Notas iniciais
Boa leitura.

Finalmente a sexta-feira tinha chegado. Todos estavam ansiosos para a festa da noite, todos, até aqueles que jamais entrará no próprio evento.

Tinha acabado de sair do banho e desci indo tomar meu café da manhã. Só estava Doroth fazendo ovos mexidos e Lilian lavando os pratos. Em cima do balcão tinha um bilhete dos meus pais, que dizia:

"Nicholas, fomos levar o Davi para comprar seus ternos e arrumar o carro dele. Voltamos em menos de uma hora."

Ótimo. Sozinho em casa.

– Doroth, vou para meu quarto. Só pega algumas torradas pra mim e joga na panela com ovo. — disse, fazendo uma bolinha de papel com o bilhete.

– Que coisa nojenta Nicholas! Você tem que ficar saudável. — respondeu ela, com aquele jeito maternal que tinha.

– Isso é saudável. — peguei as torradas e a panela e subi as escadas ouvindo ela reclamar.

Sentei-me na escrivaninha e liguei o notebook. Entrei em algumas redes sociais e vi sobre o que e quem falavam. Tudo o que eu queria, a festa da noite estava já bombando e sua lista de convidados também.

Resolvi ler a lista, já que tinha uma cópia no meu notebook poderia mudar ou acrescentar alguns nomes. Nenhum nome interessante, todos dali eu já conhecia.

"Pierre".

Como assim essa família irá vir na minha festa? Tudo bem, nessas alturas o convite já foi enviado. Fiquei puto da vida com a notícia e resolvi acrescentar pessoas diferentes na festa, se preparem.

(POV's Lia)

– Marcela? — bati na porta, com esperança de um resultado.

Ouvi a chave girando pela fechadura, e logo a porta abriu-se, mostrando apenas os olhos cor de mel de Marcela.

– Tá se escondendo é? — disse, empurrando a porta, fazendo ela se esconder por trás.

– Fecha logo a porta! — berrou ela.

Fechei a porta e olhei para ela. Estava vestida com um vestido azul marinho, sua frente era curta e atrás tinha uma enorme calda. Na parte dos seios, era cheio de lantejoulas brilhosas no mesmo tom do vestido.

– Ai meu Deus. — disse, surpresa e admirada.

– Se você me zoar eu corto seus dedos. — disse ela, andando pela casa. — Recebi esse vestido com um cartão. Acho que estão me zoando, só pode. — disse ela, pegando o cartão e me entregando.

"Uma bela voz precisa de um belo traje. Espero por você."

– Ui, bela voz. — disse, rindo.

– Lia, vou te bater. — respondeu ela, tomando o cartão de minhas mãos.

– Ok. Mas só pode ter sido o Nicholas que mandou. — disse, cruzando os braços. — Mas enfim, vamos comigo na casta sete. Preciso pedir pra senhora Alvaraz fazer um vestido para mim e para as meninas. Temos que ir iguais.

– Vão estar parecendo uns pinguins. — disse Marcela, tirando o vestido e colocando um short jeans.

– Vai comigo ou não? Senhorita bela voz. — sorri.

– Vou, pinguim. — disse ela, agora calçando uma sapatilha.

***

– Com toda certeza eu não vou assim! — disse Beck, com o vestido longo de seda azul bebê.

– Eu achei lindo. — disse Freya — Mas poderia ser rosa.

– Não, não poderia ser rosa. A Marcela vai vestir azul, e meio que somos um grupo. — disse Maya.

– Gente, façam um vestido curto meio ombro. Vai ficar bonito e leve. — sugeriu Marcela. — E poderiam fazer vários tons de azul até chegar ao meu.

– Ótima ideia. — disse, concordando com Marcela. — Tudo bem para vocês? — encarei as meninas.

– Tudo. — disse elas, num coral.

– Ótimo. — respondi — Senhora Alvaraz, pode fazer do jeito que falamos. O pagamento vamos trazer pela noite, ou entregamos para o Rhuan ou para o Gabe.

– Tudo bem meninas, eu levo os vestidos pelas quinze horas. — respondeu ela, com seu jeito doce.

