Sistema de Castas: Um novo futuro
2 Capítulo 2
Notas iniciais
(POV's Mike)
Já ia dar dez horas e eu e o Bryan ainda estávamos na rua, agora, passando por perto da estação de trem, aonde poucos olheiros ficavam.
– Espera. — disse Bryan, parando e colocando o braço em cima do meu abdômen.
– Que foi Bry? Quer me matar de susto? — disse, parando ao lado dele.
– Tem gente ali. — ele apontou. Logo à frente tinha um grupo de quatro pessoas, dois garotos, um com um cigarro acesso e outro estava dando um gole em alguma bebida. Sentadas na frente deles, havia duas meninas, uma com outra garrafa e outra com a mão na cabeça rindo.
– Acho que são oitos. — disse, observando a cena.
– Oitos não se vestem tão adequadamente como eles, Mike. — disse Bryan todo irônico.
– Tudo bem, vamos falar com eles ou ir embora? — perguntei.
–Ei! Vocês dois ai! — gritou o garoto que estava com o cigarro. — Venham aqui se vocês acham esse sistema uma bosta! — gritou ele novamente.
– Gostei desse menino. — falei, dando um sorriso torto.
– Gostou é? Então vai lá ficar com ele. — respondeu Bryan, cruzando os braços.
– Ciumento. Vamos ou não? — perguntei, parando em frente dele.
– Vamos. — respondeu ele me roubando um selinho.
Caminhamos até aonde o pequeno grupo estava, passamos por alguns trilhos meio tortos e com uma vegetação baixa. Como estava escuro, era um pouco difícil de visualizar completamente a face de cada um.
– O-oi. — disse Bryan um pouco tremulo.
– Não precisa ficar com medo querido, ninguém morde aqui. Só se pedirem. — disse a garota que estava bebendo.
Os outros começaram a rir e ofereceram maconha e álcool para nós. Tinha parado de fumar fazia três meses e aquilo era uma tentação, mas me segurei.
– Então, como se chamam? Ou devo perguntar, qual suas castas? — perguntou o menino que estava bebendo com um terno fino que agora estava aberto e a gravata caída.
– Para de definir pessoas por castas. — respondi. — Me chamo Mike.
– E eu Bryan.
– Gostei de vocês. Porque não gostam do sistema? — perguntou agora o garoto da maconha.
– Porque somos livres e podemos viver com quem quisermos, onde quisermos e sermos o que quisermos. — respondi.
– Interessante. Meu nome é Nicholas. Nicholas Montes. Apenas um garoto de uma sociedade qualquer. — disse o famoso Nicholas estendendo a mão direita para que eu a apertasse.
Apertei a mão do mesmo, me sentindo um pouco culpado por ser um cinco.
– Me chamo Lucca. Lucca BeeKyle. — disse o outro da maconha, agora apagando o cigarro e colocando atrás da orelha.
– Me chamo Marcela. Só Marcela. — disse a menina que estava com a garrafa, agora já bem vazia.
– E eu, Lia Vienna. — respondeu a outra.
– Aê Marcela, porque não fala seu sobrenome? — perguntou Bryan, já todo curioso.
– Ia perguntar a mesma coisa. — disse Nicholas.
– Porque essa porra de sociedade já em dividida em castas. Sobrenomes já puxam seu histórico, sua família, sua classe e se possível, até seu sangue. — respondeu ela, ficando de pé um pouco cambaleando.
– Viollet. — disse a outra garota sentada. — Marcela Viollet.
– Filha da puta! — gritou Marcela. — Não era para falar!
– Não grite, os olheiros passam por aqui. Pouco, mas passam. — disse tentando acalmar.
– Ei! Marginais! — gritou um voz de fundo — O toque de recolher já passou! Estão todos presos!
– Fodeu. Corram quem puder! — disse Bryan, correndo em direção ao seu carro e me puxando.
Os outros dois meninos levaram as garotas para o outro carro e o tal Nicholas acelerou pelos trilhos. Eu e Bryan também. Pela janela, marcamos outro encontro na sexta no mesmo local e após uma esquina — que ficava próximo de onde eu morava — Bryan me deixou.
– Até. — gritei, e ele acelerou.
***
(POV's Marcela)
Cheguei em casa sem fazer muito barulho. Assim que fechei a porta, Maya e Freya estavam sentadas no chão da sala. Maya e Freya eram muito próximas, já que as idades eram a mesma.
– Onde você estava? — perguntou Maya.
– Trabalhando. Agora vou dormir, acho bom fazerem o mesmo. — respondi, tirando as sapatilhas e jogando ao lado da porta.
