SixHunters (Interativa)
9 Preparativos para o espetáculo
Notas iniciais
Serena Burk, Alice Lewis Foster, Maxuel Lopes, John S. S., Lex Blood. Todos jovens diferentes dos normais. Todos tiveram contato com aquele prodigioso quarteto, mas nunca demonstraram ter nada de especial. Mesmo assim...
– O senhor realmente se interessa neles, mestre Taiyoo? – questiona Temen, um dos meus leais servos.
– Não exatamente, Temen. – correspondo. – Porém, a ligação deles com os invasores do Necro World é importante.
Antes do grupo de Thoma Dales invadir o mundo em que meu reino fica, Temen levou minha filha Tsuky até o meu palácio. Contudo, eu não estava lá. Na verdade, passo a maior parte do tempo no Mundo Humano, escondendo a minha existência. Afinal de contas, para que meus planos tivessem sucesso, era necessário que eu observasse os meus alvos bem de perto. E, como estava nesses mesmos planos, os quatro jovens especiais formaram um grupo e foram rumo ao Necro World.
– Nas mãos de quem você deixou a minha filha? – pergunto, pois nos encontramos há poucos instantes.
– Com Ivy. – corresponde Temen. – Acredito que foi uma boa escolha deixar Tsuky Scarlet com ela.
– De fato. – admito, enquanto permaneço imóvel ao seu lado.
Estamos diante do prédio da escola de Thoma Dales e dos demais. Sim, este é o mundo dos seres humanos. Mesmo quando Temen veio buscar minha filha, eu estava por aqui. Estava observando tudo e, de certa forma, manipulando os acontecimentos para que meus objetivos fossem alcançados. Uma das minhas metas, obviamente, era fazer Tsuky chegar ao meu palácio. A outra era a invasão ao Necro World do quarteto, induzida de maneira indireta por mim.
– O que exatamente meu senhor pretende fazer agora? – indaga Temen.
Não consigo disfarçar o meu sorriso. Como é bom, após tanto tempo, começar a colher os frutos de tudo o que fiz no passado. Eu esperei muito pelo que está apenas começando a acontecer. Não demorará muito para que o meu grande sonho se torne realidade.
– Você sabe que os Mascarados surgiram para manter a paz neste mundo, não é?
– Mas é claro, meu senhor. – confirma.
– Pois então... – retomo. – Quando eu, um humano comum, que não nasceu no Necro World, tomou o poder sobre um dos quatro reinos daquele mundo... – e deixo de olhar para a escola, redirecionando meu olhar para meu subordinado. – O que aconteceu?
– Mudanças inaceitáveis para os padrões do Necro World? – indaga.
– Exato. – confirmo. – Porém, mudanças inaceitáveis que, na verdade, nem chegaram a ser aceitas ou recusadas. Simplesmente jamais vieram ao conhecimento de ninguém. Para todos naquele mundo, o verdadeiro líder dos Mascarados não é um humano deste mundo e sim um humano nascido no Necro World, como exige a tradição.
– Por essa mesma razão, os atuais Mascarados, que são do Mundo Humano, se passam por legítimos habitantes do Necro World. – comenta.
– Sim. – concordo. – Porém, há ainda um empecilho. Um de nós é nascido no Necro World, um Mascarado convencional.
Vejo a surpresa tomar conta da face de Temen. Sim, nem mesmo ele, meu braço direito, conhecia essa informação. O fato é que, há muito tempo, eu matei o verdadeiro líder dos Mascarados sem que ninguém soubesse. Assumi sua posição e, lentamente, fui substituindo os Mascarados anteriores por humanos do meu mundo. Para o conhecimento externo, os novos membros do meu grupo eram do Necro World, mas tudo não passa de uma grande armação. Entretanto, um Mascarado da formação anterior restou. E eu jamais consegui retirá-lo daquele posto.
