Skin on Skin
15 And I'll go just for you.
Notas iniciais
— Olá, Regina. — disse Robin, se aproximando. Quando parou bem na frente dela, tocou seu rosto com as duas mãos e a selou nos lábios propositalmente. A morena não teve tempo para evitar.
— Robin, eu posso saber o que você está fazendo aqui? — perguntou ela, depois de limpar a boca com os dedos e fazer um trejeito amargo.
— Ora essa? O que mais eu faria aqui, Regina? — disse irônico — Vim ver meu filho, ver você. — ele sorriu outra vez, pegou Roland no colo e com a outra mão bagunçou os cabelos do menino que riu com a brincadeira.
— A essa hora? Você poderia ter avisado. — Regina, fitava o ex-marido, com total reprovação. — Onde está minha mãe? Cora! — chamou pela mãe, mas parecia que Cora Mills não estava no apartamento.
— Sua mãe não está. — ele respondeu.
— O quê?!
— Ela precisou sair.
— Como é que é? Minha mãe deixou Roland sozinho?
— Na verdade não. Ela saiu depois que eu cheguei. Já faz um tempo.
— Onde ela foi?
Robin colocou o filho de volta ao chão.
— Vá para o quarto brincar com aquele dinossauro que eu te trouxe, filho. — disse, sem tirar os olhos de Regina. O garoto fez que sim e entrou pelo corredor, deixando-os a sós. O homem aproveitou-se da situação, voltou a se aproximar de Regina, tocando-lhe os braços. — Fique calma, querida. Sua mãe não fará mal nenhum ao nosso filho enquanto estiver fora.
Mills afastou as mãos dele de si bruscamente, não queria que ele a tocasse de maneira alguma, odiava quando ele tinha aquele tipo de atitude. Robin também não ficava nada feliz com a reação que a ex-mulher demonstrava.
— Só me diz, onde a minha mãe foi? — perguntou, visivelmente alterada.
— Você não sabe? Não imagina para onde? — as perguntas eram em tom irônico outra vez. — Quais lugares sua mãe gosta de frequentar de noite?
Gina não precisou pensar muito. Deduzindo que a matriarca aproveitara a presença do genro no apartamento, concluiu que Cora fora jogar.
— Não acredito. Ela não podia! Eu tinha a proibido. — a mulher ficou desapontada. Colocou as mãos na cintura, começando a andar de um lado para o outro na frente dele.
— Querida, você não devia se preocupar tanto, o quanto mais tempo sua mãe passar fora de casa melhor. A propósito, eu acho que está na hora de você e Roland se mudarem. Sua mãe perto dele não é uma boa coisa.
Gina parou para ouvir aquilo.
— Eu não vou me mudar. Você ficou maluco? Minha mãe tem um vício, eu estou tentando ajuda-la, mas é pior do que eu imaginava.
— É sempre pior do que se imagina. Acalme-se. Você está um pouco nervosa, acho melhor se sentar, vem... — ele avançou, pegando em sua mão.
— Não, Robin, me solta! — Regina puxou a mão e irritou-se ainda mais. — Dá pra me dizer o que é que você veio fazer aqui?
— Eu já disse, vim ver o meu filho e você. Ou você vai me proibir de visita-lo agora?
— Não, você não está proibido de vir visita-lo, mas eu gostaria de ser avisada quando você vier. Pelo menos, sabendo eu não terei surpresas desagradáveis.
Ele fechou a cara para ela.
— Você não devia me tratar dessa forma. Eu sou o pai do seu filho.
— Pois então haja como o pai dele e não como se ainda estivéssemos casados. Você tem que pôr na sua cabeça que estamos separados.
— Separados porque você quer. Eu não assinei o divórcio.
— Porque você tem esperanças de uma coisa que não vai acontecer, Robin. Desista.
Ele cerrou os punhos.
— Tudo bem. — resmungou. Caminhou para mais perto. Ela o olhava com o rosto erguido, destemida. Queria que ele fosse embora, era muito atrevimento vir ao seu apartamento para confrontá-la, ela pensava. — Além de vir buscar o meu filho, eu preciso resolver umas coisas aqui em Boston amanhã. É muito pedir para você leva-lo à estação no fim da tarde?
— Como assim?
