Skin on Skin
39 Flower's Rain.
Notas iniciais
Regina havia prometido a Emma que estaria presente no exame de faixa do karatê de Henry no dia seguinte. Mesmo com algum trabalho acumulado na construtora ela daria um jeito de estar lá para ver o filho de sua noiva, já que para o garoto ganhar uma faixa nova significava muito. Regina sabia que podia aproveitar o momento para convencê-lo de entender o relacionamento dela com Emma, portanto, achou que fosse uma boa ideia.
Emma combinara de encontrá-la no salão do colégio de Henry quando fosse sete da noite. E para variar a morena acabara se atrasando um pouco. Tinha pegado transito para chegar ao outro lado da cidade, e parecia uma sina quando estava com pressa, pois tudo resolvia acontecer em cima da hora. Apesar disso, Regina chegou alguns minutos depois de começarem o exame. Henry já havia entrado com os colegas que também ganhariam uma faixa nova na cintura. Gina pôde ver a dele a distância, de cor azul igual a dos outros garotos, todos mais ou menos na idade dele.
Ela foi entrando no lugar, procurando Emma no auditório, que também estava cheio de outros pais acompanhando o exame de seus filhos. Não havia passado em casa, não daria tempo, então estava com a mesma roupa social com a qual ia trabalhar. Finalmente viu Emma sentada no meio de uma fileira no alto. Felizmente tinha um lugar ao lado da loira esperando por ela.
— Hey, achei que não viria mais. — disse Swan para ela, gravando com o celular o filho fazer seus movimentos de luta.
Regina se ajeitou ao lado dela.
— Demorei porque fiquei presa no transito que peguei para chegar aqui. A cidade está cheia de obras.
— Por isso mesmo saí mais cedo da construtora. Pensei que Roland viesse com você. — disse Emma, parando para dar atenção a Regina.
— Pedi para minha mãe ir busca-lo hoje, não daria tempo de ir ao colégio dele e depois vir para cá. — enquanto Henry repetia o que o professor pedia no meio do tatame montado no salão, Regina prestava a atenção nele. Não sabia o porquê mas ele parecia maior desde o final de semana. Crianças cresciam muito depressa, ela pensou. — O Henry fica tão bonito de kimono. Ele parece até maior. — ela disse, admirando-o a distância.
— Ele andou crescendo de uns dias para cá. — Emma também olhava para ele que obedecia ao que o professor pedia. Algumas palavras Regina não estava entendendo.
— Mas o que esse cara está falando? Parece que os meninos entendem tudo.
— São golpes, Regina. Ele está falando japonês. Veja Henry é o próximo a fazer a Kata. — Emma explicou, enquanto Henry se preparava para começar sua luta sozinho no tatame.
Gina sorriu de uma forma que não conseguiu explicar. Era como se estivesse vendo seu filho ali. Sentiu um orgulho muito grande de Henry. Mas na realidade Regina desejava muito que no final ela pudesse dar um abraço apertado e lhe dizer algumas coisas. Tinha liberdade para se sentir um pouco mãe dele agora que ele sabia. Só faltava ele aceitar.
— Ele está tão concentrado. Espero que ele não estranhe minha presença aqui.
— Eu não contei que você viria, então ficará surpreso quando te ver. — Emma falou, olhando para a noiva. Tocou em sua mão discretamente, lado a lado.
A morena a olhou um pouco aflita.
Ele parou. Terminou seus movimentos e curvou o corpo em agradecimento. Todo mundo aplaudiu.
— É isso aí, Henry! — Emma acenou e assobiou.
Depois de mais algum tempo, até que todos os colegas de Henry terminassem os testes, todos se enfileiraram para receberem suas faixas. O garoto Swan foi um dos primeiros a tomar posição, cumprimentar o professor, novamente curvado e depois bater com o lado da mão uma caixa de onde saiu sua faixa amarela.
Emma e Regina desceram logo após esse momento e andaram até ele que erguia a faixa muito contente.
— Muito bem, garoto! Você foi demais! — Emma o pegou nos braços, tirando-o do tatame, o apertou forte e sorriu. — Agora você é um faixa amarela.
— A amarela é muito importante pra mim, mãe... Apenas uma antes da verde. — ele falou empolgado, sendo colocado no chão. — Pega, coloca ela pra mim... — ele esticou a faixa nova para Emma, mas ainda não havia percebido Regina ali.
Ela se aproximou de trás e disse muito suavemente:
— Meus parabéns, Henry. Você merece.
O garoto até corou ao vê-la. Não esperava que ela fosse assistir seu exame de faixa. Virou-se de costas depressa, assustado, com vergonha.
— Obrigado. — disse ele, sem graça. Estava sem jeito de olhar para ela.
— Eu vi quando você quebrou aquela madeira e ganhou sua faixa. — Gina tentava ser gentil. — Você ficou muito forte.
— Aquilo era apenas uma caixa. — ele falou de repente. Ainda estava de costas para elas. — Não levou nem seis meses para aprender a quebrar coisas como aquela. Foi muito fácil.
Ele não parecia muito amigável.
Gina e Emma se olharam brevemente. Emma cruzou os braços, já estava pensando na bronca que daria nele quando chegassem em casa por ter tratado Regina mal.
Felizmente Regina não quis esperar para que ele cedesse a sua simpatia. Colocou seus cabelos para trás das orelhas, tomou ar e coragem para dizer:
— Henry, eu só queria que soubesse que gostei muito de vir aqui ver você e saber que gosta tanto de lutar karatê. Eu me senti muito orgulhosa de você. Mas antes disso, desde a primeira vez que nos vimos, nos demos muito bem, você foi quem me recebeu melhor na sua casa, se lembra? As pizzas e o xadrez? Espero que você não tenha se esquecido da nossa amizade e de como é importante para mim. Eu quero que você saiba que nada vai mudar a partir de hoje. Eu continuarei sendo sua amiga e gostaria mais ainda de ser uma segunda mãe para você se me permitir. É muito confuso, eu entendo, mas não pode ser uma coisa tão ruim assim se formamos uma família, se você me aceitar fazer parte dela. Eu não posso ser o que seu pai significa para você, Henry, mas eu posso tentar ser tão importante quanto ele foi. Eu posso amar Emma tanto quanto ele amou. Isso é tudo o que desejo, do fundo do meu coração. A partir de agora, quero vir a todos os seus exames de faixa e ficar cada vez mais orgulhosa do garoto brilhante que você sempre foi. Mas eu só posso fazer isso se você permitir, Henry.