– Siegfried Riviere Leroy. – conto. – É ele o único Mascarado da formação anterior, o único que não sabe que todos os demais são do Mundo Humano. O único em que não confio totalmente. E também o único ser que foi capaz de sobreviver às minhas tentativas de extermínio.
– O senhor falhou em exterminá-lo!? – ainda mais surpreso. – Mas como? Se ele ainda o segue?
– Apesar de ser meu aliado principal, nem mesmo você conhece as minhas verdadeiras habilidades, Temen. – afirmo, elevando o meu sorrir. – Não pense que minha filha Tsuky nasceu com habilidades latentes em dois estilos sem ter tido um auxílio genético.
– Do que está falando, mestre?
– Eu sou o ser humano mais fantástico que já pisou nesta Terra. – garanto, mostrando três dedos da minha mão direita. – Armado, Mental e Espiritual. São os três estilos que domino.
Temen fica sem palavras. Não é pra menos, é claro. Afianal de contas, jamais demonstrei a ninguém que tenha permanecido vivo as minhas habilidades mentais e espirituais. Para todos, mesmo sendo considerado forte, meu único estilo era o Armado.
– Como você acha que consegui manter Siegfried sobre meu controle mesmo sendo ele o braço direito do antigo mestre? – questiono. – Alguém como ele perceberia facilmente que eu não passo de um "impostor". Porém, eu o controlei, assim como controlei os demais Mascarados anteriores até que, um por um, foram caindo graças às minhas quase infalíveis técnicas de extermínio.
Sim, eu matei cada um dos cinco Mascarados que substituí. Contudo, de modo suave e nada agressivo, para que ninguém suspeitasse. Quando abandonei minha família, tomei o lugar do mestre dos Mascarados. E então, desde aquele ano, fui derrubando cada um deles. Somente Siegfried permaneceu, sobrevivendo a um total de três tentativas.
– Apesar de não ter morrido, a energia espiritual de Siegfried diminuiu bastante. – garanto. – Na minha próxima tentativa, ele não resistirá. Aquele sujeito já sujou demais a minha honra. Parece uma barata insistente que não aceita a morte. Comparando-o com o esplêndido guerreiro que era no passado, mesmo ainda sendo forte, não passa de um moribundo. Os dias daquele homem estão contados.
Seis longos anos – do momento que abandonei minha família até hoje, quando já sou o confiável mestre dos Mascarados – se passaram para que tudo chegasse onde está. O palco do espetáculo que se aproxima ainda não está como eu desejo, mas apenas alguns retoques lhe falta. Siegfried Riviere Leroy ainda é uma sujeirinha que deve ser retocada e extinta.
Por outro lado, é divertido manter alguém que era tão fiel ao mestre anterior sob meu poder. Ele realmente sabe que eu sou pai de Tsuky e Lucky, mas vê o mestre anterior em mim. Acredita que o mestre passado passou um curto período de sua vida neste mundo e foi quando formou uma família aqui. Tudo isso graças a uma das minhas habilidades mais preciosas e perfeitas.
– Você conhecerá agora uma das minhas habilidades secretas. – garanto, voltando minha face para o colégio.
Temen faz o mesmo. Então, surgem no horizonte aqueles que eu esperava: Serena Burk, Alice Lewis Foster, Maxuel Lopes, John S. S., Lex Blood.
– Aqueles são... – Temen, surpreso.
– Sim. – garanto. – São eles.
Temen vê, apesar da distância, um olho negro na testa de cada um daqueles jovens. É uma das técnicas supremas do estilo mental.
– Olho da Mente!? – Temen, perplexo. – Não pode ser!! Aquela é considerada uma das três técnicas mentais mais poderosas!! Como o senhor foi capaz de dominá-la!?