— É isso mesmo que você entendeu, eu vim buscá-lo, aproveitando que tenho uns assuntos de um cliente para resolver aqui, amanhã à noite eu volto para Nova York, pretendo levar Roland comigo para passar o final de semana.
Gina hesitou por um momento, pensou.
— Mas precisa ser nesse final de semana, Robin?
— Por que não? Ele vai gostar de ficar um pouco comigo, vou leva-lo para passear e, você que eu saiba, não tem feito isso, prefere sair sozinha do que leva-lo.
A engenheira torceu a boca.
— Eu tive de sair hoje sim, mas Roland não podia ir comigo. Eu estava com ele antes disso, fizemos a lição de casa juntos. Eu passo a maior parte do meu tempo livre com o meu filho, minha mãe é testemunha.
— É, eu posso ver, Regina. — resfolegou o homem. — E por um acaso eu posso saber onde você foi que não podia levar o Roland?
Regina empalideceu. Engoliu seco, mas nem por isso deixou de perder a postura.
— Não, porque não é da sua conta.
O ex-marido a olhou enfurecido. Antes que ele tomasse alguma atitude, o filho apareceu no canto como um bichinho acuado.
— Vocês estão brigando? — perguntou o pequeno.
— Não, meu amor. — Regina o viu, foi até ele para pegá-lo nos braços. — Não, minha vida, não. A mamãe e o papai só estavam conversando um pouco. — ela afagou-lhe o rostinho. Robin de onde ficou, assistiu a cena com o canto do olho.
— Eu vou esperar você leva-lo amanhã. — disse ele a Regina.
— Está bem. Amanhã de tarde eu o levo até você, não se preocupe e, por favor, tome cuidado com ele, ele ainda é pequeno, tenho medo que aconteça alguma coisa.
— Você vai deixar o seu filho com o pai, não um estranho, Regina. — ele disse rangendo os dentes. Odiava quando Mills demonstrava insegurança ao seu respeito. Sentiu-se ainda mais chateado.
— Seu pai já está indo, meu amor, dá um beijo nele e depois, já para a cama. — disse Gina liberando o filho para correr até Robin. O garoto o abraçou nas pernas, onde alcançava, foi pego outra vez no colo e despediu-se. Enquanto isso, Gina tocou a jaqueta de Emma, repousada no braço do sofá.
— Ok, garotão, faça o que sua mãe diz, já para a cama. Amanhã a gente se vê.— Robin deu um último beijo na bochecha do pequeno.
A morena foi até a porta, abrindo-a para o ex. O esperou, e ele ao passar por ali, não deixou de fita-la como sempre fazia, como se fosse ainda a amasse, o que era um fato.
Não deram boa noite um para o outro, nem ela retribuiu o olhar dele.
Ao fechar a porta, Gina, suspirou aliviada, mesmo assim, lá no fundo, preocupada com o dia seguinte.
Ao chegar na empresa naquela manhã, Emma esperava encontrar Regina no escritório, sentada sobre o tampo de sua mesa, com as pernas cruzadas, olhar sedutor e algum novo agrado nas mãos para lhe dar. O pensamento era bem pretensioso de sua parte, mas do jeito que as coisas andavam, era muito provável de acontecer.
Exatamente como imaginou, Emma abriu a porta do escritório e viu Mills sentada sobre a mesa, de pernas cruzadas. A diferença era que no rosto da engenheira, não existia um olhar sedutor, em suas mãos nenhum agrado e em seus ombros pendiam, em vez do costumeiro blazer, uma certa jaqueta escura que conhecia muito bem.
Swan encostou a porta e aproximou-se, dessa vez sem receio algum. Parou na frente dela.
— Esqueci de te devolver ontem. — a engenheira desceu da mesa, tirou o casaco e o colocou sobre os ombros da loira, tal como ela havia feito na noite anterior. — Obrigada por ter me aquecido. Eu me senti tão bem com ele que até me esqueci que o estava vestindo. — ela sorriu quando Emma se virou para vê-la.
— Que bom. — Swan largou suas coisas em cima da mesa, voltou até a morena. Trocaram olhares. Tentando ser cortês, Emma fez a primeira pergunta que lhe veio em mente. — Você dormiu bem?
— Sim. — Gina mentiu. — Muito bem. — forçou um sorriso.
Emma sentiu algo estranho.
— Tem certeza?
— Uhum. E você? Sonhou muito com o filme?
