Sirenas

4 Punição


Notas iniciais
Hi, cupcakes! Cap. novo, acalmem-se, as sereias logo chegarão... Boa leitura!

Tereza se encontrava na cama do capitão, completamente despida e olhando para o mar através da pequena janela redonda do recinto. Estava de costas para a porta e não percebeu que Sebastian se aproximava dela.

– Tereza.

– Olá, querido – ela pronunciou da forma mais doce que conseguia naquele momento.

– Responda-me, fez o que eu pedi hoje? – começava a tirar a roupa.

A morena se virou para ele, cobrindo parte do corpo com um lençol maltrapilho.

– Sim. Está tudo em ordem, pelo menos a meu ver.

– E não falou com ninguém?

Ela ponderou por um instante e, notando cada movimento dele, Tereza respondeu.

– Não falei com ninguém, Sebastian – aquele bastardo do Ricardo deu com a língua nos dentes, sabe-se lá o que ele inventou.

– Vire-se, Tereza – ele gritou novamente a ordem ao perceber que ela não se mexia. – Vire-se, puta, me obedeça!

Sem piedade, Sebastian bateu em Tereza. Dava-lhe tapas e puxava-lhe os cabelos. Deixara a pobre toda marcada, mas ela não soltara um “ai” de dor. Apenas chorava em silêncio e, ao abrir a boca para gritar, se retesava e apenas aguentava a agonia.

Ao fim da noite, Tereza estava tão dolorida física e emocionalmente que mal se mexia. Apenas se aconchegou o melhor que pode e fechou os olhos quando Sebastian a penetrou com força. Se algum dia ela chegasse a engravidar daquele homem mataria a criança antes que nascesse. Não por não amá-la, mas por que não queria que, se fosse uma menina, chegasse a ser violentada, e se fosse menino, não queria que ele se tornasse um homem bruto e malfeitor.

Momentos mais tarde, quando tudo parecia calmo, Tereza não tinha conseguido dormir, estava nutrindo um ódio que se espalhava por seu corpo como veneno. Do nada o mar se agitou e um relâmpago iluminou o recinto. Sebastian se assustou e olhou Tereza.

– O que está fazendo? – de cenho franzido, ele moveu os olhos para o punho fechado dela, que segurava algo próximo ao pescoço.

– Você não se importa. Vá cuidar do seu navio, Sebastian – ela proferiu com a voz embargada.

Abruptamente, Sebastian se levantou e se vestiu. A navegação já balançava e alguns litros de água inundavam o convés. Tereza apenas escutava os berros do capitão e dos homens que tentavam salvar o navio e mais uma das violentas tempestades.

Em sua mão fechada, a morena segurava o pingente que sua abuelita* lhe dera dias antes de se aventurar em alto-mar. Era de ouro e de família, o formato ovalado do objeto se encaixava perfeitamente na mão dela. Em alto-relevo, a figura delineava o corpo de peixinhos e uma mulher com cauda de peixe sobre uma rocha. Os cabelos ondulavam para trás, como se um vento forte os atingisse.

“En tiempos de tribulación, ora a La Virgen. Sed graciosa como las palomas y astuciosa como la serpiente. Juga-te al mar y renazca.”*. Essas foram as palavras da anciã ao por o delicado colar no colo da jovem Tereza.

Ela percebeu o que deveria fazer dali para frente. Cumpriria a promessa que fizera a Conceição de salvar todas as mulheres daquele navio.

Notas finais
*Abuelita - avózinha, vovó *“En tiempos de tribulación, ora a La Virgen. Sed graciosa como las palomas y astuciosa como la serpiente. Juga-te al mar y renazca.” - "Em tempos de tribulação, ora À Virgem. Seja graciosa como as pombas e astuciosa como a serpente. Joga-te ao mar e renasça." Sebastian malvado, totalmente desnecessário, mas tudo bem: a vingança chegará mwahahaha. Por último, e não menos importante, Feliz Dia das Mulheres! Nós merecemos!