Skin on Skin
33 I don't wanna lose you.
Notas iniciais
Emma se sentia estranha na manhã de sábado. Havia acordado no susto de um sonho que teve com Regina. Sonhou que a morena e o filho haviam estado em seu apartamento no final da tarde daquele dia e que passavam um agradável tempo juntos. O problema era que na realidade, Emma e Regina não estavam juntas como no sonho e muito menos se encontrariam no entardecer do sábado. Outra pessoa apareceria no apartamento de Swan, e de longe não era Regina.
Henry estava empolgado com a visita de Paige e ainda mais com o chocolate quente que sua mãe faria para os dois quando ela chegasse, mas Emma pouco percebeu a animação do filho. Por alguma razão a ansiedade estava lhe enchendo a cabeça e algo lhe dizia que era por causa de Jefferson.
O detetive e seu colega foi uma vaga lembrança de seu retorno à Boston. O conhecia da filial da empresa onde trabalhou antes de ser enviada à Gold & Mills e já não se lembrava como ele havia aparecido por lá. Na verdade essa não era a informação mais relevante sobre Jefferson, Emma esteve com ele de outra forma, em um dia em que ele a convidou para saírem juntos e de tanto beberem acabaram parando num quarto de motel. Emma não sabia se sentia envergonhada por isso, além de acrescentar a história à sua lista de besteiras feitas após beber demais. O fato era que se lembrava pouco, justamente por ter ficado embriagada quando ficou com ele, o que a ausentava de alguma culpa. Desejava que ele não tocasse nesse assunto quando parassem para conversar novamente.
E, pensando assim, Emma tratou de arrumar a bagunça em que sua casa se encontrava para receber as visitas. Outra vez se lembrou de Regina, afinal, tinha a mesma rotina toda vez que ela vinha. Swan sentia-se exausta de recordar que agora não eram nada além de ex-namoradas, isso a deixava abatida e ela queria encontrar uma forma de não sentir tanto por conta de simples lembranças. Parecia muito complicado, ou pensar nisso não era tão simples assim.
Quando as visitas chegaram, Henry foi correndo atender a porta para os dois; Deu um abraço amigável em Paige e cumprimentou Jefferson que estava vestido como uma pessoa normal, sem aquele sobretudo e distintivo no bolso ou no cinto; O garoto os convidou para entrar, logo carregando Paige para a frente da TV onde iriam jogar algum jogo novo de Henry que ele havia prometido ensinar a ela, e quase trombou com a mãe no meio do caminho, o que fez Emma parecer ainda mais desajeitada aos olhos de Jefferson.
— Eles são agitados nessa idade, não são? — perguntou o homem, fitando-a de forma simpática.
— Fala isso porque é pai de uma menina, se fosse um menino você diria outra coisa. — respondeu Emma em tom bem humorado, se aproximando.
— Não vejo tanta diferença assim. Paige esses dias me fez ir ao parque de diversões e depois que fomos ao Space Loop eu não tinha mais fôlego para acompanhar.
Emma sorriu imaginando Jefferson brincando no brinquedo de parque.
— Paige deve pensar igual ao Henry então, ele adora esses brinquedos que ficam de cabeça para baixo ou giram muito. — ela olhou para o filho por cima do ombro. — Bem, eu fiz uma bebida quente, você aceita um pouco?
Ele olhou o relógio, assentiu rapidamente.
— Eu vou aceitar se não atrapalhar, na verdade não ficaremos muito, eu ainda tenho que levar Paige até a casa da mãe dela.
— Não atrapalha em nada. — disse Emma a ele. — Está certo.
Emma serviu chocolate quente para Jefferson e as crianças. Esperava que eles ficassem para o jantar mas o detetive tinha outra obrigação depois que saísse dali. Tiveram um breve momento conversando, sentados no sofá, assistindo de certa distância também ao jogo dos dois filhos que depois de um tempo trocaram o vídeo game pelo tabuleiro de xadrez. Enquanto Henry ensinava Paige a mexer as peças, Emma aproveitou para sanar sua curiosidade.
— Você nunca me disse que era pai. — falou, bebericando seu chocolate quente.