— Ah, que nada. Quando Henry não está em casa eu não costumo dormir cedo.
— E por que não?
— É o costume de esperar que ele pule na minha cama no meio da noite depois de um pesadelo. — Emma deixou um riso escapar.
— Sei como é, Roland sempre faz isso. Principalmente quando chove, ele tem medo de trovoadas. — disse a morena.
Gina de súbito, aproximou-se de Emma e tocou-lhe o laço feito em seu pescoço como uma gravata. Não estava olhando muito em seus olhos, parecia envergonhada, abatida, até triste. Por dentro, sentia-se preocupada, o rosto transparecia seus problemas domésticos; Robin, a mãe e o filho. Swan não estranhou a proximidade, na verdade, ela esperava, quem sabe, por um beijo. Quis abraça-la, tocar-lhe a face, porém, olhando na expressão vazia da mulher a sua frente, percebeu que algo estava errado.
— Regina? — chamou. A morena ergueu o olhar. — O que houve?
— O quê?
— O que houve?
— Nada. Por quê? O que foi?
— Você não parece bem.
Rapidamente, Emma se lembrou da noite anterior, a conversa de ambas dentro do carro e suas falas para Regina. Talvez a morena estivesse magoada, mas seria mesmo por conta daquela situação? Notando a forma como estava agindo, distraída e lenta, Swan a encarava esperando por uma explicação. Viu a engenheira suspirar pesadamente, alisar-lhe o pescoço e depois larga-la.
— Eu vim devolver seu casaco e ver você um pouco, hoje eu vou ficar o dia inteiro fora, vou para a ilha vistoriar as obras. — desviou do assunto.
— Então, obrigada. — Emma sorriu simplória, virando-se na direção de sua mesa. Se Regina não queria falar sobre o que acontecera, não iria insistir.
Mills abriu a porta para sair, antes assentindo e acenando com a mão. Emma respondeu com um aceno também por cima do ombro. Fez um belo esforço para não pensar na real hipótese do abatimento dela, o grande problema foi que o esforço durou o dia inteiro.
Na estação, Regina chegara com Roland, atrasada do horário combinado com Robin. O trem estava prestes a partir quando cruzaram o grande saguão do lugar correndo. Ela vinha com a mochila do menino em um dos braços e o segurava pelo outro. Robin os esperava visivelmente impaciente perto do portão do embarque. Quando os viu chegar, dirigiu a ela um olhar nada paciente.
— Desculpe o atraso, Robin. O trem já saiu? — perguntou Mills, um pouco esbaforida.
O pai pegou seu filho pela mão chamando-o para o seu lado.
— Ainda não, mas vai sair logo. — ele fitou Roland. — Vamos, filho?
O menino assentiu com um dedo na boca. Jogou um beijo para a mãe enquanto Robin recebeu dela a mochila.
— Bem, tá tudo aí dentro. Eu fiz um lanche se ele sentir fome na viagem. — avisou Regina.
— Não precisava se preocupar. No trem eles servem a janta. — falou o homem. — Nós já vamos.
— Certo. Boa viagem.
Robin quis beijá-la no rosto, mas dessa vez evitou fazê-lo. Regina jogou um beijo para o filho, mal deu tempo do pequeno dar tchau. Os dois saíram pelo portão, a sumir no meio das pessoas que cruzaram o embarque junto deles.
Depois dos dois partirem, ela ficou ali por mais algum tempo, parada olhando o vai e vem dos vagões, sem saber o que fazer. Sozinha e aborrecida, não queria voltar para casa. Estava chateada com Cora. Sua velha mãe, chegara tarde em casa na noite anterior, muito depois de Robin ter saído do apartamento. No meio tempo em que esteve em casa durante o dia, tentou evita-la ao máximo, não se falaram. Sua razão para voltar estava indo embora com o pai, Regina não sabia o que faria no restante da noite e em todo o final de semana que se seguiria.
Abraçando os próprios braços, a mulher saiu dali cabisbaixa, voltando ao seu carro. Havia anoitecido.
A estação South Boston ficava a poucas quadras do prédio onde Emma Swan vivia com o filho. Uma ideia passou pela cabeça de Mills. Ela levou mais tempo pensando se valeria a pena, sentia medo de ir até a amada, mas acabou desobedecendo o receio por pura teimosia.