Henry Swan segurava sua faixa amarela nas mãos, olhando fixamente para ela ao mesmo tempo que se segurava para não chorar. Tinha um nó enorme na garganta por tudo o que ouviu Regina dizer. Ela falou de seu pai. Alguém de quem sentia muita falta e queria de volta. Foi aí que se lembrou do que ela lhe disse quando sentiu falta dele um dia, que ele sempre estaria vivo dentro de si enquanto seu coração batesse. E era verdade, ele não precisava se preocupar com o lugar de Neal. Sua mãe estava certa quando disse que era normal amar... apenas amar. E por que não Regina? Henry entendeu, agora entendia o que Regina estava fazendo na vida dele e da mãe.
O garoto demorou, se virou olhando na direção de Mills com os olhos ligeiramente vermelhos. O brilho no olhar dele fez a morena se sentir mais aflita, só que ela não esperava o que ele iria lhe pedir.
— Troque a faixa. — ele disse firme, estendendo a faixa na direção dela.
— O quê? — perguntou Regina, sem entender.
— Eu pedi para você trocar minha faixa antiga pela nova... mãe.
Gina o fitou espantada.
— He...Henry — mal conseguia falar.
Emma ficou sem fôlego tamanha a surpresa.
Não havia dúvida alguma de que agora ele entendia. A muito custo mas entendia e tudo não passara de um receio apagado pela certeza de que Regina era mais que sua amiga, ela também podia ser sua mãe. Não importava se era uma mulher que ocuparia o lugar do pai ou se ela era o grande amor da vida de Emma, ele compreendeu que não havia pessoa melhor do que ela para ser sua família.
Ela abaixou diante dele, pegou a faixa com muito cuidado e com tanto carinho quanto retirou a azul, substituindo pela amarela em sua cintura.
Henry conseguiu sorrir para a morena, mas não tinha muito mais o que falar, nem estava conseguindo. Abraçou sua amiga levando um tempo para desgrudar dela. Ela daria todo o espaço para ele, o quanto ele precisasse.
Regina afagava suas costas com um sorriso de missão cumprida enquanto Swan respirava aliviada olhando os dois. Precisava muito que isso acontecesse.
Três dias após o exame de Henry, em uma noite fresca e muito agradável em Boston, Emma e Regina conversavam na varanda do apartamento dos Mills, observando a vista bastante bonita que tinham da cidade. Estavam esperando Cora terminar de se arrumar para saírem elas e os meninos, além do senhor Sidney Glass que convidou todos para irem ao cinema naquela noite. Falavam sobre o novo apartamento em que iriam morar depois de se casarem, faziam planos.
Regina andava exausta por conta do trabalho nos últimos dias, desde que se tornou a presidente da Gold & Mills, e aqueles momentos quando ficava sozinha com Emma costumavam ser sagrados. Tudo parecia menos cansativo com a loira. Por isso andavam conversando e namorando muito desde então.
— Acredita que Gold quer nos emprestar a casa dele para nos casarmos? — contou Regina de forma bem humorada. — Isso porque contei a ele que havíamos feito as pazes lá.
— De verdade? — Emma corou.
— É verdade, ele ofereceu.
— Não, digo você ter contado sobre nós termos usado a casa dele para fazer as pazes.
— É. Na verdade, Belle deve ter dito algo para ele, agora que ele sabe, e então ele veio falar comigo. É claro que expliquei que as coisas foram ao acaso.
— Não foram ao acaso, pelo menos você ter ido me encontrar no dia da chuva não foi. Pensando com carinho, não é má ideia aceitarmos o convite dele. — Emma continuava olhando para a vista da varanda.
— Então você gosta da ideia? Achei que quisesse um lugar mais discreto. — Regina se virou para ela.
— Eu gosto da ideia. Você sabe como eu adoro aquele jardim. É perfeito. Já pensou em como seria bonito uma cerimônia a tarde na beira do lago? Algo pequeno só para nossos amigos e família depois? Se eu falar com Belle, podemos organizar tudo. Ela não vai se opor... — Emma dizia animada, gesticulando muito. Regina a percebia, amando o entusiasmo da noiva. Um sorriso diante daquilo foi inevitável. — O que está olhando? — Emma parou.
— Você. Tão feliz, tão animada. Eu adoro isso, meu amor.
Emma percebeu que havia exagerado. Coçou a cabeça.
— É... Eu me entusiasmei. — sorriu de leve. — Nós estamos falando desse casamento há tanto tempo que cada coisa nova que inventamos me deixa ansiosa.
— Concordo com você que a ansiedade é grande, mas já parou para pensar em um detalhe, senhorita Swan? — Regina procurou os dedos de Emma que estavam apoiados na sacada.
— Que detalhe?
— Que ainda não marcamos a data. Se vai haver um casamento, temos que marcar a data. — disse Mills.
Emma se deu conta de que estavam mesmo atrasadas naquele detalhe. Segurou os lábios por breves segundos.
— É verdade. Eu estava me esquecendo.
Gina sorriu se envolvendo por conta própria num abraço com a loira.
— Sei que você quer esperar o bebê da Belle e do Robert nascer, e isso vai acontecer daqui a sete meses. Portanto, podemos escolher uma para depois disso.
— O bebe deles vai nascer no outono. — Emma gostava do outono. Era sua segunda estação favorita no ano. Um pensamento passou por sua cabeça.
— Isso. Acha boa a época? — perguntava Regina, muito interessada em ouvir a resposta.
Emma anda vagava no pensamento. Respirou fundo e fez que sim, voltando a olhar Regina. Fechou os olhos em seguida, indo roçar seu nariz no dela antes de um beijo que queria dar.
