Notas iniciais
Demorei, mas cheguei. Boa leitura.

Todos estavam agora na praça principal. Estava repleta de gente de todas as castas, não sabia quem era oito ou uma pessoa de casta um, já que todos estavam em revolta.

Apenas um garoto, moreno e de estilo meio roqueiro estava em cima da escadaria da prefeitura. Estava com um megafone e dava-se para ouvir sua voz um pouco grossa, manifestando-se por direitos iguais. Provavelmente, ele era o líder dos revoltados da casta oito e só queria uma sociedade igual e em paz, assim como eu.

– Nicholas, o que tá acontecendo? — disse Lia, parando ao meu lado.

– Revoltados querendo paz e igualdade. — respondi, surpreso com ela falando comigo. — Cadê suas irmãs? Suas amigas?

– Vim com minhas irmãs e estou atrás da Maya, irmã da Marcela. — disse ela, num tom preocupada. — Ela sumiu desde o começo da revolta e tem boatos que terá bombas logo.

– Maya é a de cabelo longo preto e branca? — perguntei, preocupado também.

Lia apenas balançou a cabeça e foi puxada por uma de suas irmãs e saiu sem nenhuma despedida.

Comecei a andar em meio da multidão tentando achar a garota ou alguém que conhecia para ajudar na procura. Quanto mais andava, mais tenso o clima ia ficando.

(POV's Maya)

Estava andando perdida, não sabia por onde passava. Estava um multidão enorme e eu estava sozinha já que tive um trabalho próximo da prefeitura. Um enorme estrondo próximo de mim tinha acabado de surgir.

A primeira bomba foi solta, e subiu uma enorme fumaça. Comecei correr em meio a multidão, ou melhor, sendo arrastada pela multidão e parei em frente de um beco e senti sendo puxado para dentro do mesmo.

– Me solta, pelo amor de Deus! Sou apenas uma cinco! — comecei gritar de tanto apavoro e uma luz surgiu revelando o rosto do garoto moreno de cabelos lisos um pouco grande. Tinha alargadores pretos e mostrou um sorriso de deboche.

– Calma cinco. Sou um revoltado mas acho desnecessário tanto escândalo. — disse ele, me abraçando ao ouvirmos o segundo estrondo. — Momento romântico.

Nunca tinha sentido aquilo, mas nos braços daquele garoto desconhecido, um revoltado, me senti segura. Soltei um sorriso meio bobo enquanto sentia sua colonia barata. Coloquei as mãos na cintura do garoto, que era alguns centímetros mais alto do que eu.

– Mas enfim, cinco. — sentia ele sorrindo. — Como se chama?

– Maya. — respondi, querendo perguntar o mesmo mas com um certo medo.

– Prazer, sou um oito. — ele sorriu, agora soltando seu sorriso. — Edward.

Me soltei dele e me encostei na parede, cruzando meus braços e o olhando melhor. Acho que paixão de primeira vista existia, eu estava alucinada por aquele garoto e finalmente percebi, que castas só servem para acabar com a vida das pessoas e a separarem por números.

– O que você acha sobre as castas? — me atrevi em perguntar.

– Realmente esta me perguntando isso? Eu estou no meio de uma revolta dos oito, uma revolta por um país de igualdade e justo. — respondeu ele.

– Admiro a coragem de vocês. — respondi, abaixando a cabeça.

"Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe a cabeça!"

Nos olhamos e saímos daquele beco, alguns guardas haviam pegado o garoto que estava no megafone e o deixaram de joelhos em frente as enormes portas da prefeitura. Ali, tinha entrado em estado de choque. Percebi o quanto o país era injusto ao ver dois homens enormes, um com um enorme machado que devia pesar muito e outro com cordas de couro.

A multidão gritava e outros revoltados tentavam impedir o que estava para acontecer.

– Ai meu Deus, o Dean! — disse Edward, ficando branco. — Tenho que impedir!

– Não! Você não pode! — disse, segurando ele. — Eles podem fazer algo com você, fica comigo!

– Nada vai acontecer comigo, mas já foi um prazer lhe conhecer, Maya. — respondeu ele, beijando minha testa.

Iria implorar mais, mas ele me deixou antes mesmo de eu conseguir fazer isso. O prefeito surgiu diante de todos ao lado do garoto, Dean, como Edward havia falado e anunciou no megafone de todos estarem ali no mesmo local às dezenove horas, aonde iriam matar o garoto como se fosse um espetáculo.

– Maya! Meu Deus! Achei que não ia te encontrar. — disse Marcela, me abraçando um pouco trêmula.

– Eu estou bem. — respondi.

– Vamos, vamos embora! Não precisamos ver essa crueldade. — disse ela, me puxando enquanto eu continuei ali, imóvel.

– Não. Vamos ficar. — disse, ainda parada — Preciso ficar.

– Você está louca? — perguntou ela, olhando diretamente para meus olhos. — Mamãe está preocupada.

Olhei em seus olhos e apenas balancei a cabeça e dizia a mim mesma que eu precisa ficar.

***

(POV's Lucca)

– Nicholas, essa altura elas se encontraram e foram embora. — dizia, indo atrás dele e observando as coisas se acalmarem.

– Foda-se, preciso encontrar elas. — dizia ele, passando por onde havia multidão.

Acabei me esbarrando no garoto da noite passada. O tal de Mike.

