Skin on Skin

38 All the boys deserve to know.


Notas iniciais
Olá, todo mundo. Sejam bem-vindas ao penúltimo capítulo de Skin on Skin, que já está me dando saudade. Quero primeiramente e necessariamente agradecer a todas as leitoras e leitores sem exceções por terem acompanhado a fanfic até aqui. Eu sei que essa história de longe não é a melhor, mas sei que de alguma forma vocês se identificam por isso estão lendo. Isso também serve para quem chegou agora e está pegando a fanfic lá do início. Demorou um pouco para sair esse capítulo porque deu trabalho para ficar pronto e do jeito que eu sou, não gostaria de entregar nada incompleto. Espero que apreciem. Façam uma boa leitura.


Exatamente há um ano Emma e Regina se reencontraram na festa de casamento de Robert e Belle.

Emma finalmente havia se livrado das mágoas do passado e, Regina, da culpa por ter perdido o amor de sua vida uma vez por um capricho.

Não estavam a ponto de rirem de tudo o que passou. O sentimento era de alívio e paz; como se em um ano tivessem dado um giro na vida e tudo mudara de forma inacreditável. No fundo, sabiam que toda a situação inusitada do reencontro era um sinal. Estavam prontas para serem uma da outra de novo e recomeçarem. Hoje haviam virado as páginas do livro e começado um novo capítulo em suas vidas, sabendo que as próximas linhas da história dependiam unicamente delas e jamais seriam as mesmas de antes. Não deviam absolutamente nada para o passado. Deviam para cada uma respeito e amor. O passado sempre rondaria suas lembranças mas, agora, lembranças de um aprendizado que fortalecera ambas, especialmente o amor que fizeram renascer.

Lembraram-se daquela data, do tão temível reencontro quando chegaram na empresa na manhã daquele dia e foram juntas para a reunião. Foi a primeira coisa que Robert disse quando chamou todos na sala de conferencia, inclusive as secretárias. Um ano de seu casamento com Belle. Porém o assunto principal da reunião daquele dia não seria o primeiro ano de casado do presidente da empresa ou o fato de sua esposa estar grávida do primeiro filho deles. Muito menos o aniversário do reencontro de Regina e Emma.

Ele esperava ansioso para fazer o anuncio, parado, de pé na cabeceira da mesa. Esperou até que se calassem, se ajeitando nos lugares da mesa, observando os olhares assustados de alguns. Aquela não seria uma reunião como qualquer outra. Nem Regina, a mais experiente ali escondia seu receio do que iriam ouvir. Robert parecia muito mais sério. Havia um quê de tensão em seus olhos, mas tudo não passava de suspense que queria fazer só para ver como a empresa reagiria.

— Bom dia. — disse ele no mesmo tom de voz de sempre, mas o alívio de ninguém passou até que ele falasse o que estava acontecendo. — Eu agradeço a disposição de todos os meus funcionários por estarem aqui, nesta reunião que na verdade não é exatamente uma reunião. — de repente todos se olharam sem entender as palavras do chefe. — O que eu quero comunicar a vocês é algo que qualquer um dentro deste recinto pôde concluir como eminente desde que chegou nesta empresa. Como todos sabem, há exato um ano eu me casei com a senhorita Belle French e dentro de alguns meses serei pai. — Gold fez uma breve pausa antes de continuar. — Diante da mudança que minha vida de homem casado me proporcionou, eu creio que precise de umas férias da função de presidente nesta mesa. — disse ele, puxando de uma pasta um documento. — Quando meu caríssimo amigo Henry Mills e eu fundamos esta empresa, nosso grande objetivo era nos tornarmos o maior nome do estado e por que não um dos maiores do país? Graças a dedicação do meu sócio, hoje somos a construtora número um no nordeste dos Estados Unidos, e muito disso não devemos apenas a genialidade de Henry ou dos grandes arquitetos que tivemos. Também devemos a uma pessoa que meu amigo colocou aqui dentro, com a certeza de que seria tão boa quanto ele e que um dia poderia ocupar o lugar que eu ocupo hoje. — Regina olhou de relance para Emma, apertou sua mão por baixo da mesa e voltou a fitar o chefe. Ele já prestava a atenção nela. Tomou ar e falou: — Regina, você é a pessoa mais qualificada nessa empresa para ocupar o meu lugar de presidente. É claro que meus funcionários concordam com isso, portanto, estou nomeando você a nova presidente da Gold & Mills.