Alguns minutos mais tarde, Mills tocou a campainha do apartamento de Swan duas vezes seguidas, engolindo seco por conta de um nervosismo que normalmente não tinha. E se Emma a expulsasse? E se Emma fosse grossa por vê-la ali? E se Emma a achasse evasiva de novo? Regina começava a se torturar, foi então que a loira abriu a porta.
— Você? — disse e, diferente de todas as outras vezes, não franziu a cara.
— Desculpa te incomodar, Emma. — Regina tomou ar. — É que eu estou meio perdida por aqui. — hesitou por um momento. — Acho que... É... Posso conversar um pouco com você?
Swan não compreendeu. Olhou a morena da cabeça aos pés, notou aquela mesma expressão vazia que viu nela pela manhã e decidiu:
— Er... Pode. Entra. — Emma abriu espaço para a mulher entrar. Mills pisou no apartamento como da primeira vez que estivera ali. Emma fechou a porta atrás delas, cruzou os braços e a fitou curiosa, vindo em sua direção.
— Me desculpa aparecer assim, na sua casa, do nada. Eu não consegui pensar em outra pessoa, outro lugar.
Gina a olhou aflita.
— O que houve?
— Acho que são coisas da minha cabeça, eu não queria voltar para casa. Me sinto estranha.
— Eu percebi que você estava diferente hoje cedo.
— Pois é.
Crendo que ela não mentia, Emma apontou um lugar no sofá da sala.
— Senta.
Regina assentiu, fazendo o sugerido.
— Henry não está? — perguntou a morena
— Ele pediu para passar o fim de semana com meus pais. Vão leva-lo para pescar amanhã. Ele adora ir pescar.
— Que graça.
Sem saber o que fazer ou dizer, gentilmente, Emma ofereceu-lhe qualquer coisa:
— Você quer beber alguma coisa? Água? Ou um suco? Você já jantou?
— Não, não. Eu não quero nada, obrigada. Eu fico sem fome quando estou preocupada. — Gina suspirou.
— Preocupada? Aconteceu alguma coisa?
Swan quase perguntou se tudo aquilo era por conta da noite passada no cinema e no carro. Regina finalmente falou:
— Ah, meu ex-marido... Minha mãe... eles me deixam louca.
— Você brigou com eles?
— Com Robin sim. Quero dizer... Mais ou menos. Mas toda vez é assim, ele ainda não entende que estamos separados. Quer porque quer voltar comigo.
— Eu posso imaginar o quanto isso é complicado. — disse Emma, tentando ser compreensiva.
— Pode?
— Um pouco. Eu só me casei uma vez e antes dele morrer não brigávamos.
— Então você teve sorte. Eu não tenho dúvidas de que fiz a escolha certa me separado, acontece que toda vez que o vejo de novo não é bom. Eu não o amo, nunca amei. — Gina desabafou.
— E por que se casou com ele afinal?
— Acho que porque queria engravidar. Acho não, tenho certeza de que foi por conta disso. Vi em Robin um homem gentil, tranquilo, um pai perfeito. Ele continua sendo um bom pai, mas no resto ele mudou.
— Deve ser porque você também mudou.
— É, eu percebi que não devia ter feito o que fiz, eu não devia nem ter começado a namorá-lo.
— Pelo menos agora você tem o seu filho. Tem o que tanto queria.
— É verdade. E é isso também que me deixa mal. Não gosto quando Roland está longe de mim.
— Acho que você quer dizer que não gosta quando Roland está com ele. — completou Emma.
— Exatamente.
Regina fez que sim. Não havia falado sobre a mãe ainda. Emma, bastante solicita e interessada em saber mais sobre a vida a mulher que amava, sentou-se ao seu lado no sofá. Perguntou sobre Cora, que se lembrava pouco, e o que sabia, era mais sobre a personalidade da velha senhora. Mills contou-lhe tudo, desde a morte do pai até o vício que a mãe tinha. Foi ficando tarde. As duas perderam a noção do tempo. Ficaram sem assunto no final.
A morena então decidiu que não devia mais alugar os ouvidos de Emma, sentia-se um pouco melhor.
— ... Eu tenho que voltar para casa. Eu te aluguei demais hoje. Desculpa, Emma. — disse Mills, se levantando.
Emma fez o mesmo, olhando-a com seus olhos firmes.