– Cuidado por onde anda. — disse.

– Cuidado você. Aliás, você viu o Bryan? — perguntou ele, com uma cara de pessoa que passou a noite em claro.

– Estão todos brincando de pega-pega ou esconde-esconde? — disse, sendo sínico. — E não, não o vi.

– Obrigado. — disse ele, tomando seu rumo.

Olhei para frente e Nicholas estava conversando com Lia, logo alguns metros na frente avistei a tal da Marcela e sua irmã, as duas paradas parecendo que estavam numa discussão.

– Nicholas, ali elas. — disse, chamando a atenção dele.

Caminhei passando por eles e cheguei até as meninas.

– Não, a gente não vai ver essa porra Maya! — dizia Marcela para a menina imóvel em sua frente.

– Vou ficar. — dizia a garota imóvel, sem nenhuma expressão.

– Você tá louca em querer ficar Maya? — disse Lia, se entrometendo.

– Vocês estão bem? — perguntava Nicholas.

– Vamos ver. — disse, apenas observando o rosto da garota. Todos, inclusive ela que estava imóvel olharam para mim.

– Qual é garoto, você quer levar um murro na cara? — disse Marcela.

– Não. Mas algo no olho da sua irmã está deixando ela preocupada e ela quer ficar, só assim vai ter paz. — respondi, acendendo um cigarro de maconha.

Logo senti uma dor em meu nariz, e o mesmo começava a sair sangue e ficar numa vermelhidão.

– Você tá louca Marcela! — gritou Maya, entrando na frente da irmã que tinha acabado de dar um soco em meu nariz. — Desculpa menino, ela está nervosa.

Assoei meu nariz e sai caminhando, não fiquei com raiva, entendia o motivo de raiva dela. Era preocupação com sua família. Me distanciei evitando mais briga e esperando para o show das sete.

(POV's Nicholas)

– Então quer dizer que você adora bater? — disse, tentando quebrar o clima de tensão.

Como resposta e recebi olhares das garotas de reprovação. Já faltava pouco para as dezenove horas, ou seja, com ou sem resposta elas iriam ficar ali e eu também. Montaram um pequeno palco no final da rua, havia uma forca e um pequeno pedaço de madeira para deixar alguém de joelhos.

***

O sino da igreja tocou, era dezenove horas. Ficamos bem de frente ao palco, os guardas subiram com o garoto. Ele estava agora apenas com sua calça jeans rasgada.

– O nome dele é Dean. — disse Maya, cortando o silêncio entre nós.

– Como você sabe Maya? — perguntou Marcela.

– Uma pessoa me disse. — respondeu ela, observando a cena.

O prefeito pegou um microfone agora, e fez uma pergunta para todos que estavam no local. "Enforcado ou sem cabeça?", era ridículo ver como as pessoas pensavam. Mesmo iguais, desejavam o mal de outro, como se fossem o pior assassino de todo o país. Um coral de voz respondia "Cortem-lhe a cabeça".

No pequeno pedaço de madeira que estava ali, ajoelharam o garoto, com uma expressão de medo e pavor. Um dos guardas segurou sua cabeça para baixo, como uma senhora que vai na igreja rezar. O outro, segurava aquela enorme machado e em outra mão, as cordas de couro. O espetáculo começou, várias batidas nas costas do tal Dean e sangue voava, em pouca quantidade.

Dava para ouvir seus gritos de dor e apavoro. Ao lado, surgiu um garoto branco de cabelos negros e alargadores tentando subir ao palco e impedir a situação. Maya gritou, apavorada.

– Edward! Não! Por favor, não! — gritava ela, tentando correr e eu e Lucca segurando-a.

– Prendam este marginal! — disse o prefeito, ecoando sua voz no microfone.

A multidão ainda frenética gritava para apenas baterem nele da mesma forma que faziam com o tal Dean e depois jogar água com sal em suas costas. O prefeito parou uns instantes e balançou a cabeça como aprovação para os guardar que impediam o tal Edward.

O arrastaram e levaram ao lado do tal Dean. Rasgaram sua camiseta, deixando-o apenas de calças e sapato. Maya berrava e dava para ver os olhos de Edward olhando de volta para ela.

O espetáculo continuava. Agora, batiam nas costas dos dois, sentia a dor por eles e aquele sangue que dava uma agonia. O prefeito interrompeu, anunciando o pior e mandando retirar o tal Edward, que estava agora todo sangrando e fraco. Antes de retirar ele, jogaram um balde com água e sal nas costas dele, fazendo a expressão dele mudar para dor repugnante.

(POV's Marcela)

– Marcela, deixa eu ver como ele está, por favor Marcela! — dizia Maya, chorando e implorando em minha frente.

Aquilo fazia doer meu coração, ela estava preocupada como eu me preocupava com ela. Apenas acenei a cabeça e disse para me encontrar em menos de quinze minutos. Logo ela saiu correndo atrás o garoto que estava ferido.

Abaixei a cabeça, e logo levantei novamente. O garoto estava de cabeça baixa, vi suas lágrimas caindo sobre o chão.

Em menos de segundos, o enorme machado atingiu seu pescoço e sua cabeça rolou sobre o palco, parando em minha frente. As bochechas do garoto estava molhada por suas próprias lágrimas, e seus olhos, fechavam-se, agora para nunca mais serem abertos.