-lhe a cabeça, depois afagou seus cabelos de querubim.

— Claro que pode. — sorriu.

Era por volta de sete e meia quando o celular de Regina tocou. Ela se levantou da cadeira ao lado do filho, pegou o aparelho do bolso da calça, olhou o visor, não reconheceu o número. Resolveu atender:

— Alô.

Alô. Oi, Regina, sou eu Emma. — falou a loira do outro lado da linha, bem depressa.

Mills quase deixou o telefone celular escorregar entre seus dedos de tanta surpresa.

— Emma! Oi! Você está bem?

— ‘Tô legal, tudo ok. — fez uma breve pausa. — Estou ligando para saber se você não gostaria de ir comigo assistir o filme. É que o Henry está com os avós hoje, eu não queria ir sozinha. E você me deu dois convites, eu acho justo te chamar. — Emma disse tudo rápido novamente, antes que desistisse da ideia.

— Emma... Espera. O que você disse? — Regina olhou o filho de relance. Ele não parecia interessado na conversa delas, já se entretinha com um papel e lápis de cor espalhados sobre a escrivaninha.

Eu perguntei se você gostaria de ir comigo ao cinema. Você pode? Eu estou te atrapalhando? — a pergunta pareceu insegura.

Regina não pensou duas vezes.

— Não! Claro que não atrapalha! Eu posso, com certeza... É claro que eu posso. Me dá só uns minutinhos que eu já vou. Eu vou me arrumar, é rápido, eu... eu vou tentar ser rápida. — sorriu tanto que os dentes mal cabiam-lhe na boca.

Ah, que bom, então! Daqui a meia hora eu passo pra te pegar, pode ser?

— Isso! Perfeito! Em meia hora.

Ok, em meia hora.

Ela pôde ouvir um riso acanhado soar na ligação. Ambas falavam nervosas como duas adolescentes terrivelmente apaixonadas prestes a ter o primeiro encontro.

— Você sabe onde fica o meu apartamento? — foi a última pergunta.

Sei, acho que sei. Você não se mudou ou mudou?

Gina fez que não como se Emma estivesse na sua frente.

— Não. Eu não me mudei. É o mesmo lugar, no centro da cidade.

— ‘Tá bem. Então me espera que eu já passo pra te pegar.

— Sim, vem! Eu te espero. — Regina só faltou saltar de alegria.

Emma desligou. A morena ficou tão eufórica que mal sabia por onde começar. Saiu com pressa do quarto do filho, toda contente e tanto que quase trombou com sua mãe no corredor.

Correu para seu quarto, enfurnando-se no closet, no meio de suas roupas. Tinha de escolher algo descente para se encontrar com Emma, não queria fazer feio de jeito nenhum. Ela chegava a morder seu lábio inferior muito ansiosa para escolher.

Cora Mills, entrou no quarto da filha, encostou na porta do closet e a observou. Mas nada disse enquanto ela escolhia um de seus looks favoritos: blusa cor-de-rosa, saia de couro preta e sapatos de salto da mesma cor. Foi trocando de roupa sem se importar com a mãe a olhando. Cora, quis rir, conteve-se.

Arrumada, faltava a maquiagem. Entrou no banheiro, tirando todo o arsenal de maquiagens de dentro das gavetas, contudo, usou apenas o básico de novo, não podia perder tanto tempo. Emma pouco se importaria com aquele detalhe.

Em poucos minutos, a engenheira ficou pronta. Terminava de pôr os acessórios nos pulsos e o perfume quando passou pela mãe e deu-lhe instruções:

— Mãe, eu vou precisar sair, não sei que horas vou voltar. Você mande a cozinheira servir o Roland e fique de olho nele. Ele anda muito enjoado para comer ultimamente. — ela disse, saindo do quarto, cruzando o apartamento. — Ah, e coloque-o para dormir cedo.

Cora Mills, chegando logo atrás, não estava nem um pouco satisfeita.

— Regina, onde é que você vai?

A morena parou.

— Vou sair. Vou ao cinema.

— E precisa se arrumar toda desse jeito? Com quem você vai?

— Com ninguém, mamãe. — ela virou-se e deu-lhe dois beijos na face. — Já estou atrasada, preciso descer.

Regina não esperaria o interrogatório da mãe. Deu as costas outra vez, pegou sua bolsa e chaves de casa em cima da mesa de centro.

— Regina, volte aqui. Não me deixe falando sozinha. — disse Cora, de nada adiantando. A filha saiu, deixando a porta do apartamento encostada, com a pressa que tinha.

Do lado de fora do prédio, Emma encostou seu new beetle perto da calçada. Regina chegou quase que no mesmo instante saindo do edifício.