Regina o olhava incrédula.

De repente a sala virou um burburinho só. Era óbvio que aquilo pegara todo mundo desprevenido.

— Robert, em outras palavras você está querendo nos dizer que vai deixar a empresa? — Archie se manifestou de seu lugar.

— Não totalmente. — disse Gold, notando a expressão espantada e o burburinho em que a sala se transformou naquele instante. — A partir de hoje não sou eu a me sentar na cabeceira da mesa e sim a mais competente engenheira que temos. Estou apenas tirando umas férias e não pretendo voltar a dirigir totalmente a empresa no meu retorno. — Robert tocou educadamente na mão de Regina como quem pedisse para ela se levantar. Ajudou ela a se erguer da cadeira e ofereceu sua poltrona na cabeceira da mesa.

Mills o fitava ainda boquiaberta, de cara franzida. Apontou para si mesma, perguntando com os olhos se era exatamente aquilo que estava acontecendo.

Robert sorriu de maneira gentil para ela. Ele parecia muito seguro da decisão.

— Você tem certeza? — ela perguntou.

— Absoluta. Eu estou cumprindo uma vontade do seu pai. Tanto eu como você sabemos que estava na hora, Regina. Agora você é a chefe. — Robert puxou a cadeira para ela e no momento em que se sentou Regina estava comovida. O homem deu-lhe sua caneta para que ela assinasse o papel. Era um documento que Henry Mills havia preparado e Gold manteve em segredo. Tinha o nome de Regina nele. Tinha sido preparado há muito tempo.

Todos aplaudiram logo após ela assinar.

Emma olhava para Regina de um jeito surpreso mas muito orgulhosa.

Gina ficara sem jeito sendo aplaudida. Mas logo sua ficha caiu. Sabia mais do que ninguém o quanto trabalhou desde que chegou guiada pelo pai. Havia se saído bem nas ausências de Robert quando lhe foi solicitado estar no lugar dele. Se daria bem no novo cargo, milhares de vezes mais importante do que o de apenas uma engenheira talentosa. Olhou para Emma brevemente e sorriu contente.

— Toda vez que alguém é promovido há discurso. Nada mais justo que um seu, Regina. — falou Archie, apoiado pelos colegas que começaram um coro.

Regina e Robert riram juntos da situação e o homem gesticulou para que ela providenciasse logo algo a dizer aos subordinados.

— Oh, não, por favor, eu sou péssima com discursos. — Regina levantou as mãos como se estivesse rendida. — Ainda mais agora. Eu jamais esperaria por isso. — Parou e olhou para toda a mesa. Respirou fundo. — Eu só tenho que agradecer por essa maluquice da cabeça do Robert — ela o olhou de relance — que apesar de ter sido um grande amigo do meu pai, é um grande amigo meu também. — A mesa voltou a aplaudi-la. E então Regina se lembrou que devia agradecer a outra pessoa. Viu ela ao seu lado. — Mas complementando as palavras do Robert, devemos agradecer ao meu pai, a todo mundo que se comprometeu a trabalhar aqui e também a alguém que apesar do pouco tempo na empresa, se mostrou muito importante para nossos negócios e para mim como pessoa.

Emma em seu lugar corou, contudo não pôde conter um sorriso notando que Regina falava dela.

Embora o romance entre as duas já não fosse mais uma grande novidade, seria mais do que justo confirmarem as suspeitas. Não foi preciso se prolongarem naquele assunto, o romance entre as duas estava explicito a partir daquela singela declaração de Regina.