— Não foi nada. Eu ficaria num tédio puro se você não tivesse aparecido. Eu estaria assistindo algum desses sitcons da TV, rindo das piadas sem graça.
— Ou assistindo a algum filme antigo. — Regina recordou do gosto da loira por clássicos. — Não é? Bem, acho que já sei qual presente vou te dar da próxima vez.
— Um filme? Você devia parar de ficar me mimando com essas coisas. Eu vou acabar mal acostumada.
— Pois fique. Eu não me importo. Faço com prazer. — a morena deu de ombros. — Bem, eu já vou indo então...
Quando Regina se virou, Emma a pegou pelo braço.
— Espera, Regina. — a engenheira foi pega de surpresa, sentiu a força na mão de Swan e corou. Percebendo que exagerou, Emma quase recuou, mas não, permaneceu a fita-la desconcertada. Ambas sentiram uma atração irresistível, nenhuma das duas quis tomar a iniciativa. Regina temendo a reação dela; Swan por medo e insegurança. Mas ambas precisavam sentir a sensação de torpor de um beijo. Dessa vez, Emma ousou afastar os cabelos da testa de Regina e, bem depressa, pousou-lhe delicado beijo nos lábios. Gina deixou-se beijar, claro que faria. Aos poucos, tendo certeza da atitude da parceira, correspondia com ardor e, em breve, colocou suas mãos sobre os cabelos loiros, bagunçando-os. A própria loira parou o beijo reprimindo o desejo que sentia. Afastou-se. Soltou da morena. Virou-se para limpar a boca e falou: — Você vai mesmo voltar para casa?
Mills, boquiaberta mal podia responder.
— Eu... Eu... Não sei. Não, eu sei sim... É, eu vou.
A engenheira meneou a cabeça, torceu os lábios com um sorriso nervoso, foi quando Emma voltou-se para ela.
— Então, ‘tá bem.
Emma passou por ela toda desengonçada, abriu-lhe a porta do apartamento, um pouco zonza.
Regina tão balançada quanto a seguiu com os olhos. Recuperada, andou até ela.
Antes que cruzasse a porta perguntou esperançosa:
— Podemos nos encontrar amanhã?
Swan fez que não.
— Eu não vou estar aqui amanhã. Não em Boston. Belle me chamou para passar o dia na casa da colina. Eu saio daqui logo cedo. — Swan referia-se a enorme mansão que Robert Gold construíra para a esposa no alto de uma colina fora da cidade. Não mentiu ao contar que iria ao lugar. Recebera o convite por telefone e só iria porque a melhor amiga fazia questão.
A morena murchou no mesmo instante. Teve de aceitar. Era a segunda vez que Emma lhe dava claros sinais de rendição aos seus sentimentos e depois voltava atrás. A situação começava a ficar frustrante.
— Certo. Boa noite, Emma. — e não esperou pela resposta, apenas saiu.
A loira fechou-se, encostando sua testa na madeira da porta, a rugir de ódio de si mesma. Não tinha como se segurar mais, ainda a amava e deixou isso óbvio tomando a atitude do beijo. Engoliu o choro, o orgulho e a vontade de correr atrás de Regina pelos corredores do prédio. Não suportaria mais se conter na frente dela. Se acontecesse mais uma vez, iria se libertar, independente do rancor do passado.
No sábado pela manhã, Zelena visitava a prima e juntas desfrutavam de um café da manhã bem amplo sobre a mesa da sala de jantar do apartamento de Mills.
Cora ainda dormia, certamente havia chegado tarde na noite de sexta e não levantaria tão cedo. Despreocupada com aquele fato, Regina contava a Zelena os últimos acontecimentos, em especial sobre Emma. A prima, que dividia a atenção da conversa com um pedaço de torta de maçã, não acreditava na história digna de filme contada pela engenheira.
— Jesus, Regina! Consegue imaginar como ela está se sentindo? — perguntou a ruiva, levando uma colherada de doce aos lábios.
— Eu sei que ela ainda me ama. Eu tenho mais certeza a cada vez que nos beijamos. — Regina faltou revirar os olhos se lembrando do último roçar de lábios das duas.
— Será? Você não pensa que esses beijos, bem lá no fundo, não tem um sabor de vingança. Querendo ou não ela sofreu muito, ela pode muito bem querer dar o troco. Não há nada mais temível que uma mulher traída. — comentou Zel.