Swan desceu do carro, deu a volta e a encontrou se aproximando. Sorriram espontaneamente ao se olharem, e Regina pôde notar as vestes mais casuais da loira: toda de preto, calça comprida, jaqueta curta e a camisa por baixo. Tudo acentuando-lhe bem as formas do corpo.

— Demorei? — perguntou Emma.

— Chegou na hora certa. — Gina sorriu graciosa.

A loira abriu a porta do carona para a ex-namorada entrar. Assim que ela o fez, fechou com cuidado e deu a volta no carro o mais depressa que pôde para voltar ao volante.

O centro cultural de Boston não ficava muito distante dali. Emma e Regina seguiram algumas ruas a frente no carro encontrando fácil o lugar. Era um prédio antigo, enorme, com arquitetura muito similar aos teatros dos anos cinquenta. Emma adorava lugares como aquele. Podia-se dizer que era uma “nerd” quando se tratava de construções daquele tamanho como a do centro. A engenheira percebeu bem quando chegaram. Curiosamente, a loira nunca havia passado por ali, não conhecia o lugar. Diante do encanto de Emma, Regina ganhou mais um ponto na batalha para reconquistá-la.

Swan comprou pipoca com refrigerantes para ela e Regina. Aquele era outro detalhe que a morena recordara da época de namoro, Emma adorava petiscos e, às vezes, não se limitava apenas quando iam ver filmes, servia para qualquer ocasião. Regina também percebia que sua amada estava aberta, mais calma com sua pessoa e gentil. Não parecia algo forçado; Emma era muito transparente. Talvez ela estivesse contente com os presentes da morena e sentia-se na obrigação de retribuir. Mills controlava-se para que sua felicidade em estar perto dela fosse menos visível, no entanto, seus sorrisos entregavam.

A sessão de cinema começaria pontualmente às oito e quinze, elas tinham algum tempo para conversar enquanto o filme não começava. Foram para a grande sala escura, sentando-se bem no meio no alto das cadeiras enfileiradas, lado a lado. Não eram muitos os fãs de filmes antigos naquela noite; além delas restavam apenas mais dois casais e três pessoas.

Regina perguntou sobre Henry:

— Henry não quis vir?

— Na verdade ele quis visitar os avós. Ele gosta de passar o tempo com eles de vez em quando. — respondeu Emma, não resistindo as pipocas.

— Entendo.

— Você nunca viu esse filme, não é? — perguntou a loira, virando o rosto para vê-la.

— Nunca. Mas conheço de nome, é um filme muito famoso.

— É. Bastante. É o meu favorito com a Audrey, acho que o que ela está mais bonita.

— Você gosta mesmo dela pelo visto.

— Pelo menos mais do que do Elvis. — Emma riu-se. Arrancou um sorriso de Regina da mesma forma. — Acho que depois desse filme você também vai começar a gostar dela.

Regina assentiu, olhando a loira de lado. Para ser muito sincera consigo mesma, pouco importava o filme que iriam assistir. Estava ao lado de Emma e aquilo bastava. Sentia-se feliz por ter sido chamada por ela. Sentia uma grande evolução na relação que queria construir para as duas. Tentando se comportar a morena ajeitou-se na cadeira mais um pouco e repetiu o que Swan não parava de fazer: comer da pipoca.

O filme começou. A sala do cinema ficou ainda mais escura. A primeira cena do filme mostrava a protagonista olhando para a vitrine de uma famosa joalheria de Nova York. Regina se identificou com os trajes de festa da mulher.

— Gostei da roupa dela. — disse depois de tomar um gole de refrigerante.

— Ela ainda vai usar esse vestido muitas vezes no decorrer do filme, pode acreditar. — Emma disse entre risos.

Acabou que Regina se envolveu com o filme e passou um longo tempo concentrada na tela, mal piscava. Só perdeu a atenção quando Emma começou a tatear o braço da poltrona em que estava sentada, atrás do copo de seu refrigerante e, sem intenção, tocou-lhe a mão que repousava ali. No susto as duas se olharam. Gina corou. Swan recolheu a mão no mesmo momento.

Tentando disfarçar, Emma voltou a cara para a frente e achou o refrigerante no outro braço da poltrona. Voltou a fita-la, só que agora, de lado, percebendo ela prestar a atenção no filme ou aparentar aquilo.

Ao seu lado, Mills estava em polvorosa por dentro, pensando: “Céus! Isso é um encontro.” Com esse pensamento, passou o restante do tempo quieta, esperando a mão quente de Swan tocar a sua de novo, mas não aconteceu.