Algum tempo depois, no final da manhã, Ruby levou as coisas da antiga sala de Regina para a sala que Gold ocupava e agora seria dela. Mills e Swan, conversavam com Archie e Robert, observando a sala mudar de configuração aos poucos.

— Quer dizer que vocês duas estavam juntas esse tempo todo e não me disseram nada? — Gold fez a pergunta de braços cruzados.

— Há bem mais tempo do que todos pensam, Robert. — Gina envolveu um braço na cintura de Emma. — É uma história longa.

— Bem que eu havia escutado um comentário na administração sobre vocês duas. — disse Archie. — Depois daquele jantar com os empresários da ilha e também quando vocês duas saíram juntas de licença.

— A questão da licença foi necessária justamente por conta desses comentários, Archie. Se eu soubesse que vocês duas tinham um relacionamento não teria achado tão estranho todo a confusão que começou. — Robert falou.

— Bem, agora não há mais confusão. Regina deixou claro o que há entre nós e espero que todos respeitem. — Emma retribuiu o abraço que Regina lhe dava de lado.

Archie começou a rir se lembrando de algo.

— Agora entendi uma coisa. — disse ele, os três o olharam. — Quando Regina quebrou a taça na sua festa de casamento, Robert, ela tinha feito porque viu a Emma.

Gold também se lembrou.

— Ah, é verdade. Na segunda-feira você chegou com a mão enfaixada, Regina. Eu me lembro. Você desapareceu da festa depois da valsa.

Eles riram juntos e elas se olharam.

Emma pigarreou.

— Na verdade, ela quebrou a taça porque me viu dançando com o Jones.

Gina assentia.

— Jones... Ele literalmente me deu muito trabalho até reconquistar você, Emma.

Todos riram.

E falando nele, ele apareceu ali meio afobado, ansioso.

— E eu não entedia porque Emma recusava meus convites toda vez que a chamava. — Jones entrou a conversa.

— Ora, Jones... Convenhamos que Regina é muito mais bonita que você. — disse Gold fazendo todos rirem. — É claro que Emma iria preferir ela.

— Bom, ninguém nunca havia recusado sair comigo antes. — Jones ergueu as sobrancelhas.

— Sempre há uma primeira vez, queridinho. — Regina soou irônica.

— É. Então já que para tudo há uma primeira vez, você como minha nova chefe poderia ser solidária com seu arquiteto favorito número dois e me passar o número da sua prima Zelena. — ele foi direto ao que queria.

— Você quer o telefone da Zelena? Posso imaginar para quê. Se você fizer alguma coisa à Zelena eu juro que te mato.

Jones pareceu sério demais nesse momento. Ele não estava a fim de brincar com a prima de Regina.

— É sério, Regina. Eu gostaria muito de falar com Zelena. Não me entenda mal, eu achei que ela pudesse estar livre na sexta-feira...

Gina estreitou os olhos para ele.

— Não acho que a Zel seja para o seu bico, rapaz. — disse ela rapidamente. — Mas eu vi como ela te olhou naquele dia em que esteve aqui. Bem, tá aqui o telefone. — Regina tirou do bolso um bolinho de cartões, achando o de sua prima. Entregou a ele. Os olhos de Jones chegaram a brilhar. — Eu só vou lembra-lo que se você fizer alguma coisa errada com minha prima, eu te mato.

— Não tenho intenção nenhuma de fazer algo errado com sua prima, mas tenho intenção de fazer o certo. — disse ele, dando um beijo estalado na bochecha de Regina como agradecimento. — Obrigada, chefe! — e saiu dali apressado.

Emma resmungou:

— Hey, não te dei permissão para beijar minha noiva.

— Vocês vão se casar?! — questionou Gold no mesmo minuto.

— Assim que meu divórcio com Robin sair. — respondeu Gina. — A propósito, não preciso dizer que estão convidados, não é?

Robert e Archie estavam admirados com elas. Viram as duas se apertarem e deram mais uma vez o apoio. Robert ainda disse que esperava que Belle desse a luz antes do casamento para poder levar o filho ou filha na cerimônia. Era o mesmo desejo de Emma que se lembrara de como a melhor amiga estava mais bonita com a gravidez. Óbvio que Gold concordou com ela.