— Não poderia ser melhor. No outono então. Vamos nos casar no outono. — falou a loira suavemente, antes de iniciar o beijo intenso nos lábios dela.
Regina ia cedendo ao carinho com toda vontade, dando-lhe os lábios, aproveitando cada segundo de um beijo muito saboroso com Emma. Ficaria com a loira daquela forma a noite toda se pudesse, mas alguém do portal da sacada pigarreou a assustando.
— Eu odeio interromper o momento de vocês, mas já está na hora de irmos, caso contrário perderemos a sessão. — era Cora, finalmente pronta.
Regina viu a mãe, depois voltou a fitar Emma e sorriu, pensando que beijos como aqueles seriam muitos quando estivesse casada com ela. Estava tão envolvida pela paixão que tinha por aquela mulher que se lhe pedissem para esperar mais sete meses, ela faria. Antes de irem morar juntas tinham esses meses pela frente e aguentariam firme já que não se desgrudavam e o relacionamento não mudaria naquele intervalo de tempo.
Uma semana após isso, Emma foi à casa dos pais em Bay Village, fazer um convite que há algum tempo Mary e David vinham esperando.
Mary, para ser sincera, vivia receosa de um dia escutar sua filha pedindo para ir ao seu casamento com Regina, porém agora, arrependida do que andou fazendo para as duas, não podia negar que seu receio era o de não ser perdoada por Emma.
Mas quando Emma chegou com Henry, quem os recebeu na porta foi David, fingindo um sorriso contente ao vê-los.
— Que bom que vieram. — disse ele os colocando para dentro.
— Oi, vovô! Olha minha faixa amarela. — Henry havia trazido sua faixa de karatê nova para os avós verem. Ele a esticou para David que a pegou.
— Uau! É essa? Mas que barato, Henry! — David não sabia como coloca-la, então a amarrou na cabeça. — É assim que se põe?
— Não, vô, é na cintura. — ele e Emma riram da brincadeira de David, mas aquilo não convenceu Emma.
Assim que o pai entregou a faixa de Henry de volta, Swan o puxou para o canto.
— Pai? O que houve? Estou achando você estranho. Onde está minha mãe?
— Ela está no quarto, repousando. Teve outro mal estar. Eu tive de leva-la ao hospital outra vez e o médico pediu que ela descansasse. Eu sinceramente não sei se esses problemas da cabeça dela são consequência das aulas que ela ainda está dando, ela tem chegado muito cansada em casa. — David falou, chateado.
— Outro mal estar? — Emma suspirou. — Ela é muito teimosa, pai. Eu vou falar com ela...
— Emma — David a segurou antes dela ir. — Cuidado com o que falar com ela. Você pode não acreditar mas sua mãe está muito arrependida.
A loira engoliu em seco. Assentiu e seguiu para o quarto sentindo um aperto no peito que só havia sentido antes quando Mary esteve no hospital. Viu a porta do quarto dos pais e custou para tocar a maçaneta e abri-la. Entrou devagar, Mary ressonava sentada com as costas em um travesseiro grande. Emma começou a fita-la, se aproximou lenta e silenciosamente, colocou as mãos nos bolsos da calça jeans e parou para observá-la.
Mary despertou, se assustando com a aparição da filha.
— Emma, eu estava sonhando com você. — disse ela.
— Eu soube que se sentiu mal outra vez e que foi parar no hospital. Você tem tomado seus remédios? Tem feito os exames que pediram? Nós avisamos que você devia se aposentar, porque ainda não fez isso, Mary Margaret?
Mary sabia que quando Emma falava naquele tom de voz e não a chamava de mãe, era porque estava irritada por algum motivo. Aquilo doeu um pouco. Achava que Emma ainda não a perdoara.
— Desculpa, minha filha. — foi apenas o que disse para a loira.
Emma abanou a cabeça, continuou:
— Você quer continuar dando sustos no meu pai? Coitado. Ele está muito preocupado com você, não conseguiu disfarçar direito quando cheguei.
— Pelo visto não estou dando sustos apenas nele. — Mary a olhou séria.
Emma passou a mão no rosto.
— Olha, você tem que se cuidar, ele ficaria muito triste se te acontecesse alguma coisa de repente.
— Ele e você ficariam tristes se algo me acontecesse, eu estou vendo no seu rosto, Emma. — Mary precisou ser mais firme. — Você nunca vai conseguir esconder de mim seus sentimentos, minha filha. Você está brigando comigo porque você também se preocupa.
— Eu não estou brigando com você. — Emma franziu o rosto.
— Está tentando pelo menos. — ficaram em silêncio por alguns segundos. Mary olhou em outra direção depois novamente para a loira. — Eu já pedi perdão a você pelo o que eu fiz. Você não conseguiu perdoar, não foi? — decidiu resolver aquele assunto.
Emma, sem jeito, tirou as mãos dos bolsos e se sentou numa poltrona ao lado da cama.
— Não sei se devíamos falar disso hoje. Eu não vim aqui para falar disso com você.
— E veio para quê? Posso saber? Você está tentando fugir do assunto? Por que não resolve isso comigo logo?
— Mary, eu não quero fazer você piorar. Se eu disser tudo o que me veio na cabeça daqui a pouco estarei te levando para o hospital mais uma vez. — Emma disse, sem paciência.
— Estou bem. Já passou, o seu pai que exagerou, eu estou me sentindo melhor. — Mary se mexeu, tirando o lençol de cima das pernas. — Eu sei que não é fácil, eu estou envergonhada até agora, eu vou ficar envergonhada para sempre e sem dúvidas de que você está me odiando, eu também sei disso. É melhor dizer logo. Vamos, estou pronta, não tenha pena. Não quero que tenha pena. Quero que fale o que você está sentindo. — Mary estava quase se sentando para o lado, mas a filha a conteve.
— Não odeio você por isso, mãe. — a chamou de mãe finalmente.
Mary ergueu a cabeça.