Quando a protagonista do filme cantou Moon River para o galã, Emma deixou-se sorrir. Foi quase involuntário. Regina era quem a observava de canto, nesse instante, e só conseguiu amá-la ainda mais.

O filme acabou e a loira ainda suspirava.

Para Emma, o tempo passou rápido. Para Regina, um pouco menos.

A morena sentiu-se frouxa por não ter conseguido arrancar da loira algo mais contundente que o roçar das mãos. Precisava provar para si que Emma a chamara com outra intenção, não estava conformada.

Emma puxou assunto. Falaram sobre o filme enquanto saiam da sala de cinema.

— Ahm... Então, que tal o filme?

— Legal! Gostei, gostei muito. — Mills respondeu. Caminhavam para fora do centro cultural, tinham comido pipoca e adoçado a boca com refrigerante, foi um programa peculiar. Há tempos não faziam aquilo sozinhas ou com outros amigos. Na grande parte das vezes foi com os filhos e ambas se lembraram desse detalhe. Precisavam repetir mais. — Eu preciso te agradecer, você foi muito gentil me convidando para vir junto. — Regina segurava as mãos juntas atrás de si enquanto caminhava.

— Não foi nada. Era mais do que justo te chamar, foi você quem comprou os ingressos. — Emma juntou os dedos nos bolsos da calça.

Saíram pela calçada. A temperatura havia caído no meio tempo em que estavam no cinema. A brisa vinha, Regina se abraçou, esfregando os braços com urgência.

Oh gosh! Como esfriou! — reclamou Regina Mills.

A loira a viu e mais do que depressa tirou sua jaqueta para envolvê-la, colocando a veste por cima de seus ombros.

— Espera, Regina. Toma, veste.

A morena não pôde recusar, ficou até sem jeito.

— Não, Emma. Você vai sentir frio...

— Eu fico bem, não se preocupe comigo. — Emma assegurou-lhe.

Olhando para ela como uma total inocente, Regina esteve prestes a estremecer e, não só aquilo, prestes a tudo; abraçá-la, apertá-la, beijá-la, até se declarar ela desejou.

Chegaram ao carro rápido, Emma abriu a porta para ela como uma “cavalheira”, mais uma vez.

Por tudo o que estava sentindo e presenciando, a morena achou no direito de prolongar o encontro entre elas, mas Swan não entendia bem assim.

— Estou pensando... Pipoca e refrigerante não é o tipo de jantar ideal, o que acha de irmos jantar em algum lugar aqui perto? — sugeriu assim que ela entrou no veículo.

Emma a encarou, franziu a testa. Não interpretou bem a proposta.

— Como? Jantar?

— Você não quer? — Gina teve medo de como foi olhada. Não obteve resposta e sim um olhar invocado dizendo-lhe que entendia suas segundas e terceiras intenções.

— Não... Não... Eu... Eu tenho que voltar pra casa, Regina. Não é uma boa ideia. — Swan de súbito ficou nervosa.

Emma, com o passar do tempo adquiriu muito poder nos olhos, eles falavam por ela.

— Tudo bem, desculpa. — a morena respondeu baixo, imediatamente. Se arrependeu da ideia. Devia ter ficado calada. Pelo visto, suas investidas deviam ser menos evasivas, mas ela não podia se controlar. Via as chances de reconquistar o amor de sua vida cada vez mais próximas. Naquele instante, engoliu seco e pôs o cinto de segurança, virando a cara para a janela do carro.

Emma a levou de volta para casa. Não disseram absolutamente nada o trajeto inteiro. Estacionou na porta do edifício de Regina, esperando que ela logo saísse de seu carro.

— Está entregue, Regina. — em seu lado, Emma acordou para a realidade do que tinha feito. Começou a se arrepender de tê-la chamado.

— Desculpa, de novo. — falou Mills. Conseguiu olhar para Emma, que por sua vez, olhava para frente cheia daquele receio que sempre tinha quando voltaram a se falar. — Eu achei que você não ficaria ofendida se fôssemos a algum outro lugar. Poderíamos esticar, foi uma noite muito agradável. Você me surpreendeu me chamando para vir junto. Foi gentil comigo. Achei que fosse gostar de conversar mais um pouco.

— E precisava ser em outro lugar? Um restaurante? Um bar? — Swan falou.

— Poderia ser até aqui no seu carro se você quisesse. Eu só queria prolongar esse tempo que tive com você.

Emma baixou a cabeça. Fechou os olhos.

— Mas eu não chamei você para isso. Você ‘tá querendo forçar uma coisa que eu não quero.

— O que você não quer, Emma? Do que está falando?