— Nem você que era mãe. — ele rebateu, sorrindo em seguida. Estava distante dela no sofá e o jeito como a olhava dizia que queria se aproximar, mas Emma sempre estava na defensiva. — Paige me contou que o pai do Henry morreu, eu sinto muito.
— Já faz quatro anos. Por isso viemos para Boston. Eu não havia contado isso para você, nem que eu já havia morado aqui, que nasci aqui. Eu não tive a oportunidade.
— Nem eu de contar sobre a minha vida. — Jefferson fez uma pausa e perguntou: — Ainda se lembra daquela noite? — referia-se à única vez em que estiveram juntos.
Emma torceu a boca e fez que não, toda sem jeito.
— Lembro de pouca coisa, e por sorte ainda lembro que você estava lá. Seria engraçado se nos encontrássemos e só você lembrasse disso.
Ele achou graça do que ela disse.
— Achei que nunca mais fosse ver você outra vez.
— Eu também achei que jamais encontraria você, mas Boston apesar de grande é uma cidade só. Eu já reencontrei outras pessoas que imaginava que jamais veria de novo. — comentou Emma com ar nostálgico.
Jefferson se endireitou no sofá, prestando a atenção nela. Apesar da noite singular que tiveram no passado, se lembrava dela com frequência.
Emma o fitou de volta e não corou quando ele sorriu sem mostrar os dentes. Ela não queria pensar no que significava aquele sorriso.
Por um momento ficaram calados. Swan ajeitou a gola de sua blusa disfarçando e ele não parou por ali:
— E sua amiga? O filho dela? Como estão? Depois daquele dia em que prendemos a quadrilha nunca mais tive notícias, nem soube se ela voltou à polícia para depor. — ele perguntou de Regina, tinha uma vaga impressão da mulher que viu com Emma no hospital.
Emma ergueu os olhos para ele.
— Regina... Ahm... Ela está bem. Quero dizer, mais ou menos, ou não...
— Você foi muito corajosa indo atrás deles, se não fosse arquiteta eu juraria que trabalhava para a polícia. — ele brincou.
— Eu só fiz o que achei que deveria. — disse Emma, franzindo a testa de repente. — Ela precisava de mim.
— Queria eu ter uma amiga como você. — ele terminou de beber seu chocolate, olhou no relógio e notou que já estava ficando escuro lá fora. — Eu gostaria de ficar mais, Emma, acontece que preciso levar minha filha até a casa da mãe dela. É um pouco complicado dividir a guarda.
— Espera, você é divorciado? — perguntou Swan, ligeiramente interessada.
— Sim, vai completar dois anos que estou separado. — respondeu Jefferson, já se erguendo do sofá. Ele chamou a filha enquanto Emma o comparava com Mills; ambos divorciados e tendo que dividir a guarda dos filhos, para ela isso era um tanto curioso. Jefferson se virou para Emma e deu-lhe um beijo em cada bochecha tratando de se despedir. — Muito obrigado pelo convite, é realmente uma pena eu e a Paige não podermos ficar mais. Eu estava pensando se não seria interessante você e o Henry aceitarem jantar com a gente na quinta-feira, o dia da minha folga. Há um restaurante que ela gosta de ir e sempre que tenho um tempo a levo.
— Jantar? Olha, eu... não sei, se o Henry quiser... — Emma ficou um pouco confusa com a ideia, mas para compensar valia a pena. Pensou brevemente e acabou aceitando. — Na verdade eu também adoraria.
Na quinta à noite, Emma e Henry foram jantar com os amigos, como haviam combinado. O lugar não ficava muito longe do apartamento deles, e Henry fora o caminho todo falando com a mãe sobre a excursão do colégio que aconteceria no próximo final de semana.
Emma estava contente pela euforia de Henry e, diferente dos outros dias, não estava mais aérea quando falavam consigo. Andava escondendo bem sua frustração e decepção com Regina, tentando se convencer de que não adiantava lamentar. Pensava que talvez por essa razão havia aceitado o convite de Jefferson. Não se sentia arrependida de nenhuma maneira por isso.
Encontraram Paige e o pai os esperando na porta do restaurante que ficava em uma esquina movimentada do bairro.
