Sistema de Castas: Um novo futuro
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Meus ouvidos ficaram surdos. Só conseguia ouvir vozes de fundo e um tuim na cabeça. Meu corpo estava frio, eu estava imóvel, agora apenas observando aquele enorme homem pegando a cabeça do garoto e o sangue pingando.
Cai no chão de joelhos, agora percebi a crueldade que era aquele lugar, percebi que queria a mudança e não importava o que iria acontecer. Sentia mãos segurarem meus ombros e em minha frente, Freya apareceu chamando por meu nome. Saia daquele transe e voltava para a realidade, ouvindo os gritos de compaixão da multidão.
– Marcela? Ma, você está me ouvindo? — dizia ela, agora eu a compreendia perfeitamente.
Balancei a cabeça, respondendo afirmativamente.
Levantei-me devagar e olhei para o lado, Maya estava com o garoto que tinha apanhado e Nicholas, Lucca, Lia e suas irmãs estavam ali também.
– Chamem aqueles meninos da noite passada, vamos nos encontrar nos trilhos. — disse, saindo do local e andando vagamente.
(POV's Lia)
Ficamos ali parado vendo Marcela andando sem falar mais nem menos.
– Freya, vá atrás dos meninos com a Maya e o amigo dela. — disse, dando ordens. — Beck e Tayla, vão em casa e peguem qualquer coisa para aquecer, comer que depois eu reponho tudo.
– Já começou as ordens. — disse Beck.
– Começou mesmo, agora vai logo! — gritei.
– Calma Lia. — disse Maya.
– Meninos, vão atrás dos meninos também, vocês tem carro. — disse, agora com Nicholas e Lucca.
– Tudo bem. Nove e vinte estamos aqui, ou antes. — disse Nicholas, dando as costas junto de Lucca.
Segui em direção de Marcela, estava preocupada com a reação que ele teve após aquele tragédia ocorrida pouco tempo atrás.
Finalmente viramos a trilha para chegar naqueles trens parados por anos e nos sentamos uma do lado da outra. Marcela fixava o chão, não falava, não piscava apenas ficava ali, quieta na dela.
– Ma, você está bem? — ousei em perguntar.
– Não deveriam fazer aquilo. — disse ela, agora olhando para mim. — Quero mudança, e mesmo se aquilo acontecer comigo, eu irei tentar pela mudança.
– E para que chamou todos eles? — perguntei.
– É a hora de ver se eles odeiam mesmo esse sistema de castas. — respondeu ela, dando um sorriso irônico. — E você Lia?
– O que tem eu? — disse.
– O que acha do sistema de castas? — ela perguntou.
– Eu acho, que eu quero a mudança.
– É disso que eu tô falando. — disse ela, sorrindo.
(POV's Mike)
Encostei Bryan na parede do beco ao lado da escada e comecei beija-lo enquanto passava a mão por dentro de sua blusa. Ele apoiava as mãos em minha cintura e dava alguns suspiros durante os beijos.
– Ei! Seus viados! — surgiu uma voz no beco nos chamando.
– Não fala assim Ed. — disse outra voz, agora feminina.
– Mike? Bryan? — disse outra voz masculina. Agora reconheci. Era Lucca, o garoto da noite passada.
Bryan me olhou, estava com uma expressão diferente e surgiu próximo da escada onde a luz batia e ficou de frente com o grupo. Surgi logo atrás dele.
– Quem é viados? Aliás, quem chamou a gente de viados? — perguntou ele, com um tom calmo.
– Fui eu. Só disse a realidade. — disse o garoto, que cedo estava ali naquela multidão. Sua camisa estava manchada de sangue e seu rosto estava abatido de cansaço.
Bryan foi se aproximando do garoto e deu um soco no lado direito do garoto, fazendo alguns respingos de sangue sair de sua boca. Me aproximei e segurei Bryan junto de Lucca e o outro garoto que farto de apanhar, apenas cuspiu e deu uma risada.
– Por ser uma baitola até que tem uma mão pesada. — essas foi as únicas palavras que o garoto disse.
– Parou! — gritou uma menina de cabelos negros longos e pele branca — Estamos aqui por um motivo. Chega de confusão.
– E qual o motivo? — perguntei, acalmando Bryan.
– Marcela está marcando um encontro nos trilhos. Vamos logo, chega de enrolação. — disse a menina.
– Vamos. — disse Bryan, se soltando e indo para a rua.
(POV's Bryan)
Sai do beco esbarrando o ombro no Nicholas e no garoto que tinha acabado de desferir um soco. Logo um carro parou em minha frente. Era Carina.
– Tá fazendo o que ai parado? — perguntou ela, abaixando os óculos escuros.
– Vou esfriar a cabeça um pouco. — respondi.