Henry havia notado nos últimos dias que sua mãe e Regina estavam diferentes; tocando-se, olhando-se, bem mais do que via as duas compartilharem. Às vezes parecia de propósito, porém, nada que não fosse cumplice e terno. Elas estavam fazendo coisas como os de um casal de namorados que viu uma vez no trem, que apenas com olhares e sorrisos entregavam o que sentiam um pelo outro. Mas ele em sua inocência de garoto não assimilou aquela situação para as duas.

Regina e Emma levaram alguns dias desde a conversa no novo apartamento, até se sentirem confortáveis para contar aos filhos que eram mais que as boas amigas que eles pensavam. Foi num final de tarde, depois de irem para o apartamento de Emma como normalmente faziam em alguns dias da semana. Mas naquela vez Henry e Roland não iriam brincar e deixar as mães sozinhas conversando na sala depois do lanche e isso os dois notaram quando Regina pediu para eles se sentarem juntos, de frente para elas.

— Você quer que eu comece? — perguntou Regina à Emma.

A loira não demonstrava, mas estava um pouco receosa no início. Assentiu para a amada voltando a observar seu filho e Roland esperarem curiosos pela notícia.

— O que foi que a gente fez? — perguntou Henry de súbito. — Eu juro que tenho me comportado no colégio. O que o diretor disse na reunião? — achou que levaria uma bronca.

— Não, querido, vocês não fizeram nada. — disse Regina, tentando acalmá-lo. — Não se preocupem, está tudo bem. O que queremos contar a vocês é uma história.

— Eu adoro histórias, mãe. — Roland se agitou.

— Eu sei, meu amor. Mas essa é uma história diferente, uma história muito importante que vocês precisam entender. — Regina juntou as duas mãos no colo, fixou seus olhos seriamente nos meninos. — Vocês dois não sabem, mas faz muito tempo que eu e Emma nos conhecemos. Isso foi há quinze anos atrás. Vocês dois nem pensavam em nascer quando eu e ela nos encontramos na faculdade.

— Você conhecia a minha mãe antes de eu nascer? Isso é verdade, mãe? — Henry fez uma cara estranha.

— Sim, é verdade. — respondeu Emma.

— E eu vou explicar como tudo aconteceu, quero que prestem muita atenção. — Regina quis começar. Tinha toda a calma do mundo na voz.

Henry e Roland ficaram em silêncio. Regina engoliu em seco.

— Tudo começou quando eu estudava na universidade de Boston assim como Emma. Um dia eu e ela nos esbarramos numa festa e foi assim que a vi pela primeira vez. — as duas trocaram um breve sorriso. — Depois desse dia passamos a nos encontrar na universidade e em outras festas, muitas vezes, até que nos tornamos amigas. Emma e eu passamos a nos gostar muito e houve um momento em que não poderíamos mais ser simples amigas. Eu estava apaixonada por Emma e ela por mim. Era algo muito forte... Nós não conseguíamos evitar de sentir o que sentíamos uma pela outra. Então, acabamos nos tornando namoradas e Emma me deu uma aliança. — Regina mostrou a joia num dedo da mão direita. Swan estendeu sua mão a dela e entrelaçou seus dedos, mostrando aos meninos que também carregava um anel.

Os dois continuavam em silêncio absoluto. Gina continuou:

