Sistema de Castas: Um novo futuro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
2024: O sistema de castas superiores hoje limpou todos abrigos da casta sete e deixou os das castas oito até a dez na rua, como deve ser em nosso novo mundo, nossa nova Jiley E.U.A.
Desliguei a televisão, mesmo eu sendo da casta dois eu acho ridículo este novo sistema. Me deitei na cama jogando o controle remoto para o lado e fiquei alisando meus cabelos loiros lisos e os sentia passando entre os dedos.
Passou alguns minutos e recebi uma mensagem do Mike avisando que já estava indo para nosso ponto de encontro. Tínhamos um local escondido para nos vermos, já que ele era da casta cinco e não era permitido relacionamentos de castas superiores e inferiores caso o de casta inferior seja rico o suficiente para pedir o outro em casamento. Levantei-me então e fui tomar um banho não muito demorado.
Sai rápido do banho, vesti uma calça apertada jeans e uma blusa de manga longa da Ralph Lauren. Coloquei meus óculos e apenas passei a mão em meus cabelos, que agora estavam molhados. Calcei um tênis da nike e sai do quarto, descendo a escadaria da casa.
– Aonde você vai, Bryan? — perguntou Carina, sentada na poltrona enorme de frente a lareira.
– Me encontrar com o Mike. — respondi, num tom seco e apressado.
– Cuidado! Já são sete horas e os olheiros estão perambulando. — gritou ela, ecoando sua voz no enorme hall.
Peguei meu carro que estava bem em frente ao portão e fui me encontrar com Mike próximo ao parque local que dividia a casta três e a casta quatro — o lugar mais próximo que ele podia ter diante da minha casta. Ele estava encostado no muro avermelhado me esperando. Estacionei o carro e falei com alguns conhecido do meu pai, até chegar até Mike.
Recebi um beijo que me tirou o folego, como só ele conseguia me deixar.
– Estava com saudades. — disse, logo pegando ar novamente e abrindo meus olhos verdes.
– Também. Este sistema de castas me irrita. Antes a gente podia se encontrar sem ser em segredo e namorar também. — disse ele, um pouco chateado.
– Mas as coisas mudaram. — disse, concordando um pouco com ele. — Mas não quero tristeza, temos até as deis horas para aproveitar.
Ele deu um sorriso, e entramos por trás do muro avermelhado onde tínhamos o nosso local, sem castas, sem diferenças. Apenas humanos convivendo normalmente.
(POV's Marcela)
– Eu já disse que não! Você acha que é fácil ser uma cinco? Sou a mais velha, tenho que ajudar meus pais e ajudar no sustento das minhas duas irmãs. — disse, já me acalmando um pouco — Não é fácil Carina, não é fácil. Você é uma dois, é tudo diferente.
– Marcela! Saia deste telefone, você tem um show para fazer na casta três daqui a pouco! — gritou minha mãe, aparecendo na porta do quarto.
– Tenho que desligar, eu trabalho para sobreviver. — disse, esperando nem o tchau do outro lado da linha.
Sai de casa e fui para o ponto de ônibus mais próximo, avistei dois meninos indo para trás de um muro e continuei na minha. Carregava o violino nos braços durante a viagem. Ser uma cinco e tentar impressionar pessoas de castas superiores é muito difícil quando não se tem um traje com e adequado.
Vestia um vestido amarelo que batia acima dos joelhos e uma sapatilha branca que amarrava o tornozelo. O cabelo presos com grampos e apenas um batom alaranjado. Cheguei no meu destino, a casa dos BeeKyle que depois de todas famílias da casta três era a família mais rica e conhecida da casta quatro. Os membros eram atletas, de todas categorias.
Ao entrar, dei de cara com o filho mais velho deles, o Lucca, apesar de ser bonito, não me chamava atenção. Logo atrás dele, vinha sua mãe, Rosita, já dando ordens.
– Cinco, o piano está no centro do salão. Deixe este instrumentos de lado, a banda está esperando. — disse ela, retirando o violino de minhas mãos. — E no final da festa, você irá cantar a musica final. Faça bonito que o filho dos Montes está aqui.