— Não pode ser, Zel. Eu vejo nos olhos dela. Apesar de tudo, ela me ama, ela quer tanto quanto eu. O passado já foi. Mas eu prometi que seria paciente e iria até o inferno se fosse preciso. Eu não vou desistir.
— Você se arrepende muito do que aconteceu, não é?
— Sim, a cada dia que passa, a cada vez que a vejo eu me culpo.
— Você vai precisar de mais que isso para reconquistá-la. Não será apenas com flores, filmes e beijos. Você tem que mostrar como está arrependida, sabia?
— E será que ela já não percebe isso?
— Pode ser que sim. Mas me guiando pelos casos que recebo no meu consultório, esse tipo de mulher não dá o braço a torcer da noite para o dia. Ela vai evitar até as últimas forças. — falou a psicóloga.
— Então é por isso que toda vez ela se fecha de repente.
— Provavelmente.
Regina girou a colherinha na xícara de café enquanto pensava.
— Sabe que apesar de complicado, eu gosto desse jogo que acabei criando? É sério, eu gosto de ver como ela fica mexida quando eu falo o que sinto.
— Você devia parar de ser masoquista.
— Eu não sou masoquista. Eu só quero ser feliz. Eu tenho certeza que só vou conseguir isso com ela.
— Diga isso a ela.
— Hoje?
— Quando a encontrar de novo. Se as palavras mexem com ela como você mesma diz, comece a jogar por esse lado, Gina.
Mills quis seguir o conselho da prima, mas Emma não estava em Boston naquele dia em que poderiam aproveitar uma boa oportunidade de se encontrarem.
— O ruim é esperar o final de semana inteiro.
— Por quê?
— Ontem quando estive na casa dela, me disse que iria para a propriedade do Robert, visitar a Belle. Não sei porque eu não acreditei muito nessa história.
— Se a Belle é a melhor amiga que ela tem, não tem porquê mentir, deve ter ido sim. — Zelena terminou a torta finalmente. Viu a cara que a prima fazia e sugeriu: — Regina, por que você não vai atrás?
— Eu? Como assim?!
— É, atrás dela. Vá até a casa do casal vinte já que Emma está lá. Você sabe onde fica, não sabe?
— Zelena, eu... Eu não posso chegar na casa dos outros só porque a Emma está lá. — achou a ideia um tanto absurda.
— Qual o problema? Robert e Belle são o de menos. Invente uma desculpa, que estava passando por ali e quis dar um oi. Você não está entendendo o que quero dizer, não é? Aquele lugar é grande demais, vocês podem ficar por um momento sozinhas e então você diz o que tem que dizer pra ela.
Regina começou a gostar da ideia.
— Pensando por esse lado, pode ser. — meneou a cabeça.
— Pois então... Faça isso. — Zel arregalou animada seus olhos azuis. — No seu lugar eu já estaria me aprontando para ir.
— Mas... Mas... Agora? Nesse momento?
— Sim, agora, nesse momento!
Querendo seguir o conselho da prima, Regina se levantou bruscamente da mesa e correu apressada para seu quarto. Zelena começou a rir. Se desse certo, pensaria em cobrar pelo serviço de cupido que acabara de fazer.
Em vinte minutos, Regina se arrumou, pegou seu carro, a estrada e saiu de Boston, incentivada pela prima. Se seria bem recebida por Robert e Belle, não importava, só queria ver Emma.
Seu lexus percorreu alguns quilômetros até o exato local numa velocidade abusiva para o limite da estrada. A sorte de Regina era que não havia fiscalização aos sábados. No fim da viagem, chegou bem, cruzando os portões da propriedade, passando pela alameda de árvores da entrada até chegar a fachada da mansão, encontrando o carro de Swan estacionado bem perto. Logo que parou, deixou seu veículo apressada, cruzando um círculo de pedras assentadas que envolviam o chafariz bem no meio do jardim e antes que pudesse chegar no portal do casarão, o rico dono do lugar, o abriu avisado de que a engenheira e amiga chegara.
— Mas olha só quem apareceu... — Robert sorriu para ela. Logo atrás dele, Belle veio.
— Regina! — ela disse surpresa.
E para sua alegria, depois de Belle, quem mais importava apareceu: Emma.
— Oi! — foi o “oi” mais sorridente que deu na vida e aquele cumprimento, era somente para Emma.
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