– Vamos logo, estou cansada já. — disse Beck, jogando a bolsa por cima dos ombros.

– Tchau meninas. — disse Rhuan, ao passarmos pela porta da entrada.

(POV's Lucca)

– Nicholas, eu vou com esse terno? — disse, me olhando no espelho com o cigarro de maconha acesso na boca. — Estou parecendo um pinguim!

– Está um deuso. — disse ele, rindo da minha cara.

– Seu cu, filho da puta. — respondi. — Ei! Moça! Quero esse terno mas quero ele em azul.

– Azul? Azul vai vir a cantora. — disse Nicholas, dando o nó em sua gravata borboleta.

– Como sabe que ela vai vir de azul? — perguntei, olhando os seios da moça que tinha vindo me ajudar.

– Apenas sei. — respondeu ele, com um sorriso no canto da boca. — Sabe quem vai vir pra festa?

– Não, não sei. — respondi, tirando o terno.

– O mala do Pierre. — respondeu ele, fazendo poses na frente do espelho.

– Porque odeia tanto ele mesmo? — perguntei.

– Porque ele é um mala. E porque é primo meu. — disse ele, olhando para mim — De segundo grau, mas ainda meu primo.

– Que fofos. — disse, debochando. — Moça, quero um terno branco platinado.

(POV's Carina)

– Estou bonita assim? — parei diante a porta do quarto de Bryan com um vestido vermelho longo meio ombro.

– Esta perfeita. — respondeu ele, mal olhando para mim.

– Bryan Louis Rider! — gritei — Olhe para mim.

Ele sentou-se na cama e jogou o celular no travesseiro. Me olhou de cima abaixo e fez um sinal de sim com a cabeça.

– Sim, você esta maravilhosa. — respondeu ele, agora sendo sincero. — Faça uma trança lateral. Vai ficar perfeita.

– Será que o Nicholas vai gostar? — perguntei, girando no mesmo lugar.

– Acho que vai. — disse ele, sem nenhuma importância. — Mas eu te ajudo, antes que você comece dar show.

– Obrigada. — corri, beijando sua bochecha — Te amo irmão.

[...]

(POV's Bryan)

Já era seis e meia, estava terminando de me arrumar. Tinha ligado para o Mike, por incrível ele recebeu um convite de última hora e conseguiu um terno. Ótimo, iria encontrar ele naquela noite.

– Vamos, estamos atrasados. — disse Carina, segurando a barra de seu vestido e a bolsa de mão.

– Estou indo. Vai descendo, só vou passar perfume. — respondi.

Passei um paco rabanne e desci, arrumando a manha do terno.

– Vai no meu carro ou vai no seu me seguindo? — perguntei para Carina, que estava na frente do enorme espelho suspendo passando batom.

– Vou te seguindo. — disse ela, guardando o batom e saindo do hall.

Sai e fui logo para meu carro, buzinei e Carina buzinou de volta, e tomamos partida.

(POV's Marcela)

– Brincadeira isso né? — disse, para o cara de terno que estava na minha porta. — Me levar para a festa? Você está me atrasando, deixa eu pegar o trem logo.

– Senhorita Viollet, o Senhor Montes me enviou até aqui. E levar suas irmãs e sua amiga também. — disse ele, todo calmo.

– Filho da puta. — disse, para mim mesma. — Tudo bem. Eu vou, mas não me irrite.

Ele sorriu, abrindo a porta do enorme carro preto e estendendo as mãos para me ajudar entrar. Entrei sem segurar na mão dele e me arrumei no assento. Logo em seguida, minhas irmãs entraram.

– Coisa fina, não? — disse Maya.

– Cala boca Maya. — respondi.

Demos partida e fomos buscar Lia e suas irmãs. Estavam todas lindas, com os tons deferentes de pele e que combinava com a pele de cada uma.

– Tá me dando um frio na barriga. Não vou conseguir cantar. — entrei em desespero. Sempre que isso acontecia minhas mãos suavam e minha barrigada embrulhava.

– Calma Ma, respira e inspira. — dizia Maya, tentando me acalmar e Freya segurando minhas mãos.

– Moço! Tem água aqui? — gritou Lia, preocupada.