O jantar foi muito agradável, embora o restaurante não tivesse muitos pratos atrativos, mas pelo menos tinha conforto. Paige gostava muito do sorvete com calda que serviam ali e assim que acabaram com os pratos Jefferson pediu sobremesa igual para todos. Passaram todo o tempo falando sobre a excursão, as crianças faziam planos do que iriam querer ver primeiro e Emma e Jefferson na maior parte das vezes trocavam olhares engraçados, sem poder negar que os filhos tinham muita criatividade.
Depois do jantar e sobremesa, todos saíram muito satisfeitos do restaurante e passaram a caminhar pela calçada lentamente de volta para casa. As crianças iam alguns passos à frente enquanto Emma e Jefferson continuavam a conversa que pararam no sábado.
— Mas você nunca pensou em trabalhar para a polícia? — disse Jefferson. — Você leva jeito, Emma.
— Não brinca. Isso nunca passou pela minha cabeça. — ela respondeu, andando com as mãos enfiadas no bolso da calça.
Ele sorriu e baixou a cabeça de um jeito tímido, Swan notou, já era a terceira vez que ficavam calados e sem saber o que perguntar a mais. Mas quando Jefferson finalmente pensou em dizer algo, Emma também ia perguntar, quase falaram ao mesmo tempo o que os deixou ainda mais constrangidos.
As coisas andavam estranhas para Emma, mas muito mais para Jefferson que desde o dia em que a filha lhe contou que a mãe de Henry era viúva, começou a imaginar uma reaproximação. Ele na atual circunstância era um homem livre e carente, não foi nada difícil crer que Swan poderia viver na mesma situação, o que era algo de se esperar.
Jefferson então, tomou coragem para perguntar algo diferente:
— Emma, você teve alguém depois do que houve entre nós naquela noite?
A pergunta pegou Emma de surpresa.
— Se eu tive alguém? — Emma hesitou mas respondeu. — Bem, eu... Sim, eu posso dizer que tive. — ela disse, engolindo em seco no fim, de repente seu olhar vagou perdido pelo chão. Jefferson entendeu que fez a pergunta errada.
— Sinto muito. — ele disse.
— Por que diz isso?
— Pela cara que você fez acredito que não tenha dado certo.
Atravessaram uma rua e agora andavam em outro quarteirão. Emma se repreendeu por demonstrar sua fraqueza.
— Na verdade nem eu sei se deu certo.
— Também já estive em um relacionamento ruim. Não posso dizer que foi um erro porque graças a esse relacionamento tenho minha filha. — dizia ele olhando para Paige logo à frente andando ao lado de Henry. — Ouça, Emma, eu não quero que me leva a mal, mas estamos tendo um tempo muito agradável ultimamente. — Jefferson soou um pouco inquieto nesse momento. — Tenho que ser sincero com você. Eu esperei para vê-la a semana toda.
Swan parou de andar e o encarou.
— Isso é verdade, Jefferson?
— Sim. E eu gostaria que tivéssemos outros momentos assim. — Jefferson também parou e por um breve momento olhando para ela, precisou tomar ar, estava visivelmente afetado.
Ele não quis pensar muito. Se aproveitou dos segundos que tinha e se inclinou para beijá-la... Mas Emma o conteve com a mão.
— Não. — disse ela. O parou a tempo de não tocá-la com os lábios. Olhava para ele assustada. — Não agora. — disse, afastando-se. Queria ter dito não agora ou não nunca. Foi uma ideia absurda a dele, ela pensava.
Jefferson parecia decepcionado, mas não com Emma e sim consigo.
— Desculpa, Emma, eu não deveria...
— Tudo bem, Jefferson, eu só não esperava por isso. — Emma voltou a andar, indo na direção das crianças.
— Por favor, me deixa consertar isso. — ele correu para alcança-la. — Quero me encontrar com você amanhã. Paige e Henry não estarão aqui então poderíamos conversar.
A loira continuava andando, queria chegar em casa logo e acabar com aquela situação de uma vez, então para não desapontá-lo aceitou.
— Você quer consertar isso... E eu realmente não sei o que te dizer. ‘Tá bem, eu não acho que hoje esteja conseguindo pensar direito, eu te encontro amanhã.
— Naquele bar, o mesmo daquela vez.