– Trabalha e volta fedendo a álcool. — disse Maya.
Fui para o quarto, estava tudo girando. Só tirei o vestido e alguns grampos do cabelo e me deitei na beliche só de calcinha e sutiã.
Após alguns minutos, Maya e Freya tinham vindo para o quarto e deitaram em suas camas da beliche.
***
O dia amanheceu e Freya estava me acordando.
– Acorda Marcela, temos que ir na cidade comprar roupas do evento que os Montes vão dar. — disse ela, me puxando.
– Tá, já acordei! — disse irritada. — Cadê a mamãe e o papai? — perguntei, sentando-me na cama.
– Foram trabalhar no restaurante dos BeeKyle. — respondeu Freya, na frente do espelho arrumando seus cabelos castanhos longos e com sua madeixa única rosa presa num grampo fazendo um topete no penteado.
Fui tomar um banho, a água estava muito fria. Só tinha dois motivos: ou ninguém lembrava de nós como pessoas ou eramos pobres demais e não podemos pagar uma conta.
Lavei meus cabelos, escovei os dentes e sai do banho. Coloquei uma saia cintura alta preta um pouco rodada e uma blusa frente única azul marinho. Nos pés, coloquei uma sandália preta, daqueles tipo gladiadoras. Penteei meus cabelos e fiz o mesmo penteado que de Freya.
– Já estão prontas? — gritou Maya da sala.
– Sim, apressada. — disse Freya.
– Maya tão jovem e parece uma velha. Nem eu tô desse jeito. — disse, abrindo a porta esperando elas passarem.
– Me poupe Marcela. — disse ela colocando a bolsa nos ombros.
Tranquei a porta de casa e coloquei a chave no esconderijo da família. Seguimos para a estação de trem e pegamos a linha azul, que dava direto na casta um.
A viagem durou cerca de dez minutos, e ainda tínhamos que pegar o ônibus para dar na mansão dos Montes. Finalmente havíamos chegado, um serviçal pediu para nós esperarmos algum membro da família no enorme hall. Era cheio de estantes, o piso de madeira e a mobília toda combinando com tudo.
– Ora, ora. Você por aqui? — disse a mesma voz de ontem, parando no meio da enorme escada.
(POV's Lia)
– Vamos Beck! Estamos atrasadas! — gritei da cozinha.
– Para de gritar Lia, para de escândalo. — disse Tayla passando a mão em seus cabelos negros, fazendo um rabo de cabelo no centro da cabeça.
– A gente tem que ir na casa dos Montes. Sem ir lá, sem dinheiro. — disse, já estressada.
– Vamos. — disse Beck, surgindo já próxima da porta.
Saímos em enorme presa e pegamos o trem na linha azul e logo após um bonde que passava pela frente da mansão e mais rápido.
Chegando lá, já no hall, estava Marcela, suas duas irmãs e Nicholas Montes.
– Ele é lindo pessoalmente. — disse Tayla atrás de mim.
A voz ecoou, não dando para compreender o que ela diz, mas dando para trazer a atenção dos quatro para nós.
– Desculpe o atraso. — disse, com as bochechas coradas.
– Magina. — disse Nicholas, todo sarcástico. — Bom, quem aqui dança e quem canta? — perguntou ele.
– Eu canto. — responde Marcela.
– Ela dança. — disse Beck, apontando para mim, fazendo eu a olhar feio.
– Vocês também dançam? — perguntou ele, olhando para Beck.
Ela acenou a cabeça com um sim e as irmãs de Marcela também. Tayla não gostava de nada disso, só mantinha aquela profissão por causa de nossa casta.
– Tudo bem. Vocês tem quantos anos mesmo? — perguntou ele para mim e Marcela.
– Dezessete. — respondemos juntas.
– E vocês? — perguntou ele novamente, agora para minhas irmãs e as irmãs dela.
– Eu e Maya temos quinze. — disse Freya.
– Eu tenho quinze também, a Tayla dezesseis. — disse Beck.
– Nicholas! — gritou uma voz masculina — Sexta-feira marque está festa e chame o...
O garoto surgiu numa das portas e interrompeu sua fala ao nos ver. Marcela entrou em ataque de risos e Maya estava tentando controla-lá.
– Davi, temos nossas dançarinas e nossa cantora de sexta. — disse Nicholas, segurando uma risada.
– A-ah. Olá, meninas. — disse ele, se aproximando — Sou Davi Montes. dezesseis anos de pura saliência.
Marcela agora estava dando uma risada muito descontrolada e alta. Não me aguentei e comecei rir da cara dela, junto de Freya.