Ou ele não ouvia, ou ele estava seguindo apenas suas ordens. Comecei suar frio e fazia o que Maya me recomendava.

– Chegamos senhoritas! — disse o moço, estacionando o carro.

– Moço! Ela tá tendo um ataque de desespero! — gritou Lia.

– Não! Estou bem, calma. — disse, abrindo a porta do carro. — Só preciso de ar.

Sai do carro e me dei com a mansão, estava cheia de carros, pessoas ricas e finas e luzes para todos os lados. Me equilibrei no salto e segurei a barra do vestido. As meninas, logo ficaram atrás de mim, admiradas como eu.

– Por aqui, senhoritas. — disse ele, nos levando para a escadaria da entrada. Logo, estava a família Montes.

Os pais ricos e finos e os filhos, Nicholas e Davi.

– Boa noite, senhoritas. — disse Nicholas.

O encarei com uma cara de desgosto. Garoto sínico.

– Boa noite. — respondeu as meninas.

– Ficaremos onde? — perguntou Lia, um pouco baixo para Nicholas.

– Aproveitando a festa, ora. — respondeu ele.

– Não vou cantar? — perguntei.

– Vai, você é a surpresa no final da festa. — respondeu ele, dando uma piscadinha.

– Com licença. — disse, entrando pelo enorme salão e indo direto para a mesa de bebidas.

– Você está bem? — perguntou o menino da noite passada, não lembrava direito o nome dele.

– Melhor impossível. — disse, virando uma taça de champanhe. — Como é seu nome mesmo?

– Bryan. Só Bryan. — disse ele.

Dei um pequeno sorriso e o olhei nos olhos.

– Só Marcela. — disse, ainda sorrindo.

Ao fundo, vi um garoto alto e branco entrando. Estava muito fino, rodeado de pessoas tentando cumprimenta-lo e o admirando.

– Quem é aquele? — perguntei.

– Ele quem? — perguntou Bryan, virando-se.

– Aquele. — apontei discretamente.

– Ah. Ele é um dos um mais cobiçados. Vinícius Pierre. — disse ele, admirando-se também. — Ao lado dele, Beatrice Pierre. Irmã dele, tem quinze anos.

– E ele, tem quantos? — perguntei, bebendo outra taça de champanhe.

– Dezenove, pelo que fiquei sabendo. — respondeu dele. — Bom, preciso ir ali, falar com meu amigo.

– Tudo bem. — respondi.

[...]

A noite estava um tédio infinito. Do que adianta ser rico e de uma casta superior e não saber dar festas? Fui para fora do salão, e me dei de cara com Nicholas se pegando com um garota de vestido vermelho longo. De primeira não reconheci, e logo percebi que era Carina. Ela estava linda, seja por isso que ele estava aos beijos com ela.

Desci as escadas e tentei não fazer muito barulho. Tentativa inválida. Estava de salto alto e faziam barulhos a cada degrau que descia.

– Já indo embora? — disse Nicholas.

Parei no final da escada e me virei, dando um gole no meu champanhe.

– Apenas tomando um ar. — respondi e continuei andando.

– Oi, Marcela. — disse Carina, tirando o batom borrado.

– Oi. — gritei, sem ao menos olhar para trás.

Segui pelo jardim e tinha um caminho de árvores, era realmente lindo. No final do caminho, havia uma fonte e ao topo tinha uma sereia. Sentei-me num dos bancos que estava ali no local e fiquei apenas ali, observando.

(POV's Bryan)

– Vamos para a casa da piscina. — sugeri para Mike, para podermos ter nosso momento aquela noite. — Me siga discretamente.

Sai pela porta de trás, e vi a garota da noite passada, a tal Lia com o famoso e deslumbrante Vinícius. Aquilo me chamou atenção, mas continuei seguindo meu caminho até a casa.

Não demorou muito, cheguei e logo em seguida Mike chegou já me beijando e me jogando contra o sofá que tinha no meio do cômodo. Senti sua mão fria e lisa passar por debaixo do meu terno, tocando logo em minha pele quente e lisa.

