Six Samurais
2 Capítulo 2 - Obstáculos no Caminho
O jovem sabia que sua mãe não deixaria. Mas ele teria que perguntar a ela. Com os passos velozes e um único pensamento, atravessava a rua principal da vila e já avistava as montanhas no leste. A garota andava atrás dele e tinha um sorriso no rosto.
No momento seguinte, a única coisa que Tatsume viu foi uma fumaça espessa a sua frente. Parecia não ouvir direito e estar mudo. Sentiu um vento forte atingir suas costas. Ao virar-se viu uma cena estranha.
Um homem alto, musculoso de cabelos raspados pulou em cima dele. Mas o mais estranho era a sua mão. O seu braço estava peludo e tinha garras afiadas como um urso. Era um humano meio animal.
– Tatsume! – gritou a moça, aparecendo por de trás da fumaça com uma espada cor prata gigantesca nas mãos. O homem deu um tapa no instrumento e logo se afastou. – O que está fazendo aqui, Kyo? –
– Hina, minha querida, era para eu ter assassinado esse garotinho. Você pode se afastar e deixar eu terminar o meu trabalho? – o outro perguntou, olhando para Tatsume, como se quisesse destruir todos os nervos do corpo dele. Na verdade não desejava apenas isso. Ele gostaria de ver o sangue manchando o chão.
– Imbecil! – Hina correu em direção ao seu inimigo e tentou cravar sua espada nas costelas dele. Mas para sua surpresa, o homem de uns vinte e cinco anos de idade, escapou com muita agilidade. O ar estava pesado. Todos tinham uma dificuldade imensa para respirar. A fumaça já baixava.
– Vocês têm minha permissão para pegá-lo... – sussurrou o inimigo e Tatsume virou-se, vendo três ursos com cara muito brava o fitando. Eles correram para tentar atacá-lo.
– Cuide dos ursos que eu pego o Kyo! – gritou a moça para o de cabelos ruivos. Sem muito tempo para pensar, pois os animais vinham com tudo em sua direção, Tatsume apenas pegou uma faca, que carregava em uma pequena bainha e apontou para aqueles seres vivos.
Ele tinha dó de ter que ferir os belos animais. Mas pelo menos tentou. Um deles, o menor pulou para cima jovem Hokasi e tentou arranhá-lo. Resultado: Com um corte horizontal na barriga, caiu incapaz de prosseguir.
Hina mexia-se com extrema velocidade, tentando ferir o inimigo em qualquer lugar. Uma hora quase atingiu sua costela, mas as garras o protegeram e na outra, com um golpe extremamente veloz, faltou pouco para cortar a cabeça de Kyo e isso dividi-la-ia em duas partes. Mas descuidou-se. Após acertar uma árvore as garras da mão direita do outro perfuraram-lhe a pele.
– Droga! – gritou Kyo, vendo que não conseguia retirar a mão de perto do braço dela. Com um sorriso maléfico no rosto, a garota pronunciou palavras baixinho e gelo brotou de seu braço, como se fosse uma planta no solo. Essa água congelada foi com tudo para prender o braço do homem imobilizado.
Tatsume tinha um olhar frio e atento a qualquer movimento. Até ele perceber a idiotice que estava acontecendo. \"Estou lutando com ursinhos? Que coisa ridícula!\" pensou. E dando um impulso com os pés, avançou sobre os animais.
Para a surpresa do garoto, aqueles animaizinhos tão bonitinhos se transformaram em ursos gigantescos e raivosos. Ao ver isso, Hina saiu de seu lugar, deixando o adversário livre e com um corte vertical matou as duas criaturas.
– Como você é tola... Eu voltarei... – mas antes que le pudesse fazer algo, quatro vultos apareceram e prenderam o homem que acabara de falar. Formaram uma roda em volta dele.
– Duvido... – sussurrou um membro do grupo que parecia ser muito orgulhoso. Era alto com cabelos pontudos da cor cinza. Tinha uma espada enorme e pesada em suas costas. – Deixem para mim, eu finalizo-o.
E retirando o instrumento devagar da bainha, cortou o ar e incrivelmente uma onda passou por ele e cortou o adversário em dois.
Tatsume era observado por todos. Hina começou a explicar quem era quem ali:
– Este é Hatsu, – e apontou para o homem que acabara de matar o espião, – Milla, – uma garota ruiva, com um tipo de Katana ao lado da perna direita sorriu. Ela usava uma roupa larga, verde com vários enfeites cor laranja. – Tomiro e Hatsuga! – O primeiro nome era um rapaz alto, com cabelos amarelos enormes, até os joelhos. Ele vestia uma capa negra com enfeites de luas em branco e usava uma faixa vermelha com símbolos desconhecidos, de alguma religião. Já Hatsuga, o último era um homem de certa idade, com uma barba negra e um cabelo preso em rabo-de-cavalo da mesma cor. Ele era gordo e tinha a maior e mais pesada espada de todos. Parecia ser muito gentil e educado.
– Muito prazer Tatsume Hokasi, abençoado guerreiro do fogo! – falou o mais gordo, aproximando-se com uma caixa extensa, mas muito fina nas mãos, – Sou o líder dos Roku Senshi!
Os dois fizeram uma reverência e o mais novo perguntou, estranhando:
– Abençoado Guerreiro do Fogo? – Hatsuga sorriu e respondeu atenciosamente.
– Você é o mais novo Senshi deste elemento! – e abriu a caixa, mostrando a espada brilhosa e vermelha, como chamas. Ela tinha desenhos de fogueiras ardentes por todo seu \"corpo\".
– Nossa... – explicou quase sem palavras, – eu preciso ver com a minha mãe. Hatsu suspirou com desdém. Tatsume encarou-o.
– Iremos voltar para a base Hina... – explicou Tomiro, olhando sério para a garota, – enquanto você resolve este problema... , – era até ridículo para os guerreiros ouvirem que um deles teria de pedir permissão para sua mãe.
Todos concordaram. Os quatro outros membros da Roku Senshi sumiram de repente.
– Espere... Já chegamos, aqui é minha casa! – exclamou o garoto, virando para a outra que o acompanhava. Eles entraram passando por um portãozinho de ferro. Tatsume estava ansioso. Será que sua mãe deixaria ou não?
Hina, um pouco nervosa e ansiosa, acompanhou o jovem pelo gramado.
– Mãe, cheguei! – gritou Tatsume, correndo e abraçando sua mãe na porta. Ela percebeu que havia mais alguém no local e perguntou:
– Quem é esta, meu filho? – o garoto nem pôde responder. Hina tomou a frente e respondeu.
– Sou Hina Yakuho, membro dos Roku Senshi, prazer... – as duas mãos se tocaram. A garota fitou a mulher de cabelos cinza, com aparência de muito velha. O silêncio tomou a cozinha, muito desarrumada, com pratos, facas entre outros utensílios.
– Mãe, essa garota me convidou para fazer parte do grupo dela... – falou Tatsume rompendo o silêncio e olhando sua mãe com muita atenção.
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