A loira fez uma pausa, fixou seus olhos nos dela e esperou um tempo para abrir o jogo.
— Não é nada disso. Eu só não consegui engolir bem aquela história de que você foi até a Regina e conversou com ela para acabarmos tudo. Depois eu soube que muito antes, antes de eu ir para Michigan, você também foi a casa dela e falou um monte de coisas. Você mentiu para mim. Por que nunca me contou isso?
— Emma, eu sei o quanto me equivoquei indo conversar com a Regina. Eu me arrependo. Você tem todo o direito de esbravejar comigo, mas para tudo há uma razão. Eu estava ofendida com o que Regina havia feito a você, de fato nunca a perdoei pelo seu sofrimento e por você ter ido embora. Você é minha filha. Por essas razões eu me submeti a dizer coisas a ela. Me excedi, eu sei, mas você conhece a mãe que tem, e deve saber que eu tomei suas dores como se fossem minhas. Eu não estou tentando justificar o que fiz, eu estou pedindo desculpas pelo transtorno. Tenho a ligeira impressão de que você veio até aqui para falar sobre seu casamento com ela, não é isso? — Mary falou pausadamente.
— Como sabe?
— Intuição.
Emma fez que sim devagar.
— É exatamente por isso que vim. Marcamos a data para outubro.
Mary observou o semblante levemente corado de Emma.
— Minha querida — abriu os braços esperando que a filha aceitasse a oferta de carinho. — Você vai me permitir pelo menos dar um abraço em você?
Swan não estava confortável para abraços, ficou a ver os braços da mãe abertos na sua frente a esperando. Um pouco do orgulho lhe comichava o peito e não deixava ela avançar. Ela sabia que orgulho era uma coisa que Mary também tinha e muito, mas diante dela, de braços abertos ele não parecia mais tão vivo.
— Não esperava que você fosse pedir desculpas, nem me contar o que havia feito. Sabe, mãe, você ter ofendido a Regina foi como ter ofendido a mim, assim como ela ter me ofendido no passado significou muito para você. — Emma se aproximou antes. — Eu não queria continuar nesse mal estar. Juro que estou procurando entende-la.
— Tudo o que eu disse para Regina foi pensando em te proteger. — Mary repetiu.
Elas ficaram se olhando, dando um tempo para refletirem em silêncio.
— Você tem certeza que entende o quanto Regina é importante para mim?
A mãe não vacilou. Assentiu convicta encarando Emma de igual para igual.
— Do fundo do meu coração, eu entendo. Eu só desejo o melhor para você e se você acha que ela é o melhor, faça isso. Eu jamais vou cruzar o caminho de vocês achando que poderei resolver minhas desavenças. Devo desculpas a Regina, muitas, eu espero que ela aceite.
— Regina mudou. — Emma envolveu os braços contra a mãe, retribuindo o abraço.
— Eu acredito, minha filha. Por você, eu acredito.
A loira passou as mãos no cabelo curto da mãe e aceitou o abraço.
— Certo, só me prometa uma coisa. — dizia Emma.
— O que você quiser.
— Você vai se aposentar e tirar umas férias longas com o papai.
Mary ergueu uma sobrancelha.
— Não posso pedir umas férias e depois voltar a dar aulas? — perguntou. Emma fez que não. — Tá bom. — bufou antes de aceitar. — Eu prometo que vou me aposentar. Mas saiba você e David que eu estou muito bem de saúde e posso continuar dando aulas perfeitamente.
— É pensando no seu bem, mãe. Você sempre pensou no meu bem, não foi? Eu e o papai também pensamos no seu. Vamos aceite, é um presente.
— O.K. eu sabia que em uma hora esse momento ia chegar. — Mary alisou os braços da filha, concordando com o pedido dela.
Não havia mais obstáculo algum no caminho de Swan e Mills, tudo se virou ao favor das duas, mesmo que Mary fosse uma pequena parcela desses obstáculos.
Os meses seguintes voaram como folha em tempestade. Emma e Regina viviam num clima tão agradável que só contribuiu para a experiência de vida a duas que começariam. O último mês foi de pura ansiedade para ambas pois haviam escolhido uma data no outono para se casarem e agora faltava muito pouco.
Apesar do muito trabalho que ambas tinham na empresa, tudo correra bem até a data do casamento; Regina havia concluído a primeira obra da empresa com ela no comando. Havia oferecido à Emma e Jones novos contratos para garanti-los mais tempo trabalhando para ela, mesmo sabendo que Emma poderia fazer isso de graça. Nesse meio tempo, soube que o seu arquiteto número dois na construtora começara finalmente um namoro com sua prima Zelena, e ao que parecia tudo ia muito bem, pois Zel andava sumida de sua casa.
Enquanto Belle aproveitava cada dia como mãe, vendo a barriga crescer, insistia para que Emma aceitasse o convite de se casar na propriedade Gold. Por fim, Emma aceitou e foi ela mesma que convidou os colegas da empresa num dia em que se sentou na poltrona de Regina, fazendo graça imitando-a, enquanto a noiva não chegava na sala de reuniões. Mas acabou que Regina a pegou no ato e em vez de levar bronca, Mills ficou calada até chegarem em casa na mesma noite e judiar de Emma no banho, dizendo que ela conseguia imitar sua voz de um jeito muito sex.
O bebê de Belle nasceu no vigésimo dia de outubro. Era um menino, e Gold decidiu dar seu nome ao filho. Robert Jr. ou apenas Bob como Henry o apelidou, era uma criança calma e bastante gulosa. Andava mais no colo de Belle do que nos braços de Robert, toda vez que o pai o segurava não durava muito ele chorava. Robert achava que era por causa de sua colônia para a barba. Em compensação o menino gostava de ouvir a voz do pai, tanto que não dormia antes que o homem lhe cantasse uma canção de ninar.