Aquilo foi me excitando e passava a mão por dentro de sua calça, sentindo seu membro já um pouco duro. Tirei seu terno, seu camisa e o deixei apenas com a calça, e ele me deixou do mesmo jeito. Ele retirou seu corpo de cima de mim, e foi tirando minha calça e cueca junto, me masturbando e logo em seguida me fazendo um oral. Joguei a cabeça para trás e fechei os olhos apenas sentindo aquela sensação prazerosa e magnifica.

Retirei a calça dele logo em seguida e o fiz o mesmo, não durou muito até ele me penetrar. Doía muito no começo, mas ele foi carinhoso e paciente e fazia daquela dor tornar-se em prazer infinito. Resolvi que não queria penetra-lo, não naquela noite e então ele gozou para fora e depois me fazendo novamente um oral até eu gozar.

(POV's Lia)

Ainda estava surpresa por aquele garoto vir falar comigo. Eu era apenas uma seis, e ele, o poderoso um.

– Você sabe que casta eu sou para estar tão interessado assim? — disse, o olhando dentro dos olhos.

– Eu não gosto do sistema de castas e mesmo que você fosse uma oito rebelde eu queria lhe conhecer. — respondeu ele.

Sorri, debochando.

– Só está dizendo isso pois está noite quer pegar alguém, desculpa mas não vai rolar. — respondi, entrando de volta.

Senti suas mãos quentes segurarem meu braço e me prender na parede, olhando firme dentro de meus olhos.

– Olha só garota, a minha primeira paixão foi uma sete. Eu não quero saber a sua casta, só quero saber quem é você e ter a honra de te conhecer. — disse ele, ainda me olhando firme.

– Sou uma sete. — respondi.

– E eu sou o Vinícius, morador de um país que divide pessoas por números. — respondeu ele.

– Sou Lia. — respondi, sorrindo.

– Ótimo, Lia. — disse ele, agora me prensando contra a parede e seus braços beijando-me intensamente.

(POV's Nicholas)

– Foi muito bom te conhecer, Camila. — disse, colocando um chiclete na boca.

– É Carina. — disse ela, limpando a boca borrada.

– Desculpe, Carina. Entre, logo estarei de volta. — disse, descendo as escadas e seguindo por onde a menina da noite passada tinha ido.

Dei de cara com ela sentada de frente para a fonte, suas pernas estavam de fora, já que o vestido era curto na frente e com uma calda atrás.

– Ficou sem ar enquanto beijava? — disse ela, levantando-se.

– Não, apenas cansei do beijo dela. — respondi.

– Interessante. — disse ela, toda fria.

– Muito. — respondi, e coloquei as mãos no bolso da calça.

– Que horas vou cantar mesmo? Quero ir embora logo e cantar antes de ficar bêbada. — disse ela, cruzando os braços.

– Agora, se quiser. — disse, me aproximando dela. — Mas acho que agora vai se ocupar com outra coisa.

Segurei em sua nuca e a puxei contra meu corpo a beijando. Senti as mãos delas passarem por cima do meu ombro e a segurei pela cintura. Logo em seguida, ela se entregava mais ao beijo e para minha surpresa, senti a pior sensação do mundo.

Ela chutou meu membro, cai sentado no banco e me queixava da dor.

– Não me beije até eu pedir, ou até eu te dar moral. — disse ela, toda sínica. — Vou cantar.

Levantei o rosto e apenas a vi indo de volta para dentro do salão. Demorou um pouco e me recompus, segui em direção de volta a mansão e lá estava ela, cantando e fazendo as pessoas se divertirem, finalmente serem elas mesmas e sem terem uma barreira de castas separando-as.

Olhei para ela de longe, e nossos olhares se cruzaram, vi o sorriso de deboche que ela fez e apenas abaixei a cabeça.

– Até parece que ela consegue fazer uma mudança no mundo. — disse Lucca, parando ao meu lado.

– Pois é, até parece. — respondi.

***

Na manhã seguinte, acordei-me com meus pais gritando. Algo havia acontecido, não sabia o que era e desci as escadas me encontrando com todos na sala.

– Que porra que aconteceu? — perguntei para Davi.

– Casta oito esta em revolta. — disse ele, preocupado. — Nicholas, eles estão na cidade, atirando, saqueando. É o fim!