— Isso, aquele bar. — ela disse. Chegaram no prédio onde morava, Henry já estava esperando ela com Paige e já se despedia da amiga.
Não houve uma despedida entre Jefferson e Swan.
Emma entrou em casa e mandou o filho para a cama na mesma hora. Sentia-se extremamente incomodada com a tentativa dele e foi se deitar muito preocupada com as reais intenções do detetive.
Emma não queria que aquilo tivesse acontecido e se tivesse aceitado o beijo dele, estaria se sentindo pior, sem sombra de dúvidas. Não esperava que ele fosse agir daquela forma, nem se passava por sua cabeça que Jefferson andava se sentindo como dizia. Aquilo a assustava, mas tinha alguma culpa por ter dado brecha a ele.
Não dormiu bem naquela noite, irritada e ao mesmo tempo confusa. Chegava a se sentir nauseada toda vez que se lembrava do beijo que Jefferson tentou lhe dar. Percebeu que errou em aceitar sair com ele novamente, o pior era que não tinha coragem para ligar para seu telefone e dizer que mudara de ideia. Mas uma coisa que Emma não estava entendendo era porquê se sentia tão péssima com a ideia de se reencontrar com o detetive.
Swan passou o restante da madrugada caminhando pela sala de seu apartamento com um copo d’água na mão. Já havia encontrado a razão para suas dúvidas; medo da hipótese de um novo relacionamento, achava até esse um pensamento pretensioso, pois seu termino com Regina havia acabado de acontecer praticamente. Também passou por sua cabeça aceitar tentar. Talvez fosse a oportunidade de esquecer Regina Mills de vez e seguir com a vida. Mas será que era isso que precisava? Que queria de fato?
Quando amanheceu quis ligar para Belle e pedir sua opinião, porém, desistiu. Não estava à vontade para lhe contar de seu medo. E mais algumas horas se passaram. Swan começou a se sentir péssima por trair seus sentimentos por Regina. Sim, definitivamente era por ela que estava sofrendo e não pela demonstração de afeto de Jefferson.
Algumas horas mais tarde, Emma deixou Henry no colégio, se despedindo do garoto que passaria o final de semana fora com a turma, em uma excursão para um acampamento. Depois disso, decidiu esfriar a cabeça indo caminhar no parque que gostava de visitar na juventude. Não fazia tanto frio como no dia antes de partir para Michigan, mas as árvores estavam igualmente escassas quando passou pela beira do lago. Emma passou um bom tempo refletindo por ali.
De noite, acabou decidindo ir conversar com Jefferson para lhe explicar que não estava pronta para o que ele pretendia. Se arrumou com jeans, jaqueta e bota, prendeu o cabelo e já estava quase saindo do quarto quando se lembrou que estava sem os brincos que gostava de usar. Emma voltou para os buscar em cima da cômoda, onde também encontrou seu anel. Não um anel qualquer, era aquele que Regina havia lhe dado de aniversário. A loira ficou olhando para ele, controlando um nó que apertou-lhe a garganta.
De repente se lembrou das coisas que sua melhor amiga havia lhe dito sobre Regina e da desconfiança que sentia. Emma teve um estalo. Por que estava demorando tanto? Se perguntou. Sabia que amava ela e aceitaria se torturar dessa forma? Tudo poderia ser diferente se falasse para quem amava o que realmente sentia.
Emma não perdeu tempo, saiu correndo de casa, só que não iria se encontrar com Jefferson, iria atrás da pessoa certa.
Regina estava em seu quarto quando a campainha soou. Foi abrir a porta para Sidney, o namorado de sua mãe, quando a própria apareceu toda arrumada para sair.
— Tem certeza de que não quer ir conosco, minha querida? — perguntou Cora, dando o casaco para Sidney segurar.
— Vamos assistir a uma peça de teatro muito boa, nós adoraríamos que fosse, Regina. — disse o senhor Glass, olhando-a tal como Cora fazia.
Regina abanou a cabeça. Havia tomado banho e colocado o pijama para ir se deitar logo em seguida, não tinha humor algum para teatro ou qualquer programa que sugerissem.