Cora, por sua vez, continuava firme o namoro com o senhor Sidney Glass. Ele havia a convidado para morar em sua penthouse no East Boston, mas a matriarca Mills ainda preferia o apartamento em que viveu praticamente a vida toda. Estava muito bem de saúde, começara a caminhar nos parques toda manhã, frequentava aulas de ioga e ginastica além de viajar com frequência para fora do estado com o namorado nos finais de semana. Tinha até mesmo aceitado o convite de Sidney para ir à Europa no mês de julho. Passou um mês se divertindo por lá.
Regina colocou Roland para fazer aulas de karatê, assim como Henry. O garoto levava muito jeito e em dois meses conseguiu trocar sua primeira faixa. Fora isso, Emma havia levado os garotos para conhecerem o novo apartamento e eles adoraram o lugar. Henry ficou impressionado com o tamanho.
E nessa velocidade meados de novembro já começava.
Foi numa tarde ensolarada de sábado que se casaram nos jardins da propriedade Gold, à beira do lago. As árvores pareciam ter entendido bem que aquele era um dia especial e enxiam o caminho de flores até o altar. O mesmo altar tinha sido decorado com camadas de pétalas de rosas (um pedido de Regina para agradar a futura esposa que era apaixonada por elas), o conjunto deixou aquele simples espaço montado em um lugar muito romântico. Mas não era apenas o caminho ou o altar que estavam belos. As famílias e os amigos estavam lá também, em volta, no final do tapete cor de pérola que as esperava. Todo mundo muito bem vestido para um casamento naquele horário.
Em pouco tempo o lugar estava apinhado de gente. Até o mais improvável dos convidados tinha ido. Robin chegou com o filho, vestido a rigor, um pouco mais cedo a pedido de Regina, mas ele não pretendia estragar nada. Havia superado seu amor pela engenheira e agora tinha arranjado uma namorada, a senhorita Marian, que conheceu no consultório de Zelena. Ele vivia uma nova fase em sua vida e abraçara a segunda chance no amor com muito empenho.
Zelena, por sinal, chegou acompanhada de Killian. Ela estava muito bonita, com vestes cor de rosa, uma trança bem feita nos cabelos e um colar de pérolas que ganhou do arquiteto. O namoro deles começou bem depois de alguns encontros. Da forma como se olhavam e aproveitavam o clima confortável para carinho, todos notaram que Jones havia mudado completamente seu jeito de ser. E ele falava a verdade quando disse à Regina que faria o certo com Zelena, pois ela parecia muito feliz com ele.
Dava para entender a ansiedade de todos presentes quando as duas finalmente chegaram acompanhadas pelos filhos. Emma com Henry e Regina ao lado de Roland. O silêncio foi mútuo, mais pela surpresa de vê-las tão diferentes do habitual.
Henry caminhou com a mãe todo aprumado. Deu-lhe um beijo na mão após deixa-la no altar e ir ao seu lugar.
Swan não se parecia tanto com a mulher simples que costumava ser no seu vestido branco acetinado, lindíssima de cabelo solto ordenado apenas por uma tiara. Conseguiu ver brevemente enquanto passava, Belle acenando com o pequeno Bob nos braços, Robert, David e Mary Margaret e ao seu lado Cora e Sidney no altar. Sua mãe tentava esconder mas estava prestes a chorar de emoção, só não o fazia para não estragar a maquiagem que com certeza cairia no seu vestido prateado em formato japonês, algo não muito diferente de si quando se virou para esperar Regina e seu olhar caiu sobre a morena. Ficou sem ar ao ver uma mulher muito bonita, toda de branco perolado vir em sua direção com um sorriso de ponta a ponta do rosto. Gina tinha escolhido prender os cabelos que estavam muito maiores do que no dia em que reencontrou Emma, o que a deixava com um ar um tanto diferente, mas nem por isso menos bela, de brincos brilhantes e um colar no pescoço.
Roland a conduziu até o altar da melhor forma possível que um garoto da sua idade faria, entregando ela nas mãos de Emma, sem deixar de abrir um sorriso muito doce para as duas mães que tinha agora. Foi o momento em que elas se viram de perto, se tocaram e encostaram seus rostos um no outro de um jeito que não conseguiram conter. Havia tantas coisas envolvidas, tanto tempo vivido que nada nem ninguém poderia definir. Sentiram todas as emoções possíveis naqueles poucos mas preciosos instantes e só restou sorrisos e uma vontade imensa de se beijarem, mas tinham de esperar por isso.
— Sejam todos bem-vindos ao matrimônio de Emma e Regina. — disse o juiz de paz, um homem mais velho e de voz eloquente, no momento em que elas se voltaram para o altar. — Esta cerimônia me deixa profundamente feliz porque ela mostra o quanto devemos confiar no amor. O casamento, como todos sabemos, é um instituição reciproca de afeto, respeito e convivência, uma escolha de passos unidos e um laço eterno. O casamento nos leva a crer que a felicidade de um relacionamento é a junção de todas as qualidades de duas pessoas em uma só. Emma e Regina, duas mulheres adultas, que já vivenciaram a experiência de um casamento uma vez, hoje opinam por se unirem em busca de novas qualidades. — Todos prestavam a atenção nas palavras do homem, especialmente as noivas. Ele observava ambas. — Mas a história dessas duas mulheres resume-se em muito mais que qualidades ou a simples busca pela felicidade à duas. O que Emma e Regina viveram antes de estarem aqui diante deste altar, passa pela provação do perdão. O amor nunca havia partido da vida dessas mulheres e foi em uma chance, um reencontro que o sentimento encontrou-se no caminho delas outra vez. O perdão não significa esquecer, contudo, significa se lembrar sem sofrer, tomar como aprendizado o que causou dor. Pois as maiores lições se aprendem com erros e o verdadeiro amor sabe perdoar. A maior prova disso trouxe elas aqui hoje. Emma, Regina. A reflexão, a vontade consciente, a confiança e o respeito levaram ambas a decisão de se casarem novamente e construírem uma nova história em comum. Vocês provaram do maior desafio que um amor pode sofrer e depois de quinze anos o destino lhes deu uma oportunidade para entenderem que ele não morre se for verdadeiro. Que vocês sejam felizes e que esse amor que sentem uma pela outra perdure por muitos anos mais. — as duas sorriram, trocaram um olhar amoroso reconhecendo tudo o que o homem disse. — Agora, vocês vão trocar as alianças, o símbolo desse matrimônio.