— Naquela época, era muito difícil para nós duas vivermos como namoradas. Não podíamos contar para todos os nossos amigos, nossa família, as pessoas que amávamos porque nem todas entendiam que nos amávamos. Mesmo assim, ficamos juntas. Até que um dia Emma e eu nos sentimos cansadas do que as pessoas pensavam sobre nós e planejamos fugir juntas quando a faculdade acabasse, e eu tive medo. Eu não queria deixar a minha família, minha casa, eu queria que todos entendessem que eu gostava da Emma sem precisar ter de fugir. E foi quando a gente se separou por alguns dias e, quando voltei, decepcionei Emma por causa disso. Nós deixamos de namorar, não nos encontramos mais. — ela desviou um pouco o olhar, se segurou para que não vissem seus olhos vermelhos. — Depois disso, eu me formei, comecei a trabalhar com o meu pai na construtora, alguns anos se passaram e conheci Robin. Eu gostava muito dele, aceitei ser namorada dele, me casei e tive Roland. Emma foi embora para outro estado, terminou a faculdade dela e conheceu seu pai, Henry. Vocês nasceram, cresceram, o meu casamento com Robin não deu certo, assim como Emma precisou voltar para cá em Boston para trabalhar na mesma construtora onde eu trabalho e foi dessa forma que nos reencontramos.

Emma ouviu tudo, concordando. Ela mesma terminou a história.

— No começo foi difícil, mas nos duas nos entendemos e percebemos que ainda gostávamos muito uma da outra. O que Regina e eu temos é um sentimento muito grande. Nós decidimos ficar juntas de novo, recomeçar o que tínhamos deixado para trás naquela época, e agora nós temos vocês dois que fazem parte da nossa vida acima de tudo. — Emma tentava ser calma nas palavras. — Nós não podíamos mais esconder de vocês nosso passado, nem o presente e o que queremos viver no futuro.

Regina virou o rosto para Emma, depois novamente para os meninos.

— Como vocês dois sabem, quando duas pessoas se gostam elas querem ficar juntas, como nossa história que acabei de contar. Emma e eu pretendemos aumentar isso, queremos ser uma família com vocês dois.

Roland interrompeu sutilmente:

— Mamãe, você vai se casar com a tia Emma?

As duas sorriram juntas.

— Sim, querido. Vou me casar com a tia Emma e você não vai mais precisar chama-la de tia.

O menino se levantou do sofá e correu para os braços da loira, agarrando seu corpo com força. A história podia parecer confusa para ele, um garoto de seis anos de idade, contudo, Roland sentia que Emma e ele tinham mais ligação que a de uma tia com um sobrinho. Aconteceu desde que deu a ela uma violeta no parque quando a conheceu. Ele estava radiante por dentro com aquela ideia dela se tornar sua segunda mãe.

Emma o segurou com todo o carinho, retribuindo o gesto dele quando lhe beijou os cabelos enroladinhos. Ia dizer algo a ele quando viu seu filho se levantar do sofá bruscamente e correr em direção ao corredor e quarto. Foi tão rápido que só puderam ouvir o barulho da porta batendo ao fundo.

Regina quis ir atrás dele.

— Eu vou falar com ele. — ela já ia se levantando, preocupada, quando Emma pegou em seu braço.

— Não, Regina. — Emma pôs Roland no chão. — Deixa que eu vou. É meu filho. Se ele não entendeu alguma coisa eu mesma farei isso.



Henry não sabia ao certo como estava se sentindo. Era muita informação para sua cabeça e, diferente de Roland, ele não estava feliz com a descoberta. Sentou-se de muito mau humor na cama do quarto, recolheu as pernas para perto do peito e as abraçou de cara amarrada, tentando lutar para não chorar. Oprimido, sem saber como reagir, Henry se perguntava o que estava acontecendo. Antes tudo parecia tão certo, Regina era sua amiga e sabia como distrair sua mãe. Roland era seu amigo também e ele o tinha quase como um irmão. Contudo não esperava que houvessem coisas mais sérias entre elas. Como não conseguiu pensar nisso? Fazia sentido todo aquele carinho, olhares trocados, sorrisos. Só que isso não devia ser certo. Não podia. Elas se separaram uma vez por ninguém compreendê-las. Henry estava em conflito pensando se era ou não uma dessas pessoas que não conseguia achar a ideia boa.

— Henry? O que houve? — perguntou Emma, entrando no quarto.

— Nada. — respondeu o garoto, se virando na cama.

— É claro que houve alguma coisa, você saiu da sala correndo. — Emma fechou a porta do quarto e se sentou na beira da cama dele. — Você não vai me dizer? Foi algo que não gostou, não foi?