— Não, Sidney, obrigada pelo convite, eu não quero estragar a noite de vocês. Vão, divirtam-se. — disse com a voz e cara abatida. Andava assim desde quando rompera com Emma. Não saia de casa a não ser que fosse para ver o filho nos dias de visita e ainda de licença da construtora, ela começava a preocupar a mãe.
— Você não devia ficar o tempo todo trancada aqui. Da próxima vez vamos levar você nem que seja a força. — disse Cora, dando um beijo no rosto da filha. — Bem, agora nós já vamos, eu volto logo mais, durma bem, querida.
Gina forçou um sorriso.
— Boa noite, mãe. Boa noite, Sidney. Divirtam-se. — disse, abrindo a porta para o casal, deu um breve abraço em Glass, esperando que eles saíssem para fechar, mas Cora parou de súbito.
— Emma? — perguntou a mãe de Regina, vendo a loira sair do elevador toda esbaforida e corada.
Regina a viu de onde estava e quase não acreditou.
— Boa noite. — disse Swan para Cora e Sidney, eles responderam e assentiram para ela.
Cora mirou a filha e depois para Emma, via que elas trocaram olhares. Entendeu que as duas tinham contas a acertar. Puxou Sidney para o elevador e acenou para a morena.
— Eu acho que estamos sobrando aqui, Sid. Juízo vocês duas. — aconselhou ela, saindo de cena em seguida.
Emma e Regina se olhavam sem dizer nada. Regina por vergonha; Emma ainda procurando o que falar primeiro.
— Precisamos conversar. — finalmente falou Emma.
Gina segurando a porta se sentia acuada, mesmo assim abriu espaço para Emma entrar, fazendo um gesto com a mão.
A loira se apressou entrando ali e respirando fundo ainda atrás de ar por conta da corrida que deu até o prédio, contudo também estava nervosa.
Esfregou a cara, afastou os cabelos e se virou assim que Regina bateu a porta do apartamento com calma. Emma sentiu tanta culpa quando viu suas olheiras enormes e seu rosto abatido, Regina parecia até ter emagrecido.
— Então, em que posso ajudar você, Emma? — perguntou Mills secamente. Em outros tempos, diria “meu amor” ao invés de chama-la pelo nome.
— Não sei se você vai me ajudar ou me fazer me sentir menos culpada por tudo o que houve e o que vem acontecendo. — Emma soltou todas as palavras de uma vez.
Regina suspirou fitando-a de modo triste.
— Você não tem que se sentir culpada por nada, a culpa foi minha, eu disse pra você.
— Disse tentando me proteger, mas fez a pior coisa que poderia ter feito. — Emma disse. — Eu até compreendo que tenha feito isso pensando no Roland, só não consigo me conformar em ser obrigada a esquecer você.
Regina arregalou os olhos de espanto.
— Você também não acha que me sinto péssima por ser obrigada a escolher entre meu filho e você? Eu pedi o seu perdão por tudo.
— Eu sei, eu entendo, só não acho justo, Regina. — Emma se aproximou dela. — Escuta, eu vim aqui para te dizer uma coisa. — soou firme.
— Então diga logo. — Regina cruzou os braços, tentando não fraquejar na frente dela.
— Na noite passada... Ontem, eu estive com alguém, um homem, e ele está interessando em mim... ele quase me beijou.
— Espera, espera! — Regina interpôs, franzindo a cara. — Você veio até aqui para me dizer que beijou um homem?
— Não! Ele não me beijou, eu não deixei... Escuta! — Emma a segurou pelos braços, olhando dentro de seus olhos. — Eu não deixei, eu não queria e nem quero mais me encontrar com ele. Era para estamos num bar agora, eu e ele, mas eu preferi vir aqui porque não dá mais para segurar. Eu passei o dia inteiro remoendo um monte de coisas na minha cabeça. Você tem que me escutar, Regina, você vai me escutar!
Gina, surpresa, baixou os ombros, olhando para ela. Sofria ao olhar para aqueles olhos verdes e não poder acariciar seu rosto, beijá-la, abraça-la. Não sabia até quando aguentaria.
Emma a soltou e recolheu ar novamente, seus olhos começaram a arder, o nó na garganta voltou a impedindo de começar, mas ela lutou bravamente para dizer tudo o que precisava. Sabia que aquele era o único momento.