Os Montes. A família perfeita, dois filhos homens. O pai era médico e a mãe professora, ou seja, já eram vistos como um pela própria profissão. Os filhos eram cobiçados, o que estava na festa era o mais velho, de dezoito anos. Nicholas era seu nome.
Fui até o centro e o enorme piano preto me esperava, a banda também. No violão estava a Lia, que era da casta seis e tinha uma ótima habilidade não só para canto e instrumentos mas também para a dança. Ela era minha melhor amiga e não sabia que naquela noite ela iria estar ali também.
Sentei-me no piano, estralei os dedos e logo ouvi a Senhora BeeKyle ecoando sua voz no microfone, avisando o nosso show começar.
(POV's Nicholas)
Estava observando todas aquelas pessoas babacas olhando para minha face, como se eu fosse o rei daquele país. A banda tocava muito bem, e todos dali chamavam atenção e tinha seus próprios talentos. Logo, Lucca veio em minha direção, abri um enorme sorriso. Assim como eu, ele não ligava para aquilo de castas e eu sabia seu segredo sobre sua sexualidade.
Ele era apenas um ano mais novo que eu, e parecia uma criança, só que viciada em álcool, sexo e maconha.
– Aquela garota ali — ele apontou, com um copo de whisky na mão — de amarelo, ela parece ser legal.
– Sim, a do violão também. No fim da festa, a gente fala com elas. — dei um sorriso malicioso.
– No fim da festa, vou fumar um verde. — ele sorriu.
– Você não vale nada. — disse, dando um gole no meu drinque. — O Davi pediu para avisar que está com saudades, e que é para ligar pra ele qualquer dia.
– Pode deixar, cunhadinho, ligo sim.
***
Já ia dar deis horas, já estava me despedindo e indo para meu carro. Lucca desceu atrás de mim com o cigarro de maconha acesso e o terno nos ombros e encostou-se no carro.
– Vamos esperar as meninas, elas estão saindo em três, dois, um...
Logo as duas garotas da banda estavam saindo de braços dados, aparentemente sorrindo, como se estivessem debochando de algo.
– Ei! Meninas! — gritou Lucca.
A garota de vestido amarelo olhou e cochichou algo no ouvido da de branco ao seu lado. A de branco parou, e a de amarelo seguiu na direção de Lucca.
– O que você quer, garoto? — disse ela, toda intimidadora de braços cruzados.
– Conhecer você e sua amiga. — respondeu Lucca, dando um trago no cigarro.
– Tá tarde demais para um quatro falar em público com gente que "não é da sua laia". — disse ela fazendo aspas imaginárias em sua última frase e dando um sorriso irônico.
– Ora, ora, você julga as pessoas por suas castas? — disse, aparecendo na janela do passageiro.
Ela arqueou uma sobrancelha e me olhou com uma cara nada agradável.
– Odeio essa porra de sistemas. Mas enfim, deixa eu ir que tenho que ir para casa. — disse ela, já dando as costas.
– Espera! — gritei — Como é seu nome?
– Marcela. Só Marcela. — ela respondeu e deu as costas sorrindo ao encontro da garota do violão.
Lucca entrou no carro e saímos dali, indo para algum local onde podíamos beber e se divertir sem sermos definidos por números e castas.
(POV's Lia)
– O que eles queriam? — perguntei.
– Encher o saco. — respondeu Marcela, tirando um garrafa de vodca da bolsa do violino e dando um gole.
– Você roubou? Marcela você é louca? — disse, um pouco espantada.
– Tinha centenas, ninguém vai se dar conta. Toma um gole. — respondeu ela, me entregando a garrafa.
– Você é foda. — peguei a garrafa e dei um gole.
Ela me abraçou por cima do ombro e saiu andando meia cambaleando.
– Nós somos fodas. O mundo é foda. Esse país, é foda.
Logo a nossa frente, vinha um carro preto em alta velocidade em nossa direção. Dei um pulo para trás puxando Marcela e demos de cara com os garotos da festa.
– E ai, vamos dar uma volta? — disse o filho da Senhora BeeKyle.
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