Ninguém nasce sabendo nenhum tipo de técnica de nenhum dos quatro estilos. Todos nascem com tendência a desenvolver um, dois ou até mesmo três – o que é raríssimo – estilos. Com o tempo, a pessoa pode ir explorando o seu estilo e dominando técnicas já existentes do seu estilo ou então desenvolver as suas próprias – o que geralmente só ocorre com grandes gênios naquela área. Criar suas próprias técnicas faz um guerreiro se destacar bastante, mas isso exige um tempo de estudo e dedicação muito maior do que quando se aprende uma que já existe. Quando eu descobri que eu era diferente dos outros humanos ao meu redor, ao invés de tentar criar algo novo, eu fui em busca de dominar as mais poderosas técnicas nas áreas em que eu sou apto a aprender. E consegui.
– Foi apenas uma dentre as várias técnicas mentais que dominei. – revelo. – Foi o Olho da Mente que me permitiu matar cada um dos ex-Mascarados. Em um contato visual de apenas um segundo, eu tomo controle da mente do meu alvo. Porém, quando forço a técnica a infringir controle absoluto, aquele olho surge na testa da vítima. – vou explicando. – Por isso, mesmo após o contato visual, eu precisava induzir os antigos Mascarados à ficarem sozinhos para que eu os matasse. Siegfried, porém, possui uma resistência mental absurda e conseguia quebrar o meu controle, mesmo não sabendo que estava sendo controlado.
– Mas quando foi que o senhor afetou aqueles jovens com essa técnica!?
– Quando a Excalibur despertou. – afirmo. – Eu sempre estive à espreita de Thoma Dales e dos seus colegas. Na verdade, há muito tempo, minhas duas filhas e Yuru Lazuri foram afetados pelo Olho da Mente. Manipulei suas memórias para que não se lembrassem disso e então, estive sobre o controle de todas as ações de cada um dos quatro. Até mesmo o afastar deles foi induzido por mim. – arregalo meus olhos, satisfeito, enquanto o grupo de adolescentes se aproxima. – Então, quando a espada de Thoma acordou, eu afetei esses que se aproximam, além de Luna Song, Sakura Inoue e Raviel Vanvid, sabendo que todos seriam parte do meu jogo.
Agora: Serena, Alice, Maxuel, John e Lex diante de mim e de Temen. Estão completamente dominados e fora de sã consciência.
– Poderia fazer com que se matassem entre si, com que matassem a si mesmos ou simplesmente arrancar suas vidas com minhas próprias mãos. – articulo. – Mas nenhuma das três alternativas seria me traria tanto prazer quanto a quarta.
– E qual seria essa quarta? – Temen me pergunta.
– Usá-los contra o grupo de Thoma. – revelo. – Os amigos de escola vão matar um ao outro sim, mas aqueles seis, que também estão sob meu controle sem saber, participarão da carnificina.
– Até mesmo sua filha, Lucky?
– É claro. – respondo. – A única útil para meus planos é Tsuky. Lucky, mesmo sendo do meu sangue, não representa nada para mim. Nem mesmo para matar Siegfried ela serviu.
– Até mesmo eu me espanto com a sua frieza. – garante Temen.
– Se você acha que é capaz de me impedir, Temen, fique à vontade para assim fazê-lo. Eu jamais usei em você o Olho da Mente. Aliás, jamais o usei em nenhum dos meus aliados. Sempre estive preparado para qualquer tipo de rebelião. – e olho para os olhos de Temen, que desvia seu foco para o grupo de jovens. – Se algum dos meus subordinados se voltar contra mim, os matarei com apenas 50% do meu poder. Sem nenhum esforço. Não preciso do meu estilo mental e nem do meu estilo espiritual para estraçalhar qualquer um de vocês.
Ele não diz nada. Nem mesmo reage às minhas palavras. Desse modo, volto meu olhar para os estudantes diante de nós dois.
– Serena Burk, dê um soco em Alice.
Sem demora, Serena se vira para Alice e acerta seu rosto com seu punho direito, fazendo-a cair de costas no chão. O nariz da garota deixa sangue escorrer, mas Alice permanece acordada.
– Alice, levante-se e dê um chute no estômago de Lex. – exijo.