— Não quero saber. Não estou interessado. — Henry disse ríspido.

— Henry, o que foi que você não entendeu? Vamos me diga, se há alguma coisa que Regina disse que você não gostou eu posso explicar.

— Você não pode explicar nada. Eu entendi muito bem que você e a Regina foram namoradas.

— Sim, nós fomos e somos. Você não gostou de saber disso?

— Não importa. — Henry se encolheu mais. Estava muito irritado.

Emma o viu soluçar. Por um momento percebeu o quanto se pareciam, o quanto eram sensíveis quando se decepcionavam. Na verdade, ela não sabia se Henry estava mesmo decepcionado ou não aceitava sua situação com Regina. Mas foi a primeira vez que o viu tão confuso.

— Para mim importa, Henry. — falou ela, depois de alguns minutos de silêncio. — Importa saber o que você está sentindo agora. Se você quer saber, eu já devia ter tido essa conversa com você. Eu já devia ter aberto o jogo sobre Regina e eu há muito tempo. Eu posso imaginar que esteja magoado conosco, principalmente comigo, e talvez ter escutado tudo o que eu vivi da boca de outra pessoa foi muito para você. O que acontece é que essa história que você ouviu hoje é verdadeira, ela aconteceu e não há o que mude. — Emma, fez uma pausa para respirar. — Também não há o que me mude e o que eu sinto pela Regina. Talvez você esteja pensando que eu me esqueci do seu pai. Não, eu jamais faria isso, Henry. — o garoto tentava olhar para ela por cima do ombro. — Eu amei o seu pai tanto quanto amo a Regina, foi ele que me devolveu as esperanças de ser feliz com alguém, de ser feliz por alguém quando tivemos você. Mas coisas aconteceram, muita coisa aconteceu depois disso, ele se foi, Regina apareceu novamente na minha vida. Eu sei, ela é uma mulher e sinceramente não faço ideia de como você está se sentindo por saber que nós duas somos mais do que você achava.

Henry se virou na cama, olhando a mãe. Engoliu o choro e esfregou os olhos. Estava difícil olhar para ela e não se lembrar do pai. Pensar que sua amiga Regina e ela não eram como ele acreditava. Onde elas estavam com a cabeça? Por que não eram como todo o mundo, normais? Se perguntava.

— Por que você não podia ser alguém normal, mãe? — ele perguntou, olhando-a muito sério.

Swan levou alguns segundos atrás da resposta que daria a Henry. Quando se sentiu segura disse ao filho, com plena convicção:

— Não há nada mais normal do que amar.



Emma deu tempo para seu filho pensar na conversa que tiveram uma semana antes. Os dias foram passando e a rotina havia voltado com a única diferença que agora não precisava mais esconder seu romance com a presidente da Gold & Mills de ninguém. Se não fosse o fato do filho se sentir receoso quanto ao detalhe da vida amorosa da mãe, Emma estaria em polvorosa por dentro.

Durante aquela semana, Regina havia pedido para conversar com o garoto Swan, mas Emma não conseguiu convencer Henry de ver a amiga. Regina estava triste pela recusa de Henry. Pareceu tão mais fácil com Roland que era mais novo. Contudo, não podiam obriga-lo a engolir aquilo tão rápido. Provavelmente ele não tenha engolido justamente por ser mais velho e estar entrando em uma fase difícil para quem crescia. Pensava ela. Podiam ser muitas as questões que Henry colocara na mente e agora só restava esperar até que ele compreendesse cada uma delas.

Com suas obrigações como presidente da empresa, Regina se dividia em trabalhar como a engenheira número um da construtora, dar ordens, assinar ainda mais papéis do que costumava ter, fazer ligações para os fornecedores, cuidar de todos os protocolos da empresa, entre uma série de coisas que nem imaginava que Gold lidava no dia a dia de presidente. De fato era muito trabalho e lhe sobrava pouco tempo para falar com sua noiva durante o expediente. Não via a hora de estar casada com ela para poder acordar todos os dias ao lado dela, ir para casa juntas, terem tempo para namorar e cuidarem dos filhos. Atualmente esse era seu maior objetivo na vida, já que Emma havia comprado para elas um apartamento bastante espaçoso a três quarteirões do edifício em que trabalhavam.