Logo surgiu Nicholas, as três garotas que estavam junto com ele e e os meninos. Ouvi Carina desligando o carro e fechando a porta atrás de si.
– Porque não me disse que estava com ele? — cochichou ela ao meu ouvido.
– Carina. — disse, tentando parar ela.
– Olá Nicholas. — disse ela, beijando o canto da boca dele.
– Oi, Carina. — disse ele, um pouco sem jeito. — Vão indo pessoal, logo vou atrás.
– Tudo bem. Alguém quer carona? — perguntei.
– Eu e o Ed vamos a pé. Daqui menos de dez minutos estamos lá. — disse a menina de cabelos longos.
Todos entraram no carro, deixamos Nicholas e Carina parado na frente do beco e vimos a garota e o tal Ed indo para o local.
(POV's Maya)
– Eu sei o que ela quer. — disse enquanto estávamos um pouco próximo dos trilhos.
– E o que ela quer? — perguntou Edward.
– O que vocês querem sempre. Mudança, igualdade. — respondi. — E sei que ela é capaz de tudo para conseguir isso.
– Ela é o tipo certo pra ser uma líder. — disse Ed, coçando os cabelos negros.
Dei risada e concordei, virando a esquina e chegando ao trilho. Logo dava para ver o carro estacionado e o grupo sentado com cobertas que Tayla e Beck buscaram. Nos aproximamos e nos aconchegamos ao lado de Marcela, que estava bebendo água de uma garrafinha.
– Cade o seu amigo? — perguntou ela, limpando a boca molhada.
– Na rua conversando com a irmã dele. — disse Lucca, apontando para Bryan.
– Tudo bem, vamos começar sem eles. — disse ela, fechando a tampa da garrafa. — Então, vocês odeiam o sistema de castas, correto?
Todos assentiram e Ed deu uma risada.
– Então, depois do acontecimentos horrível de hoje, chegou nossa hora de provar. — continuou ela.
– Provar? Como? Isso não é possível. — disse Tayla.
– Claro que é. — disse Lia.
– Realmente, é possível. Mas é uma guerra, eu sei como funciona. — se manifestou Edward.
– Exatamente. Se nós somos a favor, porque não tentarmos mudar isso? — disse Marcela. — É a hora. Querem mudança? Sejam a mudança.
– E estamos aqui para exatamente o que mesmo? — disse Beck.
– Para sermos a mudança. — disse.
– Exato. E o propósito é, vocês odeiam esse sistema de castas o suficiente para lutar para que ele seja diferente? Igual? — disse Marcela — E ter o final, que o amigo do Edward teve?
Todos se calaram, os rostos ficaram pálidos e o único som que se ouvia ali era os passos de alguém e a sirene do toque de recolher tocando.
Todos levantaram os olhos e viram Nicholas vindo até o grupo com uma garota ao seu lado e um menino. A menina tinha visto na festa e ali na frente daquele beco, era a irmã de Bryan. Ao seu lado, o garoto, era seu irmão.
– E ai, qual vai ser? — perguntou Marcela. — Já passamos do toque de recolher, querem ser a mudança ou não?
– Quero. — respondi e logo após Ed disse o mesmo me abraçando.
Lia, Lucca, Mike, Bryan, Tayla também disseram o mesmo.
– O que esta acontecendo? — perguntou Nicholas.
– Longa história, mas para resumir, você seria capaz de ir atrás da mudança e ter o mesmo final que aquele garoto teve? — disse Marcela.
– Eu sou capaz. — disse o irmão de Nicholas, indo para próximo de Lucca.
– Bryan, você não é louco de fazer isso né? — disse a menina, soltando o braço de Nicholas.
– Sim Carina, eu serei louco de fazer isso. — respondeu ele. — Por amor.
– E você, Carina? — disse Marcela.
– Marcela, eu te conheço, admiro sua voz e tudo mas isso é pedir para morrer. — disse Carina, sem tomar fôlego — Ele ainda é uma criança e você ainda é uma cinco!
– Exatamente, eu sou classificada como uma cinco. Pessoas deveriam ser reconhecidas por algo importante e sem diferenças entre elas e não por números. — responde Marcela, levantando-se e indo na direção dela e Nicholas. — E você, é capaz?
Ele olhou todos que estavam ali e apenas afirmou com a cabeça e logo após disse um sim. Carina virou as costas e saiu batendo seu salto no piso.
– Depois eu falo com ela. — disse Bryan.
– De novo vocês! Vou aprende-los. — a voz da noite passada surgiu. No alto de um dos trens estava parado um homem com uma enorme arma em mãos e de roupas negra e botas que cobriam o tornozelo.
– A prova da mudança, começa agora. — disse Edward.
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