– D-d-desculpas. — disse Marcela, entre lágrimas e gargalhadas.
Nicholas começou dar risada também, e Davi ficou parado com uma cara de tacho apenas observando.
– Tudo bem, parei. — disse Marcela, se compondo. — Quando vai ser a festa e que horário? — perguntou ela, secando as lágrimas.
– Será das dezoito horas até as vinte. Tenho um compromisso depois disso. — disse ele, dando um piscar com o olho esquerdo.
– Ótimo. Até sexta então, Montes. — disse Marcela, com seu tom irônico.
– Até, Viollet. — disse ele, com um sorriso atiçador no rosto.
– Até, Nicholas. — disse, seguindo a saída com Marcela e as meninas vinham logo atrás.
– Ma, como ele sabe seu sobrenome? — perguntou Freya.
– Porque certas pessoas abriram a boca demais. — respondeu Marcela, me olhando pelo canto do olho.
– Assuntos passados. Ma, vamos comigo ali? As meninas voltam para casa sozinha.
– Ali onde? — perguntou ela, parando.
– Ali. — respondi. — E vocês, para casa. — disse para as meninas.
– Ok. Mandona. — disse Tayla.
– Vamos logo. — disse Freya.
***
(POV's Bryan)
Não tinha bebido noite passada, mas parecia que tinha tomado o maior porre de todos. Levantei-me e desci logo, indo tomar meu café da manhã.
– Bom dia bonitão. O que fez ontem de bom e ilegal? — perguntou Carina.
– Bom dia pra você também Ca. — disse, sentando-me na bancada. — Bom, quase fui preso. Conheci pessoas que pensam como nós sobre essa porcaria de castas, inclusive, seu amado Nicholas Montes.
– O que?! Ai meu Deus! Sexta tem um evento deles, fomos convidados. Você vai me apresentar para ele. — disse Carina, toda frenética.
– Tudo bem. Só não sei se ele é realmente o seu tipo. — respondi.
– Ele tem quantos anos? — perguntou ela.
– Dezoito. — respondi, colocando uma colher de iogurte na boca.
– É meu tipo. — respondeu ela. — Vou ir trabalhar, depois a gente se fala.
– Ok, sister. — dei uma risada.
(POV's Mike)
Todas as castas sete que estiverem ajudando ou fortalecendo irão perder o seu número, assim, irá ficar apenas castas de um a sete. A nova sete será a antiga oito. Ou mudem, ou sofram.
– Volte a trabalhar Mike, se a massa do pão desandar a gente não recebe. — disse meu pai, virando a massa de pão dentro do forno quente.
– Isso é ridículo. Eles estão ajudando a própria família, pessoas iguais. — reclamei, modelando a massa.
– Mas é a sociedade, pare de reclamar. Você pelo menos é um cinco. — respondeu ele, passando o pano branco na testa limpando o suor.
– Continua sendo ridículo. — reclamei, agora pra mim mesmo.
(POV's Davi)
– Lucca, sexta-feira na festa e depois vou com você e meu irmão seja lá para onde for.
– Tudo bem, só não quero muitos problemas. Ah, e leve álcool. — disse ele, pelo telefone com barulho de água caindo do chuveiro de fundo — Vou desligar, estou atrasado.
– Ok. Até sexta. — desliguei o telefone e fui deitar para ler algum livro virtual.
***
(POV's Lia)
Tinha chegado pouco tempo atrás, estava na casa do dois da noite passada resolvendo algumas coisas. Deite-me um pouco e logo fui preparar o jantar para todos da casa.
– Você viu, Lia? Tem um garoto da casta um que é solteiro. Tem dezenove anos e tem uma irmã. — disse minha mãe, colocando salada de batata em seu prato — Pena que não tenho um filho para casar-se com ela.
– Tá, e eu com isso? — respondi, mastigando o arroz que estava morno.
– Você poderia pelo menos tentar conhecer ele. Se não me engano ele chama Vinicius Pierre.
– Nome de rico tem. — disse meu pai, virando a página do jornal.
– Tudo bem mãe, apresenta a Tayla pra irmã dele. Ou a Beck. A Beck é ótima de fazer novas amizades e interrogatórios. — respondi.
– Ei! Cala boca! — disse Beck.
– Parou! — disse minha mãe. — Conheça ele, ou procure se interessar. E Beck, a louça é sua.
– Ok. — disse, levantando-me e indo para o quarto.
O outro dia ia ser longo, e eu tinha que descansar. Não é todo dia que tenho uma festa na mansão dos Montes e que eu irei dançar.
[...]
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