Roland e Henry tinham guardado as duas joias até aquele momento. Tiraram dos bolsos e levaram até as duas, muito seguros do que faziam. Elas sorriram muito vendo os dois tão bonitos nos ternos que vestiam, mas estavam mais felizes por verem como pareciam contentes pelo momento das mães. Cada uma pegou uma aliança dourada e fez como mandava a tradição.
Regina entregou a Emma sua mão esquerda e a loira tocou delicadamente seus dedos. Escolheu o dedo anelar para colocar a aliança sem esquecer de dizer:
— Regina, aceita esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. — Emma ergueu a cabeça e o olhar para ela. Regina pôde sentir o quanto ela se sentia emocionada.
Gina segurou os dedos da mão esquerda de Emma e assentiu como um aviso.
— Emma, aceita esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. — disse suavemente, colocando a joia no dedo da loira.
O juiz havia acabado ali.
— Eu declaro Emma e Regina casadas. — disse ele, por fim.
Elas se abraçaram imediatamente e todos em volta aplaudiram.
Respiraram, se tocando no rosto sem esconder a alegria. Regina via os olhos de Emma brilhando para os dela e com certeza os seus mostravam o mesmo para Swan. Então, se beijaram enfim, com carinho, tendo todos a volta delas como testemunhas.
Após isso, elas assinaram o livro, Cora se aproximou da filha e deu nela um abraço forte.
— Querida, estou tão feliz por você. — disse ela.
— Obrigada, mãe. É tanta coisa que estou sentindo nesse momento. — Gina viu a mãe tocar suas bochechas.
— Fico contente de ver como você acertou sua vida com Emma. Você se superou, Regina.
— Sim, mamãe. Valeu a pena ter lutado pela Emma. — as duas olharam na direção da loira que abraçava seus pais e seu filho. Logo Regina voltou-se para Cora. — E a senhora se cuide agora que irei morar em outro lugar.
— Oh, não se preocupe, Regina. — Sidney se aproximou delas, logo atrás de Cora, tocou-lhe os ombros. — Eu prometo que comigo por perto sua mãe estará protegida.
Gina riu para ele e deu-lhe um abraço de agradecimento. Enquanto ela terminava de cumprimentar o padrasto Mary chegou perto, um pouco acanhada, era verdade, mas muito educada e disse:
— Regina, eu queria lhe dar os parabéns pelo casamento. — ela estendeu a mão.
A morena se virou e a fitou, ficando sem reação.
— Ah, obrigada, Mary. — só então notou a mão de Mary esticada, só que melhor que isso vendo bem o quão grande seria para a filha, a mãe de Emma resolveu abraçar Mills e lhe dar um beijo em cada bochecha. Não parecia ser um ato falso. Gina entenderia com o que ia ouvir dela.
— Eu te agradeço por fazer Emma feliz. Sempre foi você, Regina, você sempre foi o pedaço que faltava na vida dela.
Gina não teve palavras, mas Mary entendeu que havia dito as coisas certas e mais sinceras possíveis. Foi seu melhor gesto em todos os tempos para com Regina.
Aos poucos as pessoas vinham falar com elas. Belle deixou o bebê com Robert enquanto puxava a amiga para um canto a fim de elogiar.
— Eu te disse que você seria a noiva mais bonita quando se casasse de novo, não disse?
Emma meneou a cabeça, pensando.
— É, acho que me lembro de ter dito algo do tipo no seu casamento.
— Meus parabéns, minha amiga. Eu torcia para que encontrasse sua felicidade e ela estava mais perto do que imaginávamos.
— Muito obrigada pela força que você nos deu, Belle. Com certeza perto. Posso dizer que devo muito a você.
— Minha casa até serviu de palco para fazerem as pazes e quer saber de uma coisa? Eu fico lisonjeada por tudo ter recomeçado aqui.
Swan riu junto da amiga e por dois minutos que ficou conversando com Belle perdeu Regina de vista. Quando voltou para procurá-la, viu Robin indo falar com ela.
— Oi, Regina, outra vez. — ele sorriu sem jeito ao cumprimenta-la.
— Olá, Robin. — Mills falou, sendo gentil ao sorrir para ele. — Obrigada por trazer o Roland e ficar com ele enquanto iremos viajar.
— Não será problema algum ficar com ele, eu até pensei em perguntar se você não pretendiam passar mais que uma semana fora. Sabe como sinto falta do Roland em tempo integral. — ele dizia sem graça.
— Infelizmente, ficaremos sete dias apenas em Toronto, mas se quiser você e ele podem combinar de passarem mais dias juntos, contanto que Roland queira eu permito com o maior prazer, Robin.
— Obrigado, Regina. É... Queria que você soubesse que eu não guardo mágoas de você. Não mais. — Robin parou esperando a reação dela. — E quero pedir desculpas por tudo o que acabei causando a você e Emma. Eu estive fora de mim quando tentei prejudicar e tomar o Roland, me sinto envergonhado por ter feito isso.
Ela acreditava no que ele dizia. Robin de fato era alguém mais calmo depois da psicoterapia, mais resolvido e consciente. Não foi difícil querer perdoá-lo por todas as coisas.
— Acredito em você, Robin. O pior já passou para nós dois. Também não guardo mágoa alguma e desejo do fundo do meu coração que seja feliz. Você merece.
— Obrigado.
Ele agradecia no momento em que Emma apareceu ao lado da esposa. Não sabia o que ele havia dito à Regina, então veio mostrar que ela era sua.
— Algum problema, Regina?
— Não, meu amor. O Robin veio apenas me cumprimentar e pedir desculpas por tudo. — Mills falava envolvendo um braço no corpo da amada.
— É verdade. Foi uma cerimônia muito bonita, agradeço pelo convite. Peço desculpas a você também, Emma. Não tinha o direito de querer estragar uma relação como a de vocês duas. Eu sinto muito pelas coisas que eu disse a você.