— Eu não me conformo com a sua decisão, não consigo acreditar depois de tudo o que você fez para me reconquistar. Roland é importante sim e eu admito ser egoísta o bastante para acreditar que sou também, Regina. Eu passei meus últimos dias sofrendo, morrendo por dentro porque você me deixou sem me dar chance de reagir. Eu passei por uma droga de dia me sentindo culpada por ter deixado um homem se aproximar de mim e do meu filho, achando que estava traindo você. — Swan fez uma breve pausa, falou depressa demais. — Quer saber? Eu não acredito que a Regina que foi até a minha casa me pedindo para me afastar dela era você. A Regina que eu conheço jamais desistiria de mim. A Regina que eu conheço é forte, é decidida, é uma mulher completamente diferente da que eu estou vendo aqui na minha frente agora. O que foi que aconteceu? Se fosse você mesma, você lutaria por mim e por Roland. — ela bateu no próprio peito. — Eu não estou pedindo para você me colocar na frente do seu filho, nem que esqueça dele, eu só estou querendo entender esse seu medo de ter as duas coisas. — Emma chegava a estar vermelha, mas não terminou.
— Emma, eu... — Regina lacrimejava olhando para a amada.
— Não fala nada, me escuta, só me escuta — pediu Emma, ansiosa. — Eu não sei se esse tempo em que ficamos separadas agora me serviu para reenxergar tudo o que passei por sua causa. Se você quer mesmo saber, quando eu me enfurnava no meu escritório e via as coisas que escrevia pra você nos meus cadernos e via tudo o que foi meu na época em que aconteceu da primeira vez, era como se eu estivesse revivendo aqueles dias, os malditos dias que você me fez passar. — novamente ela parou para respirar, Regina estava muda na frente dela, temendo muito o que ia ouvir. — Eu achava um exagero ficar lembrando de tudo, mas eu não conseguia evitar, você me entende? Nunca foi fácil apagar sua traição da minha memória, nunca foi fácil esquecer que te amei mais que a minha própria vida. Eu sofri, eu morri por você e tive de ir embora para tentar matar você da minha cabeça, mas eu nunca consegui. — Emma a olhou firme, de um jeito quase zangado, na verdade tentava não chorar. — Eu fui tão idiota por você, eu fui tão fraca e tudo porque eu nunca consegui deixar de amar você. E então, no meio das minhas loucuras, quando eu achava que eu tinha conseguido deixar de pensar um você um pouquinho, eu encontrei o Neal, tive meu filho, me apaixonei pelo meu marido. Sim, eu amei o Neal, mas não por ele ser o que eu queria pra minha vida, ele era a melhor pessoa do mundo, só que eu queria outro alguém, alguém que vivia dentro de mim, adormecida dentro do meu peito. Eu queria você, eu procurei você no Neal, Regina.
— Emma... — Regina sentia seus lábios tremilicarem, duas lágrimas escaparem do canto dos olhos.
— A minha vida inteira eu me iludi porque ainda te amava e não queria admitir. Eu sentia vergonha de amar você porque você tinha me humilhado, não podia permitir esse sentimento continuar. E eu voltei, te reencontrei, te maltratei, te odiei porque você parecia tão bem, tão desimpedida, vivendo como se nada tivesse acontecido no passado. Você nunca sofreu como eu sofri, você não sentiu nem metade do que eu senti quando fui embora daqui. Daí você me fez acreditar que me queria de volta na sua vida, que me amava e nunca tinha se esquecido de mim. Me convenceu. — Emma baixou a cabeça, assentiu. — Me fez te amar de novo, mas o pior de tudo, ou eu diria melhor... — desviou o olhar para as paredes nesse instante. — Trouxe aquela adolescente boba e apaixonada de volta. Você fez a menina que eu fui renascer e ela voltou ainda mais apaixonada por você. E é por isso que eu me senti tão mal com o Jefferson, depois de perceber que quem eu queria ali comigo era você e que era insubstituível. Eu tive a chance de me vingar, Regina, mas eu sou tão idiota que eu não consigo fazer isso, eu não podia, porque isso era trair a mim mesma, ao meu sentimento. Eu não queria me enganar.