Mesmo assim, Emma e ela sempre saiam para almoçar juntas por volta do meio dia quando não tinham trabalho acumulado e podiam e, naquela ocasião, estavam falando sobre Henry.

— Ele não tem falado com você sobre nós duas? — perguntou Regina, prestes a levar uma garfada de salada primavera à boca.

— Ele anda mal humorado. A única coisa que o distraiu essa semana foi o karatê. Amanhã é o exame de faixa dele. — respondeu Emma, depois de mastigar um pedaço de frango grelhado.

—Temos um problema se ele não nos aceitar, Emma. — Regina meneava a cabeça. — Ele deve estar me odiando.

— Até agora ele não se abriu comigo sobre isso. Eu tento, eu pergunto como está tudo, como foi o dia dele na escola e tento falar de você. Cheguei a contar do apartamento, que vamos morar lá assim que possível, mas ele não reage a nada. Ele está fazendo de propósito.

— Mas será que realmente ele não aceita a gente como um casal? Será que é isso mesmo?

— Penso que ele está confuso. A história que contamos o pegou de surpresa. Por que antes nós duas éramos colegas de trabalho, de repente nos tornamos amigas inseparáveis e mais de repente ainda namoradas de longa data.

Gina refletiu. Chegou a se esquecer da comida em seu prato.

— É, talvez essa revelação tenha acontecido tarde. Devíamos ter conversado com Henry e Roland antes. — disse ela.

— Também penso assim por um lado. Quem está ficando confusa agora sou eu. — suspirou. — Estou pensando em ter outra conversa com ele. Para valer. Querendo ou não uma hora essa opinião que ele tem deve sair da cabeça dele.

— Você não pode força-lo. Isso deve ser natural, seja lá o que ele pensa sobre nós.

— Eu sei. Mas eu acho que ele não gosta de pensar que vai ter de viver com duas mães. Ele não quer aceitar que o pai morreu e eu me apaixonei de novo, e logo por uma mulher.

Regina terminou o restante de seu almoço e limpou os lábios com um guardanapo a disposição. Teve uma ideia.

— O que acha de eu ir ao exame de faixa amanhã?

Emma fez uma careta mas concordou:

— Talvez não seja má ideia. Ele não te viu mais desde aquela noite, pode ser que seja um bom momento para você mostrar que gosta muito dele.

— No fundo Henry sabe. Ele só não se lembrou disso quando contamos tudo.

A morena estendeu sua mão até a de Emma na mesa e entrelaçou seus dedos nos dela. Adorava fazer aquilo. Trocar carinhos nos dedos enquanto se olhavam.

— Pois é. — Emma deu novamente um suspiro cansado.

— Já te disse que te amo hoje? — perguntou Mills, sorrindo docemente.

— Não. Não disse. — Emma se manteve séria para provocar.

— Eu te amo.

— Jura?

— Para sempre. — a morena apertou os dedos de Emma e a namorou com os olhos.

— E sempre.

Emma fez o mesmo. Era seu maior conforto ter aquele amor, tanto quanto amá-la. Estava esperando que seu filho entendesse uma hora que precisava ficar com Regina. Ela contava com isso.

Notas finais
Sobre Henry, podem ficar calmas. Ele vai agir da forma certa. E como vimos, foi muita informação para a cabeça dele que já não é muito organizada. KKK Estou me preparando psicologicamente para escrever o último capítulo, e nem é porque algo de muito surpreendente acontecerá. Eu realmente vou sentir falta de escrever essa história. Então, aguardem com calma que eu vou tentar fazer valer a pena. Novamente muito obrigada a todas que chegaram até aqui e me acompanham. Um beijo bem grande para quem me cobrou nas directs e quem me procurou também, vocês sabem quem são. Bom final de semana. Fiquem bem e até o último capítulo. ;)