A loira ficou quieta por alguns segundos.
— ‘Tá tudo bem, Robin. Isso tudo já foi resolvido, vamos esquecer. — ela disse.
Ele concordou e cumprimentou as duas antes de deixa-las.
Até que pudessem se despedir e irem embora para desfrutar da lua de mel Emma e Regina ouviram seus amigos da empresa pedirem para jogar os buquês. Ruby pegou o de Emma e Cora o buquê jogado por Regina. Não era preciso dizer para quem a senhora Mills olhou, mesmo que sua intenção ainda não fosse se casar com Sidney. Já Ruby, a única solitária entre as secretárias da construtora, viu seu olhar cruzar com o de um homem no meio dos convidados. Ela nunca tinha visto ele antes, ele era bonito, alto e simpático. Só soube do nome dele mais tarde quando ele perguntou o dela na hora em que ia embora. Era um dos convidados de Emma, o detetive Jefferson. Foi empatia à primeira vista e eles dois sabiam no fundo que a empatia se tornaria algo maior no futuro.
Mais tarde no quarto de hotel que reservaram para passarem a noite, Regina serviu champanhe em uma taça para Emma. Apesar de terem feito isso depois da cerimônia, se sentiam bem o suficiente para beberem mais um pouco, mas agora estavam sozinhas e o que fariam depois envolvia somente as duas.
Emma esperava por Regina na janela do quarto, observando a noite cair, já sem o vestido de noiva, apenas com uma roupa de dormir minúscula no corpo.
— Um brinde. — Gina entregou a taça a Emma, parou ao lado dela para brindarem.
— A nós. — disse Emma, tintilando a taça contra a dela.
— A nós. — a morena bebericou do vinho observando os trajes de Emma, afinal, ela tinha se produzido mais colocando um roupão de seda. E então pensou que de nada adiantava mesmo estar daquele jeito se no final das contas acabariam nuas debaixo dos lençóis.
Trocaram olhares maliciosos.
— Quando você me olhou desse jeito lá no altar, eu quase não resisti. — Swan contou, deixando a taça em cima de um móvel.
— E você faria o que se não tivesse resistido? — Regina ainda bebeu mais um pouco.
— Teria beijado você antes do juiz dizer que podia.
Regina soltou uma gargalhada, colocou a taça no mesmo lugar da de Emma e envolveu seus braços nos ombros dela.
— Há tantas coisas que precisava dizer a você agora, meu amor, e de repente não consigo me lembrar de nada.
— Eu sei o que você quer me dizer. — Swan apertou-a na cintura. — Que apesar dos pesares tudo o que sofremos serviu para esse momento.
— Sim, eu também diria isso a você, mas eu queria falar bem mais e principalmente uma certeza que tive hoje.
— O quê?
— Se eu precisasse reconquistar você cem vezes eu faria, sem pestanejar. Tudo para ver você voltando para minha vida todas as vezes.
Emma pôs um dedo sob o queixo de Regina, erguendo-o, para que ela mantivesse o rosto no mesmo nível que o seu.
Gina fechou os olhos, sorridente, sabendo o que aconteceria. Recebeu um beijo da mulher. Lento e cheio de sabor.
Emma subiu com as mãos pelas costas dela, desarrumando o roupão. Parou o beijo para desprender os cabelos e desfazer o laço do traje dela até derrubá-lo no chão. Pegou a morena nos braços e a deitou delicadamente na cama, mas Regina se sentou quando ela subiu e lhe tirou a parte de cima da roupa de dormir, vendo Emma jogar os cabelos para trás.
Regina sentiu vontade de tocar nos seios de Emma e o fez apalpando os dois enrijecidos logo que começaram um novo beijo.
De novo Emma continuou, suspendendo o que faltava da mulher.
Quando isso acabou, já estavam grudadas, se beijando sem pudor algum, deitadas de volta. Paravam pouco, apenas para se verem e dizerem coisas entre os beijos. Coisas que já haviam escutado milhares de vezes e que nunca se cansavam de dizer.
Um ano mais tarde.
Regina Mills acordou sentindo um pequeno incomodo na cabeça numa manhã de sexta-feira. A claridade do dia batia em sua direção quando ela abriu os olhos, porém, não era uma dia quente do lado de fora do apartamento onde vivia com Emma e os filhos.
Virou-se na cama, ainda sonolenta, apalpando o edredom vazio no lado onde Emma dormia. Ela não estava mais deitada na cama fazia algumas horas.
Gina se levantou, foi escovar os dentes e lavar o rosto antes de caçar sua esposa pelo apartamento. Caminhou de pijama até o quarto de Henry, depois o de Roland, ambos arrumados, o que significava que eles tinham ido para o colégio antes disso. Regina se perguntou que horas seriam. Andou pela sala, foi até a cozinha e nada de Emma por ali também. Foi encontrar a esposa no escritório, sentada feito índio de frente para uma enorme lousa que comprara para trabalhar melhor seus desenhos.
Emma estava há algumas horas concentrada num esboço de quatro pessoas, duas mulheres e dois meninos. Regina nem prestara muita atenção naquele detalhe, só queria um carinho e sua esposa de volta à cama com ela.
— Pensei que você fosse me acordar. — abaixou ao lado de Emma no tapete do escritório e se jogou em seu colo, de modo que pudesse vê-la deitada em suas pernas.
— Você estava dormindo de um jeito tão bonito que não tive coragem. — disse Swan, rabiscando o papel na lousa.
— Hum... Você e sua mania de observar as pessoas dormindo. — Gina resmungou.
— Só as pessoas que eu amo. — sorriu, deixando o lápis 6B de lado. Ficou a contemplar o desenho, ainda na metade que fazia família.
— Hum... Boba. — Regina observou do colo dela o rosto da esposa concentrado no que fazia, então mexeu os olhos para o lado e notou o desenho. — Somos nós? — perguntou.
— Uma tentativa pelo menos.
Mills olhava para o desenho de baixo e mesmo incompleto e todo cheio de imperfeições ainda, era um trabalho muito bonito. Sempre soube reconhecer o talento de Emma.