— Isso quer dizer... — Regina balbuciou.
— Isso quer dizer que não consigo viver sem você. — a loira finalmente a puxou para seus braços e apertou, recolhendo sua cabeça sobre seu seio direito. Deixou que as lágrimas descessem de seus olhos também, agora se sentia livre para se emocionar. — E que por mais que me apareçam pessoas, nenhuma vai se comparar ao meu único e verdadeiro amor. Isso quer dizer que eu te amo mais do que tudo. Fica comigo, meu amor, fica comigo, não desiste de mim, eu preciso de você, amo você. — Regina sorriu tão emocionada quanto Emma. Em seus braços se sentia segura, agora feliz por ouvir aquilo que tanto esperou para escutar da boca dela, parecia um sonho, um sonho muito bom do qual não queria acordar. — Volta pra mim, fica comigo. — sussurrava Swan.
Regina quis olhar para o rosto de Emma, quis beijá-la, queria tudo naquele momento.
— Eu também preciso de você, amo você e nunca deixei de amar. Me perdoa pelo seu sofrimento, se eu pudesse sentiria tudo o que você passou, se eu pudesse eu faria diferente só para não te ver sofrer. — tomou seus lábios e a puxou para o beijo.
Se beijavam, se apertavam arranhavam de forma desesperada, cheia de saudade.
Regina saltou no colo de Emma se agarrando em sua cintura com as pernas. Swan a agarrou e não esperou nem mais um minuto para tirá-la da sala. Continuavam se beijando quando chegaram ao quarto de Regina e Emma a deitou na cama tratando de abrir os botões do pijama da morena. Regina ajudou Emma a se livrar de suas vestes, tinha muita pressa, pressa da falta que sentiu dela e agora tinha mais um motivo para amá-la. Ao momento em que ficaram completamente nuas se enroscaram uma nos braços da outra, loira sobre morena. A pressa compensava a vontade de se amarem dessa forma, então os beijos esfomeados de Emma desceram pelo corpo de Regina; o queixo, o pescoço, os seios, a barriga, tudo enquanto as mãos apalpavam a pele suave como as pétalas de rosas que um dia deu a ela. Emma a encheu de marcas sorrateiramente com os beijos, tendo que levar uma das mãos aos lábios da morena a fim de conter seus gemidos. Era como se Regina estivesse há anos sem ter Emma daquela forma, estava muito mais sensível.
Quando Emma chegou entre suas coxas sentiu os calafrios mais prazerosos. Sedenta, Swan a devorou com a língua, numa necessidade constante. Sem maldade, mas muita pressa.
Regina e Emma passaram muito tempo fazendo amor, matando as saudades uma do corpo da outra e quando fizeram uma pausa se admiravam e sorriam apaixonadas novamente.
— Eu me sinto tão bem agora, tão feliz. — sussurrou Regina por cima de Emma, roçando a ponta do nariz no da loira. — Eu esperei muito para ouvir o que você me disse, e ao mesmo tempo te conheci mais um pouco. Por isso eu te amo, por isso sou louca por você e agora eu tenho certeza de que nada pode me afastar da sua presença.
— Me sinto como se tivesse tirado um peso enorme das costas. — disse Emma de maneira suave.
— E está feliz agora como eu estou? — perguntou Regina com um sorriso malicioso nos lábios.
— Muito. — Emma sorriu para ela. — E que saber o que mais?
— O que mais, meu amor?
— Eu te amo. — Swan falou esperando a reação de Regina.
A morena mordeu o lábio inferior antes de sorrir deliciosamente.
— Repete, eu quero ouvir isso de novo. — pediu entusiasmada.
— Eu te amo, Regina Mills. Eu te amo, te amo, te amo.
Dessa vez Regina gargalhou e pediu para Emma repetir mais. Não cansaria de escutar aquelas palavrinhas mágicas e jamais se esqueceria de tudo o que sua namorada lhe disse antes, na sala. A sensação que estava sentindo com Emma era indescritível. Batalharia por ela e pelo filho agora. Depois da declaração de amor que havia ganhado naquela noite, tinha forças para enfrentar tudo e todos por sua felicidade.
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