Ela se esforça para levantar do chão e executar minha ordem. Lex grita de dor, caindo de joelhos ao chão. Meus risos não podem ser contidos.
– Veja! Veja! Veja! – exclamo para Temen. – São marionetes perfeitas. E quando eu quiser, mesmo em outra dimensão, posso enviar um impulso nervoso a cada um dos integrantes do grupo de Thoma para dominá-los completamente. Para fazer com que eles se tornem escravos absolutos!!
– Você é macabro.
– Sim, eu sou! – exclamo, elevando meus risos. – Esta batalha já estava em minhas mãos antes mesmo de começar. Na verdade, nem existe mesmo uma batalha. Não existem adversários, nem aliados. Todos não passam de fantoches em minhas mãos!!
Sim, o que disse é a verdade. Se eu quisesse, eu poderia simplesmente ter matado Thoma, Lucky, Yuru, Raviel, Sakura e Luna antes mesmo de terem adquirido potencial para fazerem algo. Contudo, desse modo, o que pretendo realizar através de Tsuky seria impossível.– O verdadeiro show ainda não começou. – garanto, mais tranquilo. – Vamos imediatamente até meu palácio. Lá, confinarei estes jovens até quando forem necessários para os meus planos.
– E quanto à Tsuky? – questiona Temen.
– O destino dela é outro. – conto. – Como já disse, é a única que realmente tem o meu interesse. Com o passar dos anos, minha filha prodígio apenas superou as minhas expectativas. Ainda assim, com apenas dois estilos e sem nenhuma experiência em combate, não representa nenhum perigo aos meus desejos. Mesmo que seja possível uma rebelião vindo dela, não há temor da minha parte. Tsuky Scarlet também é um fantoche. Um fantoche valioso e único, mas um fantoche.
Assim que encerro minhas palavras, Temen dá meia volta e três passos. Com seus dedos, cria uma fenda dimensional no espaço-tempo, um portal que nos levará diretamente ao meu reino. Ou melhor, ao reino que tomei dos verdadeiros Mascarados.
– E o Siegfried? – Temen me pergunta, voltando seu olhar a mim. – Não é perigoso demais confiar tanto no seu controle sobre ele? Afinal, por mais poderosa que seja a técnica do Olho da Mente, ela não é absoluta e possui falhas como qualquer outra. E depois de sobreviver tantas vezes a ela, será que já não criou uma certa imunidade?
– Não me subestime, Temen. – determino, encarando-o com seriedade.
– M-mil perdões, mestre! – pede, abaixando sua cabeça. – Perdoe a minha petulância.
– Não se preocupe. Se fosse para castigá-lo, eu não o faria com palavras. E você nem mesmo teria tempo para tentar se redimir. – garanto. – Entenda de uma vez por todas, Temen, que não há nada neste mundo, nem no Necro World, que não esteja sobre o meu controle.
– Como assim?
– Os outros três reis do Necro World também foram afetados pelo Olho da Mente. – conto. – Nas nossas reuniões trimestrais, sempre faço questão de reforçar a técnica para garantir que nada saia dos meus planos. Eu não estou atrás de algo clichê como controlar o mundo. Eu o faço sem o menor esforço.
Exatamente isso: eu já controlo o Mundo Humano e o Necro World. Eu já sou um deus. Eu já sou invencível. Não sou como um vilão de histórias clichês. Eu sou simplesmente o senhor de tudo. Nada pode me parar, nada pode contra mim. Sou capaz de realizar tudo o que quero e almejo. Entretanto, mesmo sendo tudo isso, o meu verdadeiro objetivo ainda é uma meta difícil para se alcançar. Mesmo controlando tudo o que tem existência, ainda preciso de esforço e dedicação para chegar até a minha verdadeira meta.
– Tsuky Scarlet, rever você será de uma felicidade inestimável. – e um novo sorriso toma minha face. – Já que é você a chave de tudo. Apenas aguarde por nosso caloroso reencontro... Minha filha...
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