A loira suspirou.

— Você sabe... Você não devia me obrigar...

— Eu não estou obrigando você. — Regina desatou o cinto que a prendia, aproximou-se ao lado de Emma.

— Você está entendendo tudo errado. Nós só fomos ao cinema. — Swan virou o rosto para ela de uma vez.

— Eu não estou te forçando a nada, eu achei que estávamos tendo...

Emma completou para ela:

— Um encontro. É isso?

A morena piscou muitas vezes. Parou um pouco e achou a pergunta certa a fazer.

— E se fosse? Você estaria reclamando?

— Não sei.

Os olhos de Emma ardiam, a boca ameaçava tremer para baixo.

— Então por que esse medo todo de mim? Eu não quero te fazer de meu jantar, nem quero levar você para um quarto de motel depois. Eu só precisava ficar um pouco mais do seu lado. Você me deu muitas razões para querer isso hoje, Emma.

— Você joga baixo. — sussurrou.

— Não. De jeito nenhum. Eu deixei claro o que eu quero há dois dias. Você está ciente disso. — Gina aproximou-se mais ainda do rosto dela, tocou-lhe a bochecha com uma mão. Swan não oferecia resistência. — Quer saber de uma coisa? — sentiu vontade de falar sobre aquilo, se tinha de arrancar mais alguma prova de Emma, o momento era aquele. — Sonhei com você hoje. Um sonho incrível. Eu pretendia te mandar rosas vermelhas... Ia mandar um cartão junto te contando desse sonho. Foi tudo tão bonito, tão real, tão intenso. Você me dizia uma coisa no sonho... Que havia esperado a vida inteira por aquele momento. Eu quis tanto que fosse de verdade, que estivesse mesmo acontecendo... Pois é assim que me sinto também, louca por esse momento.

Emma não tinha saídas, sofria por dentro uma inegável dúvida, todavia, estava perdendo o controle de si, assim como Regina. Fechou os olhos devagar, as lágrimas ameaçavam cair do canto dos olhos, Swan lutava para contê-las.

Mills não podia ficar na vontade, aproximou o rosto dela e roçou seus lábios nos mesmos que viu em seu sonho, agora eram lábios reais. Suavemente, iniciou o beijo; primeiro o lábio de cima, depois o de baixo. Emma não resistiu, respondeu lentamente, aos poucos, as línguas se encontraram, roçaram, dançaram, se uniram num tênue calor. Um beijo inesquecível. Durou mais do que elas esperavam.

Após a troca mutua de carinhos, narizes roçando um no outro, mãos que acariciavam as maçãs da face, Gina interrompeu. Tinha conseguido o que queria para a noite. Desvencilhou-se dela, abriu a porta do lado onde estava sentada e deu-lhe uma última olhada, viu que a Emma que estava ali era igual a do seu sonho. Isso a fez sorrir.

— Boa noite. — disse Emma, encostada de lado no banco, a vendo sair de seu carro.

— Boa noite, meu amor. — replicou a morena.

Emma a viu bater a porta e andar pela calçada. Chegou a simples conclusão de que não adiantaria, tudo o que fizessem com boas intenções acabaria em beijo. O pior para ela era que o beijo de Regina foi o melhor que experimentou na vida, o fato não mudara.



Regina chegou em casa fazendo pouco barulho, fechou a porta da sala e se encostou atrás dela, ficando ali a suspirar de amores. Ia recuperando o ar quando percebeu que ainda vestia o casaco de Emma, esqueceu de devolvê-la. Tirando-o do corpo com um cuidado muito grande, o cheirou, sentindo seu perfume, era bem doce.

Estava levando-o consigo para o quarto até que de um canto, o filho apareceu correndo e rindo muito. O menino deu de cara com a mãe.

— Mamãe! — disse ele, agarrando-a pelas pernas.

— Querido, o que faz acordado até essa hora? — ela perguntou, estranhando muito. Olhava o menino, mas não seria ele quem responderia... e sim o ex-marido. — Robin?! — ele vinha da mesma direção de Roland. O que ele fazia ali? Quando chegou? Perguntou-se. A alegria da noite que teve transformou-se de um segundo para o outro com a presença dele.

Notas finais
Emma amoleceu e não quer admitir. Até eu me sentiria vulnerável com esses regalos da Regina KKKKK Bem, tratando-se de investida, dois a zero para a engenheira. A quem começou a acompanhar agora a fanfic, muuuito obrigada, aquele beijo enorme! Vocês estão todas convidadas a me darem reviews, podem me falar tudo, eu prometo guardar segredo KKKK Fiquem bem, até a próxima semana.