— Perfeito, como sempre. Quando você terminar vou pôr uma moldura e pendurar na sala.
A loira riu leve.
— Não precisa exagerar, eu chamo os garotos e a gente tira uma foto assim quando for ao parque.
A fala de Emma fez Regina querer se sentar. Enroscou as pernas na cintura da mulher, de frente para ela, segurando seu rosto com as duas mãos.
— Eu tenho vontade de colocar todos os seus desenhos em molduras e fazer uma exposição.
— Você é minha maior fã, seus elogios são sempre suspeitos. — Emma brincou.
— Claro que não. São sempre os mais sinceros, isso sim. — selou o lábio de Swan uma vez. — Que horas são agora?
— Umas onze. — Emma fez uma careta. — Por quê?
— Já são onze horas? Eu dormi isso tudo? Meu Deus, Emma, eu tenho que me arrumar agora mesmo. — ia se levantando quando a mulher a puxou de volta.
— Você não precisa ir se arrumar.
— Mas nós temos que ir trabalhar, você também tem que se arrumar. O que está fazendo aqui até agora? Devia ter me acordado!
Swan apertou o corpo de Regina contra o seu e achou graça.
— Não precisamos. Hoje é nosso dia de folga porque dobramos o expediente na semana passada, se esqueceu?
De repente a morena teve um estalo, tinha se esquecido completamente.
— É verdade. Dormi tanto que me esqueci até desse detalhe.
— E você ainda queria que eu acordasse você, chefe? — dizia Emma, passando a mão naquele rosto pálido e extremamente sedoso que sua esposa tinha. — Você fica tão bonita quando acorda assustada.
— É, Emma, você me ama de verdade. — falou a morena.
— Claro que amo.
— Para gostar de olhar na minha cara de sono e dizer que sou bonita deve me amar muito.
De forma divertida Emma mordeu o lábio inferior antes de falar:
— Agora a boba aqui é você.
Trocaram um selinho demorado.
Emma abriu os olhos encarando novamente seu desenho delas e dos filhos no parque. Talvez o cenário do desenho que estava em sua cabeça desde cedo quisesse lhe dizer algo.
— Que tal irmos ao parque hoje? Depois levamos os meninos no boliche e comemos algo por lá. — sugeriu Emma de súbito.
— Qual parque?
— O nosso parque. O que sempre gostávamos de ir no East Boston.
— Hum... podemos ir sim. Mas ele não fica muito próximo do colégio dos meninos, o que pretende fazer lá?
— Você logo vai saber. — respondeu Swan enquanto miravam o desenho na lousa.
De tarde, o tempo mudara de um pouco mormaço para o frio do meio do outono. Uma época em que os melhores e mais belos lugares na cidade eram os parques.
Emma trouxe Regina de braços dados consigo, ouvindo e sentindo o barulho das folhas se quebrando por baixo das botas enquanto caminhavam. Segurava um livro velho na mão que Mills jurou ser o caderno de lembranças que tinha guardado, mas na verdade o que Swan trazia era um de seus velhos cadernos de faculdade e esse ela nunca havia mostrado à Regina.
Era a terceira vez que perguntava a esposa o que tinham vindo fazer no parque e em todas ouvia a mesma resposta. Ela começava a desconfiar.
Ao chegarem numa árvore baixa enraizada na beirada do lago, Emma fez um sinal. Pararam ali percebendo até onde os galhos iam e na quantidade de flores miúdas que caíram dos mesmos galhos com a chegada do outono.
— Isso é tão... É tão lindo. — falou Regina, absolutamente encantada.
— Eu sempre amei cada árvore desse parque porque não houve uma que não tivesse servido uma flor para que eu te desse de presente. — disse Emma, prestes a abrir o caderno.
Regina se lembrou. Foram muitas pétalas de rosas, muitas flores como aquelas espalhadas pelo chão. Sim, se lembrou de tudo, absolutamente tudo. Não dava para evitar um nó na garganta.
— Eu me lembro.
— Mas de todas as árvores, houve uma de onde tirei mais flores. Essa. — Emma deu alguns passos até a raiz, abriu o caderno e derramou algo de dentro dele.
Regina não compreendeu. Esperou.
— Não foram as mesmas flores que te ofereci que ficaram comigo, foram outras.
Emma continuava no mesmo lugar. Então, Regina se aproximou vendo que os resquícios de pétalas jogados do caderno. Estavam secas, sem vida, a ponto de virarem pó e vento. Por que Emma as guardou? Pensava.
— Você manteve isso o tempo todo?
A loira puxou o ar antes de conseguir falar:
— Eu demorei, mas finalmente compreendi porque as levei comigo antes de ir embora de Boston.
— Por que fez isso? — questionou Mills, sem saber se devia ou não tocar na amada.
— Era para me lembrar que eu devia trazê-las de volta, porque elas representam algo que passou, Regina.
— Lembranças. Acho que entendo agora.
— Isso. Você sabe o que quer dizer. — Emma se virou para olhar as pétalas mortas correrem no chão e se perderem entre as outras.
— Está libertando elas porque o passado não deve ficar preso.
— Nunca. O passado deve ser livre para ninguém se apegar a ele.
Quando Regina virou voltou a olhar para Emma, ela chorava uma lágrima por vez, porém, tinha um sorriso muito sereno nos lábios.
— Emma, meu amor... Por que está chorando? — Regina a fez virar o rosto para si.
— Quer mesmo saber? Eu amo você, Regina, e não consigo segurar esse amor todo dentro de mim. Os meus olhos neste momento estão apenas transbordando tudo o que eu sinto por você. Eles estão transbordando de amor.
Aquelas foram palavras tão doces que as duas precisaram de um tempo até que se recuperassem do efeito. Quase um encanto.
O vento começou a soprar forte movendo com força os galhos da árvore no minuto em que se abraçaram. Os rostos já estava juntos quando começaram um beijo cheio de ternura. E pela primeira vez se beijaram debaixo de uma chuva de flores.
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